50 grandes pensadores da história



Baixar 27.83 Kb.
Encontro30.07.2016
Tamanho27.83 Kb.

50 GRANDES PENSADORES DA HISTÓRIA



PREFÁCIO

Hoje em dia, um convite para escrever um livro sobre \"cinqüenta grandes pensadores\" deixaria muitas pessoas lisonjeadas. Obras desse tipo, e os cânones em geral, não estão em voga. Talvez com razão, pois vários escritores afirmaram que os cânones não são declarações imparciais e neutras do que há de \"positivo\" em um determinado assunto. Mais propriamente, são considerados reflexões sobre as idéias, os valores, as esperanças e as experiências de um pequeno segmento da população: homens brancos e instruídos da classe média.Seus compiladores podem ser comparados ao comitê de regulamentação de uma guilda, que, nas palavras de Marc Bloch, \"sistematiza as tarefas permitidas aos membros de sua classe e, com uma lista definitivamente completa, restringe de modo resoluto o exercício da profissão aos mestres licenciados [...]\".1 Quando eles dizem que determinados aspectos e interpretações de um assunto são importantes, concedem a esses fatores visibilidade e legitimidade. Contrariamente, ignorar ou excluir interpretações de um assunto pode fazer com que algumas pessoas pensem que esse assunto não é relevante para seus próprios interesses ou necessidades. E isso pode também prejudicar a auto-imagem delas. De acordo com Charles Taylor,

uma pessoa ou um grupo de pessoas pode estar sujeito a danos reais e a interpretações de fato distorcidas, se a sociedade ou as pessoas ao seu redor refletirem neles uma imagem limitada, degradante ou desprezível. O não-reconhecimento ou o falso reconhecimento pode prejudicar, pode ser uma forma de opressão, aprisionando alguém a um modo de ser falso, distorcido e empobrecido.2

Supondo que o não-reconhecimento seja responsável por uma auto-imagem destituída de valor, é lugar-comum afirmar que devemos reconhecer e respeitar as idéias e os interesses de todas as pessoas. Além disso, essa afirmação é às vezes conjugada com a assertiva de que há diferenças profundamente entrincheiradas na maneira pela qual as pessoas vêem o mundo. As asserções de uma pessoa sobre um tema, supõe-se, são modeladas e restringidas por seu contexto social e histórico. Não há como escapar ou ignorar esse contexto e escrever sobre um assunto como se fôssemos Deus. Como Donna Haraway propõe, tanto as pessoas quanto o que elas alegam conhecer \"formam opiniões\".3 Sendo assim, deveríamos evitar as afirmações objetivas e universais sobre um tema ou as \"meta-histórias\" porque elas nos obrigam a discorrer ou a falar desmedidamente sobre outras pessoas. Deveríamos, de modo inverso, encorajar as pessoas a falar por si mesmas. E, na verdade, nos últimos anos, presenciamos a fragmentação da historiografia (uma discussão sobre a escrita da história e sobre a natureza da história) nos numerosos colóquios de formação de opinião. Esses colóquios afirmam-se sobre e em defesa de diferentes gêneros sexuais, opções sexuais, status econômico, educacional e/ou profissional, raças, opções religiosas, deficiências, idades e assim por diante.

À primeira vista, a discussão em defesa da fragmentação da historiografia demonstra-se constrangedora. Parece moralmente correto respeitarmos os outros e deixá-los falar por si mesmos. Ainda assim surgem inúmeros problemas. Para começar, quando nos afastamos das \"meta-narrativas\", assim como dos cânones, para \"discussões de formação de opinião\", não escapamos de questões sobre representação. Por exemplo, será que a opinião de todas as mulheres são idênticas do ponto de vista historiográfico? Apenas as mulheres têm opiniões idênticas? Será que uma mulher cuja condição econômica é menos privilegiada ou uma mulher iletrada vê as características e os métodos da história da mesma forma que eu vejo? Ou seja, as discussões feministas de formação de opinião são apenas uma repercussão de idéias e experiências de mulheres brancas econômica e educacionalmente favorecidas? Segundo Maria Lugones e Elizabeth Spelman,

