A aldeia Ausente Índios, Caboclos, Escravos e Imigrantes na Formação do Campesinato Brasileiro



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Nesse contexto geral, é também interessante ressaltar que o grande handicap negativo do projeto político do MST provém precisamente da forma em que conseguiu estabelecer suas profundas raízes com a sociedade brasileira.

Por um desses paradoxos da história, a proposta de aliança oferecida pela cidade ao campo, como via de superação da própria dependência do campo da cidade e da exploração capitalista, defendida, nos anos 1920, por Antonio Gramsci na Itália, dá-se hoje, no Brasil, do o campo para a cidade.

Não é indiferente para a superação das contradições apontadas, que hoje dependente profundamente do MST, o fato de que, em forma tardia, esse movimento represente reivindicações e expresse visões de mundo alimentadas por segmentos camponeses sem terra miseráveis e pequenos proprietários pobres, em uma sociedade dominada pela produção e classes trabalhadoras fabris. Fenômeno essencial na determinação de sua orientação política, ideológica e social.




  • Mário Maestri, 54, é doutor pela Université Catholique de Louvain, Bélgica e professor do Programa de Pós-Graduação em História da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net


1. Agradecemos a leituras do texto do engenheiro-agrônomo Humberto Sorio Junior, professor da Faculdade de Agronomia da UPF e do historiador Marco Villa, da Universidade Federal de São Carlos. Conferência ministrada no II Colóquio Marx-Engels do Centro de Estudos Marxistas do IFCH da UNICAMP, Campinas, Brasil, 21 de novembro de 2001.

2. Cf. FRANK, Pierre. Histoire de l´Internationale Comuniste. Montreuil: La Brèche, 1979. pp.603-7.

3 . Cf. GUIMARÃES, Alberto Passos. Quatro séculos de latifúndio. 3ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, sd. p.110.

4. BONAMIGO, Carlos Antônio. “O trabalho cooperativo como princípio educativo: a trajetória de uma cooperativa de produção agropecuária do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra”. Porto Alegre: UFRGS, 2001. P. 84.[Dissertação de mestrado]

5. MARX, Karl. O 18 Brumário de Luís Bonaparte. Lisboa: Avante, 1982. P. 126-7.

6. Cf. CARDOSO, C.F.C & BRIGNOLI, Héctor Pérez. História economica de América Latina. I. 4ª ed. Barcelona: Crítica, 1987. pp.128-38; MURRA, John. En torno a la estructura política de los Inka. SORIANO, Waltdemar E. [Org.] Los modos de producción en el Imperio de los Incas. Lima: Amaru, 1981. pp. 213-30.

7. Cf. MAESTRI, Mário. Os senhores do litoral: conquista portuguesa e genocídio tupinambá no litoral brasileiro. [século XVI]. Porto Alegre: UFRGS, 2ª. ed. 1995; FAUSTO, Carlos. Fragmentos de história e cultura tupinambá. CUNHA, M.C. da [Org.] História dos índios do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras; Brasília: CNPq, 1992. p. 383.

8. Cf. FERNANDES, Florestan. A função social da guerra na sociedade tupinambá. 2ª ed. São Paulo: Pioneira, 1970. p. 55.

9. Cf. GALVÃO, Eduardo. Elementos básicos da horticultura de subsistência indígena. REVISTA DO MUSEU PAULISTA. Nova Série, XIV. São Paulo, 1963, pp. 120-44; RIBEIRO, Darcy [Ed.]. Suma etnológica brasileira. 2ª ed. 1. Etnobiologia. Petrópolis: Vozes\FINEP, 1987. p. 69.

10. Cf. MEILLASSOUX, Claude. Mulheres, celeiros & capitais. Porto: Afrontamento, 1977. p. 51 71.

11 Cf. IHERING, Hermann von. Os machados de pedra dos índios do Brasil e o seu emprego nas derrubadas de mato. REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO, XII (1907), São Paulo, 1908. pp. 426-33.

12. Cf. STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: EDUSP, 1974. p.162; ABBEVILLE, Claude d'. História da missão dos padres capuchinhos na ilha de Maranhão. Belo Horizonte, Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1975. p. 226; RIBEIRO, Darcy [Ed.]. Suma etnológica brasileira. 2ª ed. 3. Ob.cit. p. 47.

