01 a boa Idéia de Suzana 04 02 a exposição de Flores de Guilherme 05



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07 - A MENINA QUE SE TORNOU GRANDE


- Clara! Clara!

A voz de David era trêmula e fraca, pois estava muito doente. Ele amava muito ao pai e à mãe, que lhe eram muito caros, mas na doença não queria perto de si outra pessoa senão Clara. Quando a menina saía do quarto, ele começava a gemer, a chorar e a chamar por ela. O doutor deu-lhe diferentes remédios, mas nenhum lhe parecia fazer bem algum.

Finalmente todos desanimaram, dizendo que nada mais podiam fazer por ele. Diziam todos que David não viveria por muito tempo mais – todos, menos Clara. Ela ficou sempre ao seu lado, refrescando-lhe, freqüentemente, a fronte escaldada pela febre ou dando-lhe bebidas nutritivas. Orava para que Deus o poupasse. Não o abandonava.

Clara faltou às aulas para cuidar de David. Ele ardeu em febre durante muito tempo, mas finalmente esta cedeu, deixando-o muito fraco. Contudo, não melhorava como devia. Afinal, passado um ano, o pai de David ouviu falar num doutor que tratava de modo diferente. O doutor veio e levou David para o seu sanatório, a fim de o tratar. E o menino começou a melhorar rapidamente. Quão contente ficou a família, e como se alegrou Clara de ter perseverado e feito tudo ao seu alcance por David, quando os outros pensavam já ser tarde.

Clara costumava fazer bem tudo o que empreendia. Em criança foi boa aluna, vindo mais tarde a ser professora. Era ainda nova quando começou a lecionar, muito mais nova do que a maioria dos professores, mas fez esplendidamente o trabalho. Tinha uma escola que ninguém conseguira dirigir, pois havia quatro rapazes bem grandes que estavam determinados a dominar a situação e expulsar qualquer professor, fosse homem ou mulher, que os viesse ensinar.

Clara tinha um modo especial de tratá-los, que os outros não tinham. Brincava com eles e lhes perguntava bondosamente se não lhe queriam prestar favores. Era tão paciente com eles que os conseguiu ganhar, levando-os a se tornarem alunos muito quietos e obedientes.

Clara ouviu dizer que havia em uma cidade próxima meninos e meninas que não tinham escolas em que pudessem aprender a ler, escrever e fazer contas. Isso certamente faz muitos anos. Havia umas poucas escolas, mas estas eram somente para pessoas que tinham bastante dinheiro para pagar os estudos. Clara achava que devia haver escolas gratuitas para os meninos e meninas pobres, tanto como para os filhos dos ricos. Mas todos diziam que ela nunca poderia fazer alguma coisa neste sentido; ela, porém, o fez. Suas escolas tiveram tamanho sucesso que muitos ricos tiraram os filhos das escolas que estavam freqüentando, para pô-los nas escolas de Clara.

Veio a guerra – a terrível guerra. Clara era agora um pouco mais velha, e embora fosse ainda pequena e delicada, tinha bastante determinação. Não podia consentir em ver homens sofrerem e morrerem nos campos de batalha sem os devidos cuidados. Era o tempo da Guerra Civil nos Estados Unidos. Rogou que lhe permitissem fazer alguma coisa, mas seus pedidos não foram atendidos, visto ser mulher.

Ela, porém, persistiu, sendo-lhe, finalmente, concedida a oportunidade de ir ajudar os feridos. Muitas vezes esteve sua vida em perigo. Certa vez, quando estava dando algo a beber a um homem ferido, foi-lhe o copo arrebatado da mão por uma bala. Doutra vez, uma bala rasgou-lhe a manga do vestido. Ela, porém, continuou lidando com os feridos, dando água fria aos sedentos e confortando os moribundos.

Foi a fundadora da Cruz Vermelha Americana, que tanto tem ajudado aos que sofrem, em suas necessidades. Nunca há um terremoto, maremoto, enchente, guerra, ou qualquer outra terrível calamidade que as enfermeiras da Cruz Vermelha ali não estejam para fazer o possível em favor do povo.

Clara Barton propôs em seu coração, quando ainda menina, fazer quanto lhe fosse possível para ajudar aos que sofrem. Pôs bem alto o alvo, e seu nome é exaltado como de uma mulher digna de toda estima.




08 - A PROMESSA DE PAULA


“Clara”, chamou Paula da frente de sua casa, “espere um minuto! Quero lhe contar uma coisa”.

