35 anos do curso de Relações Públicas da ucs



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35 anos do curso de Relações Públicas da UCS
Silvana Padilha Flores1

spflores@ucs.br

Marlene Branca Sólio2



brancasolio@terra.com.br

Rudimar Baldissera3



rudimarbaldissera@bol.com.br
resumo: O presente artigo contempla a história do curso de Relações Públicas da Universidade de Caxias do Sul que, em 2006, está completando 35 anos de existência. Apresenta e avalia seu processo histórico, pioneirismo, inserção e relevância para a região da serra gaúcha, especialmente para a profissionalização qualificada dos processos comunicacionais. Além de atentar para a trajetória do curso de relações públicas da UCS, no artigo discorre-se sobre seu atual projeto pedagógico, sua dinâmica de articulação das teorias e práticas, bem como sobre as políticas adotas para a inserção do egresso no mercado de trabalho.

Palavras-chave: Relações Públicas; Universidade de Caxias do Sul; história; comunicação; identidade.

O curso


Em 02 (dois) de março de 1971, a Universidade de Caxias do Sul cria o curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas, que seria reconhecido pelo decreto 79.652, de 04 de maio de 1977. Sua instauração atendia aos anseios e demandas da comunidade, contribuindo para o processo de desenvolvimento da UCS, na época com quatro anos de existência. Importa ressaltar que, nesta época, poucas universidades brasileiras ofereciam cursos regulares de Relações Públicas. Isso revela o caráter de vanguarda da Universidade de Caxias do Sul, uma vez que a própria profissão era recente (sua criação data de 11 de dezembro de 1967, pela lei 5.377, que foi regulamentada em 26 de setembro de 1968, pelo decreto nº 63.283).

O curso de Relações Públicas da UCS ofereceu, em seus dois primeiros anos de funcionamento, 50 vagas anuais. O vestibular foi suspenso até o segundo semestre de 1977, quando retornou à oferta regular. Até 1979, o curso funcionava à tarde, desde então passou a funcionar regularmente à noite, buscando atender às necessidades da comunidade.

Observa-se que o pioneirismo do curso trouxe consigo algumas dificuldades, particularmente, em relação a corpo docente, que, devido ao caráter inovador, implicou a vinda de professores de outras cidades/instituições, muitos deles da região da grande Porto Alegre, para dar conta das demandas exigidas. Situação inversa a que enfrenta hoje, quando as demandas institucionais são supridas com corpo docente qualificado. Além disso, cabe atentar para o fato de o curso qualificar profissionais de relações públicas para atuar em outras instituições de ensino.

Até 2000, ocorria um único ingresso de alunos, através do vestibular de verão. A partir daquele ano, passaram a ser oferecidas 60 vagas, em dois vestibulares: inverno e verão. Desde a sua criação, o curso de Relações Públicas esteve vinculado primeiramente ao Departamento de Psicologia, Sociologia e Filosofia e, após, ao Departamento de Letras e Comunicação. Em 06 de abril de 1990, o curso passa a fazer parte do Departamento de Comunicação, recém criado. Atualmente, esse Departamento abarca, também, os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda.

Em sua trajetória, o Curso de Relações Públicas da Universidade de Caxias do Sul foi coordenado pelos professores/professoras: Olivar Maximino Mattia, Zildomar Oliveira de Souza, Raul Gilson Schimith, Lirian Meneguel e Silvana Padilha Flores.

O curso caracterizou-se por uma maior ênfase nas atividades de ensino e, fundamentalmente, na realização de várias ações de extensão, em nível interno e externo, envolvendo vários segmentos da comunidade. Por exemplo, já em 1975, o Curso de Relações Públicas da UCS realizou o II Congresso Nacional Universitário de Relações Públicas, que contou com a presença de estudantes, professores e profissionais de todo o país. A área de pesquisa vem tomando fôlego, tendo como principal foco a comunicação nas organizações.

Na seqüência, no item eventos tradicionais, destaca-se alguns dos principais eventos realizados pelo curso de Relações Públicas, seja como resultado de disciplina ou através das agências experimentais.

