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- O NOME GRAVADO NO BRAÇO DE RAMON



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32 - O NOME GRAVADO NO BRAÇO DE RAMON


Ramon era um menino hindu que morava com os pais, lá na Índia. Com oito anos de idade, nunca havia freqüentado escola alguma. Ele tinha intensa vontade de estudar, mas o pai o enviava para cuidar das cabras.

Toda pmanhã saía, para apascentar o rebanho, levando-o aos lugares em que houvesse folhas em abundância, e à noite voltava com ele para o cercado.

Quando chegava, à noitinha, comia os alimentos que a mãe lhe preparara e se assentava ao lado do pai. Era costume os homens comerem primeiro e só depois é que as mulheres se serviam.

Antes de irem dormir em suas esteiras, Ramon, orava, mas não da maneira que orais. Ele ficava de pé, com as mãos postas, e repetia muitas e muitas vezes, o nome do deus por que era ele chamado: “Rama, Rama, Rama,...” dizia ele, esperando que aquele deus o ouvisse e o amparasse durante a noite e o dia seguinte.

Mas Ramon fez mais do que rezar. Foi á procura de um homem que soubesse, pela tatuagem, gravar em seu braço o nome de Rama. Ele cria que o deus visse seu nome lá inscrito e cuidasse dele de modo especial.

Um dia, enquanto vigiava as cabras, viu algumas crianças que conduziam ardósias ou pedras de escrever, e livros. Perguntou aos meninos para onde se dirigiam, e eles lhe responderam que iam à nova escola da missão, bem distante ainda.

Como Ramon desejava freqüentar a escola, também! Embora tivesse as cabras de que cuidar, resolveu ir, para saber como era a instituição. Foi, pois, em direção da escola, levando também seu rebanho de cabras. Ao chegar lá, procurou escutar tudo quanto o professor disse, enquanto os animais pastavam. Não tardou muito, e o professor o convidou a entrar. Procurou um lugar de onde pudesse ver o rebanho, para estar certo de que nenhum perigo houvesse com os animais.

Houve uma coisa que Ramon aprendeu muito depressa: a querida história de Jesus. Dentro de pouco Ramon disse ao professor que queria tornar-se cristão. E agora, que fazer com o nome gravado em seu braço? Tinha tanta vergonha disso, que sempre e sempre escondia a tatuagem, para que ninguém a visse.

- Senhor professor, pode fazer o obséquio de cortar meu braço? – gaguejou ele, ao erguer a mão.

- Que é que há com seu braço, para querer que eu o corte? – disse, surpreendido, o professor.

- Senhor – disse Ramon – desejo ser um menino de Jesus, isto não pode ser enquanto eu tiver o nome de meu antigo deus gravado em meu braço. Veja bem as letras onde estão.

O missionário foi tão bondoso, que logo Ramon criou coragem e disse: - Quero tanto ser um menino de Jesus, que estou pronto para dar, com alegria, o meu braço.

Não foi difícil o professor missionário explicar ao pequeno Ramon que Jesus tinha muito prazer em vê-lo disposto a sacrificar até mesmo o braço, e declarou-lhe que Jesus estava pronto a aceitá-lo, embora com aquele nome do deus pagão em seu braço. Então, veio-lhe à mente uma nova idéia:

- Senhor, se eu pedir ao homem para gravar o nome de Jesus por cima do de Rama, de maneira que só se veja o de Jesus, não será bom?

- Jesus o aceitará, mesmo com o nome de Rama em seu braço, mas creio que Ele Se alegrará em ver que agora o nome Dele está em cima do nome de Rama.

Foi desta maneira que Ramon se tornou cristão e pôde demonstrar seu amor para com Jesus.

33 - O PRATO DE COMIDA PARA PÁSSAROS


Observar as coisas através da janela da cozinha era muito divertido. Jéssica fazia isto, cada manhã antes do café. Primeiro ela puxava um banquinho para perto da pia da cozinha, e depois subia para ver que tipo de passarinho estava comendo no prato preparado para eles naquele dia.

