1 Administração: conceito e importância 14



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TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO









ENFOQUES


Componentes ou aspectos das organizações selecionados para estudo ou ênfase do processo administrativo.

MODELOS


Conjuntos de técnicas, doutrinas e ingredientes culturais que moldam a organização e a ação administrativa

ESCOLAS


Correntes de pensamentos ou grupo de autores que privilegiam ou preferem determinado enfoque.

Fonte: (MAXIMIANO, 2000, p. 38)



4.1 Enfoque
Enfoque é um aspecto particular das organizações ou do processo administrativo, que é selecionado para estudo e produção de conhecimentos. Algum autor prefere usar a palavra abordagem para a mesma idéia. Enfoque também é palavra que indica preferência por aquele aspecto ou, ainda, uma perspectiva ou maneira particular de observar e analisar as organizações, os administradores e o processo administrativo.

Por exemplo:



  • O enfoque sistêmico interpreta as organizações como conjuntos complexos de partes interdependentes.

  • O enfoque humanístico, social ou comportamental interpreta as organizações predominantemente como sistemas sociais, feitos de pessoas e sentimentos.


4.2 Escola
Escola é uma linha de pensamento ou conjunto de autores que usaram o mesmo enfoque, escolheram o mesmo aspecto específico para analisar, ou adotaram o mesmo raciocínio. Escola é palavra que também pode indicar autores com diversos enfoques, que nunca se encontraram ou viveram em épocas e locais diferentes, mas que compartilham um interesse ou ponto de vista, ou que é possível associar em função de algum critério. Dependendo da perspectiva, enfoque é o mesmo que escola.

Por exemplo:



  • A escola das relações humanas congrega autores e adeptos do enfoque humanístico.

  • O movimento da administração científica pode ser associado a uma escola, a escola da eficiência e da racionalização do trabalho.

  • O enfoque da qualidade focaliza a satisfação do cliente, enquanto a escola da qualidade compreende todos os autores associados a esse enfoque.

4.3 Modelo
Modelo é um conceito com dois significados: modelo de gestão e modelo de organização.
4.3.1 Modelo de gestão (ou de administração)
É um conjunto de doutrinas e técnicas do processo administrativo. Muitas vezes, o modelo está associado a uma base cultural. Embora não sejam sinônimos, método e modelo são palavras usadas de modo intercambiável. Estilo é palavra que tem o mesmo sentido.

Por exemplo:



  • O modelo japonês de administração tem ingredientes culturais nacionais e, ao mesmo tempo, forte influência da escola da administração científica.

  • O modelo (ou estilo) democrático de liderança está associado simultaneamente à satisfação e produtividade do grupo.


4.3.2 Modelo de organização
Modelo de organização é um conjunto de características que definem organizações e a forma como são administradas. O modelo de organização é o produto da utilização de determinadas doutrinas e técnicas.

Por exemplo:



  • O modelo burocrático (ou mecanicista) de organização enfatiza a regulamentação e a padronização de procedimentos.

  • As empresas que adotam o modelo japonês de administração procuram alcançar o modelo da organização enxuta.

Figura 8: Principais enfoques da administração




Teoria geral da administração





Enfoque técnico



Enfoque comportamental

Enfoque sistêmico

Escola clássica

Taylor

Fayol

Weber

Henry Ford

Diferenças individuais

Liderança

Motivação

Cultura e clima

Parte da Teoria das Organizações

Pensamento sistêmico

Estratégia

Ética

Reengenharia

Qualidade Total


Escola de qualidade



Fonte: (MAXIMIANO, 2000, p. 40)



5 ADMINISTRAÇÃO NO PRESENTE


No limiar do século XXI, a administração e as organizações estão em uma conjuntura muito diferente daquela de 100 anos trás. As principais diferenças entre as duas situações são analisadas a seguir.


5.1 Economia Globalizada e Competitividade
No início do século XX, a palavra-chave era eficiência. No final do século XX, a palavra-chave é competitividade. A eficiência continua sendo uma preocupação dominante, como no tempo de Taylor e Ford, mas por razões diferentes. Ainda é preciso fazer mais, com menos recursos. No entanto, o problema das empresas, naquela época, era atender a um mercado crescente, ávido por produtos como automóveis, telefones e eletricidade, dos quais havia poucos fornecedores.

Na passagem para o século XXI, há muitos fornecedores atuando numa economia globalizada. A expansão das empresas multinacionais, a facilidade de transportes e a eliminação de restrições alfandegárias (eliminação de reservas de mercado e da proibição de importar certos produtos) e tributárias (diminuição de impostos sobre produtos importados) criaram um mercado mundial. Pode-se comprar e vender praticamente qualquer coisa em praticamente qualquer lugar do mundo.