Infra-estrutura


O curso de Relações Públicas dispõe de ampla estrutura oferecida pela Universidade de Caxias do Sul. Nesse sentido, além de usufruírem das instalações e serviços da UCS, os acadêmicos de Relações Públicas têm à sua disposição uma infra-estrutura que compreende laboratórios dispostos em uma área construída de 1.700m2. A estrutura, em três andares, consiste em laboratório de TV (congrega um estúdio de 130m2, três ilhas de edição, cabine de locução e camarim) laboratório de fotografia (estúdio de 200m2), laboratório de produção gráfica, 3 laboratórios de informática, laboratório de rádio (com dois estúdios e sala de edição).

Além disso, os acadêmicos ainda dispõem, desde março de 1992, de agência experimental de Relações Públicas – Cria&Ativa. Essa agência funcionou no Bloco H da Universidade até o ano de 2002. Nesse ano, a agência foi transferida para o bloco T, onde ocupa uma sala de 130m2, juntamente com as agências de Publicidade e Propaganda (Salto) e Jornalismo (Control V). A partir dessa época, pela adequação de espaços e, fundamentalmente, pelos cenários que apontavam para a comunicação integrada, assume relevo, junto às três habilitações de comunicação, a discussão sobre a criação de uma agência integrada de comunicação (Agência Experimental de Comunicação Integrada). Atualmente, existe um projeto de integração, porém, na prática, a integração complexifica-se aos poucos. Ações de comunicação integrada já estão acontecendo, mesmo que ainda não se trate de integração no seu sentido mais epistêmico.

De modo geral, importa atentar para o fato de que, conforme dados da pesquisa de satisfação de Biasio et al. (2003), os acadêmicos do curso de Relações Públicas da UCS estão satisfeitos e, em menor número, parcialmente satisfeitos com os laboratórios disponibilizados. Uma parte significativa dos entrevistados não conhece todos os laboratórios (conhece apenas de visita, não podendo emitir juízo de valor), pois que alguns dos pesquisados são de início de curso.

Eventos tradicionais


O curso de Relações Públicas teve como uma das suas principais características a realização de eventos como forma de articular teoria e prática, assim como universidade e comunidade/mercado de trabalho. Muitos dos eventos que se consolidaram durante a trajetória do curso, foram concebidos em projetos experimentais de sala de aula, particularmente da disciplina de Teoria e prática de eventos.

Dentre os eventos tradicionais, estão:

 Tertúlia Universitária – O evento objetiva integrar o meio acadêmico à comunidade local e regional, além de resgatar e divulgar o tradicionalismo/cultura gaúcha com apresentações de artistas de todo o estado. Sua primeira edição foi em 1983. Até o momento foram realizadas 22 edições;

 Filó da Comunicação – Consiste em um encontro festivo para resgatar e difundir a cultura italiana, proporcionando um momento de confraternização aos acadêmicos da Universidade de Caxias do Sul e à Comunidade em geral;

 Mostra Universitária de Cinema Brasileiro – Com o objetivo de discutir e divulgar o Cinema Brasileiro, o evento acontece desde 1998 e tem como público-alvo a comunidade acadêmica, profissionais de comunicação e demais interessados por cinema;

 Vídeo Talento Festival – concurso que divulga e premia vídeos experimentais produzidos pelos acadêmicos de Relações Públicas na disciplina de Projeto Experimental I – Produção Audiovisual;

 RP em Debate – Trata-se de um evento para discutir e divulgar a profissão de relações públicas, com a presença de profissionais de renome regional/nacional/internacional. O evento ocorre desde 1991;

 Semana das Comunicações – O evento proporciona aos acadêmicos dos cursos de Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Relações Públicas a oportunidade de ampliar conhecimentos a partir de palestras com profissionais de expressão no cenário nacional, discorrendo sobre seu trabalho e experiências. A primeira edição ocorreu em 2001.

Novos eventos estão sendo confirmados no curso de Relações Públicas, como por exemplo o Top of Mind e o Prata da Casa (Egressos do curso de RP que falam aos acadêmicos sobre suas atividades profissionais).

Como se pode ver, a tradição em eventos é muito significativa, sendo que os egressos do curso de RP da UCS têm significativa formação nessa área, mesmo que o curso ofereça apenas uma disciplina de eventos. O fato de os eventos serem tradicionais gerou uma competição saudável em que os acadêmicos do ano seguinte sempre querem superar a qualidade do evento do ano anterior. Outro aspecto relevante é o fato de os acadêmicos terem que, também, prospectar os recursos para a realização do evento. Isso estimula a competência e as habilidades de negociação, bem como a flexibilidade e agilidade para lidar com/em situações de pressão/estresse; sempre orientados pelo(a) professor(a) da disciplina.


