1. introduçÃo por que estudar o livro do Apocalipse? Conhecer Fé tripé fundamental para o Apocalipse Luta Apo-calipse é uma palavra grega que significa “tirar o véu” ou “re-velar”. A palavra



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Ir. Neuza Maria Delazari - ISJ



1. INTRODUÇÃO
Por que estudar o livro do Apocalipse?

  • Conhecer

  • Fé ----------- tripé fundamental para o Apocalipse

  • Luta

Apo-calipse é uma palavra grega que significa “tirar o véu” ou “re-velar”.


A palavra Apocalipse significa REVELAÇÃO = tirar o véu. O tema central é a VIDA.

Para entendê-lo é necessário se por a caminho. É chamado o livro do MOVIMENTO.

É preciso olhar para o livro do Apocalipse com alegria e considerar toda a simbologia. Para isso, é importante retirar toda a visão de fim de mundo, supertição, desconfiança e medo, para depois descobrir toda simbologia e beleza do livro do Apocalipse. É necessário quebrar a casca (Ex. coco).

Para entendê-lo é necessário ter presente algumas datas da história:


  • + 30 - Morte e Ressurreição de Jesus

  • + 50-60/65 - Cartas de Paulo

  • +64 - forte perseguição de Nero

  • +62/66 - martírio de Tiago

  • + 64-67 - martírio de Paulo e Pedro

  • + 70 - destruição de Jerusalém

  • + 70 - Marcos

  • + 85-90 – Mateus, Lucas e Atos

  • + 100 - João e Apocalipse



2. LOCAL E DATA

Foi escrito entre os anos 65 e 100 dC na Ásia Menor, talvez na Ilha de Patmos. Não foi escrito de uma só vez, mas nasceu de acordo com a necessidade da caminhada das comunidades. O Apocalipse é como uma casa popular. Cresceu aos poucos, de acordo com a necessidade da família, da comunidade. Alguns exegetas examinaram os sinais na parede, no piso e no teto do Apocalipse. Analisando chegaram a seguinte conclusão:



1. A parte mais antiga compreende os capítulos 4 a 11. Foram escritos provavelmente durante a perseguição de Nero e destruição de Jerusalém (64 a 70). Novo Êxodo apresentado ao povo oprimido.

2. No governo de Domiciano (81 a 96) a perseguição às comunidades é redobrada Para responder a esta problemática dos anos 90 foram escritos os capítulos 12 a 22,5. A Boa Nova é apresentada como um julgamento, cujo resultado é a condenação progressiva dos opressores do povo. Neste período, Domiciano exige ser cultuado como deus. Ele manda matar os líderes. Sua perseguição é ideológica! Esta é muito mais forte que a perseguição de Nero.

3. Em seguida foram acrescentados os capítulos 1,4 a 3 que dão aspecto de uma carta carinhosa. São como que a varanda acolhedora da frente da casa, aonde João recebe o povo perseguido. A Boa Nova de Deus é apresentada como exigência de fidelidade e de compromisso.

4. No fim, alguém juntou tudo e fez o portão de entrada (Ap l,1-3), ajeitou o quintal dos fundos (Ap 22,6-21) e a casa ficou pronta.

Ap 1,1-3 – prólogo

Ap 22,6-21 – epílogo
3. AUTOR

Quem escreveu provavelmente foi um discípulo de João (Ap 1,9) (irmão e companheiro na tribulação, que foi exilado por causa da perseguição de Domiciano). Ele não invoca nenhum título, nem de bispo, nem de sacerdote, nem de evangelista, nem de apóstolo. O título é: “irmão e companheiro na tribulação”. O nome João aparece quatro vezes no Livro do Apocalipse: três vezes na introdução (Ap 1,1.4.9) e uma vez na conclusão (Ap 22,8). Quem é esse João? É o apóstolo? É o autor do quarto Evangelho?

Uma tradição do segundo século identifica o autor do Apocalipse com o apóstolo João, “autor” do quarto Evangelho. Outra tradição, defendida por Eusébio, historiador do século IV, diz que o João do Apocalipse não é o mesmo que o apóstolo João. Eusébio fala de um “presbítero João” (ancião). É difícil saber ao certo quem foi o autor do livro do Apocalipse.

Seja como for, ao que tudo indica esse “João”, autor do Apocalipse, era o coordenador das comunidades. Conforme transparece nas cartas, ele está bem por dentro da situação de cada uma delas (Ap 2-3). Tem consciência de ser portador de uma mensagem de Deus para elas (Ap 22,9-10). Ele mesmo encarnou a Palavra de Deus em sua vida e dela dá testemunho (Ap 10,8-11). Por isso, foi preso e vive exilado na ilha de Patmos (Ap 1,9). Sendo ele mesmo um perseguido, conhece muito bem o drama dos companheiros e companheiras. Sentindo na pele a perseguição, tem autoridade para falar e condições para animá-los. Na polêmica com os adversários, João usa, às vezes, palavras duríssimas (Ap 2,9; 3,9), que certamente não usaria em outro contexto. Apesar da sua autoridade e da severidade em condenar os inimigos das comunidades, João parece ser uma pessoa humilde. Ele não tem medo de confessar o que não sabe (Ap 5,4; 7,13-14).

Como “irmão e companheiro na tribulação”, João escreve para os irmãos e as irmãs, perseguidos das sete comunidades que estão na Ásia (Ap 1,4.11). O número sete simboliza totalidade. Escrevendo às sete comunidades, ele quer animar todas, inclusive às de hoje. A condição para captar a sua mensagem é ser solidário como ele: “irmãos e companheiros na tribulação”.
4. DESTINATÁRIOS

O Apocalipse é escrito às sete comunidades que estão na região da Ásia Menor (Ap 1,4). A Ásia tinha muitas minas de minérios. O povo entendia muito bem de bronze, ferro, ouro, fogo... São comunidades pobres que vivem do trabalho pesado.


5. OBJETIVO

O Apocalipse foi escrito para animar a caminhada, fortalecer e esclarecer as comunidades espalhadas no Império Romano. O livro foi escrito num período de perseguição e conflitos:

Conflitos com os judeus (expulsos da sinagoga);

Conflitos com os gregos (carne – encarnação);

Conflitos com os romanos (os cristãos são odiados);

Conflitos internos: desânimo, brigas, competições, desunião, acomodação, falsos líderes...


5.1 - Tipos de perseguição:

- As lideranças são presas;

- Há trabalhos forçados;

- Morte na cruz;

- Os cristãos são queimados como tochas (Nero);

- São proibidos de ter cargos públicos;

- São obrigados a adorar César;

- São proibidos de se reunir em público – por isso se reunem nas catacumbas.


