5ccaedemamt01 linhas que se sobrepõEM: consideraçÕes acerca do tempo geológico e as açÕes humanas



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UFPB-PRG XII Encontro de Iniciação à Docência



5CCAEDEMAMT01

LINHAS QUE SE SOBREPÕEM: CONSIDERAÇÕES ACERCA DO TEMPO

GEOLÓGICO E AS AÇÕES HUMANAS
Tarcianne Maria de Lima Oliveira(1); Bartolomeu Israel de Souza(3);

Anderson Alves dos Santos(4)

Centro de Ciências Aplicadas a Educação/ Departamento de Engenharia e Meio Ambiente/MONITORIA


RESUMO

Este trabalho tem como objetivo discutir sobre o Tempo Geológico e as principais análises que são feitas para identificá-lo, a partir de uma revisão bibliográfica. Enfatiza-se que atualmente o Tempo Geológico não é caracterizado apenas pelas catástrofes naturais, mas sim pela força das ações antrópicas que vem provocando grandes transformações na superfície terrestre, a tal ponto que, de tão intensas, já poderiam estabelecer um novo período na escala geológica – o Quinário – também chamado por alguns autores de Tecnógeno. Este vem a ser o período em que a ação humana tem tido uma presença cada vez maior no ambiente geológico e geomorfológico, sendo tanto um fator de erosão como de deposição. Neste caso, identificamos e classificamos os vários tipos de depósitos relacionados a essa proposta de Tempo Geológico, além de fazer uma relação dos fatores que a caracterizam com a questão ambiental, uma vez que, como o Quinário tem como principal agente as ações humanas sobre a superfície terrestre, modifica-se também a concepção tradicional dominante em relação ao meio ambiente.



Palavras-chave: Tempo Geológico, Quinário, Meio Ambiente.
ABSTRACT

This paper aims to discuss the Geological Time and the main tests that are made to identify you from a literature review. Emphasizes that the current geologic time is not characterized only by natural disasters, but by force of human action that is causing major changes in land surface, to the point that, so intense, I could establish a new period in the geological scale - the quinary - also called by some authors of Tecnógeno. This has to be the period in which human action has had an increasing presence in the geological and geomorphological environment and is both a factor of erosion and of deposition. In this case, identify and classify the various types of deposits related to the proposed geologic time, and make a list of factors that characterize the environmental issue, since, as the quinary agent's main human actions on the land surface, it also changes the traditional concept dominant in relation to the environment.


KEY WORDS: Geological Time, Quinary, Environment.
O Tempo Lento e as suas medições

O Tempo Geológico é aquele representado desde a formação da Terra, observado a partir de seus efeitos sobre a superfície terrestre. Entretanto, mesmo possibilitando essa análise, a visão proporcionada pelos efeitos do passado no presente sempre deve ser considerada de forma relativa. Dessa forma devemos entender, tal como afirma o paleontólogo sueco Stefan Bengtson (apud Texeira et al, 2003) que,

O presente não abre a porta do passado, deixando-a escancarada para nossa inspeção fácil e completa da história geológica de nosso planeta. Muito pelo contrário, a visão do passado que o presente nos propicia, embora razoável, é algo limitada.

Cabe à Geologia, ciência centrada no estudo das rochas, nos auxiliar nessa tarefa de identificar o tempo da história da Terra. Dessa forma, o geólogo busca entender uma série de fenômenos que ocorreram a milhares, milhões ou até bilhões de anos pelo exame do registro geológico das rochas, fósseis e estruturas geológicas. Conforme ressaltam Teixeira et al. (2003, p. 306) “Esse exercício trabalhoso é complicado ainda mais pela natureza incompleta e, comumente, muito complexa do registro e também em função da superposição e repetição de fenômenos ao longo da história geológica”.

O registro desses eventos, por sua vez, fica destacado na escala geológica. Do ponto de vista das bases históricas que fundamentaram a elaboração da escala geológica com a qual nos deparamos na atualidade, muito se deve a James Hutton e Charles Lyell, no século XIX, uma vez que os mesmos levaram os cientistas a entender que o planeta não foi modelado por uma série de eventos catastróficos ocorridos em apenas poucos milhares de anos, como muitas pessoas até então acreditavam. Pelo contrário, a Terra era o produto de uma série de processos geológicos atuando durante um intervalo de tempo muito maior.