O olhar do egresso


Em uma pesquisa realizada por Lanzarin et al. (2005), acadêmicos da disciplina de prática de pesquisa, foram entrevistados 250 de um total de 853 egressos do curso de Relações Públicas, buscando conhecer um pouco da sua realidade e suas opiniões sobre o curso/profissão/mercado de trabalho. Alguns dos resultados dão conta de que, do total dos entrevistados: a) 91,6% está ativo, porém, desse total, 71,2% não atua na área de Relações Públicas; b) as áreas de atuação mais citadas são: negócios próprios e funcionalismo público; c) 90,8% dos entrevistados consideram que o curso é fundamental para a realização de suas atuais funções; d) 49,2% compreende que o curso precisa ser melhor direcionado para atender, especificamente, às necessidades de Relações Públicas, a partir de uma visão do mercado de trabalho. Sobre a percepção quanto ao mercado de trabalho, 42,8% acredita que não há boa receptividade para o profissional de Relações Públicas, pelos motivos de: campo de atuação restrito, desconhecimento da função, imagem do profissional/área distorcida. No entanto, 86,8% dos entrevistados afirma que recomendaria o curso de Relações Públicas para outras pessoas.

Na mesma pesquisa, os entrevistados apresentaram sugestões, tais como: aumento do número de aulas práticas; contratação de docentes atualizados, com experiências e técnicas inovadoras; reforma do currículo dentro do que o mercado necessita e posicionar melhor o curso de RP nesse contexto; mais divulgação da profissão; professores mais focados no mercado de trabalho e não essencialmente em nível acadêmico; mais interação entre profissionais de mercado e estudantes em fase de conclusão de curso, entre outras.

Cabe observar que o Curso de Relações Públicas, mediante ações diversas, procura conhecer e acompanhar a realidade de mercado da região e, mesmo, em nível nacional/internacional, seja pela participação de seus professores e acadêmicos em eventos científicos-tecnológicos, na realização de pesquisas de caráter técnico-científico, no convite aos egressos para que discorram sobre suas experiências em eventos acadêmicos para os alunos de RP, através de estágios curriculares (duração de 2 semestre letivos) e extra-curriculares, visitas técnicas e viagens de estudo, dentre outras ações. Nesse sentido, importa que se destaque que os entrevistados são egressos de diferentes épocas e, portanto, sua formação foi decorrente de projetos pedagógicos distintos. Da mesma forma, ressalta-se que o projeto pedagógico do curso sempre procurou atender às orientações das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs). Atualmente, está em fase de revisão para adequação às novas DCNs dos cursos de Comunicação.

Projeto pedagógico

Desde sua estruturação, o curso de Relações Públicas da UCS passou por quatro reformulações curriculares. O currículo atual – 223F – reflete o disposto na resolução nº 002/84 do Conselho Federal de Educação, que fixou o currículo mínimo da Comunicação Social e suas habilitações. Também, nesse currículo, estão contidas as últimas proposições (Resoluções 16/93 e 25/93) do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – CEPE – da Universidade de Caxias do Sul, que fixaram a estrutura dos ciclos e critérios de composição dos currículos dos cursos de graduação da Instituição.

O currículo vigente é objeto de estudos aprofundados pelo Colegiado do Curso, tendo em vista as novas diretrizes curriculares da área da Comunicação Social e suas habilitações, homologadas pelo Ministério da Educação através do Parecer nº CNE/CES 492/2001 de 3 de abril de 2001 e Resolução n. 16, de 13 de março de 2002. Assim, o Projeto Pedagógico do Curso está sendo revisto à luz das novas diretrizes, que possibilitam a flexibilização que a Resolução 002/84 não oferecia.

Pretende-se que os valores trabalhados no Curso de Comunicação Social – Habilitação em Relações Públicas da Universidade de Caxias do Sul –, sejam fundamentados nos referenciais ético-políticos propostos pela Universidade, em seu Projeto Acadêmico Institucional. Nesse sentido, o Curso de Relações Públicas, no processo de aprendizagem, deve buscar construir uma disciplina científica, com bases éticas e estéticas, o que possibilita criar um ambiente fecundo de aprendizagem.