As cartas estão marcadas quando um grupo incumbe-se de desenvolver uma teoria e então outras pessoas a julgam. As categorias solidificam-se rapidamente e, portanto, as experiências das mulheres cuja vida não se encaixa em categorias vão parecer uma anomalia, quando, na realidade, a teoria deveria ter se desenvolvido a partir delas, assim como de outras mulheres, desde o início. 4

Lugones e Spelman são contra a idéia de um conceito \"essencial\" sobre a mulher porque elas acreditam que isso levaria a uma hierarquia de categorias de \"mulher\". Aquelas que não se conformam ao ideal de \"mulher de verdade\" serão consideradas inferiores. Para elas, o sexo não pode ser separado da classe e da raça e teorizado distintamente. Entretanto, se nos isentarmos do conceito de \"mulher\", talvez tenhamos de nos isentar também do conceito de \"mulher de cor da classe média\" ou \"mulher branca menos privilegiada economicamente\" ou \"mulher urbana iletrada\" e assim por diante, num vaivém infinito. O problema, como Nancy Fraser salienta, é que temos de \"navegar seguramente entre dois baixios, o essencialismo e o nominalismo, entre reificar a identidade da mulher em estereótipos de feminilidade, por um lado, e enfraquecê-los até a nulidade e o esquecimento absolutos, por outro\".5 Parece que, se formos discutir de algum modo sobre história, não teremos em alguns momentos nenhuma opção, exceto defender e falar exageradamente de outras pessoas.

Além do mais, devemos encarar nossas dúvidas sobre o conceito de \"diferença\". Defensores de discussões de formação de opinião afirmaram que a ênfase sobre o \"comum\" em discussões freqüentemente mascara a expectativa de conformidade com as idéias e os ideais de uma elite branca masculina. Reagindo a isso, eles contra-enfatizaram a \"diferença\". Porém, isso ainda precisa ser examinado minuciosamente: quando as pessoas falam sobre \"diferença\", será que elas estão falando sobre a mesma coisa? Por exemplo, o significado de diferença para uma determinada pessoa pode ter diferentes variações dentro de uma determinada categoria (como tipos de evidência histórica, argumentos históricos e assim por diante).Outra pessoa pode achar que diferença significa que duas coisas não têm absolutamente nada em comum. Além disso, como algumas diferenças chegam a ser consideradas significativas e outras não? Por que, por exemplo, as diferenças de gênero são vistas como importantes, mas as diferenças entre ser canhoto ou destro não o são? Há também o problema espinhoso da identidade histórica: se as discussões sobre o ponto de vista de um determinado grupo sobre a história devem ser conduzidas somente por membros desse grupo. Se chegarmos à conclusão de que a história da mulher deve ser escrita apenas por mulheres, será que silenciaremos injustamente os homens que se identificam sobremaneira com idéias feministas? Devemos ainda perguntar se teremos alguma autoridade para afirmar aos outros que a opinião de um grupo vale mais a pena ser ouvida ou, ao contrário, que deve ser silenciada. Por quais motivos, por exemplo, posso rejeitar a afirmação de que não há nada errado em fabricar evidências? Será que posso asseverar que contendas sobre historiografia devem ser decididas em um ringue? Ou que um estudante deve ignorar as perspectivas afro-americanas na Guerra Civil americana? Temos, além disso, de perguntar se as pessoas sempre vão se beneficiar quando os traços que lhes são característicos forem altamente valorizados. Os defensores das discussões de formação de opinião pressupõem que todas as pessoas ficarão em melhor situação se lhes for concedido o direito de falar por si mesmas.Contudo, isso nem sempre é aplicável, pois aceitar inquestionavelmente o que um indivíduo diz pode na verdade prejudicá-lo.Os historiadores que escrevem errado, por exemplo, poderão ficar em uma situação melhor nas circunstâncias em que escrever errado não é levado em conta e em que, por conseqüência, outros possam ajudá-los a comunicar-se com maior eficiência.

