É tempo de aprender novas estratégias politica social em comunidades tradicionais ágrafas ser, conviver, conhecer e fazer



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PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DA COMUNIDADE CIGANA JOSÉ GARCIA

PROJETO MOVA BRASIL

POLO: NATAL

É TEMPO DE APRENDER - NOVAS ESTRATÉGIAS

POLITICA SOCIAL EM COMUNIDADES TRADICIONAIS ÁGRAFAS
ser, conviver, conhecer e fazer

Natal 2011

Filmagem do Instituto Paulo Freire em junho de 2011 na Escola Cigana José Garcia.




Se na verdade não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-la sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes”( Paulo Freire)


Autora: CARLA ALBERTA GONZALEZ LEMOS LOUREIRO
Co autora: JOSILEIDE SILVEIRA DE OLIVEIRA


DEDICATÓRIA


ESTE TRABALHO É DEDICADO A TODOS OS AGRUPAMENTOS HUMANOS QUE RESISTEM DILUIDOS NAS SOCIEDADES GLOBAIS E QUE A EXEMPLO DOS CIGANOS, PROVAM QUE VALE A PENA PRESERVAR OS SEUS VALORES, DEFENDER SUAS VERDADES E CONSTRUIR A SUA HISTÓRIA


SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
JUSTIFICATIVA
DIAGNÓSTICO INICIAL
PERFIL DO EDUCANDO
SITUAÇÃO ATUAL DA TURMA
OBJETIVO
METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS
ESTRATÉGIAS PARA AVALIAÇÃO
CRONOGRAMA DE AÇÕES
SITUAÇÕES SIGNIFICATIVAS
TEMA GERADOR
SUB- TEMA
CONCLUSÃO
SITUAÇÃO FUTURA DESEJADA
APÊNDICE
ANEXOS
1 – Apresentação

A história da humanidade depara-se atualmente com inúmeros desafios. Talvez o mais intrigante dentre tantos outros seja o desafio do conhecimento, ainda mais quando partimos para o campo da educação, onde se instala o confronto inevitável do tradicional versos o novo. Em uma primeira análise, a educação tradicional e a educação tida como nova tem em comum a concepção da educação como processo de desenvolvimento individual. Todavia, o traço mais original da educação do século XX, foi o deslocamento de enfoque do individual para o social, para o político e para o ideológico. Assim, a educação no século XX tornou-se permanente e social e das muitas idéias universalmente difundidas por ela, as principais são a de que não há idade para se educar, de que a educação se estende pela vida toda e que ela não é neutra.

Desse modo, a educação e em especial o professor, passaram a desempenhar uma função social de grande importância na medida em que as suas responsabilidades se alargaram. No que se refere ao professor, este se vê na necessidade de buscar novas competências para ensinar. Prática reflexiva trabalha em equipe e por projetos, autonomia, pedagogias diferenciadas e uma grande sensibilidade para perceber o outro são alguns exemplos das novas exigências da profissão.

E fazendo uso dos ensinamentos do Mestre Paulo Freire, destacamos os saberes necessários à prática educativa. Para ele:

“(...) ensinar é uma especificidade humana que exige do docente segurança, competência profissional e generosidade; requer comprometimento e a compreensão de que educar é uma forma de intervenção no mundo e que exige liberdade e autoridade; além disso, exige reconhecer que educação é ideológica, que necessita de disponibilidade para o diálogo e, acima de tudo, requer que o docente queira bem aos educandos” (FREIRE, 2002).

Buscando acompanhar e, em determinados momentos, enfrentar os novos desafios que o mundo moderno nos aponta, surgem no campo da educação novas teorias na tentativa de quebrar velhos paradigmas e pôr em prática outros.

Nesse sentido, complexidade e holismo são palavras cada vez mais ouvidas nos debates educacionais que defendem um princípio unificador do saber, do conhecimento, em torno do ser humano, valorizando seu cotidiano, o vivido, o pessoal, a singularidade, o entorno. Nesse tipo de princípio a escolha, a decisão, o projeto, o vínculo, a totalidade, a autonomia, a liberdade e a busca da felicidade são objetivos a serem perseguidos por todos.

