01 a boa Idéia de Suzana 04 02 a exposição de Flores de Guilherme 05



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39 - PERDIDOS

A senhora Barbosa estava muito admirada. ...

Mais alguns longos minutos se passaram e então Lauro falou:

- Não estamos adiantando caminho, mamãe. Estamos perdidos. Aqui está o velho tronco de novo. Com esta são três vezes que passamos por aqui. Estamos fazendo círculos. Eu não quis dizer isso antes porque não queria atemorizá-la. Mas creio que precisamos parar.

- Eu sabia que estávamos perdidos, disse Janete. Notei que havíamos passado por aqui, por este velho tronco, já duas vezes. Que caminho tomará agora?

- Sim, eu estava certa de que estávamos perdidos, mas julgava que pudéssemos atravessar este capão se continuássemos, retrucou a Sra. Barbosa. Estou muito preocupada!

- Mamãe, aventurou Lauro, com expressões de esperança. A senhora se recorda da história que nos contou na semana passada, do missionário que estava perdido e orou a Deus pedindo que o ajudasse a encontrar o caminho? A senhora contou que ele assim que acabou de orar começou a andar e encontrou o caminho. Deus o ajudou.

Vamos orar nós também?

E assim os três se ajoelharam e cada um fez uma curta oração, pedindo a Deus que os ajudasse a achar o caminho.

Acabaram de orar e já era escuro. Lauro segurou a mão da mãe e a da irmãzinha e começaram a andar, por entre os arbustos e macegas daquele capão escuro.

Não haviam andado muito quando Lauro exclamou, cheio de satisfação:

- Olhem lá uma luz!

- Mas não é nenhuma casa, respondeu a mãe, pois não há moradores aqui por perto. Deve ser alguém, andando. Vamos ver se o alcançamos.

- A lanterna está balançando e não sai do lugar. Vamos ligeiro até ela, disse Lauro.

Quando chegaram bem perto da luz puderam observar que se tratava de três homens que estavam de passagem. Haviam parado ao ouvir vozes.

- Podem dizer-nos onde estamos? Perguntou a Sra. Barbosa.

Os homens explicaram onde se encontravam e ofereceram-se para guiá-los até a estrada. Quando chegaram ao caminho reconheceram-no e rumaram para casa. Andaram um pouco mais no escuro e logo avistaram a luz de casa.

- Espero que vovô tenha deixado alguma comida quente para nós, disse Janete, que sentia bastante fome, agora que passara todo o temor.

- É mesmo, pois estou até fraco de fome, respondeu Lauro.

- Para mim, o melhor é poder ver nossa casinha já bem perto, falou a Sra. Barbosa.

- Estivemos perdidos, vovô, disse Janete assim que entrou em casa.

- Eu estava mesmo imaginando, respondeu o avô. E continuou: vocês devem ter ficado até muito tarde na roça!

- É verdade, concordou a Sra. Barbosa.

- Mas, vovô, nós oramos e Deus nos ajudou a achar caminho. Não foi bom termos orado? Perguntou Janete.

- Orar é sempre uma boa coisa, queridinha. Deus sempre nos mostra o caminho de casa. E não somente o caminho desta casa, mas o caminho do lar celestial, respondeu o avô, em tom amorável de voz grave, ao mesmo tempo em que punha sobre a mesa o alimento quentinho e cheiroso.

40 - PERSEGUIDO POR UM LEOPARDO


Tinha Tomás treze anos de idade, e freqüentava uma escola da missão localizada no sopé dos montes Himalaia, ao norte da Índia. Era inverno, e havia neve por toda parte, cobrindo florestas, campos e veredas com grosso lençol branco.

Uma tarde, depois da reunião na capela da missão, pediram a Tomás que acompanhasse uma senhora idosa que voltava ao lar, cuidando de que chegasse sã e salva ao destino. Isto significava uma caminhada de cinco quilômetros através da neve. Parecia longa a jornada, pois naturalmente a idosa senhora não podia andar muito depressa. Finalmente, contudo, os dois chegaram seguros à casa da anciã, e Tomás voltou para a escola.

Então começou a notar que já era bem tarde. O sol estava preste a se esconder, e logo escurecia. De repente lembrou-se dos leopardos da neve e começou a correr. Se havia uma coisa que desejava evitar, era encontrar-se com um destes animais selvagens depois do escurecer.

Diferente do leopardo comum, de pêlo pardo e manchas pretas, o leopardo da neve tem pêlo acinzentado e manchas vermelho-pardas. É fera horripilante e difícil de ver contra a neve, sendo perigosa quando faminta ou molestada. No inverno, descem dos planaltos, procurando alimento até nos lugares povoados. Seus rastos sempre eram vistos na floresta que ficava perto da missão, e que agora estava entre Tomás e a casa.

De modo que correu, mas não tão depressa como gostaria. Dentro de pouco tempo escureceu por completo. Entrou na floresta. Decorridos poucos minutos percebeu que era seguido. Voltando-se, viu um par de olhos fitos nele, brilhando na escuridão. Era um leopardo da neve. Ousadamente marchou para o animal, que se desviou do caminho.

Aí foi que Tomás começou a orar como nunca dantes. Orava, enquanto corria. Então viu novamente os olhos. Tomás correu novamente até pressentir que o leopardo estava mais perto. Parou; fitou-o nos olhos e correu novamente. Durante todo o tempo estava orando por auxílio.

O leopardo da neve estava agora bem perto. ...

Justamente aí chegou a uma encruzilhada no caminho. Um trilho desviava-se para a esquerda; o outro, através de um trilho bem íngreme, levava à porta dos fundos da escola da missão. Qual seguiria, com o leopardo tão perto de si?

