5. educaçÃo para o trabalho e orientaçÃo vocacional



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5. EDUCAÇÃO PARA O TRABALHO E ORIENTAÇÃO VOCACIONAL


A orientação para o trabalho e a orientação vocacional ou profissional é um dos campos de trabalho da Orientação Educacional.
A Orientação Vocacional refere-se ao processo de orientação aos adolescentes/jovens para a escolha da profissão e a exploração de carreira. Sua concepção, conceituação e objetivos têm evoluído ao longo do tempo, estendendo-se desde a orientação para uma escolha vocacional, em um dado tempo da vida, até a implementação de autoconhecimento e de desenvolvimento de uma carreira ao longo da vida, observando-se suas transições, adaptação e satisfação.
Pode-se dizer que o ser humano desde o início do mundo realiza ações para sua manutenção; assim, é possível dizer que o trabalho surge com o nascimento da humanidade. Desde a Antigüidade encontram-se registros da organização do trabalho nos grupos sociais, nos quais havia distribuição de ocupações e tarefas.
Assim, segundo Konder (apud Frigotto, 1997, p.113),
o sujeito humano se contrapõe e se afirma como sujeito, num movimento realizado para dominar a realidade objetiva: modifica o mundo e se modifica a si mesmo. Produz objetos e, paralelamente, altera sua própria maneira de estar na realidade objetiva e de percebê-la. E – o que é fundamental – faz a sua própria história. ‘Toda a chamada história mundial – assegura Marx – não é senão a produção do homem pelo trabalho humano.
Dessa forma, o trabalho humano objetiva satisfazer as necessidades do homem. Trata-se de uma atividade que supre suas necessidades, e também tem utilidade para o homem, pois usa instrumentos para produzir resultados, bem como é capaz de produzir objetos, artesanalmente ou de modo industrial, e serviços.
Partindo-se da organização do trabalho ao longo do tempo, ou seja, em um processo histórico-social, a caracterização das profissões, na atualidade, deve compatibilizar-se com os conhecimentos e habilidades que servem de parâmetro para o desenvolvimento do trabalho profissional, de modo a atender às exigências da contemporaneidade.

Assim, as mudanças tecnológicas e organizacionais do trabalho nos últimos anos do Século XX e anos iniciais deste Século XXI têm configurado o mundo produtivo com características diversas: flexibilização da produção, conseqüentemente, reestruturação das ocupações com novos perfis profissionais, integração de setores da produção, multifuncionalidade dos trabalhadores, entre outras.


Enguita (2004) alerta sobre a diferença entre uma profissão e um simples grupo de trabalhadores: é que aquela se distingue por seu nível de qualificação e, sobretudo, por sua autonomia de trabalho. Assim, importantes mudanças, tanto no emprego como no trabalho, põem em questão a funcionalidade da organização escolar tradicional para os requisitos, as necessidades, as oportunidades e os desafios do mercado de trabalho e da organização da produção. Ainda segundo o mesmo autor, ao educar, na sociedade do conhecimento, é necessário compreender o peso que adquire a informação, o conhecimento, a qualificação e a educação nas coordenadas da nova economia e da nova sociedade.
O mundo da educação e do trabalho vem exigindo reformulações radicais em seus formatos tradicionais de funcionamento. Com as transformações que se sucedem ao desenvolvimento tecnológico, acredita-se que este seja um novo momento de reestruturação da relação homem-trabalho. Diante disso, de acordo com Enguita (2004, p.41-42,59), a educação redobra sua importância. (...) não se trata apenas de mudanças no conhecimento a partilhar ou a adquirir que se deslocariam do concreto para o abstrato e do prático para o simbólico, mas também de mudanças nas atitudes a favorecer, a desenvolver. A atitude que se espera de um operário é a submissão, isto é, a capacidade de seguir instruções; e também, talvez, certa indiferença em relação ao conteúdo do trabalho, isto é, a capacidade de trabalhar em algo que não suscite seu interesse. O que se espera de um profissional, ao contrário, é sua confiabilidade, a tranqüilidade para o cliente ou usuário ou o consumidor final de que o trabalhador atinge o nível de competência que o estado da técnica permite (é o que esperamos, por exemplo, do médico que acompanha o paciente: que ele esteja atualizado e que aplique isso, e não que invente ou seja habilidoso), e também um certo grau de compromisso com os objetivos de seu trabalho. O que se requer, finalmente, de um cientista ou de um profissional de alto nível é a crítica e a criatividade, necessárias para resolver problemas novos ou encontrar novas soluções para velhos problemas. (...) Certamente, a escola não vai criar nem substituir as instituições globais das quais carecemos, mas pode desempenhar um papel muito importante no desenvolvimento e consolidação da comunidade moral que deve lutar por elas e servir-lhes de apoio, pois essa comunidade moral não é senão a agregação de muitas consciências morais conscientes do que as une. A função dos educadores não é predicar nem vociferar contra a globalização, e sim potencializar os valores morais que são necessários para corrigi-la e orientá-la, isto é, governá-la com a finalidade de distribuir melhor seus benefícios e seus custos e proteger os mais fracos contra seus riscos.
De sorte que é necessário para o processo de orientação para o trabalho a ser realizado por Orientadores Educacionais que se considerem as relações entre educação e trabalho de modo redimensionado, como afirma Arroyo (1999):
Conseqüentemente, situar a relação escola-trabalho-formação do trabalhador, no âmbito das relações sociais na escola e na produção, significa ver a educação como prática social e cultural, como relação humana de sujeitos, como produção e reprodução consciente e intencional de um protótipo de ser humano, e, como ação-intervenção política e cultural que mexe com aspirações, valores, pensamentos, enfim com sujeitos humanos que pensam e têm suas aspirações.
Diante disso, é de grande importância que o Orientador Educacional observe a evolução da organização do trabalho nas diversas áreas do conhecimento. É preciso ter claro que o modo de definição das profissões é dinâmico e marcado pelas características sociais, históricas e econômicas de determinada época, incluindo a relação entre as diversas profissões que atuam em uma mesma área, ou até mesmo entre diferentes áreas de conhecimento.