Isso porque durante muito tempo a educação formal ofereceu algumas alternativas de aprendizagem, as quais hoje se encontram reconhecidamente fracassadas frente aos desafios da modernidade. Nesse sentido, duas delas apresentam-se como verdadeiros paradigmas a serem quebrados. O primeiro diz respeito à fragmentação do saber, que se apresenta como um dos grandes entraves na construção de um saber verdadeiramente significativo, uma vez que juntamente com essa fragmentação perde-se a idéia do todo, perdendo assim também, o sentido do saber. O segundo refere-se aos caminhos determinados para a busca e apreensão do saber, os quais remontam o início do século XX, quando o psicólogo Alfred Binet estruturou o conceito de inteligência e sua medida fazendo com que uma maioria absoluta das escolas se formatasse para acolher essa percepção. Para Binet, a inteligência foi percebida tendo como aspectos principais o lingüístico ou verbal e o lógico-matemático. Foi desse modelo que se desenvolveu o teste de Q.I., que, surgido na França, espalhou-se rapidamente para todo o mundo e que até bem pouco tempo servia para classificar e determinar o grau de inteligência dos indivíduos.

Para contrapor-se a esse modelo de inteligência Howard Gardner desenvolveu uma visão mais pluralista da mente humana, concebendo diferentes visões sobre as competências intelectuais do ser humano. Suas pesquisas apontam para um ser humano holístico, com potencial para desenvolver múltiplas inteligências, à espera de uma nova escola que possa fazê-lo genial em campos diversos. Em suas obras, Gardner cita sete inteligências, e mais recentemente, menciona uma oitava, quais sendo: lingüística ou verbal, lógico-matemática, espacial, musical, corporal-sinestésica, naturalista, pictórica e a interpessoal/intrapessoal (ANTUNES, 1999).

Instala-se então o impasse. Como tornar possível essa prática sem que se modifiquem as velhas estruturas caducas de nossas escolas e em nossa prática educativa? Como construir esse ser humano coerente com suas potencialidades e capaz de atingir a liberdade e a felicidade, se nosso modelo de escola e a nossa prática ainda aponta para a fragmentação do saber estruturado em verdadeiras “ilhas” que respondem pelo nome de português, matemática, história, geografia, ciências, inglês e outras tantas, e que geralmente não dialogam entre si?

Parece que a tarefa não será muito fácil, para não dizer impossível. A menos que se inicie um movimento de mudança e que, acima de tudo, passemos a alimentar a crença de que é possível sim efetivar-se tais mudanças.

Mas para que tais mudanças possam efetivar-se, torna-se necessário que a Educação assuma o compromisso de trabalhar com uma visão de educação traduzida no conceito de educação para o desenvolvimento humano. Esse modelo de educação deve ser capaz de promover quatro aprendizagens conforme propõe a UNESCO: ser, conviver, conhecer e fazer, as quais devem ser capazes de transformar essas aprendizagens em quatro competências para a vida dos alunos: pessoal, relacional, produtiva e cognitiva.

Porém, antes de tudo é imprescindível que o professor, em especial o professor da escola pública e de projetos educacionais , compreenda que as pessoas em função das quais a escola pública existe – quais sendo, os filhos da maior parte dos trabalhadores de nosso país –, em sua grande maioria não são alunos brilhantes nem tampouco excepcionais e uma vasta escala sequer tem acesso ao ensino público, como é o caso dos ciganos. Uma significativa parcela deles são estudantes comuns com opiniões igualmente comuns e cujas notas obtidas nos exames escolares são, muitas vezes, inferiores as notas consideradas como baixas. Esses alunos, que não costumam ter grandes planos nem projetos para suas vidas, quando não são tragados pela criminalidade dos bairros onde moram estão bem distantes daquele modelo de aluno que imaginamos como sendo o “aluno ideal”, inteligente, brilhante, disciplinado e com planos bem elaborados para seu futuro, e que geralmente alcançarão um bom lugar ao sol e cuidarão de si mesmos. Ainda que seja para este aluno que nós professores desejemos ensinar, são os outros, aqueles que de fato precisam verdadeiramente de um bom professor (HOBSBAWM, 1998).

