A aplicabilidade das ferramentas financeiras no universo das pequenas empresas



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CONTAS A PAGAR


Ludícibus, Martins e Gelbcki (1994, p.124) orientam que, “São registradas nessa conta as obrigações decorrentes do fornecimento de utilidades e da prestação de serviços”.

Contas a pagar referem-se a passivos provenientes do uso ou consumo de bens e serviços ou não pagos.

O Contas a pagar pode ser considerado como um “empréstimo rotativo permanente”. Ou seja, os fornecedores, através dos créditos, se tornam aliados importantes da empresa. Como tal, devem ser tratados com respeito e rigor. Aliás, a imagem da empresa junto a seus fornecedores, muitas vezes construída ao longo de vários anos, é um ativo importante, porém não contabilizado, e está sujeito à extinção imediata se não for bem administrado.

Na gestão do contas a pagar não é necessário pagar nenhuma conta antes do vencimento, ter um sistema de pesquisa constantemente focado na possibilidade de obter melhores condições de prazo com fornecedores e assegurar a tomada das melhores decisões a partir de uma análise de compensação entre prazos e descontos um estudo continuo da possibilidade de renegociar os contratos de longo prazo.



CONTAS A RECEBER


A concessão de crédito sempre é um investimento concedido a um cliente. Investimento esse vinculado à uma venda de um produto ou serviço. Segundo Assaf Neto e Silva (1997, p.97),

Crédito diz respeito à troca de bens presentes por bens futuros. De um lado uma empresa que concede crédito, troca produtos por uma promessa de pagamento futuro. Já uma empresa que obtém crédito recebe produtos e assume o compromisso de efetuar o pagamento no futuro. O resultado de uma operação de crédito refere-se ao compromisso assumido pelo comprador em quitar sua dívida. Este compromisso pode estar expresso num instrumento como duplicatas a receber, nota promissória, cheque pré-datado ou comprovante de venda de cartão de crédito.


Também conhecida com administração do crédito, contas a receber representa uma tradição nas relações comerciais das empresas, representado parcela expressiva em seus ativos líquidos.

Toda empresa, ao vender bens e serviços, tem a opção de receber o pagamento em dinheiro imediatamente ou esperar o pagamento por um certo período de tempo, ou seja, conceder crédito aos clientes. As possíveis razões da venda a prazo não respondem isoladamente pela existência de crédito. Na prática, observa-se que em cada situação pode prevalecer uma possível razão para que uma empresa admita vender a prazo.


Na visão de Assaf Neto (l997, p.97),

A venda a prazo pode ser justificada como importante estratégia de mercado. É bastante comum particularmente no varejo, o uso da venda a prazo visando proporcionar um volume médio de vendas superior à venda a vista. Nesta situação, a empresa pode optar por oferecer crédito como uma forma de incentivar as vendas por impulso.


Em alguns setores, é praxe vender a crédito, em outros não. Financeiramente a venda a prazo deve ser enfocada como um instrumento a ser realizado pelo vendedor, com determinado nível de liquidez, risco e rentabilidade e para dado volume de investimento.
FLUXO DE CAIXA

O fluxo de caixa é um instrumento administrativo que registra as entradas e saídas de recursos provenientes das atividades de uma empresa, num período de tempo. A partir do momento que se elabora o fluxo de caixa, é possível detectar com antecedência o volume de recursos necessários para a empresa, possibilitando evitando escassez ou excedentes de caixa.

Através do fluxo de caixa obtém-se todas as entradas e saídas de dinheiro e seus equivalentes. O controle do fluxo de caixa e um grande sistema de informação para o qual convergem os dados financeiros gerados em diversas áreas da organização.

De acordo com Dolabela (1999, p.237) “A ferramenta adequada para um bom controle financeiro de curto prazo chama-se fluxo de caixa, ou seja, um acompanhamento das entradas e saídas de recursos financeiros no caixa da empresa”.

Uma boa administração de caixa favorece a lucratividade de uma empresa, ao reduzir o período de cobrança e os custos de transação relacionados ao processo de cobranças e pagamentos.

Assaf Neto e Silva (1997, p.35) afirmam que:

Contextos econômicos modernos de concorrência de mercado exigem das empresas maior eficiência na gestão financeira de seus recursos, não cabendo indecisões sobre o que fazer com eles. Sabidamente, uma boa gestão dos recursos financeiros reduz substancialmente a necessidade de capital de giro, promovendo maiores lucros pela redução principalmente das despesas financeiras. Em verdade, a atividade financeira de uma empresa requer acompanhamento permanente de seus resultados, de maneira a avaliar seu desempenho, bem como proceder aos ajustes e correções necessários. O objetivo básico da função financeira é prover a empresa de recursos de caixa suficientes de modo a respeitar os vários compromissos assumidos e promover a maximização de seus lucros.
A administração de caixa é o aspecto chave do objetivo de liquidez para a administração financeira. Quanto maior a disponibilidade de caixa, mais prontamente poderá saldar as contas. No mesmo sentido, quanto maior as disponibilidades de caixa passíveis de aplicação na empresa, maiores serão os lucros, até o ponto em que a perda de liquidez venha provocar perda de descontos sobre pagamentos à vista.

Para Ross, Westerfield e Jordan (2000, p.436),

O objetivo básico na gestão do caixa é manter o investimento em caixa o mais baixo possível, e ao mesmo tempo operar a empresa de forma eficiente e eficaz. Este objetivo geralmente pode ser resumido pelo lema “Cobre cedo e pague tarde”.
A preocupação do controle do nível de caixa deve ser uma das prioridades diárias do gestor financeiro, esta preocupação com a determinação do nível desejado de caixa, captando quando este for insuficiente ou aplicando os excedentes de caixa em outros itens do ativo da empresa, de modo a permitir um retorno adequado e seguro, viabilizando assim, no momento de amortizar os empréstimos ou resgatar as aplicações, em atividades realmente produtivas. O objetivo é minimizar o nível de caixa sem que ao mesmo tempo, o saldo de segurança ponha em risco a capacidade da empresa em saldar suas obrigações na data do vencimento. Para aumentar o caixa o gestor pode recorrer e utilizar entre vários os seguintes canais:


  • Investimentos realizados;

  • Empréstimos bancários;

  • Vendas de itens do ativo;

  • Vendas à vista;

  • Recebimento de duplicatas a receber.

MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

De Acordo com Gitman (1997), a margem de contribuição corresponde à parcela remanescente das receitas de vendas após serem deduzidos os custos totais.