6. DIVISÃO DO LIVRO

Propostas de Divisão do Livro:

1. Corsini:

- 1,1-8 – Prólogo

- 1,9–3,22 – Setenário das Cartas

- 4,1–8,1 – Setenário dos Selos

- 8,2–11,19 – Setenário das Trombetas

- 12,1–22,5 – Setenário das Forças

- 22,6 -21 – Epílogo.
2. Carlos Mesters:

* 1,1–3,22 – Carta às comunidades: - Título 1,1-3

- Saudação 1,4-8

- Visão de João 1,9-20

- Cartas 2,1–3,22

* 4,1–11,19 – 1º Roteiro da Caminhada do Povo: NERO

- Passado – 4,1–6,8

Deus liberta o seu povo - Presente – 6,9-11

- Futuro - 6,12–11,19

* 12,1–22,21 – 2º Roteiro da Caminhada do Povo. Deus julga os opressores do povo: DOMICIANO - Passado – 12,1-12

- Presente – 13,1–14,5

- Futuro – 14,6–22,21




7. REALIDADE DAS COMUNIDADES

Diante de tanta perseguição e confusão, ninguém entende direito o que está acontecendo. O imperador se fazia de novo Jesus, dizendo ser o Ressuscitado Ap. 13,3-8.

Nesse clima terrível de confusão e desânimo das lideranças, o livro quer ser: sinal de resistência, denúncia, celebração, testemunho e esperança – revelador da Boa Nova (o cordeiro é o vencedor).

O livro é escrito em forma de carta. Tem destinatário certo. Usa muitos símbolos que expressam a realidade vivida pelo povo. Para entendê-lo é necessário criar movimento.

CENTRO DO LIVRO: Jesus Cristo Ressuscitado – presente e atuante na história (1,1-3). Jesus que vence todo o sistema de morte do mundo e de todos os tempos.

8. CARACTERÍSTICAS DO APOCALIPSE

- Certeza de que quem conduz a história é Deus. Se Deus venceu, as comunidades também vencerão;

- Uso de muitas imagens – porque é Deus quem está falando;

- Linguagem radical – preto no branco (não há meio termo);

- O livro do Apocalipse divide a História em sete etapas: estamos na 5ª etapa, falta pouco, a 6ª é o julgamento e a 7ª é o fim. Esta linguagem é totalmente simbólica, pois é um dos recursos que o autor usa. O número 7 significa totalidade. (não podemos associar à História cronológica);

- Não tenha medo – essa expressão aparece mais de 100 vezes na Bíblia, quase sempre na boca de Deus, de Jesus e do Anjo.

Apocalipse é o livro dos sete (7). Tudo é perfeito: sete comunidades; sete selos; sete anjos; sete bem aventuranças...


9. AS SETE BEM AVENTURANÇAS

1ª- Ap. 1,3 – Feliz quem lê, ouve...

2ª- Ap. 14,13 – Felizes os que morrem no serviço ao Senhor...

3ª- Ap. 16,15 – Feliz aquele que vigia...

4ª- Ap. 19,9 – Felizes os convidados para o banquete do casamento do cordeiro...

5ª- Ap. 20,6 – Feliz quem participa da 1ª ressurreição...

6ª- Ap. 22,7 – Feliz aquele que observa as palavras da profecia deste livro...

7ª- Ap. 22,14 – Felizes aqueles que lavam suas vestes para obter a árvore da vida e entrar na cidade pela porta...



10. ESTUDO DO LIVRO

Capítulo I - 1,1-3 - Apresentação

Descreve o objetivo do livro do Apocalipse: manifestar o que deve acontecer em breve = realização do projeto de Deus. A história está nas mãos de Deus apesar de toda perseguição. O projete de Deus ninguém segura, irá acontecer. Apocalipse é a revelação de Deus para Jesus. João é então testemunha desta mensagem (v. 2) e todos aqueles que recebem estas palavras são bem – aventurados (v. 3). Esta é a revelação de Jesus Cristo.

Destinatários – Comunidades do ano 95 – “os servos”.



Anjos – mensageiros e enviados: diáconos, líderes, catequistas, animadores das comunidades.

Valor – O livro é uma esperança do povo que luta feliz... Dá uma resposta à gnose. A fé sem obra é morta.

Urgência – Língua grega: TEMPO “Kronos” = histórico

“Kairós” = no sentido qualitativo, teológico, político. Ex. Hoje em dia vivemos em tempo de crise.

O texto de Apocalipse 1,1-3 usa o tempo “Kairós”. O final do primeiro século, anos 81-96, foi um período difícil. Domiciano atingia a consciência do povo, isso era pior que a perseguição de Nero.

As comunidades viviam:



  • Oprimidas pelos poderes:

  • Econômico = tributo

  • Político = militarismo

  • Ideológico = cesarolatria

  • Social = excluídos - apenas 5% viviam dentro dos muros com toda mordomia. Os outros 95% viviam amontados do lado de fora dos muros.

  • Excluídas – porque não dobravam os joelhos para o Império Romano.

  • Empobrecidas.

  • Ameaçadas – pelo Império e pelo Judaísmo.

  • Confusas – como levar adiante a fé? Quem é realmente o Senhor?


1,4-8 - Saudação

João é provavelmente uma liderança nas comunidades. Em sua saudação inicial deseja graça e paz numa situação em que as cidades viviam longe da graça e da paz. Faz menção à Trindade: aquele que É, ERA e VEM. Relembra Êxodo 3; Moisés continua libertando e caminhando com o povo. Jesus é a testemunha fiel, o primeiro a ressuscitar dos mortos e o chefe dos reis da terra em contraposição a César. Confessar que Jesus era príncipe, rei dos reis, era um gesto de extrema subversão ao sistema romano.



A saudação (Ap 1,4-11)

Destinatários – todas as Igrejas



Fontes – Deus: o que era, que é e que vem.

Espírito Santo

Jesus Cristo – Testemunha fiel

Primogênito

Princípio e Fim (Alfa e ômega)

Senhor – Deus

O povo não conseguia entender a pobreza, a opressão, o porquê do desaparecimento de tantos líderes... O livro do Apocalipse resalta que Jesus Cristo Ressuscitado é o Senhor e não César.


48 – 44aC.

César – “Kírios”

Cesarolatria = Culto a César

“Augustus” = todo poderoso




54 – 68

Nero


Mártires =semente de novos cristãos

70

Destruição de Jerusalém



81 – 96

Domiciano

“apostata” = cooptava as lideranças


João vem abrir e convida para entrar. Apresenta o livro do Apocalipse como uma carta amiga. Cria um ambiente comunitário de fé, de esperança e de celebração, dentro do qual o livro deve ser lido e interpretado.
A visão inaugural de Jesus (Ap 1,9-20) - 1ª visão

Patmos – ilha do Mar Ageu, onde os que não adoravam a César (Cesarolatria) eram colocados. João estava lá por causa da Palavra de Deus e do Testemunho de Jesus. Sete candelabros, no meio um Filho de Homem, com uma túnica comprida... Veste branca = vitória. Espada afiada nos dois lados = profecia = anuncia e denuncia. Os pés de bronze são diferentes dos pés de barro que o ídolo possui que é fraco e cai. Na época, o bronze era o material mais resistente. As estrelas na mão direita = simbolo das lideranças que estão nas mãos de Deus (mão direita é mão da bênção). As lideranças estavam sendo coaptadas por Domiciano. O autor do Apocalipse vem dizer para os cristãos: continuem firmes. “Me fobu” não tenham medo!


