1. (Unesp – adaptada) Idealismo e Realismo



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3o




P24




2a




M




A




02

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07


1. (Unesp – adaptada)
Idealismo e Realismo

Eu sou pois associado a estes dois movimentos, e se ainda ignoro o que seja a idéia nova, sei pouco mais ou menos o que chamam aí a escola realista. Creio que em Portugal e no Brasil se chama realismo, termo já velho em 1840, ao movimento artístico que em França e em Inglaterra é conhecido por "naturalismo" ou "arte experimental". Aceitemos, porém, realismo, como a alcunha familiar e amiga pela qual o Brasil e Portugal conhecem uma certa fase na evolução da arte. (...)

Não - perdoem-me - não há escola realista. Escola é a imitação sistemática dos processos dum mestre. Pressupõe uma origem individual, uma retórica ou uma maneira consagrada. Ora o naturalismo não nasceu da estética peculiar dum artista; é um movimento geral da arte, num certo momento da sua evolução. A sua maneira não está consagrada, porque cada temperamento individual tem a sua maneira própria: Daudet é tão diferente de Flaubert, como Zola é diferente de Dickens. Dizer "escola realista" é tão grotesco como dizer "escola republicana". O naturalismo é a forma científica que toma a arte, como a república é a forma política que toma a democracia, como o positivismo é a forma experimental que toma a filosofia.

Tudo isto se prende e se reduz a esta fórmula geral: que fora da observação dos factos e da experiência dos fenômenos, o espírito não pode obter nenhuma soma de verdade.

Outrora uma novela romântica, em lugar de estudar o homem, inventava-o. Hoje o romance estuda-o na sua realidade social. Outrora no drama, no romance, concebia-se o jogo das paixões a priori; hoje, analisa-se a posteriori, por processos tão exactos como os da própria fisiologia. Desde que se descobriu que a lei que rege os corpos brutos é a mesma que rege os seres vivos, que a constituição intrínseca duma pedra obedeceu às mesmas leis que a constituição do espírito duma donzela, que há no mundo uma fenomenalidade única, que a lei que rege os movimentos dos mundos não difere da lei que rege as paixões humanas, o romance, em lugar de imaginar, tinha simplesmente de observar. O verdadeiro autor do naturalismo não é pois Zola - é Claude Bernard. A arte tornou-se o estudo dos fenômenos vivos e não a idealização das imaginações inatas...
(2,0 pontos) Uma das linhas de força do Naturalismo é baseada nos princípios mecanicistas e deterministas que influenciaram a cultura na segunda metade do século XIX e que podem ser sintetizadas nas palavras do fisiologista Claude Bernard: “O determinismo é absoluto tanto para os fenômenos dos corpos vivos como para os dos corpos brutos”. Considerando que, em seu texto, Eça de Queirós defende e assume os princípios mecanicistas e deterministas na composição literária, explique o que ele quer dizer com a frase seguinte sobre a técnica de composição da narrativa realista: "Outrora no drama, no romance, concebia-se o jogo das paixões a priori; hoje, analisa-se a posteriori, por processos tão exactos como os da própria fisiologia".
2. A segunda Revolução Industrial, o cientificismo, o progresso tecnológico, o socialismo utópico, a filosofia positivista de Augusto Comte, o evolucionismo formam o contexto sócio-político-econômico-filosófico-científico em que se desenvolveu a estética realista e naturalista. Apesar de ambos os movimentos surgirem num contexto parecido e coexistirem, vários autores afirmam que a diferença entre Realismo e Naturalismo é muito sutil. Com base nisso, leia atentamente os textos a seguir:
I – “O mestre, um tal de Antônio Pires, homem grosseiro, bruto, de cabelo duro e olhos de touro, batia nas crianças por gosto, por um hábito de ofício. Na aula só falava a berrar, como se dirigisse uma boiada. Tinha as mãos grossas, a voz áspera, a catadura selvagem; e quando metia para dentro um pouco mais de vinho, ficava pior.”

II – “Camilo reclinou-se no tílburi, para não ver nada. A agitação dele era grande, extraordinária, e do fundo das camadas morais emergiam alguns fantasmas de outro tempo, as velhas crenças, as superstições antigas.”


a) (1,0 ponto) Qual dos trechos anteriores é claramente naturalista?

b) (1,0 ponto) Cite uma característica presente no trecho selecionado que comprove o seu caráter naturalista.


3. Leia o texto a seguir, pertencente à obra O Ateneu, de Raul Pompéia para responder:
“Se não houvesse olvidado as práticas, como a assistência pessoal do Rebelo, eu notaria talvez que um pouco me invadindo, como ele observara, a efeminação mórbida das escolas. Mas a teoria é frágil e adormece como as larvas friorentas, quando a estação obriga. A letargia moral pesava-me no declive. E, como se a alma das crianças, à maneira do físico, esperasse realmente pelos dias para caracterizar em definitivo a conformação sexual do indivíduo, sentia-me possuído de certa necessidade preguiçosa de amparo, volúpia de fraqueza em rigor imprópria do caráter masculino. Convencido de que a campanha do estudo e da energia moral não era precisamente uma cavalgada cotidiana, animada pelo clarim da retórica, como nas festas, e pelo verso enfático dos hinos, entristeceu-me a realidade crua. Desiludi-me dos bastidores da gloriosa parada, vendo-a pelo avesso. Nem todos os dias do militarismo enfeitam-se com a animação dos assaltos e das voltas triunfais; desmoralizava-me o ranram estagnado da paz das casernas, o prosaísmo elementar da faxina.”
a) (1,0 ponto) No texto nota-se a descrição de Sérgio, o narrador, da realidade que o cerca: o colégio Ateneu. De acordo com o texto e do que você conhece sobre a obra, justifique a maneira como Sérgio descreve o ambiente, os pontos que destaca, se evidencia aspectos positivos ou negativos daquela realidade estudantil.

b) (1,0 ponto) Como é possível interpretar o trecho a seguir, no contexto da obra: “sentia-me possuído de certa necessidade preguiçosa de amparo, volúpia de fraqueza em rigor imprópria do caráter masculino”?


4. O trecho a seguir pertence ao conto “A Cartomante”, de Machado de Assis:

“Hamlet observa a Horácio que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.”


a) (1,0 ponto) Com a introdução dessa citação de Hamlet, peça de William Shakespeare, no início de “A Cartomante”, nota-se uma importante característica do estilo de Machado de Assis. De que característica se trata?

b) (1,0 ponto) Qual a importância dessa citação de Hamlet no conto?


5. No conto “A Cartomante”, o autor faz uma análise psicológica das contradições humanas na criação de personagens imprevisíveis, jogando com insinuações em que se misturam ingenuidade e malícia, sinceridade e hipocrisia.

a) (1,0 ponto) Que tipo de hipocrisia evidencia-se no conto?



b) (1,0 ponto) Pode-se afirmar que o final do conto é imprevisível? Justifique.




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