Abatendo dessa margem de contribuição os custos operacionais fixos, encontra-se o lucro operacional que é identificado como LAJIR ou LAIR (lucro antes dos juros e do imposto de renda), devendo este ser suficiente para cobrir os custos financeiros fixos e produzir um resíduo que após a tributação do imposto de renda, corresponderá ao lucro líquido do período.

Para Dolabela (1999, p.232),

Margem de contribuição é o valor que resta a empresa após deduzidos das receitas os custos dos produtos vendidos, as comissões e os impostos gerados pela comercialização de um produto. Mede o quanto este valor contribuiu para cobrir os custos fixos tais como aluguéis e salários do pessoal da administração.
Pode-se entender ainda, que a margem de contribuição é a parcela da receita total que ultrapassa os custos e despesas variáveis e que contribuirá para cobrir as despesas fixas e, ainda, formar o lucro.
PONTO DE EQUILÍBRIO

Para a empresa não gerar prejuízos deve cobrir seus custos fixos e variáveis. O ponto de equilíbrio da empresa representa venda em valor para custear todas as despesas variáveis e fixas, ou seja, os custos ou despesas totais.

Para Hoji (2001, p. 316) “no ponto de equilíbrio (PE), a empresa está produzindo (e vendendo) a quantidade de produtos suficiente para cobrir, além dos CDVs, os CDFs, ou seja, os custos e despesas totais (CDTs).”

O Ponto de Equilíbrio possibilita a verificação da cobertura dos custos gerados pela empresa, além de demonstrar ao gestor se o empreendimento trará um retorno para a empresa.

Já para Dolabela (1999, p. 239) “o ponto de equilíbrio corresponde ao nível de faturamento para que a empresa possa cobrir exatamente os seus custos, ou seja atingir um lucro operacional igual a zero”.

Pode-se inferir que, o Ponto de Equilíbrio é o momento em que o resultado é nulo, ou seja, não há lucro nem prejuízo, as receitas geradas pelas atividades da empresa cobrem todos os custos.


EQUILÍBRIO FINANCEIRO

As empresas precisam buscar um nível satisfatório de capital de giro de maneira a garantir a sustentação de suas atividades. A partir dessa afirmativa, pode-se introduzir o conceito de equilíbrio financeiro. Nas palavras de Assaf Neto (1997 p.24),

Ponderam acerca do equilíbrio financeiro que o entendimento de capital de giro insere-se no contexto das decisões financeiras de curto prazo, envolvendo a administração de ativos e passivos circulantes. Toda empresa precisa buscar um nível satisfatório de capital de giro para garantir a sustentação de sua atividade operacional. O conceito de equilíbrio financeiro de uma empresa é verificado quando suas obrigações financeiras se encontram lastreados em ativos, com prazo de conversões em caixa similares aos de passivos. Em outras palavras, o equilíbrio financeiro exige vinculação entre a liquidez dos ativos e os desembolsos demandados pelos passivos.
O equilíbrio financeiro é a obtenção de um nível de capital de giro satisfatório e compatível, para a satisfação das obrigações decorrentes da atividade operacional de uma empresa. Isto significa que, suas obrigações financeiras estão lastreadas em ativos, com prazos de conversão compatíveis, juntamente com seus respectivos vencimentos. Para a obtenção do equilíbrio financeiro é necessário que haja vinculação adequada entre a liquidez dos seus ativos e as obrigações decorrentes da estrutura dos passivos.

Para Horne (2000, p.52),

a questão do equilíbrio financeiro está vinculada às decisões conjuntas de estrutura de ativo e passivo circulante. Para ele, uma forma de evitar desequilíbrios financeiros diz respeito ao fato de precaver-se à incerteza com uma determinada margem de segurança.
É necessário que a empresa saiba com certeza quais são seus futuros fluxos de caixa, com isso é possível esquematizar o escalonamento dos vencimentos de suas dívidas, de forma que, eles correspondam exatamente à sua programação de futuros fluxos de caixa líquidos. Com isso, os lucros serão maximizados, pois, não haverá necessidade alguma de ficar com ativo líquido de baixo retorno, ou deter mais financiamentos em longo prazo do que o absolutamente necessário.
NÍVEL TÁTICO

Na esfera gerencial as ferramentas táticas servem de subsidio para tomada de decisão, as informações obtidas no nível operacional reflete o cenário atual da empresa, estás somadas as informações obtidas através das técnicas táticas é possível nortear a empresa a maximização dos lucros como também a minimização dos custos gerando resultados mais eficazes.

A combinação das informações obtidas no nível operacional com o nível tático permite ao gestor criar um plano de ação, ou seja, uma tática para enfrentar o cenário que o prejudica, portanto, o nível tático configura-se em traduzir as decisões tomadas através das informações obtidas com as técnicas em ações efetivas a serem implementadas.
ABORDAGEM DE CUSTOS

Todas as empresas, independentemente da área de atuação (comércio, indústria ou serviços), possuem gastos. A análise destes gastos se faz necessária para a apuração correta de sua lucratividade e também, para o gerenciamento financeiro mais eficiente. É necessário saber o que significa custos, quais suas finalidades e o que isto afeta na empresa, em seguida classificar os principais custos que se fazem necessário para uma formatação adequada ao negócio fim da empresa.

Na visão de Figueiredo e Caggiano (1997, p.37),

custos são essencialmente medidas monetárias dos sacrifícios com que a organização tem que arcar para alcançar seus objetivos; por isso, desempenham importante papel nas decisões gerenciais; a coleta e a maneira das informações de custos são problemas fundamentais para os contadores.


O controle de custos tem como finalidade à realização de levantamentos que irá em confronto posterior com a realidade, apontar ineficiências e defeitos na linha de produção que afeta diretamente o custo do produto e conseqüentemente os lucros da empresa. Seu grande objetivo, portanto, é o de fixar uma base de comparação entre o que ocorreu de custo e o que deveria ter ocorrido.
CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS

CUSTOS DIRETOS

Leone (2000, p.59) define custos diretos como “todos os custos que se conseguem identificar com as obras, do modo mais econômico e lógico”.

Os custos diretos não necessitam ser rateado, é são facilmente identificado na composição dos custos dos produtos.


CUSTOS INDIRETOS

Leone (2000, p.59) define custos indiretos como “todos os outros custos que dependem do emprego de recursos, de taxas de rateio, de parâmetros para débito às obras”. Diferentemente dos custos diretos não são de fácil percepção na elaboração e composição dos custos do produto, visto que não podem ser apropriados de forma direta.


