1 a teoria das restriçÕes (theory of constraints – toc)



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INTRODUÇÃO
A Contabilidade é uma ciência social que estuda a riqueza patrimonial individualizada, sob os aspectos quantitativos e qualitativos, tendo entre seus objetivos a geração de informações e a explicação dos fenômenos patrimoniais, possibilitando o controle, o planejamento e a tomada de decisão, no enfoque passado/presente/futuro.

Conhecendo a necessidade de mensuração do desempenho da organização para atingir a meta, e sendo um grande crítico dos indicadores gerados pela contabilidade de custos, o físico israelense de nome Eliyahu Goldratt formulou, na década de 70, a Teoria das Restrições ou “Theory of Constraints (TOC)”. Desta teoria derivou-se uma metodologia particular de geração de índices financeiros, conhecida como Contabilidade de Ganhos ou “Throughput Accounting”. Este sistema aborda de forma simples o caminho para se obter uma boa contabilidade gerencial, quebrando os paradigmas existentes na formação de preço de produtos e análise de sua rentabilidade (JUNIOR, 2003).

Assim, o objetivo deste trabalho será abordar os conceitos e aspectos teóricos relacionados à Contabilidade de Ganhos.

1 A TEORIA DAS RESTRIÇÕES (THEORY OF CONSTRAINTS – TOC)
A Teoria das Restrições (Theory of Constraints – TOC) foi criada, por um físico israelense chamado Eliyahu Goldratt, na década de 70, a partir de observações de problemas de logística de produção.

A Teoria das Restrições trata a empresa como um sistema, ou seja, um conjunto de elementos interdependentes cujos esforços conjuntos determinam o desempenho global, e a sua capacidade é limitada por um recurso, denominado recurso restrição.

Para aumentar a capacidade do seu sistema é necessário fazer melhorias apenas no recurso restrição (CORBETT, 1997). A TOC está baseada em um processo de melhoria contínua formado por 5 passos:

- Identificar a restrição do sistema;

- Explorar a restrição do sistema;

- Subordinar tudo o mais à decisão acima;

- Elevar a restrição do sistema;

- Se em algum passo anterior a restrição for quebrada volte ao passo 1.

O objetivo da utilização desse processo é poder dar enfoque aos poucos pontos que realmente determinam a capacidade do sistema, ou seja, as restrições do sistema. Entende-se por restrição qualquer coisa que impeça o sistema de atingir um desempenho maior em relação à sua meta.

FIGURA 1: TIPOS DE RESTRIÇÕES

FONTE: DOLLATA, (2007)

2 OS IMPACTOS DA TEORIA DAS RESTRIÇÕES NAS PRÁTICAS CONTÁBEIS
A implantação da TOC nas organizações vem suscitando questionamentos com

relação a eficácia da Contabilidade Gerencial. Algumas empresas já estão substituindo os modelos tradicionais, passando a adotar novas técnicas. A Contabilidade de Ganhos é o nome genérico que vem sendo utilizado com o objetivo de identificar o conjunto de diferentes técnicas e aplicações que começam a ser adotadas nas organizações e que se baseiam em mensurações mais abrangentes e diferentes das contábeis e não monetárias. Não existe um modelo único, o que pode ser comprovado pelos artigos que vêm sendo divulgados sobre o assunto, contudo é notório que os trabalhos fundamentam-se nos conceitos da TOC e nas suas medidas de desempenho.


3 CONTABILIDADE DE GANHOS
A Contabilidade de Ganhos surgiu como um braço contábil da Teoria das Restrições. Por estar baseada na Teoria a metodologia coloca como o ponto mais importante a restrição do sistema e, por este motivo, ela tem como pressuposto que não se deve calcular o custo dos produtos baseado na soma dos custos de todos os processos pelos quais o produto passa mas somente pelo recurso restrição do sistema. Considerando que a meta de toda e qualquer empresa é ganhar dinheiro hoje e no futuro.

Para identificar as medidas de desempenho da Contabilidade dos Ganhos é preciso responder às seguintes perguntas (GOLDRATT, 1991):

- Quanto dinheiro é gerado pela nossa empresa?

- Quanto dinheiro é capturado pela nossa empresa?

- E quanto dinheiro precisamos gastar para operá-la?

3.1 MEDIDAS DE DESEMPENHO CONTABILIDADE DE GANHOS


3.1.1 Ganho (G)
É todo o dinheiro gerado pelas vendas da empresa e é calculado pela diferença entre o preço do produto (P) e os custos totalmente variáveis1(CTV). Em resumo, o ganho mostra todo o dinheiro obtido pela empresa exceto o que foi gasto com a compra de todo o material que foi transformado em produto final.

G = P – CTV

Importante salientar que o ganho é o valor conseguido pelas vendas pois, na Contabilidade dos Ganhos, o único momento que se agrega valor à empresa é o da realização das vendas.
3.1.2 Inventário (I)
É todo o dinheiro investido em materiais com o intuito de transformá-los em produtos que serão vendidos pela empresa.