Nesse momento alguma coisa atravessou o trilho correndo, bem na sua frente. Parecia-lhe ser um homem, mas na escuridão da mata não podia dizer quem ou o que era. Mas pensou que isso confundiria o leopardo, e que ele perderia a pista. E tinha razão.

Quando o estranho passou para um lado, ele seguiu para o outro, subindo a toda o curto atalho em busca de segurança.

Encontrei-me com Tomás um dia destes. Disse-me ele que, apesar de se terem passado vinte e cinco anos desde aquela terrível noite, nunca deixou de agradecer a Deus por livrá-lo do leopardo da neve.


41 - “POSSO FAZER QUALQUER COISA”


Ao iniciarem Tomaz e Jorge seus estudos universitários, fizeram-no com o objetivo de alcançar não só um título, mas também o preparo necessário para se destacarem na vida como profissionais. Os anos passados nas aulas da Faculdade de Direito foram de árduo estudo, e às vezes se lhes afiguraram intermináveis, mas chegaram ao fim como todas as coisas desta vida.

Ao receber o diploma, verificaram que as condições econômicas, em geral, haviam-se modificado muito desde o momento em que iniciaram sua carreira, aguda crise abalava o mundo, e não lhes foi possível instalar-se como advogados. Que fazer nessas circunstâncias? Ambos eram jovens resolutos, pelo que não se intimidaram. Resolveram procurar emprego, embora não fosse no desempenho de sua profissão.

No porto em que viviam, estava instalado um grande estaleiro. Em suas oficinas e escritórios trabalhavam vários milhares de empregados, pelo que decidiram solicitar trabalho ao gerente dessa poderosa instituição.

Tomaz foi o primeiro a apresentar-se com seu flamante título em baixo do braço.

- Em que pode ocupar-se? Perguntou-lhe cortesmente o diretor da empresa, depois de lançar um olhar ao diploma do solicitante.

- Como o senhor compreenderá, não posso submeter-me a ser simples empregado. De acordo com meus conhecimentos, solicito um cargo de certa responsabilidade, com remuneração equivalente.

- Muito bem, jovem. Deixe-me seu endereço e, quando se apresentar à oportunidade em que haja uma vaga para um cargo de “responsabilidade”, pensaremos no senhor, respondeu-lhe o gerente, com certa ironia.

Claro está que essa oportunidade nunca chegou.

Jorge apresentou-se algumas horas, no mesmo escritório. Não levava consigo o título de advogado. Tinha apenas a determinação de começar a trabalhar de qualquer maneira honesta e de fazer-se conhecer em seu trabalho.

- Que é capaz de fazer, jovem? Interrogou-o gerente que se advertira da capacidade intelectual de Jorge, por suas palavras de introdução.

- Posso fazer qualquer coisa, senhor. Para começar, satisfar-me-ia qualquer ocupação.

O diretor tocou uma campainha.

- Tem alguma vaga para este jovem? Perguntou, segundos depois, ao chefe de uma seção do estaleiro, que se apresentou ao seu chamado.

- Sim, precisamente, necessitamos de alguém que se encarregue da limpeza do departamento das máquinas.

E o formado da universidade começou essa humilde tarefa no dia seguinte.

Depois de três meses, o gerente chamou o chefe da seção em que Jorge trabalhava.

- Como vai Jorge? Perguntou-lhe.

- Muito bem. Demonstra tal dedicação ao trabalho, que o departamento de máquinas está sempre reluzindo. Parece incrível que um advogado tenha tão boa vontade para trabalho tão humilde.

O Sr. Silveira, tal era o nome do diretor do estabelecimento, sorriu enigmaticamente e limitou-se a dizer:

- Está bem, pode retirar-se.

Outros três meses se passaram e, depois de ter pedido algumas informações quanto à conduta do jovem advogado, mandou-o chamar ao escritório.

- Nesta empresa, principiou, temos por norma experimentar por seis meses os novos empregados. Durante esse tempo, pagamos-lhes o ordenado fixo de Cr$ 300,00 mensais, importância essa que o senhor tem recebido até agora. Mas isso não é o mais importante, prosseguiu. O que nos interessa principalmente, nesse período, é a conduta, a fidelidade e dedicação ao trabalho do que se acha à prova. Ora, como a esse comportamento se unem ainda suas aptidões intelectuais, seus conhecimentos gerais e preparo universitário... Uma tossezinha interrompeu as palavras do gerente. Mudando de assunto, dir-lhe-ei que meu secretário particular foi ocupar um posto de maior responsabilidade no estrangeiro e preciso de alguém que tome esse importante lugar. Que o senhor, Dr. Jorge – e o diretor fez ressaltar o título – considerar a possibilidade de ser seu sucessor? De minha parte estou convencido de que o senhor é a pessoa mais indicada. Informo-lhe ainda que os vencimentos são de Cr$ 3.500,00 mensais.

O doutor, que momentos antes estivera a trabalhar de escova na mão, não respondeu imediatamente. Oprimia-o profunda emoção. Por fim, com uma voz que ele mesmo estranhou, respondeu:

- Agradecido, Sr. Silveira, que outra coisa poderia desejar?

Ao cabo de cinco anos, era Jorge o braço direito da empresa. E, ao passo que ocupava um cargo de muito maior responsabilidade que o de secretário particular do gerente e que seu ordenado se escrevia com várias cifras... Seu companheiro Tomaz escondera o título no fundo de um velho baú, onde guardava muitos “trastes” inúteis e, premido pela crise, lavava automóveis numa garage.

Vale a pena dizer: “Posso fazer qualquer coisa...”. E fazê-la.




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