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A IMPORTÂNCIA DA ECONOMIA PARA O CURSO DE JORNALISMO
Fábio Mussi Silva1

Zenólia Maria de Almeida2
Professores do Curso de Jornalismo do UnilesteMG
RESUMO:
O estudo da economia é de suma importância para o crescimento profissional e acadêmico do jornalista. Através do conhecimento das teorias econômicas, eles podem prever qual será a reação do mercado à dada medida adotada pelo Governo brasileiro e até mesmo de um simples comentário feito por autoridades de outros países. Este artigo analisa em sua primeira seção a economia e seus principais pensadores, destacando suas respeitadas teorias. A segunda seção demonstra a importância do estudo da ciência econômica para o curso de jornalismo. E por fim, mas não menos importante, a terceira seção descreve como se realiza o estudo da economia no curso de Comunicação Social/jornalismo do Unileste-MG.

Palavras-chave: economia, escassez, capitalismo, jornalismo.


ABSTRACT:
Economics is important for professional and academic improvement of the journalists. Through economical theories, they could tell the reaction of the market after a government act or after a simple coment made by a foreign authority. This article firts analyses the economical theories and main personalities. The second part shows the importance of the economics science for the journalist course. Finaly, and not less important, the third part describes how economics are tough at journalism course at UnilesteMG.
Keywords: economics, capitalism, journalism

INTRODUÇÃO
ECONOMIA
A economia é usualmente definida como a ciência que estuda a alocação de fatores de produção escassos entre diferentes alternativas de produção de bens e serviços. Realmente, todos os bens econômicos têm a característica de serem escassos, isto é, eles não existem em quantidade suficiente para satisfazerem às necessidades e desejos de todos. Como conseqüências, as pessoas têm que pagar para obtê-los.

A escassez de recursos faz com que haja necessidade de se fazer uma escolha de seus melhores usos. Há que se escolher como alocar os escassos recursos inteligentemente e essa busca deve-se basear numa análise dos custos de oportunidade dos recursos. O custo de oportunidade de um bem X é medido em função do custo de um outro bem ou recurso Y que deve ser deixado de ser consumido ou utilizado para que X seja obtido. Refere-se ao custo das oportunidades sacrificadas. Uma mão-de-obra desqualificada tem, por exemplo, um custo de oportunidade baixo, já que suas alternativas de emprego são limitadas e mal-remuneradas. Um profissional qualificado, no entanto, tem um custo de oportunidade alto, pois geralmente encontra várias alternativas bem remuneradas de trabalho condizentes com seu nível de especificação.