De acordo com Press et al. (2006), cada intervalo de tempo na escala geológica está correlacionado a um pacote de rochas e respectivos fósseis. Sendo assim, a escala de tempo geológico com a qual nos deparamos atualmente é dividida então em quatro unidades principais, enunciadas a seguir em ordem de diminuição da sua duração: éons, eras, períodos e épocas.

O éon é a maior divisão da história. Destes, o mais antigo é o Arqueano apresentando rochas com cerca de 4 bilhões de anos e se estendendo até 2,5 bilhões de anos. O éon Proterozóico vem a seguir, com datações de 2,5 bilhões a 543 milhões de anos atrás. O éon Fanerozóico é o mais recente e mais bem estudado, abrangendo os últimos 543 milhões de anos.

O Fanerozóico é subdividido em três eras: Paleozóica (vida antiga), apresentando de 543 milhões a 251 milhões de anos; Mesozóica (vida intermediaria), apresentando de 251 milhões a 65 milhões de anos; Cenozóica (vida recente), correspondendo a 65 milhões de anos atrás até o presente.

As eras são subdivididas em períodos que, por sua vez, são subdivididos em épocas. Destas últimas, as mais bem conhecidas geologicamente são aquelas do período Terciário, como a época Pliocena, abrangendo o intervalo de 6 milhões a 1,8 milhões de anos atrás.

Ainda é importante observar que, para eventos muito recentes na história geológica, como por exemplo episódios de mudanças climáticas na escala de tempo de centenas de milhares de anos, outros materiais estratificados são utilizados para suplementar as informações das rochas que fornecem um calendário dos eventos passados da Terra. Alguns desses materiais são os anéis de crescimento de troncos de árvores, os testemunhos de gelo glacial da Antártica e da Groelândia e os sedimentos não consolidados do assoalho oceânico. As rochas sedimentares, entretanto, ainda são o material estratificado mais importante que se usa para decifrar a grande imensidão da história geológica.

Em relação ao cálculo do tempo geológico, este é um processo de grande complexidade, conforme veremos a seguir.

De acordo com Popp (1998), para se estudar o tempo geológico é preciso primeiramente entender como ocorreram os depósitos estratigráficos das rochas, pois o tempo geológico de uma determinada área é analisado basicamente a partir de sua sequência deposicional, levando sempre em conta todos os processos que podem ter ocorrido com este material, como: truncamentos por erosão, onde os limites são dados pela erosão dos estratos; discordância, que são interrupções de sequências, podendo ser do tipo litológico (quando os sedimentos encontram-se com rochas cristalinas), erosivas (quando duas sequências sedimentares não-perturbadas estão separadas por uma superfície irregular produzida por erosão, sobre o pacote inferior), angular (quando duas sequências se cortam por ângulos diferentes) e paralela (quando a sequência não apresenta evidências físicas de que tenha ocorrido interrupção no processo sedimentar); eventos turbulentos: abalos sísmicos, precipitação de cinzas vulcânicas ou poeira produzida por impactos de meteoritos, transgressões e regressões marinhas (envolvendo intervalos de tempo, quantidade de material fornecido e dispersado, proporção de material depositado levando em conta as mudanças do nível do mar ou movimentos tectônicos e migrações das linhas de praia).

Eicher (1969) por sua vez diz que, para o cálculo do tempo geológico, o principal instrumento são as rochas, assim como é de grande importância o estudo dos fósseis. Através destes últimos, se descobriu que cada período era finalizado por uma catástrofe natural, o que inspirou os geólogos a ordenar as principais sucessões geológicas em uma escala de tempo geológico da fauna e flora, estabelecendo os sistemas geológicos através de estudos das unidades bioestratigráficas, litoestratigráficas, cronoestratigráficas e cronogeológicas.

As unidades bioestratigráficas são caracterizações e delimitações de pacotes de rochas com conteúdo fossilíferos; as litoestratigráficas são porções de rochas da crosta terrestre distinguidas e delimitadas tridimensionalmente por critérios litológicos; as unidades cronoestratigráficas e cronogeológicas têm como objetivo organizar todas as sequências da Terra em relação ao tempo correspondente á sua formação (Popp, 1998).

