2 o jogo da capoeira



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3. 1830-1840.

Com a abdicação de Pedro I e o período regencial, cresce a desordem urbana - é uma década extremamente conturbada. O Arsenal de Marinha, com seus próprios problemas, não recebia mais escravos presos e a construção do Dique foi paralisada. O Calabouço era o novo destino dos capoeiras.


Os conflitos entre as "pre-maltas" - geralmente de até três escravos capoeiras - aumentam a medida que os escravos-capoeiras começam a delimitar mais fortemente seus "territórios". Soares diz que as praças com chafarizes, onde os escravos iam buscar água para a casa senhorial, eram um ponto-chave de encontro de capoeiras e também um dos fatores que incentivou a formação dos diferentes "territórios"; o domínio do chafariz, onde negros muitas vezes se desentendiam ao buscar água, ajudou a criar a necessidade de controlarem "seu" território.
Pela primeira vez, aparecem relatos de capoeiristas escalando, por fora, as torres de igrejas e saltando sobre os sinos - com perigo de queda e morte - fazendo-os soar, inesperadamente de madrugada, ou em dias de festa e procissão ante o olhar embabascado da multidão. As igrejas eram marcos nítidos e importantes das diferentes áreas e freguesias da cidade - e "dominá-las" era simbólico de dominar aquela freguesia.

Talvez (com boa vontade) possamos escutar ecos desta alucinada e temerária prática entre os grafiteiros e pichadores cariocas do sec.XXI. Os grafiteiros desenham obras de cunho "artístico" nos muros da cidade e são admirados por sua arte; os pichadores, por sua vez, apenas rabiscam sua assinatura, ou seu logotipo, em muros, paredes, monumentos; são admirados - os pichadores - por escalarem, com risco de queda e morte, edifícios e outras "verticais" metropolitanas - quanto mais alto e de mais difícil acesso, maior o prestígio do pichador entre seus pares.

Recentemente cruzei com um conhecido pichador - morador da favela da Rocinha -, nas madrugadas cariocas, perto da Praça do Jockey - o popular "Baixo Gávea", com seus bares e botequins, um dos redutos de jovens e adolescentes da classe média da Zona Sul. Um grupo de uns dez jovens olhavam embasbacados a recém feita pichação, no quarto andar da parede de um prédio, um local absolutamente impossível de escalar. O autor, de pé e um pouco a parte do grupo, com um baseado na mão olhava sua obra - lá em cima - e comentou comigo: "tem o perigo dos canas (policiais) - tem que estar sempre na atividade -, e tem o perigo de cair lá da casa do caralho... depois que a gente desce e vê o que fez, a gente nem acredita".

Outra prática temerária contemporânea, que já levou a morte inúmeros jovens, é a dos surfistas ferroviários: de pé, sobre o teto dos trens suburbanos da E.F.Central do Brasil, equilibram-se, evitam os fios de alta tensão que atravessam pelo alto a ferrovia; "surfam", desafiando uma possível queda e os agentes policiais ferroviários, e tornam-se alvo de admiração dos jovens e demais viajantes que, apertados como sardinhas dentro dos vagões, dirigem-se ao trabalho.

Então, a temeridade dos jovens capoeiras que escalavam as torres e lançavam-se sobre os sinos, fazendo rebuliço em 1830, enxameou, século e meio mais tarde, a prática dos pichadores e dos surfistas ferroviários.
Já em 1830, aparecem denúncias de capoeiras no Corpo de Artífices (escravos que se disfarçavam de forros e se alistavam, ou forros propriamente ditos) - uma unidade do Exército que não ficava aquartelada. São os primeiros indícios do paradoxal e estranho "namoro", e das trocas, entre a capoeira e as forças armadas (e também o aparato policial) que vai se evidenciar fortemente após 1850.

A capoeira vai se infiltrar progressivamente entre militares e policiais, a tal ponto que, após a Guerra de Paraguai (1865) - onde os capoeiras destacaram-se com feitos de bravura - criou-se o mito, entre os militares, de que o capoeira era o "guerreiro brasileiro por excelência.

Assim, começamos a entender porque, após a extinção da capoeira carioca pela perseguição policial, já na passagem do sec. XIX para o XX, os primeiros manuais práticos de capoeiragem terão origem nos diferentes quartéis cariocas no começo dos 1900s.

apesar da proibição da prática por lei.

