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ADOLESCENTES E JOVENS EM ESCOLAS PÚBLICAS DE ENSINO MÉDIO EM SÃO CARLOS/SP: PERFIL SÓCIO-ECONÔMICO

E A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA NA ESCOLA
Roseli Esquerdo Lopes1

Carla Regina Silva2

Beatriz Rocha Moura3

Universidade Federal de São Carlos – UFSCar

1. Introdução

Juventude, Direitos e Violência

O campo social implica em uma leitura da realidade e da problemática expressa pela pessoa que só se alcança através de recorte metodológico específico, que seja capaz de revelar e interagir com aquilo que se oculta em manifestações que apenas de forma superficial e reducionista podem ser vistas como restritas ao indivíduo. É preciso trabalhar e desenvolver instrumentos para a interpretação da realidade pessoal-social e, também, guias para a atuação em um universo complexo de interações e interconexões (Barros, Lopes e Galheigo, 2002).

Trata-se, então, de discutir as intervenções sociais através de características, problemas e necessidades concretas da população com a qual se trabalha e o papel social que as atividades podem propiciar como instrumento de emancipação e de reconstituição de histórias e contextos.

Desde 2000, o Programa de Extensão do Departamento de Terapia Ocupacional (DTO) da UFSCar: Metuia – Terapia Ocupacional no Campo Social – tem se dedicado à realização de estudos e pesquisas, à formação de graduação e pós-graduação e à implementação de intervenções no campo social que discutam o papel social dos técnicos, em especial do terapeuta ocupacional, e suas contribuições no enfrentamento de problemáticas contemporâneas (Barros, Lopes e Galheigo, 2002).

A infância e a juventude de parcela significativa da população brasileira encontram-se na indigência, vivendo em situação de precariedade e vulnerabilidade extremas (Priore, 1995). Fatores contemporâneos de dissociação social (desfiliação, conforme Castel, 1994 e 1997) apoiada numa precarização do trabalho levam, muitas vezes, a uma situação de pauperização da sociabilidade sócio-familiar, com uma série de rupturas de participações e fracassos na constituição do vínculo (vazio social).

Os resultados com os quais nos defrontamos são crianças e adolescentes em situação de rua, vítimas da exploração do trabalho infantil, vítimas de violência doméstica (física, sexual e/ou psicológica), da violência urbana ou mesmo formas mais ocultas de violência como a negligência, que os impedem de usufruir seu lugar de cidadão e sujeito de direitos; uma vulnerabilidade produzida na conjunção das precárias condições sócio-econômicas com a impossibilidade do exercício dos direitos inerentes à cidadania e de suas potencialidades e, ainda, com a fragilidade do vínculo social no âmbito mais nuclear.

Sendo assim, faz-se necessário o fortalecimento e a implementação de ações que se dediquem à promoção dos direitos dos adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade. Disto decorre a importância do investimento em pesquisas e intervenções que reconheçam e lidem com essas questões, de maneira a produzir subsídios para políticas públicas eficazes cujo impacto se dê na direção de promover a diminuição das desigualdades, da discriminação e da violência a que está sujeita a maioria dos adolescentes e jovens4 de grupos populares urbanos no Brasil, grande parte deles advindos da classe trabalhadora, produzindo, nesse âmbito, direitos e ampliação da cidadania.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde:


Las investigaciones sobre otros factores comunitarios y sociales demuestran que los jóvenes que viven en barrios y comunidades con altas tasas de delincuencia y pobreza corren mayor riesgo de verse involucrados en actos violentos. Además, las tasas de violencia juvenil aumentan en tiempos de conflicto armado y represión, y cuando el conjunto de la sociedad atraviesa por un periodo de cambio social y político. También son elevadas en los países en los que las políticas de protección social son débiles, hay grandes desigualdades en los ingresos e impera una cultura de la violencia (OPS, 2002, p.17).
Observa-se uma escassez de experiências e de produção de material sobre as possibilidades de trabalho na temática, demandando a publicização de tais aspectos para que se possa aprofundar o debate e a produção de conhecimento acerca de uma problemática que viola os direitos de crianças e adolescentes, direitos estes estabelecidos na Constituição Federal e especificados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei n.8069/90).