É relevante enfatizar que o trabalho educativo se concretiza na interação entre as partes implicadas, ou seja, na criação e implementação de um processo de comunicação permanente para que se efetive um trabalho em equipe, pois, na interlocução das subjetividades e das alteridades se efetiva a produção do conhecimento. Assim, enfatizam-se os Referenciais Orientadores do Projeto acadêmico institucional.

Perfil profissional – projeto pedagógico atual

O perfil do egresso do curso de Relações Públicas, além de estar em consonância com aquele delineado para todos os egressos da Instituição e para o qual deverá convergir o processo de formação profissional nos diferentes cursos – segundo o que consta no documento Projeto Pedagógico: subsídios para elaboração e avaliação (SANTOS; PERAZZOLO, 1999, p. 194), deverá ter como referência o perfil definido para o egresso do curso de Comunicação Social da Universidade de Caxias do Sul, ou seja, deve estar em consonância com as competências exigidas dos profissionais dessa área, com as características, necessidades e demandas locais e regionais, mas, ao mesmo tempo, com as exigências do mundo globalizado.

Segundo o que está previsto no perfil do egresso do curso de Comunicação Social, o profissional deve apresentar:


  • sólida formação em conhecimentos gerais e técnicos, baseada em princípios ético-políticos e técnico-científicos voltados para a complexidade das relações humanas e sociais. Essa formação deve transcender as especialidades profissionais e proporcionar uma compreensão ampla e profunda do campo da Comunicação, desenvolvendo assim uma percepção geral desse campo, no qual a sua habilitação se inscreve;

  • utilização crítica, em sua atividade profissional, do instrumental teórico-prático oferecido pelo Curso, buscando posicionar-se sobre o exercício do poder na comunicação e sobre as necessidades da sociedade contemporânea em relação à comunicação social;

  • compreensão de que a formação profissional é um processo contínuo de construção de conhecimentos e competências, o qual demanda aperfeiçoamento e atualização constantes. Assim, devem ser capazes de lidar com a variedade e mutabilidade das demandas sociais e profissionais na área, adequando-se à complexidade e velocidade do mundo contemporâneo;

  • disponibilidade e competência para o exercício da interdisciplinaridade e para a atuação em equipes multiprofissionais, resguardando sua autonomia profissional. Devem dispor de uma visão integradora e horizontalizada – genérica e, ao mesmo tempo, especializada de seu campo de trabalho, possibilitando o entendimento da dinâmica das diversas modalidades comunicacionais e das suas relações com os processos sociais que as originam e que destas decorrem;

  • capacidade de auto-análise, tendo em vista o aprimoramento de seu autoconhecimento e das suas relações interpessoais.

O profissional em Relações Públicas é o estrategista da comunicação organizacional, implementando programas e ações que incrementem o relacionamento da organização com funcionários, fornecedores, consumidores/clientes, imprensa, órgãos públicos, acionistas, revendedores e comunidade em geral, ou seja, com todos os grupos de pessoas com os quais uma organização depende direta ou indiretamente para sua instituição e permanência.

Do profissional de Relações Públicas exige-se a compreensão dos objetivos e da gestão de empresas e organizações em geral, diálogo e comunicação interna e externa, agilidade, criatividade e iniciativa, domínio de línguas e informática, além do conhecimento das características dos meios de comunicação de massa e dirigida, e habilidade para a utilização adequada dos mesmos.

