28º Congresso Internacional de Teologia puc/mg “a religião africana e espaço público”



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28º Congresso Internacional de Teologia PUC/MG
A RELIGIÃO AFRICANA E ESPAÇO PÚBLICO”

(Reflexão de sua influência na Sociedade).
Geraldo André da Silva1

Palavras chaves: Família – Religião – Educação - natureza


1 - RESUMO

Este artigo visa trazer a público detalhes da História da Cultura Bantu, sua religiosidade e sua influencia na formação educacional dos jovens e adultos fora e dentro do espaço considerado como sagrado para suas práticas. A visão cosmológica da Criação do Universo, o respeito à natureza pautam na visão de mundo e nas relações entre os seres vivos entre si, são valores que diferenciam o viver entre os profanos e os vivenciadores dos cultos dos Ancestrais, nomeadamente os de origem Bantu.

A concepção do Deus, o Criador assim como a sua obra, a humanidade, para o povo Bantu contempla muito dos valores perdidos pelos homens no que diz respeito à natureza assim como a convivência social harmoniosa com essa natureza. Ele, o Africano, se inclui como elemento dessa mesma natureza. Esse respeito passa sem dúvida pela tradição conservada culturalmente pelos descendentes do povo bantu que tanta contribuição deu para o desenvolvimento do Brasil.
E mais, o espaço para a prática dos cultos conservam valores na educação das crianças e jovens nas suas relações com a natureza e esse espaço não é restrito a uma área limitada por unidade dimensional conhecida pela ciência, pois sua prática utiliza todos os espaços imagináveis e inimagináveis, tangíveis e intangíveis extrapolando a barreira das três dimensões indo ter com o infinitamente grande a quem chamamos de KALUNGA(2). E aí eu me identifico.
2--Introdução:

Para efeito didático sugiro que para entender esse texto partamos do princípio de que a natureza assim como ela hoje o é, ainda não existia. Nesse ponto se encontra Aquele que Criou a Si Próprio. Os católicos o conhecem como Deus, outros o reconhecem como Jeová, outros como O Grande Arquiteto do Universo e o povo bantu também O reconhecem com vários nomes que variam de acordo com a região e o dialeto praticado. Para uns Ele chama-se Ndalakaritana, outros Nzabeapongo, outros kuit kuit, (3) mas para todos o coluna central traz na sua história a obra de sua criação magna, o UNIVERSO.

O homem, paga pela própria lei do retorno que é uma providência do Criador para a manutenção do equilíbrio natural. Aí que entra a cultura do Bantu. Ela não perde de vista a relação homem/natureza, sabedor que é de que ele é a própria natureza. Desafiá-la é como se desafiasse a si próprio o que seria uma incoerência troglodítica e canibalística (4). O grande feito do povo bantu e de todos os seus seguidores entendem que é bem mais fácil se conviver em harmonia com a meio ambiente e com a natureza como um todo terá uma vida mais saudável sem sofrimento ou dores o que só nos afasta do nosso ancestral primeiro que tanto mais puro sendo mais se aproxima do CRIADOR.

A partir da criação da natureza e dela sendo então criado o homem, ao longo dos anos, séculos e eras o bantu louva a natureza e dela tira o seu sustento e garante assim a sua sobrevivência. Ou seja, em cada elemento dessa natureza alí está contido elemento que traduzem a imagem e semelhança do Criador. Nas casas que cultuam o bantu autêntico aqui no Brasil são louvados todos os jinkisi “espalhados” por todo o universo. Os mais velhos também conhecidos como kota ensinam às crianças a vivierem em harmonia constantes com a natureza em consonância com o meio ambiente.

Daí quando chegam à idade escolar elas já possuem uma visão totalmente diferente dos demais alunos já que elas vêm desde o nascimento vivendo nessa cultura.

Essa prática lhes dá a garantia de um viver harmônico com todas as formas de vida havendo um respeito muito grande, pois sabem muito bem que do mais velho vem a sabedoria de como se aproximar dos ancestrais. O crescimento saudável dessas crianças faz com que possamos ter um fio de esperança de um futuro melhor.



3 - O Texto
O povo Bantu crê no Deus único e crê também nos espíritos maléficos e benéficos. No SOBA reside toda a potência do povo para alcançar às alturas e a felicidade plena. Ele esta acima dos homens e detém o poder político.
Esta é a razão do povo Bantu ter uma maneira toda especial de preservação da herança familiar. A lembrança do ancestral é divinizada.

