10ª bienal internacional de marionetas de évora balançO



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Encontro29.07.2016
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10ª BIENAL INTERNACIONAL DE MARIONETAS DE ÉVORA
BALANÇO
Se dúvidas houvesse quanto à dimensão e importância da Bienal de Marionetas de Évora no panorama do teatro de bonecos em termos nacionais e internacionais, a sua 10ª edição, que decorreu de 5 a 10 de Junho, na cidade Património da Humanidade, confirmou a enorme maturidade artística alcançada por este evento organizado pelo Cendrev, desde 1987, na sequência do trabalho que vem desenvolvendo com os Bonecos de Santo Aleixo, anfitriões naturais da festa que, uma vez mais, aconteceu na cidade.
Afirmamos, desde o primeiro momento, que reunimos condições verdadeiramente excepcionais para a realização de um evento internacional desta natureza, desde logo porque vivemos numa cidade cheia de História e com fortes tradições culturais e que, devido à sua beleza e reduzida dimensão, propicia com muita facilidade espaços de encontro perfeitamente adequados e, consequentemente, um ambiente extremamente agradável partilhado espontaneamente pelo público e marionetistas o que confere à nossa bienal uma identidade própria que é referida crescentemente pelos artistas que participam mas também pelos inúmeros visitantes que acorrem à cidade durante a BIME.
Uma outra condição que tem contribuído definitivamente para o êxito alcançado por esta iniciativa é inegavelmente o facto de termos os Bonecos de Santo Aleixo como seus anfitriões. Tem sido através deste importantíssimo espólio de bonecos alentejanos que o Cendrev tem participado em muitos festivais de marionetas um pouco por todo o mundo, ocasião para conhecer o trabalho realizado por inúmeras companhias e estabelecer contactos com vista à sua possível deslocação a Évora, como tem sido igualmente importante o trabalho que temos realizado em todo o território português, quer na participação em festivais da especialidade ou na programação de salas de teatro nos centros urbanos, quer nas pequenas comunidades do interior, nomeadamente aldeias alentejanas onde os bonecos regularmente se apresentavam no tempo do Mestre Talhinhas, último bonecreiro tradicional.
O caminho que temos percorrido ao longo destes anos, enquadrado por uma estrutura de criação e difusão teatral a funcionar no belíssimo Teatro Garcia de Resende desde 1975, tem dado um importante contributo ao desenvolvimento e dignificação do teatro de marionetas em Portugal bem como à dimensão internacional que o movimento hoje tem entre nós.
Da programação da 10ª edição, de que agora fazemos um primeiro balanço, sublinhamos a participação de 31 companhias representantes de 10 países (Alemanha, Brasil, França, Espanha, República Checa, Argentina, Itália, Inglaterra, Japão e Portugal) que realizaram 90 espectáculos ao longo dos seis dias da Bienal, dos quais 26 aconteceram em duas salas do Teatro e na sala da SOIR Joaquim António de Aguiar que, uma vez mais, disponibilizou graciosamente as suas instalações, 56 em diversos espaços de ar livre (Jardim das Canas, Porta Nova, Praça do Sertório, Praça do Giraldo, Pátio do convento dos Remédios, Jardim do Hotel da Cartuxa e Largo Álvaro Velho) e 8 em digressão nos concelhos de Arraiolos, Redondo e Vendas Novas. Durante toda a Bienal o Centro Histórico foi animado pela DragoCirco que participou também na abertura oficial da BIME a par de um Quinteto de Metais da Associação Eborae Música. Destacamos igualmente a 6ª edição do Seminário, um projecto que desenvolvemos em parceria com o Centro de História de Arte da Universidade de Évora, cujas actas serão publicadas num próximo número da Revista Adágio e a realização da Exposição de Marionetas Portuguesas que poderá ser visitada no Convento dos Remédios até final do mês de Setembro. Esta exposição, organizada em parceria com a Câmara Municipal de Évora e a Direcção Regional de Cultura do Alentejo que editou o respectivo catálogo, é, só por si, um projecto de elevado valor artístico que trataremos de potenciar através de um programa de animação que se prolongará durante todo o período em que estará patente ao público.
Esta edição da BIME contou também com o envolvimento das Associações Pé de Xumbo e Do Imaginário, onde se realizaram animações de final de noite à volta das actividades desenvolvidas por essas associações da cidade, com o empenho generoso da APPACDM que, no âmbito das suas actividades, construiu duas marionetas gigantes que marcaram presença diária numa rua da cidade e contou ainda com a colaboração da Associação Comercial que se disponibilizou para, em conjunto com os seus associados, decorar um conjunto de montras com marionetas contribuindo, dessa forma, para a criação de um cada vez maior envolvimento da cidade na festa dos bonecos. Este último projecto, que gostaríamos de desenvolver nas futuras edições da Bienal, à semelhança do que acontece em algumas cidades europeias, poderá dar um extraordinário contributo à animação do comércio e à promoção da BIME.
Os 102 convidados que participaram nesta edição da bienal ficaram instalados no Hotel da Cartuxa e fizeram as suas refeições no Restaurante Dom Joaquim, cujas respectivas qualidade do serviço foram sublinhadas positivamente pela generalidade dos convidados, o que, naturalmente, nos apraz registar, desde logo, por se tratar de dois mecenas que colaboram com o Cendrev há vários anos, mas também por gostarmos de receber bem os nossos convidados.
Relativamente às questões económicas, referir que o orçamento desta Bienal rondará os 150 mil euros, e que o seu financiamento é garantido pelos apoios do Ministério da Cultura, da Câmara Municipal de Évora, Centro de História de Arte da Universidade de Évora, Instituto Cervantes de Lisboa, Instituto Italiano de Cultura de Lisboa, Fundação Oriente, pela comparticipação de fundos europeus no âmbito do programa PORA, que só agora vimos confirmada, e pelas receitas de bilheteira que este ano tiveram um crescimento relativamente às edições anteriores.
Finalmente, uma palavra de saudação ao muito público da cidade que se envolveu na Bienal, aos muitos espectadores que vieram de muitos pontos do país e alguns que sabemos, vieram de propósito da nossa vizinha Espanha, para além dos turistas que, ao visitarem a cidade, se depararam com a festa dos bonecos, não deixando naturalmente de participar nos espectáculos que surpreenderam até os mais desprevenidos, um pouco por toda a cidade. Este ano colocámos a fasquia acima dos 12.000 espectadores. Estamos certos que o papel desenvolvido pelos muitos órgãos de comunicação social que se interessaram pelos nossos bonecos não terá sido indiferente a esse fenómeno, embora essa atenção não deixe, por outro lado, de ser um sinal claro da importância que o evento já adquiriu.
Para nós, que vivemos intensamente todos os momentos da organização e realização de um evento desta natureza, é profundamente gratificante sentir que este trabalho, não só toca cada vez mais gente, como merece o aplauso generoso do público como acabámos de ver nesta Bienal.
CENDREV


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