A arte reflete a vida



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A arte reflete a vida

A arte é uma constante na vida. Ela faz parte da história de todos nós. Aquele general autoritário, aquele padre severo, aquela mulher bondosa e aquela criança endiabrada são todos artistas em potencial e, na verdade, certamente, em alguma época de suas vidas, todos fizeram ou talvez ainda façam arte.

O general, quando menino, pode ter desenhado um carrinho; o padre talvez tenha feito poesia; a mulher talvez pinte aquarelas, e a criança pode estar fingindo que é um robô num futuro distante.

Todos fizeram ou estão fazendo arte: o general desenha; o padre faz literatura; a mulher faz pintura, e o garoto representa. E tudo isso é arte.

Abaixo, uma definição de arte:

“Arte é todo trabalho criativo, ou seu produto, que se faça consciente ou inconscientemente com intenção estética, isto é, com o fim de alcançar resultados belos.”

No entanto, sabemos que tentar definir esse conjunto complexo do fazer humano, a que chamamos de arte, é extremamente difícil devido à abrangência de fatores que, para essa realização, concorrem e as infinitas variáveis que nela interferem, tanto na sua criação psíquica quanto na sua execução.

Para Kandinsky, “a obra de arte é filha do seu tempo”. Cada época cria uma arte que lhe é propícia, e cada grupo humano o faz à sua maneira, dentro do conhecimento de mundo que esse mesmo grupo venha a ter, bem como de sua capacidade tecnológica, de sua localização geográfica, de seu poder econômico, de seu sistema político, de suas convicções religiosas e das características psicológicas que estruturam tal complexo grupal.

Vamos fazer uma breve interrupção para salientar que, além de todos esses fatores grupais, as características individuais propícias do artista são elementos fundamentais na avaliação da obra artística, mas para que pudéssemos fazer um estudo da individualidade do artista, desta ou daquela obra, necessitaríamos de dados – acontecimentos, história familiar e outros – da vida desse mesmo artista que viveu em épocas remotas da história de nossa civilização, e nada ficou registrado nessa área. Somente com a invenção da escrita, registros mais detalhados e mais específicos vieram a acontecer. A partir daí particularidades significativas sobre os artesãos do mundo antigo puderam ser esclarecidas.

Assim, voltemos à visão de arte ainda no sentido grupal.

A arte, como vimos, está sujeita à época e ao grupo cultural que lhe dá origem, como se pode perceber nas imagens a seguir.

Porém, muito antes das civilizações mesopotâmicas, gregas ou egípcias se estruturarem, o homem já se manifestava artisticamente, num mundo hostil, rodeado de perigos e mistérios; nossos antepassados procuravam entender

aquele universo que os cercava.

As primeiras manifestações artísticas do homem remontam à Era Paleolítica (Paleolítica Superior) e se constituem de imagens desenhadas em paredes de cavernas, com representações de cenas de animais e de caçadas, e de “negativos” de mãos pintadas sobre fundo vermelho ou negro.

O homem aplicava as tintas com as mãos, espátulas, bastonetes ou pincéis rudimentares, quando não empregava a técnica de pistolar, isto é, enchia a boca de tinta e soprava por um canudo ou osso. Numerosas silhuetas de mãos

espalmadas (em negativo) encontradas nas cavernas foram feitas por esse processo.

As tintas das pinturas eram conseguidas com materiais minerais – terra, carvão vegetal, ossos queimados e óxido de ferro – misturados com gordura de animais, argilas coloridas, sangue de animais e excremento de aves.

As cores eram o preto, o ocre e o vermelho.

O pintor dessa época era figurativo, isto é, reproduzia a imagem na sua verdade visual: não a deformava nem a estilizava.

Nas representações de animais, observava-se a “lei da frontalidade”. Vejam alguns exemplos.

O homem pré-histórico, no entanto, não foi apenas pintor, foi também um escultor. Nesse período, fazia incisões nas pedras e esculpia figuras femininas de formas exageradamente volumosas, que estariam ligadas a rituais de fecundação.

O material usado na confecção dessas figuras femininas era o marfim, o osso, as pedras e, talvez, a argila.

O maior legado que deixaram, no entanto, foi o encontrado na pintura, pois, embora os desenhos rupestres representem o mais antigo registro de manifestações artísticas que possuímos, já nos deparamos com obras magistrais. Nelas “nada há de primário ou de arte primitiva. Nessas imagens nada é ingênuo ou infantil”.

Era uma arte de adultos para adultos.

O tamanho dos desenhos é monumental (entre um e cinco metros de comprimento) e, muitas vezes, ao fazerem as imagens, os artistas aproveitavam a curvatura natural da rocha, relevos e saliências, integrando a corporeidade da parede à forma do animal representado.

Ao nos depararmos com milenares cenas de caça desenhadas em “cavernas, grutas e galerias subterrâneas, às vezes em labirintos de grande extensão e ocupando centenas de metros, com subdivisões em câmaras separadas”, numa escuridão em que não penetrava a luz do dia, em lugares perigosos, pois constituíam também o habitat de animais ferozes, nos vêm várias indagações: Por que tudo isso? Qual a razão para tanto empenho? O que se procurava alcançar com todo esse trabalho tão árduo?