Assim, a princípio, as áreas de conhecimento eram organizadas de modo abrangente:


Ciências Humanas

Administração

Arquitetura e Urbanismo

Arquivologia

Artes


Biblioteconomia

Ciências Econômicas

Ciências Sociais

Cinema


Direito

Jornalismo

Pedagogia

Psicologia

Publicidade e Propaganda
Ciências Exatas
Astronomia

Ciências Contábeis

Desenho Industrial

Engenharia

Informática
Ciências Biológicas
Agronomia

Ciências Biológicas

Ciências Biomédicas

Ecologia


Educação Física

Enfermagem e Obstetrícia

Farmácia e Bioquímica

Fisioterapia

Fonoaudiologia

Medicina


Medicina Veterinária

Odontologia


Odontologia
Atualmente de acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), os cursos de formação são divididos nas seguintes áreas: Economia e Gestão, Ciências Agrárias e Veterinária, Ciências da Natureza, Ciências da Saúde, Ciências do Bem-estar, Matemática e Informática, Ciências da Sociedade, Serviços, Comunicação e Informação, Artes e Design, Ciências dos Materiais, Elétrica e Mecânica e Arquitetura e Construção.
Também, podem ser divididas além das tradicionais áreas humanas, exatas e biológicas, em:
Ciências Agrárias
Agronomia