CUSTOS RATEADOS

Para Leone (2000, p.61) custos rateados são “sempre custos indiretos, pois o rateio é realizado mediante o emprego de critérios e taxas eu resultam na divisão proporcional de um montante global e comum”.


CUSTOS TOTAIS

Segundo Leone (2000, p.70) custos totais “são todos os custos (diretos e indiretos) de determinado objeto ou atividade”.


CUSTOS UNITÁRIOS

Leone (2000, p.70) define custo unitário como sendo “um indicador representado por uma fração, onde o denominador será a quantidade dos produtos fabricados em determinado período ou num processo produtivo. O numerador será o custo”.


CUSTOS FIXOS

De acordo com Sanvicente (1997, p.196) “custos fixos são todos aqueles itens de custos ou despesas que não variam em valor total, com o volume de atividades ou operação”.

Para Alves (2002 p.127)

os custos fixos apresentam dois tipos principais, em primeiro lugar certos custos fixos são decorrentes de decisões administrativas tomadas em períodos prévios, exemplo desses custos são: depreciação, impostos e seguros. Em segundo lugar certos custos fixos são estabelecidos por decisões administrativas em curto prazo, um mês ou um ano. Ex.: salários, despesas de publicidade e pesquisas.


Custos fixos são gastos que tendem a permanecer inalterado em função do volume de produtos fabricados. Exemplos de custos fixos: salários dos supervisores e encarregados da fábrica, aluguel e manutenção da fábrica etc.
CUSTOS VARIÁVÉIS

Os custos variáveis são de acordo com atividade ou produção da empresa, está diretamente ligada com o movimento de entradas de pedidos vendidos ou de produtos acabados, pois se este aumenta também aumenta o custo variável do produto.

Segundo Silva (2001, pág. 459), os “custos variáveis são aqueles que variam segundo o volume de produção”.

Custos variáveis são gastos relacionados com a comercialização dos produtos da empresa. Exemplos de despesas variáveis: impostos e comissões incidentes sobre as vendas de produtos da empresa.


TÉCNICA DE ORÇAMENTOS E DE INVESTIMENTOS

INVESTIMENTO

Para que se tenha um empreendimento é necessário que haja investimentos, para a aquisição de máquinas e equipamentos. Os investimentos permitem a produção de bens e serviços para atender a demanda, credenciando a empresa à competir no mercado, gerar receitas e automaticamente lucros.

Segundo Dolabela (1999, p.223)

Existe três tipos de gastos que compõem investimento inicial: despesa pré-operacional – gastos que o empreendedor efetua antes de sua empresa começar a funcionar, ou seja, antes de entrar em operação; investimentos fixos – são os gastos com aquisição e instalação de máquinas e equipamentos, obras e reformas, moveis e utensílios, veículos, centrais telefônicas, aparelhos eletrônicos de informática, imóveis, salas, casas, lotes, galpões; e o capital de giro inicial – são os gastos necessários para iniciar as atividades da empresa colocá-la em funcionamento.
Sanvicente (1997, p.68), define que “quando se pretende levar em conta o fator incerteza, a avaliação de alternativas de investimento, o que se quer é trabalhar com alguma noção das distribuições de probabilidades dos fluxos de caixa do projeto”

Investimento bruto são aqueles, cujos gastos, foram realizados com bens de capital (máquinas e equipamentos) e formação de estoques. O investimento líquido exclui as despesas com manutenção e reposição de peças, equipamentos e instalações desgastadas pelo uso. Como está mais diretamente ligado à compra de bens de capital e, conseqüentemente, à ampliação da capacidade produtiva, o investimento líquido mede com maior precisão o crescimento da economia.

Os investimentos são colocados dentro da empresa de várias maneiras isto é, através de imobilizados, de dinheiro para compras de produtos, e até mesmo, através de pessoas as quais dão suporte para o desenvolvimento da organização.
FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZOS

Para estimular o crescimento, as pequenas empresas freqüentemente constatam que devem oferecer crédito aos seus clientes. Se um crescimento rápido da vendas ocorrer em decorrência disso, então as contas a receber crescerão igualmente ou talvez mais com rapidez. Isso, por sua vez traz a necessidade de financiamento adicional.

Gitman (1997, p.628) caracteriza os financiamentos de curto prazo como:

Os financiamentos espontâneos resultam das operações normais da empresa e as duas fontes principais desses financiamentos a curto prazo são as duplicatas a pagar e as contas referentes às despesas incorridas e ainda não pagas. A medida que as vendas da empresa crescem, as duplicatas a pagar aumentam em conseqüência do maior volume de compras requerido pelos níveis mais altos de produção.


Os financiamentos de curto prazo proveniente do ciclo operacional são os mais saudáveis, no entanto, quando esses não são suficientes, existe a opção de busca de recursos em instituições financeiras: empréstimos específicos para capital de giro, conta-corrente garantida e desconto de duplicatas são os mais comuns.

Segundo Gitman (1997, p.617),

O tipo de financiamento a curto prazo utilizado pelas empresas depende em grande parte do seu porte e de sua solidez financeira. Empresas grandes, e bem avaliadas por institutos especializados, geralmente têm amplo acesso a commercial papers, empréstimos bancários e outras formas de financiamento não-garantido. As pequenas empresas geralmente financiam suas necessidades de capital de giro com empréstimos em bancos locais e muitas vezes têm de garantir o empréstimo com duplicatas a receber ou estoques.
As garantias exigidas pelas instituições de crédito nem sempre são possíveis de serem oferecidas, dificultando o acesso ao crédito. GITMAM (1997).

As pequenas empresas encontram dificuldades de credibilidade junto às instituições financeiras, e é comum arcarem com taxas de juros mais altas, pois, numa análise, a mensuração da relação risco/retorno é ponto fundamental para a decisão do financiador.

