3 Kenya Noronha4 resumo



Baixar 140.09 Kb.
Página1/7
Encontro06.08.2016
Tamanho140.09 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7


EQUIDADE NA UTILIZAÇÃO DE SERVIÇOS PREVENTIVOS FEMININOS NO BRASIL: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE AS REGIÕES NO ANO DE 20081

Michelle Nepomuceno Souza2

Mônica Viegas Andrade3

Kenya Noronha4

RESUMO
O princípio da equidade orienta os sistemas de saúde pública de vários países e no caso do Brasil, por meio do SUS. A existência de iniquidade está correlacionada com a mortalidade da população por doenças com alto grau de cura quando identificadas precocemente, dentre elas, o câncer de mama e do colo do útero. O câncer do colo do útero tem como exame preventivo o papanicolau, indicado para mulheres entre 25 a 64 anos; e o câncer de mama a mamografia e exame clínico das mamas indicados para mulheres entre 35 a 69 anos. Por esse motivo esse trabalho teve como objetivo analisar a equidade na utilização dos serviços preventivos femininos no Brasil no ano de 2008. Os dados da pesquisa foram secundários, advindos da PNAD 2008. Os dados foram analisados através dos Índices e Curvas de Concentração, em que as variáveis de saúde são: realizou exame preventivo do colo do útero, mamografia e exame clínico das mamas nos últimos três anos anteriores a PNAD 2008; a variável socioeconômica da curva é a renda familiar per capita. Os Índices de Concentração foram controlados por idade, escolaridade, presença de plano de saúde, se a mulher tem filhos e é PEA. Os resultados apontaram para a existência de iniquidades em favor das mulheres com maior renda para todo o Brasil e regiões. A região Norte e Nordeste possuem mais iniquidade, e a região Sudeste menor iniquidade. As variáveis de controle mostraram que ter plano de saúde e maior escolaridade influenciam na utilização dos serviços preventivos entre as mulheres.

Palavras-chave: Equidade, serviços preventivos de saúde, mamografia, papanicolau, exame clínico das mamas.

1 INTRODUÇÃO


Desde o final do ano de 1940, após a publicação da “Constituição da Organização Mundial da Saúde” (1946) e da “Declaração Universal dos Direitos Humanos” (1948), a saúde passou a ser reconhecida como um direito humano fundamental que não pode ser separado de outros direitos humanos (OMS, 2011a). Esses documentos estabeleceram uma agenda para melhorar o nível médio de saúde da população de forma igualitária e justa. Alguns países adotaram essa ideia logo no principio, com a formulação de sistemas públicos universais, como o National Health Service (NHS), criado em 1946 no Reino Unido (OMS, 2011; Lobato, Giovanella, 2008). No Brasil, o princípio de igualdade em saúde ganhou atenção na Constituição de 1988, que defende em seu artigo 196 que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação (BRASIL, 1998).

Apesar dos princípios igualitários existentes nos sistemas de saúde, estudos empíricos comprovam que as desigualdades na saúde e a distribuição de resultados em saúde são crescentes entre ricos e pobres, privilegiados e marginalizados, e por diversos países e regiões globais (OMS, 2011a). Essas desigualdades sociais nas condições de saúde e na utilização dos serviços expressam oportunidades diferenciadas em função da posição social do indivíduo e caracterizam situações de injustiça social que representam iniquidades (Travassos & Castro, 2008). Portanto, os termos desigualdade e iniquidade são usados como sinônimos, já que não são intercambiáveis - desigualdade refere-se à diferenças entre os indivíduos, enquanto as iniquidades são as diferenças injustas e em grande parte determinadas pelo seu lugar na sociedade e pela capacidade de acesso aos serviços e sistemas que contribuem para a saúde e bem-estar (OMS, 2011a).

Nota-se que as ações das políticas e da gestão dos serviços, estão diretamente interligados ao acesso e utilização equitativos dos serviços de saúde pela população, por esse motivo desde a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) no início da década de 1990, pós Constituição de 1988, as políticas de saúde seguem as diretrizes de equidade, integralidade e universalização da assistência à saúde, sem que haja preconceito ou privilégios de qualquer espécie (Noronha, Lima, Machado, 2008).

Em relação à saúde da mulher, tema desse trabalho, o primeiro programa a adotar ideais igualitários foi o Programa de Assistência Integral à saúde da Mulher (PAISM), criado em 1983, no auge das discussões da criação do SUS pelos sanitaristas (Brasil, 1985). Atualmente a Saúde da Mulher é guiada pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), de 2004, construída a partir da proposição do SUS e respeitando as suas diretrizes (Brasil, 2004a). Os serviços preventivos femininos, trabalhados nesse estudo, estão presentes em dois programas de controle específicos para a saúde da mulher, que foram afirmados como prioridade na Política Nacional de Atenção Oncológica em 2005, e no Pacto pela Saúde, em 2006: o Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero e o Programa Nacional de Controle do Câncer de Mama (INCA, 2011a).

De acordo com o INCA (2011b) o rastreamento do câncer de mama diminui a mortalidade em cerca de 35% nas mulheres entre 50 e 69 anos. Quanto maior for o percentual de mulheres na faixa de 50 a 69 anos que realizam a mamografia periodicamente, maior será o impacto na diminuição da mortalidade. O câncer de colo do útero apresenta um dos mais altos potenciais de cura, chegando a 100%, quando diagnosticado e tratado em estágios iniciais ou em fases precursoras (Brasil, 2004b). Assim, para diminuir a mortalidade por esses tipos de câncer, é necessário que haja detecção precoce da doença, e para isso o acesso e a utilização dos serviços preventivos devem ser equitativos.

Nesse sentido, esse trabalho pretende mensurar a equidade na utilização dos serviços preventivos femininos no Brasil, através das Curvas e Índices de Concentração, para fornecer subsídios para a formulação de políticas de saúde voltadas para a redução das iniqüidades em saúde nessa área, uma vez que estudos relacionados à equidade e serviços preventivos ainda são escassos no Brasil, com poucos achados na literatura.



2 OBJETIVOS



Catálogo: Congreso2014 -> DOCSCompleto
DOCSCompleto -> Envelhecimento populacional brasileiro no contexto das desigualdades sociais: perfil sociodemográfico dos idosos longevos1
DOCSCompleto -> Fecundidade abaixo do nível de reposição em São Paulo, Brasil, algumas características1
DOCSCompleto -> O efeito das mudanças na mortalidade sobre o crescimento populacional no município de São Paulo
DOCSCompleto ->  Emerson Augusto Baptista 
DOCSCompleto -> Migrações Internacionais no século 21: desafios para uma agenda de pesquisa1 Rosana Baeninger2 Migrações Internacionais no século 21: desafios para uma agenda de pesquisa
Congreso2014 -> Um Estudo da Mortalidade na Freguesia da Gloriosa Sant´Anna, Rio Grande do Norte (Brasil), no período de 1788 a 1838
DOCSCompleto -> Sesión 1: 5 Poblaciones en movimiento en el Gran Caribe Sesión 2
Congreso2014 -> A emigração dos haitianos para os países da América do Sul: desafios de política migratória no trajeto e no destino1
DOCSCompleto -> 1 Sofia Madeira2


Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal