É tempo de aprender novas estratégias politica social em comunidades tradicionais ágrafas ser, conviver, conhecer e fazer



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4) - Perfil do Educando
A escola basicamente tem seu público 100% ciganos. Todas que estão matriculados fazem parte de uma mesma família: são primos, irmãos, cunhados, tias, tios. Todos do tronco “Carnaúba- Targino- Fernandes”, que fazem parte da arvore genealógica dos Ciganos do Rio Grande.

Um dos nossos alunos é neto do Capitão José Garcia, mito lendário da cultura cigana em nosso Estado.

A faixa etária varia de 15 alunos matriculados, adolescente e 15 alunos matriculados adultos. A faixa dos adultos varia muito na freqüência, entretanto a dos adolescentes é mais assídua, embora entrem e saem muitas vezes da classe.

As crianças adoram as aulas de Cultura e História do Rio Grande do Norte e muitas vezes participam das aulas, posto que ministro 04 disciplinas: Cultura do Rio Grande do Norte; Cultura Cigana, Matemática e Português.

A perspectiva dos educandos jovens é mais abrangente e percebe-se nitidamente uma angustia que se relaciona ao futuro de cada um, sonhos de mercado de trabalho, de reconhecimento étnico e principalmente acesso as conquistas matérias que nos impõe a sociedade contemporânea.

Nos mais velhos vemos uma necessidade mais imediatista: aprender a escrever o nome e principalmente a não errar nas contas, posto que ciganos trabalham com trocas e escambos, sem uma perspectiva de futuro e de reconhecimento da Educação como a libertação étnica e profissional de cada um.

A priori o projeto em sala de aula, trabalha as necessidades da comunidade e a importância da Educação na busca e nas reivindicações de cidadania.

A questão religiosa dos educandos abordamos nas aulas de cultura cigana, pois o cigano tem uma relação de liberdade com a religião.

A sustentabilidade da comunidade, isto é, a forma como eles sobrevivem financeiramente se sustenta basicamente na tarefa dos homens de trocar e negociar, principalmente nas feiras e das mulheres, que todos os dias pela manhã saem em grupo para exercer o mais sublime rito da cultura cigana: a leitura de mão.

As freqüências das aulas são sempre sistemática com as mulheres e com os adolescentes e sempre com a presença maravilhosa das crianças, cujo material escolar foi doado pelo Projeto José Garcia, para que tivessem aulas de Cultura Cigana, percebe-se a ausência dos homens.


5) – Situação atual da turma.

A turma da Comunidade Cigana José Garcia localiza-se no Bairro de Nova Natal, Cidade Praia, s/n. O espaço físico compõe-se de uma habitação de mais ou menos 20 m, possui banheiro e uma pia (em anexo as fotos da Escola) .

A sala de aula que se projetou nesse espaço contém: um ventilador, 30 cadeiras escolares, um quadro branco, um bebedor de água mineral.

Este mês de Março, o Projeto José Garcia (Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento Cultural Étnico: CULTURA, ORALIDADE E HISTÓRIA) fez a doação de um computador, para que feita as instalações necessárias a comunidade possa ter acesso a rede virtual e que possa se conectar aos outros ciganos do Brasil e ao próprio conhecimento a que se tem acesso no mundo virtual, desenvolver a visão de mundo é o objetivo da instalação do computador na sala de aula.

A freqüência média dos educandos teve uma grave crise no mês de março: o educando Jaime Júnior esteve internado no Hospital do bairro, com um quadro grave de apendicite em estado gravíssimo, chegando a ser diagnosticado pelos médicos como irreversível. Entre Março e Abril a freqüência oscilou entre permanências e ausências em sala de aula. O internamento do jovem cigano por mais de 02 meses minou um pouco a perspectiva de muitos em sala de aula.

Até porque, eles (os ciganos) faziam novenas em frente ao hospital durante a maior parte desse tempo. Jaime Junior, neto de José Garcia (o mais lendário dos ciganos do RN) saiu de alta do hospital no dia 09 de maio de 2011.

Houve uma variação significativa desse processo inicial que está sendo desenvolvido através de aulas contextualizadas, aulas de campo( segue em anexo o cronograma), palestras com a presença de alguns ciganos( segue em anexo as fotos), a introdução de uma equipe de psicologia no Rancho.

A freqüência varia entre 12 e 18 % dos educandos em mobilidade em classe.

Dos 30 matriculados, 04 estão evadidos e 02 em mobilidade (caso de doença)

6 - Objetivo Geral
Construir juntamente com a comunidade escolar cigana (em especial, alunos e família) situações de aprendizagem capazes de proporcionar, aos educandos, a compreensão de um tipo de conhecimento significativo e múltiplo, de modo a fazê-los perceber a importância da educação em suas vidas, sendo esta compreendida como um importante instrumento para sua inserção fora dos muros da escola, tornando-os capazes de gerar intervenções conseqüentes e conscientes em sua realidade social.

6.1 - Objetivos específicos
- Promover junto aos educandos as quatro aprendizagens básica, consideradas como fundamentais para o seu desenvolvimento humano: ser, conviver, conhecer e fazer;

- Propiciar aos educandos espaços de conhecimento e valorização das suas múltiplas inteligências;

- Desenvolver junto aos educandos estratégias de responsabilidade na evolução do seu processo de aprendizagem através de suas múltiplas inteligências;

- Criar juntos aos professores/monitores estratégias de avaliação que levem em consideração as múltiplas inteligências dos alunos;

- Explorar de maneira lúdica conteúdos programados;

- Dinamizar o processo de ensino-aprendizagem;

- Levar o educando a perceber a importância do(s) outro(os) em sua vida;

- Elevar a auto-estima e o nível de aprendizagem dos educandos;

- Levar o aluno a reconhecer a necessidade de aprender a construir conhecimentos;

- Fazer com que o aluno reflita acerca das temáticas trabalhadas nas intervenções de português e matemática.



6.2 - Conteúdos

a) Conceituais:

-Trabalhar as quatro aprendizagens básica, consideradas como fundamentais para o seu desenvolvimento humano: ser, conviver, conhecer e fazer;

- Aprender a ser (identidade, auto-estima e autonomia);

- Aprender a conviver (respeito e tolerância);

- Aprender a conhecer (curiosidade, interesse, motivação, autonomia e iniciativa);

- Aprender a fazer (comunicação).



b) Procedimentais:

- Adquirir melhor domínio da leitura e da escrita;

- Possuir maior desenvoltura com a oralidade;

- Busca de informações em diferentes fontes;

- Troca de informações sobre o estudo;;
c) Atitudinais:

- Respeito às idéias do outro

- Valorização da cooperação;

- Desenvolvimento da iniciativa na realização de trabalhos individuais e coletivos;

- Reconhecimento da função social da escrita;

- Interesse por ler e ouvir textos.


7 – Metodologia e procedimentos

Utilizaremos a oficina pedagógica como instrumento de socialização do saber, para a realização de atividades diferenciadas que contemplem conteúdos curriculares e extracurriculares. Essas oficinas acontecerão semanalmente e envolverão os alunos como também em alguns momentos, as famílias dos referidos alunos. As oficinas estão atreladas aos quatro pilares da educação (ser, conviver, conhecer e fazer), os quais serão tema central de todas as oficinas.

