1. programa de desenvolvimento de vargem das flores



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3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS


A metodologia seguida nos trabalhos é a seguinte:


  • leitura e interpretação de mapas geológico e geomorfológico;

  • fotointerpretação às escalas 1:30.000 e 1: 8.000, visando ao reconhecimento da área, à complementação de informações geológicas e geomorfológicas e à identificação e cartografação de processos geodinâmicos;

  • caminhamentos de campo sistemáticos, com vistas à complementação dos dados acima, ao exame local do caráter de solos e rochas, à tomada de fotografias ilustrativas e eventualmente de amostras;

  • trabalhos de gabinete incluindo a leitura de textos gerais e específicos, a elaboração de desenhos e mapas e a elaboração dos escritos relacionados ao tema.

4. DIAGNÓSTICO

4.1. Unidades Geológicas e Principais Litologias Presentes


A área do Projeto está incluída na Folha Contagem do Mapa Geológico da Região Metropolitana de Belo Horizonte, escala 1:50.000, elaborado pela Equipe Técnica da Diretoria de Geologia do Instituto de Geociências Aplicadas (1982). Para composição deste capítulo, foram também consultadas, como fontes de informações básicas, a Carta Geomorfológica da RMBH, escala 1:25.000, Folhas Betim (21), Contagem (4), Ribeirão das Neves (2) e Caracóis (20), e as respectivas Cartas de Declividade (PLAMBEL, 1984).
Do ponto de vista geomorfológico a área caracteriza-se como um planalto com cotas variando entre o nível do lago, cerca de 840m, e cotas de até 1.030m, sendo todavia exíguas as áreas de altitude maior que 950m, sempre associadas a exposições rochosas isoladas em contornos circulares e ovalados. Portanto em relação a superfícies de extensão significativa, a amplitude dos desníveis não supera os 100m. A dinâmica natural é moderada, não havendo evidências inequívocas de grandes movimentos de massa, nem entalhamentos enérgicos. Todavia estão presentes terrenos de alta erodibilidade, que sediaram a implantação de profundos e extensos ravinamentos ativados pela ação antrópica, alguns deles provavelmente anteriores à chegada do colonizador e possivelmente a maioria ativada durante o Ciclo do Ouro.

A carta geomorfológica citada classifica a maior parte da área em sua Unidade III de Associações de Elementos Morfológicos - “topos abaulados com vertentes côncavas e vales côncavos” e subordinadamente na Unidade VII - “topos abaulados com vertentes convexas e vales côncavos”. A clinometria, proporcionada pela Carta de Declividades, revela grande concentração na Classe E (< 10%) e B (10 - 20%); a Classe C (20 - 30%) vem a seguir, mais retalhada , e as Classes B (30 - 47%) e A (> 47%) caracterizam faixas exíguas, frequentemente nos pontos de inflexão dos topos abaulados para as vertentes côncavas.


As rochas predominantes na área pertencem ao Complexo Basal Indiferenciado, de idade Arqueana. Tais rochas são biotita-gnaisses, granitóides e migmatitos. Segundo o IGA, esse substrato é cortado por intrusivas de idade incerta do clã do gabro-norito, incluindo metabasaltos e metadiabásios eventualmente exibindo textura anfibolítica. A tais intrusivas estão associados solos residuais argilosos vermelhos envolvendo blocos arrendondados por disjunção esferoidal. Ocorrem essas intrusivas sob a forma de diques (subverticais) delgados, os mais extensos com orientação para NW e os mais curtos, e menos numerosos, orientados para NE. Ocasionalmente contrastes de comportamento com a encaixante, face ao intemperismo, são denotados por expressão topográfica marcante. É ainda da mesma fonte a atribuição ao Grupo Macaúbas de diques clásticos ocorrentes principalmente a oeste do reservatório de Vargem das Flores. Esses diques são constituídos de arenitos mal selecionados, silicificados, às vezes feldspáticos e granulometricamente variando de arenitos conglomeráticos a siltitos. CHAVES (1996) classifica os diques máficos em 2 gerações, a primeira, de idade proterozóica inferior (2,0 Ga), representada por diques metamorfizados, e a segunda do Proterozóico Superior, não metamorfizados, representada por diques de 0,9 Ga.
Rochas de idade proterozóica filiadas a outras unidades geológicas, ocorrentes regionalmente, não estão cartografadas na área, havendo possibilidade de detecção, sem, todavia, significado relevante em planejamento, dada a sua previsível exiguidade.
Depósitos aluviais, ou muitas vezes alúvio-coluviais, estão preenchendo abundantemente as principais calhas fluviais da área, e baixas vertentes. Sua ocorrência tem grande relevância em planejamento, quer pela posição em que ocorrem, já naturalmente atraindo a ocupação, a implantação do sistema viário, o uso agrícola, a construção de represamentos; quer por sua utilidade, quando areno-cascalhosos ou mesmo argilosos, desde que uns e outros pouco contaminados; quer ainda por constituírem domínio geológico muito dinâmico, muito acrescido nos séculos anteriores pelo intenso ravinamento resultante da atividade pioneira de agricultura de subsistência e pastoreio nos terrenos muito erodíveis do manto de alteração dos gnaisses.