Todos os recursos ou fatores de produção têm custos de oportunidade associados a eles. Um fazendeiro, por exemplo, ao decidir plantar batatas, intuitivamente faz uma análise do custo de oportunidade de suas terras e do que ele poderia estar ganhando com plantios alternativos à batata. O comerciante que decide investir seu capital em uma mercearia também compara os possíveis lucros do capital investido na mercearia com os rendimentos que esse mesmo capital poderia lhe dar numa mera aplicação financeira. Assim, os juros de uma aplicação financeira correspondem ao custo de oportunidade do capital investido na mercearia. Parece óbvio que o investimento da mercearia só será compensatório se houver expectativa de que ele gere lucros superiores ao custo de oportunidade custo de oportunidade do capital, ou seja, aos juros pagos pelo mercado.
A economia é, portanto, a ciência que aloca recursos escassos entre fins alternativos, para isso lançando mão da análise do custo de oportunidade dos diferentes recursos ou fatores de produção. Pode-se também visualizar a economia como a ciência que estuda o sistema de mercado que prevalece nos países capitalistas.
CAPITALISMO E MERCADO
1.1.2. Principais Características do Capitalismo e do Sistema de Mercado
O sistema econômico que tende a prevalecer no mundo atual é o capitalismo, que se caracteriza pelo inviolável direito à propriedade privada e pelo sistema de mercado organizado, com ativa compra e venda de produtos e insumos e com ampla liberdade nos mercados de mão-de-obra e moeda.
No capitalismo, prevalece o sistema de mercado, onde as atividades econômicas são livremente determinadas pelos homens e mulheres, de acordo com as oportunidades do próprio mercado. As atividades econômicas não são estabelecidas por tradição ou de acordo com as vontades, ordens e comandos de um ditador, rei ou senhor feudal. Ao contrário, as pessoas são livres para escolher o trabalho que lhes interessa, para comprar ou vender terá e para emprestar ou tomar emprestado capital.
A terra, o trabalho e o capital empregados nas atividades de mercado são chamados fatores de produção e são característicos do sistema capitalista. Apesar de existir terra, trabalho e capital nos sistemas econômicos pré-capitalistas, somente no capitalismo esses fatores de produção se transformaram em mercadorias à venda. Por exemplo, a mão-de-obra atualmente é contratada livremente e remunerada com salários, em oposição à antiga escravidão. A terra é também comprada e vendida livremente, ao contrário do sistema feudal, onde a posse da terra implicava em deveres a serem cumpridos.
Uma característica essencial do sistema de mercado é o fluxo regular de renda e riqueza direcionado à produção, via poupança e investimento, organizado através de bancos e instituições financeiras que cobram juros dos que pedem emprestado como pagamento pelo uso da riqueza dos que emprestam capital. Assim, a maioria das transações comerciais é realizada atualmente com dinheiro emprestado, sobre o qual pagam-se juros. É interessante mencionar que emprestar a juros, antigamente, era considerado usura, de acordo com a igreja, sendo a usura um pecado grave. Como a influência da igreja sob a sociedade era bem maior do que atualmente, a cobrança de juros pela utilização do dinheiro era crime na Idade Média.
Um outro elemento importante que contribui para maior produtividade e expansão do mercado foi a tecnologia ou Know-how, observado principalmente a partir da Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX. Com a invenção de inúmeras máquinas e ferramentas, a mecanização das atividades produtivas e a instalação do sistema fabril, o sistema de mercado e o capitalismo consolidaram-se de forma definitiva.
1.2.2. Capitalismo e Mercado segundo Smith, Marx e Keynes
Adam Smith é tido como o fundador da Economia (AZEVEDO, 1998, p67). Ele viveu de 1723 a 1790, publicando em 1776 sua famosa obra A Riqueza das Nações. Uma de suas idéias liberais mais divulgadas refere-se à mão invisível: o sistema de mercado age como uma mão invisível, pois nele as ações individuais e egoístas dos agentes econômicos acabam gerando os melhores resultados do ponto de vista da sociedade como um todo.
A competição é o principal mecanismo do sistema de mercado, impondo naturalmente certa disciplina aos diversos agentes econômicos. Se, por exemplo, um vendedor tenta colocar seu produto no mercado a preços excessivamente elevados, ele não encontrará comprador. Também um trabalhador que queira receber um salário acima dos níveis vigentes no mercado não encontrará trabalho.
Adam Smith foi o grande defensor do mecanismo auto-regulador do mercado, enfatizando os benefícios do Laissez faire3 e da não-intervenção do Governo na economia para a sociedade como um todo. Um sistema econômico dessa natureza geraria maiores mercados e conseqüentemente maior riqueza para a nação.
Uma outra idéia de Smith bastante divulgada (e relacionada ao aumento de riqueza da nação) refere-se à divisão do trabalho como mecanismo fundamental do aumento da produtividade da mão-de-obra. A fragmentação das tarefas em várias sub-tarefas foi dinamizadas principalmente a partir da Revolução Industrial, dada maior utilização de máquinas e equipamentos no processo produtivo.
Apesar da Revolução Industrial ter contribuído decisivamente para a posterior guinada de desenvolvimento dos países, não se deve perder de vista que ela ocorreu numa época em que o turno de trabalho para mulheres e crianças era de 16 horas, não havia qualquer consciência dos direitos políticos e sociais dos trabalhadores e existia muita miséria entre os desempregados. É compreensível, portanto, que a leitura do capitalismo feita por Karl Marx, economista que viveu de 1818 a 1883, tenha sido bastante distinta da visão de Adam Smith.