Em 1830, vemos o início destes bizarros relacionamentos - capoeira e militares, capoeira e polícia - urdindo no modelo triangular, capoeira / polícia (e militares) / senhores-de-escravos, uma complexa e rica tapeçaria de oposições e alianças cambiantes e aparentemente paradoxais. Os maus tratos que a soldadesca e a marujada recebiam - paralelo ao alistamento e "recrutamento voluntário" realizado com a captura de vadios e capoeiras nas ruas e de sentenciados na penitenciária -, também favoreceu a criação de laços entre marginais e indivíduos pertencentes às forças da repressão.
As "pre-maltas" eram pequenas, geralmente de até três indivíduos; são raros os casos de grupos de cinco ou seis presos por capoeira. A idade de entrada nas pre-maltas era por volta dos 18 anos - já no começo dos 1800s a capoeira torna-se uma fixação para os jovens escravos negros (e, até hoje, a faixa etária na qual a capoeira é mais praticada é, de longe, a adolescência e a juventude).

Mas já em 1831 temos notícias de uma malta de 200 negros e pardos que atacaram com uma chuva de pedras uma ronda de policiais paisanos - cidadãos com funções de polícia. Quando os policiais contra-atacaram, a malta se dividiu em duas, cada uma fugindo numa direção. O número de meliantes é assustador e incomum para a época - talvez um prenúncio das maltas do final dos 1800s -; e o fato de fugirem organizadamente - "com concerto e meditação" - em dois grupos deixou as autoridades preocupadas (SOARES, op.cit. 2001, p.190).


Vale salientar o ano de 1831 - já o início do período regencial - quando lusitanos, de um lado, e pardos e pretos, do outro, se enfretaram nas ruas centrais da capital do Império, o que culminou com abdicação e a partida de D.Pedro I para a Europa.
... (em 1831) o papel de libertos e cativos foi importante, até para se contrapor aos chumbos (lusitanos), mas, agora, sua permanência nas ruas e o uso de símbolos nacionais ("topes", fitas com as cores da bandeira nacional, por exemplo) eram perigosos e tinham de ser combatidos. O mesmo ocorre em relação a 1828, quando os moleques foram úteis para derrotar os irlandeses e alemães, mas após o fim do motim transformaram-se de solução em problema. De certa forma era um padrão que se repetia.

... Por tudo que vemos, a ação política dos escravos (e dos capoeiras) tinha um lugar destacado na caótica situação vigente no Rio. Mas ainda era uma ação acoplada ou derivada da ação de outros grupos.


A perseguição policial continua, violenta e acirrada, mas aparentemente sem resultados definitivos:

- N205 Justiça em 27/7/1834, manda que a Junta Policial proponha medidas para a captura e punição dos capoeiras e malfeitores...

- N148 Justiça em 17/4/1834, solicita providências a respeito dos operários do Arsenal da Marinha que se tornaram suspeitos de andar armados:

"No ato de saírem tais operários, serão apalpados os que parecerem suspeitos, a fim de prevenir-se reincidência de semelhantes acontecimentos, para o que tenho também nesta data reiterado ao Chefe de Polícia as ordens sobre capoeiras"...

- N149 Justiça em 17/4/1834, "para que desde o anoitecer sejam apalpados os pretos com o maior escrúpulo, e castigados devidamente todos os que forem encontrados com quaisquer armas ou intrumentos, bem como os capoeiras que forem achados em desordens"._72
Eram castigos tão violentos que o regente Feijó determinou que seriam dadas, no máximo, 50 chibatadas num dia, e um dia de intervalo até a próxima sessão.
No ano de 1835 teremos a rebelião farroupilha no sul, e a revolta dos malês em Salvador.

Os "minas" chegaram em grande número ao Rio de Janeiro, vindos justamente de Salvador - vendidos por seus senhores ou por conta própria, no caso de libertos e africanos livres -, após o fracasso da "revolta dos malês", na qual os haussas muçulmanos e nagôs foram agentes principais.

