1º domingo da quaresma, ano a a liturgia da Palavra deste 1º Domingo da Quaresma – A



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É de aconselhar que se leia primeiro toda a Liturgia da Palavra.

DOMINGO DA QUARESMA, ANO  A
 

         A Liturgia da Palavra deste 1º Domingo da Quaresma – A, coloca-nos perante um  certo desafio ou compromisso de uma Proposta de Deus  e a Resposta do homem.


            Neste 1º Domingo é proposta uma reflexão fundamental sobre o destino do homem.
            É uma meditação religiosa, uma vez que põe em causa o justo relacionamento com Deus, libertando-o de duas concepções erróneas :
            - O homem é escravo de forças naturais ou históricas; a sua presença no mundo é o fruto de um acaso que lhe pregou uma peça breve e cruel, dando-lhe a ilusão de felicidade e abandonando-o ao poder da morte.
            - O homem é árbitro absoluto do seu destino, senhor do bem e do mal, dominador das forças cósmicas, único protagonista da história. Dois extremos que não se acomodam ao verdadeiro sentido do homem neste mundo.
            A 1ª Leitura, do Livro do Génesis, diz-nos que o autor sagrado, empregando uma linguagem figurada, como um meio pedagógico ao alcance dos homens de todos os tempos, mesmo os mais rudes, transmite-nos ensinamentos, que continuam a ser válidos e são fundamentais : a criação do homem, com uma intervenção directa, especial de Deus e a destruição do plano divino pelo pecado.
             - “O Senhor Deus formou o homem com o pó da terra, fez-lhe entrar pelas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo”.(1ª Leitura).
             «O homem foi criado à imagem de Deus, capaz de reconhecer e amar o seu Criador, que o constituiu senhor de todas as criaturas terrenas, para as governar e usar, glorificando a Deus».(GS 12).
            Mas a este amor gratuito de Deus, o homem responde com ingratidão.Na verdade, «seduzido pelo maligno, logo no começo da história, abusou da sua liberdade, erguendo-se contra Deus e desejando alcançar o seu fim à margem de Deus».(GS 13).
            A única atitude do homem perante Deus é a de se reconhecer pecador e pedir perdão como proclama o Salmo Responsorial :
            - “Pecámos, Senhor, tende piedade de nós” !
            Na 2ª leitura, S. Paulo diz aos Romanos, e hoje também a todos os homens pecadores que o mundo em que vivemos, é um mundo em que predomina o pecado. Mas, com a desordem moral, que mergulha as suas raízes no pecado de Adão, outra potência inimiga do género humano domina : a morte, consequência natural da nossa separação de Deus, fonte de vida.
             - “Por um só homem entrou o pecado no mundo e, pelo pecado, a morte; assim, a morte penetrou em todos os homens, uma vez que todos pecaram”.(2ª Leitura).
             Mas, se é certo que não podemos fechar os olhos a esta trágica realidade, também é certo que não temos o direito de desesperar. Cristo Ressuscitado é a grande intervenção de Deus, pela qual se operou uma mudança decisiva na História da Salvação. N’Ele, novo Adão, todos podemos encontrar a graça e a vida.
            O Evangelho é de S. Mateus e diz-nos que, no deserto, considerado na Bíblia como lugar de encontro com Deus, mas também de luta e provação, Jesus, compartilhando a condição humana, enfrenta a tentação, triunfando do demónio.
             - “O Demónio levou-O consigo a um monte muitíssimo alto; mostrou-Lhe todos os reinos do mundo com a sua glória e disse-Lhe: «Dar-Te-ei tudo isto, se Te prostrares e me adorares».(...) Ao Senhor teu Deus é que hás-de adorar, só a Ele prestarás culto”.(Evangelho).
             Convidado a usar o Seu poder taumaturgo para Sua utilidade, Jesus recusa-Se a colocar Deus ao serviço do seu proveito pessoal : a Sua missão será, fazer sempre a vontade do Pai. Finalmente rejeita a tentação de um Messianismo temporal, que vise o domínio de vastos impérios : conquistar as consciências para levá-las à obediência ao Verdadeiro Deus.
    Entre todos os domingos do ano, que a devoção cristã honra de vários modos, não há nenhum que supere a festa da Páscoa, porque esta torna sagradas todas as outras solenidades. Ora, se considerarmos o que o universo recebeu da cruz do Senhor, reconheceremos que, para celebrar o dia de Páscoa, é justo preparar-nos com um jejum de quarenta dias, para podermos participar dignamente nos divinos mistérios.
            Não só os bispos, sacerdotes e diáconos devem purificar-se das suas faltas, mas todo o corpo da Igreja e todos os fiéis, porque o templo de Deus, que tem por base o seu próprio fundador, deve ser belo em todas as suas pedras, luminoso em cada uma delas. A ascese cristã nunca foi um fim em si mesma; apenas um meio, um método ao serviço da vida, e, como tal, procurará adaptar-se às novas necessidades.
   Outrora, a ascese dos Padres do deserto impunha jejuns e privações intensas e extenuantes, mas hoje a luta é outra.O homem não tem necessidade de um sofrimento suplementar. Os cilícios, as cadeias de ferro e outras flagelações, correriam o risco de o extenuar inutilmente.
   A mortificação da nossa época consistirá na libertação da necessidade de entorpecentes, pressas, ruídos, estimulantes, drogas e álcool sob todas as suas formas. A ascese consistirá acima de tudo no repouso imposto a si mesmo, na disciplina da tranquilidade e do silêncio, onde o homem encontra a possibilidade de se concentrar para a oração e para a contemplação, mesmo no meio de todos os ruídos do mundo, nos transportes públicos, entre as multidões dos supermercados ou dos centros desportivos e dos festivais de música, e outros.
 Consistirá principalmente na capacidade de compreender a presença dos outros, dos amigos, em cada encontro e em cada diálogo. O jejum, ao contrário da maceração imposta, será a renúncia alegre ao supérfluo, a sua repartição com os pobres, um equilíbrio espontâneo e tranquilo, numa palavra, no espírito de penitência, como  serviço que devemos realizar no cumprimento do plano da História da Salvação.
                ..................................
            Diz o Catecismo da Igreja Católica :
             387. – A realidade do pecado e, dum modo particular, a do pecado das origens, só se esclarece à luz da Revelação divina. Sem o conhecimento que esta nos dá de Deus, não se pode reconhecer claramente o pecado, e somos tentados a explicá-lo unicamente como falta de maturidade, fraqueza psicológica, erro, a consequência necessária duma estrutura social inadequada, etc. Só no conhecimento do desígnio de Deus sobre o homem é que se compreende que o pecado é um abuso da liberdade que Deus dá às pessoas criadas para que possam amá-l’O e amarem-se mutuamente.
            540. – A  tentação de Jesus manifesta a maneira própria de o Filho de Deus ser Messias, ao contrário da que Lhe propõe Satanás e que os homens desejam atribuir-Lhe. Foi por isso que Cristo venceu o Tentador, por nós : «Nós não temos um sumo-sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas; temos um, que possui a experiência de todas as provações, tal como nós, com excepção do pecado»(He.4,15). Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja  se une ao mistério de Cristo no deserto.

John Nascimento

 

                                  



                                               

 


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