Essa busca de apoio nos ancestrais é uma prática muito comum entre os povos que cultuam os ancestrais. Hoje no Brasil, buscamos em todos os eventos reviver os feitos de Ngola Kiluanje, da Rainha Matamba, Njigabande numa tentativa de aproximarmos mais dos nossos ancestrais.

Os fenômenos naturais como chuva, vento, sol, lua, calor, inverno, frio, verão, são louvados e respeitados, pois são Jinkisi que nós respeitamos.

Os rios, lagos, lagoas, as cachoeiras, os mares e oceanos, todos são Jinkisi, portanto, não podemos feri-los em suas essências por são jinkisi. As águas subterrâneas, os aquíferos os lençóis freáticos, tudo é Nkisi. Nessa óptica podemos afirmar que ao fazermos o trajeto de volta à nossa evolução vamos chegar ao mesmo ponto onde o Bantu entende ter surgido à vida e mesmo antes dela. Mas para efeito didático dizemos apenas que Aquele que criou a Si mesmo foi procriando e seus descendentes também foram procriando e chegamos até Kalunga. O Nkisi chamado Kitembu. sua cor é a branca e tudo mais abaixo dele é colorido. E acima dele o imaculado branco.

A bandeira de ktembu nas casas dos cultos dos ancestrais é branca e como ela está no alto entende-se que o Nkisi Ktembu também está mais próximo de Nzambe do que nós e dos demais jinkisi. Por isto Ktembu é chamado, o Rei de Angola.

Nkisi é o nome dado às Divindades da Natureza em todas as suas matizes.

Nsi é o nome que os Bantu do norte, conhecidos como Bakongos, dão àqueles que são os donos da terra. Ba ou Mi é o prefixo que se coloca antes do substantivo para designar o plural Portanto Minkinsi é o plural de Nikisi Kibelo, grandes localidades onde os membros fundam novos estabelecimentos.

Mubata ou Mabata (plural) é uma aldeia com mais de uma tritena de Casas.

Makanda matrilineares de onde todos os filhos recebem seus nomes e os homens escolhem. Suas terras ou Clã paterno. (M’Bokolo, elikia “África Negra” História das Civilizações, tomo I (Até século XVIII) E ditora EDUPABA Casa das Áfricas - 2009 pag 175 até 192.
A manifestação do sagrado, a hierofania5, apresenta-se como uma quebra na homogeneidade do espaço caótico e profano vivido pelos homens. Este rompimento caracteriza a formação de um novo espaço, revelando novas práticas territoriais que diferem das do cotidiano, pois estão relacionadas às práticas do sagrado.

A descoberta – ou seja, a revelação – do espaço sagrado tem um valor existencial para o homem religioso; porque nada pode começar, nada se pode fazer sem uma orientação prévia – e toda orientação implica a aquisição de um ponto fixo. É por essa razão que o homem religioso sempre se esforçou por estabelecer-se no ”Centro do Mundo”. Para viver no Mundo é preciso fundá-lo – e nenhum mundo pode nascer no “caos” da homogeneidade da relatividade do espaço profano. A descoberta ou a projeção de um ponto fixo – o “Centro” – equivale à Criação do Mundo (Eliade, 1992, p. 26).

Neste sentido, o espaço selecionado para a constituição do terreiro nunca é escolhido de forma independente, este é sempre revelado. Afinal ali será um espaço formador de cidadãos e cidadãs que terão como missão a preservação da espécie dentro dos princípios da moralidade e das leis da natureza. No centro do terreiro é aberto um buraco, no ato de fundação do terreiro, no qual recebe oferendas, que variam desde o fetiche ritual - representações simbólicas dos ancestrais As comidas votivas e sacralização do animal, efetivando a cerimônia do Ngunzu Ntotu. Tornando-se, desta forma o território-terreiro, numa representação mágico-religiosa, resumo do território africano de onde se originam os ancestrais do grupo religioso. Segundo SACK (1986), para o espaço ser um território faz-se necessário, a existência de um limite territorial, mesmo que este seja simbólico, sinalizado por gestos, palavras, vestimentas, adereços, afetos e narrativas míticas.