Mas uma manhã, quando Jéssica subiu no banquinho e olhou para fora, ela viu que uma criatura muito diferente estava comendo a comida do prato. Tinha um rabo comprido, fofo e brilhante, e seus olhos também eram brilhantes; e comia, comia, comia e comia.

Jéssica, assustada, chamou o Tio Bruce.

- Há alguma coisa lá fora, no prato de comida, que não é um passarinho!

O Tio Bruce veio, parou ao lado de Jéssica, e disse:

- Sr. Conversador, o esquilo vermelho, é melhor sair de nosso prato para passarinhos. Então o Tio Bruce pegou a vassoura, que estava ao lado da porta dos fundos, e na ponta dos pés, bem silencioso, abriu a porta e saiu. Ele foi devagar até ficar atrás do prato e... “Vapt!” Bateu com a vassoura em cima do prato, que Jéssica se assustou e deu o maior grito. O esquilo saiu correndo através do quintal, passou pela cerca e foi para longe, correu para cima de uma árvore de nozes. O Tio Bruce riu até não poder mais, por causa da velocidade do esquilo.

Mas Jéssica estava muito preocupada.

- Os esquilos também não ficam com fome, tio Bruce?

- Sim – disse o tio Bruce – mas eles juntam nozes durante o outono, antes que caia neve, e assim eles têm o que comer quando têm fome durante o inverno. Para os passarinhos é muito difícil encontrar depois que a neve cobre todas as sementes que caíram durante o verão. Mas este esquilo preguiçoso prefere comer as sementes que colocamos no prato para os passarinhos, do que se esforçar em lembrar onde escondeu suas próprias nozes!

Jéssica ficou parada em cima do banquinho, observando até que os passarinhos começaram a vir para o seu café matinal. Só depois ela chamou a mamãe e pediu:

- Você pode me preparar o meu café agora? Estou contente porque Jesus providencia comida tanto para os passarinhos e para os esquilos, como também para todas as crianças.


Quem fez os pássaros? Quem fez os esquilos? Quem ensinou os esquilos a esconder nozes para ter o que comer no inverno?

________ você tem algum animalzinho? O que você pode fazer hoje para ser bondoso para com seu bichinho?



34 - O QUE MERECE SER FEITO


A mãe de Alice tomou um dos pratos e o colocou de lado. Dele caíram algumas gotas de água que rolaram sobre a mesa.

- Secaste estes pratos Alice? Perguntou ela.

- Oh, mamãe, exclamou Alice descontente, porque sempre encontra à senhora defeito no que eu faço?

- O que merece ser feito, merece ser bem feito, respondeu a mãe com voz serena.

- Eu não gosto de enxugar pratos, resmungou de mau humor a pequena.

- Oh, suspirou a mãe, quanto gostaria de encontrar maneira de fazer-te compreender a importância de fazer as coisas corretamente! Algum dia alguma coisa muito importante irá depender de quão bem hajas feito teu trabalho... .

- Oh, não se aflija mamãe, interrompeu Alice, tudo sairá bem!

E acrescentou:

- Posso usar agora a máquina de costura?

A mãe pensou: “Se Alice ao menos fosse tão conscienciosa a respeito de outras coisas quanto o é sobre suas costuras”.

Alice gostava de costurar. Fazia pontos nítidos e iguais. Gostava especialmente de casear. As casas que fazia eram bem feitas e fortes.

- Quando eu crescer irei ser costureira! Dizia a menina com orgulho.

Alguns dias mais tarde, Alice estava na escola fazendo os exercícios de aritmética, quando de repente a campainha grande da parede começou a tocar. Ouviu-se três toques curtos, um momento de silêncio e em seguida outros três toques curtos.

Isto significava incêndio! Com presteza e serenidade, a professora conduziu a classe para a janela onde ficava a saída para os casos de incêndio.