4.2. Relevância para o Planejamento e a Gestão


A relevância destes estudos de Geologia Básica para o planejamento e a gestão do desenvolvimento sustentável da Bacia de Vargem das Flores expressa-se nos qualificativos gerais abaixo expostos, também representados no Mapa 1 apresentado em anexo.
Gnaisses e seu manto de intemperismo constituem praticamente todo o substrato local, caracterizando-se aí o item mais expressivo quanto à relevância (constituem o suporte predominante da atividade humana na área). Dele resultam a configuração morfológica da área, o caráter típico dos produtos de intemperismo mais expressivos e o dos próprios sedimentos alúvio-coluviais. A ocorrência de importantes maciços de rocha exposta ou sob escasso manto de intemperismo e a proximidade com áreas em dinâmico processo de urbanização conferem-lhes importância econômica potencial como fontes de pedra britada. A condição que ostentam de aqüífero fissural, com a possibilidade de vazões variando previsivelmente entre 5m3/h até valores máximos entre 20 e 30 m3/h para poços tubulares de 60 a 100 m de profundidade, é também relevante dada a inexistência de grandes aqüíferos granulares profundos.
Os diques máficos acima referidos desempenham, em si, papel geotécnico secundário, principalmente para obras superficiais, podendo ser desprezados para fins de planejamento. Não obstante poderão vir a apresentar importância hidrogeológica significativa os que se comportem como septos impermeáveis em relação ao aqüífero fissural dos gnaisses. Quanto a este aspecto, vale acrescentar que costumeiramente exibem-se à superfície como amontoados de blocos esferoidais em que o núcleo são, e muito duro (pedras ferro ou “cabo verde”), está envolto em camada intemperizada de coloração amarelo ocre a vermelho ferrugem. O solo nas áreas de ocorrência é sempre vermelho, argiloso, e o relevo é positivo em relação aos terrenos adjacentes (cristas de centenas de metros a quilômetros de extensão). Possivelmente a sua alteração por intemperismo propicia a auto-colmatação das fraturas, conferindo-lhes o papel hidrogeológico de septos ou barreiras de permeabilidade.
A segunda unidade geológica em ordem de relevância para fins de planejamento é representada pelas formações aluviais constituídas de sedimentos areno-argilosos presentes praticamente em todos os fundos de vales, excetuadas porções encaixadas em altas cabeceiras. À vista de esses vales, em suas cabeceiras principais ou dos tributários, terem sido fortemente afetados por ativa erosão, desde os tempos iniciais da ocupação pelos paulistas, e possivelmente ainda pelas ações volantes de ameríndios, parte significativa desses sedimentos deve ser considerada de origem antrópica. Testemunhos da intensa atividade dessa erosão encontram-se em toda a bacia, mas particularmente concentrados no campo de voçorocas do extremo noroeste em Nova Contagem e imediações.
Nas áreas urbanizadas do extremo sudeste da bacia muitas feições antigas foram reativadas pelo aumento dos caudais antrópicos sobre elas despejados, e outras foram preenchidas com botafora, entulho e lixo. Abertas a jusante e, em geral, sem contenção apropriada, a erosão sobre esses materiais novos tem cedido material para os vales a jusante.
Como parte dos escoadouros está em condições naturais, parte em transformação e outros finalmente canalizados, a eficiência desses escoadouros quanto ao transporte do caudal sólido é muito variada. É forçoso daí concluir que há muito material em trânsito, com destino certo no reservatório de Vargem das Flores, ou nos pequenos reservatórios locais, também expostos ao assoreamento.
A relevância para a gestão, já acima sumariada, repousa nos seguintes valores principais: recurso natural (areias, cascalheiras, etc); aqüífero superficial (vulnerável); armazenamento provisório para recarga do aqüífero fissural; agricultura; urbanização.
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