13ª Mostra da Produção Universitária. Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014



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13ª Mostra da Produção Universitária

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Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014.


REGISTROS PÚBLICOS ACERCA DO BATISMO NO MUNICÍPIO DE RIO PARDO NO PERÍODO DE 1755-1761
ROLIM, Nathan Santos (autor)

HENNING, Paula Corrêa (orientador)

nathanrolim@hotmail.com
Evento: Congresso de Iniciação Científica.

Área do conhecimento: História do Brasil.
Palavras-chave: Açorianos. População. Rio Pardo.
1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho busca analisar a composição étnica e social da vila de Rio Pardo, no contexto colonial, durante a metade do século XVIII, pretendendo compreender a formação do território e a importância da imigração na história do Rio Grande do Sul. Através da análise de registros públicos eclesiásticos, sobretudo, no que se refere ao primeiro livro de batismos, objetivou-se caracterizar os sujeitos componentes dessa sociedade e seus locais de origem. O mosaico humano dos coadjuvantes, esquecidos nas prateleiras dos arquivos, ganha o papel principal para dar vida a essa narrativa que permeia e situa a contribuição açoriana para a formação de uma identidade sociocultural.


2 CAMPO TEÓRICO

A bibliografia que trata do tema específico da Vila de Rio Pardo é escassa – talvez inexistente, pois não se localizou análises populacionais referentes à época. Portanto, para embasar o trabalho, se utilizaram livros de História do Rio Grande do Sul, de escritores renomados, como Moacyr Flores, Dante de Laytano, entre outros, numa tentativa de preencher a lacuna da formação da população rio-pardense e, sobretudo, da composição étnica açoriana referente à mesma localidade. O artigo se propõe a validar um novo olhar analítico para um dos primeiros municípios do Estado do Rio Grande do Sul, no contexto colonial.


3 PROCEDIMENTO METODOLÓGICO

Na tentativa de compreender os impactos da vinda de ilhéus para o Rio Grande do Sul, influenciando na formação de novas camadas sociais, especificamente na vila de Rio Pardo, que começa a ter uma habitação efetiva, é que se fez uma análise documental minuciosa dos registros populacionais ou públicos de batismos do primeiro livro da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, no período compreendido entre 1755 a 1761. O uso desses registros como fontes históricas são usuais, e de extrema importância, para remontar a sociedade colonial e seus eixos de desenvolvimento, que assim como nos propõem Pinsky (2012, p. 13), “fato e documento histórico demonstram nossa visão atual do passado, num diálogo entre a visão contemporânea e as fontes pretéritas”. Logo, através de fonte documental histórica e do procedimento de coleta de manuscritos que se realizou a metodologia da pesquisa.


4 RESULTADOS e DISCUSSÃO

Da totalidade dos casais registrados, há a predominância de uma maioria branca (55,3%), seguidos, respectivamente, de um expressivo grupo de índios (27,7%), e de minorias de desconhecidos (9,5%), escravos (5,8%) e forros (1,7%), como se pode observar na tabela 1. Os registros de filhos de casais de escravos, forros e índios é nitidamente mais incompleto que o de brancos, contendo menos informações.


Tabela 1: Distribuição dos casais com filhos registrados.


Cor/Etnia

Homens

Mulheres


Total (n)

N

%

n

%

Brancos

111

27,8

110

27,5

221

Escravos

04

1,0

19

4,8

23

Forros

04

1,0

03

0,7

07

Índios

53

13,2

58

14,5

111

Desconhecidos

28

7,0

10

2,5

38

Total

200

50%

200

50%

400

Fonte: Primeiro livro de batismos, Rio Pardo/RS, Paróquia de Nossa Senhora do Rosário,

Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre (AHCMPA).


Para compreender o cenário de formação da população rio-grandense, tal qual resultou na formação de características fisionômicas e culturais, basta analisarmos a porcentagem de “estrangeiros”, no sentido de pessoas não oriundas ou naturais do Continente do Rio Grande de São Pedro, que chegou a 98,2% da população branca registrada. Sobre a maioria branca, há uma esmagadora maioria açorita (72%), seguida de grupos menores de brasileiros (16,8%), portugueses (8,1%) e espanhóis (1,3%). Da totalidade da população branca e livre, apenas 62 não são açorianos, ou seja, quase ¾ da população registrada é de ilhéus, sobrando ¼ de migrantes de outras regiões da própria colônia, de Portugal continental e dos domínios sul-espanhóis. Esse dado nos revela a importância dos açorianos para o estudo de Rio Pardo e da influência de outras etnias/culturas para a formação da identidade local.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O povo açoriano, comprovadamente, teve influência na formação da população de Rio Pardo, agindo na sociedade, movimentando a economia, contribuindo com a cultura e a formação de um dos grandes municípios do século XIX, juntamente com Rio Grande, Santo Antônio da Patrulha e Porto Alegre, tão pouco nesses municípios, mas de uma maneira a abranger o desenvolvimento do território do Rio Grande do Sul como um todo. Como nos propõe Flores (2006, p. 65), “no fim do século XVIII três vilas existiam na capitania: N. Sra. Madre de Deus de Porto Alegre, sede do governo e com a única câmara municipal; S. Pedro de Rio Grande e N. Sra. do Rosário de Rio Pardo”. Isso nos revela que, independente da composição social da vila de Rio Pardo, todos foram fundamentais na consolidação de efetivar e propulsar o mecanismo social. Tão somente podemos resumir a história ao grupo açorita, entendendo-o como uma das peças fundamentais para a montagem do mosaico humano local, mas alavancando uma sociedade brasileira à formação de uma identidade.


REFERÊNCIAS
Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre (AHCMPA).
FLORES, Moacyr. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Ediplat, 2006.
LAYTANO, Dante de. Almanaque de Rio Pardo. Porto Alegre: Oficinas Gráficas da Tipografia do Centro, 1946.
PINSKY, Carla Bassanezi; LUCA, Tania Regina de. O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2012.




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