1. programa de desenvolvimento de vargem das flores



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4.6.Recursos Tecnólogicos


Não é o objetivo deste item cobrir cansativamente todo o campo das tecnologias convencionais aplicadas ao desenvolvimento, mas apresentar um sumário de recursos tecnológicos disponíveis em suas configurações básicas, dando ênfase aos que não vem sendo sistematicamente aplicados apenas porque, e isto não exclui mesmo o 1 mundo, não tem sido amplamente explorados os valores do sistema geológico como infraestrutura dos assentamentos humanos.
Chama-se atenção para o fato de que tecnologia aqui, como sempre deve ser em matéria relacionada à gestão, inclui as formas de agrupar recursos tecnológicos básicos à solução de problemas, inspiradas essas formas nas necessidades especificamente caracterizadas para o objeto. Esse objeto é cada uma das unidades de terreno acima descritas, esquematicamente ilustradas na Fig. 1, e cartografadas no Mapa 2 - “Unidades de Terrenos”, ambos apresentados em anexo.

4.6.1. Coleta e Uso de Águas Pluviais


Mecanismos de coleta e uso de águas pluviais devem ser vistos com o duplo objetivo de cunho econômico e ambiental. Do ponto de vista estritamente econômico, a coleta vai justificar-se principalmente nos casos em que o interessado disponha de grandes coletores prontos (telhados e pátios cimentados) e tenha demanda compatível com a qualidade de água recolhida. Do ponto de vista ambiental, a coleta sempre se justifica pelo seu precioso potencial de contribuir para a prevenção da erosão, do assoreamento e das inundações.
Na bacia de Vargem das Flores tipificam as atividades produtivas que reúnem as duas condições acima representadas pelas empresas que dispõem de grandes galpões e pátios cimentados (empresas de montagem industrial, serralherias, garagens de ônibus, granjas, pocilgas, fazendas convencionais). Prédios comerciais e públicos, como depósitos, prédios escolares, residênciais e outros podem usar as águas pluviais coletadas em telhados para uso em sanitários, rega de hortas e jardins, lavagem de veículos, calçadas, roupas, embalagens.
A coleta a partir de telhados requer tão somente calhas apropriadas, filtros e caixas d’água (sobre pilares de concreto, de modo a permitir o uso por gravidade, ao nível do chão ou enterradas). Em prédios já existentes, deve-se estudar adequadamente as condições que ofereçam para a implantação, e quanto aos prédios novos, poderão ser incluídas nos respectivos projetos arquitetônicos as soluções mais adequadas.
Na área em questão, o maior interesse ambiental pela coleta das águas deve incidir na Superfície de Topo, onde a prevenção da erosão justifica-se com força maior, e também a economia de energia, principalmente em fazendas, que dependam de bombeamento próprio.
A coleta de águas pluviais é medida tipicamente de cunho compensatório, principalmente nas áreas urbanizadas, de ocupação densa, horizontal, para as quais deve ser fixada por exigência legal.

4.6.2. Infiltração Estimulada ou Forçada


A disposição de efluentes inertes (terra e escombros de demolições, com nível de contaminação controlado na recepção), seguida de um uso definitivo, preferencialmente de cunho institucional e comunitário (como áreas verdes, parques, complexos desportivos), pode fazer-se de modo a estimular a infiltração.
A manutenção de condições favoráveis à infiltração nas áreas receptoras permite retirar de circulação superficial imediata um volume de águas pluviais da ordem de 10% do volume do material descartado.

Áreas de botafora bem estabelecidas e operadas podem contar com dispositivos de injeção ou infiltração forçada, de baixo custo de execução (consistindo isto na construção de colunas de manilhas de concreto poroso, que vão crescendo envoltas no depósito à medida que este cresça. Concluído o depósito, tais colunas poderão receber acabamento apropriado visando à segurança e ao seu bom funcionamento, e para elas poderão ser dirigidos os fluxos locais de pequena vazão, diminuindo dessa forma as necessidades locais de drenagem superficial).

O dispositivo, implantado em numerosas feições de médio e grande porte, tende a reduzir a erosão (e o assoreamento conseqüente), os custos de drenagem pluvial, e a perenizar os mananciais locais.