Persiste, ainda, em nosso país, uma visão adultocêntrica que dissemina uma cultura da "menorização", em que crianças e adolescentes pobres são vistos como seres inferiores, menores, em direitos e dignidade. No Brasil, somente com a Constituição Brasileira de 1988, com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei n.8069/90) e com a Convenção sobre os Direitos da Criança de 1989 (ratificada pelo Brasil em 24.09.90) se introduziu, em seu ordenamento jurídico, um novo paradigma inspirado pela concepção da criança e do adolescente como verdadeiros sujeitos de direitos, em condição peculiar de desenvolvimento (Lopes, Silva e Malfitano, 2006).

Esse novo paradigma apóia-se na doutrina da proteção integral à criança e ao adolescente. Consagra-se, desse modo, uma lógica de assegurar a prevalência e a primazia do interesse superior da criança e do adolescente. Como afirma o texto constitucional: criança é prioridade. Na qualidade de sujeitos de direitos em condição peculiar de desenvolvimento, à criança e ao adolescente é garantido o direito à proteção especial.

Sob a perspectiva dos direitos humanos, tanto a Convenção sobre os Direitos da Criança (1989) como a Constituição Brasileira (1988) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) traduzem uma visão integral dos direitos das crianças e dos adolescentes, contemplando a indivisibilidade desses direitos, sua implementação recíproca e a igual importância de todos os direitos, sejam civis, políticos, sociais, econômicos ou culturais, consagrando a criança e o adolescente como cidadãos. No entanto, apesar da clareza dos comandos normativos nacionais e internacionais em atribuírem direitos às crianças e aos adolescentes, testemunha-se um padrão de desrespeito aos mais elementares dos direitos humanos de que são titulares. Destacam-se no quadro das graves violações aos direitos humanos das crianças e adolescentes: a) a violência, o abuso e a exploração sexual; b) o trabalho infantil; e c) o tratamento do adolescente em conflito com a lei.

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a violência pode ser definida como o uso deliberado da força física ou de poder, seja em grau de ameaça ou efeito contra si mesmo, contra outra pessoa, um grupo ou a comunidade, que cause ou tenha muitas probabilidades de causar lesões, morte, danos psicológicos, transtornos do desenvolvimento ou privações; compreendendo tanto, como violência, a auto-agressão, a interpessoal e a coletiva. Ainda, de acordo com sua natureza, a violência pode ser caracterizada como: física, sexual, psicológica, incluindo-se, também, as privações ou descuidos.

A violência é considerada um grave problema de saúde pública no Brasil, constituindo-se, hoje, na principal causa de mortes de crianças e adolescentes a partir dos cinco anos de idade; trata-se de uma população cujos direitos básicos são muitas vezes violados, como o acesso à escola, à assistência em saúde e aos cuidados necessários para o seu desenvolvimento. As crianças e os adolescentes são, ainda, explorados sexualmente e usados como mão-de-obra complementar para o sustento da família ou para atender ao lucro fácil de terceiros, às vezes, em regime de escravidão. Há situações em que as violências vividas traduzem-se na “escolha” por outros espaços, sendo a rua um espaço possível para a sobrevivência. Neste contexto de exclusão, costumam ser alvo de ações violentas que comprometem física e mentalmente sua saúde (SBP, 2001).