Assim, para complementar e diferenciar a formação do profissional de Relações Públicas de outros profissionais da Comunicação Social, o acadêmico deverá desenvolver habilidades e competências específicas, que lhe permitam estabelecer relacionamentos pautados na confiança, transparência, ética e responsabilidade social, tais como:

- administrar o relacionamento das organizações com seus diversos públicos externos e internos;

- elaborar diagnósticos, prognósticos, estratégias e políticas voltadas para o aperfeiçoamento das relações entre instituições, grupos organizados, setores de atividades públicas ou privadas, e a sociedade em geral;

- pesquisar, planejar, executar e avaliar o resultado de ações estratégicas que promovam a marca, imagem ou identidade de organizações sejam elas empresas privadas, governos e instituições das mais diversas naturezas, diante de públicos internos e externos;

- criar materiais de divulgação institucional, como boletim, jornal interno, jornal mural, quadro de avisos, vídeo institucional, site, news letter, relatórios, balanços sociais, os mais variados tipos de eventos, campanhas de conscientização e informações destinadas aos públicos interno e externo;

- implantar programas de responsabilidade social e integração com a comunidade;

- organizar atividades promocionais e estruturar serviços de atendimento ao consumidor;

- participar da gestão das organizações, apresentando as expectativas dos públicos internos e externos, e implementando programas que fixem a marca da organização, divulgando dados, informações, relatórios e posicionamento sobre a empresa, seus objetivos, ações, serviços e produtos.



Objetivos do curso

Objetivo Geral

O Curso de Relações Públicas da Universidade de Caxias do Sul tem por objetivo contribuir com a formação de um profissional apto e consciente de seu papel de transformador da realidade, que possa conceber e gerenciar as estruturas comunicacionais dos diferentes tipos de organizações, tendo por suporte a evolução dos paradigmas de comunicação e relações públicas, a tecnologia disponível e as constantes e crescentes necessidades de melhoria dos relacionamentos interpessoais e grupais.



Objetivos Específicos

  • Propiciar o surgimento e a manifestação de posturas críticas que contribuam para o aperfeiçoamento da comunicação no âmbito organizacional, através de disciplinas que teorizem o contexto sócio-político-cultural da atividade profissional, bem como os sistemas de linguagem próprias de tal área de conhecimento.

  • Incentivar a experimentação de linguagens a partir de discussões teóricas, através da prática laboratorial que priorize não apenas o domínio tecnológico dos meios, como também os aspectos cognitivo-epistemológicos relacionados aos mesmos.

  • Contribuir para a formação de profissionais capazes de identificar e propor políticas comunicacionais para atender as necessidades e demandas de indivíduos, segmentos de públicos, organizações e comunidades, de forma a possibilitar um acesso mais amplo à informação e, conseqüentemente, ao processamento desta em sistemas acessíveis, amplos e interativos.

  • Promover a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade entre as Relações Públicas e as habilitações comunicacionais afins, bem como com as áreas de administração e gestão.

  • Colaborar para o desenvolvimento e reconhecimento das Relações Públicas, através de seus princípios científicos, técnicos e éticos, em especial na região de abrangência da Universidade de Caxias do Sul.

  • Contribuir para habilitar o egresso a atuar de forma ética e colaborativa junto à sociedade, levando em consideração aspectos culturais, políticos, sociais e econômicos de seu fazer profissional.

  • Auxiliar no processo de consolidação da Instituição, como um centro de excelência na área comunicacional.

O acadêmico de Relações Públicas - hoje


Com base na pesquisa realizada por Biasio et al., em 2003, pode-se delinear um “certo” perfil dos acadêmicos do curso de Relações Públicas da Universidade de Caxias do Sul. Foram pesquisados 471 acadêmicos. 63.5% dos entrevistados têm idade entre 18 e 24 anos, sendo que o percentual do sexo feminino é de 80,5%. A maioria é de solteiros (82,2%), e 56,5% dos estudantes é natural de Caxias do Sul.

Dos motivos que os levaram a optar pelo curso destacam-se: identificação com o curso (78,9%); ser um curso noturno (37,2%); já trabalhar na área da comunicação (19,5%); influência de amigos (9,6%); e facilidade de passar no vestibular (4,7%). A maioria dos entrevistados realiza algum tipo de curso para complementar sua formação. Dos cursos que fizeram, cita-se: informática, com 62,2%; línguas, com 41,4%; e aperfeiçoamento (marketing, vendas etc.), com 35,7%.

Sobre a relação entre teoria e prática na formação acadêmica, 59,9% dos entrevistados considera que os conteúdos teóricos e práticos têm a mesma importância, para 34,2% devem ser oferecidos mais conteúdos práticos do que teóricos, sendo que apenas para 2,5% dos acadêmicos de Relações Públicas os conteúdos teóricos devem ser em maior quantidade.