O custo dos empréstimos bancários varia para diferentes tipos de tomadores de empréstimo em qualquer ponto dado do tempo e para todos os tomadores com o passar do tempo. As taxas de juros são mais elevadas para os tomadores de maior risco, e também, para os empréstimos menores por causa dos custos fixos envolvidos na efetivação e prestação de serviços dos empréstimos.
FINANCIAMENTO E LONGO PRAZO

A empresa tem lucrativas oportunidades de investimentos, porém, os recursos pertencentes a ela não são capazes de trazer comodidade, assim, a empresa se vê na necessidade de financiar esta oportunidade, ou a empresa se depara com ausência de recursos devido a gestão inadequada dos recursos e para reverter, é necessário obter recursos para financiar suas necessidades. Tanto que para Gitman (1997, p.468),

O empréstimo a longo prazo é uma importante forma de financiamento – Tendo um vencimento inicial superior a um ano. o qual é negociado com uma instituição financeira, ou através da venda de títulos negociáveis, sendo estes vendidos a um número de credores institucionais e individuais.
Um financiamento constitui um contrato sob o qual o tomador concorda em fazer uma série de pagamentos de juros e do principal em datas específicas ao emprestador. Os empréstimos a prazo são normalmente negociados diretamente entre a empresa demandante e uma instituição financeira, geralmente um banco, uma companhia de seguros ou fundos de pensão.

Para Lemes Junior, Rigo e Cherdrin (2002, p.261),

Os financiamentos de longo prazo no Brasil têm prazo de um a sete anos. Existem muitas instituições financeiras e diversas fontes de financiamento disponíveis. Bancos comerciais, bancos de investimentos e BNDS, no caso de empréstimos, fundos de pensão e outros investidores institucionais no caso de debêntures e de ações, são os principais atuantes no país.
Através de recursos a longo prazo a empresa tem a possibilidade de fortalecer seus recursos. Uma vez realizado, a empresa tende a aumentar seu risco, isto porque tende a realizar o pagamento ao credor com um adicional, os juros.
CUSTO DE CAPITAL

O custo de capital é um dos principais fatores usados na determinação do valor da empresa.

Groppelli e Nikbakht (2002, p. 159), definem custo de capital como sendo a ”taxa de retorno que a empresa deve pagar aos investidores afim de induzi-los a comprar ações, títulos e outros papéis”.

Em finanças, o custo de capital é o mesmo da taxa de desconto ou custo de atratividade que nada mais é, do que o retorno que uma empresa espera obter com o investimento proposto.

Sanvicente afirma (1997, p.75),

Podemos definir o custo de capital como preço que a empresa paga pelos fundos obtidos junto às suas fontes de capital. Ele constituí o padrão para a tomada de decisões de investimento à medida que, aplicando recursos com retorno superior ao custo de capital, a empresa acha-se no caminho da maximização dos resultados para os que nela investem.


A correlação entre risco e retorno esta diretamente ligado aos financiamentos. Quanto maior risco maior o custo do capital. Além do mais, um alto custo de capital (alta taxa de desconto) geralmente significa uma baixa avaliação dos títulos da empresa. Já que a venda desses títulos fornece fundos para a empresa investir, o custo do financiamento aumenta quando o valor dos títulos é baixo, ou diminui quando seu valor é alto. O custo de capital é o parâmetro para determinar se o retorno dos títulos de uma empresa é alto ou baixo.

NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO (NCG)

O NCG um dos elementos fundamentais para avaliar a situação financeira da empresa.

O valor da NCG revela o montante necessário de recursos para a empresa manter o giro dos seus negócios. As contas formadoras do capital de giro representam operações de curto prazo e de retornos rápidos, são totalmente diferentes das contas que compõem o ativo permanente.

O desequilíbrio da contas clientes, estoques, fornecedores, salários e impostos apontam a NCG, definido por Brasil e Brasil (1999, p.8) como sendo,

NCG = (clientes + estoques) – (fornecedores + salários + encargos+ impostos) ou NGC = (contas cíclicas do ativo) – (contas cíclicas do passivo). Dizemos que sua reposição é automática, no ritmo do negócio. Daí ser natural chamá-las de cíclicas.


Um dos motivos de necessidade de capital de giro é a ausência de controle sobre o ciclo operacional da empresa, a má gestão e previsões sem precisão dos recursos necessários para o bom andamento da razão de ser da empresa afeta diretamente o seu crescimento. Na maioria das empresas, as saídas de caixa ocorrem antes das entradas de caixa. Essa situação cria uma necessidade de aplicação permanente de fundos, que se evidencia no balanço por uma diferença positiva entre o valor das contas cíclicas do ativo e das contas do passivo. Essa diferença entre as contas cíclicas é que se denomina NCG.

Seu aumento tanto pode ocorrer em períodos de rápido crescimento como, também, em períodos de queda nas vendas. Para financiar as necessidades de capital de giro, a empresa pode contar normalmente com três tipos de fontes, capital próprio, empréstimos bancários de curto prazo, empréstimos e financiamentos bancários de longo prazo e duplicatas descontadas.


ADMINISTRAÇÃO DE CAPITAL DE GIRO

O capital de giro precisa de acompanhamento permanente, pois está continuamente sofrendo o impacto das diversas mudanças enfrentadas pela empresa, decorrente de forças advinda do ambiente interno e externo.

O capital de giro representa os recursos demandados por uma empresa para financiar suas necessidades operacionais, que vão deste a aquisição de matérias primas ou mercadorias até o recebimento pela venda destes.

Ross, Westerfield e Jordan (2000, p.40) afirmam que,

Capital de Giro refere-se aos ativos de curto prazo da empresa, tais como estoques, e aos passivos a curto prazo, tais como pagamentos devidos a fornecedores. A administração do capital de giro da empresa é uma atividade cotidiana que assegura que os recursos sejam suficientes para continuar a operação, visando evitar interrupções dispendiosas. Isso envolve diversas atividades relacionadas aos recebimentos e desembolsos da empresa.
Por representar uma grande parte do total dos ativos de uma empresa o capital de giro exige um esforço maior do administrador financeiro do que aquele requerido pelo capital fixo.

O capital circulante líquido sendo: Positivo, demonstra que parte do capital de giro da empresa está sendo financiada com recursos de longo prazo. Negativo, denota que parte dos recursos oriundos de captação no curto prazo está financiando aplicações de longo prazo. Nulo, demonstra um equilíbrio dos recursos de curto prazo na mesma proporção das aplicações, o que pode se tornar dispendioso caso venha a ser negativo. (GITMAN 1997).

Para Gitman (1997, p. 618),

Geralmente, quanto maior o capital circulante líquido de uma empresa (ativos circulantes menos passivos circulantes), menor será sua lucratividade e menor o risco de ela não poder pagar suas obrigações no vencimento; por outro lado, quanto menor o capital circulante líquido, maior será a lucratividade da empresa, e maior o risco de ela não poder pagar suas obrigações no vencimento.