- Talvez não seja mais que outro exercício pensou Alice. Oxalá deixem de fazer tantos exercícios! Não me agradam nada.

Porém de repente sua atenção foi despertada pelo silvo agudo de uma sirena. Eram os bombeiros que chegavam! O coração de Alice começou a bater rápido. Era realmente um incêndio! Os meninos iam saindo para o campo de recreio.

Algumas das meninas menores começaram a chorar, porém não Alice. Ela pensava:

- De que vale chorar? Temos tido tantos exercícios para os casos de incêndio que todos já devem estar fora do edifício.

Olhou para cima e se admirou de que já houvesse uma cadeira ardendo na plataforma do segundo andar. Dir-se-ia que, nos momentos de agitação, alguém havia posto aquela cadeira, agora ardendo, sobre a plataforma da via de escape.

De repente se ouviu um grito, e ao levantar os olhos, Alice viu na parte superior da escada de escape sua própria irmãzinha Júlia. Como havia a pequena ficada para trás? Talvez tivesse saído ao corredor para tomar água, pois Júlia estava sempre querendo tomar água. Talvez houvesse outro motivo, porém, tudo o que Alice podia pensar nesse momento era que sua irmãzinha estava só na parte de cima da escada de emergência, e na plataforma que ela devia atravessar, havia uma cadeira em chamas. Que iria a pequena fazer? Como poderia passar?

- Espera! Gritaram a Júlia os bombeiros. Fica aí quietinha que te vamos buscar.

Júlia, porém, estava muito assustada para ficar quietinha e para escutar o que lhe diziam. Ficou um momento olhando a multidão em baixo, e logo começou a trepar pela sacada de ferro, em cuja parte superior havia várias pontas.

- Não! Não faças isso! Gritaram todos de uma vez. Não faças isso Júlia, espera que te vamos buscar!

Mas Júlia continuou subindo pelo gradil. Isso lhe era difícil, por causa das pontas de ferro que ficavam a pouca distância umas das outras. Conquanto fossem providenciadas em seguida escadas por onde os bombeiros subiam até próximo de Júlia, esta trepava demasiado depressa para que a alcançassem. Passou por cima das pontas de ferro e, de repente, escorregou.

Alice fechou os olhos e dela se apoderou um medo espantoso que nem lhe permitia gritar. Fechou os olhos e elevou uma curta oração a Deus: “Oh, Senhor, salva Júlia!” De repente a multidão deixou escapar um grito, e Alice abriu os olhos. Viu um homem bombeiro na parte superior da escada, e ali estava Júlia também. Estava presa ao gradil, pois seu vestido se enroscava numa das pontas e o bombeiro a estava tirando dessa posição perigosa.

Quando o bombeiro chegou em baixo, meia dezena de mãos se ergueu para ajudá-lo. Júlia chorava, mas estava sã e salva! O bombeiro dizia:

- A salvação foi às casas bem feitas do vestido desta menina. Uma das casas se enganchou numa ponta, e se não fosse forte... .

Uma casa forte! Alice havia caseado o vestido de Júlia, e o fizera de maneira sólida e forte, pois lhe agradava fazer qualquer espécie de costura.

Mas, que teria acontecido se ela não gostasse de coser? Admitamos que ao fazer as casas, fosse essa uma das coisas que lhe desagradasse fazer? A menina estremeceu ao pensar nisso. Tivesse ela feito as casas descuidadamente e Júlia não estaria com vida agora.

Essa noite Alice enxugou os pratos para a mamãe. Secou-os com muito cuidado e reflexão. Lembrava-se de todas as outras coisas que havia feito com negligência, pouco se lhe dando que saíssem bem ou não. Decidira que não mais seria negligente. Havia aprendido que algumas vezes uma vida depende de haver uma pessoa sido cuidadosa ou não.
35 - O SACRIFÍCIO SUPREMO

A triste e breve mensagem: “S. O. S”, “S. O. S”, era despachada a intervalos regulares pelo rádio-telegrafista de certo navio que, açoitado por furiosa tempestade, estava em iminente perigo de afundar-se entre as ondas do Atlântico, depois de haver enfrentado por longas horas um temporal violentíssimo.

O casco do navio se achava ainda intacto, conquanto seus lúgubres e prolongados estalidos indicassem que em breve se produziria uma brecha capaz de fazê-lo soçobrar dentro de alguns minutos. Tal era o temor do capitão, e daí seus pedidos de socorro.

- Todos aos botes! Prover-se de salva-vidas! Não há tempo a perder! Gritou de repente o primeiro piloto, subindo da casa das máquinas. Haviam-se realizado o temor do comandante da nave, e esta começava a adernar ligeiramente para bombordo, ante o peso da água que entrava em torrentes por uma larga abertura.

As ordens imperiosas do piloto deram lugar, na coberta, a um estado de confusão que parecia ir assumir proporções de tragédia. Os passageiros lutavam braço a braço com a tripulação, para serem os primeiros a chegar aos botes, que começavam a ser desamarrados para estar prontos à primeira ordem de deitá-los na água.

O capitão, provido de poderosa buzina, e secundado pelos dois pilotos, superou com sua voz os rugidos do mar e os estridentes sibilos do vento em desencadeada fúria:

- Não façam confusão! Há lugar para todos! Passem calmamente a ocupar seu lugar!

De repente, uma gigantesca onda, como a desmentir o marinheiro, arrebatou dois dos botes salva-vidas que, meio desamarrados, não puderam resistir ao furioso embate do oceano embravecido, e se perderam em face da consternação de todos.

Era simplesmente impossível que o total dos passageiros e tripulantes coubessem nos quatro que restavam! A perda era irreparável!

- As mulheres e as crianças primeiro! Exclamou a voz forte do capitão.

A ordem cumpriu-se imediatamente, e estas e aquelas, assim como alguns anciãos, começaram a ocupar as pequenas embarcações em que se encontrava sua derradeira esperança. Vários vigorosos marinheiros, escolhidos pelos pilotos, tomaram os remos dos botes, que eram arreados um a um, repletos até ao máximo de sua capacidade com os atemorizados viajantes.

A manobra realizava-se na maior ordem. Faziam-se despedidas desoladoras entre os que ficavam a bordo, condenados a uma morte inevitável, e os que lutariam com a tormenta nos frágeis botezinhos. Algumas senhoras desmaiavam e eram carregadas em braços até os ditos botes. Os homens proviam-se de salva-vidas, si bem que de pouco lhes pudesse servir, dada a violência da agitação do mar. Restava apenas um bote por arrear.

- Um momento o bote número seis! Um momento!

A ordem do segundo piloto fez com que se detivesse a manobra, e o último barquinho permaneceu por uns instantes em seu lugar.

- Duas mulheres mais! Há lugar para elas? Continuou o marinheiro.

Após uma pausa, ouviu-se a voz do encarregado da embarcação salva-vidas:

- Há lugar apenas para uma!

Venha depressa!

E então foi testemunha uma cena que se desenrolou em menos tempo do que é necessário para contá-la. Uma senhora de seus quarenta anos, pálida e trêmula, mas com decisão inquebrantável e com a suprema força emprestada pelo desespero, colocou no bote uma jovenzinha que, incapaz de articular palavra, e meio desfalecida, caiu nos braços dos passageiros, ficando o mesmo cheio a mais não poder.

- Tu, minha filha! Salva-te tu, minha filha! Foi a única despedida que a pobre mãe pôde articular.

E antes que a mocinha houvesse reagido o suficiente para responder a sua mãe, a ligeira navezinha se achava em meio da espuma do oceano que rugia em redor, como reclamando as presas que lhe escapavam... Uns segundos mais, e já se havia alongado do casco do navio, que cada vez mais se inclinava para bombordo, afundando rapidamente.

Poucos minutos depois, um enorme redemoinho assinalava o lugar da nave engolida pelo mar.

Consumara-se o sacrifício supremo de uma mãe!

O nome do navio e data do acontecimento baniram-se-me da memória; mas oxalá permaneça na tua, prezado leitor, este exemplo do que é capaz de fazer uma mãe, movida pelo puríssimo amor que o Eterno lhe gravou no coração.

Recorda também a ordem celestial: “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa”.


36 - OITO MINUTOS

Daniel se apoiou sobre o rastelo, e ficou olhando para o montão de folhas secas que havia sobre a grama.

“Junte tudo, depois tire as folhas da grama e ponha fogo nelas”, havia mandado o pai àquela manhã.

Tirar o lixo era muito trabalho. Por que não podia queimar as folhas ali mesmo? “A grama está bem verde aqui, e não tem vento”, pensou Daniel, “deve ser perfeitamente seguro queimar as folhas aqui”. Além disso, havia uma caixa de fósforos no bolso de sua jaqueta, que ele tinha deixado ali depois de acampar com os Desbravadores.

Ele riscou um fósforo e colocou dentro do monte de folhas, mas não aconteceu nada. Acendeu um outro palito de fósforo e cuidadosamente protegeu a chama com sua mão, enquanto se inclinava para pegar um punhado de grama seca. Novamente o fósforo se apagou.

Então, Daniel se lembrou da lata de combustível que estava no barracão. Lembrou que muitas vezes o pai o usava para começar um fogo. Por alguma razão, ele não achava ser muito correto pegar o óleo. Pensou que seu pai também não gostaria que fizesse aquilo, mas se lembrou da ordem do pai para limpar e queimar as folhas, e esta era uma maneira mais fácil. Além disso, o papai ficaria admirado quando visse que trabalho perfeito ele havia feito.

A lata com o combustível estava exatamente no lugar que ele imaginava. Daniel correu de volta, com a lata em sua mão. Derramou uma quantidade generosa sobre a grama e sobre as folhas. Depois riscou um novo palito de fósforo e colocou em cima do monte de folhas.

As chamas ascenderam e como que lamberam a grama, as folhas e outro lixo que havia. Daniel juntou mais alguns galhos secos do pomar, que o pai havia amontoado perto da cerca, depois de ter podado as árvores. Daniel pensou que o pai ficaria muito contente ao ver que ele havia limpado o pomar também.

Quando Daniel começou a voltar para onde estava o fogo, quase, não podia acreditar no que viu. Uma corrente de vento soprou de repente sobre a pilha que estava queimando e uma faísca de fogo caiu sobre o pasto.

Daniel jogou o rastelo e correu para onde o capim estava queimando. Tentou apagar o fogo, e quando parecia que tudo estava sob controle, uma rajada de vento fez reviver as chamas. Elas começaram a alcançar os galhos secos mais altos que havia por perto. Atrás do pasto irrigado, havia um outro campo que não era usado por algum tempo, e estava cheio de arbustos muito seco.

Se o fogo conseguisse alcançar aqueles arbustos secos, estaria fora de controle. A casa do vizinho, do outro lado da estrada, e as construções da fazenda, poderiam ser muito danificadas. Daniel sabia que o fazendeiro e sua família estavam ausentes. Não havia ninguém para ajudá-lo a acabar com o fogo.

Se ele pudesse fazer uma trincheira, talvez pudesse controlar e fazer com que o fogo parasse. Correu para o outro lado e começou a alimentar a chama. O fogo estava cada vez mais perto da trincheira de terra que havia feito.

“Somente Deus pode me ajudar”, ele disse em voz alta. “Por que não tirei para fora o lixo, ao invés de queimar sobre a grama?” Então começou a orar e trabalhar mais do que nunca.

Subitamente ele parou de cavar e enxugou o suor de sua testa. Como! Parecia que alguma coisa está empurrando o fogo de volta!

“O vento mudou de direção!” Gritou Daniel. “Obrigado, meu Deus, por me ajudar mesmo quando eu não merecia. Muito obrigado por salvar a casa de meu vizinho”.

As chamas foram enfraquecendo ao redor da parte já queimada e finalmente se apagaram. Não ficou nada sem queimar depois que o vento mandou as chamas de volta.

Oito minutos não é um tempo muito grande, mas foi tempo suficiente. Foi suficiente para o fogo parar e apagar-se completamente, e para Daniel compreender como Deus tinha sido bondoso para com ele, mesmo quando havia sido descuidado.

Novamente Daniel olhou para a casa do vizinho e para as construções da fazenda. Depois, colocando as ferramentas no ombro, andou por sobre o campo queimado observando bem para ver se não havia vestígio de fogo. E uma vez após outra agradecia a Deus por ter respondido a sua oração. Quando chegou em casa disse suavemente: “E pensar que Deus fez tudo em oito minutos!”.




37 - OS CAMINHOS DO SENHOR

Ao longo de uma praia, na costa da Inglaterra, entre as cidades de Norwich e Yarmouth, perambulava um pai acompanhado de seu filhinho de quatro anos.

- Tenho fome, disse o menino.

- Cala-te, desgraçado, respondeu-lhe o pai.

- Sim, tenho fome e sinto dores, prosseguiu o menino.

- Não te calas? Maroto! Acaso me é possível arranjar-te pão aqui entre as pedras e areias da praia?

Um estremecimento correu todo o corpo do menino, que nada mais disse, porque o pai lhe havia falado num tom desabrido e rude e os seus olhos tinham um brilho estranho.

Caminharam os dois, mudos, um ao lado do outro; o menino com a cabeça pendida sobre o peito a fim de ocultar ao pai as lágrimas que estilavam os seus olhos. No coração do pai tumultuavam pensamentos tenebrosos. Esforçava-se em vão por manter o equilíbrio, pois, segundo o seu costume, estava embriagado, e vacilava a cada passo que dava.

De repente o menino prorrompeu em altos gritos; não tinha podido mais se conter; a violência que se fizera para reprimir a dor só o havia aumentado. “Pão”! Exclamou o menino, “quero um pedaço de pão!” O desnaturado pai, porém, acometido de um acesso de fúria e desespero, pegou do menino e com toda a força de seu braço o arremessou ao mar, retirando-se precipitado.

Por uma coincidência notável, a que o mundo dá o nome de acaso, como se por uma palavra vazia de sentido se pudesse explicar o que o cristão não duvida em considerar como providência divina, uma tábua sobrenadava ao lado do menino, a que o infeliz pôde agarrar-se, sendo logo movimento das ondas.

Não muito distante da praia fundeava um vaso de guerra, de cujo bordo foi avistada a criança que, agarrada ao frágil destroço, era impelida na direção do navio, em risco de ser despedaçada de encontro ao mesmo. Acaso deixar-se-á perecer a criança?

Não haverá ninguém que se disponha a salvá-la? Tais pensamentos apenas tinham tido tempo de penetrar no espírito da marinhagem, quando um marinheiro já se havia lançado ao mar, trazendo com risco de vida o menino para bordo, onde foi logo por todos interrogados.

- Chamo-me Jacob, respondeu o menino, mas, além disso, nada sabia adiantar que pudesse esclarecer a guarnição com respeito à família a que pertencia. Resolveu-se, pois, conservá-lo a bordo, onde todos lhe chamavam “o pobre Jacob”.

Como fosse de gênio pacífico e dócil e, além disso, muito serviçal, não tardou em conquistar a simpatia de todos. Era por todos considerado como um filho adotivo, constituindo para todos pontos de honra não deixar faltar-lhe coisa alguma. Depois de muitos anos de estudos, Jacob obteve colocação em um dos vasos de guerra como cirurgião da marinha real. Da maneira mais conscienciosa preencheu as funções desse cargo durante a longa guerra entre a Inglaterra e a França.