13. Cf. GALVÃO, Eduardo. “Elementos básicos da horticultura de subsistência indígena”. Ob.cit. p. 126.

14. Cf. ABBEVILLE. História da missão dos padres capuchinhos na Ilha de Maranhão. Ob.cit. p. 242; GALVÃO. Elementos básicos da horticultura de subsistência indígena. Ob.cit. p. 125.

15 Cf. MAESTRI, Mário. A agricultura africana nos séculos XVI e XVII no litoral angolano. Porto Alegre: EdUFRGS, 1978. p. 87.

16 Cf. CHILDE, V. Gordon. La naissance de la civilization. Paris: Médiations, 1964, p. 66.

17. Cf. METRAUX, Alfred. La civilization matérialle des tribus Tupi-Guarani. Paris: Paul Geuthner, 1928 p. 4; EVREUX, Ivo d'. Viagem ao norte do Brasil. Rio de Janeiro: Leite Ribeiro, 1929. p. 72; RIBEIRO, Darcy [Ed.]. Suma etnológica brasileira. 2ª ed. 2. Ob.cit. p. 43.

18. Cf. MENDRAS, Henri. Sociedades camponesas. Rio de Janeiro: Zahar, 1978; KAUTSKY, Karl. La cuestion agraria. Mexico: Cultura Popular, 1978.

19. Cf. MARCHANT, Alexander. Do escambo à escravidão: As relações de portugueses e índios na colonização do Brasil. 1500 1580. São Paulo: CEN; Brasília: IEL, 1980; MAESTRI, M. Os senhores do litoral. Ob.cit.

20. Cf. AZEVEDO, J. Lúcio de. Épocas de Portugal económico : Esboços de história. 4ª ed. Lisboa: Clássica, 1978; CANABRAVA,A.p. O açúcar nas Antilhas. (1697 1755). Paulo: IPE/USP, 1981; SIMONSEN, Roberto C. História econômica do Brasil. (1500 1820). 7ª ed. São Paulo: CEN; Brasília: INL, 1977.

21. Cf. SALVADOR, Frei Vicente do. História do Brasil. 7ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1982. p. 78; STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil. Ob.cit. p. 164.

22 Cf. MAESTRI, M. Os senhores do litoral. Ob.cit.; VAINFAS, Ronaldo. A heresia dos índios: catolicismo e rebeldia no Brasil colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

23. Cf. CARBONI, Florence & MAESTRI, Mário. Corrigir e dominar: considerações sobre língua, história e poder no Brasil. REVISTA DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS, Universidade de Passo Fundo, ano 15, número II, 1999; número 1, 1999, pp. 123-46.

24. DIAS, Gentil Martins. Depois do latifúndio: continuidade e mudança na sociedade rural nordestina. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro; Brasília: EdUNB, 1978. p. 66.

25. SILVA, Marilda R.G. Ch. Gonçalves da. Imigração italiana e vocação religiosas no Vale do Itajaí. Campinas: EdiFURB/EdUNICAMp, 2001. P.45.

26. Cf. FACÓ, Rui. Cangaceiros e fanáticos: gêneses e lutas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972; QUEIROZ, Maria Isaura p. O messianismo no Brasil e no Novo Mundo. São Paulo: Dominus/EDUSP, 1965; VILLA, Marco Antônio. Canudos: o povo da terra. São Paulo: Ática, 1995; MACEDO, José R. & MAESTRI, Mário. Belo Monte: uma história da guerra de Canudos. São Paulo: Moderna, 2ª ed. 1997.

27. Cf. GORENDER, Jacob. O escravismo colonial. 5ª ed. ver. e ampl. São Paulo: Ática, 1988.

28. Cf. MONTEIRO, John Manuel. Negro da Terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

29. Cf. MAESTRI, Mário. Uma história do Brasil: A Colônia: Da descoberta à crise colonial. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 1996.

30. Cf. FREITAS, Décio. O escravismo brasileiro. Porto Alegre: EST: Vozes, 1980. pp. 10-2; GORENDER, Jacob. A escravidão reabilitada. São Paulo: Ática, 1990. pp.120, 138-138-40; MAESTRI, Mário. Servidão negra: trabalho e resistência no Brasil escravista Porto Alegre: Mercado Aberto, 1988. pp. 33-4.

