A assinatura de Jesus Brennan Manning


Capítulo onze Atracando-se com Deus



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Capítulo onze

Atracando-se com Deus


William Reiser escreve:

Muitos pais têm esperado anos para que seus filhos reconheçam que foram amados. Há muitas ocasiões, naturalmente, em que mães e pais vêem sua paciência esgotada por filhos que parecem não lhes dar o devido valor e raramente levam em consideração os sentimentos deles, pais. Porém, de algum modo, os pais não perdem a fé nos filhos, porque crêem que tanto cuidado e amor acabarão um dia dando fruto. Pais vivem na esperança de que um dia o filho perceberá quanto amor tem recebido. Lembro-me de um pai que me confidenciou que daria qualquer coisa que possuía a fim de ver seu filho chegando em casa um dia e atirando-se nos braços não do pai (isso seria esperar demais), mas da mãe e dizendo a ela: "Eu te amo".83


Quando os filhos reconhecem o amor que foi dispensado a eles, os pais reverberam diante desse reconhecimento de serem valorizados com um suspiro inaudível que se equipara aos momentos mais felizes de sua vida e de seu casamento. Será implausível demais imaginar Deus experimentando a mesma coisa? Não esperará ele que seus filhos reconheçam com gratidão o quão profundamente têm sido amados?

Certo dia Yehiel, neto do rabi Barukh, brincava de esconde-esconde com outro menino. Escondeu-se bem e ficou esperando que o companheiro de brincadeira o encontrasse. Após vinte minutos, colocou a cabeça para fora do esconderijo secreto, não viu ninguém e escondeu-se de novo. Depois de esperar muito tempo, saiu do esconderijo, mas não achou sinal do outro menino. Yehiel percebeu então que seu colega não havia, desde o começo, saído a sua procura. Correu chorando até o avô e reclamou do amigo desleal. Lágrimas encheram os olhos do rabi Barukh quando percebeu que Deus diz a mesma coisa: Eu me escondo, mas ninguém me procura.84

Era esse o tom pungente da voz de Deus quando falou pela boca do profeta Oséias:
Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho. Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura. Tíxlavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava. Atraí-as com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer.

Oséias 11:1-4


Nosso Deus permanece um Deus oculto, mas em oração descobrimos possuir o que buscamos. Começamos de onde estamos, aprendemos o que temos e percebemos que já estamos lá. A oração contemplativa consiste meramente em experimentar aquilo que já possuímos. "Não sabeis que sois o santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vás?" (ICo 3:16).

Não apenas um caso de amor, mas um furioso caso de amor.

De que forma nos atracamos com Deus? De que forma vencemos nossa tristeza e isolamento? De que forma desenvolvemos a coragem e a generosidade de acalentar o tesouro da assinatura de Jesus nas páginas de nossa vida? De que forma, de que forma, de que forma? A resposta vem de modo irresistível e inequívoco: oração.

"Buscai primeiro o reino de Deus" (cf. Mt 6:33). Isso requer tomar tempo da família, dos amigos, da carreira, do ministério e até mesmo de "fazer o bem" a fim de adentrar o grandioso silêncio de Deus. Sozinho naquele silêncio, o ruído interior se aquietará e a voz do Amor será ouvida. Sem esse silêncio, nos afogaremos na cacofonia interior de diálogos, encontros, reuniões, discussões e conferências em que há muita falação e pouco escutar.

A maioria dos cristãos que conheço, incluindo a mim mesmo, foi criada dentro de uma espiritualidade devocional que encoraja obras exteriores de piedade, como freqüência à igreja, leitura bíblica, memorização da Escritura, grupos de oração, retiros, leitura espiritual e momentos introspectivos de confissão, adoração, ação de graças, petição e intercessão. Essas devoções destinavam-se a desenvolver e sustentar nosso relacionamento com Deus. Elas conduziriam à metanoia bíblica, a conversão pessoal que precisamos experimentar de modo a nos tornarmos verdadeiros discípulos de Jesus. Mas, como observa Shannon, esta era uma metanóia de comportamento — a renúncia ao modo de vida auto-indulgente de fornicação, irresponsabilidade sexual, disputas e discórdia, ciúme, cobiça, mau humor, contendas, inveja, bebedeira, orgias e coisas semelhantes,85 e o resoluto esforço em adquirir as virtudes e atitudes compatíveis com a mente de Cristo. A espiritualidade devocional levava a um novo modo de fazer, mas não necessariamente de ver. Ela se concentrava mais no comportamento do que na conscientização; mais em fazer a vontade de Deus e desempenhar atos devocionais que o agradam do que em experimentar Deus como Deus verdadeiramente é. "Um modo grosseiro de definir isso seria dizer que gasto tanto tempo fazendo as coisas que agradam a Deus que não me sobra tempo para estar com Deus."86

Embora eu reconheça a importância crítica da espiritualidade de devoções e suas muitas e valiosas contribuições, a espiritualidade contemplativa tende a enfatizar a necessidade de uma mudança de consciência, um novo modo de ver Deus, os outros, o eu e o mundo. Não basta que nos comportemos melhor; devemos chegar a ver a realidade de forma diferente.

