, Ph. D. (Universidade de Yale, eua), livre-docente, professor adjunto e professor titular pela usp



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2 - Teoria Elementar do Funcionamento do Mercado

Andre Franco Montoro Filho
Professor Titular do Departamento de Economia da FEA / USP - economista

(USP), Ph. D. (Universidade de Yale, EUA), livre-docente, professor adjunto e

professor titular pela USP.
1. Teoria elementar da demanda
Não é nosso objetivo desenvolver uma teoria completa da demanda.

Nossa intenção é fazer uma introdução à teoria da demanda e, portanto,

apresentar uma visão simplificada do problema.

Costuma-se definira procura, ou demanda, individual como a quantidade

de um determinado bem ou serviço que o consumidor deseja adquirir em certo

período de tempo.

Nesta definição é preciso destacar dois elementos. Em primeiro lugar, a

demanda é um desejo de adquirir, é uma aspiração, um plano, e não sua

realização. Não se deve confundir procura com compra, nem oferta com venda.

Demanda é o desejo de comprar. Em segundo lugar, a demanda é um fluxo por

unidade de tempo. A procura se expressa por uma dada quantidade em um dado

período. Assim, deve-se dizer que Dª Maria tem desejo de adquirir 5 quilos de

feijão por semana e não, simplesmente, que Dª Maria deseja 5 quilos e que esta é

a sua procura.

Mas do que depende esta procura, ou este desejo de adquirir? Quais são

os fatores ou variáveis que influenciam a procura?

A teoria da demanda é derivada de hipóteses sobre a escolha do

consumidor entre diversos bens que seu orçamento permite adquirir. O que se

almeja é explicar o processo de escolha do consumidor perante as diversas as

alternativas existentes. Tendo um orçamento limitado, o que quer dizer, um dado

nível de renda, o consumidor procurará distribuir este seu orçamento (renda)

entre os diversos bens e serviços de forma a alcançar a melhor combinação

possível, ou seja, aquela que lhe trará o maior nível de satisfação.

101

Podemos exemplificar. Supondo que um indivíduo vá almoçar num restaurante,

vamos verificar o que influencia sua escolha. Recebendo o cardápio, a primeira

coisa que ele olha são os preços. Assim, a escolha de um determinado prato,

digamos um filé, depende não só do preço do filé, mas também do preço das

outras carnes, do preço das massas etc. Pode-se facilmente ver que, quanto

maior for o preço do filé, menos propenso estará o indivíduo a pedir um. Da

mesma forma, quanto menor o preço dos outros pratos principais: massas,

carnes etc., menor desejo ele terá de comer um filé. Isto se dá porque o filé, as

outras carnes e as massas são substitutos. Ele escolhe ou um ou outro.

Dificilmente o consumidor pedirá um frango acompanhado de um peixe. De

outra parte, existem os acompanhamentos ou complementos. É um filé com

fritas, ou com arroz, ou mesmo com arroz e fritas. Caso o preço dos

acompanhamentos seja alto, ele reduzirá sua vontade de pedir um filé. Além dos

preços, uma outra variável afeta esta escolha: a renda. Se o indivíduo não tiver

dinheiro para pagar a conta, não irá pedir o filé com fritas. Também o gosto do

consumidor determina a escolha. Mesmo que o preço do bife de fígado e seus

acompanhamentos seja baixo, o indivíduo não pedirá caso não suporte fígado.

Vemos com este exemplo que a escolha do consumidor foi influenciada

por algumas variáveis que em geral serão as mesmas que influenciarão sua

escolha em outras ocasiões. Dessa forma, costuma-se apresentar quatro

determinantes de procura individual:

I - preço do bem;

II - preços dos outros bens;

III - rendado consumidor

IV - gosto ou preferência do indivíduo.
Em linguagem matemática expressaremos estas relações da seguinte

forma:
Dx= f(P ,P ,P ...P ,R,G)x1 2 n 1
sendo:

Dx= a demanda do bem x

P = o preço do bem x

x

Pi = o preço dos outros bens, i = 1, 2, ... n-1

R = renda

G = preferências
Para estudar a influência de cada fator sobre a procura é preciso fazer

uma simplificação, pois estudar tudo em conjunto é bastante complexo e exigiria

um instrumental matemático mais elaborado. A simplificação consistirá em

considerar cada efeito, cada variável, separadamente, fazendo a hipótese de que

tudo o mais permaneça constante. Esta hipótese é também conhecida como a

cláusula do ceteris paribus. Por exemplo, dizemos que, ceteris paribus, a

demanda é função do preço.