Ainda assim, considera-se aqui, a fundação do território-terreiro não só, como, um rompimento na ordem homogênea do caos do espaço profano, mas sim, a criação de um novo cosmo, a constituição de um território sagrado. Desta forma, são estabelecidas as dimensões espaciais do sagrado no território-terreiro. No entanto, faz-se necessário edificar a estrutura interna do espaço sagrado, o arranjo espacial, que irá abrigar os símbolos e signos mítico-religiosos dotados de preceitos que irão compor a paisagem ou a estética e destes lugares. Neste sentido, os lugares sagrados internos do terreiro são caracterizados como geossímbolos: “lugares específicos, que por razões religiosas, assumem uma dimensão simbólica que os fortalecem em sua identidade” (BONNEMAISON, 2002, p. 109), elementos que contribuem para a formação da identidade afro-religiosa no interior dos terreiros de candomblé. São representados sob a forma de signos, símbolos, linhas imaginárias de movimento e interdição, capazes de estabelecer regras e valores, uma vez que transcendem a relação espaço tempo. Lugares específicos que correspondam às características particulares de cada divindade.

Essa forma dita a identificação dos espaços internos de uma “roça de Nkisi” ocorre também na área externa à roça abrindo radialmente até atingir o infinito com já dito conhecido como Kalunga. Portanto todo universo visível e invisível e recheado de Jinkisi. Cada um de nós utilizamos nosso conhecimento para cultuar essas divindades. Daí, a nossa respeitabilidade pela natureza e pelo meio ambiente.

Segundo Elbein do Santos (1976) e Pessoa de Barros (1993), os terreiros estão divididos em duas diferentes áreas com características e funções específicas vinculadas ao universo de atuação das divindades, que mesmo fazendo referencias ao modelo de organização do candomblé de nação jeje-nagô, podem ser notadas na divisão organizacional dos terreiros de candomblé de nação angola. Deste modo, os territórios-terreiros estão divididos em espaço urbano6 (área edificada ou construída) e espaço mato (área verde).

A divisão territorial do terreiro obedece a uma distribuição espacial que está diretamente ligada às características próprias de cada Nkisi universalmente distribuídos. Isto faz com que dentro deste, tenha-se outros espaços com características individuais que se relacionam com os membros da comunidade, podendo ser definido como representação do mundo dos ancestrais.

Tudo isto é ensinado em nossas comunidades para que principalmente as crianças cresçam obedecendo e respeitando a mãe natureza. Vale ressaltar que, os povos centro-africanos que ocupavam e ocupam as regiões que correspondem hoje a Angola e Kongo cultuavam e cultuam seus ancestrais e demais divindades em vilarejos distintos, com particularidades próprias típicas de cada um de seus povos, mas que de certa maneira, estão diretamente relacionadas ou ligadas a um mesmo deus, neste caso, Nzambi. 

Cada espaço, interno ou externo possui elementos que indicam a soberania da divindade que ali está representada. Tomaremos como exemplo Nkosi, divindade do ferro - o Senhor da guerra e da agricultura, características atribuídas ao seu papel mitológico. No bengue de Nkosi, uma espécie de altar está colocada diversos tipos de fetiches rituais, entre eles a madeira e o ferro. Uma representação simbólica mítico-ritual da materialidade de Nkosi. Sabe-se que Nkosi não é a madeira ou o ferro em si, mas a madeira e o ferro fazem parte do universo mágico-religioso para se reverenciá-lo. Quando fala em Nkosi temos que antes ter claro em que fase el estará sendo invocado. Estas definições que vão indicar se Ele estará sendo representado em um boneco de madeira ou em monte de ferro ou etc, etc. Há uma forma utilizada pelos Bokongo onde Ele é representado por um boneco crivado de pregos e tem o nome de Bandok. Ele é confeccionado a partir de parte do tronco de uma árvore ancestral, o IMBONDEIRO. (7)   

Avaliando a relação existente entre os membros da comunidade e o espaço sagrado, chega-se a outro ponto pertinente desta discussão, a questão da identidade. A identidade religiosa, ou melhor, afro religiosidade brasileira, o que nos possibilita analisar a materialidade das relações estabelecidas entre a comunidade e o terreiro. Sabe-se que, não existe neutralidade na produção de um discurso, pois o sujeito nunca é imparcial ao objeto, até mesmo se fosse comprovado o “real” sentido do discurso de neutralidade, o neutro nunca se manifestaria a favor ou contra, mas sempre apareceria como uma terceira hipótese. Sob este sentido observa-se que a identidade religiosa está presente nos membros das comunidades e manifesta-se tanto dentro como fora dos limites do sagrado, pois, é continua e transita em todos os espaços, uma vez, que está imbricada ou vinculada ao modo de vida do sujeito religioso em sua percepção de mundo.