Estudos feitos dessa época levam a crer que esses desenhos tinham uma função mágica, sobrenatural. Quando falamos em magia, devemos estar cientes de que, naquela época, magia não era uma mera superstição. Poderíamos mesmo dizer que magia era a “ciência da época”, pois reunia os conhecimentos acessíveis ao homem, o resumo de experiências coletivas e as possíveis interpretações de fenômenos naturais. Ela era o instrumento pelo qual o homem se relacionava, interferia e, até mesmo, dominava esses fenômenos. Por meio das imagens, acreditava-se que o homem-caçador ganhava poder sobre o animal, possuindo-o magicamente. Era o máximo do conhecimento do homem daquela época e auxiliava-o em sua luta pela sobrevivência.

Outro elemento que reforça essa teoria são figuras que apareceram em época um pouco mais recente. São desenhos de homens-feiticeiros inteiramente cobertos de peles, chifres, às vezes feridos por flechas, fechados em cercados ou presos em armadilhas, como se fossem o próprio animal.

Não era exatamente uma figura humana e sim “uma figura fantasiada de animal”. Entretanto, por que aqueles homens que retrataram animais com tanta perfeição não o fizeram com figuras humanas? Poderiam perfeitamente tê-lo feito. Por que não o fizeram?

A mais coerente explicação é a de que o homem-feiticeiro, vestido com as peles de animal, estaria incorporando o poder desse animal. Era, ao mesmo tempo, a incorporação, uma união com as forças do animal e também um domínio, um controle sobre essas mesmas forças.

E a incorporação de um animal assinalava uma outra forma e manifestação artística dessas eras – a representação – que viria a desenvolver-se no teatro.

Assim como não temos registros da música ou da dança, nada temos de como seria um esboço da representação teatral daquela época.

Pesquisas de grupos, de culturas primitivas, ainda existentes em nossos tempos (como na Amazônia, na Austrália, na África), levam-nos a deduzir que, como nessas culturas, o que havia era uma representação de fundo mágico, em que, pela imitação de animais, de atos de caça ou luta, de forças da natureza, iria se estabelecer uma ligação com as misteriosas forças que dominavam o pensamento desses grupos e que dominavam o homem pré-histórico.

Estudando as civilizações antigas, como a egípcia, a grega e, mais precisamente, suas celebrações, vemos rituais que se constituíam de representações de animais e seres ancestrais, de deuses ligados às estações do ano, às épocas de secas e de chuva da noite e do dia e a outros acontecimentos para eles inexplicáveis.

O teatro grego destaca-se como a melhor fonte de estudos para isso. Nele, vemos claramente a transformação dos rituais de celebração ao deus Baco em representações teatrais que, no decorrer do tempo, deixariam sua função sacra para se tornarem profanas.

O homem, em decorrência de um maior crescimento populacional, abandona sua maneira de viver, torna-se mais sedentário, começa a criar animais, desenvolve a agricultura e o artesanato. Suas manifestações artísticas mais marcantes dessa época são: construções palafíticas e monumentos megalíticos.

Construções palafíticas são habitações rústicas de madeira, reunidas em verdadeiras cidades erguidas sobre pilotis, estacas resistentes e profundamente enterradas no fundo de lagos ou às margens de rios. Monumentos megalíticos são enormes construções de pedra, toscamente lavradas, e recebem as denominações de:

• menir – grandes blocos de pedra erguidos verticalmente;

• alinhamento – menires enfileirados regularmente;

• crontiques – menires dispostos em círculos;

• dolmens – formados de duas pedras verticais sustentando uma pedra horizontal.

Os mais famosos desses monumentos são os de Carnac, na França, e Stonehenge, na Inglaterra. Tinham função religiosa ou astrológica, segundo alguns historiadores.

A pintura desse “final” da Pré-História torna-se mais decorativa, e do realismo figurativo tende à simplificação e à geometrização.

A arte aproxima-se de formas mais abstratas, mas isso veremos adiante.

O que devemos dizer, como encerramento dessa

aula, é que, estudando a “infância” do homem por meio de suas manifestações artísticas, podemos constatar o tipo de vida do homem da época pré-histórica, suas crenças, a fauna, a flora e muitos outros fatores pelos quais hoje sabemos

que tais manifestações existiram em nosso passado.

Atividades



01. Colagem coletiva.

Materiais

• Sucata em geral e materiais diversos: papel de vários tipos e tamanhos, cola, tesoura, fita adesiva, algodão, fios e barbantes, tampinhas de garrafa, cortiça, isopor, macarrão, botões e outros.



Instruções

• Apresentar os materiais numa caixa, explicando aos grupos que deverão montar uma paisagem, de forma coletiva.

• Terminada a tarefa, os participantes debaterão a respeito dessa experiência: o que foi fácil, o que foi difícil, que nota dariam à sua “obra de arte” etc. O professor deverá conscientizá-los de que acabaram de fazer um trabalho artístico.

• Os grupos não deverão ter mais do que dez participantes. Se o número de alunos em sala ultrapassar esse número, deve dividi-los em subgrupos. Exemplo: três grupos de dez componentes.



• Duração de 30 a 45 minutos, em média.

02. Atividades para casa.

• Procurar em sua casa elementos relacionados à arte (exemplo: embalagens, fotografias em revistas ou jornais, pedras, ramos de árvores, folhas e outros mais) e apresentar aos colegas na sala de aula seguinte.


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