Apesar das considerações anteriormente relatadas, para Press et al. (2006), na prática não podemos, a partir da estratigrafia, medir o tempo com uma precisão de anos pelo fato de os sedimentos não se acumularem numa taxa constante em nenhum ambiente de sedimentação. Nesse caso, por exemplo, citam os autores que, enquanto numa grande inundação um rio poderá depositar em seu canal uma camada de areia de vários metros de espessura em questão de poucos dias ou mesmo horas, durante todos os anos que se seguem entre as inundações ele depositará uma camada de areia com apenas poucos centímetros de espessura.

Press et al. (2006) também destacam que o registro das rochas não nos diz quantos anos se passaram entre cada período de deposição, pois muitos lugares na planície fluvial de um vale recebem sedimentos somente durante o tempo de inundação e os intervalos de tempo entre as inundações não se encontram representados por qualquer sedimentação, concluindo então que os fósseis seriam a chave para detectar intervalos de tempo perdidos e correlacionar a idade relativa das rochas em diferentes lugares. Logo, os fósseis se tornaram o mais importante instrumento para construir com exatidão uma escala de tempo geológico para todo o planeta.

A escala do tempo geológico baseada em estudos da estratigrafia e dos fósseis é uma escala relativa. Com ela, os geólogos podem dizer se uma formação é mais antiga que outra, mas não determina precisamente quando uma rocha se formou. Somente em 1905, com o avanço da física moderna, o físico Ernest Rutherford sugeriu que a radioatividade poderia ser usada para medir a idade exata das rochas, dando início a datação isotópica que consiste no uso de elementos radioativos naturais para determinar a idade destas.

O tempo geológico também pode ser calculado através de métodos radiométricos para determinar a idade de uma rocha ou mineral, sendo que a escolha vai depender da composição química do material a ser datado, da sua provável idade e também do tipo de problema geológico que se pretende estudar. Nesse caso, os mais comumente utilizados são: Potássio40 – Argônio40, Rubídio87 – Estrôncio87, Urânio - Chumbo, Chumbo207 – Chumbo206, Samário147 – Neodímio143 e Carbono14 (Teixeira et al., 2003).

O método potássio – argônio é muito utilizado para determinar o tempo envolvido no resfriamento de corpos ígneos ou o término de um processo metamórfico, entre outras aplicações. Com os avanços tecnológicos foram introduzidos uma variante do método potássio – argônio que fornece idades mais precisas. É o método do argônio40 – argônio39 que, através de sistemas de fusão pontual a laser, possibilita a análise de cristais individuais.

Outro método radiométrico muito utilizado para a datação de minerais é o método urânio – chumbo, que se baseia no decaimento de dois isótopos radioativos de urânio, o urânio207 e o uranio238, gerando os isótopos radiogênicos, o chumbo207 e o chumbo206, respectivamente (Teixeira et al., 2003).

Atualmente, o método urânio – chumbo é considerado um dos mais precisos para datar eventos ígneos e metamórficos, assim como as fontes de material detrítico em rochas sedimentares. Por estes motivos, este método tem sido muito utilizado para calibrar a escala do tempo geológico.

Para a datação de materiais geológicos e biológicos relativamente jovens (troncos e folhas fósseis, ossos, dentes, conchas, etc.), o método mais comum utilizado é o carbono-14. Mesmo assim, existem erros relacionados às variações já constatadas na produção deste elemento ao longo dos últimos 70.000 anos. Desse modo, tornou-se necessário aplicar fórmulas de correção aos resultados obtidos para corrigir os erros verificados.

Uma maneira de confirmar as idades obtidas em certas regiões pelo método do carbono-14 é através da dendrocronologia, ou seja, a datação de troncos de árvores pela contagem e medição da espessura dos anéis de crescimento. Nesse caso, a variação na espessura desses anéis reflete não apenas o ciclo anual das estações, mas também mudanças climáticas de mais longa duração.

Apesar de tudo o que acabamos de expor em relação ao tempo geológico, analisado num primeiro momento sob a ótica das ações da Natureza, atualmente e cada vez mais são inseridos novos elementos á essa temática, tornando-a ainda mais complexa, conforme veremos a seguir.


As ações humanas na Natureza e a proposta de um novo Período na Escala Geológica

No momento da história em que estamos vivendo, o catastrofismo natural não tem mais tanto vigor, pois vivemos em uma sociedade em que o Homem intervém em tudo na Natureza, através de ações diretas, como a construção de cidades, as atividades agrícolas, as indústrias, as atividades mineradoras e energéticas, as obras viárias, etc., e ações indiretas, como por exemplo, o incremento ao efeito estufa e sua participação nas mudanças climáticas globais.