Conforme proposto nos objetivos, buscaremos dinamizar o processo de ensino-aprendizagem, explorando de maneira lúdica os conteúdos programados. Dessa forma, lançaremos mão da:
- Utilização de filmes, animações e documentários;

- Utilização de letras de músicas;

- Dramatizações e/ou intervenções;

- Dinâmicas de grupo;

- Análise de textos com diferentes abordagens sobre um mesmo tema.

- aula campo.




8 – Estratégias para avaliação
Seguindo orientação, buscaremos oportunizar momentos e formas variadas de avaliações. Assim, serão utilizados instrumentos avaliativos diversos, distribuídos nas mais variadas formas contando inclusive com a observação e a participação do aluno nos projetos da escola José Garcia e nas atividades em sala, bem como sua assiduidade, interesse, pontualidade e organização na entrega dos trabalhos.

O processo de avaliação adotado e acima descrito será realizado de forma contínua considerando primordialmente os aspectos qualitativos da aprendizagem, de modo a levar o educando a tomar consciência de sua realidade enquanto sujeito co-participante no processo de ensino e aprendizagem. Busca, ainda, servir ao professor como importante instrumento de reflexão e avaliação de sua prática enquanto docente, na medida em que os resultados atingidos, ao serem cruzados com os objetivos traçados anteriormente, faça-o refletir sobre a eficácia ou não das intervenções didáticas adotadas.




9 – Cronograma de ações



MÊS

ATIVIDADES PREVISTAS

MARÇO

- Apresentação do projeto – participação dos parceiros.

-Tema Gerador

- Tema das oficinas: aprender a SER.

- Identidade.



ABRIL

- Tema das oficinas: aprender a SER (continuação)

- 1ª avaliação do Projeto (reunião com a comunidade)

- Aula de Campo: Palestra com a participação de liderança Cigana.


MAIO

- Tema das oficinas: aprender a CONVIVER;

- 2ª avaliação do Projeto (reunião com a comunidade )

- Aula de Campo: o Barco Escola Chama Maré-Rio Potengi.

- Oficina Cigana: trabalhos manuais.



JUNHO

- Tema das oficinas: aprender a CONHECER

- Aula filme: apresentação do Documentário Vida Cigana( Projeto José Garcia)

- 3ª avaliação do Projeto (reunião com a comunidade )

-I Encontro de Cultura Cigana do Rio Grande do Norte.



AGOSTO

- Tema das oficinas: aprender a FAZER;

- 4ª avaliação do Projeto (reunião com a comunidade)



SETEMBRO

OUTUBRO


NOVEMBRO

DEZEMBRO


- Culminância (mostra do vídeo documentário)

- Trabalhando os temas transversais.

- Tema Gerador

- Festa de Natal da Comunidade Cigana José Garcia.




10- Situações significativas
O processo ensino-aprendizagem é bilateral e coletivo, portanto é necessário que se estabeleça uma parceria entre todos os envolvidos. No inicio do século XXI o Brasil é um dos campeões mundiais da desigualdade social e da falta de uma identidade que proporcione ao brasileiro uma consciência de tudo que ocorre a sua volta. O que vemos hoje é uma banalização de costumes e valores . Chega de. Democrática na aparência, a sociedade brasileira ainda é essencialmente cruel e autoritária. Nosso conceito de democracia é extremamente limitado, restrito principalmente ao plano jurídico, expressando-se em frases pomposas, como : todos são iguais perante a lei ou todo cidadão tem direito ao voto . No fundo a democracia não chegou a vida cotidiana da população.

Não democratizamos o acesso ao saber, a riqueza, a saúde , as condições materiais mínimas para uma vida digna . Vivemos na pratica um grande apartheid social. De um lado , uma elite ostentando um padrão de vida de primeiro mundo e usufruindo os direitos democráticos . De outro lado, uma enorme massa de subcidadãos , subnutridos e excluídos.

O tema gerador, portanto partiu da própria comunidade, onde abordamos todos os dias a Identidade e a valorização da etnia cigana no mundo contemporâneo e no espaço geográfico do Rio Grande do Norte.

Todos os debates seguiram a metodologia do aprendizado e da visão de mundo de cada educando, onde o tema a ser trabalhado sempre gerava em políticas publicas e o reconhecimento da Identidade Cigana na sociedade.

Construímos uma barca, primeiramente e colocamos nessa barca todos os anseios de cada educando: palavras como cidadania, saúde, educação, felicidade, respeito, casa( apesar de serem ciganos, entretanto hoje sedentários possuem os mesmos anseios de todos, ter um espaço onde todos os ciganos possam morar juntos em uma grande comunidade).

Depois da construção dessa barca, promovemos uma semana onde trabalhamos a caixa de Pandora dos Ciganos Calons( em anexo as fotos) onde trabalhamos o olhar cigano sobre a própria conjuntura cigana, através de um espelho falamos o que enxergamos e o que queremos do mais profundo do nosso ser.

A identidade cigana é processo lingüístico, onde a união da cultura está na língua: o calo ou chibia, que se fala até hoje e que se aprende em uma sociedade ágrafa de pai para filho, através da oralidade.

Em cima do único elo da história dos caminhantes, se desenvolveu a temática das ações políticas em prol das comunidades ciganas de todo o estado, e através destas políticas subtemas como: saúde, habitação, alimentação, educação, felicidade, família, amor, trabalho, higiene, diversão, viagens foram trabalhados incansavelmente através de todas as aulas dialogadas.

Constata-se a priori que a comunidade deseja sua história respeitada através de eventos que culminem na Cidadania e na Identidade do povo Cigano.

Depois de trabalhar por dias na barca e na caixa de Pandora, observa-se que muitos problemas sociais se agravam na questão da Identidade e das Políticas Púbicas que legam ao desconhecimento e a indiferença a causa cigana numa sociedade urbanizada e territorializada.

“se na verdade, o sonho que nos anima é democrático e solidário, não é falando aos outros, de cima para baixo, sobretudo, como se fôssemos os portadores da verdade a ser transmitida aos demais, que aprendemos a escutar, mas é escutando que aprendemos a falar com eles. Somente quem escuta pacientemente e criticamente o outro, fala com ele, mesmo que , em certas condições, precisei falar a ele”( Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia, 1997)

11- Tema Gerador
O tema gerador que vamos trabalhar durante todo o ano de 2011 está pautado nas construções do Mestre Paulo Freire: ser, conviver, conhecer e fazer e através desta argamassa trabalharemos o CIDADÃO POLITICO e as ações PUBLICAS que geram essa consciência de participação social gerando através do tema que culminara nos anseios e nos desejos do educando de se tornar um cidadão capaz de ler o seu mundo e o mundo do outro, de fazer escolhas, de protagonizar na sociedade uma reflexão política e na busca pelo respeito da etnia cigana.

“Na compreensão da História como possibilidade, o amanhã é problemático. Para que ele venha é preciso que o construamos mediante a transformação do hoje. Há possibilidades para diferentes amanhãs. A luta já não se reduz a retardar o que virá ou a assegurar a sua chegada; é preciso reinventar o mundo. A educação é o indispensável nessa reinvenção. Assumirmo-nos como sujeitos e objetos da história nos torna seres de decisão, da ruptura. Seres éticos.” (Paulo Freire)


A partir da problemática levada ao debate, a identidade cigana e o descaso do poder público organizaram os conteúdos de forma interdisciplinar, com os possíveis caminhos para as intervenções, a tipologia textual a ser trabalhada a alfabetização cartográfica, as possíveis situações problema que seriam levantadas com mobilizações da própria comunidade para buscar soluções.