102


1.1. Relação entre quantidade demandada e preço do bem
Podemos representar a relação entre quantidades demandadas e preços

dos bens da seguinte maneira:
Dx= f(Px) , (tido o mais permanecendo constante.
Normalmente teremos uma relação inversa entre o preço do bem e a

quantidade demandada. Quando o preço do bem cai, este fica mais barato em

relação a seus concorrentes e, desta forma, os consumidores deverão aumentar

seu desejo de comprá-lo. De outra parte, quando o preço cai, o indivíduo fica

mais rico em termos reais. Por exemplo: com Cr$ 100.00o,0o, eu posso comprar

1 (um) par de sapatos se o preço for Cr$ 100.00o,0o, e dois pares se o preço cair

pela metade, e quatro pares se o preço for Cr$ 25.00o,00. Quando o indivíduo

fica mais rico, normalmente aumenta suas demandas. Por estas duas razões, o

bem fica relativamente mais barato e o consumidor com maior poder de compra;

deve-se esperar que, quando o preço de um bem ou serviço caia, a quantidade

procurada aumente.


Assim quando

e quando
PXDX

PXDX


Esta é uma hipótese plausível e já testada várias vezes para diversos

produtos. Mas há uma limitação: tudo o mais permanecendo constante. E um

efeito isolado. Na realidade, muitos efeitos aparecem conjuntamente, e é difícil

fazer a separação de cada um.

Podemos construir uma curva mostrando a relação entre a demanda e o

preço da mercadoria. Esta curva, chamada curva de procura, mostra a relação

entre o preço do bem e a quantidade deste bem que o consumidor está disposto

a adquirir num certo período de tempo, tudo o mais permanecendo constante,

ou seja, não variando o preço dos outros bens, a renda e o gosto do

consumidor.

Um ponto da curva nos mostra uma combinação de preço e quantidade. A

um preço Px0 quantidade procurada será Q0X . A curva de procura nos dá o

conjunto de todas as combinações possíveis entre preços e quantidades.

Quando se fala em demanda, estamos nos referindo a toda a curva, enquanto se

denomina quantidade procurada a um dado ponto dessa mesma curva.
Curva de Procura

103


1.2. Relação entre a procura de um bem e o preço dos outros bens
DX= f(P )i, tudo o mais permanecendo constante.
Para esta função não temos uma relação geral: o aumento do preço do

bem i poderá aumentar ou reduzir a demanda do bem x. A reação depende do

tipo de relação existente entre os dois bens.

a) Se o aumento do preço do bem i aumentar a demanda do bem x, os

bens i e x serão chamados substitutos ou concorrentes. No exemplo dado do

restaurante o filé e as massas são bens substitutos. Também são substitutos a

manteiga e a margarina, o transporte por trem e por avião, o café e o chá etc.

Como sugerem os exemplos, bens concorrentes são aqueles que

guardam uma relação de substituição. Ou se consome um ou outro. O consumo

de um pode substituir o consumo do outro.

Graficamente esta relação é apresentada de duas formas. Em primeiro

lugar, apresentando-a diretamente.

Ou se pode mostrar por meio de deslocamentos da curva de procura. Quando o

preço do bem i ( i e x - substitutos) aumenta a um mesmo preço do bem x(P )X, a

quantidade procurada deste bem aumenta. A curva (toda ela) de procura se

desloca para a direita. Com raciocínio semelhante chega-se à conclusão de que,

quando o preço do bem i diminui, a curva de procura do bem x se desloca para a

esquerda.

104



b) Se o aumento do preço do bem i ocasionar uma queda na demanda do

bem x, os bens serão chamados complementares. É o caso de pneumáticos e

câmaras-de-ar, pão e manteiga, caneta e tinta etc. Como se pode observar, bens

complementares são aqueles que, em geral, são consumidos conjuntamente.

Sua complementaridade pode ser técnica, caso do automóvel e gasolina, ou

psicológica, como trabalhar com música.

Da mesma forma que no caso dos bens concorrentes, existem duas

formas de mostrar a relação entre o preço do bem i e a demanda do bem x -

diretaamente ou por meio de deslocamentos na curva de procura do bem x. Só

que aqui, como é fácil verificar, o deslocamento será em sentido oposto ao caso

apresentado anteriormente, onde existia relação de substituição entre os bens.