Engenharia Agrícola

Engenharia de Alimentos

Engenharia Florestal

Engenharia de Pesca

Medicina Veterinária

Zootecnia
Ciências Biológicas e da Saúde
Ciências Biológicas

Educação Física

Enfermagem

Esporte


Farmácia

Fisioterapia

Fonoaudiologia

Medicina


Microbiologia e Imunologia

Musicoterapia

Nutrição

Odontologia

Terapia Ocupacional
Ciências Exatas e da Terra
Astronomia

Ciências Aeronáuticas

Computação

Ecologia


Estatística

Física


Geofísica

Geologia


Matemática

Meteorologia

Oceanografia

Química
Ciências Humanas


Biblioteconomia

Ciências Sociais

Educação

Filosofia

Geografia

História


Pedagogia

Psicologia


Comunicação
Jornalismo

Publicidade e Propaganda

Rádio e TV

Relações Públicas


Ciências Sociais Aplicadas
Administração

Arquitetura

Ciências Atuariais

Ciências Contábeis

Ciências Econômicas

Ciências da Informação

Desenho Industrial

Direito


Economia Doméstica

Hotelaria

Museologia

Relações Internacionais

Secretariado Executivo

Turismo
Engenharia


Engenharia Aeronáutica

Engenharia de Agrimensura

Engenharia Ambiental

Engenharia Cartográfica

Engenharia Civil

Engenharia de Controle e Automação

Engenharia Elétrica

Engenharia Hídrica

Engenharia de Materiais

Engenharia Mecânica

Engenharia Metalúrgica

Engenharia de Minas

Engenharia Naval

Engenharia Química

Engenharia Sanitária

Engenharia Têxtil


Letras e Artes
Artes Cênicas

Artes Plásticas

Cinema e Vídeo

Dança


Decoração

Fotografia

Letras

Moda


Música

Produção Cultural


Fonte: http://www.portaldeensino.com.br/profissoes.php disponível em 10-02-2008.
Portanto, o Orientador Educacional, de posse das informações sobre as profissões e cursos, mundo do trabalho, precisa atentar para não se tornar apenas um reprodutor do sistema vigente. Ajudar o orientando no reconhecimento de onde está inserido é oportunizar-lhe a possibilidade de ser cidadão. A partir da escolha profissional o ser humano passa a participar diretamente do mundo do trabalho, deixando de ser apenas consumidor, assumindo o papel também de produtor. Assim, a escolha profissional deve permitir ao adolescente/jovem refletir sua relação com o mundo do trabalho.
Orientação Vocacional: panorama histórico e contexto atual
O panorama histórico ora relatado contribuirá para a reflexão acerca do modo como os diversos profissionais encaram e encararam a Orientação Vociacional realizada em escolas, ou até mesmo praticada em consultórios psicológicos.
Giacaglia (2003) aponta que, desde os tempos da Grécia antiga, já se notavam as diferenças individuais por um lado e, por outro, as diferenças ocupacionais e de status social entre as profissões; entretanto, a aceitação quase incontestada das tradições e a relativa simplicidade econômica e social, aliadas ao lento desenvolvimento tecnológico, na época, não favoreciam grandes preocupações com a Orientação Vocacional.
A necessidade de Orientação Vocacional originou-se, então, das grandes rupturas sociais, tecnológicas e econômicas que trouxeram abalos e desestruturação aos sistemas sociais vigentes. Apesar, de essas rupturas terem ocorrido há muito tempo, na história da Orientação Vocacional, seu início se deu no começo do Século XX, relacionado à atividade de aconselhamento dos jovens para a escolha profissional.
Segundo Grinspun (2006, p. 21), o precursor desse trabalho foi Frank Parsons, nos Estados Unidos, em 1908. Ele inaugurou o Centro de Orientação Juvenil e defendia a idéia de que a adaptação às ocupações depende do equilíbrio entre as características dos indivíduos e as exigências da função.
A teoria de Parsons tornou-se clássica e, durante décadas, e por que não dizer de certa forma até hoje, iria exercer enorme influência nesse campo tanto na teoria como no aspecto da prática da Orientação Vocacional, segundo Giacaglia (2003). Ainda conforme a autora, na teoria de Parsons, caberia ao orientador procurar identificar, para cada um, o seu “lugar certo” no mundo das profissões, levando-se em consideração suas características pessoais, por um lado, e as de cada profissão, por outro. No período seguinte à teoria de Parsons, até meados do Século XX, não apareceram grandes teorias em Orientação Vocacional; entretanto ocorreram fatos e desenvolvimentos importantes que contribuiriam para subsidiar outras teorias e necessidades.
Segundo Grinspun (2006), a ênfase dada à Orientação Vocacional tornou-se marcante em todos os países, fruto de movimentos em prol da psicometria, da revolução industrial1, da saúde mental e de uma pedagogia nova, centrada no aluno. Desse modo, o desenvolvimento da Psicometria e o aumento da oferta de trabalho, ocasionada pela Primeira Guerra Mundial, propiciaram a difusão de trabalhos sobre orientação vocacional. O método psicométrico está embasado na teoria do traço e fator de Frank Parsons.

A partir da década de 50 dos anos 1900 há o surgimento de várias teorias, que Crites (apud Giacaglia, 2003) diz, já em 1969, serem mais de 15 apresentadas. Classificou as teorias de escolha vocacional em três grandes grupos: as não psicológicas, as psicológicas e as gerais. O que difierencia as teorias ditas psicológicas das não psicológicas é o fato de que, nas primeiras, os autores colocam o foco da escolha no indivíduo, nas características psicológicas; já as não psicológicas vêem a escolha, se não em sua totalidade, principalmente como devidas ao ambiente. Seria, segundo elas, o ambiente que levaria o adolescente/jovem a escolher uma profissão. As teorias gerais destacam o caráter multivariado da escolha profissional e, principalmente, não deixaram de dar relevo, ao lado dos fatores psicológicos, ao papel do ambiente sociocultural e econômico, ambiente no qual e para o qual são escolhidas a profissões a serem exercidas.


Assim, a Orientação Vocacional/Profissional baseou-se na aplicação de testes vocacionais durante muitas décadas. Sua fundamentação pautava-se na visão da Psicologia. Os testes vocacionais eram instrumentos utilizados para seleção e orientação, visando aumentar a produtividade e de certo modo atender às demandas da sociedade capitalista.
Para sua reflexão
A Orientação Educacional ajuda, mas não impõe, propõe, provoca, instiga;
A Orientação Educacional apóia as iniciativas de mudança, confia no grupo, pesquisa a própria prática.
A Orientação Educacional dá voz aos alunos por meio de sua linguagem e de suas expressões, cria espaços para que esta voz seja ouvida e entendida.
A Orientação Educacional estabelece um bom relacionamento com os alunos e discute a questão de vínculos, escolha profissional e promove reflexão com e dos alunos.
A Orientação Educacional procura desenvolver trabalhos e atividades a partir da realidade encontrada, tentando transformá-la.
extraído de GRINSPUN, Mírian (org). Supervisão e Orientação Educacional – perspectivas de integração na escola. São Paulo: Cortez, 2006, p. 95


1 Revolução Industrial significou a substituição da ferramenta pela máquina, e contribuiu para consolidar o Capitalismo como modo de produção dominante.



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