A riqueza do trabalho de “alfabetizar” gerando debates é uma construção coletiva, tudo está para ser construído, nada está pronto, sem caminhos traçados temos apenas uma direção: a investigação, estudo, problematização e acima de tudo o crescimento que promove a cidadania.




12) – Sub- tema
Os sub-temas que agregamos ao debate foi desenvolvido á partir da visão de mundo da realidade. Partimos para os sub-temas a partir da dinâmica da auto estima e da caixa de Pandora Cigana.

Organizamos a partir das aulas dialogadas e dos resultados obtidos, fazer a tipologia textual buscando em revistas e anúncios de jornais a busca pelas referencias de felicidade e de cidadania: buscamos fotos, sentimentos de espanto, felicidade, cidadania. Calculamos as distâncias históricas da história dos ciganos e a idade de cada educando.

A partir de uma situação problema, sobre a falta de um posto de saúde em determinada cidade, desenvolvemos o conhecimento matemático e abordamos o tema das necessidades e a falta de políticas públicas.

Debatemos a origem dos ciganos, as caravanas, as noites de lua cheia, as causas da indiferença, o sedentarismo dos povos ciganos, a sobrevivência do homem conforme a cultura, o mercado de trabalho para os ciganos que por natureza são ágrafos numa sociedade que cada vez mais exige a capacitação tecnológica e a necessidade crescente de ler e escrever ( mais uma vez numa sociedade ágrafa).

Priorizamos a desvalorização e a sobrevivência da Cultura Popular expressa na música cigana, dança cigana, no lazer cigano (qual seria enfim?). Que cigano é esse do século XXI inserido num mundo globalizado e tecnicista que perde sua identidade numa vida sedentária? Ou não? ele pode manter sua identidade e cultura e estar inserido na sociedade civil, isso seria então CIDADANIA.

O tema gerador e os sub-temas, portanto tem uma característica de transformação e uma visão critica diante do debate e da comunidade. Essas implicações metodológicas da prática educativa diferem na medida em que difere a postura do educador e a priori do educando. Esse seria o ponto chave de um projeto social com a premissa de justiça social que desenvolva a humanidade sustentável para todos, uma sociedade amorosa e acima de tudo cidadã. Isso é o que Paulo Freire chamou de EDUCAÇÃO LIBERTADORA.



TEMA GERADOR: SUB-TEMAS.


TEMA GERADOR

ABRIL

MAIO

JUNHO

JULHO

AGOSTO

SETEMBRO

OUTUBRO

NOVEMBRO

Politicas Sociais

X

X

X

X

X

X

X

X



Identidade

Saúde

Cidadania

Habitação

Educação

Alimentação

Democracia

Higiene





13)- Conclusão

A interdisciplinaridade ou a transdiciplinaridade é uma das principais características da tendência identificada como Historia da Cultura. O dialogo com outras disciplinas desde há muito, vem se revelando profícuo e indispensável às analises históricas.

Como a vida humana não pode ser reduzida a um único nível, os que resgatam , os diversos aspectos da existência econômica , político , social e mental .

Procuramos problematizar em vários níveis em vários níveis, o surgimento da sociedade tecnológica, os principais impasses contemporâneos e a complexa questão da globalização e seus problemas.

Além disso, determinados conteúdos , denominados temas transversais , tornam-se também indispensáveis para a pratica pedagógica em sala de aula,

Sem duvidas, dentre todos os temas transversais, devemos estabelecer com a ética e a cidadania e com a perspectiva da pluralidade cultural uma aproximação mais estreita. Outros temas como saúde, orientação sexual e meio ambiente são tratados quando apresentamos conteúdos relacionados a cidadania.

O ensino de Historia Humano faz parte do processo educativo, portanto contribui para o desenvolvimento da ética necessária ao convívio social. Estudando Historia você observará que a qualificação da conduta humana do ponto de vista do bem e do mal tem variado muito, daí a necessidade de visões pluralistas e da tolerância em relação ao outro. E verdade também que certos valores, a defesa da vida humana e da liberdade, por exemplo, tem se consolidado e são considerados hoje, fundamentais em nosso processo civilizatório. Eis exemplos de mudanças que devemos salientar de transformar a sociedade. A Homossexualidade era punida com a pena de morte durante a Idade Media . houve mudanças , pois hoje ninguém é condenado à morte por ser homossexual , porém , como permanência temos o preconceito . Em 13 de maio de 1888 , aboliu-se a escravidão no Brasil , sem duvida ocorreu mudanças jurídicas , porem , como permanência temos o racismo e as dificuldades socioeconômicas das populações de afro- brasileiros .

Durante muito tempo, na Historia do Brasil, ninguém questionava o direito de propriedade da terra, hoje, você considera justo que uns poucos manipulem latifúndios com fim especulativos, enquanto muitos não tem um palmo de chão para plantar e lutar por uma vida mais digna ?

Todas essas questões são relevantes na construção da cidadania. Quando estudamos e repassamos os conhecimentos históricos devemos evitar os estereótipos, as simplificações, a caricaturização de período e personagens e sobretudo os anacronismos . Analisando o passado com a mentalidade do presente. Os anacronismos consistem em atribuir aos agentes históricos do passado razoes ou sentimento gerados no presente . O saber histórico deve ser plural , dai a necessidade de nunca se contentar com visões fechadas e únicas .

Na ultimas décadas a sociedade passou por mudanças profundas especialmente no que se refere a “educação”, que necessita acompanhar todos os processos de mudança nas sociedades. Para melhor responder aos imperativos do momento e compreender a vida em sociedade, o homem precisa basicamente de reflexão e planejamento.

Pela reflexão o homem desenvolve níveis cada vez mais aprimorados de discernimento, compreensão e julgamento da realidade, favorecendo a conduta inteligente em situações novas de vida. Pelo planejamento o homem organiza e disciplina a sua ação, partindo sempre para realizações cada vez mais complexas. Assim pode-se afirmar que “planejamento” é um conjunto de ações coordenadas entre si , que concorrem para a obtenção de um resultado desejado . Cada vez mais a atitude de planejar ganha importância e torna-se mais necessária principalmente nas sociedades complexas do ponto de vista organizacional.

Planejar que vai ser debatido, o que é importante conceituar e trazer para a realidade do educando, propondo um debate sério em busca da Identidade, Cultura, Democracia e Cidadania

A passagem do século XVIII para o XIX talvez tenha assistido ao momento de maior avanço no campo da Teoria da História, por aqueles que, como Hegel, para chegar a um único e suficiente exemplo, buscava entender e explicar, de preferência na forma de leis universais, o funcionamento das sociedades e sua evolução no tempo, sua história.