Quanto maior o capital circulante líquido de uma empresa maior e a obrigação futura, isto porque parte do capital de giro da empresa esta sendo financiado com recursos de longo prazo e certamente de terceiros. A empresa pode adotar uma política agressiva e permanecer no limite de endividamento com terceiros, gerando maior lucratividade, ou ser conservador e manter uma folga para aplicar nas diversas modalidades do mercado econômico financeiro.

PAYBACK

Groppelli e Nikbakht (2002, p.132), definem período de Payback como: “Período de tempo necessário para recuperar o investimento inicial de um projeto”.

Não é necessária a realização de cálculos complicados para encontrar a quantidade de anos, em que um projeto demora para recuperar seu investimento inicial. O período de recuperação do investimento, também, é fácil entender. Portanto, quando os analistas precisam de uma medida rápida do risco, eles podem usar o método do Payback para constatar a viabilidade do investimento.

Na visão de Sanvicente (1997, p.44),

Este método representa, talvez o mais simples de avaliação, o período de “payback” é definido como sendo aquele número de anos ou meses, dependendo da escala utilizada, necessária para que o desembolso correspondente ao investimento inicial seja recuperado, ou ainda, igualado e superado pelas entradas líquidas acumuladas.
TAXA MÉDIA DE RETORNO (TMR)

É a técnica mais antiga usada em negócios. A idéia básica é comparar os lucros contábeis líquidos com os custos iniciais de um projeto, adicionando todos os lucros líquidos e dividindo-os pelo investimento médio.

Segundo Sanvicente (1997, p.45), TMR é a “determinação do fluxo líquido médio por período, dividindo-se o fluxo líquido total do projeto pelo seu número de períodos; divisão do fluxo líquido médio pelo investimento exigido.”

De acordo com Groppelli e Nikbakht (2002, p.132), a TMR é o “Quociente entre os lucros líquidos médios e o investimento médio”.

Do ponto de vista Braga (1995, p.281), TMR “É determinado através do quociente entre o lucro líquido anual estimado e o valor médio do investimento durante a vida útil do projeto”.
TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR)

Segundo Gitman (1197, p.330) “a TIR é usada para tomar decisões do tipo ”aceitar-rejeitar”, é o seguinte: se a TIR for maior que o custo de capital, aceita-se o projeto; se for menor, rejeita-se o projeto.”

É um método popular no orçamento de capital. É a taxa de desconto que torna o valor presente de fluxos de caixa previsto igual ao investimento inicial. Entretanto, quando usar a TIR, deve se assegurar de que a TIR calculada não é muito diferente de uma taxa de reinvestimento realista. Esta técnica consiste em apurar a taxa de rendimento que o investimento proporcionará, assim, com esta técnica, o investidor está preocupado em saber qual é o efetivo rendimento que lhe proporcionará o investimento em análise.

Afirma Sanvicente (1997, p.52) que,

Para fins de decisão, a taxa obtida deverá ser confrontada à taxa que representa o custo de capital da empresa e o projeto só deverá ser aceito quando a sua taxa interna de retorno superar o custo de capital, significando que as aplicações da empresa estarão rendendo mais do que o custo dos recursos usados na entidade como um todo.
Segundo Gitman (1997, p.330), a “taxa interna de retorno (TIR), é a taxa de desconto que iguala o valor presenta das entradas de caixa ao investimento inicial referente a um projeto, resultando, desse modo, um VPL = $0”.
CICLO OPERACIONAL

O conceito de ciclo operacional segundo Ross, Westerfield e Jordan (2000, p.414) “é o período entre a compra de mercadoria e o recebimento das vendas”.

Como caracteriza Assaf Neto e Silva (l997, p.19):

Cada uma das fases operacionais retratadas apresenta determinada duração. Assim, a compra de matérias-primas denota um prazo de estocagem; a fabricação, o tempo que se despende para transformar os materiais em produtos acabados; os produtos acabados, o prazo necessário à venda; e o recebimento, o período de cobrança das vendas realizadas a prazo. Evidentemente, de acordo com as características operacionais da empresa, uma ou mais dessas fases podem não existir. Por exemplo, se as vendas são realizadas somente a vista, o prazo médio de cobrança é considerado nulo. Da mesma forma, empresas que produzem somente sob encomenda não apresentam prazo de estocagem de produtos acabados, e assim por diante.


Figura 1 – Ciclo operacional de uma empresa industrial.

FONTE: ASSAF NETO, Alexandre e SILVA, César Augusto Tibúrcio. Administração do Capital de Giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997, p. 19.


A figura mostra o ciclo operacional sendo o momento da compra da matéria prima para manter o pátio industrial em pleno funcionamento até o momento do recebimento do produto industrializado vendido.
CICLO FINANCEIRO

De acorro com Assaf Neto e Silva (1997. p.22)

O ciclo financeiro mede exclusivamente as movimentações de caixa, abrangendo o período compreendido entre o desembolso inicial de caixa (pagamento de materiais a fornecedores) e o recebimento da venda do produto. Em outras palavras o intervalo de tempo que a empresa irá necessitar efetivamente de financiamento para suas atividades. Evidentemente, ocorrendo desconto dos títulos representativos da venda a prazo, o ciclo de caixa e, conseqüentemente, o período de necessidade de caixa reduzem-se pelo prazo da operação.
Segundo Brasil e Brasil (1993, p.17), “O ciclo financeiro começa com o pagamento dos fornecedores e termina com o recebimento das duplicatas, incluído no intervalo vários desembolsos referente a salários, impostos, encargos”.

Figura 2 – Ciclo econômico de uma empresa industrial.



FONTE: ASSAF NETO, Alexandre e SILVA, César Augusto Tibúrcio. Administração do Capital de Giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997, p. 21.


A figura mostra que o ciclo financeiro compreende o dispêndio realizado para pagar a matéria prima adquirida até o recebimento do produto industrializado vendido.

NÍVEL ESTRATÉGICO

Planejamento - Planejar é decidir antecipadamente o que fazer, como fazer, quando fazer e quem fará.

Para Moraes (2000, p.13),

Significa pensar antecipadamente em objetivos, ações e atos baseados em algum método, plano ou lógica (não palpites). O planejamento produz planos, em que se determinam estratégias, diretrizes, táticas ou procedimentos de forma racional, a fim de que os objetivos sejam alcançados.
O planejamento é o ato de relacionar e avaliar informações de forma ordenada e com lógica encadeando entre elas ações a serem executados num prazo definido, visando à consecução de objetivos predeterminados.
PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Toda e qualquer empresa possui a área financeira, que é aquela que gerencia através do planejamento financeiro as receitas, despesas, custos, investimentos e o capital empregado pelo investidor ou empresário dentro da organização.

