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UFPB – PRG XII Encontro de Iniciação a Docência


4CCAEDCEPROLICEN02

DESPERTANDO O INTERESSE E A MELHORIA DA APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA POR MEIO DE PALESTRAS-TEMÁTICAS SOBRE HISTÓRIA DA MATEMÁTICA

Ana Lúcia Nunes da Silva (1); Jânio Elpídio de Medeiros (2); Jordânia Andrezza Pontes da Silva (2); Cristiane Borges Angelo (3); Cristiane Fernandes de Souza (4); Jussara Patrícia Alves de Paiva (4)

Centro de Ciências Aplicadas e Educação/ Departamento de Ciências Exatas/PROLICEN
RESUMO

Este trabalho objetiva apresentar o trabalho desenvolvido no projeto “A vez da história: despertando o interesse e a melhoria da aprendizagem da matemática por meio de palestras-temáticas sobre história da matemática”, vinculado ao PROLICEN/UFPB/2009. O objetivo geral do projeto foi integrar o Curso de Licenciatura em Matemática do Campus IV – Litoral Norte, às escolas públicas do município de Rio Tinto, promovendo a articulação entre ensino, pesquisa e extensão na formação dos licenciandos do referido curso, bem como atuando na promoção do interesse e na melhoria da aprendizagem em Matemática dos alunos de escolas públicas. Para atingir o objetivo geral proposto, este projeto teve como objetivos específicos utilizar a história da matemática como recurso pedagógico para promover o interesse e a melhoria da aprendizagem nessa disciplina, em alunos de escolas públicas; desenvolver nos licenciandos a capacidade de expressarem-se escrita e oralmente os signos da língua e da matemática com clareza e precisão. O público-alvo atendido pelo projeto constituiu-se por estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano). No estudo diagnóstico inicial, aplicamos um questionário aos professores de matemática das escolas participantes do projeto, com a finalidade de averiguar quais conteúdos matemáticos os estudantes apresentam maior dificuldade de aprendizagem. Os resultados apontaram para os seguintes conteúdos: números inteiros, equações de primeiro e segundo graus, operações fundamentais e geometria. Com base nesses resultados, realizamos a pesquisa bibliográfica e elaboração de textos-bases das palestras-temáticas que foram ministradas aos alunos das escolas públicas. Com o desenvolvimento desse trabalho, percebemos uma grande dificuldade demonstrada pelos alunos que foram atendidos pelo projeto, em termos de conhecimento matemático. Nesse sentido, concluímos que ações dessa natureza são sobremaneira importantes para que possamos promover uma re-significação dos conteúdos matemáticos abordados nas palestras-temáticas, promovendo, dessa forma, um maior interesse dos alunos pela matemática, bem como uma melhoria da aprendizagem nessa disciplina.


Palavras-chave: história da matemática; formação de professores; educação matemática.



  1. INTRODUÇÃO

De acordo com dados divulgados em fevereiro de 2007 pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), as médias de proficiência em matemática, no Brasil, de 1995 a 2005, demonstram, de forma geral, uma queda em todos os níveis avaliados, quais sejam a quarta e a oitava séries do Ensino Fundamental e o 3º ano do Ensino Médio (BRASIL, 2007).

Esse quadro leva-nos a refletir sobre a forma como a matemática tem sido abordada nas escolas brasileiras. Em geral, a visão que se tem da matemática é aquela que concebe essa ciência como um conhecimento estanque, pronto e acabado, o que leva a um ensino nessa disciplina baseado na repetição mecânica de algoritmos, em que a memorização de regras se sobrepõe ao entendimento significativo dos conteúdos matemáticos. Em conseqüência a essa visão, os conteúdos matemáticos são apresentados totalmente desconectados de sua origem e de outras áreas de conhecimento, trabalhando-se a Matemática desconsiderando os aspectos sócio-culturais que originaram tais conteúdos.

Em oposição a essa visão, acreditamos que a Matemática deve ser concebida sob uma visão histórico-crítica, sendo abordada como um conhecimento vivo, dinâmico, produzido historicamente nas diferentes sociedades, sistematizado e organizado com linguagem simbólica própria em algumas culturas, atendendo às necessidades concretas da humanidade.

Essa visão é corroborada pelo pesquisador Dário Fiorentini (1995) quando afirma que assim como acontece com todo conhecimento, a Matemática é também um saber historicamente em construção que vem sendo produzido nas e pelas relações sociais e, como tal, tem seu pensamento e sua linguagem. Para o pesquisador, essa linguagem com o passar dos anos foi se tornando formal, precisa e rigorosa, distanciando-se daqueles conteúdos dos quais se originou, ocultando, assim, os processos que levaram a Matemática a tal nível de abstração e formalização (ibidem, 1995).

Segundo o pesquisador Iran Abreu Mendes (2006), a Educação Matemática, enquanto área de estudos e pesquisas, tem se estruturado através de algumas tendências, amparadas em várias concepções filosófico-metodológicas, que norteiam os pesquisadores na busca de um ensino mais eficaz.

