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4CCHSADCSAPX05-O

A EDUCAÇÃO COMO PROMOTORA DA IDENTIDADE DO HOMEM DO CAMPO E DO DESENVOLVIMENTO RURAL

Ana Cely Alves de Oliveira (1); Tamires Silva de Moura (2); Cristina Elizabete Romão dos Santos (2); Kaline Mateus de Oliveira (2); Maria das Graças Gomes de Oliveira (2); Valnize da Silva Pereira (2); Cláudio Cesar da Silva(2); Ana Cláudia da Silva Rodrigues (3)

Centro de Ciências Humanas, Sociais e Agrárias/ Departamento de Ciências Sociais Aplicadas/PROBEX

RESUMO

As escolas do campo passam por grandes dificuldades, uma vez que, são precárias as condições socioeconômicas e culturais dos sujeitos envolvidos. Uma dessas dificuldades atualmente, se refere aos alunos, que na maioria das vezes preferem estudar na cidade por acreditar encontrar uma escola com condições de oferecer um ensino de melhor qualidade. No entanto, a escola da cidade não está adequada para compreender a realidade dos povos do campo, oportunizando ao aluno situação de negação de sua cultura e identidade. Neste sentido, este projeto teve como objetivo organizar cursos de formação continuada para educadores das escolas do campo, com o intuito de contribuir para a elaboração de Projetos Pedagógicos Curriculares que reconheçam as especificidades desses sujeitos, buscando a valorização da cultura vivenciada pela comunidade local. Os procedimentos metodológicos constaram de: reunião com a secretaria de educação dos municípios de Bananeiras e Solânea para apresentação do projeto e sensibilização para adesão a formação continuada proposta; Inscrição dos docentes e gestores que desejassem participar da formação; organização do curso de formação de 60 horas, com reuniões quinzenais, pela equipe do projeto com definição das temáticas para serem trabalhadas. Neste sentido, o curso de formação continuada está sendo desenvolvido com 150 docentes e gestores das duas escolas do campo, dos municípios de Bananeiras e Solânea. O curso está em andamento, mas, nos relatos desenvolvidos na formação já é possível perceber quão necessária se faz está formação, uma vez que os professores afirmam que não existem um currículo específicos para as escolas do campo e demonstram a necessidade da construções conjunta nas comunidades deste currículo especifico que levem em consideração as realidades locais. Outro aspecto que percebemos é a participação social, uma vez ser esta de suma importância para o desenvolvimento de uma sociedade mais jutas onde a escola e toda a comunidade envolvida possam valorizar os diferentes espaços e culturas democraticamente.



Palavras- chaves: Formação do Professor, Currículo, Educação do Campo.


INTRODUÇÃO

O campo da educação sempre apresentou diversas contradições e problemas, no que diz respeito à educação como um todo. Mas é no meio rural que acontece a discriminação maior, onde os movimentos sociais lutam por direitos de uma educação básica do campo que valorize as especificidades dos sujeitos envolvidos, valorizando assim, sua realidade através da sua cultura, que possibilite a sustentabilidade da comunidade local. Desse modo, se opõem a ideologia dominante que tratados como desvalorizados e desrespeitados são negados seu modo de viver. São nos movimentos sociais que denunciam os graves problemas da educação do campo, no qual, destacamos a falta de uma política pra atender a todas as crianças e jovens; falta de uma política de valorização do magistério; permanência dos mais altos índices de analfabetismo no campo, currículos deslocados das necessidades e das questões do campo e dos interesses dos sujeitos. Pois como Caldarte(0000) afirma, a nossa luta é no campo das políticas , porque esta é a única maneira de universalizarmos o acesso de todo o povo à educação. Ou seja, é na luta dos movimentos sociais que o campo revela-se está vivo e a exigir políticas que assegurem uma educação voltada pra realidade dos sujeitos de acordo com sua cultura. Esse modelo de educação resulta em ações coletivas e representadas por uma organização social na qual atenda as condições básicas de existências com dignidade e igualdade de direito.

Por isso, concordamos com Saviani, (1998, p23.),quando afirma que,

O estudo do currículo da história não se restringe ao levantamento da evolução da educação do termo e de seus diferentes empregos. Ele compreende a análise de questões complexas, desde as idéias sobre o currículo, aos processos de sua elaboração, interpretação, implementação e avaliação.

É comum ouvirmos que a cultura da cidade influencia na educação dos alunos que ao terem sua identidade inicial negada e sua cultura desprestigiada, reelaboram suas identidades e passam a valorizar a cultura urbana. Que por sua vez, reproduz a desigualdade e a exclusão. Por esse motivo, é importante conhecer e reconhecer as especificidades da educação do campo, e os diferentes espaços existentes nele, como forma de contribuir com um currículo que atenta a especificidade local. Para César, (2007) é preciso que a proposta curricular que seja,

Fruto de uma série de decisão sucessiva que resultado da aplicação de alguns princípios firmemente estabelecidos e unanimemente aceito. Consequentemente o que importa é justificar e argumentar sobre a solidez das decisões que vamos tomando e, sobretudo, velar pela coerência do conjunto.

Para Pereira (2008) estamos numa encruzilhada da história, diante de dois modelos de desenvolvimento, duas culturas, duas pedagogias, dois modos de produção. De um lado, um modelo capitalista, autoritário, concentrador, explorador, depredador da natureza e da humanidade, da razão instrumental e mercantilista, destruidor da essência humana. D’outro, o modelo camponês, em defesa da vida, da família, da natureza, do meio ambiente, da agroecologia. Duas culturas opostas, duas pedagogias: a pedagogia do capital e a pedagogia da liberdade. (PEREIRA, p. 57). È neste sentido, que se pode observar é que o poder político se concentra mais no consumo de mercadoria do que em um projeto de praticas pedagógica, que valoriza o individual e o coletivo, através da cultura e que trás, para o centro das discussões a realidade dos indivíduos do campo, que muitas vezes descriminadas pelas pessoas que moram na cidade. Os movimentos sociais lutam pela preservação da terra e sobrevivência nela, no qual ameaçada pelo capitalismo, são sujeitos a perder sua própria identidade.

Nossa perspectiva deve ser a do diálogo: somos diferentes e nos encontramos como iguais para lutar juntos pelos nossos direitos de ser humano, de cidadão, e pra transformar o mundo. O respeito às diferenças faz o nosso movimento mais forte, mais bonito e mais parecido com a vida mesma, sempre plural em suas expressões, em seus movimentos.

Para Arroyo (2000) uma porta de entrada para repensar e reorientar os currículos podem ser as novas sensibilidades para as identidades docentes, as mudanças em nossa consciência profissional de trabalhadores em educação. Mudanças em nosso Ofício de Mestre. Ou seja, é possibilitar aos docentes momentos de reflexão sobre sua ação pedagógica que devem ser pensada a partir de uma organização de pessoas, na qual comprometida como sua docência devem desenvolver o exercício da cidadania e a inclusão social de indivíduos marginalizados.

De acordo com Carlos (2008), pensar a qualidade do ensino público implica investimento na formação e profissionalização do educador, na criação de plano de cargo e salário dignos e de condições de trabalho favoráveis, na democratização da gestão pedagógica e nos envolvimentos dos pais e da comunidade na produção do projeto político pedagógico da escola, assim como a organização de um currículo escolar compatível com as condições sociais e históricas da população brasileira. Logo dessa forma, é investimento em educação, principalmente em regiões menos favorecida como é o caso do nordeste brasileiro que tem os índices de analfabetismo elevado, no campo muitas vezes, os currículos deslocados das necessidades e das questões do campo e dos interesses dos sujeitos.

Nesse sentido, compreendemos que podemos contribuir enquanto educadores e educadoras, com cursos de formação continuada, que valorizem os diferentes espaços e que respeitem a cultura de cada região. Como a participação de sujeito que fazem parte da comunidade, e que falam suas experiências que relatam seus problemas e lutam em buscam de soluções.

DESCRIÇÃO METODOLÓGICA

O projeto de extensão foi desenvolvido seguido à programação abaixo.

