1. º Trimestre º ano – ensino médio



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ESTUDO DE RECUPERAÇÃO

PROFESSOR JULIANO MUNHOZ

DISCIPLINA DE LITERATURA
1. º TRIMESTRE
2.º ANO – ENSINO MÉDIO
1. Leia o texto abaixo do poeta português Almeida Garret.
Não te Amo

Não te amo, quero-te: o amor vem

d'alma.

E eu n 'alma – tenho a calma,



A calma – do jazigo.

Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é

vida.


E a vida – nem sentida

A trago eu já comigo.

Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero

De um querer bruto e fero

Que o sangue me devora,

Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te

amo, ó bela.

Quem ama a aziaga estrela

Que lhe luz na má hora

Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é

forçado,


De mau, feitiço azado

Este indigno furor.

Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e

tanto

Que de mim tenho espanto,



De ti medo e terror...

Mas amar!... não te amo, não.


Nas estrofes o eu-lírico assume a seguinte posição na relação entre Amor e Desejo:

a) Rompimento com a paixão, amor casto.

b) Opção pelo desejo, com conflito interior.

c) Renúncia ao desejo, fuga para a religiosidade.

d) Opção pelo amor contemplativo; tranquilo.
2. O maior vestígio neoclássico apresentado no poema é:

a) Predomínio da razão sobre a emoção.

b) Esmerada escolha vocabular.

c) Consciência da efemeridade do tempo.

d) Alternância de versos com dez e seis sílabas poéticas.
3. Assinale a alternativa que não se refere corretamente a aspectos da literatura romântica.

a) Os românticos pretendiam romper com as concepções tradicionalistas sobre metro, ritmo e rima.

b) No Romantismo o racionalismo foi substituído pelo ideal de pessoalidade do poeta.

c) Esses novos escritores eram menos atormentados que seus antecessores barrocos; sem perder a impregnação religiosa.

d) Dos mais ricos, esse período literário floresceu no século das Luzes, impulsionado pelos sentimentos nativos e, no caso do Brasil, pela indignação dos brasileiros contra o domínio português.
4. Sobre a obra de Camilo Castelo Branco, Amor de perdição, assinale a alternativa incorreta.

a) O amor é visto como um sentimento superior; é a razão de viver e de morrer; é o que sela o destino dos homens.

b) Teresa mostra-se como uma mulher áspera e rebelde ao deixar-se levar para o convento.

c) Mariana, ao atirar-se ao mar, procura na morte a possibilidade de encontrar-se novamente com Simão.

d) O desprezo rebelde pelo mundo e pelas regras sociais; o amor que se configura como um sentimento arrebatador, que leva à tragédia, é uma das características ultrarromânticas presentes no texto.
5. Leia o fragmento abaixo da obra Eurico, o presbítero de Alexandre Herculano.

“O pacto feito por ele com os árabes não tardou a ser por mil modos violado, e o ilustre guerreiro teve de se arrepender, mas já debalde, por haver deposto a espada aos pés dos infiéis,em vez de pelejar até À morte pela liberdade. Fora isto o que Pelágio preferira, e a vitória coroou o seu confiar no esforço dos verdadeiros godos e na piedade de Deus.”

Qual a característica romântica predominante neste trecho?

a) Subjetivismo

b) Idealização do amor

c) Despreocupação formal

d) Retomada dos valores medievais
6. Assinale a alternativa que identifica as qualidades do Romantismo presentes no poema "O poeta", de Álvares de Azevedo:

"no meu leito adormecida,

Palpitante e abatida,

A amante do meu amor!

Os cabelos recendendo

Nas minhas faces correndo

Como o luar numa flor!"

a) é do Romantismo pela imagem da mulher amada idealizada.

b) porque tem metáforas.

c) porque apresenta um poeta enamorado.

d) porque trata a natureza de forma humanizada.
7. Esta questão versa sobre aspectos do ROMANTISMO enquanto estado de alma e estilo literário.

“Nenhuma força virá me fazer calar



Faço no tempo soar minha sílaba

Canto somente o que pede para se cantar

Sou o que soa eu não douro pílula.

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito, maior

Com todo mundo podendo brilhar num cântico

Canto somente o que não pode mais se calar

Noutras palavras, sou muito romântico.”

(Caetano Veloso)

Assinale a alternativa correta.

a) Enquanto estado de alma, o romantismo encontra-se unicamente concentrado no Romantismo (escola literária).

b) Pela temática explorada, Caetano Veloso integra a escola literária chamada Romantismo.

c) Não há qualquer distinção entre romantismo (estado de alma) e Romantismo (estilo de época).

d) Fuga da realidade através da imaginação, comportamento baseado na liberdade, na emoção e na idealização da realidade definem o estado de alma romântico, o qual percebemos no texto acima.
8. Gonçalves Dias, no prólogo aos Primeiros cantos, dentre outras coisas afirma: ...adotei todos os ritmos da metrificação portuguesa e usei deles como me pareceu quadrar melhor com o que eu pretendia exprimir...

Esta afirmação demonstra:

a) Que as leis poéticas referentes à forma em poesia, devem governar a inspiração.

b) A importância que autor dava à forma, a ponto de submeter a ela todos os outros elementos da estrutura de um poema.

c) Que a forma poética deve surgir em decorrência do conteúdo e não condicioná-lo.

d) Que o autor ainda não se havia libertado dos princípios rígidos que governavam a inspiração, característica de sua iniciação literária.


9. Os relatos emoldurados em Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, são, todos, construídos a partir de uma oposição entre amor e morte. Assinale a alternativa correta.

a) No relato de Bertran, o herói que narra a sua história informa aos ouvintes de como, em um acesso de ciúmes, matou o capitão que o salvara de um naufrágio por ter se apaixonado por sua mulher.

b) O relato de Solfiere mescla aventuras amorosas com jogos e suicídio.

c) A expressão “estou de esperanças” indica uma amante grávida e surge como um sinal positivo para o futuro – que, no entanto, não se realiza, pois a gestante mata o feto, morrendo em seguida.

d) Nauza é a jovem mulher de Godofredo, mestre de Gennaro; ela e o aluno se apaixonam, mas Gennaro se envolve com Laura, “virginal” filha de Godofredo; Laura, grávida, morre, e enquanto Godofredo chora, Gennaro e Nauza se amam; Godofredo atrai Gennaro para uma cilada, atira-o em um despenhadeiro, mas ele, por milagre, se salva; retornando à casa do mestre, encontra Godofredo e Nauza envenenados.
10. Leia o texto abaixo que é parte do poema “Mocidade e morte”, de Castro Alves, para responder à questão.

Oh! Eu quero viver, beber perfumes

Na flor silvestre, que embalsama os ares;

Ver minh’alma adejar pelo infinito,

Qual branca vela n’amplidão dos mares.

No seio da mulher há tanto aroma...

Árabe errante, vou dormir à tarde



À sombra fresca da palmeira erguida.

Mas uma voz responde-me sombria:

Terás o sono sob a lájea fria.

Estes versos de Castro Alves ilustram bem a seguinte afirmação:

a) O poeta explorou com perícia a poesia narrativa, apoiando-se tanto em vultos históricos quanto em figuras da mitologia clássica.

b) O estilo de sua poesia condoreira ganha um máximo de grandiloquência quando o poeta fala do direito que temos todos à vida em liberdade.

c) Na expansão da sensualidade juvenil – por vezes contrastada com fúnebres pressentimentos – o poeta representava a força criativa que sentia em seu íntimo.

d) Por vezes o poeta se afasta dos temas amorosos ou das causas sociais, para retratar com tintas fortes a beleza natural, suficiente em si mesma.


11. Leia o texto abaixo do poeta Almeida Garret, para responder à questão.

Este inferno de amar

Este inferno de amar – como eu amo!

Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?

Esta chama que alenta e consome,

Que é vida – e que a vida destrói.

Como é que se veio atear,

Quando – ai se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,

A outra vida que dantes vivi

Era um sonho talvez… foi um sonho.

Em que a paz tão serena a dormi!

Oh! Que doce era aquele olhar…

Quem me veio, ai de mim! Despertar?

Só me lembra que um dia formoso

Eu passei… Dava o Sol tanta luz!

E os meus olhos que vagos giravam,

Em seus olhos ardentes os pus.