E isso não vale apenas para a realidade das escolas, vale para todo o mundo.


(...) “Os governos, o sistema econômico, tudo na sociedade, não se destina ao benefício das minorias privilegiadas. Os privilegiados são capazes de cuidar deles mesmos. É para o benefício da grande maioria das pessoas, que não são particularmente inteligentes, brilhantes ou interessantes, que não tem um grau elevado de instrução, não são prósperas ou realmente fadadas ao sucesso e que não tem nada de muito especial. São para essas pessoas que, ao longo da história, fora de seu bairro apenas tem entrado para a história como indivíduo nos registros de nascimento, casamento e morte. Toda sociedade na qual valha à pena viver é uma sociedade que se destina a elas, e não aos ricos, inteligentes e excepcionais, embora toda sociedade em que valha a pena deva garantir espaço e propósito para tais minorias. Mas devemos lembrar que o mundo não é feito para o nosso benefício pessoal, nem tampouco estamos no mundo para nosso benefício pessoal. Um mundo que afirme ser esse seu propósito não é bom e não deve ser duradouro”.

1.1 A questão cigana em sala de aula
Existe a necessidade e a preocupação em analisar, por parte do universo acadêmico, a secularidade e as mobilidades das ditas sociedades tradicionais, onde se questiona a discussão da historiografia em busca da pluralidade da História, das suas relações de poder, da Memória transmitida pela Oralidade e da própria discussão teórica que se pontua a História Cultural e a História social desses clãs. A humanidade é definida pelas circunstancias e esse é sem duvida o maior legado da História Humana.

A argüição terá como premissa a Oralidade e a Memória tendo em vista que em sociedades tradicionais que nada escreve sobre suas hierarquias sociais, políticas e econômicas pouco se transfere e nada se permite entender de sua cultura. Tudo o que se escreveu dos Ciganos foi fruto dos que não eram ciganos e cuja orientação era a secularização de um preconceito obedecendo sempre aos padrões vigentes de dominação.

A memória torna-se, portanto imprescindível nessa linha de pesquisa onde as novas perspectivas dialogam com a História das Mentalidades. Todas essas mudanças historiográficas projetam-se na observação dos modos, dos hábitos, do cotidiano das sociedades, suas participações nas estruturas sociais e culturais e principalmente na suas permanências e mobilidades dos espaços ocupados nos diferentes contextos históricos.

Nesse sentido a História Social é à base da Historiografia Contemporânea e o século XX trás estudos sobre as camadas sociais, fruto do Marxismo. Enquanto que nas obras clássicas a Cultura era objeto apenas da Elite o Marxismo trás uma sociedade de excluídos: “ não foram os 40 réis que fizeram a Revolução, mas a leva de camponeses famintos e um punhado de burgueses intelectuais”.

Mas quem são os Ciganos? Se fossemos produzir aqui toda a nomenclatura e toda a história dos caminhantes todas as laudas seriam insuficientes, tamanha a pluralidade da Cultura a eles associadas.