Aspectos geotécnicos desses dispositivos estão expostos no último sub-item - Considerações Geotécnicas.


4.6.3. Sanitários Secos


Na Calha Aluvial, em geral nas margens do reservatório, e em partes mal drenadas da Superfície de Transição, o esgoto doméstico constitui um grave problema ambiental, e de engenharia sanitária. Uma alternativa posta em prática na Bélgica, e recentemente adotada em empresas do sul da Bahia, pode dar contribuição significativa para atenuar as demandas pela solução convencional baseada em interceptores e tratamento de esgotos, dado que para tais áreas a fossa séptica não é a solução apropriada, por não existir volume suficiente de solo aerado para a necessária depuração (lençol freático sub-aflorante).
Trata-se do sanitário seco, que consiste em lançar os dejetos diretamente num depósito removível, que substitui o vaso sanitário, ou a ele acoplado, onde serão imediatamente cobertos de serragem, eliminando o odor. Preenchido o depósito, seu conteúdo é descarregado em local apropriado, onde se desenvolve processo natural de transformação do material em composto orgânico, capaz de substituir a adubação química. Relata-se (Folha do Meio Ambiente, 1/97) que, além de inodoro, não ocorrendo a diluição, não ocorre a elaboração de substâncias ambientalmente indesejáveis, como fósforo e azoto, produzidas no processo químico entre a água e os dejetos humanos e que representam uma das principais causas da contaminação dos lençóis freáticos e dos lagos e rios de onde se retira a água. Esse processo representa ainda uma significativa economia dos gastos que têm de ser feitos para fazer a ligação hidráulica das residências às redes públicas de esgoto. Essa solução pode representar ainda uma economia de 30% no consumo de água, percentual que a água usada nos sanitários costuma representar no consumo total de uma residência.

4.6.4. Reabilitação de Áreas Erodidas


Existem numerosas cavidades resultantes de erosão antrópica dispersas por toda a área, com significativa incidência em áreas urbanizadas. Concentração excepcional ocorre na extremidade noroeste, região de Nova Contagem, onde formam verdadeiro “campo de voçorocas”. Algumas dessas feições foram entupidas de forma improvisada e empírica e outras subsistem como chagas no tecido urbano, onde constituem áreas de risco para populações fixadas precariamente em suas bordas ou mesmo em seu interior, focos de insalubridade, receptáculos de lixo lançado clandestinamente, áreas de trânsito de águas servidas. Em alguns casos, em zonas ainda rurais, podem estar densamente ocupadas por vegetação de porte e portanto extintas enquanto processo; em outros, reativadas como feições de erosão em conseqüência da atividade antrópica mais recente; outras ainda, receberam no seu interior habitações improvisadas ou campos de futebol, também improvisados.
Aquelas feições do meio rural, ou enquistadas em condomínios, e que estejam atualmente estabilizadas e completamente tomadas por vegetação, devem ser protegidas (nas fazendas, mantendo-as exatamente como estão; nos condomínios, pela fixação de faixas de segurança adequada e delimitada por dispositivo apropriado, de modo a garantir que seja evitado o lançamento de materiais e a descarga de sistemas de drenagem.
As demais feições, todas elas, devem ser objetos de ações de reabilitação, antes de serem destinadas a usos definitivos, devendo-se considerar que tais ações de reabilitação, implementadas diretamente ou mediante parcerias ou concessões, são, também sem exceção, antes que demandantes de gastos admissíveis, geradoras de retorno econômico direto ou indireto.
Foram detectados em trabalhos de campo situações que indicam a reabilitação parcial e a reabilitação integral.
A reabilitação parcial pode ocorrer em 2 casos distintos. No primeiro caso, a feição encontra-se ativa quanto à erosão, mas não há demanda local de botafora para o enchimento imediato. Todavia ameaça pequenos reservatórios e o próprio reservatório principal, ou os arruamentos a jusante. Neste caso, justifica-se bloquear a saída, na seção mais estrangulada, com dique retentor de gabião, ou equivalente, de pequena altura, que permitirá a retenção do caudal sólido, permitindo a passagem de água. Com isto grandes benefícios serão alcançados: a jusante evitando os distúrbios próprios do assoreamento, e economizando recursos públicos e particulares nas operações consequentes; a montante, dando início ao processo de atenuação gradual da erosão (que só prospera quando os materiais erodidos são transportados para fora da feição). Nesses casos, mudando o quadro das demandas locais, sobre a base já implantada, torna-se fácil completar a reabilitação, alteando o dique retentor e promovendo a disposição de terra e entulho como no projeto de reabilitação integral.
O segundo caso de reabilitação parcial pode aplicar-se a situações parecidas com a anterior, mas onde um uso de interesse público tenha sido implantado precariamente. É o caso dos campos de futebol de várzea, quase todos ocupando o fundo da feição e sujeitos à presença permanente ou sazonal de nascentes tecnogênicas. Nesses casos, a implantação do dique retentor como acima ensejará o preenchimento parcial da feição, formando-se um talude suave a montante do dique, culminando com a plataforma horizontal do campo, a um nível de 3 ou mais metros acima do atual. Nessa plataforma pode reimplantar-se o campo cerca de 0,5m mais alto que a periferia. Desta forma, o piso do campo estará sempre drenado, mesmo que persistam fontes permanentes ou sazonais na cabeceira e laterais. Nesses casos, além dos ganhos anteriores, pode o detentor do campo de futebol receber pelo material lançado e ter após o lançamento um equipamento funcionalmente muito melhor que o atual.
A reabilitação integral aplica-se aos casos de feições invadidas, sem vegetação expressiva, usadas clandestinamente como áreas de recepção de botafora, entulho e lixo, e palcos de erosão ativa e de situações de risco e de insalubridade. Situadas em áreas de grande demanda de botafora de terra e entulhos, podem ser objeto de reabilitação integral e definitiva concebida como nos casos que, nestes Trabalhos, tenham sido objeto de projetos básicos. Nesses casos, paradigmáticos da aplicação do princípio das soluções compartilhadas, além de ser atendida a demanda local, o que pode ser feito mediante pagamento por m3 lançado, restam localmente resolvidas ou atenuadas as disfunções da erosão, assoreamento, inundações, esgotamento de recursos hídricos, risco, insalubridade, doenças infecto-contagiosas e até a criminalidade (muito acentuada pela exclusão social e pela dificuldade de ação das forças de segurança pública).