Deslocamento na curva de procura do bem x causado por um aumento no

preço de um bem complementar:

105



1.3. Relação entre a procura de um bem e a renda do

consumidor
DX= f(R) , tudo o mais permanecendo constante.
Em geral existe urna relação crescente e direta entre a renda e a demanda

de um bem ou serviço. Quando a renda cresce, a demanda do bem deve

aumentar. 0 indivíduo, ficando mais rico, vai desejar aumentar seu padrão de

consumo e, portanto, demandar maiores quantidades de bens e serviços.

Esta é a regra. Como toda boa regra, ela admite exceções. Em primeiro

lugar, é possível que o indivíduo esteja totalmente satisfeito com o consumo de

um determinado bem e, portanto, não altere a quantidade procurada por unidade

de tempo, quando sua renda aumentar. É o caso do consumo saciado. Outra

exceção encontra-se nos chamados bens inferiores. Estes são bens cuja

demanda se reduz quando a renda aumenta. Por exemplo: a demanda de carne

de segunda se reduz quando o indivíduo aumenta seus ganhos, pois aí ele

passará a demandar carne de primeira e não mais de segunda.

Estes três casos são apresentados no gráfico abaixo. A curva (1) é a dos

bens normais. A curva (2) dos bens de consumo saciado e a (3) dos bens

inferiores.

A relação entre a renda e a procura de um dado bem pode ser

apresentada na forma de deslocamentos da curva de procura. Para os bens

normais um aumento de renda deslocara a curva de procura para a direita, como

106

mostra o gráfico abaixo. Para os bens inferiores o deslocamento será para a

esquerda. O leitor poderá fazer o gráfico sobre bens de consumo saciado.

1.4. Relação entre a procura do bem e o gosto do consumidor
Por fim resta examinar a influência do gosto ou da preferência do

consumidor sobre sua demanda. Vamos estudar esta relação por meio de um

exemplo.

Suponhamos que seja feita uma grande campanha publicitária

incentivando a população a beber mais leite. Nesta campanha se mostra o valor

nutritivo do leite e os benefícios que ele traz para a saúde. O povo é despertado

por esta propaganda e resolve tomar mais leite. O que ocorrerá com a curva de

procura do leite? É fácil responder. A curva se deslocará para a direita.
1.4.1. Curva de procura de mercado
Até agora sempre falamos sobre a procura individual. E a procura de

mercado? A procura de mercado é a soma das procuras individuais.

Suponhamos que a um (lado preço o consumidor "A" deseja adquirir 10 maços

de cigarros, o consumidor "B" deseja 7 e o "C" 5 maços. Sendo o mercado

constituído (festas pessoas, a procura de mercado será de 22 maços de

cigarros, ao preço dado.

Em termos rigorosos, (fiz-se que a curva de procura de mercado é a soma

horizontal das curvas de procura dos indivíduos que compõem este mercado.

107

É chamada horizontal porque somente se somam as quantidades e não

os preços. Podemos exemplificar com uma tabela para um mercado constituído

de três pessoas.
Quantidade Procurada

2. Teoria elementar da oferta
Define-se oferta como a quantidade de um bem ou serviço que os

produtores desejam vender por unidade de tempo. Novamente é preciso

destacar os dois elementos. A oferta é um desejo, um plano, uma aspiração. E a

demanda é um fluxo por unidade de tempo.

Do mesmo modo que a demanda, a oferta de um bem depende de

inúmeros fatores que discutiremos a seguir.

A oferta de um bem depende de seu próprio preço, admitindo a hipótese

ceteris paribus, quanto maior for o preço de um bem, mais interessante se toma

produzi-lo e, portanto, a oferta é maior. Relacionando a quantidade ofertada de

um bem com seu preço obtemos a curva de oferta.

108

Em segundo lugar, a oferta do bem x depende dos preços dos fatores de

produção. De fato, o preço dos fatores, juntamente com a tecnologia empregada,

determina o custo de produção. Havendo aumento do preço de fator, aumentaria

o custo de produção. Os bens em cuja produção se empregam grandes

quantidades deste fator sofrerão aumentos de custo significativos, enquanto

aqueles que o empregam pouco sofrerão menos.

Por exemplo: aumentando o preço da terra, teremos um grande aumento

no custo de produção de café, enquanto em outros setores, que utilizam em

menor intensidade o fator terra, teremos aumentos menores de custos.

Assim, a mudança no preço de um fator acarretará alterações na

lucratividade, relativa das produções, e isto ocasionará deslocamentos nas

curvas de ofertas das diferentes mercadorias.

