2 Caracterízação do meio físicO das bacias hidrográficas dos rios aguapeÍ e peixe



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Relatório de Situação dos Recursos Hídricos

das Bacias dos Rios Aguapeí e Peixe - 1997



2 - Caracterízação DO MEIO físicO das bacias HIDROGRÁFICAS doS RIOS AguapeÍ e peixe

Apresentam-se neste item as principais características referentes a geologia, geomorfologia, pedologia, uso e ocupação do solo e clima da área das Bacias dos rios do Peixe e Aguapeí, analisados e compilados de trabalhos anteriores existente na área objeto dos estudos.



2.1. Geologia

O substrato geológico aflorante nas Bacias dos rios do Peixe e Aguapeí é constituído por rochas vulcânicas e sedimentares da Bacia do Paraná de idade mesozóica e depósitos aluvionares de idade cenozóica. Sua coluna estratigráfica apresenta respectivamente da base para o topo a seguinte seqüência de formações geológicas:





  • Grupo São Bento: Formação Serra Geral;



  • Grupo Bauru: Formações Caiuá, Santo Anastácio, Adamantina e Marília;



  • Depósitos Cenozóicos.

Essas formações geológicas estão apresentadas no Mapa 3, Anexo 1, em escala 1:250.000, sendo compilação do Mapa Geológico do Estado de São Paulo editado pelo IPT, em escala 1:500.000 (IPT 1981a).


2.1.1. Formação Serra Geral (JKsg)

As eruptivas da Serra Geral (White 1908) compreendem um conjunto de derrames de basaltos toleíticos entre os quais se intercalam arenitos com as mesmas características dos pertencentes à Formação Botucatu. Associam-se-lhes corpos intrusivos de mesma composição, constituindo sobretudo diques e sills.


De acordo com estudos do IPT (IPT 1981a), os derrames afloram em São Paulo na parte superior das escarpas das cuestas basálticas e de morros testemunhos delas isolados pela erosão. Nos planaltos de rebordo dessas cuestas podem cobrir grandes extensões, como no nordeste do Estado. Penetram pelos vales que drenam o Planalto Ocidental, expondo-se principalmente nos dos rios Paranapanema, Tietê, Moji-Guaçu e Grande.
Na Bacia do Aguapeí-Peixe, a Formação Serra Geral ocorre restrita a calha do Rio Aguapeí, no município de Santópolis do Aguapeí.
A Formação Serra Geral é recoberta em discordância angular, geralmente muito disfarçada, pelas várias formações que constituem o Grupo Bauru, ou depósitos cenozóicos. Localmente a discordância é observada em afloramento, podendo ser bem acentuada, tendo mesmo levado à total erosão dos basaltos, quando aquele grupo repousa sobre rochas paleozóicas, como é o caso da região próxima a Bauru. A superfície basal do Grupo Bauru, desenvolveu-se à custa da erosão de espessura não conhecida, possivelmente considerável, da Formação Serra Geral, após ter sido esta deformada por falhas e adernamentos.
A máxima espessura da formação, conhecida na sondagem de Presidente Epitácio, próximo à margem do rio Paraná, na região central e mais subsidente da bacia, é de 1529 metros. As espessuras expostas em São Paulo, nas serras basálticas e bordas do Planalto Ocidental, possivelmente não alcançam um terço desse valor, mas não há elementos seguros para estimá-la.
Os derrames são formados por rochas de cor cinza escura a negra, de textura afanítica. Têm espessura individual variável, desde poucos metros a 50 metros ou mesmo 100 metros (Leinz 1949). Sua extensão horizontal, a julgar-se pelo exame de exposição nas escarpas das serras, no vale do rio Grande e por análise de fotografias aéreas, pode ultrapassar 10 quilômetros.
Nos derrames mais espessos, a zona central é maciça, microcristalina, fraturada por juntas subverticais de contração, dividindo a rocha em colunas. A parte superior do derrame, numa espessura que pode alcançar 20 metros (Leinz et al, 1966) nos mais espessos, toma aspecto melafírico, aparecendo vesículas amígdalas, com freqüência alongadas horizontalmente, e sendo aí maior a porcentagem de matéria vítrea na rocha. As amígdalas são parcial ou inteiramente preenchidas por calcedônia, quartzo, calcita, zeólita nontronita, mineral que lhes imprime cor verde. Grandes geodos de quartzo e calcedônia podem existir parte mais profunda dessa zona melafírica. Também na zona basal dos derrames apresentam-se aspectos semelhantes, porém em espessura e abundância sensivelmente mais reduzidas. Tanto nas porções basais como no topo dos grandes derrames apresentam-se juntas horizontais, o que seria, pelo menos em parte, devido ao escoamento laminar da lava no interior dos derrames (Bagolini 1971). Estruturas fluidais raramente se observam.
Arenitos intertrapianos apresentam-se intercalados entre derrames ou grupos de derrames. Têm mesmas características que os da Formação Botucatu, geralmente mostrando estruturas tipicamente dunares, outras manifestando natureza hidroclástica. Podem mostrar-se silicificados em espessuras de alguns metros. A espessura dessas intercalações varia, de centímetros ou decímetros até 50 metros.
Numerosos diques acompanharam, em sua formação, as efusões das lavas, para as quais certamente muitos serviram de conduto. Apresentam espessuras as mais variadas, de centímetros a mais de 200 metros. São mais numerosos em zonas que sofreram arqueamentos, a cujo eixo são subparalelos. Os diques são geralmente simples, mas exemplos de diques múltiplos existem. Preenchem fendas de tração, sendo paralelas suas paredes. Podem associar-se a sills e cortarem derrames. São aproximadamente verticais.
Petrograficamente os basaltos da Formação Serra Geral apresentam composição mineralógica muito simples, essencialmente constituídos de plagioclásio (labradorita zonada) associada a clinopiroxênios (augita e às vezes também pigeonita). Acessoriamente mostram-se titano-magnetita, apatita, quartzo e raramente olivina ou seus produtos de transformação. Matéria vítrea, ou produtos de desvitrificação, podem ser abundantes, sobretudo às bordas dos derrames. A textura destes é intergranular ou intersertal, fina a muito fina, às vezes microlítica, com estrutura fluidal podendo manifestar-se. Os diques e sills têm granulação mais grossa, são holocristalinos e freqüentemente apresentam textura ofítica. Nas bordas, contudo, texturas e estruturas semelhantes às dos derrames são às vezes observadas em diques e sills, em pequena espessura. A pouca freqüência com que se manifestam estruturas fluidais faz pensar que as lavas cessaram de correr quando ainda muito líquidas, o que implica em rápida intrusão, escoamento e represamento.
A uniformidade dos derrames, a vasta extensão que cobrem, a associação a diques contemporâneos, a preservação local de morfologia das dunas e a raridade de produtos piroclásticos indicam que os basaltos da Formação Serra Geral se originaram do extravasamento rápido de lava muito fluida através de geoclases e menores falhas. Produtos de erosão dos basaltos não são conhecidos no interior da formação, parecendo indicar não ter havido hiatos significativos durante o processo vulcânico. A persistência das condições desérticas durante o vulcanismo é comprovada pela existência das intercalações eólicas.

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