Uma ocasião, havendo o navio a que pertencia, capturado uma pequena embarcação, foram trazidos para bordo diversos feridos que se confiaram aos cuidados do cirurgião Jacob. Entre os feridos havia também um homem já idoso, cujos ferimentos pareciam fatais. Não obstante, o nosso consciencioso cirurgião lhe dedicou os mais desvelados cuidados. Todos os seus esforços, porém, foram baldados.

Sentindo o ancião que a morte se avizinhava, desejou dar ao cirurgião uma prova de sua gratidão, e solicitando-lhe alguns momentos de atenção, falou-lhe nestes termos:

- O senhor tem usado para comigo de tanta benevolência, que me sinto constrangido a entregar-lhe o único tesouro que possuo neste mundo. E, entregando-lhe uma Bíblia, acrescentou: Uma senhora crente fez-me presente deste livro que me abriu os olhos sobre a minha miserável condição e me libertou das minhas paixões criminosas. Nesta Bíblia achei o caminho da salvação, o perdão dos meus pecados por Cristo Jesus, a doce paz do meu coração, que tanto tempo viveu torturado por indizíveis remorsos, e a consolação nos dias do meu infortúnio.

Aqui o velho interrompeu-se. Um inditoso segredo parecia pesar-lhe ainda sobre a alma, mas a vergonha de confessá-lo travara-se de luta com a necessidade que tinha de desabafar o coração. Essa luta, porém, durou apenas alguns instantes. Então começou a relatar com voz pausada, mas grave, todas as desordens e impiedades de sua vida, referindo entre outras como arremessara ao mar uma criança de quatro anos, seu próprio filho, por lhe haver pedido de comer.

Ó Deus, seria isto possível? Exclamou o jovem cirurgião, cujos movimentos e estupefação cresciam à medida que o velho prosseguia a sua narração. Seria possível tornamo-nos a ver neste mundo? Diga-me, continuou ele, segurando na mão do velho, em que parte da Inglaterra sucedeu isto?
- Entre Norwich e Yarmouthm respondeu o ancião, que não compreendia porque o jovem cirurgião se achava tão comovido ao fazer-lhe tal pergunta.

- E quanto tempo há que sucedeu isto?

- Há mais ou menos vinte e três anos, respondeu o ancião.

- E não se chamava esse menino, Jacob? – interrompeu o cirurgião, que mal se podia conter.

- Jacob! Sim, era esse o seu nome! Exclamou o velho, com espanto crescente.

- Meu pai, abençoe o seu filho! – exclamou o cirurgião, atirando-se de joelhos ante o leito do moribundo. – Abençoe o seu filho! Foi Deus quem nos ajuntou de novo, quem quis pôr diante dos meus olhos o exemplo de sua conversão, e de sua pia esperança.

Longo tempo o ancião conservou-se mudo; não acreditava aos próprios olhos; pensava na possibilidade de um sonho a que havia de seguir-se amargo desengano. Pouco a pouco, porém, foi reunindo suas idéias e pediu ao jovem oficial que lhe relatasse os pormenores que ainda lhe lembravam. Finalmente estava convencido de que era de fato seu filho a quem tinha diante de si e lágrimas de alegria inundaram-lhe as faces, sobre que pairavam já as sombras da morte: e, como Simeão, exclamou: “Agora, Senhor, despedes em paz o Teu servo”.

Faleceu ainda nesse mesmo dia, nos braços de seu filho, rendendo graças a Deus.

Esta coincidência tão inesperada e tão admirável fez tal impressão sobre o jovem cirurgião, que ele logo depois resignou o seu posto na marinha, para dedicar-se à pregação da Palavra de Deus.