Quanto à ocupação dos estudantes de RP, a pesquisa de Biasio et al. revela que 29,7% dos entrevistados trabalha na prestação de serviços, 27,2% na indústria, 22,5% no comércio. O índice de desempregados fica em 8.5%. Perguntados sobre a área de atuação, 68,2% dos entrevistados afirma não atuar na área de RP frente 23,4% que afirmam atuar nessa área. Alegam como motivos para a sua não atuação na área: falta de oportunidade (37,6%); falta de mercado (10,4%); outros motivos (18,3%). A percentagem dos que não apresentaram motivos pela sua não atuação na área ficou em 23,6%. Sobre o futuro, a maioria dos estudantes entrevistados pretende atuar na sua área de formação, 22,5% apresenta dúvidas e, apenas, 3,6% não pretende trabalhar na área – esse percentual é de pessoas que atuam em outra área e não pretendem mudar e daqueles que objetivam mudar de curso.

Para os entrevistados, dos fatores que mais influenciam a construção da imagem da profissão de relações públicas está: competência profissional (68,8%), ética profissional (41,4%), atuação multifuncional e multidisciplinar (30,1%), função social da profissão (20,6%), curso superior na área (12,5%), e prestígio social (11,5%).

De acordo com os dados da pesquisa de Biasio et al. o elenco das funções consideradas mais importantes pelos entrevistados compreende5: prevenir e administrar conflitos – 17,8%; planejar e executar campanhas e programas de relações públicas – 15,6%; detectar situações da organização que possam afetar a imagem – 15,5%; administrar a comunicação organizacional – 12,5%; criar e administrar instrumentos de comunicação específicos – 7,1%; participar com outras áreas de comunicação na definição de políticas de comunicação – 5,8%; promover e executar eventos 5,7%; identificar públicos prioritários para a organização – 5,5%; promover pesquisa de opinião pública e analisar resultados – 4,1%; avaliar resultados das atividades desenvolvidas – 4,1%; elaborar e distribuir informação da organização para veículos de comunicação social – 3,9%; e administrar a função política organizacional 2,6%.

Um aspecto que se apresenta alarmante sobre o perfil dos acadêmicos de Relações Públicas, revelado pela pesquisa de Biasio et al. (2003), é o fato de que, até o momento da pesquisa, em resposta à pergunta “Quantos livros específicos da área de comunicação você já leu?”, 41,2% dos entrevistados (194 respostas) afirmou ter lido de “06 a 4” livros, apenas; 31,4% (148 respostas) diz ter lido de “5 a 9” livros; 17,4% (82 respostas) afirmou ter lido de “10 a 14” livros; 2,1% (10 respostas) diz ter lido de “15 a 20” livros; e 5,3% (25 respostas) leu mais de 20 livros.

Os resultados dessa pesquisa constituem-se em importantes subsídios para se refletir sobre os rumos do curso e, fundamentalmente, para o processo de revisão curricular, atualmente em processo. Por outro lado, têm subsidiado a tomada de decisões e, também, a atualização de estratégias para a qualificação dos fazeres ensino-aprendizagem.


O curso hoje, reflexões e rumos


Atualmente, o curso de Relações Públicas da Universidade de Caxias do Sul, que é coordenado pelo professor Olivar Maximino Mattia, conta com 659 acadêmicos devidamente matriculados. Desde sua criação, formou 873 egressos.

O projeto pedagógico do Curso de Relações Públicas da UCS está em processo de construção/atualização. Essa não é uma tarefa simples, muito menos de curto prazo. Ela exige longo processo de diagnóstico, análise, reflexão e discussão. O último passo descrito sinaliza um trabalho conjunto, o que remete à coordenação do curso, ao seu colegiado, ao corpo docente e ao corpo discente. Essa é uma “tarefa de todos”. Conforme se destacou, foram realizadas pesquisas, pelos próprios acadêmicos do curso de Relações Públicas com o intuito de melhor conhecer a realidade de mercado, perfil dos acadêmicos, e suas opiniões sobre o curso e ações que devem ser tomadas. Essas informações são relevantes para a reestruturação curricular em movimento. Observa-se que os resultados das pesquisas confirmam alguns pontos em evidência no estudo preliminar da coordenação e mostra a necessidade de as discussões serem ampliadas, particularmente, junto aos acadêmicos.

Esse repensar do curso de RP implica uma análise que extrapola o curso e mesmo a UCS. Ambos estão inseridos em um contexto que contempla uma gama complexa de esferas e nuances. É preciso pensar, por exemplo, as (re)configurações experimentadas pela sociedade contemporânea, em tempos que se está denominando de pós-moderninade. É necessário repensar o fazer científico – e os paradigmas que o sustentam – e, portanto, da Universidade e de seus cursos; atentar para as articulações entre o local e o global, as partes e o todo, a instituição universidade e as razões de sua existência ecossistêmica. É necessário atualizar-se como curso articulado à sociedade, dela interdependente.

Nas mais diversas áreas do conhecimento (e essa divisão é cartesiana), o ser humano começa a perceber sobreposições que provocam algo como fusões, simbioses, tensões e transformações. Percebe-se, a cada dia, que natureza, ciência, razão, emoção, organizações e trabalho, dentre outras, são partes de um todo complexo; dialógica e recursivamente são suas construções e construtoras. Em um sentido hologramático (Morin7), ao mesmo tempo, essas partes são mais e menos que o todo. Experimenta-se um especial momento histórico-sócio-cultural. Um claro exemplo disso é a postura que a sociedade vem cobrando das organizações em relação à responsabilidade social e à cidadania organizacional, questão na qual o Relações Públicas precisa estar envolvido.

Nesse sentido, importa destacar que ao mesmo tempo em que se vivem importantes mudanças paradigmáticas, de acordo com pesquisa realizada por acadêmicos do curso de Relações Públicas (BIASIO et al., 2003), 30% dos estudantes de RP suprimiriam Filosofia, 23% suprimiriam Realidade Brasileira, 13% suprimiriam Teoria Política e 13% suprimiriam Sociologia da grade curricular do curso de Relações Públicas. Por outro lado, 62,4 dos mesmos estudantes entrevistados sinalizam que existe a necessidade de integração com o mercado e, paradoxalmente, 49% afirmam a falta de senso crítico.

Um novo olhar sobre o curso de Relações Públicas não pode deixar de contemplar questões como a crítica à postura individualista do ser humano frente ao entorno ecossistêmico, particularmente sobre a postura muitas vezes precatória de determinadas organizações. A Universidade é o lugar para se refletir sobre um novo mundo – mais justo, harmônico, sustentável, estético –, bem como para atualizar ações de efetiva intervenção sociocultural e, não, simples lugar de plasmação da integração com processos mecanicistas e predatórios comprovadamente esgotados.

Trata-se de um caminho longo, difícil, mas necessário. Assim, as soluções não acontecerão no curto prazo. Olhar para os processos de comunicação sob uma perspectiva integrada é um passo significativo; é um sinal de mudança no curso (em seu duplo sentido). Pensar o indivíduo e a comunicação integrados a processos de produção, administração, relações humanas, ao ecossistema, enfim, pensar a tensão relações públicas-sociedade numa perspectiva dialógico-recursica e hologramática apresenta-se como lugar fértil em busca da potencialização da qualidade de vida social.

Como alternativa ao discurso racionalista que separou sujeito/objeto, natureza/cultura levanta-se um discurso que valoriza ideais perdidos que cabe ao ser humano contemporâneo atualizar, e essa tarefa exige uma postura coerente e ética dos Relações Públicas. Cada vez mais os indivíduos se dão conta da necessidade de romper com a alienação dos seres humanos em relação à natureza, estabelecida pelo cartesianismo. Para pensar um curso integrado com o mercado é preciso, antes, saber que mercado é esse. O lugar é de opção: ou se continua a reproduzir um modelo esgotado, ou se trabalha como comunicadores na transformação desse modelo para, então sim, como curso articulado ao mercado, contribuir para a formação de profissionais críticos e conscientes de seu papel histórico.

Esse tem sido o rumo da reflexão sobre o curso de Relações Públicas atualizada na Universidade de Caxias do Sul.

Bibliografia


BIASIO, Claudia et al. Relatório de pesquisa de satisfação dirigida aos alunos do curso de Comunicação Social: Habilitação em Relações Públicas. Caxias do Sul: UCS, 2003. (pesquisa realizada pelos acadêmicos da disciplina Prática de Pesquisa, coordenada pela profa. Jane Rech).