O que muitos teóricos defendem é que existem três hipóteses para se justificar o nomadismo da etnia: - que seriam os Párias, considerados pela elite Indiana Inferior e após uma rebelião, foram expulsos do território;- outra possibilidade é de terem sido sempre nômades e a Índia seria um local de passagem, talvez o que mais tempo permaneceram, e desta forma sofreram, uma forte influência da Cultura Indiana. A língua Romani- Indu é um dos referencias teóricos mais contundentes para essa justificativa:


Os Rons ou Roma ,que falam romani. os Sinti ou Manouch da língua sintò; e os Calon ou Kalé, que falam a língua Kaló. Cada um desses grupos é dividido em vários subgrupos; cada sub-grupo divide-se em comunidades familiares, e estas por sua vez, em famílias, a unidade sociais mais importante na organização cigana. Os Rom predominaram na Europa Central; Os Sinti, na Europa Ocidental e os Calon, nos países Ibéricos( MOONEM, 1994, p.14)

O que a Historiografia Oficial ressalta nos Contextos Históricos é uma fundamentação teórica impregnada de preconceitos e princípios de racismo, levando a Comunidade Cigana Européia a negar hoje o termo Cigano e adquirir o ROM para designar a etnia, o cuidado entretanto que os Historiadores e Antropólogos devem ter é “desfolclorizar” o Cigano e torná-lo agente e protagonista da História.

A pesquisa e a sala de aula, tem por finalidade, analisar os documentos de permanências e dos distanciamentos dos Ciganos Calons no Grande do Norte á partir do Decreto do Degredo á que foram submetidos os ciganos oriundos da Península Ibérica , pela Coroa Portuguesa cujo destino era o Maranhão.. Fato marcante até a contemporaneidade, onde se constata no clã de Antonio Charuto e em outros Clãs do Nordeste , a mobilidade de determinados grupos de Ciganas que se dirigem trimestralmente ao Maranhão , com o objetivo de passarem 30 dias, exercendo a sua Cultura e obtendo dessa forma parte de sua sobrevivência.

As informações sobre os ciganos nos séculos XVI e XVII são bastante limitadas, embora sejam conhecidos documentos relativos às políticas anti-ciganos portuguesas. A analisar o reinado de Dom João V cuja duração foi 44 anos e observar que a perseguição aos ciganos aumentou consideravelmente. Porém no que tange a entrada no Brasil é praticamente impossível se determinar em números quantos ciganos entraram em território brasileiro. Segundo Donovan:


Enquanto a Gazeta de Lisboa menciona grandes grupos deportados , nenhuma lista oficial de criminosos exilados tem sido trazida a luz.. Assim o número de indivíduos e famílias embarcadas nos cargueiros anualmente, o volume daqueles transportados, permanece desconhecido”
O único ponto que não deixa dúvidas é que os primeiros ciganos que desembarcavam no Brasil não vieram voluntariamente,

A abordagem em sala de aula da temática dos ciganos foi extremamente difícil, acima de tudo pela falta de fontes e livros que esclareçam o assunto de forma didática e principalmente pela memória coletiva impregnada de pré conceitos e visão distorcida sobre a etnia.

As aulas seguiram um roteiro informático do processo de aceitação e ampliação da história dos ciganos no Rio Grande do Norte

Estudamos a evolução da mobilidade social dos clãs existentes no Estado. Observar esse processo coletivo e observar se tal ação realmente desempenha seu papel de mudanças sociais, econômicas e culturais nas comunidades ciganas

Aqui no Rio Grande do Norte, a etnia Calon sobrevive possivelmente desde o inicio da colonização do Estado. A figura lendária de José Garcia ronda o imaginário de todos os seus descendentes potiguares. Os Calons são oriundos da Península Ibérica e se dizem originário do Egito, fato que nos chama a atenção a origem Asiática deles. O dialeto que falam até hoje chama-se Caló ou Chibia , proibido para os gadjos( não ciganos). Estima-se que existem hoje no Rio Grande do Norte mais de cinco mil ciganos que isolados e silenciosos são parte de nossa história.

Diz Martinez:( 1989, p. 12)


De repente apareceram na Europa, a partir de 1417 alguns bandos desses reis e duques com nomes próprios da Igreja Ortodoxa. Dizem vir do pequeno Egito, nome dado a um bairro de Modon, na Grécia, origem da primeira apelação de egípcios.