A magnitude e o crescimento nas taxas de mortalidade por homicídio entre jovens é de especial importância, dado o seu forte impacto social. Em 1997 os homicídios constituíram-se na primeira causa de anos potenciais de vida perdidos (APVP) no País, responsáveis por 17,8% do total. A magnitude deste problema pode ser percebida através de um estudo realizado pela UNESCO. (...) os homicídios foram responsáveis por 39% das mortes por causas externas na população de 15 a 24 anos, e por 4,7%, quando considerada a população total do País. Em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Pernambuco, a proporção de mortes por homicídio foi superior a 50%, o que significa que na população jovem, considerando todas as causas externas de morte, mais da metade foi atribuída a homicídios. No período entre 1991 e 2000, a taxa de mortalidade por homicídio aumentou 48% na população jovem (15 a 24 anos), enquanto na população total o crescimento foi de 29,4% (Peres, 2004, p.20).
Daí a importância de se identificar as mais graves violações e de se "desnaturalizar" as desigualdades, bem como o padrão de violência estrutural, sistemático e persistente que afeta, diversamente, crianças, adolescentes e jovens, dependendo de sua classe social, raça/etnia, gênero, região onde vive, dentre outros critérios. Ser adolescente e jovem não pode dificultar o pleno e livre exercício dos direitos humanos, mitigando a dignidade e restringindo as potencialidades desses sujeitos.

Violência e Escola

Desde a existência da escola, pode-se falar da constituição histórica de sua relação com processos de violência. A família e a escola retiraram juntas a criança da sociedade dos adultos. A escola confinou uma infância outrora livre num regime disciplinar cada vez mais rigoroso que, nos séculos XVIII e XIX, levou ao enclausuramento total no internato. A solicitude da família, da igreja, dos moralistas e dos administradores privou a criança da liberdade de que ela gozava entre os adultos. Infligiram-se o chicote, a prisão, em suma, correções reservadas aos condenados das condições mais baixas (Ariès, 1981).

Por esta ótica, as correlações entre violência e escola são intimamente ligadas. Mesmo com o conceito de infância e da própria educação se transformando ao longo da história, esse fenômeno continuou presente. Faz-se claro que as crianças escolarizadas vinham das elites e que a escola contemporânea não admite mais os antigos métodos disciplinares como educativos, inclusive com ilegitimidade jurídica e em defesa dos direitos humanos da criança e do adolescente.

Ressalta-se a importância de contextualizar o fenômeno da violência na escola em relação às condições políticas, econômicas, culturais e sociais as quais estão inter-relacionadas, especialmente, na formação da universalidade e da individualidade nas esferas dos direitos humanos e da cidadania. As relações de sociabilidade passam por uma nova mutação, mediante processos simultâneos de integração comunitária e de fragmentação social, de massificação e de individualização, de seleção e de exclusão social. Nesse passo, novos dilemas e problemas sociais emergem no horizonte planetário, configurando novas questões globais (Castel, 1998).

Os estudos acerca das práticas de violência nas escolas, ainda que incipientes, ganharam maior destaque no âmbito do debate público nos início dos anos 80 do último século. Isto porque, por um lado, segundo Sposito (2001), demandas latentes adquiriram visibilidade nos espaços criados pela distensão política, propiciando maior abertura para as questões que afetavam a qualidade de vida da população das periferias das grandes cidades, onde a segurança constituía problema importante e até hoje não resolvido. De outro, tratava-se, naquele momento, de lutar por uma maior democratização das instituições oficiais – sobretudo do aparelho de segurança – resistentes aos novos rumos trilhados pelo país.

As práticas de violência podem ser compreendidas no interior das escolas e na interpretação dos atores envolvidos como uma resposta às precárias condições de sobrevivência com as quais comunidades excluídas se defrontam em sua realidade. Sabemos que essas práticas dentro da escola não acontecem isoladamente e que, pelo contrário, demonstram o quanto a escola é vulnerável e reflexo da sociedade na qual se insere. Em um entendimento mais individual aponta-se a falta de limites, de regras, problematizando o indivíduo, podendo até considerá-lo delinqüente, problemático, entre outros estigmas. Muitas vezes, o risco de classificar como patológicos os comportamentos ‘desordeiros’ encontra-se presente, inocentando as instituições sociais da geração de violência (Debarbieux e Blaya, 2002).