De acordo com Silva (2001, p.27),

O papel da administração financeira depende também do porte da empresa. Numa empresa pequena, muitas vezes não há um órgão específico responsável pelo gerenciamento das operações financeiras, ficando essas atribuições distribuídas entre a contabilidade e o proprietário.

Deve-se ter um controle abrangente da área financeira, pois é através dela que uma empresa sabe quando, como e por onde começar seus investimentos.

O planejamento financeiro proporciona à empresa dirigir e controlar suas ações no sentido de atingir seus objetivos, seja a curto ou a longo prazo. Oferece subsídios para a tomada de decisão, por meios de planos e orçamentos de curto prazo, para que se implementem os objetivos estratégicos em longo prazo da empresa.

Para Dolabela (1999, p.180),

O plano financeiro contempla os tópicos referentes às necessidades de capital para os investimentos iniciais de mobilização da empresa, projeta metas de resultados, considera as receitas, os custos previstos e apresenta as analises componentes da parte financeira do negócio.


Nesse contexto, planejamento financeiro é o processo formal que conduz a administração da empresa a acompanhar as diretrizes de mudanças e a rever, quando necessário, as metas já estabelecidas. Nota-se que o planejamento financeiro, além de indicar caminhos que levam a alcançar os objetivos da empresa, tanto a curto como a longo prazo, cria mecanismos de controle que envolvem todas as suas atividades operacionais e não-operacionais.

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

As demonstrações financeiras assumem um importante papel na gestão dos negócios, na medida que refletem toda a situação econômica e financeira da empresa.

Nesse sentido abre-se um parêntese para a necessidade das micro, pequenas e médias empresas, adotarem a prática de registrar (oficializar) todas as suas operações comerciais, sob pena de não poder usar tal ferramenta sem a real e fiel contabilização dos fatos contábeis. Nesse sentido pode-se comparar a utilização demonstrações financeiras para auxílio na tomada de decisão com base em dados irreais (fictícios) a qual terá o mesmo efeito para um paciente que tomar remédio para dor de cabeça quando o que está doendo é o coração. O resultado pode ser fatal.

Para que a administração aumente os lucros e conseqüentemente o valor da empresa, ele deve aproveitar suas forças e corrigir as fraquezas. A análise das demonstrações financeiras envolve e permite a comparação do desempenho da empresa com o de outras empresas do mesmo setor. Estas análises e comparações permitem a identificação de deficiências e assim há possibilidade de correção.
BALANÇO PATRIMONIAL

Refere-se a posição das contas patrimoniais em determinado momento ou em um período pré-fixado.

Segundo Matarazzo (1998, p.43),

É a demonstração que apresenta todos os bens e direitos da empresa – Ativo -, assim como as obrigações - Passivo Exigível - em determinada data. A diferença entre Ativo e Passivo é chamada Patrimônio Liquido e representa o capital investido”. Pelos proprietários da empresa, quer geradas por esta em suas operações e retidas internamente.


Para Iudícibus (1998, p.40),

O balanço patrimonial (BP) é constituído de duas colunas: a coluna do lado direito é denominada Passivo e Patrimônio Líquido. A coluna do lado esquerdo é denominada Ativo, Atribui-se o lado esquerdo ao ativo e o direito ao passivo e Patrimônio Líquido por mera convenção.


Em terminologia moderna em uso no Brasil, o Balanço é uma demonstração contábil que tem por finalidade apresentar a posição financeira e economica de uma entidade (em geral uma empresa) em determinada data, representando, tanto uma posição estática (igualdade ou elementos de inventário) como dinâmica (equilíbrio ou elementos de gestão).

Conforme Silva (2001, p.44) “No Balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia”.

O balanço patrimonial é uma fotografia em que aparecem os valores:


  • De todos os bens e direitos que formam o Ativo da empresa;

  • De todos as dívidas e compromissos a pagar que constituem o seu passivo (recursos de terceiros); e

  • O total dos recursos pertencentes aos proprietários, denominado Patrimônio Líquido (capital próprio).

Dessa forma, o balanço mostra:

  • As fontes de onde provieram os recursos utilizados para a empresa operar, passivo e patrimônio líquido; e

  • Os bens e direitos em que esses recursos se acham investidos.

Essa definição põe em evidência os termos fontes e investimentos de recursos, o que é altamente desejável do ângulo da análise de balanços, visto que, analisar balanços permite avaliar a adequação entre as diversas fontes e os investimentos efetuados.
BALANÇO PATRIMONIAL PROJETADO

De posse do balanço patrimonial atual, dos orçamentos elaborados e dos dados da demonstração de resultado projetada é possível à elaboração do balanço patrimonial projetado do próximo exercício.

O Balanço Patrimonial Projetado é uma das principais ferramentas de análise financeira, esta ferramenta pode retratar as aplicações existentes em uma empresa em determinado momento do tempo, bem como as fontes de financiamento que deram origens a tais aplicações.

Segundo Gitman (1997, p. 605), o balanço patrimonial projetado é “uma técnica criteriosa aplicada a elaboração do balanço patrimonial projetado envolve a estimativa de alguns valores contábeis e o cálculo de outros, exigindo assim, um dado de ligação para fechar o balanço”.

O objetivo da elaboração do balanço projetado não é atingir a precisão, mas, principalmente obter uma orientação aproximada das necessidades de capital dos próximos períodos.

A elaboração do balanço patrimonial projetado é importante para que se tenha uma visão da composição patrimonial antes de serem tomadas as decisões de investimento, podendo calcular índices de análises de liquidez e rentabilidade previstos para o futuro deixando o gestor informado dos impactos que sua decisão poderá causar na entidade.

A liberdade relativa para a elaboração do balanço patrimonial projetado e avaliar as estimativas da empresa, considerando que sempre deve haver coerência total entre quaisquer suposições que afetem o demonstrativo de resultado e o balanço patrimonial.
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE)

De acordo com Gitmam (1997, p.71) “A demonstração do resultado do exercício fornece um resumo financeiro dos resultados das operações da empresa durante um período específico”.

A demonstração de resultado do exercício é um resumo ordenado das receitas e despesas da empresa em determinado período. É apresentada verticalmente, ou seja, das receitas subtraem-se as despesas para no final apresentar o resultado (lucro ou prejuízo).

