2. 1 Um pouco da História do Modernismo



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2.1 Um pouco da História do Modernismo
O Modernismo é um período relativamente longo oriundo das Vanguardas Históricas1.

Os movimentos de Vanguarda conheceram uma rápida irradiação para além de suas fronteiras de origem chegando ao Brasil nos anos 20 do século passado. Houve um clima de efervescência e discussão sobre os ideais e procedimentos das Vanguardas, aliado aos debates sobre problemas artísticos, culturais e políticos internos. Foi neste período que surgiu o Modernismo brasileiro.

A famosa "Semana da Arte Moderna", em fevereiro de 19222, foi o marco inicial. Uma série de atividades artísticas foi apresentada, elas ocasionaram grande repercussão entre os intelectuais, políticos e jornalistas da época. Contudo, o intuito maior por partes dos modernistas não foi atingido: o desejo de obter contato direto com o povo brasileiro. Por fim os envolvidos decidiram romper com toda a forma de fazer arte, voltando-a para o povo e o modo de vida do mesmo. Eis, então, que aparece como solução a atitude de procurar substituir o conceito de raça e cultura, partindo de novos paradigmas, analisando a arte brasileira como algo efetivamente nacional3.

O Ideal Modernista era referenciar o novo, pensar o novo, incorporar e utilizar o passado das tradições brasileiras; não como formas inertes, mas sim, ressaltando-as como elementos para a criação. A idéia central era retratar e relatar tudo o que tinha relação com o mestiço, a favela, o regional, o urbano, o progresso desordenado; enfim, apresentar a cultura popular, referenciando o povo brasileiro, centrando-o em suas necessidades e apresentando-o à política e à própria sociedade.

O Modernismo brasileiro, atualmente reconhecido como um período de grande impulso responsável pelas conquistas e emancipações artísticas, conheceu vários momentos: a face inicial, entre 1917 a 1929, fase esta de apresentação dos ideais modernistas; a apresentação da negação a destruição de cânones anteriores, partindo da polêmica exposição artística de Anita Malffati4, passando pelos famosos futuristas5 e afirmando-se após a semana de 1922, consagrando artistas de variadas áreas, tais como: Di Cavalcanti, Anita Malfati, Victor Brecheret, Plínio Salgado, Mário de Andrade, Vila-Lobos, dentre outros.

Sem soma de dúvida a Semana de Arte Moderna abriu caminho para a difusão dos três princípios fundamentais do modernismo brasileiro: o direito permanente á pesquisa estética; a atualização da inteligência artística brasileira e a estabilização de uma consciência criadora nacional.

Todavia, houve variadas formações de facções ligadas ao Simbolismo. Dentro do próprio Modernismo defendiam-se bandeiras de toda a espécie, contrariando as mudanças sociais desejadas, desejando o autoritarismo e obedecendo a toda ordem de interesses e racionalizações do governo.

Com o intuito de esclarecer as propostas criadas pelo Modernismo publicaram-se revistas e manifestos durante a década de 20 a 30. Algumas célebres, tais como Klaxon (SP., 1922), Estética (RJ. 1924), a revista (BH., 1925), Revista do Brasil (SP, 1925) Revista de Antropofagia (SP,1928) dentre outras.

Concernente a Revista de Antropofagia (maio 1928-fev.1929,1ª dentição; mar.-ago. 1929, 2ª dentição) foi publicada em São Paulo nas duas fases “dentições”, segundo a terminologia “ antropofágica” . A Revista não tinha orientação ou pensamento de espécie alguma. A intenção era misturar de tudo um pouco, do radical e renovador “ Manifesto antropófago” de Oswald de Andrade às explicações teóricas de Plínio Salgado sobre a etimologia da língua Tupi, além de textos de qualidades desiguais que revelavam as trocas de experiências entre os escritores do Nordeste até o Sul do país.

A partir da revista surge o Manifesto antropófago. Questões referentes à estrutura política, econômica e cultural do país, implantadas por colonizadores, são levantadas. A Antropofagia, segundo Oswald de Andrade6 é uma metáfora, um diagnóstico e uma medida terapêutica. Para o escritor deveríamos repudiar, assimilar e superar em prol de nossa independência cultural; diagnóstico da sociedade brasileira reprimida por uma colonização predatória; e terapêutica porque vista como forma eficaz de reação contra a violência aqui praticada pelo processo colonizador.