E Paula correu bem depressa para o portão onde Clara estava esperando.

“O que tem de tão importante?”, perguntou Clara, “parece que você encontrou um milhão de dólares ou coisa semelhante”.

“Não”, disse Paula, “eu não achei um milhão de dólares nem coisa semelhante. Eu tenho um trabalho para esta noite. Eu estava esperando conseguir um trabalho para poder ajudar a comprar meu uniforme escolar, e agora encontrei. Vou cuidar dos gêmeos da Sra. Mendes. Ela precisa sair por algumas horas para cuidar de sua mãe que está doente”.

“Ah, isto, disse Clara”, eu poderia dizer que é mais do que um trabalho. Eu cuidei dos gêmeos da Sra. Mendes, uma vez quando eram bebezinhos, mas a Sra. Mendes era tão crítica e maldosa, que preferi nunca mais trabalhar para ela”.

Clara começou, bem devagar a caminhar para longe do portão. “Bem, divirta-se”, ela disse, “talvez você goste da maneira como a Sra. Mendes dá ordens, mais do que eu”.

Paula voltou a sentar-se na beira da varanda. Ela se sentia preocupada, será que Clara estava com inveja? Ou será que é tão difícil trabalhar para a Sra. Mendes? Paula viu quando Clara dobrou a esquina em direção da casa de Maria. Era muito bom e divertido ser amiga de Clara e Maria. As duas eram muito populares, e Paula também se sentia popular quando estava com elas.

A Sra. Mendes estava pronta para sair quando Paula chegou. “Estou muito feliz porque você chegou na hora”, disse ela, convidando Paula para entrar em casa. “Este é um momento muito difícil para mim, me sentiria muito melhor se pudesse encontrar alguém em quem confiar. Eu gostaria de lhe dizer exatamente o que espero que você faça, para que possamos nos entender desde o começo. Eu quero que você me prometa que nunca deixará a casa, sejam quais forem às circunstâncias. Se alguma coisa errada acontecer com os gêmeos, quero que me chame imediatamente. Você pode me prometer isto?”

“Sim, certamente”, disse Paula, “a senhora não precisa ficar preocupada”.

“Estou sentindo que posso confiar em você”, disse a Sra. Mendes confiantemente, “mas eu tive uma experiência muito ruim com uma menina que veio cuidar dos gêmeos, e vivo apavorada desde então. Não quero parecer mal-humorada, ou rabugenta, mas nossas crianças são muito queridas e muito especiais para nós, e não quero correr nenhum risco”.

“Eu sei”, disse Paula, “meus pais são muito exigentes sobre a maneira como devo cuidar de nosso bebê. A mamãe sempre diz que a segurança dele deve sempre vir primeiro porque é muito pequeno e indefeso. Se a senhora me der o número do telefone onde posso encontrá-la, vou colocar bem à vista, aqui na mesa, junto com os meus livros”.

Logo que a Sra. Mendes saiu, Paula olhou ao redor para ver se havia alguma coisa que deveria fazer antes de começar seus deveres de casa. Os gêmeos ainda estavam dormindo tranqüilamente.

Na cozinha havia louça que precisa ser lavada. Ela encheu a pia com água quente e colocou o sabão. Levaria somente alguns minutos, e tudo estaria em ordem quando a Sra. Mendes voltasse para casa.

Mas antes que começasse a lavar a louça, ouviu alguém batendo à porta. Ela ligou a luz e olhou para fora. Clara e Maria estavam paradas no pórtico.

“Vimos quando a Sra. Mendes saiu”, disse Clara, “e pensamos que você, talvez, gostaria de dar uma escapadinha por alguns minutos e ir conosco tomar um refrigerante na lanchonete. Você não ficará fora mais de meia hora”.

“Eu não posso ir”, disse Paula, “prometi para a Sra. Mendes que não deixaria a casa. Pode acontecer alguma coisa com os gêmeos”.

“Não seja boba”, disse Clara, “não pode acontecer nada. Chaveie a porta, pegue seu casaco, e venha conosco”.

“Paula”, disse Maria, com tom impaciente, “você vem ou não? Talvez você não queira mais ser nossa amiga”.

Paula pensou por um instante, e então pegou seu casaco, que estava na cadeira, abriu a porta e começou a sair, mas ficou em dúvida.

“Não”, disse ela, “eu não posso fazer isto, eu prometi”. E voltando para dentro da casa, disse: “Quero continuar sendo amiga de vocês, mas não posso quebrar minha promessa”.