4.6.5. Assoreamento Induzido


Dentro do Grupo Tecnologia é um item importante. O recurso ao assoreamento induzido justifica-se por duas vias. A primeira vinculada ao fato sobejamente conhecido de que a criação de níveis de base locais promove a deposição de materiais transportados por arraste e menos eficientemente dos que vão em suspensão mecânica. Aplicada ao caso, a destinação final, enquanto perdure o barramento, é o reservatório por ele criado. Sabidamente muito dispendiosa a operação de desassoreamento, restam duas saídas para aqueles a quem compete garantir a perenidade do reservatório: eliminar a erosão (e o transporte de material já em trânsito) ou induzir o assoreamento a montante do reservatório.
A realidade mostra que nenhuma das duas soluções é individualmente exeqüível com nível de eficiência elevada, daí resultando que devem ser postas em prática as duas providências simultaneamente.
A erosão e o transporte inicial ficam satisfatoriamente controlados se forem implementados os projetos de reabilitação de áreas degradadas por erosão linear retendo-se aí inclusive materiais em trânsito gerados pela erosão laminar das bacias a montante. Nas áreas de contribuição que não sejam tributárias dessas áreas de reabilitação, um esforço maior deve ser concentrado no controle da erosão laminar, através de reflorestamento e manejo apropriado.

A indução do assoreamento nas situações residuais deve ser promovida por duas vias complementares: a primeira imediatamente a montante do reservatório por meio de diques nas quatro principais entradas do reservatório (embocaduras dos córregos Água Suja, Morro Redondo, Betim e Bela Vista). As respectivas soluções devem ser rigorosamente aderentes às condições de cada um desses cursos d’água, afigurando-se, preliminarmente, possíveis as seguintes soluções:




  • Sub-Bacia do Córrego Água Suja: Barramento junto à foz, de pequena altura, com refluxo de cerca de 1km para montante: complementação, se necessário, aproveitando a passagem sob a MG - 432, com as necessárias adaptações.