Ao contrário de outras correntes nacionalistas que caminhavam para a idealização de um Estado ora forte, ora integralista, A antropofagia promoveu um mergulho nas fontes primitivas para articulá-las a uma reflexão, de matiz anarquista e contestador, que faz do riso e da utopia uma forma de corrente. Diante de tais atitudes, percebe-se que a Antropofagia7 surgiu para a seguinte finalidade: Explicitar, dura, irônica e agressivamente as contradições cridas e geradas pelas diversas facções literárias.

Outros manifestos ocorreram durante os sucessores anos, referente ao período de 1930 a 1945 foi total a conquista do público para a literatura. Porém, em tal período, a ênfase foi o conteúdo; ou seja, foi à fase das contradições sociais, carregada de substâncias ideológicas.

De fato, o extremismo no nível da linguagem foi a grande mudança apresentada pelo modernismo. Mas algo é sabiamente demarcado: por ser um período longo, de inúmeros representantes, há certa dificuldade para definir os momentos internos referente ao período correspondente a 1930 até os dias atuais, afinal muitos dos autores que estrearam durante o referido período atuam até hoje.

Porém, há dois momentos históricos culturais que se destacam entre os 40 anos de Modernismo (1930 e 1970).

Entre 1930 e 1945, apresenta-se o seguinte panorama literário: ficção regionalista, ensaísmo social e aprofundamento da lírica moderna. Autores como Drumond, Murilo Mendes, Jorge de lima, Vinicius de Morais são alguns destaques.
Em 1945 outros pontos são salientados: o tema e a ideologia do desenvolvimento; a renovação pelo gosto da arte popular, o surgimento da poesia concreta, pelas mãos de Graciliano Ramos e de João Cabral de Melo Neto; a ficção intimista com Lygia Fagundes Telles, Dalton Trevisam e outros; a prosa brasileira, destacando a linguagem, misturada e calcada em aspectos do falar sertanejo, misturado à pesquisa erudita, aos arcaísmos , à exploração sonora, de Guimarães Rosa e Clarice Lispector com a abordagem ao fluxo psíquico, à ênfase na linguagem, a originalidade e o modo anticonvencional pelo qual organiza seus textos.

O sentido do Modernismo

O termo Modernismo – e tudo aquilo que ele significa – não pode ser abordado numa perspectiva exclusivamente nacional. Devemos então considerá-lo sob os seguintes ângulos:

É um grande movimento internacional, a exemplo do Renascimento, que surge mais ou menos simultaneamente, em vários países europeus, traduzindo de maneira rica, complexa e contraditória os efeitos da modernização sobre a vida sócio-cultural, sobre o comportamento e sobre a psicologia individual.

(Entende-se por modernização o processo deflagrado sobremodo a partir da II Revolução Industrial e que gerou fenômenos de urbanização, industrialização crescente, ampliação de serviços, escolarização, valorização do ócio e do lazer e notáveis mudanças nas esferas científicas, tecnológicas e ideológicas.)

2 - O Modernismo apresenta múltiplos aspectos temáticos, revoluções formais de toda a ordem e visões de mundo renovadoras. Na verdade, mais do que uma profunda revolução artística, ele expressa uma nova forma do homem ocidental ver, sentir e interpretar a existência.


Portanto, o espírito moderno é o produto das novas e ambíguas experiências que o ser humano passa a vivenciar na cidade. Por um lado, estas metrópoles oferecem ao indivíduo infinitas possibilidades de realização pessoal, educacional, amorosa, econômica, etc. Por outro lado, desencadeiam sensações de desconforto, de mal-estar, de solidão e de desespero existencial.

Os referidos paradoxos constituem a noção básica da modernidade..

O processo histórico que gerou o Modernismo teve uma duração de cerca de cinqüenta anos*, começando ainda no século XIX. Contudo, a efetiva manifestação de novas concepções de vida e de arte deu-se nas três primeiras décadas do século XX, quando se verificou um impressionante confronto entre o novo e tudo aquilo que representava a tradição, isto é, as formas culturais e ideológicas do passado. Esta revolução, comandada por artistas, alcançou todos os setores criativos, recebendo o nome global de Arte Moderna. Sua expansão foi imediata atingindo um incontável número de países extra-europeus, entre os quais o Brasil.