Uma dessas tendências se ancora no uso da história da matemática no ensino dessa disciplina, que se apresenta como uma alternativa para o professor de qualquer nível de ensino mostrar a evolução da disciplina ao longo dos tempos e, assim, poder motivar os seus alunos para uma aprendizagem significativa, apontando a relevância do conhecimento matemático.

Jonh Fauvel (apud MENDES, 2006a), em artigo intitulado Using history in mathematics education, aponta várias razões para o uso da história no ensino de matemática:


  1. A história aumenta a motivação para a aprendizagem matemática;

  2. Humaniza a matemática;

  3. Mostra o seu desenvolvimento histórico através da ordenação e apresentação de tópicos no currículo;

  4. Os alunos compreendem como os conceitos se desenvolveram;

  5. Contribui para as mudanças de percepções dos alunos com relação à matemática;

  6. A comparação entre o antigo e o moderno estabelece os valores das técnicas modernas a partir do conhecimento desenvolvido ao longo da história da sociedade;

  7. Ajuda a desenvolver uma aproximação cultural para a construção do conhecimento matemático;

  8. Suscita oportunidades para investigação matemática;

  9. Pode apontar os possíveis aspectos conceituais históricos da matemática que dificultam a aprendizagem dos estudantes;

  10. Contribui para que os estudantes busquem no passado soluções matemáticas para o presente e projetem seus resultados no futuro;

  11. Ajuda a explicar o papel da matemática na sociedade;

  12. Faz da matemática um conhecimento menos assustador para os estudantes e apara a comunidade em geral;

  13. Explora a história, ajudando a sustentar o interesse e a satisfação dos estudantes;

  14. Fornece oportunidades para a realização de atividades extracurriculares que evidenciem trabalhos com outros professores e/ou outros assuntos (caráter interdisciplinar da história da matemática).

De posse das justificativas apresentadas por Fauvel para o uso da história da matemática no ensino dessa disciplina, podemos depreender que o uso da história como recurso metodológico tem por finalidade promover a ressignificação da aprendizagem de conceitos matemáticos produzidos pela sociedade em sua evolução. Além disso, desmistifica a concepção de que a matemática é uma ciência “pronta”, criada por mentes “iluminadas”. Em contrapartida, o uso da história da matemática no ensino dessa disciplina, pode levar os alunos a conceberem a matemática como uma ciência que se desenvolveu e ainda se desenvolve em contextos socioculturais, a partir da demanda de diferentes culturas.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), documentos que norteiam a educação Básica brasileira, afirmam que a história da matemática, juntamente com outros recursos didáticos e metodológicos, pode oferecer uma importante contribuição ao processo de ensino e aprendizagem da matemática. Segundo os documentos que versam sobre o Ensino Fundamental, ao revelar a matemática como uma criação humana, ao mostrar necessidades e preocupações de diferentes culturas, em diferentes momentos históricos, ao estabelecer comparações entre os conceitos e processos matemáticos do passado e do presente, o professor tem a possibilidade de desenvolver atitudes e valores mais favoráveis ao aluno diante do conhecimento matemático (BRASIL, 1998). Nesse sentido, a história da matemática configura-se em um instrumento de resgate da própria identidade cultural.

Concordamos com o educador matemático Iran Abreu Mendes (2006a, p. 97) ao defender que a história a ser usada no ensino fundamental e médio deve ser

uma “história-significado” ou uma “história reflexiva”, ou seja, “uma história cuja finalidade é dar significado ao tópico matemático estudado pelos alunos, levando-os a refletir amplamente sobre tais informações históricas de modo a estabelecer conexões entre os aspectos cotidiano, escolar e científico presente nessa história.

Para Ferreira (1998 apud MENDES, 2006a), a utilização da história da matemática como recurso didático pode ajudar a justificar para os estudantes os porquês conceituais e teóricos da matemática que devem ser aprendidos por eles.


  1. DESCRIÇÃO METODOLÓGICA

O projeto “A vez da história: despertando o interesse e a melhoria da aprendizagem da matemática por meio de palestras-temáticas sobre história da matemática” visou integrar o Curso de Licenciatura em Matemática, do Campus IV – Litoral Norte, às escolas públicas de Rio Tinto e região, por meio do oferecimento de palestras-temáticas aos alunos dos anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) dessas escolas, em que foram abordados aspectos relacionados à história da matemática, objetivando despertar um maior interesse pela disciplina de matemática.

Diversas pesquisas apontam que o uso da história da matemática como recurso pedagógico levaria a resultados satisfatórios no que concerne à aprendizagem na disciplina de matemática (MENDES, 2006a). Nesse sentido, pretendeu-se contar a história de alguns conteúdos da matemática, por meio de palestras-temáticas, procurando mostrar aos alunos que a matemática é uma criação humana que se desenvolveu e se desenvolve em contextos socioculturais, a partir das necessidades das diferentes culturas em diferentes períodos da história.