Para compreender melhor este sistema, faz-se necessário recorrer ao modelo das sociedades negro-africana e a sua organização familiar. Dessa informação lançamos mão naquilo que tem aplicação prática em nossa civilização atual.

Quando um recém nascido é iniciado na religião ele passa por uma série de preceitos que lhe são intermediados pelo Pai ou Mãe de santo. Estes estão ao seu lado até o momento da cerimonia do nome, quando o neófito receberá o nome religioso. Neste momento o Pai ou Mãe de santo apresenta o filho a comunidade terreiro, ou seja, mais uma pessoa nascida na religião por suas mãos e esta lhe deve o respeito de filho por lhe ter concedido o acesso a vida religiosa no culto aos ancestrais.

Ambos têm como papel principal atuar como interpretes das divindades, ditando regras, advertências oportunas ou apontando uma punição justa para um determinado fato. Estes são fatores que legitimam sua autoridade perante o grupo.



Os laços criados no candomblé através da iniciação no santo não são apenas uma série aceitos dentro de uma regra mais ou menos estrita, como nas ordens monásticas e fraternidades laicas, iniciáticas ou não; são laços muito mais amplos no plano das obrigações recíprocas e muito mais densos no âmbito psicológico das emoções e do sentimento: são efetivamente familiares. De obediência e disciplina; de proteção e assistência; de gratificação e sanções; de tensões e atritos – que tudo isto existe no candomblé (COSTA LIMA, 1998, p. 57).

Como se podem observar os sacerdotes são responsáveis pela mediação, entre os iniciados e as divindades, uma vez que exercem o papel de intermediário entre ambos. As leis imutáveis da natureza são aí ensinados fazendo com que o iniciando tenha outra visão dessa natureza e do respeito ao ecossistema universalmente equilibrado. (8)

Embora participem de todas as atividades e detenham o controle total da comunidade, os zeladores das divindades deliberam postos – títulos - a membros da comunidade que já passaram pelos ritos de iniciação e que atingiram o status de mais velho na hierarquia religiosa. Os títulos ou postos distribuídos estão diretamente relacionados aos Nkisi e ao seu espaço de culto. Estes atuam como conselheiros auxiliando na administração dos lugares sagrados, observando os problemas para que juntos de seus dirigentes possam solucioná-los. Assim como, nos terreiros de candomblé de origem ioruba, onde segundo Benites.

para cada Nkisi há um conjunto de pessoas encarregadas de seu culto e que são responsáveis pela organização das festas. Elas decidem a ornamentação, a comida a ser servida ao público, os convites, as roupas e a coleta de dinheiro para as despesas” (BENISTE, 2003, p. 72).


Os mais novos na religião, iniciados ou não, aprendem desde cedo a lidar com o respeito aos mais velhos, pois reconhecem seu lugar na hierarquia religiosa. É fácil enteder e ligar esse fundamento ao retorno ao ancestral primeiro. Sempre que um mais novo se aproxima de um mais velho faz-lhe uma reverência e diz, quase de forma automática “Makuiu” e o mais velho responde: “Makuiu Nzambi”. E agora como entender o que alí se passou? É simples, Ukukulu significa o mais antigo dos seres já vividos na cultura bantu. O prefixo “MA” significa plural da palavra que veio a seguir. Assim o vocábulo Makuiu que até nossos dias nada mais é do o plural do mais antigo dos nossos antepassados.

Então, Makuiu é o respeito devido ao mais velho que alí se encontra. E ele, o mais velho responde imediatamente Makuiu Nzambe, ou seja, que o respeito seja levado para os nossos ancestrais primeiros que estão muito mais perto de do Criador, Aquele que si criou a si mesmo. E isto não é lindo?

E todos seguem a tal modelo, pois se encontram em fase inicial de seus preceitos, onde dependem do auxilio de membros mais velhos, com maior tempo de iniciação para cumprir com o seguimento correto de suas praticas rituais. Desta forma, tais sujeitos exercem certa passividade diante dos agentes mediadores da experiência religiosa, para realizar atos rituais que promovam o bem estar do grupo. O que nos permite afirmar, que diante da complexa estrutura hierárquica da Roça, assim como, de suas regras sociais e comportamental, ou ainda, independente do tempo de iniciação, todos os membros devem respeito ao Tat’etu e a Mam’etu, pois será através destes que o conhecimento e o segredo das formulas mágico-religiosas que transcendem aos limites do mundo dos homens e dos ancestrais serão repassados.
4 - Conclusões

Podemos considerar que a organização das Roças Nkisi, obedece a uma lógica de organização universal ditada pela própria natureza culminando com o acúmulo de estruturada a partir de valores míticos ditados pelas diversas divindades e pelo corpo de ancestrais que compõem o universo mágico-religioso que implica o seu sentido de existir.