Que fez ela? Eu que fiz? Não o sei;

Mas nessa hora a viver comecei…

Como o passado é caracterizado? E o momento presente? A que grande conclusão nos leva o texto?


12. Em 1822, o Brasil alcança a autonomia política. Escritores de renome tomam consciência de sua função dentro do panorama cultural brasileiro. Há uma intensa valorização do índio e da pátria. Explique o papel do movimento romântico nessa tomada de consciência.
13. Noite na taverna é um livro de narrativas fantásticas, em que seis estudantes bêbados, reunidos em uma taverna, narram as mais estranhas aventuras. Esta obra é centrada nas temáticas de sexo, assassinatos, bacanais, mistérios e morte. O amor puro, espiritual, degenera-se, banaliza-se, levando o homem a desvalorizar o sentido da vida. Justifique essa afirmativa usando como exemplo os dois últimos capítulos da obra (Johan e O último beijo de amor).
14. Leia o fragmento abaixo do poema Navio Negreiro de Castro Alves.

Existe um povo que a bandeira empresta



Pra cobrir tanta infâmia e cobardia!...

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!...

Meu Deus! Meu Deus! mas que bandeira é esta,

Que impudente na gávea tripudia?!

Silêncio!... Musa! Chora, chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto...

bacante: sacerdotisa de Baco (por extensão: mulher devassa);

impudente: que não tem pudor, sem-vergonha;

gávea: nome específico do mastaréu que é colocado acima do mastro grande em um navio;

tripudia: humilha;

pavilhão: bandeira;

Inspirado pelos princípios libertários defendidos por Victor Hugo, um dos poetas de sua admiração, Castro Alves começa a escrever poemas de engajamento social demonstrando sua indignação diante de problemas sociais. Seguindo os passos do mestre francês, adota o condor como símbolo da liberdade. Essa afirmativa está de acordo com o fragmento acima? Explique.


15. Comparando Álvares de Azevedo – principal poeta da segunda geração – a Castro Alves, percebemos pontos em comum entre eles. O primeiro, ao tratar do desequilíbrio entre o eu e o mundo, revela um desejo latente de transformação da realidade, com a qual não consegue integrar-se, isolando-se do mundo, enquanto o segundo também mostra desejo de transformação, porém faz uma tomada de posição. Castro Alves apresenta uma visão diferenciada quanto ao papel da poesia para a sociedade.

Qual é essa visão? Ela está relacionada ao fato de o poeta da terceira geração se intitular “poeta condoreiro”? Explique.


16. Leia os Fragmentos dos poemas O canto do Piaga e Deprecação, de Gonçalves Dias, e responda ao que se pede:

O canto do Piaga (fragmentos)

"Oh! quem foi das entranhas das águas,

O marinho arcabouço arrancar?

Nossas terras demanda, fareja...

Esse momento... — o que vem cá buscar?

Não sabeis o que o monstro procura?

Não sabeis a que vem, o que quer?

Vem matar vossos bravos guerreiros,

Vem roubar-vos a filha, a mulher!

Vem trazer-vos crueza, impiedade —

Dons cruéis do cruel Anhangá;

Vem quebrar-vos a maçã valente,

Profanar Manitôs, Maracás.

Vem trazer-vos algemas pesadas,

Com que a tribu Tupi vai gemer;

Hão-de os velhos servirem de escravos

Mesmo o Piaga inda escravo há de ser!

Fugireis procurando um asilo,

Triste asilo por ínvio sertão;

Anhangá de prazer há de rir-se,

Vendo os vossos quão poucos serão.

Vossos Deuses, ó Piaga, conjura,

Susta as iras do fero Anhangá.

Manitôs já fugiram da Taba,

Ó desgraça! ó ruína! ó Tupá!"

Deprecação (fragmentos)

"Tupã, ó Deus grande! teu rosto descobre:

Bastante sofremos com tua vingança!

restam bem poucos dos teus, qu' inda possam

Teus filhos que choram tão grande mudança.

Anhangá impiedoso nos trouxe de longe

Os homens que o raio manejam cruentos,

Que vivem sem pátria, que vagam sem tino

Trás do ouro correndo, voraces, sedentos.

Tupã, ó Deus grande! descobre o teu rosto:

Bastante sofremos com tua vingança!