Karl Marx é considerado o pai do comunismo, uma doutrina que propõe o fim das classes sociais e do Estado, com a abolição total da propriedade privada e uma igual distribuição dos bens produzidos pela sociedade.
Ao contrário de Smith, ele diagnosticava caos e desordem para o sistema capitalista de produção, culminando eventualmente com o seu derradeiro fim. Marx previa que haveria luta de classes sociais como resultado das tensões e antagonismos entre trabalhadores e proprietários inerentes ao sistema capitalista. O mercado era visto por ele como poderosa força negativa de acumulação de capital e riqueza. Os lucros eram obtidos porque os capitalistas remuneravam a mão-de-obra menos do que deveriam, daí originando a teoria da mais-valia. Mais valia é pois, um termo tipicamente marxista e corresponde ao valor do trabalho não pago ao trabalhador que gera o lucro ao capitalista. Refere-se à exploração dos assalariados pelos capitalistas.
O que distingue Smith de Marx é principalmente o fato do primeiro ter visualizado a acumulação e o crescimento econômico como aspectos inerentes e positivos do capitalismo, enquanto que o segundo via a acumulação e o crescimento como processos que ocorreriam às custas da marginalização das pequenas firmas e dos trabalhadores, reduzindo eventualmente a estrutura social a uma grande massa de proletariados e a um pequeno número de poderosos capitalistas. Marx previa uma proletarização da mão-de-obra no sistema capitalista que, em última instância, motivaria uma intensa luta de classes. Em síntese, o capitalismo seria um sistema político-econômico autodestrutivo, na concepção marxista.
John Maynard Keynes, o economista inglês que viveu de 1883 a 1946, foi totalmente a favor do sistema capitalista, embora divergindo substancialmente da visão smithiana.
Antes de 1930 predominou na economia a escola clássica, cujo expoente máximo foi Adam Smith, que defendia o ajuste automático da economia sem qualquer intervenção do Governo. O fenômeno da Grande Depressão em 1930 contribuiu decisivamente para modificar essa situação. Com a Grande Depressão a produção caiu muito, as taxas de desemprego subiram vertiginosamente, os bancos fecharam e as economias simplesmente não conseguiram retornar automaticamente (como previsto na visão liberal) ao nível de pleno emprego isto é, a uma situação de total utilização da mão-de-obra no sistema produtivo. Essa situação de desgraça, caos e pânico foi totalmente inesperada, tanto para a sociedade como para os economistas. O famoso livro de Keynes Teoria Geral do Emprego, Moeda e Juros surgiu justamente nesse contexto, descrevendo a economia de mercado de forma bastante distinta de Adam Smith e outros liberais clássicos.
Keynes acreditava que o nível geral da atividade econômica era determinado pela motivação dos empresários em fazer investimentos de capital. Antes de Keynes, pensava-se que essa motivação empresarial e o conseqüente acúmulo de capital só temporariamente poderiam ser interrompidos, sempre retornando a uma situação de equilíbrio. Mas com Keynes esse diagnóstico foi bem mais dramático. O argumento de Keynesiano básico foi de que não existia qualquer garantia de pleno-emprego no sistema de mercado. Ele contradisse o liberalismo econômico clássico ao mostrar a inexistência do princípio do equilíbrio automático na economia capitalista. Para os clássicos como Smith, o mercado poderia ter desemprego temporário, mas a economia voltaria naturalmente a uma situação de pleno emprego, sem necessidade de intervenção governamental. Keynes, no entanto, teve um diagnóstico mais pessimista da economia, visualizando uma situação definitiva de equilíbrio de desemprego ou equilíbrio abaixo do pleno emprego para o mercado, ou seja, com inúmeros trabalhadores desempregados e máquinas e equipamentos ociosos, como ocorreu nos anos 30. Ele defendeu maior intervenção governamental na economia por não acreditar que as forças de mercado fossem capazes de fazer a economia voltar a uma situação de pleno emprego.
Desemprego, recessão, estagnação e depressão não foram temas econômicos predominantes no pensamento clássico, mas foram recorrentes nos escritos de Keynes. O problema do desemprego, para ele, era conseqüência de uma demanda insuficiente de bens e serviços, só podendo ser solucionado através do aumento do investimento. Assim, o investimento era visto por Keynes como o elemento dinâmico da economia, com capacidade para estimular a demanda agregada e garantir o pleno emprego. O Governo teve um papel fundamental no pensamento Keynesiano, por ele acreditar que oi problema do desemprego poderia ser resolvido através da intervenção estatal. Medidas de incentivo ao investimento privado, aumento dos investimentos públicos e redução das taxas de juros estimulariam a atividade produtiva, diminuindo, conseqüentemente, o desemprego. Em síntese, a ideologia capitalista é resgatada no cenário Keynesiano intervencionista, substancialmente diferente da visão smithiana liberal.
Não se pode perder de vista que esses grandes economistas foram produtos de suas épocas, como mencionam HEILBRONER e THUROW (1987, p 35), Adam Smith personificou o otimismo de um capitalismo nascente, Karl Marx foi o porta-voz das vítimas do período industrial e Keynes captou as dificuldades inerentes ao período da Grande Depressão. De maneira bastante diversa, foram todos igualmente brilhantes na interpretação do sistema capitalista e de mercado.
APRENDENDO ECONOMIA