3- É a designação de um movimento específico feito por jovens paulistas, especialmente entre os anos de 1922 a 1930. O termo “modernismo” – auto-aplicado pelos integrantes do grupo – indica tanto a adoção de inovações estéticas, originadas no contexto europeu**, quanto o combate ao passado artístico (e mental) do país. Como todo o movimento vanguardista, o Modernismo paulista revoluciona as estruturas tradicionais da arte brasileira, mas se esgota rapidamente. Ou seja, tem muita importância e curta duração Em 1930 o seu radicalismo formal já havia sido – em maior ou menor escala – assimilado ou até negado pelos novos autores que então surgiam.

Sob este ângulo não se justificam classificações como a de “Segunda Fase Modernista” para abranger autores tão diversificados como Graciliano Ramos, Jorge Amado ou Vinícus de Moraes, que nada ou quase nada tem a ver com os princípios de 1922, apenas para citar alguns exemplos.

SURGIMENTO DO MOVIMENTO

Iniciou-se no Brasil com a SAM de 1922. Mas nem todos os participantes da Semana eram modernistas: o pré-modernista Graça Aranha foi um dos oradores. Apesar de não ter sido dominante no começo, como atestam as vaias da platéia da época, este estilo, com o tempo, suplantou os anteriores. Era marcado por uma liberdade de estilo e aproximação da linguagem com a linguagem falada; os de primeira fase eram especialmente radicais quanto a isto.



Didaticamente, divide-se o Modernismo em três fases:
1: a primeira fase, mais radical e fortemente oposta a tudo que foi anterior, cheia de irreverência e escândalo;

2: uma segunda mais amena, que formou grandes romancistas e poetas;

3: uma terceira, também chamada Pós-Modernismo por vários autores, que se opunha de certo modo a primeira e era por isso ridicularizada com o apelido de neoparnasianismo.
Referências históricas


  1. Início do século XX: apogeu da Belle Époque. O burguês comportado, tranqüilo, contando seu lucro. Capitalismo monetário.

  2. Industrialização e Neocolonialismo.

  3. Reivindicações de massa. Greves e turbulências sociais. Socialismo ameaça.

  4. Progresso científico: eletricidade. Motor a combustão: automóvel e avião.

  5. Concreto armado: “arranha-céu”. Telefone, telégrafo.

  6. Mundo da máquina, da informação, da velocidade.

  7. Primeira Guerra Mundial e Revolução Russa.

  8. Abolir todas as regras. O passado é responsável. O passado, sem perfil, impessoal. Eliminar o passado.

9-Arte Moderna. Inquietação. Nada de modelos a seguir.

10- Recomeçar. Rever. Reeducar. Chocar. Buscar o novo: multiplicidade e velocidade, originalidade e incompreensão, autenticidade e novidade.

11-Vanguarda - estar à frente, repudiar o passado e sua arte. Abaixo o padrão cultural vigente.

Primeira fase Modernista no Brasil (1922-1930)
Caracteriza-se por ser uma tentativa de definir e marcar posições. Período rico em manifestos e revistas de vida efêmera.

Um mês depois da SAM, a política vive dois momentos importantes: eleições para Presidência da República e congresso (RJ) para fundação do Partido Comunista do Brasil. Ainda no campo da política, surge em 1926 o Partido Democrático que teve entre seus fundadores Mário de Andrade.

É a fase mais radical justamente em conseqüência da necessidade de definições e do rompimento de todas as estruturas do passado. Caráter anárquico e forte sentido destruidor.
Principais autores desta fase:
Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Antônio de Alcântara Machado, Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo, Guilherme de Almeida e Plínio Salgado.
Características literárias:

busca do moderno, original e polêmico;nacionalismo em suas múltiplas facetas;volta às origens e valorização do índio verdadeiramente brasileiro;“língua brasileira” - falada pelo povo nas ruas ; paródias – tentativa de repensar a história e a literatura brasileiras



A postura nacionalista apresenta-se em duas vertentes:

A: nacionalismo crítico, consciente, de denúncia da realidade, identificado politicamente com as esquerdas.