Dessa forma, torna-se cada vez mais difícil estabelecer o que é puramente Natural do que é Social, sendo a interpenetração desses elementos a regra cada vez mais comum (Souza, 2008). Portanto, há um crescente aumento da compreensão de que não se pode separar em partes distintas aquilo que é uma teia de relações inseparáveis (Guerra & Marçal, 2006). Ressaltamos ainda que a busca em compreender as conexões entre a Natureza e a Sociedade está inserida numa questão ainda maior, que é a própria complexidade do mundo, denominado de híbrido por Latour (1994), onde inclusive o conceito de Ciência está se modificando (Morin, 1996).

Dada a intensificação das atividades antrópicas e os seus efeitos na Natureza, para muitos pesquisadores o Homem passou a ser considerado um agente geológico e geomorfológico, cujos fenômenos desencadeados devem ser registrados na escala geológica do tempo. Emerge dessas inquietações a proposta de um conceito sobre um novo período no tempo geológico, denominado de Quinário, cuja característica diferenciadora em relação aos outros já existentes e consolidados seria a presença cada vez maior da ação humana sobre o ambiente geológico da crosta terrestre. Dessa forma, este pode ser compreendido como

[...] o período em que a atividade humana passa a ser qualitativamente diferenciada da atividade biológica na modelagem da biosfera, desencadeando processos (tecnogênicos) cujas intensidades superam em muito os processos naturais.” (Oliveira, apud Rodhe, 1996, p. 120).

Peloggia (2005) denomina essa situação geológico-geomorfológica atual como Tecnógeno, instante em que a ação geológica humana ganha destaque significativo no que tange aos processos da dinâmica externa. Este autor ressalta que a ação humana sobre o relevo tanto pode se dar de forma direta quanto indireta, onde o Homem é um fator tanto de erosão como de deposição, podendo essas ações aumentarem ou diminuirem a intensidade das manifestações naturais.

Pelo que expusemos até o momento em relação a essa proposta de periodização do tempo, o Quinário seria um momento na história da Terra em que as atividades humanas e as suas conseqüências já superaram significativamente os processos naturais, fazendo com que a época geológica denominada Holoceno já seja considerada superada. Propõe-se assim uma ruptura com o Quaternário clássico, dando espaço para uma nova Era (Suertegaray, 2002).

Em relação ao trabalho de identificação do Quinário, este resulta na caracterização dos diferentes tipos de depósitos interpretados a partir da análise dos artefatos humanos ali existentes como decorrente de uma dinâmica tecnogênica (Suertegaray, 2002).

Segundo Oliveira (apud Peloggia, 1998) esses depósitos tecnogênicos podem ser classificados em três tipos principais:


  • depósitos construídos (aterros, corpos de rejeitos, etc.);

  • depósitos induzidos (assoreamento, aluviões modernos, etc.);

  • depósitos modificados (depósitos naturais alterados tecnogenicamente por afluentes, adubos, etc.).

Outra classificação diz respeito aos materiais constituinte desses depósitos. Neste caso, Flanning (apud Peloggia, 1998) destaca quatro tipos principais:

  • materiais úrbicos (detritos urbanos, materiais terrosos com artefatos manufaturados como tijolos, vidro, concretos, etc.);

  • materiais gárbicos (depósitos de materiais detríticos com lixo orgânico de origem humana);

  • materiais espólicos (materiais terrosos escavados e redepositados por operações de terraplenagem);

  • materiais dragados (materiais terrosos provenientes da dragagem de cursos d’água e comumente depositados em diques em cortes topográficos superiores às planícies aluviais).

Essas denominações são de grande importância, pois a partir delas podemos identificar no ambiente as evidências do novo período do tempo geológico proposto – o Quinário. Além disso, ao inserir o Homem nesse processo, representa uma contribuição de elevada relevância das geociências no entendimento e enfrentamento da crise ambiental contemporânea. Portanto, a adoção dessas concepções, ao destacarem as atividades humanas como desencadeadoras de processos antes vistos somente como naturais, estaria mais de acordo com a realidade atual.