O economista inglês Alfred Marshall define a economia como “o estudo do homem nos negócios comuns da vida; ela examina a parte da ação individual e social que está mais estreitamente ligada à consecução e ao uso dos requisitos matérias do bem-estar”4. Embora se tenha aprendido muita coisa sobre economia desde o tempo de Marshall, esta definição é tão verdadeira hoje quanto o foi em 1980, quando foi publicada a primeira edição de seu texto.


Por que nossos alunos deveriam embarcar no estudo da economia? Há três razões.A primeira das razões para estudar economia é que ela ajudará a entender o mundo em que se vive. Há muitas questões relativas à economia que podem despertar curiosidade. Por que é tão difícil encontrar um emprego que proporcione boas perspectivas futuras? Por que Ronaldinho Gaúcho ganha tanto para jogar futebol? Por que razão a taxa de juros é tão alta no Brasil? Por que algumas empresas de grande prestígio vão a falência? Estas são apenas algumas das questões que um curso de Introdução à Economia ajudará a responder.
A segunda das razões para se estudar economia é que isto fará do aluno um participante mais astuto das condições macroeconômicas do país. Ao longo da vida ele deverá tomar muitas decisões econômicas. Como estudante, deverá decidir quantos anos permanecerá na escola. Ao se empregar, deve decidir a proporção de sua renda a gastar, quanto poupar e como aplicar sua poupança. Algum dia poderá ver-se dirigindo uma pequena empresa ou uma grande companhia, e terá de decidir como colocar seus produtos no mercado e quanto cobrar por eles. Estudar economia não o fará enriquecer, mas lhe proporcionará algumas ferramentas que o auxiliarão a atingir essa finalidade.
A terceira razão é que o estudo da teoria econômica proporcionará uma melhor compreensão dos potenciais e limites da política econômica. Como eleitor, se contribui para escolher as políticas que orientarão a alocação dos recursos da sociedade. Ao decidir que política apoiar, se pode levantar várias questões sobre a economia. Quais os efeitos do livre comércio com outros países? Como o déficit público afeta a economia? Estas e outras questões estão sempre na mente de um bom jornalista que precisa analisar e escrever sobre a economia do país.
Assim, os princípios de economia podem ser aplicados em muitas situações da vida, principalmente para aqueles profissionais da área de comunicação social que pretendem ampliar seu leque de conhecimentos. Quer no futuro esteja lendo um jornal, ou à frente de um negócio, ficará contente por ter estudado economia.
O ENSINO DA ECONOMIA NA COMUNICAÇÃO SOCIAL
O ensino da economia na comunicação social é único e não se assemelha a economia vista em outros cursos, como por exemplo o de ciências contábeis e o de administração. Na comunicação social se busca dar ao aluno o conhecimento necessário para que o mesmo possa entender e até mesmo escrever sobre situações econômicas atuais vivenciadas no país.
O objetivo do curso é:
Analisar a teoria econômica a partir das abordagens Marginalista (Análise Econômica) e Marxista (Economia Política);
Contextualizar a teoria econômica, suas conexões micro e macro, estabelecendo relações com a conjuntura atual;
Conhecer e entender o processo de evolução econômica brasileiro;
Desvelar o cotidiano e a realidade sócio-econômica através da análise de textos de revistas e jornais, aplicando os conhecimentos teóricos obtidos no decorrer do curso.
A complexidade do processo de aprendizagem das disciplinas de Economia, ministradas no curso de Comunicação Social/Jornalismo, reside nas diferentes interações entre as redes de significado construídas ao longo de todo o curso. Fazer análise, restabelecer ligações e produzir textos (artigos, reportagens, programas de TV, etc.) utilizando conceitos e vocabulário técnico adequados é que define o ‘saber fazer’ jornalismo econômico. De acordo com conceito piagetiano, sempre que uma pessoa passa a ‘saber fazer’, ela aprendeu. Isto significa dizer que ao aprender a analisar um fato econômico, o aluno também está estabelecendo relações com conteúdos de outras disciplinas aprendidas ao longo curso que exigem diferentes compreensões, enquanto componentes de uma rede de significados e significantes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AZEVEDO, P.F. Manual de Economia da USP. Terceira Edição. São Paulo: Editora Saraiva, 1998, 195p.

MARSHALL Alfred, Principles of Economics, 8. ed. Nova Iorque, Macmillan, 1920, 216p.



HEILBRONER, Robert L. e THUROW, Lester C. “Economics Explained” New York: Touchstone Book, 1987, 328p.


1 Mestre em Economia Aplicada e Prof. de Introdução à Economia no curso Comunicação Social/Jornalismo do Unileste-MG

2 Mestre em Ciências Sociais e Profª de Economia Brasileira e Regional no curso de Comunicação Social/Jornalismo do Unileste-MG

3 Política econômica liberal que estimula a competição e condena o controle e a regulação excessiva do Governo na economia.

4 Alfred Marshall, Principles of Economics.





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