As palestras-temáticas foram ministradas pelos alunos-bolsistas do projeto, sob a orientação e supervisão da coordenadora do projeto. Para isso, os alunos-bolsistas realizaram estudos e pesquisas acerca da história da matemática e, a partir desses estudos, elaboraram textos que serviram de base para as palestras-temáticas. Nesse sentido, o projeto atuou em consonância com o Projeto Político Pedagógico do Curso de Licenciatura em Matemática, pois permitirá que os alunos-bolsistas desenvolvam habilidades e competências relacionadas a “capacidade de expressar-se escrita e oralmente os signos da língua e da matemática com clareza e precisão” (Projeto Político-Pedagógico, 2008, p. 13).

O presente projeto também atuou na consolidação do Projeto Político-Pedagógico do Curso de Licenciatura em Matemática, do Campus IV – Litoral Norte, indo ao encontro dos objetivos desse curso ao inserir-se na perspectiva de melhoria da qualidade de ensino da Educação Básica na microrregião a qual está inserido esse campus.

O projeto foi desenvolvido em duas escolas da rede pública do município de Rio Tinto-PB, quais sejam: Escola Municipal Antônia Luna Lisboa e Escola Estadual professor Luiz Gonzaga Burity.

Como primeira etapa do projeto, aplicamos um questionário aos professores de matemática, com a finalidade de averiguar quais conteúdos matemáticos os estudantes apresentam maior dificuldade de aprendizagem. Além disso, perguntamos aos professores se eles utilizavam a história da matemática como recurso pedagógico no desenvolvimento de suas aulas. Após a análise dos resultados concluímos que os professores não utilizam esse recurso pedagógico. Também realizamos o diagnóstico de quais conteúdos seriam abordados nas palestras-temáticas e os resultados apontaram para os seguintes conteúdos: números inteiros, equações de primeiro grau e operações fundamentais.

Após a etapa de diagnóstico, iniciamos a pesquisa bibliográfica e elaboração de textos-bases das palestras-temáticas que foram ministradas aos alunos das escolas públicas, a partir dos conteúdos acima elencados realizaremos. Sob a supervisão e orientação da coordenadora do projeto, os alunos-bolsistas ministraram as palestras-temáticas sobre a história dos conteúdos matemáticos, atendendo um total de, aproximadamente, 150 alunos distribuídos em duas turmas de 6º ano, uma turma de 7º ano e duas turmas de 8º ano.


  1. RESULTADOS

Com o desenvolvimento desse trabalho, percebemos uma grande dificuldade demonstrada pelos alunos que foram atendidos pelo projeto, em termos de conhecimento matemático. Nesse sentido, concluímos que ações dessa natureza são sobremaneira importantes para que possamos promover uma re-significação dos conteúdos matemáticos abordados nas palestras-temáticas, promovendo, dessa forma, um maior interesse dos alunos pela matemática, bem como uma melhoria da aprendizagem nessa disciplina.


  1. CONCLUSÃO

Apesar de ser uma proposta concreta para a melhoria do ensino de matemática, Mendes (2006) aponta algumas dificuldades que se têm colocado na implementação do uso da história no ensino da matemática, dentre as quais destacamos o despreparo dos professores que não tiveram tanto em sua formação inicial quanto continuada, oportunidades de estudo da história da matemática e da análise das possibilidades de inserção dessa história em suas práticas pedagógicas. Em consonância ao exposto acima, diagnosticamos, no desenvolvimento desse projeto que os professores não utilizam a história da matemática como recurso pedagógico em suas aulas.

Acreditamos que, para essa dificuldade ser minimizada é necessário que seja trabalhada na formação, inicial e continuada, de professores de matemática questões relacionados ao uso da história da matemática em sala de aula. Nesse sentido, ratificamos a importância deste projeto e de futuras ações que atuem na formação de professores focadas no uso da história da matemática como alternativa metodológica para promoção do interesse em Matemática e a melhoria da aprendizagem nessa disciplina.




  1. REFERÊNCIAS

BRASIL. INEP. Sistema de avaliação da Educação Básica. SAEB/2005 - Primeiros Resultados: Médias de desempenho do SAEB 2005 em perspectiva comparada. Disponível em http://www.inep.gov.br/download/saeb/2005/SAEB1995_2005.pdf

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Brasília: MEC/SEMTEC, 1999.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática. Brasília: MEC/SEF, 1998.

FIORENTINI, Dário. Alguns modos de ver e conceber o ensino da matemática no Brasil. In: Zetetiké. Nº 3. Campinas: CEMPEM/FE – UNICAMP, 1995.

MENDES, Iran Abreu (2001). Ensino da Matemática por atividades: Uma aliança entre o construtivismo e a história da Matemática. Natal: UFRN, 2001. Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências Sociais e Aplicadas.

MENDES, Iran Abreu. Matemática e investigação em sala de aula: tecendo redes cognitivas. Natal: Flecha do Tempo, 2006.



MENDES, Iran Abreu. A investigação histórica como agente da cognição matemática na sala de aula. In: MENDES, Iran Abreu; Fossa, John Andrew; VALDÉS, Juan Nápoles. (org.). A história como agente de cognição na Educação Matemática. Porto Alegre: Editora Sulina, 2006a.


(1) Bolsista, (2) Voluntário, (3) Orientador/Coordenador


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