O Abade Étiene revela-nos sobre o movimento malê da Bahia, em 1835, aspectos que quase identificam essa suposta de escravos como um desabafo ou erupção de cultura adiantada (os malês), oprimida por outra, menos nobre (os brancos). Isto porque quase todos os revoltosos saberem ler e escrever em caracteres desconhecidos, "que se assemelhavam ao árabe"; os escravocratas portugueses e brasileiros "quase que só sabiam lançar no papel o jamegão; e este mesmo em letra troncha". (FREYRE, G. Casa grande e senzala, RJ, José Olympio Ed., 1981, p.299)_

A chegada dos malês - haussas e nagôs -, no Rio de Janeiro, vai modificar radicalmente as estratégias, e o perfil, da massa de escravos e das "pre-maltas". A cultura política escrava muda sob a influência dos "minas" (como eram chamados pelos escravocratas): o conflito direto é substituído pela dissimulação e pela construção de redes "subterâneas" de autoproteção e cumplicidade.

Esta "mudança das estratégias", da comunidade negra e da capoeira carioca, estava em ressonância com as "mudanças de estratégia" ocorridas em Salvador entre 1810 e 1830, que tinham as mães-de-santo como principais agentes: os cultos negros começaram a ser praticados abertamente e em seu próprio espaço (terreiros), e o Estado brasileiro e a comunidade branca passaram de uma posição de consentimento (como válvula de escape e para acentuar as diferenças tribais; dividir para reinar) para a repressão destas mesmas manifestações. E especificamente em relação à capoeira: a capoeira passaria, então, de arma física embutida no corpo do lutador para arma cultural embutida no corpo da comunidade. O que, mais tarde - já por volta de 1900, em Salvador -, se tornaria mais visível, com o uso do berimbau, da música e dos cantos, do aspecto predominantemente lúdico do jogo dentro da roda, etc. - coisa que não aconteceu no Rio.
Líbano Soares vai mais longe ainda: os "minas", no Rio de Janeiro, seriam a base das tradições africanas dos Nagoas , opostos aos Guaimus - as "mega-maltas" do final dos 1800s. Os nagoas dos últimos anos da Monarquia - incorporando crioulos, brancos, portugueses - permitiram a continuação da tradição, até a virada do século, quando a Praça 11 (naquelas mesmas freguesias, centro do Rio) se tornou o notório refúgio das memórias nagôs - e berço do samba.

Aí vemos um entrelaçamento dos minas-nagô, fugidos de Salvador para o Rio após a derrota do levante dos Malês (1835), com as maltas de capoeira do final dos 1800s, e com o malandro dos 1920s (em diante).

O malandro - decantado nos sambas após 1920 - com sua navalha, rasteiras, pernadas, terno de linho branco e camisa de seda vermelha, chapéu de panamá, conversa fluente e convincente -, foi o herdeiro solitário e deserdado das maltas (e dos minas-nagô). Solitário, pois as maltas tinham sido desbaratadas pela polícia e a nova estratégia - malandra - apontava para a vantagem do indivíduo (em oposição ao grupo que atraía mais repressão); e deserdado, pois não tinha a proteção dos poderosos políticos - que eram os patronos das maltas no final da monarquia.
Os "minas" eram também conhecidos como agentes de "sedução" e fuga de escravos do campo para a cidade, e vice-versa.
Por outro lado, o ambiente explosivo em todo o Caribe aumenta o temor, na Corte, de uma grande revolta negra. Após 1850, o temor da "grande revolta negra" vai ser substituído pelo temor dos "pequenos grupos criminogênicos negros".

Os zungus - antigas "casa de angu", locais de encontro e moradia de negros escravos e livres - começam a ser alvo da repressão policial.

A estratégia da repressão se sofistica: ao lado da violência e força bruta são empregados informantes e alcaguetes, negros e escravos, entre as "pre-maltas" e até mesmo no Calabouço.

Cresce lentamente a presença de pardos e "crioulos" (negros nascidos no Brasil) entre as maltas.

Moura73 nos apresentou um desenho (ver "6 - Anexo, iconografia", ilustração 5) de Briggs, de 1840, reproduzindo cena de rua, "Negros que vão levar açoutes", onde um dos condenados carrega um cartaz - "capoeira" - reforçando a idéia dos capoeiras serem um dos principais alvos da repressão no período que estamos enfocando.
4. 1840-1850.

A onda revolucionária que vareu todo o período regencial amainou mas o problema urbano da capoeira continua numa cidade de 160 mil almas, metade escravos.

Os crioulos, nascidos no Brasil, disputam com os africanos o controle das ruas. Aos poucos, negros livres começam a participar das "pre-maltas".

Os cortiços, além dos zungus, entram na mira da polícia.

Por volta de 1840, a Casa de Correção substitui o Calabouço que, por sua vez, substituíra o Arsenal da Ilha das Cobras.
Em que medida este 'domínio' da urbe, que a massa escrava exercia cotidianamente na cidade, nunca se manifestou numa revolução aberta, num levante generalizado
Primordialmente, a existência de um grande aparato militar... a heterogeneidade ética e cultural (dos escravos)... as maltas de capoeira eram a concretização possivel deste inconformismo escravo. Ao invés de reinvindicarem uma unidade dos cativos, elas lutavam por espaços limitados, restritos, pedaços do estreito mundo urbano colonial. Os conflitos com agentes do Estado colonial ou imperial não eram incoerentes com a guerra crônica entre as maltas de escravos (capoeiras): tanto uns quanto outros (os policiais e as outras maltas) eram invasores, beligerantes, se bem que em planos diferentes... a cidade era sua, mas não toda a cidade, ou toda de uma vez... eles forjaram uma cidade dentro da outra.

(SOARES, C.E.L. Capoeira escrava, Campinas, Ed. Unicamp, 2001, pp.231-232)


Soares cita alguns pesquisadores contemporâneos e sua importância nas pesquisas sobre a capoeiragem de antanho: Karash, Holloway, Soares, Alegranti e outros.

Mary Karash, em 1972, no clássico Slave life in Rio de Janeiro (1806-1850) - tese de doutorado, Univ. de Winsconsin - já tinha enfocado o aspecto lúdico e o de reação ao agressor escravista, além do aspecto de luta especialmente entre os "negros de ganho que assim defendiam suas mercadorias" (de certa maneira, em oposição a Libano Soares que preconiza que a clientela da capoeira era primordialmente de escravos que iam buscar água nos chafarizes, uma ocupação "baixa" na ordem escravocrata no interior das casas senhoriais).

Karash apontara também o contexto urbano, em oposição aos "puristas" das "origens rurais nas senzalas", ou a origem "heróica" nos quilombos.

Resaltava também um caráter de "associação" na capoeira, semelhante as sociedades secretas que, "segundo a polícia, urdiam revoltas no Rio" - talvez pensando na revolta dos malês em Salvador, em 1835 -; a capoeira, portanto, tinha "de permanecer em segredo" e que "em alguns caso, as duas (capoeira e rebeliões) estavam associadas". Líbano Soares, entretanto - em 2001 - mostra que a capoeira e as rebeliões escravas guardavam planos específicos, que poderiam se unir, mas geralmente "caminhavam paralelas" (Capoeira Escrava, Campinas, Ed. Unicamp, 2001, p.57).

Podemos pensar que essa é uma característica que vai sobreviver, evoluir e se sofisticar até fazer parte da "etica", "da "filosofia prática de vida" do capoeirista contemporâneo que, apesar de também ser uma ética alternativa à hegemônica, nada tem a ver com movimentos políticos ou ideologias denominados "de esquerda"; nada tem a ver com movimentos ou revoltas para "libertar o povo" ou "derrubar a tirania" (como veremos na "Ética").
Algranti (em 1988) avança mais a partir das colocações iniciais de Karash. Ela identifica a divisão de cores dentro da capoeira, o uso de símbolos como o assovio e outras características que definem um lugar específico ocupado pela capoeira no centro da comunidade escrava e negra do Rio de Janeiro, e mesmo no imaginário dos agentes policiais da época.

Mas repete Karash, "as maltas eram frutos de uma necessidade de autodefesa diante da violência policial e senhorial..." No entanto, não escapa de Algranti o paradoxo de escravos capoeira serem, ao mesmo tempo, uma dor de cabeça para os mantenedores da ordem pública e poderem ser aliciados pelas camadas dirigentes, como capangas de senhores privados, ou mesmo como auxiliares inesperados da ordem policial, como na repressão aos soldados estrangeiros amotinados em 1828. (Ibidem, 2001, pp.60-61)


Luis Carlos Soares (1988), por sua vez, enquadra a capoeira carioca do sec.XIX na categoria de "rebelião de baixa intensidade"; e que mais do que um "orgulho africano", era "uma atitude permanente de rebelião, apesar de não se dirigir diretamente contra a instituição escravista"; "não enfrentá-los diretamente, o que seria uma derrota certa", mas algo como "uma luta de guerrilha" (Ibidem, 2001, p.64).