B: nacionalismo ufanista, utópico, exagerado, identificado com as correntes de extrema direita.
Manifestos e Revistas

Revista Klaxon — Mensário de Arte Moderna (1922-1923)
Recebe este nome, pois klaxon era o termo usado para designar a buzina externa dos automóveis. Primeiro periódico modernista, é conseqüência das agitações em torno da SAM. Inovadora em todos os sentidos: gráfico, existência de publicidade, oposição entre o velho e o novo.

“— Klaxon sabe que o progresso existe. Por isso, sem renegar o passado, caminha para diante, sempre, sempre.”



Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924-1925)

Escrito por Oswald e publicado inicialmente no Correioda Manhã. Em 1925, é publicado como abertura do livro de poesias Pau-Brasil de Oswald. Apresenta uma proposta de literatura vinculada à realidade brasileira, a partir de uma redescoberta do Brasil.

“— A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela sob o azul cabralino, são fatos estéticos.”

“— A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.”



A Revista (1925-1926): Responsável pela divulgação dos ideais modernistas em MG. Teve apenas três números e contava com Drummond como um de seus redatores.

Verde-Amarelismo (1926-1929)
É uma resposta ao nacionalismo do Pau-Brasil. Grupo formado por Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo. Criticavam o “nacionalismo afrancesado” de Oswald. Sua proposta era de um nacionalismo primitivista, ufanista, identificado com o fascismo, evoluindo para o Integralismo de Plínio Salgado (década de 30). Idolatria do tupi e a anta é eleita símbolo nacional. Em maio de 1929, o grupo verde-amarelista publica o manifesto “Nhengaçu Verde-Amarelo — Manifesto do Verde-Amarelismo ou da Escola da Anta”.
Manifesto Regionalista de 1926:
1925 e 1930 é um período marcado pela difusão do Modernismo pelos estados brasileiros. Nesse sentido, o Centro Regionalista do Nordeste (Recife) busca desenvolver o sentimento de unidade do Nordeste nos novos moldes modernistas. Propõem trabalhar em favor dos interesses da região, além de promover conferências, exposições de arte, congressos etc. Para tanto, editaram uma revista. Vale ressaltar que o regionalismo nordestino conta com Graciliano Ramos, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, Jorge Amado e João Cabral - na 2ª fase modernista.
Revista Antropofagia (1928-1929)

Contou com duas fases (dentições): a primeira com 10 números (1928 e 1929) direção Antônio Alcântara Machado e gerência de Raul Bopp; a segunda foi publicada semanalmente em 16 números no jornal Diário de São Paulo (1929) e seu “açougueiro” (secretário) era Geraldo Ferraz.

É uma nova etapa do nacionalismo Pau-Brasil e resposta ao grupo Verde-amarelismo. A origem do nome movimento esta na tela “Abaporu” de Tarsila do Amaral.
1ª fase - inicia-se com o polêmico manifesto de Oswald e conta com Alcântara Machado, Mário de Andrade (2º número publicou um capítulo de Macunaíma), Carlos Drummons (3º número publicou a poesia “No meio do vaminho”); além de desenhos de Tarsila, artigos em favor da língua tupi de Plínio Salgado e poesias de Guilherme de Almeida.
2ª fase - mais definida ideologicamente, com ruptura de Oswald e Mário de Andrade. Estão nessa segunda fase Oswald, Bopp, Geraldo Ferraz, Oswaldo Costa, Tarsila, Patrícia Galvão (Pagu). Os alvos das críticas (mordidas) são Mário de Andrade, Alcântara Machado, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia e Plínio Salgado.
OBSERVAÇÃO “SÓ A ANTROPOFAGIA nos une, Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. / Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. / De todos os tratados de paz. / Tupi or not tupi, that is the question.” (Manifesto Antropófago)
“A nossa independência ainda não fo proclamada. Frase típica de D. João VI: — Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.” (Revista de Antropofagia, nº 1)
AUTORES INFLUENTES
Manuel Bandeira (1886-1968)

É uma das figuras mais importantes da poesia brasileira e um dos iniciadores do Modernismo. Do penumbrismo pós-simbolista de A Cinza das Horas às experiências concretas da década de 60 de Composições e Ponteios, a poesia de Bandeira destaca-se pela consciência técnica com que manipulou o verso livre. Participa indiretamente da SAM, quando Ronald de Carvalho declama seu poema Sapos.