O mesmo raciocínio se pode fazer em relação à mudança na tecnologia,

de produção. Os bens que mais se beneficiaram da mudança tecnológica terão

uma lucratividade aumentada, e assim surgirão deslocamentos nas curvas de

oferta de diversos bens e serviços.

Em terceiro lugar, a oferta de um bem pode ser alterada por mudança nos

preços dos demais bens produzidos. Se os preços dos demais bens subirem e o

preço do bem x permanecer idêntico, sua produção torna-se menos atraente em

relação à produção dos outros bens, conseqüentemente diminuindo sua oferta.

Neste caso, temos um deslocamento da curva de oferta para a esquerda.

Podemos sintetizar estas relações matematicamente:
O = f(P ,P ...P , , ...π π π ,T)

X

onde:

X 1 n 1 1 2 m


OX= quantidade ofertada do bem x

PX = P, o preço do bem x

Pi= o preço do bem i, i = 1, 2 … n - 1

πj = o preço dos fatores de produção, j = 1, 2 … m



T = tecnologia
3. O equilíbrio de mercado
O preço em uma economia de mercado é determinado tanto pela oferta

quanto pela procura. Coloquemos em um único gráfico as curvas de oferta e de

procura Sabemos que a curva de procura, que representa o desejo dos

consumidores, é decrescente. A curva de oferta é crescente.

109




P

Chamemos a intersecção das curvas de E, ao qual correspondem o preço

Q

0 e a quantidade0. Este ponto, se existir, será único, pois a curva de procura

é decrescente e a curva de oferta crescente. Neste ponto a quantidade que os

consumidores desejam comprar é exatamente igual à quantidade que os

produtores desejam vender. Existe uma coincidência de desejos.

Para qualquer preço superiora P0, a quantidade que os ofertantes

desejam vender é maior que a que os consumidores desejam comprar. Em

linguagem técnica, dizemos que existe um excesso de oferta. Quanto maior o

preço, maior será o excesso de oferta. De outra parte, para qualquer preç

o

inferior a P0 surgirá um excesso de demanda. Quanto menor o preço, maior será

o excesso de demanda. Em qualquer destas situações não existe

compatibilidade de desejos.

Analisaremos o que ocorre nestas situações:

I - quando existir excesso de procura surgirão pressões no sentido de os

preços subirem, pois:

a) os compradores, incapazes de comprar tudo o que desejam ao preço

existente, se dispõem e passam a pagar mais;

b) os vendedores vêem a escassez e percebem que podem elevar os

preços sem queda em suas vendas.

II - quando existir excesso de oferta surgirão pressões para os preços

caírem, pois:

a) os vendedores percebem que não podem vender tudo o que desejam,

seus estoques aumentam e, assim, passam a oferecer a preços menores;

b) os compradores notam a fartura e passam a regatear no preço.

No ponto E(P0, Q0) não existem pressões para alterações nos preços.

Neste ponto os planos dos compradores são consistentes com o plano dos

vendedores. Sendo o único nestas condições, o ponto E é o ponto de equiIíbrio

das curvas de oferta e demanda. O preço P0 é o preço de equilíbrio e Q0 a

quantidade de equilíbrio.

110


3.1. Mudanças do ponto de equilíbrio devido a deslocamentos

das curvas de oferta e demanda
Como vimos anteriormente, existem fatores vários que podem provocar

deslocamentos das curvas de oferta e demanda. Ora, uni deslocamento desse

tipo provocará uni deslocamento do ponto de equilíbrio. Suponhamos, por

exemplo, que o mercado do bem x está em equilíbrio e o bem x é um bem não

inferior. O preço do equilíbrio é P e a quantidade de equilíbrio é Q .

Suponhamos agora que os consumidores tenham um aumento de renda

real (aumento de poder aquisitivo). Conseqüentemente, ceteris paribus, a

demanda do bem x, a um mesmo preço, será maior. Isso significa um

deslocamento da curva de demanda para a direita, para D'D'. Assim, ao preço P ,

teremos um excesso de demanda, que provocará um aumento de preços até que

o excesso de demanda se acabe. O novo equilíbrio se dará ao preço P ' e

quantidade Q '.

111

Da mesma forma, um deslocamento da curva de oferta afeta a quantidade e

o preço de equilíbrio. Suponhamos, para exemplificar, que abaixem os preços

das matérias-primas do bem x. Conseqüentemente a curva de oferta do bem x se

desloca para a direita. Por um raciocínio análogo ao anterior, podemos perceber

que o preço de equilíbrio se tornará menor e a quantidade maior.