Neste sentido, não há separação entre o mundo dos deuses e os homens, e sim, uma ruptura com a lógica caótica do mundo profano, habitado pela irregularidade das ações humanas, o que justifica a necessidade de fundação do mundo sagrado. Que está rodeado pelo caos do profano, mas, “puro” em sua essência para servir de base para o corpo de divindades ali representadas.

Sendo um espaço aqui revelado a partir de referencias “mágicos”, no interior do território-terreiro os mitos atuam como elementos estruturais das comunidades, pois, justificam qualquer teoria educacional ou qualquer prática ritual que revive a mentalidade primordial da religação ou da religiosidade que se funda a identidade religação das práticas dos ancestrais numa demonstração integral de respeito às leis de DEUS.

Cada membro, arquétipos míticos que passam a fazer parte do sujeito religioso e invocados em inúmeras situações para explicar mundo. Neste sentido, para nós religiosos o mito desempenha função indispensável, pois, exprime, enaltece e codifica a crença, revela e impõem princípios morais e éticos, que garantem a eficácia dos rituais e oferece regras e práticas para a orientação humana dentro de um princípio dialético salutar. Somos capazes de criar espaços, lugares específicos, que rememoram os ancestrais mais distantes, Nkisi, mas que expressão a forças das divindades em seus aspectos mais abstratos de natureza bruta. Elementos que estão presentes nos diversos bengues das divindades cultuados no interior dos territórios-terreiros.
5 - Referências bibliográficas:
A rainha Jinga de Matamba e o catolicismo - África central, século XVII.

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1 Administrador de Empresas (2008 – UnB), Especialista em gestão de pequenas e médias empresas (2009 – FGV). Tat’etu Jalabo/ Tata dia Nkisi, zelador da Casa de Cultura e Resistência Afrobrasileira Lodé Apara em Santa Luzia – MG. E-mail: zfandre@hotmail.com

2 Kalunga é considerado tudo que é imensamente grande e que está ligada ao nascimento, à criação do universo. Tambem ao oceano por sua grandiosidade

3 Nzambe apungo Deus dos Kimbundu, Kuite kuite Deus dos Bakongo, Ndala Karitana Deus dos Tchowue

4 Uma alusão aos primeiros seres humanos conhecidos pela ciência que não tinha nenhum preceito em alimentarem de si próprio ou de sua espécie.

5 Termo proposto por Mircea Eliade (1962) para designar a manifestação do sagrado em objetos ou pessoas.

6 Não é correto utilizar esta classificação, pois o conceito de urbano utilizado por estes autores refere-se apenas a questão da construção (área edificada do terreiro). Sabe-se que o conceito de urbano está diretamente relacionado ao desenvolvimento técnico industrial e econômico das cidades e ao processo de mecanização do campo. Nota do autor.

7 Conhecido pelos nagô como sendo o BAOBÁ muito bam descrito na obra “ O pequeno Príncipe” de Exupéry Antoine.

8 Nganga, Angola ou Congo Belga, antes de 1922, em Wyatt Mac Gaffey “The

eyes of understanding, Kongo minkisi”, Astonishment and Power (Washington,

National Museum of African Art, The Smithsonian Intitution Press, 1993), p. 56.

Afro-Ásia, 28 (2002), 125-146 137

18 John M. Janzen, “14 Figure (nkisi)”, in Expressions of Belief, New York, Rizzoli, 1988.

19 Wyatt MacGaffey, “Complexity, astonishment and power: the visual vocabulary of Kongo

minkisi”, Journal of Southern African Studies, vol. 14, no 2 (1988), p.193.

20 A roupa está num museu em Dresden e pode ser vista no livro de Alisa LaGamma, Art and Oracle.

African Art and Rituals of Divination, New York, Metropolitan Museum of Art, 2000, p. 57.

21 Ver Suzanne Preston Blier, Royal Arts of Africa. The majesty of form, London, Laurence King

Publishing, Calman & King, 1998.

de penas na cabeça para representar sua ligação com os espíritos






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