Sempre pensando que morreria cedo (tuberculoso), acabou vivendo muito e marcando a literatura brasileira. Morte e infância são as molas propulsoras de sua obra. Ironizava o desânimo provocado pela doença, mas em Cinza das Horas apresenta melancolia e sofrimento por causa da “dama branca”. Além de ser um poeta fabuloso, também foi ensaísta, cronista e tradutor. O próprio autor define sua poesia como a do "gosto humilde da tristeza".

EXEMPLO:

“Febre, hemoptise, dispnéia, e suores noturnos. / A vida inteira que podia ter sido e que não foi. / Tosse, tosse, tosse. / Mandou chamar o médico: / — Diga trinta e três. / — Trinta e três... trinta e três... trinta e três... / — Respire. (...) / — O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. / — Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? / — Não. A única coisa a fazer e tocar um tango argentino.”
Mário de Andrade (1893-1945)
Um dos organizadores do Modernismo e da SAM, foi o que apresentou projeto mais consistente de renovação. Começou escrevendo críticas de arte e poesia (ainda parnasiana) com o pseudônimo de Mário Sobral. Rompeu com o Parnasianismo e o passado com Paulicéia Desvairada e a Semana, da qual participou ativamente.

Injetou em tudo que fez um senso de problemático brasileirismo, daí sua investida no folclore. De jeito simples, sua coloquialidade desarticulou o espírito nacional de uma montanha de preconceitos arcaicos. Lutou sempre por uma literatura brasileira e com temas brasileiros.

“O passado é lição para se meditar e não para se reproduzir” - afirmava assim a necessidade de um presente novo, inventivo.





Obras Principais

Poesia: Paulicéia Desvairada (1922)

Prosa: Macunaíma (1928)

Oswald de Andrade (1890-1853)
Foi poeta, romancista, ensaísta e teatrólogo. Figura de muito destaque no Modernismo Brasileiro, ele trouxe de sua viagem a Europa o Futurismo. Formado em Direito, Oswald era um playboy extravagante: usa luvas xadrez e tinha um Cadillac verde apenas porque este tinha cinzeiro, para citar apenas algumas de suas muitas extravagâncias. Amigo de Mário de Andrade, era seu oposto: milionário, extrovertido, mulherengo (casou-se 5 vezes, as mais célebres sendo as duas primeiras esposas: Tarsila do Amaral e Patrícia "Pagu" Galvão).

Foi um dos principais artistas da Semana de Arte Moderna e lançou o Movimento Pau-Brasil e a Antropofagia, corrente que pretendia devorar a cultura européia e brasileira da época e criar uma verdadeira cultura brasileira.

Fazendeiro de café, perdeu tudo e foi à falência em 1929 com o crash da Bolsa de Valores. Militante esquerdista, passou a divulgar o Comunismo junto com Pagu em 1931, mas desligou-se do Partido em 1945.



Sua obra é marcada por irreverência, coloquialismo, nacionalismo, exercício de demolição e crítica. Incomodar os acomodados, estimular o leitor através de palavras de coragem eram constantes preocupações desse autor.






















Segunda fase Modernista no Brasil - (1930-1945)
Estende-se de 1930 a 1945, sendo um período rico na produção poética e também na prosa. O universo temático se amplia e os artistas passam a preocupar-se mais com o destino dos homens, o estar-no-mundo.
















Durante algum certo tempo, a poesia das gerações de 22 e 30 conviveram. Não se trata, portanto, de uma sucessão brusca. A maioria dos poetas de 30 absorveria parte da experiência de 22: liberdade temática, gosto da expressão atualizada ou inventiva, verso livre, anti-academicismo.

A poesia prossegue a tarefa de purificação de meios e formas iniciada antes, ampliando a temática na direção da inquietação filosófica e religiosa, com Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, ao tempo em que a prosa alargava a sua área de interesse para incluir preocupações novas de ordem política, social e econômica, humana e espiritual.