O problema da exclusão nos ensina que as relações da escola e da sociedade se transformaram e que a escola perdeu sua “inocência”. Ela própria é o agente de uma exclusão específica que transforma a experiência dos alunos e abre uma crise de sentido nos estudos, às vezes até da legitimidade da instituição escolar. A escola convida, um século após a formação da escola republicana, a nos interrogarmos sobre as finalidades da educação. Esta ambigüidade presente na escola, tida como instrumento extremamente necessário e importante, exclui aquele que não ingressa neste modelo ou não consegue se manter nele. Com efeito, a exclusão escolar é o resultado “normal” da extensão de uma escola democrática de massa que afirma ao mesmo tempo a igualdade dos indivíduos e a desigualdade de seus desempenhos. Nesse sentido, a escola integra mais e exclui mais que antes, apesar de seus princípios e de suas ideologias, e funciona cada vez mais como o mercado, que é, em sua própria lógica, o princípio básico da integração e da exclusão (Dubet, 2003).

A violência seria a relação social de excesso de poder que impede o reconhecimento do outro – pessoa, classe, gênero ou raça – mediante o uso da força ou da coerção, provocando algum tipo de dano, configurando o oposto das possibilidades da sociedade democrática contemporânea (Tavares dos Santos, 2001).

Segundo Sposito (2001), a intensidade e a complexidade desse fenômeno demandam um intenso trabalho de pesquisa, pois a produção de conhecimento ainda é incipiente e somente nos últimos anos tem mobilizado, de forma mais nítida, os investigadores de algumas instituições de ensino superior e organizações não governamentais. Aliado a isto, a sociedade brasileira se depara cada vez mais com o aumento significativo da violência na escola, fato este que, segundo Abramovay (2002), despertou a atenção das diversas instâncias governamentais, dos organismos internacionais e da sociedade civil.

É importante ressaltar também que a maioria das pesquisas realizadas sobre este tema trouxe estudos empíricos de grandes centros urbanos, onde este fato apresenta maior incidência e visibilidade na sociedade e em outras instâncias, inclusive na mídia. Existe, entretanto, pouca discussão quando se trata de cidades de pequeno e médio porte, onde estas questões não têm, ainda, grande visibilidade, e, portanto, são passíveis de intervenções com maiores probabilidades de êxito, desde que compreendidas suas razões.

Acreditamos que estudos como o que aqui trazemos podem trazer contribuições significativas para a elaboração de políticas públicas envolvendo educação, juventude e o fenômeno da violência na escola, a partir da compreensão dos fundamentos dessa problemática.

2. Procedimentos da Pesquisa

Nossa intenção foi conhecer, analisar e discutir o perfil sócio-econômico dos adolescentes e jovens que freqüentam a escola pública de ensino médio da cidade de São Carlos (SP) e reconhecer sua avaliação acerca do fenômeno da violência na escola, trabalhando-se a partir de uma visão que busca abordar o objeto de pesquisa de modo a apreender sua realidade concreta, lançando mão de dados quantitativos que, aliados aos dados qualitativos de outros projetos com os quais trabalhamos, possam melhor dimensionar os problemas e questões sobre os quais se debruça.

Assim, em uma primeira etapa, foi levantado o número de estudantes matriculados na rede pública de ensino médio da cidade de São Carlos, no ano de 2006. A seguir, trabalhou-se na definição de uma amostragem que fosse representativa desse grupo populacional no sistema de ensino público do Município de maneira a permitir a generalização dos dados a serem obtidos.

Foram contatadas as direções das escolas onde foi realizada a pesquisa e feitos os acertos necessários para a consolidação do desenho do estudo de campo.

Paralelamente, foi elaborado e testado um questionário com perguntas fechadas e abertas para a coleta dos dados que permitiram a delimitação de um perfil dos adolescentes e jovens que freqüentam a escola pública de ensino médio da cidade de São Carlos quanto às questões abordadas por este estudo. Esse instrumento foi composto por três partes distintas: - dados pessoais e familiares: idade, gênero, composição familiar e realidade sócio-econômica, - vida escolar: o que pensam sobre a escola, como avaliam seu cotidiano escolar e o como vêem suas perspectivas de futuro; - violência escolar: considerações sobre violência, dados sobre situações violentas na escola, uso de armas, álcool e drogas na escola.