Realizamos uma discussão onde se supere as delimitações do viajante desenraizado, desmitificando as fronteiras e abrindo margem para o novo, para o alheio, encontra-se num processo continuo de troca cultural, que consiste na perda( não total) de alguns de seus valores e na assimilação de outros, o que chamamos de hibridismo cultural.

Introduzir na discussão teórica a narrativa do enraizamento, permitindo a cultura cigana o sedentarismo e o medo e a angustia de agregar novos valores e novas formas de vida a partir da limitação de espaço: causas e efeitos.

Realizamos através do debate e da pesquisa um levantamento bibliográfico das principais obras e documentos historiográficos referentes ao reconhecimento da etnia Calon no Rio Grande do Norte e colaborar com a historiográfica no que tange aos espaços ocupados pelos ciganos em todo o processo de sedentarizarão dos clãs, contribuindo desta forma para uma revisão teórica e preservação da diversidade e cidadania. Pelo levantamento superficial em sala de aula, constatamos que os principais teóricos nada escreveram sobre a presença dos ciganos no Rio Grande do Norte.

Através da Oralidade de cada aluno constamos que as lembranças de família tinham sempre algum protagonista cigano: que andavam pelo interior e Caravanas, uma tia que se apaixonou por um cigano. uma cigana que leu a mão da avó e uma caravana que “ranchou” nas proximidades do sitio do avô. Tudo impregnado de mistério e silêncio.

A mesma lei que promoveu o respeito a diversidade das etnias é a lei que protege os ciganos na sua trajetória em busca do respeito a sua CULTURA.


A relação entre a história oficial e fontes documentais e por vezes a oralidade perpassa o viés que problematizam a veracidade dos fatos e uma perguntas é constantemente intrigante: Qual a relação individuo/contexto e como estabelecer os laços indivíduos/sociedade? (FONTES HISTÓRICAS, p.222).

Mas a história não deve ser confundida com a memória: as memórias precisam ser evocadas e recuperadas e merecem ser confrontadas. Segundo Le Goff: “a história consiste na escolha e construção de um objeto, operação que pode dar-se a partir de evocações de lembranças (Le Goff, 1988, pág. 109)

A constituição Estadual no parágrafo 2, do seu artigo 137 determina que as Escolas Públicas de primeiro e segundo graus, incluem entre as disciplinas oferecidas o estudo de cultura do Rio Grande do Norte, envolvendo noções básicas da literatura, artes plásticas e folclore do Estado. Na seção II – da cultura, em seu artigo 143, diz que: o Estado garante a todo o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes da cultura nacional, apóia e incentiva a valorização e a difusão das manifestações culturais – E amplia o conceito e área de abrangência, garantindo a pratica da nova visão de Diversidade Cultural, como se pode constatar no $ 1 - o estado protege as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros participantes do processo civilizatório nacional. Raquel de Queiroz disse que:

“contar uma vida é tarefa difícil, susceptível a toda espécie de controvérsias. E contar uma vida que de muito transcende o terreno pessoal para se entrelaçar com a própria História do País e a sua Regional - em alguns dos seus momentos mais graves - é trabalho que exige, além da necessária base de verdade, muito tato, muita inteligência e, sobretudo humildade.”

Trabalhar a educação numa comunidade cigana é tarefa difícil e a longo prazo. O cigano pela própria estrutura histórica não se detém muito tempo em uma sala fechada com sua liberdade limitada. Na verdade o nomadismo é uma herança cultural étnica e portanto temos que entender a determinação histórica, entretanto os preconceitos criados e perpetuados sobre a condição cigana, sempre foi uma ação política:

A resolução de 18 de novembro de 1838 ordenou o arrolamento da população pelos juízes de paz, vedou a demora dos ciganos na província, proibido sob multa imposta pelos juízes de paz que os proprietários de terras tivessem agregados sem ocupação honesta e acoitassem mal feitores e criminosos”

( RESOLUÇÃO DE 18 DE NOVEMBRO DE 1838: FALAS E RELATÓRIOS DOS PRESIDENTES DA PROVÍNCIA DO RIO GRANDE DO NORTE )
O presente Projeto Pedagógico tem por objetivo retratar de forma metodológica e sistemática o trabalho em sala de aula de uma cultura cigana. Determinar as competências e habilidades a serem desenvolvidas para que a construção do conhecimento e da cidadania se dê de maneira efetiva.