Karl Marx talvez seja o exemplo, mas emblemático a continuar tal trabalho no século XIX, agora mais no âmbito das sociedades de classes. No inicio do século XX, sob o impacto das ondas cientificistas- elas ditavam os paradigmas de toda reflexão racional- começou-se a levar em consideração que mesmo um conhecimento frágil como aquele produzido por historiadores cientistas que lidam com fatos singulares, que narram e inevitavelmente os impregnam de ideologia. Mesmo esse conhecimento tão simplório requeria uma metodologia que dignificasse a história como ciência, ainda que em construção. O século XX fez avançar a reflexão e, de abertura da história às ciências sociais, resultou a revolução na concepção do tempo histórico e na metodologia da disciplina- e os Annnales são os exemplos mais distintos desse movimento.

Falar da história econômica do Brasil nos faz repensar o quanto ficou da cultura indígena e o quanto de verdade restou da cultura africana e o que nada ficou da Cultura Cigana, a não ser a própria resistência da etnia.

“Na tentativa de implantação da cultura européia com extenso território, dotado de contradições naturais, se não adversas, largamente estranhas a sua tradição milenar, é, nas origens da sociedade brasileira, o fato de países distantes nossas formas de convívio, nossas idéias, e tentando manter tudo isso em ambientes muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns destruídos em nossa terra. Podemos construir o mais excelente e enriquecedor nossa humanidade de aspectos novos e imprevistos, elevar a perfeição o tipo de civilização que representamos: o certo é que todo esse fruto de nosso trabalho ou de nossa preguiça parece participar de um sistema de evolução próprio de outro clima e de outra paisagem”( SERGIO BUARQUE DE HOLANDA: Raízes do Brasil).


Perguntamos: até que ponto poderá alcançar com êxito à tentativa? Caberia averiguar até onde temos podido representar aquelas formas de convívio, instituições e idéias de que somos herdeiros?

Poderíamos dizer que cada qual é filho de si mesmo, de seu esforço próprio, de suas virtudes... E as virtudes soberanas para essa mentalidade são tão imperativas que chegam por vezes a marcar a parte pessoal e até a fisionomia dos homens. Sua manifestação mais completa já tinha sido expressa no estoicismo que, com pouca corrupção, tem sido a filosofia natural dos espanhóis e portugueses desde o tempo de Sêneca.

Aos portugueses e, em menor grau, aos castelhanos, coube sem dúvida, a primazia no emprego do regime que iria servir de modelo a exploração latifundiária e monocultura adotada depois por outros povos. É boa a qualidade do solo do nordeste brasileiro para a lavoura altamente lucrativa da cana de açúcar fez com que essas terras se tornassem o cenário onde, por muito tempo, se elaboraria em seus traços mais nítidos o tipo de organização agrária mais tarde característicos das colônias européias situadas na zona tórrida.

A abundancia das terras férteis e mal desbravadas fez com que a grande produção rural se tornasse, aqui, a verdadeira unidade de produção. Cumpria apenas resolver o problema do trabalho. E verificou-se, frustrada as primeiras tentativas de emprego do braço indígena, que o recurso mais fácil estaria na produção de escravos africanos. Podemos dizer que a presença do negro africano representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos latifúndios coloniais.

“Aconteceu há mil anos? continua acontecendo.nos mais desbotados panos estou me lendo e relendo”(Drummond ).

Num sentido mais amplo, somos produtores culturais, porque o primeiro objeto do nosso cultivo é a própria vida. Cultivamos a vida biológica, afetiva e social, o trabalho e o lazer, a guerra e a paz. Todos produzimos cultura: gente de uma mesma região, etnia ou religião. A vida para que exista e persevere, exige. È das respostas que damos ás exigências da vida que nasce a cultura. Cultura é FAZER, COMO FAZER, PARA QUE e PARA QUEM se faz. Castores constroem sempre os mesmos diques, geneticamente programados: pássaros fabricam sempre o mesmo ninho, cantando a mesma canção.

Sendo a cultura um processo que caracteriza o ser humano como ser de mutações, de processo que se faz á medida que transcende, que ultrapassa a própria experiência e através do conhecimento de sua própria fragilidade que se fez através do esquecimento que está sua força e portanto essa é uma característica humana: perfeita e nobre que nada mais é que a capacidade de produzir sua própria história e de se tornar sujeito dos seus atos, através da cultura e da simbologias, ritos, alimentação, poesia, danças e a memória.

Dentro desse processo de construção do conhecimento temos que registrar o quão difícil foi a história da Educação no Brasil, principalmente no que tange as minorias ou os “de baixo”, as micro histórias legadas ao conhecimento e ao esquecimento.

Não foi diferente com os ciganos do RN e do Brasil: uma sociedade ágrafa pouco restou ou podemos dizer MUITO RESTOU porque nada está escrito, tudo foi repassado através da oralidade e da memória do grupo.

A educação básica de adultos inicia as suas delimitações a partir da década de 1930, quando finalmente começa a se estruturar um sistema político no país. Grandes transformações sociais, a educação sempre é o resultado do amadurecimento social ocasionados pelo processo de desenvolvimento industrial e urbanização( territorialização) e a partir dos anos 40 inclui-se também esforços articulados na extensão do ensino elementar aos adultos( éramos nos primeiros anos da República um país de estados analfabetos).

Cai Vargas e a redemocratização coloca em pauta a Educação: a idéia de Universalização vem a tona. Abre-se a discussão sobre as questões teóricas-pedagogicas para abrir o véu do analfabetismo. Ainda como causa de uma situação econômica, social e cultural do país, concepção essa que legitimava a idéia do “adulto marginal e analfabeto”, mas a história não é uma carroça abandonada no meio de uma estrada qualquer e a história invisível dos de baixo iniciaria sua trajetória de busca pelas próprias identidades e referencias perdidas: É o caso dos Ciganos.

Onde se encontrar o estar analfabeto é uma conceituação de uma definição social quanto aos valores: aquilo que vale para ele é de pouca valia para os outros, principalmente a elite intelectual e os poucos acessos as letras( continua de forma desigual e criminosa). Em 1947, é distribuído um material didático especifico para o ensino da leitura e da escrita dos adultos. Obvio que não ainda o ideal, estava impregnado de mensagens de moral e civismo (talvez ainda uma herança jesuítica que amansava os índios e mestiços).

Hoje temos a alfabetização como um processo de conscientização onde a Pedagogia de Paulo Freire vem abrir e inspirar os principais programas de educação popular no inicio dos anos 60. Passa então o analfabeto a ser apontado como efeito da pobreza e da miséria, da marginalização e do descaso das estruturas sociais impregnadas de um Estado ainda dominador e excludente.

Paulo Freire elabora, de forma conscientizadora uma proposta de alfabetização de adultos cujo principio básico foi: “a leitura de mundo precede a leitura da palavra”. A impressão é que o Mestre Paulo Freire estava pensando nos ciganos quando escreveu a celebre frase, pois a visão de mundo de um cigano precede a visão das palavras, pelo simples fato de serem agrafos.

Nos seus métodos e procedimentos pedagógicos ele determinava uma etapa preparatória, onde deveria ser feita uma pesquisa sobre a realidade existencial do grupo junto ao qual iria atuar, paralelo a isso seria feita uma pesquisa no universo vocabular ( em anexo o questionário sobre a identidade e o vocabulário), que seria a priori, as expressões do grupo para utilizar certas palavras em sua realidade cultural.