Carlos Eugenio L. Soares, no entanto, discorda de seu xará - o outro Soares, o Luis Carlos - quanto à reação dos senhores de escravos em relação à perseguição policial à capoeira: os senhores "protestavam quanto à perda de suas propriedades" e muitas vezes "acobertavam os atos de seus cativos" (Ibidem, 2001, p.65).


Holloway (op.cit.1997, p.52) já aponta como as maltas eram:
grupos organizados, "maltas" ou "badernas" na linguagem da época, com líderes designados, hierarquia interna, "territórios" demarcados, competiam entre si, travando batalhas pela posse destes territórios e cometendo atos de violência, mas raramente roubo.
Isto em oposição a idéia da capoeira puristicamente como "resistência ao senhores escravocratas e à polícia".

Holloway também já alerta para a diferença do uso do termo "capoeira" pelos escrivães da polícia - que incluía toda sorte de desordeiros e malfeitores -, e o uso de "capoeira" (ou "capoeirista") atualmente - o praticante do jogo de capoeira contemporâneo. Esta distinção deve nortear e relativisar toda a literatura de relatos policiais - 1800-1850 e 1850-1900 - e também autores posteriores, nos jornais e na literatura, não só dos 1800s mas também dos 1900s que foram influenciados pela "pena do escrivão de polícia".

NOTAS
(36) HOBSBAWN, E. Op.cit., 1995, p.13.

(37) SODÉ, Muniz. ˆ. Petrópolis, RJ: Vozes, 99. P.116

(38)_Ibidem, p.9.

(39) Ibidem, p.10.

(40) Ibidem, p.143.

(41)_Ibidem, p.162-163.

(42)_WINNICOTT, D.W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975. P.138.

(43) FREUD, S. Essais de psychanalyse appliqueé. Paris: Gallimard, 1981. P.79.

(44) MUNIZ SODRÉ in CAPOEIRA, N. Capoeira, os fundamentos da malícia. Rio de Janeiro: Record, 1992. P.17.---------NAO ESTA AQUI

(45) COUTINHO, E. Velhas histórias, memórias futuras; o sentido da tradição na obra de Paulinho da Viola. Rio de Janeiro: UFRJ-ECO. Tese de Doutoorado em Comunicação e Cultura.

(46)_PASSOS NETO, N.S. Op.cit., 1996, p.20.

(47) _Mito : "reliquats déformés" dos fantasmas dos desejos de nações inteiras; "réves seculaires" da jovem humanidade. FREUD, S. Op.cit., p.79.

(48)_PASSOS NETO, N.S. Op.cit., 1996, pp.178-179.

(49) CASCUDO, L.C. Folclore do Brasil. Rio de Janeiro: Fund. Brasil-Portugal, 1967. p.183.

(50)_ REGO, W. Capoeira Angola. Salvador: Ed.Itapoan, 1968. p.31.

(51)_CAPOEIRA, N. Capoeira, pequeno manual do jogador. Rio de Janeiro: Record, 1998. Pp.37-38.

(52)_PASTINHA, Mestre (Vicente Ferreira). Capoeira Angola. Salvador: Fund.Cult. do Estado da Bahia, 1988. Pp. 26-27. Edição original em 1964.

(53) Ibidem, p. 27.

(54) _Ibidem, p.36.

(55)_RUGENDAS, Moritz. Malerische Reise in Brasilien (Sitten und Gebräuche der Neger), herausgegeben von Engelmann & Cie, Paris, 1835, p.26.

(56)_SOUZA, A.N. Da minha Africa e do Brasil que eu vi. Angola: Ed.Luanda, s/d.

(57)_SOUZA, ALBANO NEVES E in MOURA, J. Capoeiragem, arte e malandragem. Salvador: Cadernos de Cultura nº2, Pref. Mun. de Salvador, 1980. Pp.15-16.

(58)_REGO, W. Op.cit., 1968, p.31.

(59)_RUGENDAS, M. Op.cit., 1835.

(60)_REGO, W. Op.cit., 1968, p.44-56.

(61)_DEBRET. Voyage pittoresque et historique au Brésil. Paris: Didot Firmin et Fréres, 1824.

(62)_MUNIZ SODRÉ in CAPOEIRA, N. Op.cit., 1992, p.24.

(63)_CAPOEIRA, N. Op.cit., pp.39-40.

(64)_Ibidem, pp.26-30.