Dominações

Assírios 740 – 612aC.

Babilônicos 587 – 538aC.

Persas 538 – 338aC.

Gregos 333 – 63aC.

Romanos 63aC. – 135dC.
O medo do ano 81 – 96 era um medo acumulado. O Apocalipse quer resgatar a presença de Cristo ressuscitado no meio das comunidades. Ele está no nosso meio através da fé e da luta.

Ele nos leva para dentro da sala e nos coloca em contato direto com Jesus, o dono da casa. Transmite uma experiência que João, o autor, teve de Jesus Ressuscitado, e ensina onde este Jesus pode ser encontrado. Faz perceber o alcance da fé na ressurreição para a vida das comunidades cansadas e perseguidas. Cria nova luz nos olhos, a qual ajuda o leitor/a a tirar o véu e descobrir a mensagem do livro.



Capítulos 2 e 3 – As sete cartas às sete comunidades

O Apocalipse como um todo tem a forma de uma carta, escrita para sete comunidades da Ásia Menor, atual Turquia (Ap 1,4). Além disso, os capítulos 2 e 3 trazem sete pequenas cartas para as comunidades. Não são bem cartas, pois faltam o cabeçalho e o remetente. São mais mensagens, redigidas em forma de carta, o que acentua a dimensão pessoal e comunitária do seu conteúdo. O Apocalipse não se dirige a um público anônimo, mas se apresenta como uma carta carinhosa, escrita por uma pessoa amiga às comunidades perseguidas e cansadas, que estavam sofrendo.

Quem escreve as cartas é João, mas ele as apresenta como sendo de Jesus. O pano de fundo é a visão inicial, na qual Jesus aparece no meio das sete comunidades (Ap 1,12.16.20). O discurso de Jesus, iniciado durante a visão inaugural (Ap 1,17), continua nas cartas. Todas elas começam com a expressão “Assim fala...”, seguida por um título de Jesus.


SETE PASSOS DAS CARTAS

1º - Endereço: ao Anjo da comunidade (coordenador)

2°- Apresentação de Jesus: Assim diz...

3° - Conheço suas obras!

4° - Pontos positivos da comunidade.

5° - Pontos negativos da comunidade.

6° - Alerta: Quem tem ouvidos, ouça...

7° - Prêmio.


Éfeso: Cidade rica, famosa, entroncamento rodoviário, encruzilhada do mundo. Centro cultural e comercial. Capital da Província da Ásia. Havia um templo dedicado à deusa Artêmis. Na época do Império Romano se criou um culto à deusa Roma. Possuía um Estúdio para 50.000 pessoas. Faz referência aos nicolaítas = aqueles que não acreditavam na encarnação de Jesus. Nicolaítas vem de Nicolau – queriam chegar a Deus pelo conhecimento. Acreditavam que Deus no momento da morte, os abandonava; Negam a cruz. Havia em Éfeso muitos grupos e diferentes tendências. A comunidade luta para discernir as falsas lideranças.

Esmirna: Fundada 500 aC. Cidade moderna, planejada. Tem um porto, é uma cidade rica e progressista. Nela há um templo dedicado ao Imperador. Cidade próxima a Éfeso. A comunidade é fiel, porém perseguida pelo Império e por um grupo de judeus fanáticos que perseguiam os cristãos. Há conflitos com os que se dizem perfeitos – farisaísmo rabínico que expulsam os cristãos da sinagoga. Os cristãos são uma ameaça para a comunidade judaica. O judaísmo no império Romano é uma Religião lícita, o cristianismo não; os judeus colaboravam para entregar cristãos ao império romano. A comunidade cristã era pobre e sofrida. Havia rivalidade entre Esmirna, Pérgamo e Éfeso.
Pérgamo: Situada a 70 km ao norte de Esmirna. Cidade rica, mas fora das grandes rotas comerciais. Construída sobre a colina. Centro administrativo para a Ásia. Havia uma forte influência da religião do império. Cidade da cultura e centro do culto. (Havia um templo a Zeus, o maior deus dos gregos). Possuía a Biblioteca maior do mundo com 200.000 exemplares. Havia gente que recebia para infiltrar a ideologia do Império. Na festa a Zeus, havia um banquete e os pobres podiam comer carne, aderindo ao deus do império. Transparece uma tensão na comunidade quanto à carne sacrificada às divindades e distribuída ao povo.
Tiatira: Cidade industrial e comercial. Artesanato de tecidos e metais. Cidade menor e com pouca importância política. Berço do sindicalismo. Havia associação de trabalhadores. Muitas festas e orgias, sacrifícios e ídolos. Influência de uma líder chamada Jezabel que espalhava a doutrina do Império. Jezabel – figura no Primeiro Testamento contra o Projeto de Deus. Mantinha também culto ao imperador. A comunidade procura aprofundar sua fé com perseverança.
Sardes: Cidade muito antiga (600 aC). Capital de um reino rico e poderoso. Construída sobre um rochedo e célebre pela sua riqueza. Comunidade cristã muito tranquila e vive a ilusão de fama e aparência. Um pequeno grupo mantém-se fiel. No tempo do Apocalipse sua glória havia diminuído. Ela foi destruída nos anos 50 e reconstruída depois. É auto-suficiente. Recusa receber dinheiro de Roma para ser reconstruida.
Filadélfia: Fundada pelos gregos em 159 aC. Como porta avançada da cultura grega na Ásia. Região ameaçada por terremotos. Havia uma comunidade judia e uma comunidade cristã, esta fundada por Paulo. Comunidade pobre, pequena, fiel, exemplar e que necessita reforço para experimentar a força de Deus. É chamada cidade da Fraternidade. Há conflitos entre judeus e seguidores de Jesus.

Laodicéia: Formada em 250 aC. Centro importante da moda, das confecções e dos bancos. Medicina com especialidade em oftalmologia, colírios... Águas termais e medicinais. Produção de tecidos: linho e algodão. Anfiteatro: com luta e jogos famosos. Nos anos 60 foi destruída e depois reconstituída. “Jesus espera que se abra a porta – vem para a alegria plena”. Considera-se uma cidade superior às demais e esta mentalidade atinge também a comunidade (3,17). Por isso João chama para uma postura coerente (3,16).
Cada carta tem 07 pontos:

1 - Ao anjo

2 - “Assim diz... título”.

3 - “Conheço...”

4 - O positivo:

5 - O negativo:

6 - “Quem tem ouvidos...”