Chegamos ao século XXI com a história da educação de Jovens e Adultos clamando por consolidações, reformulações pedagógicas necessárias em todo o processo cognitivo do educando.

Hoje o debate é a compreensão de um todo, de uma história de criatividade e seriedade, de planos pedagógicos sistemáticos para que possa levar a garantia a essas classes menos favorecidas e marginalizadas por um sistema cruel, imperialista e excludente que os privam de garantias na ordem econômica do país e no sistema educacional, sem acesso a cultura letrada e desvalorizados na sua cultura oral e de cunho popular.

As sociedades dos “ de baixo” pedem e clamam por inclusão no mercado de trabalho, na política e na cultura e o passe para essa entrada é a educação: LIBERTADORA E EDUCATIVA !


4) – Situação futura desejada
O que o projeto pretende a priori é desenvolver na comunidade o debate e a valorização da sociedade cigana em prol de suas reivindicações. E para isso a argamassa é a Educação. É através dela, da Educação, que se tornara a causa cigana, forte e objetiva. Saber onde ir significa não dar voltas a esmo. Trabalhar de modo efetivo os conteúdos da psicogênese da língua escrita e acima de tudo trabalhar ( por ser essa sociedade ágrafa) a oralidade. É uma idéia progressista de trazer ao debate princípios lingüísticos e sócio-construtivos.

Trabalhar o cidadão com uma visão de mundo critica onde o educando resgate sua identidade, valorize o próprio discurso, socialize seu saber, avalie as condições histórica cultural de sua própria etnia.

A leitura é uma construção de dialogo, e essa leitura tem que ser adaptada ao local onde o educando está inserido , porque essa leitura vai expressar as marcas da cultura de cada um e suas vivencias pessoais, isto é sua visão de mundo.

Objetivos disciplinar: Português

Objetivos sócios políticos:

- valorização do cotidiano, da discussão de temas da atualidade e do passado.

Objetivos afetivos:

- Afirmar a identidade histórica , valorização da história pessoal.

Objetivos Cognitivos:

- Construir o conhecimento da leitura, da oralidade e da escrita

Objetivos psico-motores

- a expressão estética

Objetivo disciplinar: Cultura Cigana

Oralidade: Objetivo Geral e Especifico

- promover debates e discussões, ouvir o outro, superar a timidez, construir o passado cigano na oralidade ( sociedade ágrafa)

APÊNDICES


  1. Prêmio de Cultura Cigana João de Torres conquistado pelo Projeto José Garcia( email do Ministério da Cultura)

From: Ge.Vitor@cultura.gov.br


To: carla638@hotmail.com
CC: Americo.Cordula@cultura.gov.br; Ricardo.Lima@cultura.gov.br; Joao.Goncalves@cultura.gov.br; Rachel.Mortari@cultura.gov.br
Date: Tue, 7 Dec 2010 15:15:08 -0200
Subject: Reflexos positivos do Prêmio no Rio Gande do Norte + RES: sedex do prêmio Cultura Cigana 2010

Querida Carla,

 

Muito nos lisongeiam a deferência generosa e carinhosa.  Sabemos que - para além das janelas da Academia -



sua atuação constitui importante e exemplar protagonismo social e materializa-se na plena compreensão da dimensão

 simbólica da diversidade e riquezas étnico-culturais brasileiras.

 

Mais uma vez parabenizo suas importantíssimas ações afirmativas. Desejo também, que esse seu outro acadêmico-olhar



transborde - ainda mais - o conceitual e desague na sua ética, na estética do seu estudo e na sua labuta social.

Que os projetos e teses nos ajudem a revelar novas luzes  ante a notada invisibilidade a que foram secularmente submetidos

os segmentos Ciganos e que todos os frutos e produtos desse seu esforço, nos sirva - a todos -  como ferramentas para ampliar pertenças,

promover empoderamentos e permitir protagonismos cada vez mais fortes.

 

Gostaria de conhecer melhor as atividades no Rancho Cigano e o projeto da Escola Cigana do RN.



 

Desejo grande sucesso na sua intervenção sobre a causa Cigana, no Congresso de Educação, em Havana.

 

há-braços de lachi bar (boa sorte)!



Gê Vitor

 

 



 

De: Carla Alberta [mailto:carla638@hotmail.com]
Enviada em: terça-feira, 7 de dezembro de 2010 13:05
Para: Wilson Carlos Duarte Araujo; Geraldo Vitor da Silva Filho
Assunto: sedex do prêmio Cultura Cigana 2010

 

Compañero Geraldo Victor



Quero comunicar que o sedex foi enviado ( NÚMERO SZ 08243131 9 BR ) com a  documentação de Fernando Calon e Antonio Charuto( Francisco Fernandes).. a demora foi porque Seu Antonio não tinha conta no BB... resolvemos ontem e segue os comprovantes da conta poupança aberta para ele.

Quero dizer que o projeto José Garcia, que iniciou com minha monografia de História do RN e que projeta um mestrado na mesma temática se sente orgulhoso de participar da mudança política e social no olhar o “cigano”.

Quantas coisas conquistamos ao longo de 02 anos e quantas ainda vamos conquistar. Todas com a finalidade de fazer o trabalho intelectual voltar-se  para dentro da comunidade contribuindo dessa forma para que aja uma IDENTIDADE E UMA CIDADANIA nas comunidades ciganas do RN.

Esta semana, entreguei o certificado de Cultura Cigana e Cultura do RN no rancho e conseguimos ( o projeto) a aquisição de uma maquina de costura industrial para a comunidade, para que as mulheres e os homens possam confeccionar roupas e adereços para a venda e a manutenção do rancho.

É deles, e a única forma que o projeto intelectual pode retribuir é : construindo e respeitando a diversidade e as subjetividades do clã cigano.

O prêmio de Cultura Cigana ... É deles! Merecido reconhecimento por tanto que nos ensinam. O que aprendo lá, não há nada que pague. Entro no rancho como se fosse uma cigana( e não sou), e sou respeitada: respeitam-me com uma amiga e uma professora.  A premiação do MIC nos garantiu aqui no Estado plano de saúde para a comunidade através da Fundação José Augusto e do Hospital da Policia Militar. Só não fez o plano de saúde quem não quis... sempre deixamos a vontade o clã para as escolhas, mas muitos foram cadastrados no rancho.

Na festa de Natal deles será entregue o documentário feito pela TV Câmara dentro do rancho. Próximo ano teremos uma audiência publica.

Segue a entrega dos Certificados e depois do dia 15 de dezembro estarei me reunindo com os Direitos Humanos para fazermos o PROJETO PEDAGÓGICO DA PRIMEIRA ESCOLA CIGANA DO RN. O plano é que não tenha apenas alfabetização, mas que tenha na grade curricular História do RN e História Cigana e a partir de janeiro, o projeto pretende contratar um cigano que dê aulas na língua Caló. A escola será bilíngüe.

Agradeço imensamente Geraldo Victor à confiança em mim depositada e saiba que o projeto vai continuar, inclusive buscando premiações para outras comunidades ciganas do RN.