Porém, ainda mais importante, acredito que a idéia das discussões de formação de opinião está fundamentada em um sentido subestimado do alcance que as discussões historiográficas podem obter.A promoção de discussões dentro de diferentes grupos pode ocorrer à custa da comunicação entre diferentes grupos.Alguns grupos podem, ao enfatizar demasiadamente as diferenças, perder de vista o fato de que temos idéias em comum.Outros podem até mesmo usar a diferença para impedir uma discussão.Alguns outros talvez se perguntem se vale a pena o esforço de uma discussão entre grupos.A promoção de discussões de formação de opinião pode, no final das contas, ser prejudicial ao empenho de grupos, antes marginalizados, que podem promover mudanças.Talvez, portanto, essas discussões ressaltem apenas as idéias e as experiências que confirmam a identidade de alguém em uma comunidade de pessoas que têm essencialmente a mesma opinião.Isso nos deixa, como observa Charles Altieri,


pouquíssima [margem] para a diversidade, pouquíssimos motivos para confrontar nossas próprias pretensões, conceber pontos de vista alternativos sobre nossos objetivos, combater justificativas morais propostas para defender um profissionalismo extremamente míope ou compreender o passado de um modo tal que desafie os pressupostos subjacentes a teorias contemporâneas rivais.7

Embora \"diversidade\" seja um conceito tão ardiloso quanto o de \"diferença\", vale a pena discuti-lo, pois tem um importante papel a ser desempenhado na historiografia.Ele pode nos ajudar a entender o que temos em comum com os outros e como e por que somos diferentes.Porém, isso pode nos levar também a refletir sobre e a examinar mais de perto nossos próprios interesses e expectativas.Isso pode nos mostrar o que somos e o que podemos ser.


Esse duplo desígnio de promover a investigação sobre nós mesmos e sobre os outros por meio da historiografia é que apóia Cinqüenta Grandes Pensadores da História.
Identificar \"cinqüenta grandes pensadores na história\" não é fácil. É óbvio que nenhuma relação que eu venha a produzir - mesmo com a ajuda de numerosos outros historiadores - será um consenso universal.Cada historiador terá opiniões distintas sobre quem deve ser incluído e por quê.Contudo, isso não me perturba, por duas razões.Em primeiro lugar, Cinqüenta Grandes Pensadores da História não é, expressamente, uma relação dos \"cinqüenta mais\" importantes de todos os tempos em termos de popularidade.Muitos dos pensadores que escolhi certamente fariam valer uma relação como essa (por exemplo, Gibbon, Ranke, Tucídides), mas outros estão mais propensos a ferver o sangue dos historiadores. Essa não é nem mesmo uma lista dos \"cinqüenta mais\" em termos apenas de impacto ou de significado, mas, ao contrário, de desafio, como vou demonstrar detalhadamente a seguir.Em segundo lugar, e mais importante, o consenso universal não é o que almejo. Na verdade, se os leitores gostarem de todos os pensadores que escolhi, ficarei desapontada, pois o consenso normalmente marca o fim de uma discussão. Tampouco julgo possível tentar convencer os leitores de que eles devam concordar com e considerar como modelo todos os pensadores com os quais se deparam. Os pensadores que escolhi tornariam esse feito impossível a qualquer pessoa.Por exemplo, tente apaziguar os pontos de vista de Geoffrey Elton e Hayden White ou mesmo os de Marc Bloch e Lucien Febvre. Na minha opinião, a marca de autenticidade de um \"grande pensador\" é sua capacidade de incitar discussões. Assim como Joan Wallach Scott, endosso a idéia de que conflitos e divergências sobre o conteúdo, os usos e os significados do conhecimento são uma faceta importante da \"história\".8 Dessa maneira, tente identificar pensadores cujas idéias estejam sendo amplamente consideradas na comunidade histórica como um desafio com o qual é necessário ajustar contas, exigindo esse ajuste se porventura alguém se achar no direito de pensar de forma semelhante ou diferente, recompensando o esforço que um desafio como esse envolve.Portanto, para mim, Cinqüenta Grandes Pensadores da História tem a ver tanto com provocação quanto com inspiração.

Por considerar essa obra estimulante, provocativa e, portanto, educacional, tentei incluir uma série diversa de opiniões.Para começar, adotei uma visão ampla sobre o que é um \"pensador da história\": uma pessoa que nos oferece obras de história (como Carr, Davis, Hobsbawm, Taylor, Thompson, Turner), obras sobre a história (como Collingwood, Kuhn, Marx), obras mais gerais que mudaram a forma de investigação histórica (por exemplo, Heidegger, Kant), a mensagem de que os feitos podem mudar o modo como vemos o passado (Woodson) ou qualquer um desses fatores combinados. O fato de eu ter incluído esse último demonstra a convicção de que o pensamento não é evidenciado apenas em trabalhos publicados.