A DRE tem como objetivo principal apresentar de forma vertical resumida o resultado apurado em relação ao conjunto de operações realizadas num determinado período, normalmente, de doze meses.


ANÁLISE DE INDICES ECONÔMICOS E FINANCEIROS

Para os autores Weston e Brigham (2000, p.50) “As demonstrações financeiras divulgam tanto a posição de uma empresa em um ponto do tempo quanto suas operações no decorrer de algum período passado”.

O valor real das demonstrações financeiras está no fato de que elas podem ser usadas a prever os lucros e dividendos futuros da empresa. A análise dos índices financeiros pode servir como uma base para o planejamento financeiro, além de fornecer um instrumento de monitoramento do desempenho.

A análise de índices ajuda a revelar a condição global de uma empresa, entretanto, a análise financeira é mais significativa quando tem alguns padrões pelos quais os índices da empresa podem ser mensurados. Não basta visualizar a rentabilidade, a liquidez, a posição de suas dívidas e as relações de atividades, e se estas são altas ou baixas e se elas estão melhorando ou não, precisa-se determinar como a empresa está se saindo em frente aos seus concorrentes.


INDÍCE DE LIQUIDEZ

Uma das formas mais comumente utilizadas, para se analisar o grau de liquidez e risco de uma dada empresa é o seu volume de CCL (Capital Circulante Líquido). Quanto maior sua magnitude, maior a margem de segurança e menor o grau de risco. Segundo Assaf Neto (1997, p.29),

É importante destacar que a avaliação da liquidez com base no valor do CCL não é suficiente para conclusões mais definitivas, o que é explicado principalmente por seu volume depender das características operacionais de atuação da empresa política de estalagem, prazo de produção e venda etc., das condições de seu setor de atividade e da sincronização entre pagamentos e recebimentos.
Para Gitman (1997. p.109), “A liquidez refere-se à solvência da situação financeira global da empresa – a facilidade com a qual ela pode pagar suas contas”.

Os índices de liquidez permitem ao gestor financeiro identificar a capacidade da empresa em honrar seus compromissos.

São índices de Liquidez:


  • Índice de liquidez corrente

O índice mostra a capacidade da empresa em gerar fundos para amortizar as divídas de curto prazo, através do confronto do Ativo Realizável a Curto Prazo e do Exigível a Curto Prazo. O índice de liquidez corrente permite o gestor identificar à capacidade de pagamento da empresa no curto prazo.

Segundo Gitman (1997. p.110) “Um índice de liquidez corrente de 2,0 é mencionado ocasionalmente como aceitável, mas a aceitabilidade do valor do índice depende, em grande parte, da indústria na qual a empresa opera”.

Ainda Gitman (1997. p.110), a fórmula do índice de liquidez corrente é expressa por:

ILC = Ativo circulante

Passivo circulante


  • Índice de liquidez seco

Refere-se a uma tentativa de suprir as deficiências de risco do índice de liquidez corrente.

Segundo Weston e Brigham (2000. p. 51), o “Índice de liquidez seca é calculado deduzindo os estoques dos ativos circulantes e então dividindo-se o restante pelos passivo circulante”.

O índice de liquidez seca é semelhante ao o índice de liquidez corrente, com a única diferença que este índice exclui os estoques do ativo circulante da empresa, por ser geralmente "o ativo de menor liquidez", portanto este índice mostra a capacidade da empresa em amortizar dívidas em curto prazo desconsiderando o que ela possui em estoque. O estoque é um ativo de baixa liquidez, até o efetivo das vendas dos estoques este sofre o risco de ser roubado, perdido (produtos perecíveis), danificados e na sua venda pode ser concedido prazo ao cliente gerando uma duplicata a receber aumentando seu risco de liquidez.

Ocasionalmente, é recomendado um índice de liquidez seca igual ou maior que 1,0. Mas da mesma forma que para o índice de liquidez corrente, um valor aceitável depende muito da empresa analisada. Seu resultado orienta a análise, demonstrando, principalmente, a representatividade e a relevância dos estoques na capacidade de pagamento da empresa. De acordo com Gitman (1997. p.110), a fórmula do índice de liquidez seco é expressa por:

ILS = Ativo circulante – estoque

Passivo circulante




  • Capital Circulante Líquido

Gitman (1997, p.109), utiliza-se da seguinte argumentação para definir o índice de liquidez corrente: “Uma medida de liquidez calculada, subtraindo-se o passivo circulante do ativo circulante”.

O índice demonstra a capacidade de liquidação dos compromissos correntes, com a utilização das disponibilidades. Quanto maior a sua magnitude, maior será a capacidade da empresa em saldar seus compromissos, apenas com recursos de caixa. Para Gitman (1997. p.109), a fórmula do Capital Circulante Líquido é expressa por:

Capital Circulante Líquido = Ativo Circulante - Passivo Circulante
INDICE DE ATIVIDADES

Para Gitman (1997, p.111), os “Índices de atividade são índices usados para medir a velocidade, rapidez com que várias contas são transformadas em vendas ou caixa”.

São índices de Atividades, definidos por Gitman (1997, p.112 – 115):


  • Giro dos Estoques

“Geralmente mede a atividade, ou liquidez, dos estoques da empresa”.

GE = Custo de produtos Vendidos

Estoques



  • Período Médio de Cobrança

“O prazo médio necessário para cobrar as duplicatas a receber”.

Período médio de cobrança = duplicatas a receber

Vendas médias por dia


  • Período Médio de pagamento

“O prazo médio necessário para pagamento das duplicatas a pagar”.

Período médio de pagamento = duplicatas a pagar

compras médias por dia


  • Giro do Ativo Permanente

“Mede a eficiência com a qual a empresa tem usado seus ativos permanentes, ou lucrativos, para gerar vendas”.

Giro do Ativo Permanente = vendas

ativo permanente liquido


  • Giro do Ativo Total

“Indica a eficiência com a qual a empresa usa todos os seus ativos para gerar vendas”.

Giro do ativo Total = vendas

ativos totais
INDICE DE ENDIVIDAMENTO

São índices de Endividamento, definidos por Gitman (1997 p.117 – 118):



  • Índice de Endividamento Geral

“Mede a proporção dos ativos totais da empresa financiada pelos credores”.

Índice de endividamento geral = exigível total

ativo total


  • Índice Exigível a Longo Prazo-Patrimônio Líquido

“Mede a relação exigível a longo prazo e patrimônio líquido da empresa”.