  • Sub-Bacia do Córrego Morro Redondo e do Ribeirão Betim: As sub-bacias, somadas, representam mais de metade da área total, da Bacia de Vargem das Flores, sendo a segunda intensamente urbanizada e, portanto, com grande eficiência de transporte. No caso as circunstâncias parecem recomendar fortemente a adoção de solução comum, aí abrindo mão de parte do estreito braço do reservatório a uma distância conveniente da foz. Mais para montante em ambas as sub-bacias, existem pontos de estrangulamento favoráveis a barramentos complementares.




  • Sub-Bacia do Córrego Bela Vista: É a menor bacia individual a leste do reservatório. Contudo, dado o alto gradiente e a previsão de muita movimentação de terras nas cabeceiras, é previsível o aporte de muito material, justificando-se o barramento junto à foz no pequeno golfo. Este é também caso em que, sendo grandes os volumes previstos, possivelmente se justifique o sacrifício do pequeno golfo, pondo o barramento à sua entrada no Reservatório.

A segunda via recomendada de implantação do assoreamento induzido consiste na execução de diques retentores de baixo custo em todas as cabeceiras que venham a ser ocupadas ou destinadas a uso que estimule a erosão, envolvendo dezenas ou mais de uma centena de locais. Neste caso os diques retentores podem ser implantados em seqüência, de montante para jusante, gerando pequenas esplanadas, que serão utilizáveis para fins diversos, em especial para suporte de bosques integrando parcelas não edificáveis de loteamentos, ou prestando-se à plantação de hortas e árvores frutíferas, em áreas rurais ou de ocupação por quintas de grande extensão.


O assoreamento induzido deverá ser praticado também pelos detentores de pequenos reservatórios locais, igualmente com vistas a evitar a sua perda.

4.6.6. Extração de Águas Subterrâneas Poços Tubulares


A construção e operação de poços tubulares é um dos recursos tecnológicos sobejamente conhecidos para a extração de água subterrânea. Como tal, e tomada isoladamente, constitui um recurso de gestão setorial que visa à promoção do suprimento de água em áreas carentes do recurso superficial, quando não em termos absolutos, pelo menos em termos relativos (qualidade e custos de tratamento e adução). Não faria sentido, exatamente ao redor do reservatório feito para fins de suprimento, incluir aqui este recurso não fosse a sua potencialidade mais ampla, de contribuir para um melhor desempenho do assentamento urbano por suas interações com os demais recursos tecnológicos aqui discutidos. Com efeito, detém este recurso o potencial precioso de absorver demandas localizadas, a) evitando a construção de redes anti-econômicas; b) absorvendo o crescimento vegetativo da demanda, quando o sistema geral está sobrecarregado e a sua ampliação demanda custos elevados e longo prazo de implantação; c) substituindo o sistema geral em suas quedas previsíveis ou fortuitas; d) (não menos importante) criando demandas concretas de proteção dos aqüíferos; e) contribuindo para a prevenção de erosão, assoreamento e inundações (ver item seguinte).

A tecnologia da extração de águas subterrâneas está suficientemente desenvolvida para prover soluções, em áreas como a da bacia de Várzea das Flores, para pequenas demandas, com tempo de amortização do investimento da ordem de menos de um décimo da vida útil dos poços tubulares implantados.


4.6.7. Considerações Geotécnicas e Hidrológicas


Os recursos tecnológicos acima sumariados, individualmente ou agrupados, podem ser objeto da exposição ao mais severo crivo de exigências relacionadas ao seu desempenho geotécnico. Sumarizam-se a seguir as principais:


  • Coleta

No caso de coleta a partir de telhados, nos prédios existentes, o coletor está pronto, mas podem ser necessárias adaptações mais ou menos improvisadas para o armazenamento e a disponibilização da água. São adaptações em geral simples e pouco dispendiosas. Nos casos de projetos novos, caberá ao arquiteto desenvolvê-los já com o sistema incluído, constituindo esta uma oportunidade adicional de desenvolver a solução de forma criativa.