É também fundamental observar que a feição da história não é determinada somente pelos historiadores ou mesmo por aqueles que acreditam que essa disciplina seja valiosa.Kant, por exemplo, não é um paladino entusiástico, mas seus escritos sobre a mente mudaram fundamentalmente a maneira pela qual vemos o empenho dos historiadores. Além do mais, as formas de investigação que no presente compõem a história, os tipos de problema com os quais ela se ocupa, os modos pelos quais eles são estruturados e abordados e os conceitos que são formados têm longas genealogias.

Portanto, não seria necessário dizer que o estudo da história exige a atenção para a história escrita da história. É por esse motivo que minha escolha não se restringe a pensadores contemporâneos. Basta imaginarmos a ausência, digamos, de Heródoto, Tucídides ou Tácito para nos darmos conta do quanto nosso conhecimento sobre a história antiga européia, bem como sobre a historiografia, depende deles. Além do mais, pensadores de um passado muito remoto têm muito a contribuir com as pesquisas em andamento; por exemplo, as obras do historiador chinês antigo Sima Qian e do historiador medieval francês Froissart levantam questões que são pertinentes aos historiadores pós-modernos. Contudo, acredito também que nos confrontarmos com um ponto de vista bem distinto sobre o mundo - como os apresentados por Tito Lívio, Políbio, Beda ou Gregório de Tours - pode igualmente nos ajudar a ganhar uma distância crítica em relação às nossas próprias opiniões.A conformação da história sob uma perspectiva ocidental também não foi prerrogativa apenas dos europeus e dos norte-americanos. Sima Qian, Ibn Khaldun, Cheikh Anta Diop e Manning Clark mostraram que isso não é verdade. Ademais, excluí um determinado pensador em virtude de suas idéias terem sido mais do que adequadamente exploradas por John Lechte em Fifty Key Contemporary Thinkers [Cinqüenta Pensadores Contemporâneos Essenciais]: Friedrich Nietzsche.Minha menção a sua exclusão é mais uma oportunidade de ressaltar a qualidade do trabalho de Lechte do que do próprio Nietzsche.Em suma, a justificação final de cada uma de minhas escolhas é o conteúdo, em si, de cada tópico.

A variedade nesta obra, entretanto, não é sem limites.Este livro não abrange - na verdade, não é possível abranger - contribuições igualmente importantes de todos os tempos e lugares ou de pessoas de diferentes gêneros, opções sexuais, status econômico, opções religiosas ou deficiências. Os pensadores, em sua maioria, são homens cultos dos séculos XIX e XX da Europa e da América do Norte. Em parte, essa é uma reflexão possível sobre a manifestação da história como disciplina distinta nesses lugares, durante o século XIX e da explosão subseqüente da quantidade de obras de história e sobre a história.

Ademais, não acredito que a pesquisa sobre a história de um determina do grupo (e sobre sua visão de história) deva ser conduzida somente por membros desse grupo.Os escritos de Michel Foucault, por exemplo, provaram-se promissores àqueles interessados na história das mulheres. Todavia, essa predominância é, também, conseqüência da lastimável, mas inevitável, limitação da série à qual este livro originalmente pertence, que se centra nos feitos de indivíduos. A historiografia não é simplesmente a soma dos feitos dos grandes homens. Entretanto, sobressair-se como um indivíduo, como observa David Christian, em geral significa ser culto e ocupar uma posição política ou intelectual proeminente na sociedade.9 Essas condições dificultam a inclusão de indivíduos de comunidades que não têm idioma escrito, de mulheres e dos incontáveis indivíduos que possibilitam que alguns se sobressaiam. Para ter uma visão mais elucidativa da historiografia que abrange mais do que os feitos de indivíduos proeminentes, aconselho-o a examinar obras como The Companion to Historiography (ed.M.Bentley, publicada pela Routledge, 1997), Introduction to the Philosophy of History, de Michael Stanford (publicada pela Blackwell, 1998), History:What and Why?, de Beverley Southgate (publicada pela Routledge, 1996) e as invariavelmente populares The Nature of History (de Arthur Marwick, publicada pela Macmillan, 1989) e The Pursuit of History (de John Tosh, publicada pela Longman, 1991). Além disso, eu o convido a usar esta obra como contraposição para refletir sobre as exclusões intrincadas em interpretações do presente e do passado sobre \"história\".10