 

Segue algumas fotos do meu arquivo: entre a amnésia e a vontade de nada esquecer: a história dos ciganos Calons no RN”. Fotos da entrega dos diplomas com a AJUDA HUMANA DOS DIREITOS HUMANOS NA PESSOA DO SENHOR ALUIZIO MATIAS. A equipe é pequena... mas a vontade é grande !



 

Beijos em todos

 

 

Saludos de pé comunistas



 

Saudações revolucionárias educacionais SEMPRE !



2) Resultado do Prêmio do Ministério da Cultura

RESULTADO FINAL EDITAL PRÊMIO CULTURAS CIGANAS – Edição 2010

D.O.U > PORTARIA Nº 10, DE 25 DE NOVEMBRO DE 2010 > Publicado dia 26.11.10, Seção 1, pág. 28- CONCURSO PÚBLICO PRÊMIO CULTURAS CIGANAS 2010 HOMOLOGAÇÃO DO RESULTADO - FINAL - DA FASE DE SELEÇÃO


RELAÇÃO DE PROPOSTAS SELECIONADAS .
Ord. Nº Proposta Nome da Proposta Cat Município UF Nota final

1 109011 Documentário Tradição Cigana Pessoa Física Porto Seguro BA 87,55

2 109040 Simpatias, Orações, Magia e Encantamentos Ciganos Pessoa Física Florianópolis SC 86,45

3 109023 Ronaldo Carlos Pessoa Física Sousa PB 85,30

4 109020 Joalheria Cigana Kalon Pessoa Física Florianópolis SC 85,25

5 1010174 Sérgio Lima da Silva Pessoa Física Rio de Janeiro RJ 84,15

6 1010322 Pesquisas, estudos de produção intelectual aplicada a iniciativas da cultura cigana P. Física Franca SP 84,00

7 109035 Maria Aparecida da Conceição Pessoa Física Sousa PB 83,8

8 109072 Jose Willamis Alves da Silva Pessoa Física Penedo AL 83,65

9 109117 Orlando Ribeiro Dantas Grupo Informal Porto Seguro BA 83,40

10 109063 Jaime Antonio Pessoa Física Campinas SP 83,15

11 109080 Fernando Alves da Silva Grupo Informal Mambaí GO 83,00

12 109019 Pedro Benício Maia” Pessoa Física Sousa PB 82,80

13 109049 Daniel Kwiek Grupo Informal Jundiaí SP 82,65

14 109107 Aderino Dourado da Mota Pessoa Física Jacobina BA 82,35

15 109075 Luana Ramos Dantas Pessoa Física Ilhéus BA 82,10

16 1010169 Francisco das Chagas Rocha Grupo Informal Codó MA 82,00

17 109079 Dora Marcovicht Yanowich Pessoa Física Rio de Janeiro RJ 81,9

18 109073 José Leandro Figueiredo Mangueira Pessoa Física Mauriti CE 81,75

19 109026 Ana Cristina Frediani Pessoa Física São Paulo SP 81,35

20 109098 Melchizedec D Leon Domingue Pessoa Física Rio de Janeiro RJ 81,15

21 109097 Leandro de Oliveira Baroce Grupo Informal Campo Grande MS 81,00

22 109148 Gilberto do Amaral Soares Grupo Informal Belo Horizonte MG 80,85

23 109118 Francisco Fernandes Soares Pessoa Física Natal RN 80,55

24 109096 Sonia Aparecida Soares Pessoa Física Itapevi SP 80,30

25 109132 Wanessa Batista de Sousa Pessoa Física Picos PI 80,15

26 109022 Fernando de Souza Lima Pessoa Física Natal RN 80,00

27 1010171 Danças Ciganas Pessoa Física Manaus AM 79,90

28 109039 Flávia da Silva Pessoa Física Palhoça SC 79,75

29 109061 Tatiane Emilia Camargo Iovanovitchi Pessoa Física Curitiba PA 79,50

30 1010782 Aparecido Cordeiro Costa Pessoa Física Caldas Novas GO 79,15


D.O.U > PORTARIA Nº 10, DE 25 DE NOVEMBRO DE 2010 > Publicado dia 26.11.10, Seção 1, pág. 28- CONCURSO PÚBLICO PRÊMIO CULTURAS CIGANAS 2010 HOMOLOGAÇÃO DO RESULTADO - FINAL - DA FASE DE SELEÇÃO


RESULTADO FINAL EDITAL PRÊMIO CULTURAS CIGANAS – Edição 2010

3) Apresentação da Pesquisa em Havana ( Cuba) no Congresso de Pedagogia 2011


4) Pré Projeto de Pesquisa dos Ciganos: Dissertação de Mestrado



UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES

PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA

CARLA ALBERTA GONZALEZ LEMOS LOUREIRO
MEMÓRIA, ORALIDADE E PODER: O ESPAÇO HABITADO PELOS CIGANOS CALONS DO RIO GRANDE DO NORTE

NATAL

2011
CARLA ALBERTA GONZALEZ LEMOS LOUREIRO
MEMÓRIA, ORALIDADE E PODER: O ESPAÇO HABITADO PELOS CIGANOS CALONS DO RIO GRANDE DO NORTE
Projeto de Pesquisa apresentado na como requisito parcial para o Processo Seletivo do Programa de Pós Graduação em História – nível de Mestrado – da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Linha de Pesquisa: História : Cultura, Poder e Representações Espaciais
Possível Professor Orientador: Dr; Sebastião Leal Ferreira Vargas Neto.

NATAL


2011
TITULO: Memória, Oralidade e Poder: O espaço habitado pelos ciganos Calons do Rio Grande do Norte.

DELIMITAÇÃO DO TEMA: Este estudo pretende pontuar e registrar a existência e mobilidade dos ciganos presentes no território Nacional desde o século XVI conseqüentemente desde povoamento em nosso Estado. Precisamos abrir precedentes sobre as publicações existentes na historiografia oficial. Nos Estudo do RN as referencias as identidades, são discretas e invisíveis. Não há argumentos fortes dessas permanências e desses deslocamentos. Mas quando confrontamos com a oralidade, isto é, a tradição oral constata-se a existências de elementos que formam um passado cujo registro nunca existiu. Todos têm uma história de uma caravana cigana, ou de alguém que fugiu com um cigano (a) ou ainda de uma cigana que leu a mão. É o discurso do maravilhoso num passado cujos agentes históricos são encobertos e anulados. Ocorre que no RN hoje se tem uma população cigana de mais de cinco mil ciganos que se fixaram em zonas urbanas numa presença invisível nas estruturas sociais das cidades, Em 1574 se tem documentado o primeiro registro da vinda de um cigano para o Brasil. João de Torres e sua esposa Angelina são condenados ao degredo e enviados á colônia. A partir de 1686 a documentação de deportação dos ciganos em Portugal é mais precisa e a orientação é que fossem encaminhados para o Maranhão. Ocorre que na atualidade existe uma mobilidade muito grande entre os Calons do RN e o Maranhão, justificada pelos clãs como uma alternativa para a questão econômica, , porém as ligações são oriundas dos espaços de poder que foram delimitados pela sobrevivência da etnia. A pesquisa vai delimitar um espaço temporal e espacial da presença dos ciganos no Estado partindo do clã de Antonio Charuto, do qual se dizem descendentes a família Fernandes e Carnaúba e do lendário José Garcia. . O propósito da pesquisa é provocar um debate e uma reflexão com a Antropologia, a História e a Tradição Oral considerando a partir de determinados pontos as mobilidades, as permanências e ausências, seus caminhos e descaminhos, no espaço urbano contemporâneo.