E sucedeu que, havendo um servo do Evangelho relatado essa história em uma reunião religiosa, ele se dirigiu ao dirigente e disse: “Eu sou aquele pobre Jacob”.



38 - PERDÃO

- Quero tanto que papai chegue! Disse Ricardo, muito triste e aflito.

- Seu pai vai ficar zangado com você, respondeu a tia, que se achava na sala, fazendo tricô.

Ricardo, levantando-se do sofá, onde estivera chorando havia meia hora, disse, indignado, a sua tia: Ficará triste; não zangado. Meu pai nunca fica zangado.

Ouviram que alguém estava chegando. – Oh! Felizmente é ele que chega! Exclamou o menino, correndo em direção à porta, para encontrá-lo, mas voltou, muito desapontado, dizendo: - Não era ele. Não sei porque está demorando tanto! Quero que volte depressa!

- Parece que você está com desejo de ser castigado, disse-lhe a tia, que estava de visita, havia uma semana, e não era uma senhora amável, nem tinha muita simpatia pelas crianças.

- Creio que gostaria de me ver apanhar, porém garanto que não terá esse prazer, retrucou Ricardo.

- Confesso que um pouco de disciplina não lhe faria mal. Se você fosse meu, poderia ter certeza de que não escaparia, tornou a tia.

- Mas, felizmente não sou seu, nem quero ser. Meu pai é bom e me quer bem, afirmou o menino.

Ouviram-se passos, novamente, para os lados da porta, e o menino disse: - Tomara que desta vez seja ele mesmo! E, correndo, foi abrir a porta.

- Olá, como vai, meu filhinho? Ora, que é que tens? Está triste? Que foi que aconteceu? Interrogou o pai.

- Venha comigo, papai, disse-lhe Ricardo, puxando-o pela mão, para o escritório. O Sr. Gonçalves assentou-se e colocando o menino sobre os joelhos, perguntou: Que é que tem, meu filho? Que aconteceu? Pode contar a papai, sem receio.

Os olhos do menino se encheram de lágrimas, enquanto procurava falar, mas não pôde por causa de um nó na garganta. Desceu, abriu um armário e trouxe os pedaços de uma estatueta quebrada e os pôs diante de seu pai. A peça fora comprada no dia anterior e, sendo uma obra de arte, custara muito.

- Quem fez isto? Perguntou o pai, surpreendido.

- Fui eu, papai.

- Como?


- Oh! Papai esqueci-me e joguei a bola aqui dentro de casa. Joguei-a uma só vez, mas quebrei a estatueta. Estou tão triste por ter feito isto, papai! E, dizendo isso, o menino desatou a chorar.

O Sr. Gonçalves ficou pensando alguns momentos e depois disse:

- Pois bem, Ricardo, não podemos desfazer o que já está feito. Você confessou, e está perdoado. Guarda os cacos. É claro que já sofreu bastante. Não é preciso que eu diga mais nada. Julgo que o seu castigo já foi suficiente e que aprendeu uma boa lição.

- Oh! Papai, como o senhor é bom! Pode ter a certeza de que, daqui por diante, farei todo o esforço para lhe obedecer. Como gosto de meu paizinho! É o melhor do mundo! Exclamou o menino, dando um forte abraço no pai.

Os dois foram, então, para a sala, onde estava a titia. Esta, vendo-os, disse: - Que menino feio é o Ricardo! Merece ser severamente castigado pelo que fez. O menino precisa aprender que não se brinca dentro de casa com bola. Certamente que ele vai pagar bem caro pela sua arte!

- Já ajustamos contas, Julieta. Uma das regras desta casa é: sair das trevas e entrar na luz, o mais cedo possível, explicou o pai, amavelmente, à irmã que, no íntimo, era boa e somente um pouco severa.

Julieta, surpreendida, ficou quieta. Refletindo sobre o incidente e concluiu que ambos tinham razão, e que era, mesmo, muito melhor sair das trevas do rancor e permanecer na luz do amor e da harmonia.




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