1. programa de desenvolvimento de vargem das flores



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4.7. Unidades Geográficas


Com o objetivo de compatibilizar as unidades de terreno e os processos geodinâmicos observados às unidades de análise adotados para os demais temas do PDA Vargem das Flores, apresentam-se as seguintes observações por sub-bacia.

4.7.1. Sub-bacia de Contribuição Direta ao Reservatório


A sub-bacia de contribuição direta é em verdade um conjunto de microbacias que vertem diretamente para o reservatório. O único curso d’água permanente de vazão não insignificante é o córrego Olaria do Chiqueiro. Exceto pelo próprio reservatório, que, em sentido lato, pode ser considerado parte integrante da Calha Aluvial, integram essencialmente essa sub-bacia terrenos da Superfície de Topo e da Superfície de Transição. À primeira pertecem porções de maciços elevados da margem sudeste, e algumas penínsulas de relevo colinoso a oeste, norte e nordeste. Essas projeções peninsulares em muitos pontos alcançam o reservatório sem passagem pela Superfície de Transição. A esta pertencem os vales, curtos e de declividade acentuada, a sudeste e sudoeste.
O recortado do contorno favorece a implantação de modalidades diferenciadas de ocupação e uso do solo nas áreas peninsulares e o isolamento de áreas florestais dotadas de costões que mergulham diretamente no reservatório. Especialmente a sudeste, área de exposição rochosa e de relevo particularmente movimentado e rugoso, projetos de ocupação e uso do solo devem ser altamente seletivos. Nas costas mais baixas das áreas restantes, que são do ponto de vista físico francamente receptivas a formas adensadas de ocupação, caso esta venha a ser ordenada, critérios rigorosos devem ser observados de forma a prevenir e a conter os processos erosivos e a evitar a poluição do reservatório através de fossas e lançamento direto de esgoto. Dos recursos tecnológicos expostos, realça-se a importância do uso intenso dos diques retentores, dos sanitários secos, da infiltração estimulada e da coleta de águas pluviais.

4.7.2. Sub-bacia do Córrego Batatal


É uma pequena sub-bacia, grosseiramente elíptica, de pequena excentricidade, que tem início no extremo sudoeste em terras de relevo íngreme e de exposições rochosas, que se fecham em ferradura em torno de pequena calha aluvial, sobre a qual convergem em leque os vales tributários. A área inclui-se tipicamente na Superfície de Transição, emoldurada em estreita faixa da Superfície de Topo e envolvendo estreita faixa da Calha Aluvial.
Na porção norte (margem esquerda) vem sendo implantado loteamento com ruas dispostas em malha retangular, indiferentemente ao relevo e às características do terreno, prevendo-se a rápida remoção de expressiva cobertura vegetal. O fundo do vale certamente contém materiais pouco resistentes em terreno mal drenado, podendo isto resultar em complexos problemas de fundação e de prevenção da ascensão capilar em habitações construídas ao rés do chão, sem preparação adequada. Além do já exposto, é previsível a ocorrência de escorregamentos. O golfo por onde desemboca o córrego corre o risco de assoreamento rápido não obstante a pequena extensão da bacia.
Recursos Tecnológicos: ocupação seletiva, criteriosamente implantada, diques retentores (assoreamento induzido), coleta de águas pluviais, e sanitários secos, no baixo vale.

4.7.3. Sub-bacia do Córrego da Lage


Área morfologicamente semelhante à anterior, todavia mais ramificada e com porção significativa em terrenos da Superfície de Topo, embora ainda predomine a Superfície de Transição. Maior diferenciação de elementos associados às três superfícies representativas das Unidades de Terrenos proporcionam espaço mais fecundo de implantação de modalidades de ocupação e uso e de emprego dos recursos tecnológicos indicados para a área anteriormente descrita.

