18. Matemática Introdução



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18. Matemática
Introdução
As crianças, desde o nascimento, estão imersas em um universo do qual os conhecimentos matemáticos são parte integrante. As crianças participam de uma série de situações envolvendo números, relações entre quantidades, noções sobre espaço. Ao utilizar recursos próprios e pouco convencionais, elas recorrem à contagem e operações para resolver problemas cotidianos, como conferir figurinhas, marcar e controlar os pontos de um jogo, repartir as balas entre os amigos, mostrar com os dedos a idade, manipular o dinheiro e operar com ele.
Também observam e atuam no espaço ao seu redor e, aos poucos, vão organizando seus deslocamentos, descobrindo caminhos, estabelecendo sistemas de referência, identificando posições e comparando distâncias. Essa vivência inicial favorece a elaboração de conhecimentos matemáticos.
Presença da matemática na educação infantil: idéias e práticas correntes
A atenção dada às noções matemáticas na educação infantil, ao longo do tempo, tem seguido orientações diversas que convivem, às vezes, de maneira contraditória, no cotidiano das instituições. Dentre elas, estão destacadas, a seguir, aquelas mais presentes na educação infantil.
Repetição, memorização e associação - Há uma idéia corrente de que as crianças aprendem não só a Matemática, mas todos os outros conteúdos, por repetição e memorização por meio de uma seqüência linear de conteúdos encadeados do mais fácil para o mais difícil. A ampliação dos estudos sobre o desenvolvimento infantil e pesquisas realizadas, no campo da própria educação matemática, permitem questionar essa concepção de aprendizagem restrita à memorização, repetição e associação.
Do concreto ao abstrato - A partir da manipulação de objetos concretos, a criança chega a desenvolver um raciocínio abstrato.
Atividades pré-numéricas - Quando o sujeito constrói conhecimento sobre conteúdos matemáticos, como sobre tantos outros, as operações de classificação e seriação, necessariamente, são exercidas e se desenvolvem, sem que haja um esforço didático especial para isso. A conservação do número não é um pré-requisito para trabalhar com os números e, portanto, o trabalho com conteúdos didáticos específicos não deve estar atrelado à construção das noções e estruturas intelectuais mais gerais.
Jogos e aprendizagem de noções matemáticas - O jogo, embora muito importante para as crianças não diz respeito, necessariamente, à aprendizagem da Matemática. Apesar das crenças que envolvem a brincadeira como uma atividade natural e auto-instrutiva, algumas investigações sobre seu significado apresentam o jogo como fenômeno cultural com múltiplas manifestações e significados, que variam conforme a época, a cultura ou o contexto.
A criança e a matemática
As noções matemáticas (contagem, relações quantitativas e espaciais etc.) são construídas pelas crianças a partir das experiências proporcionadas pelas interações com o meio, pelo intercâmbio com outras pessoas que possuem interesses, conhecimentos e necessidades que podem ser compartilhados.
Objetivos
Crianças de até três anos
A abordagem da Matemática na educação infantil tem como finalidade proporcionar oportunidades para que as crianças desenvolvam a capacidade de:


  • estabelecer aproximações a algumas noções matemáticas presentes no seu cotidiano, como contagem, relações espaciais.


Crianças de quatro a seis anos
Para esta fase, o objetivo é aprofundar e ampliar o trabalho para a faixa etária de zero a três, garantindo, ainda, oportunidades para que sejam capazes de:


  • reconhecer e valorizar os números, as operações numéricas, as contagens orais e as noções espaciais como ferramentas necessárias no seu cotidiano;




  • comunicar idéias matemáticas, hipóteses, processos utilizados e resultados encontrados em situações-problema relativas a quantidades, espaço físico e medida, utilizando a linguagem oral e a linguagem matemática;




  • ter confiança em suas próprias estratégias e na sua capacidade para lidar com situações matemáticas novas, utilizando seus conhecimentos prévios.



Conteúdos
A seleção e a organização dos conteúdos matemáticos representam um passo importante no planejamento da aprendizagem e devem considerar os conhecimentos prévios e as possibilidades cognitivas das crianças para ampliá-los. Para tanto, deve-se levar em conta que: aprender matemática é um processo contínuo de abstração no qual as crianças atribuem significados e estabelecem relações com base nas observações, experiências; a construção de competências matemáticas, pela criança, ocorre, simultaneamente, ao desenvolvimento de inúmeras outras de naturezas diferentes e, igualmente, importantes, tais como comunicar-se oralmente, desenhar, ler, escrever, movimentar-se, cantar.