(65)_SODRÉ, M. in PASSOS NETO, N.S.. Op.cit., 1996, p.28.

(66)_ SOARES, C.E.L. A negregada instituição, os capoeiras no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Coleção Biblioteca Carioca, Prefeitura do Rio de Janeiro, 1994. P.282.

(67)_SODRÉ, Muniz. Claros e escuros, identidade, povo e mêdia no Brasil. Petrópolis, RJ: Vozes, Op.cit., 1999, p.86.

(68)_Ibidem, p.163.

(69)_Ibidem, p.165.

(70) Ibidem, p.164.

(71)_CAVALCANTI, Nireu. "Crônicas do Rio colonial", Jornal do Brasil. Rio de Janeiro: cad. B, p.2, 15/11/1999.

(72)_Revista do Grupo Muzenza. Curitiba: nov. 2000, pp.10-12.

(73)_MOURA, Jair (Mestre Jair Moura). Evolução, apogeu e declínio da capoeiragem no Rio de Janeiro, Cadernos Rioarte Ano I nº 3. Rio de Janeiro: 1985, p.92.

(74)_Carta do pesquisador baiano Fred Abreu, dez 2000.

(75)_ SOARES, C.E.L. Op.cit., 1994, p.250.

(76)_ MOURA, J. Op.cit., 1985, pp.86-93.

(77)_ BARRETO FILHO, Melo e LIMA, Hermeto. História da polícia do Rio de Janeiro 1565-1831. Rio de Janeiro: Ed.S.A. A Noite, 1939. V.1, p.203.

(78)_REGO, W. Op.cit., 1968, p.296.

(79)SOARES. Op.cit., 1994, p.311.

(80) RUGENDAS, M. Op.cit., 1835._

(81) REGO, W. Op. cit., 1968, p.299.

(82)_REGO, W. Op.Cit, 1968, pp.300-301.

(83)_SILVA, J.M.Pereira da. Segundo período do reinado de D.Pedro I no Brasil. Rio de Janeiro: B.L.Garnier, 1871. P.289.

(84)_MOURA, J. Op.cit., 1985, p.86.

(85)_Expressão cunhada por Sergio Dias in SOARES, C.E.L. Op.cit., 1994.

2.1_3. - A MARGINALIDADE NO RIO: DE 1850 A 1900
No século XIX, como já dissemos, a lógica da produção capitalista e da racionalidade transparece no cenário urbano - fábrica, usina, etc. -; a cidade é organizada pelas funções dos papéis econômicos realizados pelos sujeitos; o "eu" conquista uma autonomia liberadora mas simultaneamente impalpável e abstrata; começa, também, a aparecer uma ética individualista do prazer adequada ao consumo.

A técnica tipográfica - linotipo em 1857, rotativa em 1868 -, aliada à formação dos mercados nacionais e ao aumento populacional das grandes concentrações urbanas, dissocia os termos polares da relação de comunicação - falante/ouvinte, emissor/receptor. E, em 1860, já está delineado o perfil da grande empresa informativa nos USA. A imprensa marca o início da moderna disciplina do diálogo, pelo poder.


Especificamente no Rio, de 1850 a 1900, vamos ver o importante papel, no jogo político, de jornais como A Reforma (liberal), A República (republicano), Gazeta da Tarde (abolicionista), Jornal do Comércio (monarquista).

E paralelo a isto, a participação das maltas neste jogo - no início, composta basicamente por negros escravos crioulos (nascidos no Brasil) e africanos e, mais tarde, por negros escravos e libertos, pardos, mestiços, imigrantes portugueses pobres, fadistas do Porto e de Lisboa, brancos brasileiros pobres e de outras classes sociais, marinheiros, estrangeiros das mais diversas nacionalidades - em 1891, Moyses Corull, um negro norte-americano residente à rua da Saúde, foi preso por estar em "exercícios de capoeiragem" (SOARES, op.cit., 1994, p.134) -, militares, policiais, "cordões" elegantes e "margaridas" da jeunesse dorée carioca, etc.

No Rio - ao contrário da Bahia -, contrariando as afirmações de muitos "puristas" que reclamam do "embranquecimento (recente, das últimas décadas) da capoeira", a capoeira foi miscigenada quase que nos seus primórdios. Capoeirista "foi desde a nobreza, com o Barão do Rio Branco, dentre outros, até o negro escravo"88._ (ver "6 - Anexo, iconografia", ilustração 7)

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