5.2 Interdependência
Ao mesmo tempo em que incentivou a competitividade entre empresas, a economia globalizada também tornou os países interdependentes, devido ao livre trânsito de capitais. Problemas econômicos de um país com economia frágil deixaram de ser localizados, para provocar um efeito sistêmico que afeta inúmero outro. Os mesmos organismos internacionais de socorro financeiro passaram a ser criticados por sua incapacidade de resolver esse problema. Na passagem para o século XX, havia quem sugerisse a criação de mecanismos de coordenação internacional para supervisionar o mercado de capitais e administrar a interdependência.

A sociedade global, por causa da interdependência dos países, criou necessidade sem precedentes de administração internacional.


5.3 Tecnologia da Informação
A tecnologia da informação está presente em todos os processos administrativos e produtivos. Movimentar contas no banco, fazer o planejamento das compras de uma unidade industrial ou controlar a fabricação de peças são tarefas que não precisam mais da intervenção humana direta. A tecnologia da informação facilita a tomada de decisão e o desempenho de todas as tarefas de comunicação. Os exércitos de contadores, auxiliares de escritório e operários do passado foram substituídos por computadores. Algumas funções de controle que os gerentes precisavam realizar pessoalmente também foram absorvidas pelos computadores. Muitas das atividades gerenciais foram alteradas pela tecnologia da informação.
5.4 Diminuição de Tamanho
Tecnologia da informação e programas de eficiência tomaram desnecessários muitos tipos de mão-de-obra e alteraram muitas profissões e ramos de negócios. As grandes organizações deixaram de ser grandes empregadoras de mão-de-obra, tanto de trabalhadores especializados quanto de gerentes. Até a década de 80, os livros de administração mostravam organogramas gigantescos, das grandes corporações americanas, empresas como Boeing, General Motors ou IEM. Esses organogramas, cheios de chefes, diretores, gerentes e seus assessores, eram exibidos como modelos de eficiência e poder. Tamanho grande era sinônimo de controle, segurança e desempenho. Essas empresas continuam vivas e saudáveis, em muitos casos, mas seus organogramas são completamente diferentes. A partir daquela década, as grandes organizações iniciaram projetos de downsizing (diminuição do número de níveis hierárquicos).

Uma das conseqüências da diminuição de tamanho é a importância crescente dos métodos da administração participativa, porque é preciso que os funcionários operacionais aprendam a ser seus próprios gerentes.


5.5 Valorização da Administração Empreendedora
Outra conseqüência da diminuição do tamanho das organizações é o aumento do desemprego (que tem também outras causas). Essa tendência tem forte impacto sobre as expectativas da sociedade, uma vez que o sistema de ensino, especialmente o ensino superior, está fortemente orientado para a formação de pessoas para trabalharem nas organizações. A perda das perspectivas de emprego duradouro e de carreira nas grandes organizações, por outro lado, estimulou muitas pessoas a procurar ser seus próprios patrões. Com isso, a administração empreendedora (complementando a tradicional administração formadora de empregados) tomou-se uma tendência social importante.
5.6 Defesa do Consumidor e Ênfase no Cliente
No início do século XX, o administrador não precisava preocupar-se tanto com cliente, como seu colega de 100 anos depois. O consumerismo surgiu, nos anos 60, d necessidade de evitar os riscos para a vida, causada por produtos (especialmente. automóvel). Rapidamente, transformou-se em conduta de defesa contra fornecedores de produtos e serviços defeituosos. Essa conduta é amparada pela legislação que há em muitos países para proteger o consumidor, como o Código de Defesa do Consumidor que há no Brasil. Ao contrário do que ocorria no passado, um dos principais condicionantes das decisões a respeito de novos produtos, e de sua propaganda, é essa legislação, que obriga as empresas a pensar primeiro nas conseqüências para o cliente.

Outro fator que orienta a atenção das empresas para seus consumidores, enquanto no passado elas podiam preocupar-se mais com produção ou participação no mercado, é a disseminação das doutrinas da qualidade total e satisfação do cliente, que se tornaram palavras obrigatórias no dicionário do administrador do presente.


5.7 Ecologia e Qualidade de Vida
Na época de Taylor e Ford, os administradores não precisavam preocupar-se com a poluição provocada por suas fábricas nem com o nível de emissão de gases dos veículos que fabricavam. À medida que os problemas provocados pelos danos ao meio ambiente tornaram-se mais graves, afetando a saúde e o bem-estar das pessoas, a sociedade reagiu. Uma conseqüência importante, que marcou os anos 60 do século XX, foi a legislação que limita a liberdade de decisão e ação das empresas. Inúmeras decisões, como localização de empresas, construção, projetos e embalagem de produtos, o administrador moderno deve tomar levando em conta essa legislação.