  • Números e sistema de numeração - Este bloco de conteúdos envolve contagem, notação e escritas numéricas e as operações matemáticas. Contagem oral, noções simples de cálculo mental, comunicação de quantidades, utilizando a linguagem oral, a notação numérica e registros não convencionais, posição de um objeto ou número numa série (sucessor e antecessor), números em diferentes contextos, comparação de escritas numéricas.





  • Contagem - Pela via da transmissão social, as crianças, desde muito pequenas, aprendem a recitar a seqüência numérica, muitas vezes, sem se referir a objetos externos. Embora a recitação oral da sucessão dos números seja uma importante forma de aproximação com o sistema numérico, para evitar a mecanização é necessário que as crianças compreendam o sentido do que se está fazendo.




  • Notação e escrita numéricas - Ler os números, compará-los e ordená-los são procedimentos indispensáveis para a compreensão do significado da notação numérica. Ao se deparar com números em diferentes contextos, a criança é desafiada a aprender, a desenvolver o seu próprio pensamento e a produzir conhecimentos a respeito.




  • Operações - Nos contextos mencionados, quando as crianças contam de dois em dois ou de dez em dez, isto é, quando contam agregando uma quantidade de elementos a partir de outra, ou contam tirando uma quantidade de outra, ou, ainda, quando distribuem figuras, fichas ou balas, elas estão realizando ações de acrescentar, agregar, segregar e repartir relacionadas a operações aritméticas. O cálculo é, portanto, aprendido junto com a noção de número.




  • Grandezas e medidas - Exploração de diferentes procedimentos para comparar grandezas.




  • Introdução às noções de medida de comprimento, peso, volume e tempo, pela utilização de unidades convencionais e não convencionais.




  • Marcação do tempo por meio de calendários.




  • Experiências com dinheiro em brincadeiras ou em situações de interesse das crianças.




  • Espaço e forma




  • Explicitação e representação da posição de pessoas e objetos, utilizando vocabulário pertinente nos jogos, nas brincadeiras e nas diversas situações nas quais as crianças considerarem necessária essa ação.




  • Exploração e identificação de propriedades geométricas de objetos e figuras, como formas, tipos de contornos, bidimensionalidade, tridimensionalidade, faces planas, lados retos.




  • Representações bidimensionais e tridimensionais de objetos.




  • Identificação de pontos de referência para situar-se e deslocar-se no espaço.




  • Descrição e representação de pequenos percursos e trajetos, observando pontos de referência.





  • Jogos e brincadeiras - Às noções matemáticas abordadas na educação infantil correspondem uma variedade de brincadeiras e jogos, principalmente aqueles classificados como de construção e de regras. Vários tipos de brincadeiras e jogos que possam interessar à criança pequena constituem-se rico contexto em que idéias matemáticas podem ser evidenciadas pelo adulto por meio de perguntas, observações e formulação de propostas. Pelo seu caráter coletivo, os jogos e as brincadeiras permitem que o grupo se estruture, que as crianças estabeleçam relações ricas de troca, aprendam a esperar sua vez, acostumem-se a lidar com regras, conscientizando-se de que podem ganhar ou perder.