A coleta pode também ser feita a partir de pátios e vias asfaltadas, interressando empresas (para uso em resfriamento industrial, p. ex.), ou a própria prefeitura. Serão em geral projetos mais típicos da área de engenharia.
A questão geotécnica pode assumir certa relevância nos casos de serem adotados reservatórios semi-enterrados ou subterrâneos, principalmente na Calha Aluvial ou na Superfície de Transição, onde o respectivo projeto geotécnico deve ser provido com vistas a evitar imprevistos.


  • Infiltração Forçada

A infiltração forçada (ou estimulada), pode completar a infiltração proporcionada pela vegetação de várias formas: através de poços escavados como tubulões e revestidos por manilhas porosas; através de poços tubulares (situações hidrogeológicas especialmente favoráveis); através de cisternas de injeção que são construídas simultaneamente com os aterros de botafora (aumentando grandemente a eficiência da infiltração, dado que a infiltração de cima para baixo tem sua eficiência limitada pela contracorrente de ar, que tem de subir para ser substituído pela água, que tem de descer).




  • Diques Retentores

Implantados à saída das voçorocas ativas, e equipados de filtros adequados, retêm as partículas sólidas, desta forma transmitindo para montante seu efeito estabilizador da erosão, dando tempo à vegetação para fixar-se e diversificar-se em gerações sucessivas. Usados como anteparos frontais de aterros feitos com botafora e entulhos, permitem a estabilização desses maciços, e o consequente armazenamento de uma quantidade de água em proporção não menor que 10% do volume de material disposto. Muitos técnicos têm alegado a necessidade de dispositivos de drenagem dispendiosos e uma compactação bem feita do material disposto. Nos casos para os quais a solução é indicada, tais dispositivos e cuidados executivos são rigorosamente dispensáveis, e apenas inviabilizam economicamente a solução. De fato, inúmeras feições do tipo já foram preenchidas clandestinamente sem um caso sequer de imprevisto, e isto é facilmente explicável do ponto de vista geotécnico (drenagem e condições de suporte do terreno ao fundo da feição); quanto à compactação, considerando o destino final da área reabilitada (excluindo construções de porte ), além de desnecessária , causa o grande prejuízo de reduzir o volume de poros, e portanto a capacidade de armazenamento.

Não obstante o acima referido, é extremamente importante chamar atenção para a necessidade imperiosa de bem caracterizar do ponto de vista geodinâmico as feições para as quais se indicam tais tratamentos. Com efeito, devem ser aquelas feições seguramente desenvolvidas em processos de erosão antrópica. Em tais feições em geral não houve condições de formação de corpos expressivos de argilas orgânicas, como observado em Vila Barraginha, também no município de Contagem. Inexistindo tais corpos, ou estando eles presentes em volume inexpressivo, o próprio processo de lançamento de materiais de botafora e entulho a partir da cabeceira ou das paredes laterais proporciona uma segregação granulométrica que lança fragmentos maiores e blocos à frente, e estes, ao serem soterrados por lançamentos posteriores, afundam no terreno brando do fundo, substituindo assim uma formação delgada, de baixa resistência e passível de envolver-se em escorregamentos, por formação muito resistente, e refratária a tais processos.


  • Sistemas de Drenagem

Os sistemas de drenagem superficial baseados em canaletas conduzem frequentemente a resultados opostos aos objetivados, principalmente onde tais sistemas não são submetidos a inspecções regulares e cuidados de manutenção conseqüente. O fato é que concentram o escoamento e, quando bloqueados por ocorrências fortuitas, dão vez ao surgimento de processos erosivos mais ou menos intensos, dependendo da vulnerabilidade do terreno (natureza do solo e declividade). Na Superfície de Topo tais sistemas devem ser concebidos e executados com o máximo cuidado, principalmente quando isto implique a condução das águas concentradas em direção à Calha Aluvial atravessando a Superfície de Transição.




  • Poços Tubulares

A extração de água a partir de poços tubulares, em aqüíferos fissurais abastecidos por infiltração nos terrenos de cobertura, contribui eficazmente para aumentar a taxa de infiltração, por promover o rebaixamento do lençol freático, desta forma reduzindo diretamente a erosão e as inundações e indiretamente o assoreamento.


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