Outras questões que no passado seriam irrelevantes, muitas delas ligadas à administração de recursos humanos, assumiram dimensão considerável para o empregador do presente. Saúde e educação do empregado e de sua família, benefícios, participação nos resultados da empresa, stress do executivo, entre outros, são assuntos que fazem parte da agenda do administrador moderno.

Por causa desses e de outros problemas, como o crescimento das cidades, estrangulamento da circulação no trânsito, desemprego e violência, a sociedade humana passa a ter preocupações cuja solução reside nas decisões de natureza administrativa. administração, por isso, torna-se disciplina social cada vez mais importante.


6 LINHA DO TEMPO DA ADMINISTRAÇÃO

A moderna teoria geral da administração, que você estuda hoje, tem muitos conceitos que foram criados pelos primeiros administradores. Esses conceitos, ao longo dos séculos, evoluíram continuamente, influenciados pelas circunstâncias de cada momento histórico. Apesar de os problemas de um momento serem semelhantes aos de outros, as soluções precisam ser diferentes, porque o contexto muda constantemente.

Quadro 4: A linha do tempo da administração inspirada na idéia de George Junior; Claude (1974, p. 9)

continua


PERÍODO E LOCAL

EVENTO

3000 a.C, Mesopotâmia

Civilização suméria. Escrituração de operações comerciais. Primeiros dirigentes e funcionários administrativos profissionais.

Século XXVI a.C., Egito

Construção da Grande Pirâmide. Evidências de planejamento, organização e controle sofisticado.

Século XXIV a.C., China

O Imperador Yao usa o princípio da assessoria para dirigir o país de forma descentralizada.

Século XVIII a.C., Babilônia

Código de Hamurábi. Escrituração meticulosa de operações. Evidências de ênfase no controle.

Século XVI a.C., Egito

Descentralização do reino. Logística militar para proteção das províncias.

Século XII a.C., China

Constituição da Dinastia Chow.

Século VIII a.C., Roma

Começo do Império Romano, que duraria 12 séculos. Os embriões de todas as instituições administrativas modernas são criados nesse período.

Século V a.C., China

Mêncio procura sistematizar princípios de administração.

Século V a.C.,Grécia

Democracia, ética, qualidade, método científico, teorização e outras idéias fundamentais.

Século IV a.C., China

Sun-Tzu prescreve princípios de estratégia e comportamento gerencial.

Século III a.C., Roma

Exército romano é o modelo que influenciaria os exércitos e outros tipos de organizações nos séculos seguintes.

continua

PERÍODO E LOCAL

EVENTO

1340, Gênova

Luca Pacioli inventa o sistema de partidas dobradas para escrituração contábil.

Século XVI, Veneza

O Arsenal de Veneza usa contabilidade de custos, numeração de peças inventariadas, peças padronizadas e intercambiáveis e técnicas de administração de suprimentos. O Arsenal também utiliza uma linha de montagem para equipar os navios. Em 1574, durante uma visita de Henrique III da França, um navio foi montado, equipado e posto ao mar no Intervalo de uma hora.

Século XVI, Florença

Maquiavel publica O Príncipe, um tratado sobre a arte de governar, em que são enunciadas as qualidades do dirigente.

Meados do século XVIII, Inglaterra

Início da Revolução Industrial.

1776, Inglaterra

A riqueza das nações, de Adam Smith, descreve e elogia o princípio da divisão do trabalho e a especialização dos trabalhadores.

Século XVIII, Estados Unidos

Thomas Jefferson descreve para o Congresso a fabricação de peças intercambiáveis para a produção de mosquetes na França.

Final do Século XVIII, Europa e EUA

Desenvolve-se a produção baseada em peças padronizadas e intercambiáveis.

1800, Inglaterra.

A fundição Soho, na Inglaterra, criada por James Watt para fabricar a locomotiva a vapor, é uma coleção de inovações administrativas: procedimentos padronizados de trabalho, especificações de peças e ferramentas, previsão de vendas e planejamento da produção, salários de incentivo, tempos padronizados, festas e bonificações de Natal para os empregados, sociedade de socorros mútuos para os empregados, contabilidade e auditoria.

1810, Escócia.

Robert Owen inicia uma experiência de administração humanista na fiação de New Lanark.

Início do século XIX, França.

Primeiros sistemas de participação nos resultados para os trabalhadores.

Início do século XIX, Inglaterra.

Primeiros sindicatos de trabalhadores.

1832, Inglaterra.