A diferença entre o inventário (I) e o custo totalmente variável (CTV) está no tempo em que cada um é medido, ou seja, um montante investido em compra de bens de venda é considerado inventário até o momento da venda do produto. A partir deste momento, o montante investido passa a ser custo totalmente variável.


3.1.3 Despesa Operacional (DO)
É todo o dinheiro gasto pela empresa para transformar o Inventário em ganho,ou seja, são todos os gastos realizados independente da realização das vendas, tais como salários da mão-de-obra direta e indireta, energia, depreciação, etc.

4 FEEDBACK DA CONTABILIDADE DOS GANHOS
De acordo com Goldratt (1991), utilizando as três medidas de desempenho apresentadas consegue-se julgar qual o impacto de qualquer ação sobre o sistema. Para uma ação ser desejada, ela deve aumentar o ganho e/ou diminuir a despesa operacional
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1- dinheiro que realmente varia com a venda de uma unidade do produto. Normalmente, o CTV é composto pelo custo de material direto, impostos e comissões pagas aos vendedores.

e o inventário. Pode-se, ainda, utilizar as medidas de desempenho Retorno Sobre o Investimento (RSI) e o Lucro Líquido (LL). Estas medidas são dadas por:

LL = G – DO

RSI = LL/I

Muitas decisões podem ser tomadas utilizando as medidas apresentadas pela Contabilidade de Ganhos, tais como: preço do produto, lançamento de novos produtos, refugos, quantidade mínima, entre outras.


5 CONTABILIDADE DOS GANHOS X CUSTEIO VARIÁVEL
O método do custeio variável leva a acreditar que se necessita do custo do produto para poder tomar decisões. Para a Contabilidade de Ganhos, não existe a necessidade de se apurar o custo dos produtos, além de não precisar estabelecer nenhum critério de rateio.

Na Contabilidade de Ganhos, os gastos totalmente variáveis compõem o valor dos estoques, pois são apropriados aos produtos. O ganho é apurado através da confrontação das receitas de venda do período com os custos dos produtos vendidos. Deduzindo do ganho os demais gastos incorridos obtêm-se o lucro final.

No Custeio Variável ocorre a separação dos custos e despesas incorridos no período, os quais podem ser fixos ou variáveis. Os custos variáveis irão compor o valor dos estoques, pois são apropriados aos produtos. Confronta-se as receitas de venda do período com os custos dos produtos vendidos – os quais são compostos apenas por custos variáveis – e com as despesas variáveis, obtendo a margem de contribuição. Da margem de contribuição são deduzidos os custos fixos, apurando-se o lucro do período.

QUADRO 1 – COMPARAÇÃO ENTRE A CONTABILIDADE DE GANHOS E O MÉTODO DE CUSTEIO VARIÁVEL




Contabilidade de Ganhos

Método Custeio Variável

Extrema preocupação com o ganho

Extrema preocupação com o custo.

Os custos são separados em custos totalmente variáveis e não totalmente variáveis, sendo que, os não totalmente variáveis, são denominados despesas.

Os custos são classificados em fixos e

variáveis, assim como as despesas.


A avaliação dos estoques ocorre através dos custos totalmente variáveis.

A avaliação dos estoques ocorre através

dos custos variáveis.


O ganho é obtido através da dedução dos custos, das receitas de vendas.



A margem de contribuição é calculada deduzindo-se os custos dos produtos vendidos e as despesas variáveis, das receitas de venda.

Lucro = Ganho – Despesas.

Lucro= Margem de Contribuição – Despesas e Custos Fixos.

FONTE: DOLLATA, (2007)
6 CONCLUSÃO
A Contabilidade de Ganhos vem, a cada dia, conquistando mais usuários, defendendo a idéia de que a redução de custos não é a única solução para a empresa, mas sim o aumento do ganho. Vale relembrar que o aumento do ganho é ilimitado, ao passo que a redução de custos não. O grande desafio dessa teoria é a mudança de paradigma na mente dos empresários e administradores, os quais devem reconhecer como ponto essencial o impacto de suas decisões no resultado final da empresa.


REFERÊNCIAS
APOSTILA DE CONTABILIDADE DE GANHOS I, UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do RGS - DECON – Departamento de Economia e Contabilidade Curso de Ciências Contábeis, Cesar Eduardo S. Kroetz, 2001;
Junior a.r., et. al. TEORIA DAS RESTRIÇÕES – Aplicando seus conceitos na produção de uma indÚstria de calçados. São Paulo, 2003.
CORBETT NETO, T. Contabilidade de ganhos: a nova contabilidade gerencial de

acordo com a Teoria das Restrições. São Paulo: Nobel, 1997.


GOLDRATT, E. A síndrome do palheiro, garimpando informações num oceano de

dados. São Paulo: IMAM, 1991.


DOLLATA, A. & LOZECKYI, J. Comparação entre a Contabilidade de Ganhos e o Método de Custeio Variável. Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas


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