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Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHIS)

Professora: Luiza Larangeira da Silva Mello

Disciplina: O realismo, ética e conhecimento na história literária

2016.1  preferencialmente terças-feiras, de 9:00 às 12:00
Ementa:

Em 2010, revista francesa Annales publica o dossiê “Saberes da literatura”, que, em lugar de renovar a problemática da dimensão ficcional do discurso histórico, formulada na polêmica obra de Hayden White, busca, inversamente, perguntar-se a respeito da “natureza do conhecimento de que a literatura é ela própria portadora” (ANHEIM; LILTI 2010, p. 253) e da historicidade de tal conhecimento. Algumas das repostas possíveis a essas questões podem ser construídas a partir do estudo de uma tradição a um só tempo literária e filosófica, que busca compreender as dimensões ética e epistêmica da literatura de ficção  em particular, o romance realista moderno. Esta disciplina dedicar-se-á à análise histórica de obras literárias que integram, lato senso, a tradição da “etopeia” e, em um sentido mais estrito, o tipo de escrita ficcional que o crítico norte-americano Lionel Trilling classificou como “realismo moral”.

A disciplina será dividida em quatro unidades. A primeira unidade, introdutória, será dedicada à compreensão da formulação aristotélica da relação entre mímesis e ethos, que constitui a base da referida tradição, e a diversos estudos teóricos que, a partir da década de 1980, buscam analisar as dimensões ética e epistêmica da literatura de ficção. As três unidades seguintes terão como objetivo o estudo das transformações históricas da tradição do realismo moral, desde o século XVIII, momento de formação do romance realista moderno, até o começo do século XX, quando esse gênero experimenta uma espécie de crise de representação. Cada uma dessas três unidades será encerrada com a análise de uma obra de ficção.
Bibliografia:

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