4.7.4. Sub-bacia do Córrego Água Suja


É uma bacia desenvolvida no sentido norte-sul simetricamente disposta ao longo do curso d’água que lhe empresta o nome. Deste os tributários mais expressivos, ambos pela margem direita, são o córrego do Retiro, que drena a mancha urbanizada de Nova Contagem, e o do Cedro. De todas as sub-bacias, é esta a que apresenta proporcionalmente as feições mais expressivas de erosão do tipo voçoroca, de várias gerações.
Já muito impactada por urbanizações em Nova Contagem e Icaivera, merecedoras de importantes objeções no plano concepcional e principalmente executivo, a área deve ser tratada com absoluto rigor em termos de revisão dos planos urbanísticos desses núcleos, e de emprego de tecnologias de implantação.
Estando presentes inúmeras feições de erosão do tipo voçoroca, a Superfície de Topo encontra-se acentuadamente retalhada pela Superfície de Transição. Quanto à Calha Aluvial, apresenta extensões expressivas a sul de Icaivera e penetra também às vezes profundamente os eixos dos tributários.
A sub-bacia reúne toda a diferenciação típica dos contextos físicos e sócio-econômicos a justificar o emprego dos recursos tecnológicos referidos nesta seção de forma a garantir a perenidade do reservatório e a qualidade de suas águas: coleta de águas pluviais, diques retentores (assoreamento induzido e reabilitação de áreas degradadas), cisternas de injeção de águas pluviais, sanitários secos, poços tubulares para abastecimento complementar.
Considerando constituir a calha do córrego Água Suja (o próprio nome indica) um corredor muito eficiente de transporte de caudal sólido, impõe-se enfatizar a importância dos diques retentores quer em sua própria calha, quer em numerosos de seus tributários.

4.7.5. Sub-bacia do Córrego Morro Redondo


De todas, embora se notem sinais evidentes de desruralização, é a área menos exposta a curto prazo ao impacto de urbanização e a que tem, comparativamente, maiores extensões expressivas e contínuas da Calha Aluvial ao longo do córrego Morro Redondo e de alguns tributários. Na Superfície de Topo alguns maciços isolados pontificam, compartimentando acentuadamente a hidrografia.
Dada a proximidade em relação à BR-040, e à CEASA, possivelmente a atividade agropecuária especializada poderá ser incrementada por algum tempo na substituição à tradicional, mas atenta ao pulsar do mercado imobiliário na expectativa de negócios melhores com os condomínios de chácaras e com a urbanização convencional.
Todos os recursos tecnológicos já referidos devem ser considerados, principalmente para a última hipótese.

4.7.6. Sub-bacia do Ribeirão Betim


É de todas a mais extensa e mais complexa, por suportar extensões dinâmicas da mancha urbanizada de Contagem, quer em prolongamentos contínuos, quer em assentamentos isolados. Quanto às Unidades de Terrenos, observa-se um certo equilíbrio entre as áreas integrantes da Superfície de Topo e as da Superfície de Transição. A Calha Aluvial é inexpressiva nas cabeceiras e já praticamente escondida, ou estrangulada na parte mais urbanizada, só adquirindo expressão significativa a partir da confluência dos córregos da Praia e das Abóboras.
Todos os recursos tecnológicos já expostos devem ser objeto de sistemático emprego, já aqui atendendo à imperiosa exigência da necessidade e favorecidos pela economicidade que a proximidade ao Centro proporciona (preços dos terrenos e complexidade das demandas, que tendem a viabilizar as situações receptivas a soluções compartilhadas).

4.7.7. Sub-bacia do Córrego Bela Vista


Em relação aos núcleos urbanos a sul e a leste, experimenta mais tardiamente o processo de urbanização, todavia de forma preocupantemente dinâmica e destituída de critérios sadios. Em extensões significativas praticamente só ocorrem áreas integrantes da Superfície de Topo e da Superfície de Transição. Maciços vegetais remanescentes estão localizados muito estrategicamente em relação às áreas mais urbanizadas a leste e a sul.
Dos recursos tecnológicos expostos afiguram-se particularmente importantes a coleta de águas pluviais e o uso de diques retentores, especialmente na área de relevo mais ondulado a sudeste.

4.7.8. Conclusão


As distintas Unidades de Planejamento bacias hidrográficas - demandam abordagens diferenciadas em consonância com as suas respectivas realidades físicas, locacionais e sócio-econômicas, e com os propósitos da gestão, que, além de objetivarem naturalmente os requisitos mais elevados de qualidade ambiental e de vida, hão de ter, no caso, por meta especialmente perseguida a garantia de perenidade do reservatório.
Nada que se queira duradouro se constrói com êxito sem um adequado ponto de apoio. Em relação aos assentamentos humanos, este não pode ser especificado, porque naturalmente provido pelo sistema geológico, infraestrutura complexa do ponto de vista constitutivo e altamente interativa com as superestruturas naturais ou artificiais. Do exposto resulta que o êxito dos assentamentos humanos, e muito especialmente da Cidade, repousa inelutavelmente na concepção de superestruturas compatíveis com a infraestrutura disponível, como de resto em qualquer setor da atividade humana.
A história da civilização até o presente foi marcada, sempre, pelo desenvolvimento de tecnologias capazes de adaptar o meio às feições desejadas, e este processo, que tem características em verdade pré-científicas, acientíficas ou mesmo anti-científicas, está esgotado, e é importante que a Humanidade entenda de uma vez por todas que os planetas vizinhos não oferecem infraestrutura que os habilite a substituir a Terra.


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