31. Cf. MAESTRI, Mário. Servidão negra. Ob.cit.; CAPELA, José. Escravatura : a empresa de saque. O abolicionismo. (1810-1875). Porto: Afrontamento, 1974; DAVIDSON, Basil. Mãe negra. Lisboa: Sá da Costa, 1978; MEILLASSOUX, Claude. Antropologia da escravidão : o ventre de ferro e dinheiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1995

32. Cf. GARLAN, Yvon. Les escalves en Grèce Ancienne. France, Maspero, 1982; GIARDINA, A. & SCHIAVONE, E. (Org.) Società romana e produzione schiavistica. I. L'Italia: insediamenti e forme economiche. Roma-Bari, Laterza, 1981; STAERMAN, E.M. & TOFIMOVA, M.L. La schiavitù nell'Italia Imperiale. Roma, Riuniti, 1975; MAESTRI, Mário. O escravismo antigo. 17ª. São Paulo: Atual, 1999.

33. Cf. CONRAD, Robert. Tumbeiros: o tráfico escravista para o Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1985; SALVADOR, José Gonçalves. Os magnatas do tráfico negreiro : séculos XVI e XVII. José Gonçalves Salvador. São Paulo: Pioneira; EDUSP, 1981.

34. Cf SLANES, Robert W. Escravidão e família: padrões de casamento e estabilidade familiar numa comunidade escrava (Campinas, século XIX). ESTUDOS ECONÔMICOS, São Paulo, IPE-USP, 17(2), 1987; MAESTRI, Mário. Resenha de: FLORENTINO, Manolo & GÓES, José Roberto. A paz das senzalas: famílias escravas e tráfico atlântico, Rio de Janeiro, c.1790 - c.1850. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997. PRAXIS, Minas Gerais, ano V, n.º 11, pp.155-7.

35. Cf. CARDOSO, Ciro F. Escravo ou camponês? O protocampesinato negro nas Américas. São Paulo: Brasiliense, 1987; Cf. GORENDER, Jacob. A escravidão reabilitada. São Paulo: Ática, 1990. pp. 70-86.

36. Cf. GORENDER, Jacob. A escravidão reabilitada. Ob. Cit.. pp. 132-88; GORENDER, Jacob. A burguesia brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1981; MAESTRI, Mário. A escravidão e a gênese do Estado nacional brasileiro. ANDRADE, Manuel Correia de. [Org.] Além do apenas moderno: Brasil séculos XIX e XX. Pernambuco: Fundação Joaquim Nabuco; Massangana, 2001. pp. 49-77.

37. Cf. COSTA, Emília Viotti. Da senzala à colônia. 2ª ed. São Paulo: Ciências Humanas, 1982; CONRAD, Robert. Os últimos anos da escravatura no Brasil: 1850 1888. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, Brasília: INL, 1975.

38. Cf. CARBONI, Florence & MAESTRI, Mário. Corrigir e dominar: considerações sobre língua, história e poder no Brasil. Ob.cit. pp. 123-146.

39. FACÓ, Rui. Notas sobre o problema agrário. MARINGHELA, Carlos et al. A questão agrária no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Debates, 1980. p. 52.

40. VILLA, Marco Antônio. Canudos : o povo da terra. São Paulo: Ática, 1995. pp. 97-9.

41. Tuco: Homem que trabalha na conservação do leito das ferrovias. Depoimento do engenheiro-agrônomo Humberto Sório Júnior.

42 Cf. CONRAD, Robert E. A pós-abolição: a reação dos fazendeiros e a queda do Império. [ex.datilografado]; GORENDER, Jacob. A escravidão reabilitada. São Paulo: Ática, 1990. p. 186.

43. Cf. REIS, J.J. & GOMES, Flávio dos Santos. Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

44. ALVES FILHO, Ivan Alves. Memorial dos Palmares. Rio de Janeiro: Xenon, 1988; CARNEIRO, Édison. O quilombo dos Palmares. 4ª ed. fac-similar. São Paulo: CEN, 1988; ENNES, Ernesto. As guerras nos Palmares : subsídios para a sua história. 1.° Volume: Domingos Jorge Velho e a Troia Negra. 1687-1709. São Paulo: CEN, 1938; FREITAS, Décio. Palmares: a guerra dos escravos. 5ª ed. reescrita, revista e ampliada. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1984; FREITAS, Mário Martins de. Reino negro de Palmares. 2a. ed. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1988; PÉRET, Benjamin. Que foi o quilombo de Palmares?. ANHAMBI, ano VI, vol. 22, abril 1956; RODRIGUES, Nina. Os africanos no Brasil. 5ª ed. São Paulo: CEN, 1977.