Ao serem analisadas do ponto de vista econômico e social, essas concepções estão inseridas dentro de um período que Santos (1985) denomina de Técnico-Cientifico–Informacional, onde toda a Natureza se torna passível de utilização direta ou indireta, num mundo onde predomina, cada vez mais, o trabalho intelectual, enquanto a circulação do capital ocorre em escala mundial.

Reforçando a idéia de Quinário, Santos (1985) ainda defende que, no que ele propõe como Período Técnico-Científico-Informacional, a ciência e a tecnologia participam da criação de novos processos vitais e da produção de novas espécies (animais e vegetais), estando na base da produção, da utilização e do funcionamento do espaço, tendendo a constituir o seu substrato.

Logo, neste novo momento, a presença de materiais tecnogênicos como plásticos, fertilizantes, colorantes, entre outros anteriormente inexistentes na Natureza, estão cada vez mais presentes, criando uma espécie de amálgama entre o que se considerava tradicionalmente Natural e Social.

Nesse caso, diante de tudo o que expusemos, diante de todas as interferências e transformações pelas quais a Natureza passou e vem passando, a concepção tradicional dada á esta pela humanidade não tem mais razão de existir. Dessa forma, qualquer tipo de intervenção que pretenda se fazer nessa “nova Natureza” e no que denominamos de meio ambiente tem que levar em consideração a existência de uma complexidade ainda maior que em tempos passados, quando a influência do Homem não era tão presente e modificadora.

Quanto a questão ambiental, como defende Latour (1994), nos é exigido um novo desenho das constituições natural e política para que possamos, de fato, compreender a articulação dos elementos e processos naturais e sociais. Assim sendo, a idéia de Quinário não apenas permite uma melhor compreensão do tempo geológico atual, como também, ao encaminhar o pensamento científico dominante a um outro patamar de relações, é capaz de dar respostas mais efetivas à questão ambiental.


Considerações finais

O tempo é um fator chave para a compreensão dos processos que se desenvolvem no meio ambiente. Por exemplo, a organização das comunidades animais e vegetais, juntamente com os ciclos de matéria e de energia, não dependem unicamente das condições ambientais atuais, mas também da história pretérita. Nesse caso, do ponto de vista geológico, o fenômeno de sedimentação é o principal registro desses eventos, sendo um verdadeiro arquivo de dados físicos e biológicos que permite estudar as condições de ocupação por parte das populações animais e vegetais de um meio em transformação. Entretanto, cada vez mais os tipos de sedimentação estão fortemente marcados pelas atividades humanas.

O Homem tem transformado a Natureza em grandes extensões, pois sua concentração em determinados locais, juntamente com o desenvolvimento das suas atividades em diferentes setores do espaço, cria interferências na qualidade das águas, na qualidade do ar, na potencialidade dos solos, nas formas do relevo (tanto em sua transformação como em sua gênese), etc.

As marcas dessas interferências são cada vez mais perceptíveis, deixando registros onde antes somente ou principalmente os elementos ditos naturais se faziam presentes. Diante desse quadro, propõe-se o Quinário (ou Tecnógeno) como uma nova periodização do tempo, onde são consideradas as marcas da humanidade sobre a Terra.

Essa proposta de periodização do tempo, ao ser pensada como substituindo uma tradição pautada na identificação e análise das marcas deixadas no espaço exclusivamente pelos elementos naturais, pode ser considerada revolucionária na medida em que é a “[...] expressão da história da apropriação do Homem pela Natureza através do trabalho e da técnica enquanto instrumentos de produção, acumulação e, por conseqüência, de produção de uma nova Natureza [...].” (Suertegaray, 2002, p. 52).

Dessa forma, a proposta de uma nova concepção do tempo geológico acaba inserindo a dinâmica humana num contexto de modificação e criação de outro tipo de Natureza. Logo, estaríamos vivenciando a aceleração do tempo e das transformações nessa Natureza devido as atividades humanas, o que dá origem a uma realidade ainda mais complexa quando se pensa nas conseqüências desencadeadas por essas transformações e nas formas de amenizar os efeitos negativos que este processo vem acarretando.


Referências Bibliográficas

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SUERTEGARAY, D. M. A. Geografia Física e Geomorfologia. Uma (re) leitura. Ijuí: Ed. Unijuí, 2002.


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Bolsista, (1) Voluntário2) /colaborador, (3) Orientador/Coordenador, (4) Prof. colaborador, (5) Técnico colaborador.





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