3.2. Elasticidade da demanda
Sabemos que mudanças nos preços dos bens, ceteris paribus, provocam

mudanças nas quantidades procuradas. Vamos agora analisar o grau em que a

quantidade demandada responde a uma variação nos preços. Suponhamos uma

situação de equilíbrio que seja modificada por um aumento da oferta. A nova

posição de equilíbrio vai depender da curva de procura do referido bem.

Em ambos os casos apresentados nos gráficos acima, as curvas O e O' são

as mesmas, assim como o preço e a quantidade inicial de equilíbrio.

112

No caso 1 tivemos um grande aumento na quantidade de equilíbrio e uma

pequena variação no preço. No caso 2 o oposto: pequeno acréscimo na

quantidade e grande redução no preço.

A importância destas diferenças nas respostas da demanda a variações nos

preços pode ser explicada pelo seguinte exemplo: vamos supor que o governo

deseje aumentar o consumo de batatas e conceda estímulo aos produtores

desse produto. Estes reagem ao estímulo, aumentando a oferta (deslocamento

da curva). Se o mercado de batatas for do tipo do caso 1, o governo obtém bons

resultados. Haverá grande aumento do consumo e pequena redução nos preços.

Já o mesmo não ocorre no caso 2. Nesta situação os resultados obtidos são

fracos. O aumento na quantidade consumida é pequeno, apesar da grande

redução nos preços. Como se poderia medir esta sensibilidade da procura a

mudanças nos preços? Que medida utilizar?

Poderíamos pensar no coeficiente angular, mas este não seria um meio

correto, pois depende das unidades de medidas utilizadas. Por exemplo: caso

medíssemos a procura de batatas em quilos, a curva tenderia a ser horizontal

(caso 1), e, se a procura fosse medida em toneladas, a curva tenderia a ser

vertical (caso 2). Nesse caso, para o mesmo fenômeno teríamos medidas de

sensibilidade diferentes, pela simples modificação das unidades de medida.

Poderíamos também pensar em acréscimos absolutos. Se o preço aumentar

em Cr$ 10.00o,0o, a quantidade se reduzirá em 20 unidades. Esta também não

seria uma medida apropriada, pois é muito diferente um aumento de Cr$

10.00o,0o, no preço de um quilo de feijão, de um aumento de Cr$ 10.00o,00 no

preço de um carro. Se usássemos esta medida não poderíamos fazer

comparações entre os diversos bens. Um aumento de Cr$ 10.00o,00 no preço de

veículos não significa nada. Mas o aumento de Cr$ 10.00o,00 no preço do quilo

de feijão no mínimo derrubaria o Ministro da Economia.

A forma correta e usada em economia para medir a sensibilidade da

demanda e variações nos preços é a elasticidade - preço da demanda, onde se

relacionam a variação percentual da quantidade e a variação percentual do

preço. Pode-se agora introduzi r o conceito de elasticidade-preço da demanda.

"Elasticidade-preço da demanda- é a variação percentual de quantidade

procurada do bem x, para cada unidade de variação percentual no preço do bem

v. Dessa forma, matematicamente, define-se elasticidade-preço da
Var. % QX

demanda como

D

η = Var. % P,



X

ou seja, como a relação das percentagens da variação da quantidade e do preço

do bem x.

A variação percentual da quantidade é dada por:
Q , onde Q QQ

Q

2

1

113


A variação percentual do preço é
P , onde P P

2P1

P

Na situação inicial, o preço do bem x é P1, e a quantidade procurada é

Q1. No segundo momento o preço mudou para P2, onde P2 > P1. Logicamente,

a quantidade procurada passa a ser Q2 < Q1. Elasticidade no ponto e no arco

3.3. Elasticidade no ponto e no arco
A elasticidade-preço da demanda no ponto A será então:


Var. % Q
P P

ηA =

=



1

D

Var. % P



Q Q1




Caso estivéssemos interessados no ponto B teríamos:


Var. % Q
P P

ηA =

=



2

D

Var. % P



Q Q2




Mas se nosso interesse for a elasticidade entre os pontos A e B?, ou seja,

a elasticidade no arco AB? Para uma compreensão melhor deste problema,

vamos considerar a seguin curva de procura:
QD= 10 2p
sendo QD a quantidade demandada e p o preço.

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