Índice exigível a longo prazo-patrimônio líquido = exigível a longo prazo

patrimônio líquido


  • Índice de Cobertura de Juros

“Mede a capacidade da empresa para efetuar pagamento de juros contratuais”.

Índice de cobertura de juros = lucro antes do juros e do imposto de renda

despesa anual em juros
Índice de Lucratividade

São índices de Lucratividade, definidos por Gitman (1997, p.121 – 122),



  • Margem Bruta

“Mede a porcentagem de cada unidade monetária de venda que restou, após a empresa ter pago seus produtos”.

Margem bruta = lucro bruto

vendas


  • Margem Operacional

“Mede a porcentagem de lucro obtido em cada unidade monetária de venda, antes dos juros e do imposto de renda”.

Margem operacional = lucro operacional

vendas


  • Margem Líquida

“Mede a porcentagem de cada unidade monetária de venda que restou, depois da dedução de todas as despesas inclusive o imposto de renda”.

Margem líquida = lucro líquido após o imposto de renda

vendas


  • Taxa de Retorno Sobre o Ativo Total (ROA)

“Mede a eficiência da administração na geração de lucros com seus ativos totais; também chamada de retorno sobre o investimento (ROE)”.

Taxa de retorno sobre o ativo total = Lucro líquido depois do imposto de renda

Ativo total


  • Taxa de Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE)

“Mede o retorno obtido sobre o investimento (ações preferenciais e ordinárias) dos proprietários da empresa”.

Taxa de retorno sobre o patrimônio líquido = Lucro líquido apôs imposto de renda

patrimônio líquido
Vale ressaltar que os índices de lucratividade é a relação entre o capital atual é o capital inicial, a variação obtida é dada através das combinações matemáticas de contas do balanço patrimonial e da DRE.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Com base na fundamentação e abordagem teórica que norteou este trabalho verifica-se que o domínio das ferramentas financeiras na pequena empresa é pilastra fundamental para construir uma gestão eficiente. A realidade das pequenas empresas no Brasil mostra tamanha fragilidade da gestão principalmente quando referimos a área financeira. Ainda que, de maneira incipiente estejam sendo utilizadas, e de não apresentar de forma explícita um modelo adequado para apuração de informações extremamente importantes para tomada de decisão.

Especialistas e estudiosos têm enfatizado o papel relevante que as ferramentas financeiras tem exercido nas empresas para minimizar os riscos da gestão financeira, credenciando a estas maior mobilidade e crescimento com a geração de lucros. As ferramentas ganham destaques na gestão da pequena empresa, o fato ocorre devido à solidez da gestão antes fragilizada pela maneira incipiente de gerir o negócio. No primeiro momento é necessário inserir na gestão da pequena empresa o que pode ser chamado de “kit básico de gestão”. Este por sua vez apresenta ferramentas fundamentais para a gestão do negócio. Ferramentas que talvez já existam no cotidiano da empresa de forma intrínseca, mas que precisam ser formalizadas para a confecção dos resultados real da empresa.

Estabelecido o primeiro estágio com a implantação do kit básico de gestão é possível galgar novos saltos com a implementação das ferramentas financeiras, para isso é necessário inserir ferramentas que possibilite uma gestão intermediaria do negócio. Ao inserir as ferramentas do nível tático a organização consolida uma gestão adequada para o seu negócio. Com as ferramentas deste nível o gestor poderá mensurar claramente custos que talvez antes não visualizava no dia a dia do seu negócio. Permitira conhecer efetivamente seu ciclo operacional e financeiro alem de técnicas importantíssimas para mensurar investimentos.

Finalmente, no nível estratégicos é apresentada ferramenta de nível gerencial que agrega informações para tomada de decisão no nível estratégico da empresa.

Neste nível poderá mensurar o seu negócio em relação ao ramo de atividades em que se encontra vislumbrando seus resultados.

O trabalho ora encerrado, naturalmente não esgota o assunto. Contudo, serviu para o grupo crescer, na medida em que contribuiu para fixação de conceitos adquiridos no decorrer do curso. Vê-se nisto sua total validade.

REFERÊNCIAS
ASSAF NETO, Alexandre; SILVA, César Augusto Tibúrcio. Administração do Capital de Giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, l997.

BRAGA, Roberto. Fundamentos e Técnicas de Administração Financeira – Texto –

8 tiragem – São Paulo. Atlas, 1995.

BRASIL, Haroldo Vinagre; BRASIL, Haroldo Guimarães, Gestão Financeira das empresas: um modelo dinâmico. 4. ed. Rio Janeiro: Qualitymmark, 1999.

DOLABELA, Fernando. O segredo de Luisa. São Paulo: Cultura Editores Associados, 1999.

GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. 7. ed. São Paulo: Harbra, 1997.

LEMES JUNIOR, Antonio Barbosa; RIGO, Cláudio Miessa; CHERDRIN, Ana Paula Mussi Szabo. Administração Financeira: Princípios, Fundamentos e Praticas Brasileiras. Rio de Janeiro: Campus, 2002.

LEONE, George Sebastião Guerra. Custos: planejamento, implantação e controle. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

MATARAZZO, Dante Cármino. Análise financeira de balanços – abordagem Básica e gerencial. 3. ed. São Paulo; Atlas,1998.

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MORAES, Anna Maris Pereira de. Iniciação ao Estudo da Administração. São Paulo: Makron Books, 2000.

ROSS, Stephen A; WESTERFIELD, Randolfph W.; JORDAN, Bradford D. Princípios de Administração Financeira. Tradução Andréa Maria Accioly Fonseca Minardi, revisão Técnica Antonio Zoratto Sanvicente. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

SILVA, J. Pereira da. Análise Financeira das Empresas. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2001.

WESTON, J. Fred; BRIGHAM, Eugene F. Fundamentos da Administração Financeira 10. Ed. São Paulo: Makron, 2000.

HOJI. Masakazu. Administração Financeira. 3. ed. são Paulo: Atlas 2.001

HORNE, James C. Van. Fundamentos de Administração Financeira. 5 ed. São Paulo: Prentice-Hall, 2000.

FIGUEIREDO, Sandra; CAGGIANO, Paulo César. Controladoria: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 1997.

SANVICENTE, Antônio Zoratto e Santos, Celso da Costa. Orçamento na Administração de Empresa; Planejamento e Controle. 2 ed. 12ª Tiragem. São Paulo: Atlas, 2000.



GROPPELLI, A.A; NIKBAKHT, Edson. Administração Financeira. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2.002.


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