2 – Justificativa
Pensar sobre a função social da ESCOLA/PROJETO implica pensar sobre a forma de como esta tem se comportado frente a seu trabalho: proporcionar ao educando novas formas de aprender e lidar com o conhecimento, pois na sociedade atual se impõe a necessidade de sabermos selecionar informações e refletir criticamente sobre elas. Uma posição que remete ao desenvolvimento de algumas competências essenciais ao processo de aprendizagem.

No entanto, no decorrer de nosso processo de ensino foi possível observar em muitos de nossos educandos, uma aprendizagem pouco significativa, quase irrelevante a todo conteúdo até o momento trabalhado em sala de aula. Assim, entendemos a necessidade de reorganizar o trabalho pedagógico, visando à construção de um saber verdadeiramente significativo, de forma que se comprometam com o processo de aprendizagem e que esta se torne realmente efetiva.

Optamos então, pelo projeto É TEMPO DE APRENDER, que terá por objetivo o estudo dos conteúdos previstos para o ano de escolaridade que os alunos e alunas estão cursando, mas também e principalmente, para o trabalho com conteúdo extracurriculares, que contemplem temas relacionados com a auto-estima, responsabilidade, perspectivas de vida, relação interpessoal, entre outras. Acreditamos, que um trabalho voltado para o exercício de concentração e memória também será proveitoso.

Fazendo uso da metodologia de oficinas pedagógicas, pretendemos contemplar atividades que considerem os diversos tipos de inteligências (que na maioria das vezes não são percebidas no âmbito escolar, nem valorizadas pela sociedade) e realizar um trabalho que de alguma forma, oriente os demais professores para o planejamento de atividades pedagógicas diferenciadas. Esperamos desse modo, obter o sucesso almejado, colaborando para uma prática pedagógica que garanta o acesso, a permanência e principalmente a qualidade na educação dos alunos, caracterizando-se desta forma, como verdadeiramente inclusiva.



3 – Conhecendo a Turma - diagnóstico inicial
Nesses últimos anos tem sido freqüente em nossa escola a constatação, por parte dos professores, das acentuadas dificuldades apresentadas pelos alunos NÃO ALFABETIZADO E SEMI ALFABETIZADO, em especial no que se refere ao domínio da leitura e da escrita. Essa constatação baseia-se na visível dificuldade que os mesmos apresentam de compreender e interpretar as questões formuladas pela professora no dia-a-dia da escola, ou ainda, de expor seus pontos de vistas e solucionar situações-problemas do seu cotidiano. Além disso, os mesmos demonstram pouca habilidade no que se refere à expressão oral e limitações consideráveis em desenvolver atividades que exijam concentração e raciocínio um pouco mais elaborado.

Quanto à interação social, os alunos apresentam-se, geralmente, com elevado grau de dificuldade no que se refere a: resistência aos horários estabelecidos e interferência sem o devido tempo nas colocações.

Vale ressaltar que grande parte dos alunos apresentam um elevado grau de desinteresse no que se refere às atividades propostas, além de ainda não terem despertado para o sentido e a importância da educação em suas vidas. Para maior parte dessa turma o ensino, de um modo geral, ainda não foi percebido como um importante instrumento para construção de sua autonomia, liberdade e felicidade.

O que significa dizer que o trabalho estabelecido necessita de tempo e métodos para fazer com que eles despertem para importância que cada um deve ter de SER um CIDADÃO, no sentido mais amplo da palavra, e desse modo, poder interagir e modificar sua condição social quando se fizer necessário sua voz nas reivindicações de cunho político.





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