Em primeiro momento, reunimos a equipe que iria participar do projeto para planejamento das atividades. Em segundo, organizamos os contatos com as secretárias de educação dos municípios de Solânea e Bananeiras, para apresentação do projeto e adesão a proposta. Foram abertas inscrições para os professores e gestores que desejassem participar do curso de formação continuada. No entanto, com o intuito de contribuir com a formação a secretária de Educação de Solânea autorizou a coordenadora da Educação do Campo do Município a dispensar do horário de departamento os professores que desejassem participar do projeto. Foram feitas mobilizações e sensibilizações para as comunidades e para as escolas, para formação continuada dos professores de acordo com a realidade de cada local. A mobilização aconteceu nos meses de junho e julho de 2011. As formações iniciaram no inicio de agosto e estão ocorrendo em Solânea no TELECENTRO e em Bananeiras aos sábados nas Instalações da escola Nossa Senhora do Carmo.

Período de realização das Formações

Nos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2011.



ANALISES DOS RESULTADOS

As formações estão no inicio, no entanto já percebemos nos relatos dos sujeitos participantes uma valorização da identidade do homem do campo. Uma compreensão da possibilidade de permanência dos alunos no campo uma vez que passaram a valorizar a terra do qual seus familiares tiram seu sustento e alimentam toda a família.

Outro aspecto considerado durante a formação é que os saberes e trocas de experiências são saberes produzidos em conjunto, ou seja, união entre o grupo educador, bolsistas e voluntários, moradores das comunidades e os representantes destas.

CONCLUSÕES

Percebemos que mesmo com o processo de formação no início, os professores já relataram modificações na forma de organizar suas aulas e até no relacionamento com os alunos, consequentemente acreditamos que também ocorrerão avanços nas comunidades e nos seus respectivos espaços de educação. Tem- se a percepção de que houve uma sensibilização das pessoas para participarem das ações relatadas nas formações. Tudo isso está contribuindo com o cotidiano de vida das escolas e das comunidades que estão elaborando sua proposta curricular de acordo com a realidade de seus alunos e da comunidade da qual fazem parte.

Esses momentos de formação e de experiências vivenciadas pelas pessoas envolvidas nesse processo ultrapassam os objetivos do projeto, porque são experiências fundamentais, para os sujeitos que estão em formação, e que saem da universidade para realização desse projeto. Sendo assim, a importância das atividades de extensão, pode propiciar oportunidade a esses sujeitos que devem refletir sobre sua atuação em situações complexas, que considerando conhecimento e espaço diferenciados, no que diz respeito à cultura.

REFERÊNCIAS
KOLLING, E.J.(org.); CERIOLI, P.R.(org.); CALDART, R.S.(org.) Educação do campo; identidade e políticas públicas. Brasília, DF (Brazil). 2002. 136 p

CALDART, R. S. O currículo das escolas do MST. Revista Movimento, Niterói, v.3, 2001.    

______. A escola do campo em movimento. Contexto e Educação, Ijui, v.15, 2000.         

______; Pedagogia do Movimento Sem Terra: escola é mais do que escola. Petrópolis: Vozes, 2000.      

______. Projeto popular e escolas do campo. Brasília: Articulação Nacional por uma Educação Básica do Campo, 1999.     

______. Educação em movimento: a formação de educadoras e educadores no MST. Petrópolis: Vozes, 1997.      

______. Os movimentos sociais e a construção da escola (do sonho) possível. Contexto e Educação, Ijuí, v. 41, 1996.     

______. Educação popular no meio rural: as experiências pedagógicas nas escolas do MST. In: SILVA, L.H. da; AZEVEDO, J.C. de (Org.) Reestruturação curricular. Petrópolis: Vozes, 1995.       

CARLOS, Erenildo João. Educação, escola e Currículo na sociedade brasileira In: ALEDRIGUE, Ana Cristina, FARIA, Evangelina Maria B.(org) Linguagens: usos e reflexões. João Pessoa: Editora Universitária: UFPB,2008.

COLL, César. Psicologia e Currículo: uma aproximação psicopedagógica à elaboração ao currículo escolar.5 ed. São Paulo:Àtica,2007.

SAVIANI, Nereide. Saber escolar, currículo e didática: problemas da unidade conteúdo/ método no processo pedagógico.2ed.Campinas/SP: Autores associados,1998.(coleção contemporânea)

VILA, Flor Furtado Quézia. Sinais e sentido em educação: movimentos sociais e Educação de jovens e adultos... [ETAl] (Organizadora).- João Pessoa: Editora Universitária: UFPB, 2010.



(1) Bolsista, (2) Voluntário/colaborador, (3) Orientador/Coordenador, (4) Prof. colaborador, (5) Técnico colaborador.



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