PROBLEMÁTICA: Levantar hipóteses e historiar as movimentações dos descendentes do cigano José Garcia:, do Capitão Cícero, do Capitão Luís Gonzaga e do Capitão João Parelo (Tota) através da oralidade do Capitão do clã de Antonio Charuto residente no Bairro de Nova Natal. . A hierarquia do clã ainda resiste aos silêncios históricos e as concepções aristocráticas e elitizadas das pesquisas acadêmicas. O maior desafio da pesquisa que propomos é trazer a tona a história subterrânea e a memória da identidade cigano no RN.

JUSTIFICATIVA

Este projeto de pesquisa tem por propósito analisar e construir historicamente a movimentação espacial e temporal dos ciganos do Rio Grande do Norte a partir de uma comunidade cigana, sedentária há 10 anos no Bairro de Nova Natal. É interessante perceber nesta e em todas as comunidades ciganas do Rio Grande do Norte, mais de cinco mil ciganos, que se reivindica uma necessidade pela memória coletiva e pelos valores étnicos a eles agregados.

Trabalhar a memória e o espaço ocupado pela etnia Calon no Rio Grande do Norte é uma responsabilidade das academias e uma obrigação dos historiadores diante de uma omissão e de um silêncio historiográfico no Estado. Acreditamos que “pensar” sobre os ciganos potiguares é uma forma de contribuir para desvendar os silêncios e as manifestações, ora explicitas quando geram preconceitos, ora implícitas, quando geram distorções culturais que marginalizadas formam as exclusões e as intolerâncias. Propomos uma reflexão sobre as todas as manifestações contraditarias que acompanham os conceitos teóricos sobre essas comunidades ditas tradicionais e que na própria essência de suas relações de poder formam uma micro história com estruturas sociais distintas.

Meu propósito é, portanto tentar encontrar a relação entre espaço e memória no grupo étnico dos ciganos Calon em seu processo de semi-sedentarismo na cidade de Natal pontuando através da pesquisa a alteração de alguns dos seus valores culturais e da perda da identidade étnica. Para isso construímos uma plataforma de dialogo entre a Antropologia, a História Oral e a História. E nessa perespecitiva que escolhemos colocaremos o conhecimento dessas sociedades e dessa cultura especifica com uma diretriz norteadora do estudo. Essas sociedades surgem como atores políticos somente nas últimas décadas e essa mudança vai colocar a tona as reivindicações identitárias e nessa compreensão temos um pequeno resumo de Anne-Marie Losonczy (2002: 181-182) sobre a emergência étnica:


“A mudança das leis que definem o estatuto dessas populações, tornando possíveis novas condições de acesso à terra e a certos recursos, suscita uma nova reconstrução identitária sustentada por uma nova bipolaridade, cujos referentes são a Nação oposta à comunidade étnica. Essa última se constrói no modelo de uma comunidade solidária ideal, contínua no tempo, fortemente territorializada e consciente da sua singularidade cultural. Pode-se ler este fenômeno como um processo de interação na cena nacional, onde se formalizam juridicamente critérios de visibilidade política (actorship) ligados a uma especificidade cultural e territorial e onde os grupos respondem a partir de um perfil cultural comum implícito, historicamente constituído, porém, nunca explicitado, procurando transformá-lo numa identidade explícita fechada e combinada com novos meios de ‘visibilização’.”

A objetividade histórica constrói-se através das incansáveis revisões da produção histórica e das verdades parciais que margeiam o fato e o objeto e sobre isso Michel de Certteau definiu muito bem a especialidade da história e defende a história do particular, onde esse mesmo particular especifica, necessita de atenção, exige uma investigação não como objeto pensado, mas definitivamente como limite do pensável:

Disse-se que o objeto pensado era contar, não provar: não o sei, mas estou certo de que, em história, o melhor gênero de prova, o mais capaz de tocar e convencer os espíritos, o que inspira menor desconfiança e deixa menos dúvidas, é a narração completa (...) ( 1849. Ed . 1851, II. P.227) 1

__________________________________

1 Citado por Le Goff: História e Memória. 2003. p 35
E esse limite pensado é a narrativa, diante de uma sociedade ágrafa como a dos ciganos a oralidade fará da memória a sua própria história. Não é uma compreensão inaceitável, trata-se de uma necessidade de pontuar como antes de procurar o porquê, embora essa necessidade da história não conduza à negação do caráter cientifico da história. Entender memória é pensar como propriedade de conservar certas informações, remete-se em primeiro lugar a um conjunto de funções psíquicas, graças às quais o homem pode atualizar impressões ou informações passadas, ou que ele representa como passadas. Mais a memória é maior e mais abrangente que esse conceito.

O estudo da memória social é um dos meios fundamentais de abordar os problemas do tempo e da história, relativamente aos qual a memória está ora em retraimento, ora em transbordamento A verdade é que a cultura dos homens sem escrita é diferente, mas não absolutamente diversa, O primeiro domínio no qual se cristaliza a memória coletiva dos povos sem escrita aquele que dá fundamento – aparentemente histórico – á existência das etnias ou das famílias, isto é, dos mitos de origem é a memória e a oralidade.E através da memória a Oralidade é um dado de extrema importância porque ela é levada a aproximar a memória de fenômenos diretamente ligados à esfera das ciências humanas e sociais.

Buscamos portanto disponibilizar para a academia o conhecimento histórico e a cultura em que estão inseridas essas sociedades, ditas tradicionais e que de fato a são, analisando os fatos passados e sua influência sobre o presente, refletindo e construindo os conceitos de cidadania e respeito pela herança imaterial e histórica e compreendendo o espaço geográfico e as mobilidades da vida dos ciganos Calons do Rio Grande do Norte.

A oralidade é outra linha de pesquisa que vamos seguir porque a palavra falada é sempre um acontecimento, um momento no tempo completamente desprovido do repouso da palavra escrita.. Não há, apesar de algumas teses, um trabalho abrangente que retrate claramente a entrada e a permanência dos ciganos cujos pontos de partidas são documentos oficiais e a própria oralidade. Embora existam disponível estudos que podem ser considerados elementos básicos sobre a vida dos ciganos. Neste referencial cito as obras de Melo Moraes Filho, pioneiro nos estudos ciganológicos no Brasil.

Outro referencial teórico é Adolpho Coelho, um dos maiores ciganológos da Europa, quando publicou a sua magistral monografia- Ciganos de Portugal e nela incluiu um vasto acervo sobre os ciganos do Brasil. Apesar de não ter ido a campo as suas pesquisas nos permitem analisar a forma de vida dos ciganos no século XIX, os calons, que hoje coexistem com os seus irmãos quer vieram antes, entre e depois das duas guerras mundiais. Baseado na cronologia Adolpho Coelho, que é o iniciador dos estudos ciganos em nosso país, e a partir de seus estudos foram lançados as sementes da ciganología no Brasil onde 50 anos depois surge estudiosos como José B de Oliveira China e João Dornas Filho.