Já lágrimas tristes choraram teus filhos,

Teus filhos que choram tão grande tardança.

Descobre o teu rosto, ressurjam os bravos,

Que eu vi combatendo no albor da manhã;

Conheçam-te os feros, confessem vencidos

Que és grande e te vingas, qu' és Deus, ó Tupã!"

Nesses poemas, Gonçalves Dias constrói um retrato anticonvencional do índio brasileiro, se considerados os parâmetros românticos típicos de idealização indígena, principalmente a configuração cavalheiresca medieval do índio. Ao assumir o ponto de vista do nativo, que visão do projeto colonizador europeu a voz poética apresenta?


17. No Romantismo brasileiro, podemos reconhecer três gerações poéticas, com traços peculiares a cada uma, mas distintos entre si. Assim sendo, o que torna a obra de Castro Alves diferente da de poetas como Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu, neste contexto romântico?
18. Se eu morresse amanhã, com certeza, é um dos poemas mais lembrados de Álvares de

Azevedo. Leia o fragmento abaixo.



"Se eu morresse amanhã, viria ao menos

Fechar meus olhos minha triste irmã;

Minha mãe de saudades morreria

Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!

Que aurora de porvir e que manhã!

Eu perdera chorando essas coroas

Se eu morresse amanhã!

Que sol! Que céu azul! Que doce n'alva

Acorda a natureza mais louçã!

Não me batera tanto amor no peito

Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora

A ânsia de glória, o dolorido afã…

A dor no peito emudecera ao menos

Se eu morresse amanhã!"

Nele estão contemplados temas recorrentes em sua poesia e na estética romântica, identifique-os.


As questões de números 19 e 20 tomam por base um trecho da obra Noite na taverna, do escritor romântico Álvares de Azevedo (1831-1852).

Um velho

– Por que empalideces, Solfieri? – A vida é assim. Tu o sabes como eu o sei. O que é o homem? É a escuma que ferve hoje na torrente e amanhã desmaia, alguma coisa de louco e movediço como a vaga, de fatal como o sepulcro! O que é a existência? Namocidade é o caleidoscópio das ilusões, vive-se então da seiva do futuro. Depois envelhecemos: quando chegamos aos trinta anos e o suor das agonias nos grisalhou os cabelos antes do tempo e murcharam, como nossas faces, as nossas esperanças, oscilamos entre o passado visionário e este amanhã do velho, gelado e ermo – despido como um cadáver que se banha antes de dar à sepultura!Miséria! Loucura!

– Muito bem! Miséria e loucura! – interrompeu uma voz.

O homem que falara era um velho. A fronte se lhe descalvara, e longas e fundas rugas a sulcavam: eram as ondas que o vento da velhice lhe cavara no mar da vida... Sob espessas sobrancelhas grisalhas lampejavam-lhe olhos pardos e um espesso bigode lhe cobria parte dos lábios.Trazia um gibão negro e roto e um manto desbotado, da mesma cor, lhe caía dos ombros.

– Quem és, velho? – perguntou o narrador.

– Passava lá fora, a chuva caía a cântaros, a tempestade era medonha, entrei. Boa noite, senhores! Se houver mais uma taça na vossa mesa, enchei-a até às bordas e beberei convosco.

– Quem és?

– Quem sou? Na verdade fora difícil dizê-lo: corri muito mundo, a cada instante mudando de nome e de vida. (...) – Quem eu sou? Fui um poeta aos vinte anos, um libertino aos trinta – sou um vagabundo sem pátria e sem crenças aos quarenta.


19. No fragmento de Álvares de Azevedo, cruzam-se as imagens das fases da existência humana e da natureza do oceano. Tendo em vista essa ideia, explicite por que razão o ser humano se assemelha, do ponto de vista do enunciador, à escuma que ferve hoje na torrente e amanhã desmaia.
20. A descrição do velho, no texto, evoca a figura do poeta, que ele foi aos vinte anos e que se confunde às vezes com a própria identidade de Álvares de Azevedo, coincidentemente morto aos vinte anos. Sabendo que muitos escritores românticos viveram pouco e tiveram vida boêmia, associe a situação do velho à ideia de morte, nos poetas românticos, apontando três palavras do texto cujo sentido comprove tal relação.


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