Em todas as áreas de conhecimento de mundo do RCNEI, encontra-se um item específico para orientações gerais para o professor, organização do tempo nas modalidades: atividades permanentes, seqüência de atividades e projetos, além de observação, registro e avaliação formativa.
Nas orientações gerais para o professor, encontram-se várias sugestões para o trabalho específico das áreas. Como no caso do ambiente alfabetizador, diz-se que um ambiente é alfabetizador quando promove um conjunto de situações de usos reais de leitura e escrita nas quais as crianças têm a oportunidade de participar. Ampliar o conhecimento das crianças em relação a fatos e acontecimentos da realidade social e sobre elementos e fenômenos naturais requer do professor trabalhar com suas próprias idéias, conhecimentos e representações sociais acerca dos assuntos em pauta.
Na organização do tempo, aponta-se o cantar e o ouvir músicas; os ateliês ou os ambientes de trabalho nos quais são oferecidas diversas atividades simultâneas, como desenhar, pintar, modelar e fazer construções e colagens, para que as crianças escolham o que querem fazer; leitura, jogos de escrita, faz-de-conta; o uso de calendário assim como a distribuição de material, o controle de quantidades de peças de jogos ou de brinquedos como atividades sempre presentes no cotidiano das crianças e por isso, chamadas de atividades permanentes.
Também são rotineiros os cuidados com os animais e plantas criados e cultivados na sala ou no espaço externo da instituição.
O professor pode estabelecer um rodízio ou marcar um horário diário para que se possa aguar as plantas, dar comida aos animais, observá-los, fazer a limpeza necessária no local. Os jogos e brincadeiras também são atividades permanentes na música, assumem a cultura e o folclore. Jogos e brinquedos musicais são transmitidos por tradição. Envolvem o gesto, o movimento, o canto, a dança e o faz-de-conta. Esses jogos e brincadeiras são expressão da infância. Brincar de roda, ciranda, pular corda, amarelinha são maneiras de estabelecer contato consigo próprio e com o outro, de se sentir único e, ao mesmo tempo, parte de um grupo, e de trabalhar com as estruturas e formas musicais que se apresentam em cada canção e em cada brinquedo. Os jogos e brinquedos musicais da cultura infantil incluem os acalantos (cantigas de ninar); as parlendas (os brincos, as mnemônicas e as parlendas propriamente ditas); as rondas (canções de roda); as adivinhas; os contos; os romances.
Ao elaborar atividades que exijam uma seqüência ou graduação de dificuldades, mostram-se bem interessantes os jogos de percepção e observação do seu corpo e do corpo de seus colegas; desenhar a partir de uma interferência colocada previamente no papel, que pode ser um desenho ou uma colagem de uma parte do corpo humano; observação de figuras humanas nas imagens da arte; entre outros.
Nas atividades seqüenciadas de leitura, pode-se eleger, temporariamente, textos que propiciem conhecer a diversidade possível existente dentro de um mesmo gênero, como por exemplo, ler o conjunto da obra de um determinado autor.
Os projetos permitem uma interseção entre conteúdos de diferentes eixos de trabalho. A construção de um cenário para brincar ou de uma maquete, a ornamentação de um bolo de aniversário ou de uma mesa de festa, a elaboração de um painel, de uma exposição, ou a ilustração de um livro são exemplos de projetos de artes.
Nos projetos relacionados a qualquer eixo de trabalho, é comum que se faça uso do registro escrito como recurso de documentação. Elaborar um livro de regras de jogos, um catálogo de coleções ou um fascículo informativo sobre a vida dos animais, por exemplo, podem ser produtos finais de projetos.
A elaboração de projetos é, por excelência, a forma de organização didática mais adequada para se trabalhar com natureza e sociedade, devido à diversidade dos conteúdos que ele oferece e também ao seu caráter interdisciplinar.
Quanto ao item observação, registro e avaliação formativa são consideradas como experiências prioritárias para a aprendizagem musical realizada pelas crianças de até três anos: a atenção para ouvir, responder ou imitar; a capacidade de expressar-se musicalmente por meio da voz, do corpo e com os diversos materiais sonoros.
Uma maneira interessante de propiciar a auto-avaliação das crianças, nessa faixa etária, é o uso da gravação de suas produções. Ouvindo, as crianças podem perceber detalhes: se cantaram gritando ou não; se o volume dos instrumentos ou objetos sonoros estava adequado; se a história sonorizada ficou interessante; se os sons utilizados aproximaram-se do real. Em Artes Visuais, a avaliação deve buscar entender o processo de cada criança, a significação que cada trabalho comporta, afastando julgamentos, como feio ou bonito, certo ou errado, pois utilizados, dessa maneira, em nada auxiliam o processo educativo.
É possível aproveitar as inúmeras ocasiões em que as crianças falam, lêem e escrevem para se fazer um acompanhamento de seu progresso. Elaboração de perguntas, respostas, ampliação de vocabulário e do repertório de histórias são aspectos a serem observados na avaliação.
O contato com a natureza é de fundamental importância para as crianças e o professor deve oferecer oportunidades diversas para que elas possam descobrir sua riqueza e beleza. Por meio dela, pode-se conhecer mais acerca do que as crianças sabem fazer, do que pensam a respeito dos fenômenos que observam, do que ainda lhes é difícil entender, assim como conhecer mais sobre os interesses que possuem.
Considera-se que a aprendizagem de noções matemáticas na educação infantil esteja centrada na relação de diálogo entre adulto e criança e nas diferentes formas, utilizadas por estas últimas, para responder perguntas, resolver situações-problema, registrar e comunicar qualquer idéia matemática.


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