Na segunda etapa da pesquisa, procedemos ao referido levantamento de dados junto à mostra definida. Foram aplicados 1445 questionários em 5 escolas públicas de ensino médio de São Carlos.

Para tratamento dos dados coletados através do questionário, foi utilizado o Programa Microsoft Excel 2003 (Microsoft Corporation), bem como na codificação das questões e na posterior análise estatística.

3. Resultados e Discussão

Segundo dados do censo escolar 2006 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP, São Carlos apresentou o total de 9.480 alunos matriculados no Ensino Médio, sendo que destes, 1.950 alunos estavam na rede privada de ensino e 7.530 alunos estavam matriculados em escolas públicas estaduais5 de Ensino Médio. Neste mesmo ano, foram aplicados 1.445 questionários em cinco escolas públicas de Ensino Médio, o que representa 15% de todos os alunos matriculados no Ensino Médio, seja de escolas públicas ou privadas e 19,2% do total de alunos matriculados no Ensino Médio em escolas públicas, na cidade de São Carlos.

Em relação ao total de questionários válidos aplicados, temos a soma de 48 turmas do Ensino Médio, sendo que, nas turmas de primeiro, segundo e terceiro anos, foram aplicados, respectivamente, em 20, 16 e 12 turmas do total. O que significa que as turmas de primeiro ano (605 alunos) representam 42% do total de respostas válidas, as turmas de segundo ano (474 alunos) representam o total de 33% das respostas válidas e, portanto, as turmas de terceiro ano (366 alunos) possuem o percentual representativo de 25%.

Temos a seguinte composição acerca dos períodos em que os alunos estudam: o período matutino, com 27 turmas, 843 alunos, representa 58% das respostas válidas; o período da tarde tem a menor representatividade, com 70 alunos, 3 turmas, significando apenas 5% do total; o período noturno, com 532 alunos, 17 turmas, representa 37% das respostas válidas nos resultados obtidos. Essa proporção é condizente com a representação, em relação aos períodos de todo sistema de Ensino Médio das escolas públicas, da cidade de São Carlos, no qual o da manhã mantém o maior número de alunos, seguido pelo período noturno. Já o período da tarde tem a menor concentração de estudantes cursando o Ensino Médio.

O questionário possuía quatro partes definidas como: perfil sócio-econômico (dados pessoais, trabalho e família), vida escolar, violência escolar, perspectivas de futuro e, ainda, um espaço livre para outras observações dos alunos. Sua aplicação permitiu o levantamento sobre: idades, gêneros, realidade socioeconômica, o que pensam sobre a escola, seus interesses, suas perspectivas, considerações sobre violência, dados sobre situações violentas na escola, uso de armas, álcool e drogas na escola. Dada a relevância estatística, os dados serão apresentados no conjunto total de alunos. Portanto, não serão, neste momento, identificadas as peculiaridades de cada escola. Todas as questões permitiam múltiplas escolhas nas respostas.


        • Perfil Sócio-Econômico

Serão aqui apresentados os dados referentes à primeira parte do questionário, dados pessoais, informações sobre a família, trabalho e tempo livre. Por meio da análise desses dados, foi possível traçar o perfil sócio-econômico dos adolescentes e jovens matriculados em escolas públicas estaduais de Ensino Médio da cidade de São Carlos.

A - Dados Pessoais

A porcentagem de jovens do sexo masculino é de 45% e a do sexo feminino 55%. 62% declaram-se brancos, 14% negros, 4% amarelos, 19% de outra cor, sendo essa categoria composta por uma maioria de pardos. 92,1% dos jovens são solteiros, 5% casados, 0,5% separados, 0,6% viúvos, 2,7% optaram pela categoria ‘outros’, estando a maioria destes morando com companheiro ou companheira. 96% não têm filhos.

Com relação aos bairros e localidades em que residem, os bairros mais freqüentes são, em ordem decrescente: Santa Felícia (13,4%); Cidade Aracy 1 (9,9%), Cidade Aracy 2 (9,6%), Jockey Clube (4%); Presidente Collor (3,5%); Santa Angelina (3,1%); Monte Carlo (3%); Centro (2,6%); Jardim Tangará (2,6%); Vila Nery (2,6%); Romeu Tortorelli (1,9%); Jardim Paulistano (1,7%); Vila São José (1,7); Jardim Gonzaga (1,5%); e Maria Stella Fagá (1,5%).

Quanto ao número de cômodos, as residências onde vivem esses adolescentes e jovens têm em média 5,5 cômodos.

A maioria das famílias dos adolescentes e jovens configura-se como pai, mãe e irmãos. Alguns moram com padrasto, avós ou tios. Quando se utilizou a categoria outros, majoritariamente se referia a sogros e cunhados. Uma minoria reside com madrasta, filhos, sobrinhos e amigos.

A maior parte das famílias (60%) tem uma renda familiar mensal entre 1 e 4 salários mínimos. 4% das famílias recebem menos de 1 salário mínimo. 10% recebem entre 4 e 5 salários mínimos e 6% possuem entre 5 e 6 salários mínimos mensais. A minoria das famílias vive com mais de 6 salários mínimos. Em relação às pessoas que contribuem para a renda familiar, os maiores contribuintes são pai (69%), mãe (59%), irmãos (20%) e o próprio jovem (20%). 6% dos avós contribuem para a renda familiar. Os outros (9%) são padrasto, cunhados, tios, marido e namorado.

Quando comparadas as diferenças de renda familiar entre escolas situadas em regiões centrais e escolas situadas em regiões periféricas da cidade, observa-se uma grande discrepância. Nas escolas periféricas as rendas familiares concentram-se na faixa de 1 a 4 salários mínimos; observa-se, também, que pouquíssimos alunos marcaram as opções acima de 6 salários mínimos. Já nas escolas centrais, 18% das famílias possuem renda entre 3 e 4 salários mínimos, porém as outras opções também obtiveram porcentagens significativas; ou seja, verifica-se que nas escolas centrais existem alunos com todas as faixas de renda familiar, somente a opção menos de 1 salário mínimo não foi assinalada. Isto ocorre pelo fato das escolas centrais receberem alunos de diversos bairros da cidade, enquanto as escolas periféricas recebem, principalmente, alunos de bairros mais próximos.

B – Família e Responsáveis

Os dados a seguir referem-se a informações sobre os responsáveis pelos adolescentes e jovens: sua situação de trabalho, em que função/setor trabalham e o grau de escolaridade que possuem.

A maioria dos jovens tem como responsáveis o pai e a mãe. Na categoria ‘outros’ se encontram: marido, sogros, cunhados e o próprio jovem. Observa-se que 55% desses responsáveis possuem emprego fixo, 9% possuem emprego temporário, 13% são autônomos, 7% estão desempregados, 9% são aposentados. Os 4% representados pela categoria ‘outros’ são majoritariamente pensionistas e afastados do trabalho. Com relação às funções que os responsáveis exercem e/ou setor em que trabalham, a maior parte é prestadora de serviços, 12,2% são trabalhadores domésticos, 10% são trabalhadores da indústria, 6,2% trabalham na construção civil, 5,5% são trabalhadores do comércio, 3,3% são donas de casa. A minoria trabalha no setor público, é um profissional liberal, ou trabalhador rural. Cerca de 25% dos jovens deixaram esse item em branco.

Os dados demonstram, no que se refere ao grau de escolaridade dos responsáveis, que maioria possui o 1º Grau incompleto (atual Ensino Fundamental), 19,2% possuem o 3º grau completo (Ensino Superior) e 1,2% possuem o 2º grau completo (Ensino Médio). Acredita-se que a alta porcentagem de 3º grau completo esteja relacionada à falta de compreensão dos jovens do significado dos graus de escolaridade, pois muitas funções no trabalho não correspondiam a esse grau de escolaridade. Do total, 4,6% não responderam essa questão.



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