7 - “Ao vencedor...”




Comunidade

Títulos a Jesus

Promessa

Pontos Positivos

Pontos Negativos

Evocação do P. Testamento

Mensagem

Éfeso

Aquele que tem as 7 estrelas na mão direita...

Comer da árvore da vida

Esforço e perseverança.

Não suporta os maus



Abandonou o 1º amor e caiu. Falta de entusiasmo

Árvore da vida e paraíso

Repare o que caiu e converte-se

Esmirna

1º e último. Esteve morto e voltou à vida

Coroa da vida. Livres da morte

Persistência, resistência, união, fidelidade

-

-

Fidelidade

Pérgamo

Espada afiada nos dois lados

Maná escondido, pedrinha branca a cada um, um nome novo

Fidelidade no testemunho em meio à perseguição. Não renegar a fé

Idolatria, Prostituição

Doutrina de Balaão e maná

Apelo à conversão. Ouvir o que o Espírito diz às Igrejas

Tiatira

Filho de Deus

Autoridade apascentar as nações. Cetro de ferro

Amor, fé dedicação, boas obras

Prostituição

Jezabel

1Reis 17


Não se contaminar com a idolatria

Sardes

Aquele que tem os 7 Espíritos de Deus e as 7 estrelas

Vestirá roupa branca e o nome dele não será apagado do livro da vida...


Não sujaram a roupa

Tem fama de vivos, mas estão mortos

-

Vigilância. Pratique e se converta

Filadélfia

Santo, verdadeiro. Que tem a chave

V. 12. Coluna no templo de Deus

Guarda a Palavra. Não renegou o nome.

Guardou a ordem prescrita por Deus.



-

-

V.11 segurar firme

Laodicéia

Amém, testemunha fiel e verdadeira. Princípio da criação de Deus

Farei dele uma coluna no templo do meu Deus...


-

Igreja morta e indiferente. Autossuficiente

Repreendo e corrijo os que amo

Renovação total

Capítulo 4 - Teologia do Apocalipse

João tem uma visão para subir ao céu (mundo superior). Ele ingressa neste mundo para receber a mensagem e trazê-la para as comunidades.

V. 1 – João é convidado a entrar no céu.

V. 2 – A primeira coisa que João vê é o trono. O livro do Apocalipse descreve o trono, mas não descreve Deus, que nele está sentado. Pois não há palavra humana para descrevê-lo.

V. 3-4 – Arco íris e dilúvio: lembram a aliança de Deus com a humanidade (Gn 9,12-17). Vinte e quatro tronos; vinte e quatro anciãos! Representam as lideranças do Primeiro e do Segundo Testamento (tribos e apóstolos). Roupas brancas e coroa na cabeça são sinais da vitória e da realeza. (trono Mt 19,27-28).



V. 5-8a Sete é o símbolo da plenitude da ação do Espírito de Deus. Lâmpada ilumina. Fogo aquece e purifica. V. 6 – Mar de cristal. No Primeiro Testamento o mar é símbolo do caos e do mal. Mas aqui, o mar é de cristal, transparente. Significa que o caos e o mal já foram vencidos. Os quatro seres vivos vem do livro de Ez 1,4-14. São cheios de olhos. Significa que sabem e vêem tudo. Conhecem o passado (por trás) e o futuro (pela frente); as coisas de fora (ao redor) e as mais intimas do coração (por dentro).

Quem são estes seres? Para uns são os mais fortes da criação, que aqui, adoram o criador. Para outros, são esfinge babilônicas de seres mitológicos chamados “Querubins”, mas estão submissos a Deus. Para outros, trata-se dos quatro evangelistas: Marcos (leão); Lucas (touro); Mateus (ser humano); João (águia). Para outros ainda, os quatros elementos da criação: terra, água, ar e fogo.

A narração dá margem para qualquer uma das interpretações. Mas o que importa é que ambos são colocados a serviço da glória de Deus e de seu projeto.

V. 8b – Deus é aclamado com três títulos: “santo, santo, santo, Senhor Deus todo poderoso, aquele que Era, É e Vem”.

V. 9 – 11 – Grande louvação e aclamação, iniciada pelos quatro seres vivos.

A comunidade que está encurvada pelo peso de tanta opressão tem uma visão; no céu tem uma porta aberta. Na terra não existe nenhuma porta aberta (a porta de Roma era fechada) para quem era pobre. Este capítulo traz um contraste entre o céu e a realidade que eles viviam. Ele vê o trono... Olhar para o céu significa levantar a cabeça e ver a luz. O povo no ano 95 não conseguia olhar para cima por causa da opressão. Olhe para cima tira a cabeça do chão. O livro de Gênesis capítulo um (1) é 50% da Bíblia. Deus criou tudo, e viu que tudo era muito bom. Nós fomos feitos para contemplar. Mas só podemos contemplar quando não existe fome, pobreza, exclusão...

A dor nos “bestializa” não nos santifica!

João descreve a grande visão, cuja mensagem central é a Revelação do nome de Deus: ERA, É e VEM. Ele é o Santo que conhece tudo por dentro e por fora. Ele é Javé, o Deus conosco (Ex 3, 6-7.14). É o Senhor que esteve com o povo no Primeiro Testamento, está com o povo e sempre estará.

Convite para subir ao céu (mundo superior). João ingressa neste mundo para receber a mensagem e trazê-la para as comunidades.
Capítulo 5

Os 7 (sete) selos são os planos de Deus na história. É importante e necessário ter presente o significado dos símbolos no momento da leitura do Apocalipse. No capítulo 4,6 os quatro seres vivos representam os quatro elementos que formam o ser humano.

O capítulo 5 continua com o mesmo quadro do capítulo 4, com um avanço que é a abertura ecumênica. Está presente não só as 12 tribos, mas todas as raças e tribos 5,9.

O livro contém 7 selos. É o livro da história. João chora por não poder abri-lo e por não encontrar alguém digno disso. Isto revela a situação das comunidades que pensam que Deus perdeu o controle da história. Mas não é verdade. O Cordeiro, o que tem as chaves da morte, recebe o poder, o controle da história, toma o livro e começa a abrir os selos.

Divisão do capítulo:

5,1-4 – A visão do livrinho lacrado com sete selos é tirada de: Is 29,11; Dn 12,9. Ninguém pode abri-lo. É o impasse da história. Ninguém consegue entender a historia. Nós não conhecemos a história do negro, do índio... Só conhecemos a história do dominador.

5,5-7 – Superação do impasse. Vitória do Cordeiro, que recebe o livro. Ele é capaz de abri-lo.

5,8-14 – Em ondas sucessivas, a celebração da vitória do Cordeiro alcança toda a Criação.



Dois ganchos do capítulo 5: abertura ecumênica e a ressurreição de Jesus.