45 Cf. GOMES, Flávio dos Santos. Histórias de quilombolas: mocambos e comunidades de senzalas no Rio de janeiro – séc. XIX. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995; GUIMARÃES, Carlos Magno. Uma negação da ordem escravista: quilombos em Minas Gerais no século XVIII. São Paulo: Ícone, 1988; MOURA, Clóvis. Rebeliões da senzala. Quilombos, insurreições e guerrilhas. 3ª ed. São Paulo: Livraria Editora Ciências Humanas, 1981.

46 Cf. MAESTRI, Mário. Em torno ao quilombo. HISTÓRIA EM CADERNOS. Revista do Mestrado em História da UFRJ. n 2. Rio de Janeiro, 1984, pp. 9 19; MAESTRI, Mário. O quilombo de Manoel Padeiro. Presença Negra no RS. CADERNOS PONTO & VÍRGULA, 11, Secretaria Municipal de Cultura, Porto Alegre, RS, 1995, pp. 64-72.


47. DIAS, Gentil Martins. Depois do latifúndio: continuidade e mudança na sociedade rural nordestina. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro; Brasília: EdUNB, 1978. p. 69.

48. Cf. ANDRADE, Manuel Correia de. A terra e o homem no Nordeste. ed. Revista e atualizada. São Paulo: Ciências Humanas, 1980.

49. DIAS, Gentil Martins. Depois do latifúndio: continuidade e mudança na sociedade rural nordestina. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro; Brasília: EdUNB, 197 8. p. 63.

50. Cf. ZARTH, P. A. História agrária do Planalto Gaúcho. 1850-1920. Ijuí: EdiIJUÍ, 1997. p. 75.

51. Cf. MAESTRI, Mário. Os senhores da Serra: a colonização italiana no Rio Grande do Sul. 2ª ed. ver. e ampl. Passo Fundo: EdiUPF, 2001; VOGT, Olário P. A produção de fumo em Santa Cruz do Sul – RS 1849 – 1993. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 1997; ROCHE, Jean. A colonização alemã e o Rio Grande do Sul. I. Porto Alegre: Globo, sd; WACHOWICZ, Ruy Christovam. O camponês polonês no Brasil. Curitiba: Fundação Cultural, Casa Romário Martins, 1981; STAWINSKI, Alberto Victor. Primórdios da imigração polonesa no Rio Grande do Sul (1875-1975). Porto Alegre, EST/UCS, 1976. p . 27.

52. Apud GUIMARÃES, Alberto Passos. Quatro séculos de latifúndio. 3ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, sd. p.112.

53. Cf. MAESTRI, Mário. Os senhores da Serra. Ob.cit. p. 86.

54. Cf. GORENDER, Jacob. Gênese e desenvolvimento do capitalismo no campo brrasileiro. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1987.p. 30.

55. GUTIERREZ, Ester & GUTIERREZ, Rogério. Arquitetura e assentamento ítalo-gaúcho. (1875-1914). Passo Fundo: EdUPF, 2000.

56. Cf. TELMO. Acampamento Natalino: história da luta pela reforma agrária. Passo Fundo: EdiUPF, 1997.

57. Cf. STEDILE, Joaõ Pedro & GÖRGEN, Frei Sérgio. A luta pela terra no Brasil. São Paulo: Scrita, 1993;

58. BONAMIGO, BONAMIGO, Carlos Antônio. “O trabalho cooperativo como princípio educativo: a trajetória de uma cooperativa de produção agropecuária do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra”. Porto Alegre: UFRGS, 2001..[Dissertação de mestrado] P.115-6.+

59. MARTINS, José de Souza. 1982 13-5

60. BONAMIGO, Carlos Antônio. “O trabalho cooperativo como princípio educativo: a trajetória de uma cooperativa de produção agropecuária do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra”. Porto Alegre: UFRGS, 2001. [Dissertação de mestrado] P. 123.

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