À piada sucedeu a gravidade de espírito, a seriedade da alma, propósitos e meios. Uma geração grave, preocupada com o destino do homem e com as dores do mundo, pelos quais se considerava responsável, deu à época uma atividade excepcional.
A geração de 30 não precisou ser combativa como a de 22. Eles já encontraram uma linguagem poética modernista estruturada. Passaram então a aprimorá-la e extrair dela novas variações, numa maior estabilidade.

Autores:


Carlos Drummond

Cecília Meireles

Murilo Mendes

Vinicius de Moraes



Segunda fase Modernista no Brasil (1930-1945) – Prosa
Romances caracterizados pela denúncia social, verdadeiro documento da realidade brasileira, atingindo elevado grau de tensão nas relações do eu com o mundo.

Uma das principais características do romance brasileiro é o encontro do escritor com seu povo. Há uma busca do homem brasileiro nas diversas regiões, por isso o regionalismo ganha importância, com destaque às relações do personagem com o meio natural e social.

Os escritores nordestinos merecem destaque especial, por sua denúncia da realidade da região pouco conhecida nos grandes centros.

Esses romances retratam o surgimento da realidade capitalista, a exploração das pessoas, movimentos migratórios, miséria, fome, seca etc.



Autores Principais

Rachel de Queiroz

José Lins do Rego

Graciliano Ramos

Jorge Amado
Terceira fase Modernista no Brasil (1945- +/- 1960)
A literatura brasileira, assim como o cenário sócio-político, passa por transformações.

A prosa tanto no romance quanto nos contos busca uma literatura intimista, de sondagem psicológica, introspectiva, com destaque para Clarice Lispector. Ao mesmo tempo, o regionalismo adquire uma nova dimensão com Guimarães Rosa e sua recriação dos costumes e da fala sertaneja, penetrando fundo na psicologia do jagunço do Brasil central.

Um traço característico comum à Clarice e Guimarães Rosa é a pesquisa da linguagem, por isso são chamados instrumentalistas.

Enquanto Guimarães Rosa preocupa-se com a manutenção do enredo com o suspense, Clarice abandona quase que completamente a noção de trama e detém-se no registro de incidentes do cotidiano ou no mergulho para dentro dos personagens.

Na poesia, surge uma geração de poetas que se opõem às conquistas e inovações dos modernistas de 22. A nova proposta foi defendida, inicialmente, pela revista Orfeu (1947). Assim, negando a liberdade formal, as ironias, as sátiras e outras “brincadeiras” modernistas, os poetas de 45 buscam uma poesia mais “equilibrada e séria”.
Referências históricas

1945 = fim da 2ª GM, início da Era Atômica (Hiroxima e Nagasaki), ONU, Declaração dos Direitos do Homem, Guerra Fria. No Brasil, fim da ditadura Vargas, redemocratização brasileira, retomada de perseguições políticas, ilegalidades e exílios.


Autores Principais

Guimarães Rosa (1908 - 1967)
Clarice Lispector (1925 - 1977)

Características de sua produção literária:




  1. sondagem dos mecanismos mais profundos da mente humana;

  2. técnica “impressionista” de apreensão dessa realidade interior (predominância de impressões, de sensações);

  3. ruptura com a seqüência linear da narrativa;

predomínio do tempo psicológico e, portanto, subversão do tempo cronológico;

  1. características físicas das personagens diluem-se: muitas nem nome apresentam;

  2. as ações passam a ter importância secundária, servindo principalmente como ilustração de características psicológicas das personagens (introspecção psicológica);

  3. introdução da técnica do fluxo da consciência - quebra os limites espaço-temporais e o conceito de verossimilhança, fundindo presente e passado, realidade e desejo na mente dos personagens, cruzando vários eixos e planos narrativos sem ordem ou lógica aparente;

  4. presença da epifania (“revelação”): aparentemente equilibradas e bem ajustadas, subitamente as personagens sentem um estranhamento frente a um fato banal da realidade. Nesse momento, mergulham num fluxo de consciência, do qual emergem sentindo-se diferentes em relação a si mesmas e ao mundo que as rodeia; esse desequilíbrio momentâneo por certo mudará sua vida definitivamente;