7 atributos – todos a Jesus Cristo ressuscitado – não são direcionados a César (5,12).
Capítulo 6 - Abertura dos selos
6,1-8 - abertura dos quatro primeiros selos (passado).

6,9-11 - abertura do quinto selo (presente).

6,12-17 - abertura do sexto selo (futuro).

O Cordeiro toma o livro e começa a abrir os selos. Abre o roteiro da história. João escreve entre os anos 64 a 98, mas na sua visão ele voltou ao passado, para o ano 33, e reviveu o momento de Jesus subir ao céu, receber todo o poder à direita do Pai e tornar-se o Senhor da história.

1º SELO – 6,1-2 – O cavalo branco é símbolo do poder militar. Provavelmente se refere ao avanço do Império romano e suas consequências. Cavaleiro/ arco /coroa.

2º SELO – 6,3-4 – O cavalo vermelho é símbolo das consequências do avanço do império romano: revoluções sangrentas entre os povos. Cavaleiro é a espada e partiu.

3º SELO – 6,5-6 – Cavalo preto, símbolo da fome, custo de vida alto, carestia. Outras consequências do avanço do império. Cavaleiro é a balança

4º SELO – 6,7-8 – Cavalo esverdeado (verde – baio) – cor da morte da peste, doenças que também são consequências do avanço do império. Cavaleiro é a morte, peste, doença... Mas tudo isso é para ser aguentado firme. A passagem da morte para a vida se da pela prática do Evangelho. Ninguém pode ficar neutro. Esta é uma análise do passado.

O passado do povo foi de domínio - varias dominações foram massacrando o povo.

O cavalo branco era montaria dos generais. A mula era montaria dos reis. Jegue era montaria dos patriarcas, e na época de Jesus, era montaria dos pobres.

No ano 95 o povo estava sendo oprimido. Vamos olhar para trás, nossa história foi de dominações feita pelas guerras. No Primeiro Testamento, todos tinham vinho e óleo, neste momento o vinho e o óleo são monopólio do Império Romano. Balança - o coordenador clama por justiça.



5º SELO – 6,9-11 (presente) O altar – os mártires são por causa da Palavra de Deus. Até quando?

Os mártires estão de baixo do altar porque o sofrimento ainda não acabou. Altar lembra o holocausto no Primeiro Testamento. O passado foi de injustiça e dominação... O presente é um momento de martírio – ligação com o Apocalipse 1,9.

O martírio é por causa da fidelidade ao Projeto de Deus. Hoje também tem muita gente sendo martirizada por causa da Palavra de Deus. Até a própria perseguição é necessária para a passagem para a vida. O plano de Deus vai seguir. Ninguém vai conseguir impedir, nem Nero, nem Domiciano. Por isso, os que resistirem receberá vestes brancas; devem aguentar um pouco mais porque o número ainda não está completo. No presente o sofrimento ainda continua.

O 6º e o 7º selos referem-se ao futuro da comunidade. A grande questão do momento era: no passado, os dominadores venceram, no presente estão vencendo, mas quem irá vencer no futuro? Comunidade x império.



6º SELO – 6,12–7,17 – Agora o povo vai ficar sabendo o que vai acontecer no futuro. Há três partes:

6,12-17 - manifestação da ira de Deus;

7,1-8 - marca de Deus;

7,9-17 - a multidão se encontra.

1ª - 6,12-17 - todos os que dominavam até o 5º selo, agora fogem apavorados pela ira de Deus.

2ª - 7,1-8 - o povo oprimido das comunidades é protegido pela marca de Deus. O povo que estava desorganizado, agora aparece organizado em 12 tribos. Aparecem com um novo tipo de organização, contraria a do Império: igualitária e fraterna.

Com esta visão, João quer mostrar que as comunidades não devem ter medo e nem temer as pragas. Missão do povo: “Enquanto vocês estão por ai, aguentem firmes e se organizem, para que, quando o império cair, vocês estejam preparados para apresentar uma nova organização”. O tempo é urgente. Derrubar indiretamente o império é preciso.

3ª - 7,9-17 - Esta multidão que se encontra não é o mesmo pessoal das comunidades. São outras pessoas que passaram pelas mesmas condições de vida e resistiram. “É gente nossa”! Não foram somente as comunidades que resistiram ao império. Muitas outras pessoas também resistiram.

As comunidades devem ser sinal da grande luta contra o Império pela vivência do Evangelho. Mas todo povo que luta contra a besta, Deus acolhe. A nossa missão é servir.

Não são somente os cristãos que sofrem as perseguições. Mas todos esses povos lascados que resistem. Com isso, João mostra a universalidade da salvação de Deus. A salvação não é “propriedade” só dos cristãos; ela é para toda a humanidade.



7º SELO – 8,1–11,19 - Imagem dos sete: 7 trombetas, 7 turíbulo de incenso...

Descreve o FIM, as pragas finais da história. O sétimo selo é aberto no capítulo 8 e se desdobra em sete trombetas. Não é Deus quem provoca toda a destruição descrita neste capítulo. Deus não quer a violência. São aqueles que se beneficiam da desordem do império que provocam morte e violência. A vinda de Deus é um julgamento.

8,1-6 - É a preparação para a grande celebração final. Há um silêncio profundo. Zacarias já se referia ao silêncio diante da ação de Deus. Quando Deus inicia uma ação importante, tudo silencia. O clamor dos pobres é forte. E Deus escuta.

Elementos: anjo, trombeta, turíbulo, altar, perfume.

8,7-12 - As primeiras quatro pragas: Elementos: granizo, sangue, água amarga, escuridão. São elementos contra a natureza (Sb 11-12). Deus castiga aos poucos para dar tempo do pessoal se converter (Sb 11,20; 12,10; 12,20).

9,1–10,7 - Quinta e Sexta pragas (Sb. 11,17-18). Constata que no final da Sexta praga ainda não houve conversão. O sistema ainda continua oprimindo.

10,4-8 - O anjo faz um solene juramento: a justiça de Deus virá sem misericórdia. “Já não há mais tempo” (Ap 10, 6). O mistério de Deus se cumprirá como fora anunciado.

11,1-13 - Visão das duas testemunhas (Moisés e Elias). Elias volta para pregar o juízo final (Ecl. 48,10; Mal. 3,23).

11,14-19 - Sétima Praga – O Anjo toca a trombeta. O mal vai ser julgado e as opressões condenadas. O conteúdo do terceiro “ai” é todo resto do livro. Daqui para frente o tema vai ser julgamento e condenação.



BREVE RELATO DOS CAPÍTULOS 1 A 11


Resumindo

Cap. 1 – Introdução: define o tema, a metodologia, o destinatário, a urgência, o autor; a visão inicial é determinante para entender o Apocalipse.

Cap. 2 e 3 - As cartas trazem a realidade, resgata o rosto de Jesus e um anúncio.

Cap. 4 – Apresenta o autor da última etapa. Deus: o que ERA, É e VEM.