Dentre os pensadores do século XX incluídos neste livro, vários desafiaram a visão tradicional da história formulada por elites masculinas, aquela de um relato \"objetivo\" sobre os feitos de indivíduos proeminentes (como Davis, Hobsbawm, Rowbotham, Scott, Thompson, White). No entanto, nenhum pensador foi de forma alguma selecionado com base no gênero sexual, na etnicidade ou no status econômico.É fundamental ressaltar que, embora meu objetivo seja a diversidade, minhas opções são apoiadas por uma hipótese unificadora segundo a qual os \"grandes pensadores\" são aqueles com os quais vale a pena nos comprometermos.Para mim, a realidade crua é que eles merecem ser levados a sério porque incitam discussões e mesmo contendas sobre o conteúdo, os usos e os significados da história;eles desempenharam um papel importante na genealogia dessa disciplina;e suas altercações, suas idéias e a forma de lidar com elas sugerem linhas promissoras de investigação.

A variedade de pensadores incluídos em Cinqüenta Grandes Pensadores da História tornaria difícil, acredito eu, agrupá-los em \"escolas de pensamento\" ou \"enfoques de investigação\" como o fizeram alguns autores desta série. Além disso, optei por não os agrupar porque penso que isso pode nos levar a considerar os pensadores de uma maneira unidimensional. Rotular um escritor ou uma escritora de \"marxista\", por exemplo, pode nos levar a omitir idéias que ele ou ela teve e que não se adapta a esse molde. Ademais, isso também dificulta o tratamento de escritores que têm mais de um enfoque, que mudam seus pontos de vista com o passar do tempo ou não utilizam nenhuma abordagem de modo sistemático. Questões sobre quem determina que \"rótulos\" são legítimos e como o seu emprego muda ao longo do tempo igualmente podem ser levantadas. Isso não significa que eu tenha evitado totalmente o uso de \"rótulos\":quando apropriado, mencionei-os em determinados tópicos. Esses casos compreendem, primeiramente, os escritores que atribuíram a si mesmos um rótulo e, em segundo lugar, inúmeros comentaristas que atribuíram um rótulo a um determinado escritor.


Tendo em vista essas preocupações sobre como agrupar os pensadores, optei pela organização alfabética, pois isso facilita em muito o processo de consulta. Acredito, também, que a estranheza que pode resultar desse tipo de organização, em virtude de provavelmente não haver comunhão de pontos de vista de um pensador para outro, estimulem a reflexão crítica. Entretanto, se você desejar consultar os tópicos de acordo com o contexto histórico, é oferecido também um índice em ordem cronológica.

Assim como em outras obras desta série da Routlege, cada um dos tópicos conta com uma breve descrição biográfica e das principais idéias do pensador em questão. Em cada um dos ensaios, espero, você terá oportunidade de provar dos interesses e do enfoque do pensador sobre o passado e de informações sobre como outras pessoas (até eu mesma) lidaram com isso. O fato de eu usar \"provar\", no sentido de degustar, de ter uma amostra, condiz com a minha convicção de que este livro oferece pontos de partida, e não pontos de chegada. Depois de ler o que tenho a dizer, espero que você explore discussões sobre e instigadas por esses pensadores mais profundamente e por conta própria. Acrescentei também informações detalhadas sobre as principais obras de cada pensador e outras fontes de consulta. Chamo essas últimas de \"fontes de consulta\", e não de \"leitura\", porque elas abrangem recursos audiovisuais e endereços da Web, bem como obras impressas. Para ajudá-lo a explorar vínculos entre vários escritores, no fim de cada tópico há referências a outras partes deste livro e a outras obras desta série.



Essas ponderações, bem como as opções que fiz, provavelmente não satisfarão defensores intransigentes nem críticos implacáveis de cânones, e espero que as pessoas continuem me perguntando pelo resto de minha vida por que não incluí fulano e sicrano. Entretanto, se esta obra estimular mais pessoas a ocupar-se da historiografia, somente isso, já terá valido a pena.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal