5º domingo da páscoa



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5º DOMINGO DA PÁSCOA
9. O Concílio acalentava, enfim, o desejo de ver na Liturgia uma epifania da Igreja: ela é a Igreja em oração. Ao celebrar o culto divino, a Igreja exprime aquilo que é: una, santa, católica e apostólica.
A Igreja manifesta-se como una, segundo aquela unidade que lhe provém da Santíssima Trindade, sobretudo quando o Povo santo de Deus participa “na mesma Eucaristia, numa só oração, em torno dum único altar, onde preside o Bispo rodeado pelo seu presbitério e pelos ministros”. Jamais coisa alguma venha interromper ou sequer enfraquecer, na celebração da Liturgia, esta unidade da Igreja!
A Igreja exprime a santidade que lhe provém de Cristo (cf. Ef 5, 26-27), quando, reunida num só corpo pelo Espírito Santo, que santifica e dá a vida, comunica aos fiéis, mediante a Eucaristia e os outros Sacramentos, todas as graças e todas as bênçãos do Pai.
Nas celebrações litúrgicas a Igreja exprime a sua catolicidade, porque o Espírito do Senhor nela congrega os homens de todas as línguas na profissão da mesma fé, e, do Oriente ao Ocidente, ela apresenta a Deus Pai a oblação de Cristo e oferece-se a si própria em união com Ele.
Por fim, a Igreja manifesta na Liturgia que é apostólica, porque a fé que ela professa está fundada sobre o testemunho dos Apóstolos. Com efeito, na celebração dos Mistérios, presidida pelo Bispo, sucessor dos Apóstolos, ou por um ministro ordenado na linha da sucessão apostólica, a Igreja transmite fielmente aquilo que recebeu da Tradição apostólica, como o culto que ela presta a Deus a compromete na missão de irradiar o Evangelho no mundo.
Deste modo, na Liturgia o Mistério da Igreja é verdadeiramente anunciado, saboreado e vivido.
10. Dos princípios acabados de mencionar derivam algumas normas e orientações, que devem reger a renovação da vida litúrgica. Se, efectivamente, a reforma da Liturgia desejada pelo Segundo Concílio do Vaticano pode considerar-se já posta em prática, a pastoral litúrgica, pelo contrário, constitui um dever e uma tarefa permanente, a fim de levar a haurir cada vez mais abundantemente, das riquezas da Liturgia, aquela energia vital que, dimanando de Cristo, se difunde pelos membros do seu Corpo que é a Igreja.
Uma vez que a Liturgia é o exercício do Sacerdócio de Cristo, é necessário que se mantenha constantemente viva a afirmação do discípulo quando vislumbrou a presença misteriosa de Cristo: “É o Senhor!” (Jo 21, 7). Nada daquilo que nós fazemos na Liturgia pode ser mais importante do que aquilo que invisível mas verdadeira e realmente Cristo faz, mediante o seu Espírito. A fé leva à caridade e à adoração, o louvor ao Pai e o silêncio de contemplação hão-de ser sempre os primeiros objectivos a alcançar por toda a pastoral litúrgica e pela acção sacramental.
Uma vez que toda a Liturgia está impregnada da Palavra de Deus, impõe-se que qualquer outra palavra esteja em harmonia com ela; em primeiro lugar, a homilia, mas também os cânticos e as admonições. Não é lícito que outra qualquer leitura substitua a Palavra bíblica; pelo contrário, é preciso que as palavras dos homens estejam ao serviço da Palavra de Deus e nunca a venham obscurecer.
Dado ainda que “as acções litúrgicas não são acções privadas, mas celebrações da Igreja, que é “sacramento de unidade”, a disciplina das mesmas depende unicamente da autoridade hierárquica da Igreja. A Liturgia é algo que pertence a todo o Corpo da Igreja. É por isso que a ninguém é permitido, nem sequer a um sacerdote ou a qualquer grupo, acrescentar, suprimir, ou mudar seja o que for, por sua iniciativa. A fidelidade aos ritos e aos textos autênticos da Liturgia é uma exigência da “lei da oração” (lex orandi), que deve estar sempre em conformidade com a “lei da fé” (lex credendi). As faltas de fidelidade neste ponto podem chegar a atingir a própria validade dos Sacramentos.
Sendo celebração da Igreja, a Liturgia requer, por isso, a participação activa, consciente e plena de todos, de acordo com a diversidade das ordens e das funções: todos, ministros e fiéis, ao exercerem a própria função, façam tudo e só aquilo que lhes compete. É por isso que a Igreja dá preferência às celebrações comunitárias, sempre que tal é compatível com a natureza dos ritos; estimula a formação dos ministrantes e leitores, dos cantores e comentadores, para que realizem um verdadeiro ministério litúrgico; restaurou a concelebração e recomenda a celebração em comum da Liturgia das Horas.
A Liturgia é a grande escola de oração da Igreja; por isso se considerou oportuno introduzir e desenvolver o uso das línguas vivas, sem de maneira nenhuma eliminar o uso da língua latina, mantida pelo Concílio para os ritos latinos, a fim de que cada um possa escutar e proclamar na própria língua as maravilhas de Deus (cf. Act 2, 11); obedeceu ao mesmo intuito o aumento do número dos Prefácios e das Orações Eucarísticas, que enriquecem o tesouro da oração e a inteligência dos mistérios de Cristo.
A Liturgia possui, ainda, um grande valor pastoral. Por isso mesmo, os livros litúrgicos previram uma margem de adaptação às assembleias e às pessoas e uma possibilidade de abertura ao génio e à cultura dos diversos povos. A revisão dos ritos já teve em vista uma nobre simplicidade e procurou restabelecer sinais facilmente compreensíveis; mas esta preconizada simplicidade não deve degenerar em empobrecimento dos sinais; pelo contrário, os sinais, sobretudo, os sinais sacramentais, devem possuir a maior expressividade. O pão e o vinho, a água e o azeite, e mesmo o incenso, as cinzas, o fogo e as flores e quase todos os elementos da criação têm o seu lugar na Liturgia, como oferenda ao Criador e como contribuição para a dignidade e para a beleza da celebração.

(Carta Apostólica Vicesimus Quintus Annus, 9 – 10, 1988)


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