Charles Babbage, na Inglaterra, publica On the economy of machinery and manufactures, obra que adianta alguns princípios da abordagem cientifica no estudo e pratica da administração.

Final do século XIX, Alemanha.

Wilhelm Wundt cria a psicologia experimental

1881, Estados Unidos.

Joseph Wharton funda a primeira faculdade de administração.

Final do século XIX até os anos 10 do século XX,. Estados Unidos.

Movimento da administração científica.


Início do século XX, Estados Unidos.

Hugo Munsterberg, discípulo de Wundt, radicado nos Estados Unidos, seguidor de Taylor, estabelece a psicologia aplicada à administração.

Anos 10, Estados Unidos.

Em 1910, Henry Ford estabelece a primeira planta dedicada exclusivamente à montagem final, em Kansas City. Em 1912, o conceito de linha de montagem, sem mecanização, é aplicado à fabricação de motores, radiadores e componentes elétricos. No começo de 1914, a Ford adota a linha de montagem móvel e mecanizada para a montagem dos chassis. Ford também adotou o dia de trabalho de 8 horas e duplica o valor do salário para 5 dólares por dia.

continua

PERÍODO E LOCAL

EVENTO

Anos 10, Alemanha.

Max Weber desenvolve estudos sobre a burocracia.

1912, Alemanha.

Wertheimer propõe a Gestalt.


1916, França.

Fayol publica Administração industrial e geral.


1927, Estados Unidos.

Shewhart cria o controle estatístico da qualidade.

Final dos anos 20, Estados Unidos.

Experimento de Hawthorne. Surge a escola das relações humanas.


Final dos anos 30 e Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos.

Expansão do movimento do controle estatístico da qualidade na indústria da guerra.

1938, Estados Unidos.

Chester Barnard publica As funções do executivo.

1946, Inglaterra.

Emery e Trist desenvolvem a idéia dos sistemas socio-técnicos.

Anos 50, Estados Unidos.

Feigenbaum propõe a idéia do departamento de controle da qualidade.

Anos 50, Japão.

Especialistas americanos, como Deming, visitam o Japão para ministrar cursos de controle da qualidade.

Anos 50, Japão.

A Toyota aprimora os sistema Ford de produção de automóveis, ajustando-o a suas necessidades por meio de técnicas como just in time, kanban e prensagem flexível de chapas de metal. Em 1957, o primeiro automável Toyota chega à América. Kaoru Ishikawa propõe o company-wide quality control.

Anos 50-60, Estados Unidos.

Guerra Fria entre União Soviética e Estados Unidos. Desenvolvem-se os grandes programas de exploração espacial e defesa nacional. O campo da administração de projetos consolida-se como disciplina.

1961, Estados Unidos.

Feigenbaum apresenta a idéia de controle de qualidade total.

1967, Estados Unidos.

Lawrence e Lorsch desenvolvem os conceitos de diferenciação e integração, uma das bases da chamada teoria contigencial (situacional) da administração.

Aos 60-70, escala global.

Começa a aplicação intensiva de computadores para o tratamento de problemas administrativos, como administração de pessoal, contabilidade e controle de suprimentos.

1973, Estados Unidos.

Mintzberg publica The nature of managerial work.

Anos 70-80, escala global.

Dissemina-se o modelo japonês de administração.

Anos 80, escala global.


Tem início a aplicação em larga escala de microcomputadores ao trabalho de fábrica e escritório, à escolas e atividades domésticas.

Anos 80, Estados Unidos.


General Motors e Toyota associam´se na Nummi (New United Motor Manufacturing), que passa a funcionar na antiga fábrica da GM em Fremont, Califórnia, tornando-se em pouco tempo uma unidade exemplar. A Nummi consolida o modelo japonês no Ocidente.

1982, Estados Unidos.


Peters e Waterman publicam In search of excelence (Vencendo a crise, no Brasil).

conclusão



PERÍODO E LOCAL

EVENTO

1990, Estados Unidos.

Peter Senge publica The learning organization.

Anos 80-90 até passagem para o século XXI.

Acelera-se a utilização de tecnologias de tratamento de informações e comunicações, possibilitando a pulverização de operações das empresas. Computadores, telefones, fax e televisão tornam possível trabalhar, comprar e usar o banco sem sair de casa.

Anos 80-90 até a passagem para o século XXI.


Abertura das economias nacionais, enxugamento do Estado, programas de estabilização econômica, mercados globais, nações interdependentes, necessidade de mecanismos de coordenação global, Internet.

Terceiro Milênio.


Quem sabe?

Fonte: (GEORGE JUNIOR, CLAUDE, 1974, p. 9)


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