Cap. 5 – Quem vai executar o plano. O cordeiro (Jesus Cristo). Objetivo: tornar o povo um reino de sacerdotes – ano 33 – passado.

Cap. 6–11 – O roteiro da história começa a se abrir com a abertura dos selos.

1º Selo 6,1-2 – Cavalo branco.

2º Selo 6,3-4 – Cavalo vermelho.

3º Selo 6,5-6 – Cavalo preto.

4º Selo 6,7-8 – Cavalo esverdeado – (até aqui se refere ao ano 33 – passado).

5º Selo 6,9-11 – O plano de Deus vai continuar – (ano 95 – presente).

6º Selo 6,12–7,17 – manifestação da ira de Deus. – 7,1-8 – marca de Deus. 7,9-17 – a multidão se encontra.

7º Selo 8,1–11,19 – As pragas finais – julgamento – (o 6° e 7° selos se referem ao futuro).

Análise da historia



  • O passado foi de dominação, opressão, morte, sangue...

  • O presente – martírio – até quando?

  • Futuro - Império Romano em ruína, ele vai cair como um terremoto.

  • Futuro - Comunidades bonitas: 144.000 são salvos.

Para nós, cristãos/ãs, o véu começou a ser tirado com o Vaticano II, Medellin e Puebla. O povo começou a ter voz e vez, assumindo mais a sua história. A própria Igreja também começou a respeitar mais a história e a cultura do povo, vendo seu sofrimento. Contribuiu no debate dos problemas. E isto gerou maior participação e consciência, diminuindo o medo. Muitos agentes de pastoral, padres, religiosos e religiosas foram morar entre os pobres para apoiá-los na luta e prestar seus serviços onde se fazia necessário.

A iluminação bíblica e as celebrações baseadas nas lutas concretas contribuem muito para desvelar a besta-fera. Fermentam a fé e ajudam a derrubar o mito do poder. À medida que o povo foi e vai tomando consciência de sua história as celebrações começam a se tornar vida e não meros rituais.

Segundo o Pe. Tedesco, “Vale mais a evangelização feita em cima das lutas do que mil sermões feitos a todo vapor em cima do púlpito”.

CAPÍTULOS 12,1 A 22,2ª - ANÁLISE DA HISTORIA

Os capítulos 12 a 22 fazem outra análise da história: passado, presente e futuro. Mas com outro enfoque. Como a primeira análise não foi suficiente para desencurvar o pobre é necessário fazer outra. Provavelmente escrita em outro período.

Nos capítulos 4 a 11, João fala das perseguições. Agora, neste segundo roteiro, João vai falar do perseguidor. Dá nome a ele; explica como foi no passado e busca forças para continuar fiel ao projeto do Ressuscitado.

O centro do livro do Apocalipse são os cap. 12 e 13 e alguns vers. do cap. 14. A linguagem apocalíptica é uma linguagem de corte que muitas pessoas hoje não podem entender. No entanto, para os seguidores de Jesus daquela época havia fácil compreensão.

12,1-4 - Visão da mulher e do Dragão

12,5-6 - Deus intervém em favor da mulher

12,7-9 - O Dragão é expulso do céu

12,10-12 - Canto de vitória

12,13-17 - Perseguição da terra.


PASSADO – 12,1-18 - A luta da mulher e do dragão; mas já se sabe quem vai vencer: é a mulher. O menino nasce: é Jesus. Dragão é a “nova edição” da serpente antiga. O menino, começo da criação e da nova criação: morte e ressurreição.

João situa a perseguição nos anos 95, como uma etapa da história e a luta é da vida contra a morte.

O capítulo 12 tem três partes:

12,1-6 - Deus toma posição do lado da vida contra a morte. Deus defende a mulher (Eva, Maria, a humanidade, enquanto luta contra a morte) e o menino.

12,7-12 - A batalha no céu. Satanás está no céu e é o “dedo duro” da humanidade. É o acusador dos irmãos. Jesus teve a vitória. Morrendo, rasgou o livrinho das acusações contra nós. E Satanás é expulso do céu. Daí vem um canto de vitória. Derrota de Satanás. E a primeira coisa que ele faz ao cair na terra é perseguir a mulher que deu à luz ao menino (a igreja). E esta perseguição não é sinal de derrota. É sinal de vitória.

Até aqui, João está com o pé no ano 33.

12,13-18 - A mulher foge para o deserto. O dragão vomita um rio de água para afogar a mulher. O Império romano é “vômito de Satanás”. Mas a história (terra) vem em socorro da mulher. Como Satanás não conseguiu matar a mulher, agora persegue os filhos dela (as comunidades). Aqui já estamos no ano 95.

Portanto, analisando o passado, João mostra como Deus derruba os poderosos do trono e exalta os humildes. E revela isto através da desigualdade da luta: de um lado, o rabo do dragão derrubando uma terça parte da humanidade (12,4). Do outro lado, a mulher em dores de parto, seu momento mais forte porque gera vida (12,4-5). Aí mostra como Deus toma partido do fraco (12,6).

As dores de parto simbolizam todo trabalho que se faz em defesa da vida que já nasce ameaçada pela morte. João mostra também que a perseguição das comunidades faz parte de uma luta muito mais ampla que é a expressão do poder da morte. Mas o dragão perseguidor foi derrotado por quatro vezes: pelo próprio Jesus, por Miguel, por aqueles que acreditam em Jesus e pela própria história (12,7-17).

Como no antigo êxodo, Deus protege o seu povo e com asas de águia transporta-o para o deserto (Dt 32,11), onde o alimenta durante o tempo que dura à perseguição, “um tempo, dois tempos e meio tempo”. Três e meio, metade de sete (Dn 7,25; 12,7)!



12,15-17: Vendo-se derrotado, o Dragão-serpente vomita “um rio de água atrás da mulher, para que ela se afogue”. Este vômito é o Império Romano que invadiu o mundo. A imagem do rio para simbolizar o Império Romano vem de Isaías, que comparou a invasão assíria a um grande rio que arrasa tudo (Is 8,7-8). Mas a terra se abriu e engoliu o vômito. A história vai engolir o Império Romano! Vai engolir também o império neoliberal que hoje oprime a vida de tanta gente e marginaliza a maioria do povo.

DRAGÃO é o símbolo do poder do mal na história que tenta se perpetuar. O dragão transmite o seu poder à besta-fera. A BESTA-FERA é o poder político (sistema) organizado, encarnação do poder do mal. É a forma histórica do dragão. Ela sai do mar e recebe todo poder do dragão. E tenta aumentar esse poder através do domínio, do poder insolente através da outra besta (milagreiros, tecnocrata, todos aqueles que põem seu serviço à disposição da primeira besta) e do poder econômico.

12,18: “O Dragão ficou em pé na praia do mar”. Praia e mar simbolizam o mundo todo. O Dragão, apesar de já ter sido derrotado pela morte e ressurreição de Jesus, dá mostras de ser todo-poderoso, o dono do mundo. Trata-se de uma alusão a Roma, capital do império, situada perto do mar Mediterrâneo. Apesar de parecer invencível, o todo-poderoso está enfraquecido e irá desaparecer.


PRESENTE – 13,114,5 – Descreve a situação em que se encontram as comunidades.

13,1-2 - 1a besta = Nero

13,3-4 - Besta com caricatura do Cordeiro

13,5-8 - Efeito das ações da besta

13,9-10 - Esperança para as comunidades

13,11 - 2a besta = Domiciano

13,12-13 - Ação da besta

13,14-15 - Resultado da propaganda do Império

13,16-17 - Controle da besta através de seu poder

13,18 - O número da besta.

João descreve o mundo de baixo como dividido em dois campos em luta: de um lado, o campo do Dragão, da Besta, do Império (Ap 13,1-18); do outro lado, o campo de Deus, do Cordeiro, das Comunidades (Ap 14,1-5). Assim, ele prevê que o resultado da vitória de Jesus no mundo de cima se manifestará na vitória do Cordeiro sobre o Império.

O Dragão, “a antiga serpente” (Ap 12,9), se encarna no Império Romano, que aqui é descrito sob a figura de duas Bestas. A primeira Besta sai do mar (Ap 13,1), a outra, da terra (Ap 13,11). Ambas estão a serviço do Dragão. Esta maneira de apresentar o Império sob a figura de uma fera violenta vem do profeta Daniel, que apresenta os impérios dos Medos, dos Babilônios, dos Persas e dos Gregos sob a forma de quatro animais terríveis (Dn 7,2-8). São reinos animalescos! Eles desumanizam a vida. João acrescenta mais um reino animalesco, a saber, o Império Romano, simbolizado nas duas Bestas. Mudam as Bestas ao longo da história, mas o Dragão, o diabo, é sempre o mesmo!

O capítulo 13 descreve a decadência do dragão, a besta-fera que é o império romano e seus representantes e servidores. O número da besta é 666 (Ap 13,18).

O alfabeto hebraico não possui vogal e cada letra tem um valor numérico. Exemplo:

Num = 50 = N

Resh = 200 = R

Waw = 6 = 0

Num = 50 = N

Cof = 100 = C

Samec = 60 = S

Resh = 200 = R

Somando as letras de Neron César é igual a 666.

Domiciano é considerado a reencarnação de Nero. Um vem do mar e outro vem da terra. Todo o universo está dominado.
14,1-5 - Descreve o povo das comunidades (descendência da mulher) que resiste. O cordeiro é o representante da mulher. Não há nada em comum entre a besta e o cordeiro. Os seguidores do cordeiro seguem-no fielmente e sabem que a besta não é o seu Deus. Alimentam-se da fé e da verdade, se organizam de modo fraterno.

FUTURO - 14,6 até o fim - Já está decidido quem vai vencer a luta. Deus já julgou. João lê os fatos tentando mostrar Deus julgando os perseguidores. O tema aqui é JULGAMENTO que é igual condenação (14,6–20,15). Recompensa (21,1–22,21).

14,6-13 - Três anjos anunciam o futuro – paralelo com 14,14-20.

Aparecem três anjos que dizem o que vai acontecer: o primeiro diz: “chegou o dia do julgamento” (14,6-7); o segundo: anuncia a queda da Babilônia, capital do Império Romano (14,8); o terceiro: anuncia a derrota dos adoradores da besta-fera (14,9-11).

Do versículo 14 em diante, descreve aquilo que foi anteriormente anunciado. O exagero na referência ao sangue quer referir o extermínio total/completo. O julgamento chegou.

Para descrever a chegada do julgamento, João usa três imagens:

a) O Filho do Homem sentado numa nuvem branca (Ap 14,14). Esta imagem vem do Profeta Daniel. Ela indica que terminou o tempo dos Impérios animalescos. Chegou a hora definitiva do julgamento, na qual o Reino será entregue aos Santos (Dn 7,9-28).

b) A foice na mão do Filho do Homem (Ap 14,14-16) e na mão de anjo (Ap 14,17-18. Esta imagem indica que chegou a hora da colheita. De fato, um anjo grita: “Lança a foice! É hora da ceifa!” A mesma imagem aparece nos evangelhos (Mt 13,36-43; Jo 4,35).

c) Cortar as uvas maduras e pisá-las no lagar (Ap 14,19-20). Outra imagem do Primeiro Testamento (Is 63,1-3) para indicar que o tempo da colheita chegou. Ela acentua o aspecto terrível e sangrento da história humana. Novamente, um anjo grita: “lança tua foice! Faz a colheita das uvas!” Foi feita a colheita e as uvas foram lançadas no lagar do furor de Deus. Os cavalos pisaram e o sangue das uvas atingia os freios dos cavalos, numa extensão imensa! Atingindo a todos que aderiram à mentira. Esta imagem evoca os massacres terríveis praticados pelo Império Romano, nos quais João vê a realização do julgamento de Deus.

Estas imagens refletem a dimensão do julgamento. Uvas e trigo não reagem, apenas caem debaixo da foice. Já não se pergunta se os homens querem se converter. O tempo da conversão que lhes foi dado já passou. Eles não quiseram converter-se (Ap 9,21). Agora é a condenação do Império que se fechou em si mesmo e recusou a oferta da conversão. Como trigo e uva debaixo da foice, assim o Império se desintegra e cai. Não tem como resistir contra Deus.



15,119,10 – A queda de Roma. Começa com uma grande celebração litúrgica no céu. É a confirmação da história do julgamento. É o cântico de vitória. A prostituta já foi derrubada. Aparece a noiva do Cordeiro para o casamento.

Cap. 15 e 16Reedição do êxodo / pragas.

Cap. 16 - Descreve a ação de cada anjo:

1º anjo – derramou sua taça na terra

2º anjo – despejou sua taça no mar

3º anjo – despejou sua taça nos rios e nas fontes

4º anjo – despejou sua taça sobre o sol

5º anjo – despejou sua taça sobre o trono do Cordeiro

6º anjo – despejou sobre o grande Rio Eufrates

7º anjo – despejou sua taça no ar.



Cap. 17 - A besta mencionada no v.8 é o imperador Nero, já morto. O final do versículo diz: que a repressão de Domiciano será pior que a de Nero. O versículo 10 diz que: 5 reis já caíram: Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio e Nero.

Com estas interpretações e chaves de leitura o Apocalipse não pode gerar medo na atualidade, mas sim, esperança.



Cap. 18 – descreve a situação de Roma usando o simbolismo de Babilônia.

19,1120,15 - João não acredita na conversão do império. O Verbo de Deus vai terminar o julgamento. Roma já está destruída, mas a espada da besta ainda anda por aí. Os que se organizam para manter a estrutura do mal serão destruídos.