COMUNICANDO. Revista do Curso de Relações Públicas da UCS. Caxias do Sul: ano 19, n. 37, 1º sem./2001. (revista elaborada pelos acadêmicos da disciplina Projeto Experimental IV – Produção Gráfica, coordenada pela profa. Marlene Branca Sólio.

LANZARIN, Juliana et al. Relatório de pesquisa de opinião dirigida aos egressos do curso de Comunicação Social: Habilitação em Relações Públicas. Caxias do Sul: UCS, 2005. (pesquisa realizada pelos acadêmicos da disciplina Prática de Pesquisa, coordenada pela profa. Jane Rech).

MORIN, Edgar. Ciência com consciência. 4. ed. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 2000.

_______. Introdução ao pensamento complexo. 3. ed. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.

PROJETOPS pedagógicos do Curso de Relações Públicas. Universidade de Caxias do Sul. Caxias do Sul.

SANTOS, M. M. C. dos; PERAZZOLO, O. A. (Orgs.). Projeto acadêmico institucional: projetos pedagógico, científico e de extensão. Plano de desenvolvimento institucional. 2002-2006. Universidade de Caxias do Sul. Caxias do Sul: EDUCS, 2003.

SUPLEMENTO especial. Encarte especial alusivo aos 30 anos do curso de Relações Públicas. Jornal da Universidade de Caxias do Sul. Caxias do Sul: outubro de 2001.



30 anos – Relações Públicas – Universidade de Caxias do Sul. Caxias do Sul. Relatório de atividades: Agência Experimental Cria&Ativa, 2001.

1 Mestre em Comunicação (PUCRS), especialista em Metodologia do Ensino Superior e da Pesquisa (UCS), bacharel em Relações Públicas (UCS). Pesquisadora e docente na Universidade de Caxias do Sul no curso de Relações Públicas. Coordenadora da comissão de auto-avaliação da Pró-Reitoria de Graduação da UCS.

2 Mestre em Comunicação (Unisinos), especialista em História Contemporânea (Unisinos) e em Produção de Imagens com Novos Meios Tecnológicos (UCS), Jornalista (Unisinos). Pesquisadora e docente nos cursos de Relações Públicas e Jornalismo da UCS.

3 Doutor em Comunicação (PUCRS), mestre em Comunicação Social – Semiótica (Unisinos), especialista em Gerenciamento de Recursos Humanos (Unisinos), Relações Públicas (UCS). Pesquisador e docente nos cursos de Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Design, História e Turismo das Universidades: UCS e FEEVALE.

4 As principais características que deverão compor o perfil do profissional egresso da UCS são:

  • sólida formação geral-profissional, pautada por princípios ético-políticos e técnico-científicos voltados para a complexidade das relações e das demandas humanas e sociais;

  • entendimento de que a formação profissional é um processo contínuo de construção de competências que demanda aperfeiçoamento e atualização permanentes;

  • compreensão da profissão como uma forma de inserção e intervenção na sociedade globalizada, tendo por base a comunidade regional;

  • atuação profissional responsável, crítica e criativa, atualizada e respeitosa em relação às questões sociais e ambientais, com vistas à identificação e à resolução de problemas;

  • disponibilidade e competência para o exercício da interdisciplinaridade e para a atuação em equipes multiprofissionais, resguardada a autonomia profissional;

  • capacidade de pensar e de aportar o seu conhecimento no conhecimento já disponível, de maneira crítica, pessoal e consistente;

  • capacidade de utilizar os conhecimentos científicos e tecnológicos existentes e disponíveis e de produzir novos conhecimentos, deles derivando condutas pessoais e profissionais responsáveis, justas e éticas;

  • capacidade de auto-análise tendo em vista o aprimoramento de seu auto-conhecimento e das suas relações interpessoais.

5 Cada entrevistado podia escolher até duas funções.

6 Considerando-se que possa ter lido apenas parte/capítulo de livro.

7 Sobre os três princípios básicos do pensamento complexo – dialógico, recursivo e hologramático – ver Morin, 2000 e 2001, dentre outros.


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4o-encontro-2006-1 -> Estudos em Relações Públicas e o Pensamento Latino-Americano em Comunicação
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