  5. suas principais personagens são mulheres, mas não se limitam ao espaço do ambiente familiar: Clarice visa a atingir valores essenciais humanos e universais tais como a falsidade das relações humanas, o jogo das aparências, o esvaziamento do mundo familiar, as carências afetivas e as inseguranças delas decorrentes, a alienação, a condição da mulher, a coexistência dos contrastes, das ambigüidades, das contradições do ser, num processo meio “barroco”;




  1. fusão de prosa e poesia, com emprego de figuras de linguagem: metáforas, antíteses (eu x não-eu, ser x não ser), paradoxos, símbolos e alegorias, aliterações e sinestesias;

uso de metalinguagem - “Algumas pessoas cosem para fora; eu coso para dentro”- em associação com os processos intimistas e psicológicos, político-sociais, filosóficos e existenciais (A Hora da Estrela, 1977). “Depois que descobri em mim mesma como é que se pensa, nunca mais pude acreditar no pensamento dos outros”.

1 No período compreendido entre os acontecimentos que geraram a explosão da primeira (1914-1918) e da segunda (1939-1945) guerras mundiais que vemos surgir os movimentos artísticos denominados Vanguarda. As Vanguardas, hoje históricas, foram movimentos altamente radicais que alteraram os rumos da literatura e das demais artes. O Futurismo (1909), o Expressionismo (1910), o cubismo (1913), o Dadaísmo (1916) e o Surrealismo (1924) foram os principais resultados desta atitude artística e cultural de contestação de um mundo em crise. ( HELENA, Lucia. Modernismo Brasileiro e Vanguarda.São Paulo: Ática,1996.p.05)

2 Em 1922, nos dias 13,15e 17 de fevereiro realizou-se no Teatro Municipal de São Paulo a primeira manifestação coletiva de arte moderna no pais. Representantes da música, da literatura e artes plásticas expuseram seus trabalhos à apreciação pública. Ocuparam as escadarias, o saguão, o palco com agressividade raras vezes vista no belo e burguês centro da capital paulista. A Semana de Arte Moderna se traduz hoje em tudo o que se fez imediatamente antes e nos dez anos seguintes a fevereiro de 1922, e exprime simbolicamente o movimento modernista. A forma como se realizou a Semana, o espírito que a impulsionou, a paixão violenta com que se discutiam as idéias, confundem-se naturalmente com a idéia de movimento, que supõe rupturas e polêmicas. Contudo, o Modernismo engloba o movimento e a Semana e vai além deles.(REZENDE, Neide. A semana de Arte Moderna. São Paulo: Ática, 2002.p.07.)

39 Aqui se embutem não só questões de ordem estética e social, como a valorização ao que nacional, como o repúdio às formas consagradas pelo academicismo parnasiano e naturalista; como também questões primordialmente culturais, como a da discussão da dependência brasileira das matrizes da colonização européia, até gravíssimas questões políticas, como a do elogio e do veto á concepção do Estado como instituição necessariamente forte e centralizadora.

4 Anita Malfatti, amiga de Mário e Oswald de Andrade. Considerada a pintora que deu o Estopim para o Modernismo. Recém-chegada da Alemanha e tendo também estudado nos EEUU, suas obras apresentavam traços do Expressionismo e do Cubismo, que modificavam a antiga “arte do retrato” e da descrição da natureza. ( HELENA, Lucia. Modernismo Brasileiro e Vanguarda.São Paulo: Ática,1996.p.43) .

5Futuristas é como se passam a denominar os jovens artistas da época, a exemplo de Victor Brecheret, escultor.

6 Nunes, Benedito. Antropofagia ao alcance de todos. In: ANDRADE, Oswald de. Do pau-brasil à antropofagia e às utopias. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1978. p.XXV-VI.

7 A Antropofagia, enquanto conceito, apresenta uma face produtiva, diversa da pura destruição com que costuma aparecer no discurso ‘civilizado’ sobre a “ barbárie”, que utiliza o ato canibal como signo de violência máxima. Sob a perspectiva oswaldiana e selvagem, a antropofagia preconiza uma espécie de transubstanciação na qual aquele que é o devorador se altera no devorado. A morte e devoração do outro recria o próprio, dentro desta perspectiva, o discurso ressentido das relações coloniais torna-se discurso produtivo de identidades. ( ALMEIDA, Mª Cândida. Só me interessa o que não é meu: a antropofagia de Oswald de Andrade”.)






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