Os que derramaram seu sangue na luta deixaram sementes (20,5). Estes viverão na memória do povo para animá-lo. A morte não tem poderes sobre aqueles que se entregam pelo Evangelho e o amor aos outros. O sangue do mártir gera vida nova.



Cap. 19 - Títulos para o Cordeiro: Fiel, verdadeiro, verbo de Deus, Todo poderoso, Rei dos reis, Senhor dos Senhores.

Cap. 20,1-3 – O dragão é preso por 1000 anos.

20,4-6 - expansão do Reino de Cristo.

20,7-9a - As forças do dragão e da mulher se enfrentam.

20,9b-10 - Derrota definitiva do dragão.

20,11-12 - Julgamento dos mortos.

20,13-14 - Julgamento, condenação e morte da morte. Não existe mais morte. Agora é só festejar. Não há morte, nem dor, nem tristeza. A morte foi vencida pela própria morte.

20,15 – Condenação dos seguidores da besta.

21,122,21 - O futuro segue como uma nova criação de Deus. A semente deste futuro está nas comunidades que se organizam e, ao mesmo tempo, dão uma amostra deste futuro.

21,1-8 – Tudo Novo.

21,9-27 – Nova Jerusalém

O capítulo 21 descreve o projeto da comunidade “uma realidade sem covardes, mentirosos, infiéis, assassinos. O povo reinará junto com Deus”. A nova sociedade é uma sociedade perfeita, com portas sempre abertas, sem templo ou palácio, sem quartel. Neste lugar, só há espaço para a verdade.

22,1-5 – Novo paraíso. Em resumo, o texto mostra o jardim do Éden – cidade maravilhosa. A vida começa e termina no paraíso. Adorar a besta é desvirtuar este desígnio.

Sete pontos sobre o futuro = recompensas

O futuro que Deus oferece é como uma nova criação. Tudo está iluminado.

É um novo paraíso terrestre.

É uma nova aliança: a integração perfeita.

É uma nova organização das doze tribos perfeitas.

É uma nova cidade Santa: Jerusalém.

É um povo renovado, bonito como uma noiva.

É Deus que se oferece a si mesmo, Deus presente no meio do povo.


11. MOVIMENTO APOCALÍPTICO

O Apocalipse faz parte da literatura apocalíptica: 1Mc 9,27; Zc 1,4; 7,7.

Os apocalípticos consideravam o mundo como que dividido em dois planos: o mundo hostil cá de baixo e o mundo acolhedor lá de cima, como se fossem dois mundos paralelos: “este mundo” e “o outro mundo”. O mundo real e o mundo da utopia. O mundo de cima = a utopia e o mundo de baixo = o mundo real, ou seja, o Brasil que temos e o Brasil que queremos.

Para o movimento apocalíptico o mundo seguro era o de cima. O mundo de baixo é inseguro, ameaçador, passageiro, pois deve ser transformado. O trono de Deus se encontra no mundo de cima, onde mora o juiz.

No tempo de João, fim do primeiro século, no mundo de baixo, as comunidades cristãs estavam sendo hostilizadas e perseguidas pelos poderosos da terra. Elas viviam na contra mão e não tinham como se defender. As forças contrárias eram mais fortes. Nenhuma comunidade era capaz de enfrentar a ideologia dominante da época. Humanamente falando, não havia futuro para elas. João tem uma visão a respeito daquilo que se tinha passado no mundo de cima. Ele presenciou o julgamento que tinha enfrentado e vencido o acusador, satanás (Ap 12,1-6). Joga-o para terra (Ap 12,7-12). Por isso satanás decidiu perseguir os seguidores/as de Jesus, espalhados pelo império romano (Ap 12,13-17). Deste modo, ele mostrava para as comunidades que de acordo com o plano de Deus, a perseguição, em vez de ser um motivo de desespero, devia ser vista como motivo de esperança e de alegria. Pois no mundo de cima a vitória já estava ganha. Em breve, no dia de Javé, a vitória de Jesus era certa.

O Movimento Apocalíptico surge quando os pobres e oprimidos sentem que a história parece estar à deriva, sem controle, ameaçada de desintegrar-se. Ele surge não do lado de quem conduz a história, mas, sim, do lado de quem por ela é esmagado. Diante do mundo ilimitado e ameaçador do império, os pobres experimentavam uma total impossibilidade de interferir no rumo das coisas para transformar a situação. Já não eram donos de nada. Estavam sem nenhum poder num mundo que os explorava e os excluía. Sem ter onde se agarrar, o povo pobre das aldeias da Palestina procurava sobreviver reforçando em si a fé de que o Deus dos Profetas continuava sendo o Senhor da história e do mundo: “Deus é grande! Ele saberá realizar a sua promessa! Ele nos salvará!” o movimento apocalíptico é a nova forma de profecia em época de império. É a teimosia da fé dos pequenos que não entregam os pontos e não querem deixar morrer a esperança! Esta fé, além de teimosa, é concreta. Ela não aguenta viver muito tempo sem sinais palpáveis e sugestivos. Por isso, os apocalípticos inventam formas de crer. São formas que o povo pobre encontra ou cria para não se perder e conseguir sobreviver.


12. CONCLUSÃO

“O autor do Apocalipse se sente em casa na Escritura. Por isso a usa com liberdade. Do seu tesouro sabe tirar coisas novas e velhas. Tem familiaridade, fidelidade e criatividade. Por meio desta leitura orante da Escritura ele ajuda o povo a entender e a ver melhor o momento histórico do fim do primeiro século”.


13. COMPROMISSO


  • 1) Como você vai semear a esperança do Apocalipse no agir cotidiano e na sua comunidade?

  • 2) Como você (o grupo) enriquecido com o estudo bíblico pode se comprometer a partilhar o que recebeu com quem não teve essa oportunidade?



14. BIBLIOGRAFIA

- Tua Palavra é vida, V. 7, O sonho do povo de Deus, Ed. Loyola: CRB 1993;

- Como ler o Apocalipse, José Bortolini, Ed. Paulus; 2ª Edição – São Paulo 1994;

- Curso de Bíblia por Correspondência, Módulo 13: As comunidades da terceira geração Cristã – CEBI 2004;

- A Palavra na Vida, n° 119/120: Apocalipse de João – CEBI 1997;

- A Palavra na Vida, n° 127/128: Apocalipse de João – CEBI 1998;

- A Palavra na Vida, n° 131/132: Apocalipse de João – CEBI 1998;

- A Palavra na Vida, n° 141: Apocalipse de João – CEBI 1999;

- MESTERS, Carlos; OUROFINO, Francisco. Apocalipse de João, Esperança, Coragem e Alegria. 2ª ed. São Paulo: CEBI/Paulus, 2002;

- CORSINI, Eugênio, O Apocalipse de São João, Edições Paulinas, São Paulo, 1984.






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