Esta pesquisa cujo ponto central é realizar reflexões sobre uma história de silencio, diante da população cigana , mais de cinco mil ciganos em todo o território norteriograndense, pretende acima de tudo dialogar com a História dos de “baixo” e principalmente com a antropologia provocando questões etno-históricas. A memória torna-se, portanto imprescindível nessa linha de pesquisa onde as novas perspectivas dialogam com a História das Mentalidades. Todas essas mudanças historiográficas projetam-se na observação dos modos, dos hábitos, do cotidiano das sociedades, suas participações nas estruturas sociais e culturais e principalmente na suas permanências e mobilidades dos espaços ocupados nos diferentes contextos históricos.

Entender e pontuar essas questões são, com efeito, colocar a história na luta pela democracia da memória social um dos imperativos prioritários da objetividade histórica cientifica.

A pesquisa na comunidade cigana Calon de Nova Natal, tem 03 anos, o contato e o trabalho de campo é feito semanalmente e através da pesquisa conquistamos premiações sobre a Cultura e Vida Calon do RN. Num primeiro momento o objetivo era contribuir para a historiografia local cujos estudos sobre os ciganos é totalmente equivocado e ausente. Não há um trabalho contundente no Estado sobre a etnia. Ao longo do processo de pesquisa sentimos a necessidade de fazer o cigano Calon sair da posição de coadjuvante para o de protagonista de sua própria história. A consciência de classe e as reivindicações políticas são um objetivo que aos poucos estamos alcançando. A alfabetização na língua Caló ( Chibia) e na língua vernácula está ocorrendo através de uma escola que montamos com o projeto José Garcia. São conquistas que o projeto de pesquisa levou para dentro de uma comunidade cujas características é de sociedade tribal e que agora pretende levar a Academia e transformar-se numa referencia histórica e antropológica para a historiografia. O papel do historiador, não é trazer o passado para o presente, mas “re” construir esse passado para que possa trazer a tona um novo olhar, uma história de caráter regional para que dessa forma se possa abrir uma discussão e apontar uma identidade.

O referencial teórico será fundamentado nas concepções teóricas de vários autores, nas narrativas orais, nas informações de jornais, sites, nos documentos paroquiais. Através desta orientação estaremos trazendo a tona a abordagem sempre presente e ao mesmo tempo ausente em determinados conceitos teóricos sobre ‘alteridade, levando essa discussão as hipóteses que nos levam a “ver” o outro nas ditas comunidades tradicionais.
OBJETIVOS

GERAIS: Enfatizar o “enraizamento dinâmico”, ou seja, a busca da identidade como processo. A priori esta pesquisa busca descobrir o quanto de alienação o homem sofre dentro de seu espaço sobre um ângulo perceptivo confundindo-se com o espaço social necessário a sua identidade e referências culturais. Propor uma reflexão e uma comprovação sobre a distribuição não uniforme de células sociais no espaço, cujo resultado é a seleção histórica e geográfica, que é decorrente de uma necessidade imposta pelas determinações sociais dos processos e das estruturas sociais. Corrobar através de teses que uma mudança radical na organização de espaço só é possível seguida de duas premissas: sobre o prisma do crescimento capitalista modificando as relações econômicas, sociais e políticas e as necessidades simbólicas da delimitação desse mesmo espaço pelas necessidades do grupo.

ESPECIFICO: Apresentar um roteiro informativo e interpretativo do processo de aceitação e ampliação da história dos ciganos no Rio Grande do Norte. Estudar a evolução da mobilidade social dos clãs existentes no Estado.. Realizar um levantamento bibliográfico das principais obras e documentos historiográficos referentes ao reconhecimento da etnia Calon no Rio Grande do Norte e colaborar com a historiográfica no que tange aos espaços ocupados pelos ciganos em todo o processo de sedentarizarão dos clãs, contribuindo desta forma para uma revisão teórica e preservação da diversidade e cidadania .

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O problema vai definir a pesquisa e não o recorte, portanto não estipulamos um tempo determinado no recorte temporal historiográfico. Buscando resultados, a pesquisa terá como suporte o enquadramento de mentalidades, isto é, as transformações humanas em diferentes regiões e realidades. A problematização historiográfica do espaço terá critérios onde se pretende apontar áreas “econômicas- social-demografica-cultural” buscando o espaço ampliado e de certa forma recriar um tempo em cima de um problema condutor especifico levando a uma história cigana quantitativa. Entretanto, a discussão baseia-se não apenas na valorização de uma cultura autóctone que tem como premissa desprezar outras culturas, mas preocupa-se principalmente no fato de que não buscar uma identidade equivale a desaparecer no âmbito cultural. A pesquisa terá como base fontes historiográficas coloniais, concepções teóricas de autores que abordam a temática dos ciganos, sites, teses, narrativas e documentos.



METODOLOGIA

A pesquisa tem seu desenvolvimento alicerçado na história oral, através de gravações e transcrições complementadas por pesquisas bibliográficas em periódicos e jornais. Utilizaremos pesquisa de campo para o acompanhamento da vida social da comunidade.

José Sebe diz que a história oral no Brasil nasceu de fora para dentro:

”.Em decorrência de uma ditadura persistente como a nossa, de mais de duas décadas, os primeiros trabalhos publicados usando entrevistas com o viés do exílio foram escritos longe do Brasil, contando as experiências de homens e mulheres que tiveram que deixar o espaço nacional por razões políticas.”( http://www.historiagora.com)

Dessa forma Sebe aborda a questão para pontuar questões que se prevalecem dos discursos escritos em contrapartida dos pressupostos da oralidade que seriam: a vontade e a necessidade de transformar situações. Para Sebe a história oral tem haver com a democracia: Oralidade é um estado democrático da cultura social.

Analisaremos os dados coletados através de questionários, analise das condições matérias e econômicas, métodos de observação num processo intuitivo, reflexivo e a partir desses argumentos confrontaremos as narrativas da oralidade com os suportes teóricos para levantar as condições e a mobilidade dos Ciganos dentro de uma determinada população e de um determinado tempo histórico.



INDICAÇÃO DE FONTES

O principal corpus documental que utilizaremos será baseado nas entrevistas realizadas nas comunidades estudadas. A história oral segue e permite uma linha de registro de testemunhos e o acesso a micro histórias. A utilização do testemunho através da gravação de fitas é extremamente importante para a pesquisa, uma estratégia onde os atores sãos os testemunhos do acontecimento.

Além das entrevistas também serão utilizadas como fontes documentais acervos produzidos nas esferas do Executivo, Legislativo, Judiciário, Cartorais, eclesiásticos e privados (imprensa). Onde cada testemunho é uma fonte histórica de primeira mão.
BIBLIOGRAFIA

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LAMARTINE, Juvenal. 1965. Velhos costumes do meu Sertão, Natal, Fundação José Augusto.
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Acessado em 10-09-2010


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FREYRE, Gilberto. 2010. Aspectos da Cana sobre a vida e a paisagem do Nordeste do Brasil. 7 edição
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CORTESÃO, Luíza e PINTO, Fátima. O povo cigano: cidadãos na sombra. Porto. Ed Afrontamento.
PIERONI, Geraldo. Vadios e Ciganos, Heréticos e Bruxas: Os degredados no Brasil - colônia. 3 edição. Rio de Janeiro, 2006
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