“Você tem certeza que quer continuar sendo nossa amiga?”, caçoou Maria, enquanto ela e Clara corriam pela rua escura.

Paula sabia que era o fim de sua amizade, mas não podia fazer mais nada. Lentamente fechou e chaveou a porta, e voltou para a cozinha.

A janela, em cima da pia, estava um pouquinho aberta, e sentia o ar fresco, gostoso, soprando em seu rosto. Parece que a noite estava ficando bem fria, e o vento estava começando a soprar mais forte.

Paula jogou longe o pano de secar pratos quando sentiu o cheiro de fumaça. Voltou para a pia e procurou cheirar o ar que entrava pela janela aberta. Realmente sentiu o cheiro de fumaça – como se fosse borracha queimando. Então teve a certeza de que alguma coisa estava queimando, em algum lugar muito perto.

Ela correu de quarto em quarto. Estava tudo em ordem, mas o cheiro de fumaça estava aumentando. Ela abriu a porta dos fundos e olhou para fora. A princípio não pôde ver nada, somente luzes na rua vizinha, mas logo que seus olhos ficaram acostumados com a escuridão, ela viu uma grossa nuvem de fumaça preta que subia para o céu. Não sabia exatamente a que distância estava, mas não deveria ser mais do que meia quadra.

Fechou a porta com toda a força. Seu coração batia muito acelerado. Parou no meio da cozinha tentando pensar. Será que deveria chamar a Sra. Mendes? Será que deveria acordar os gêmeos, caso tivesse que levá-los para fora de casa?

O som de sirenes quebrou o silêncio. Os bombeiros estavam vindo! Seu coração batia ainda mais depressa, e com mais força, enquanto os carros dos bombeiros, com suas luzes vermelhas girando, tocavam a sirene pela rua. Eles diminuíram a velocidade e pararam em frente da casa que estava duas portas mais para frente. As pessoas saíram rápido de suas casas e corriam de um lado para outro da rua gritando e chamando aos outros. Paula teve vontade de se juntar a eles e ver o que estava acontecendo, mas devia permanecer junto dos gêmeos.

E assim Paula ficou parada na frente da porta tentando ver o que estava acontecendo. A fumaça fazia como um redemoinho por entre as casas. Algumas vezes ela tinha uma visão das chamas furiosas. De repente ela viu a Sra. Mendes subir correndo as escadas, seu rosto estava muito pálido.

“Você ainda está aqui?”, perguntou a Sra. Mendes, com voz muito estranha.

“Naturalmente que estou”, disse Paula, orgulhosamente, “eu prometi que não me afastaria da casa”.

A Sra. Mendes se deixou cair sobre uma cadeira e escondeu seu rosto entre as mãos. “Acho que estou agindo como uma boba, mais fiquei muito apavorada da outra vez. Quando meus gêmeos eram ainda muito pequenos, tive que sair por umas poucas horas. Eu pedi a uma menina para cuidar dos bebês para mim; mas logo que cheguei na cidade, notei que tinha levado a bolsa errada, e assim tive que voltar. A porta estava chaveada, e Clara tinha saído. Eu não podia entrar em casa, porque minhas chaves estavam na outra bolsa. Tive que subir em uma janela para poder entrar em casa. Felizmente não tinha acontecido nada com os bebês, mas isto ainda me deixa assustada, por pensar em todas as coisas que poderiam ter acontecido”.

“A senhora disse que o nome da menina era Clara?”, perguntou Paula.

“Sim”, respondeu a Sra. Mendes, “o nome era Clara. Eu acho que deve ser sua amiga. E isto é uma coisa que me apavora”.

“Eu pensei que Clara fosse minha amiga”, disse Paula, “mas, na realidade, ela não é. Ela e Maria queriam que eu fosse com elas até uma lanchonete, mas eu disse que tinha prometido não abandonar a casa”.

A Sra. Mendes começou a sorrir. “Quando Clara voltou naquele dia e viu que eu estava em casa, ela se virou e fugiu, e desde então nunca mais chegou perto de mim”.

Enquanto Paula andava de volta para casa pela movimentada rua, estava muito agradecida porque não tinha permitido que Clara e Maria a persuadissem a quebrar sua promessa. O fogo já tinha sido apagado, e o ar estava limpo e fresco. As estrelas estavam brilhando e o coração de Paula estava cantando.




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