Para a maioria de nós, o tempo de oração é curto e prolixo. Fala-se demais e ouve-se de menos — muita cabeça e pouco coração. A oração contemplativa nos conduz em silêncio ao amor que está no centro de nosso ser.
Sabemos com base em nossos relacionamentos humanos quanta fé precisamos ter numa pessoa a fim de permanecermos em silêncio ao lado dela. Sabemos que nossa fé nessa pessoa é aprofundada por esse silêncio. Essa é também a dinâmica de nosso silêncio em oração — perceber o amor de Deus por nós expresso no amor de Jesus, aprofundando nossa fé em seu amor.87
Na jornada da crença para a experiência é preciso mais esforço para ficar quieto do que para correr. A maioria vive um estilo de vida tão frenético que tem medo de quietude, silêncio e solidão. Anos atrás Anne Morrow Lindbergh escreveu:
No que diz respeito à busca por silêncio e reclusão, vivemos numa atmosfera negativa, tão invisível, tão impregnante e enervante quanto a umidade carregada de uma tarde de agosto. Ninguém compreende hoje em dia, homem ou mulher, a necessidade de ficar sozinho. Como ela parece inexplicável! Qualquer coisa será aceita como desculpa. Se alguém reserva algum tempo para uma reunião de negócios, uma passada no cabeleireiro, um compromisso social ou uma ida ao shopping, esse tempo será visto como inviolável. Mas se alguém diz: "Não posso ir porque é minha hora de ficar sozinho", é considerado rude, egocêntrico ou estranho. É comentário revelador de nossa civilização que estar sozinho seja considerado suspeito; quando se tem de pedir desculpas por isso, apresentar justificativas, esconder o fato de que se pratica a solidão — com se fosse um vício secreto.88
Um certo pânico existencial pode tomar conta de nós quando enfrentamos pela primeira vez a quietude, mas. se achamos a coragem de abraçá-la, adentramos a paz que está além de todo entendimento. Por outro lado, se não somos capazes de reconhecer o valor de estar simplesmente sozinho com Deus, na qualidade de amado, sem fazer nada, arrancamos violentamente o coração do cristianismo. As crenças tornam-se mais importantes do que a fé, e até as menores barreiras criam intransponíveis obstáculos entre cristãos.

Um método simples de oração contemplativa (freqüentemente chamado em nossos dias de "oração de achar o centro" e ancorado na tradição cristã ocidental de João Cassiano e nos pais do deserto e não, como pensam alguns, no misticismo oriental ou na filosofia da Nova Era) tem quatro passos:



  1. Reserve alguns minutos para relaxar o corpo e aquietar o espírito. Em seguida, num simples ato de fé, esteja presente diante do Deus que habita o profundo de seu ser.

  2. Escolha uma única palavra ou frase sagrada que capture algo do sabor de seu relacionamento íntimo com Deus. Uma palavra como Jesus, Abba, Paz, Deus ou frase como Abba, pertenço a ti ou Ajuda-me a viver em tua presença etc. Sem mover os lábios, repita a palavra sagrada interiormente, devagar e com freqüência.

  3. Quando as distrações vierem, como inevitavelmente vêm (mesmo nas orações mais avançadas), simplesmente volte a ouvir sua palavra sagrada. Imagine-se sentado em silêncio num bote no centro de um lago tranqüilo. Tudo é quieto e sereno. De repente uma lancha passa rugindo 50 metros a estibordo. As ondas agitam violentamente seu barco. Elas representam as divagações da mente. Mais uma vez volte à sua palavra sagrada.

  4. Depois de um período de vinte minutos de oração, conclua com o pai-nosso, um salmo favorito ou algumas palavras espontâneas de louvor e gratidão.

Os mestres espirituais contemporâneos recomendam dois períodos de vinte minutos ao dia. Os horários ideais são antes do café da manhã e antes do jantar. Devido à unidade psicossomática de corpo, mente e espírito, um sentimento de fome física é de grande auxílio. Ela desperta o anseio da alma por Deus. Como disse certa vez o psiquiatra Psichari: "A melhor preparação para a oração é um punhado de tâmaras e um copo d'água", metáfora para um estômago relativamente vazio.

Não avalie, não meça, nem julgue seus períodos de oração contemplativa. Em nossa sociedade voltada ao desempenho, começaremos provavelmente a orar com uma preocupação superficial por resultados, numa vã tentativa de discernir se nosso investimento de tempo e energia está valendo a pena: ele produziu alguma percepção luminosa ou alguma experiência extraordinária? Esse tipo de materialismo espiritual desaparecerá, o ego será purificado e a falta de naturalidade se dissipará mediante a prática diária da oração.

Somente compareça e fique quieto.

Acima de tudo, em primeiro lugar a oração é um ato de amor. Além de quaisquer considerações pragmáticas, a oração é uma resposta pessoal ao amor de Deus. Amar alguém implica ansiar por sua presença e comunhão. "Porém o que se dizia a seu respeito cada vez mais se divulgava, e grandes multidões afluíam para o ouvirem e serem curadas de suas enfermidades. Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava" (Lc 5:15,16). Jesus orava antes de tudo porque amava seu Pai. Ser como Cristo é ser cristão.



Não importa o quanto sejamos atarefados: arranjamos tempo para as pessoas com as quais nos importamos (nos últimos vinte anos tenho visitado Chicago dezenas de vezes e nunca deixei de passar uma noite com minha querida amiga de 90 anos de idade, Frances Brennan). Como Woody Allen disse certa vez: "Oitenta por cento da vida é comparecer". Por quê? Simplesmente porque comparecer é uma forma de amar. A prontidão de conscientemente perder tempo com um amigo é uma silenciosa afirmação de sua importância em nossa vida. Basil Pennington captura a simplicidade desse gesto:
Um pai se alegra quando seu filho pequenino, deixando de lado os brinquedos e amigos, corre até ele e atira-se em seus braços. Enquanto abraça o pequenino, ele pouco se importa se a criança está olhando ao redor, sua atenção saltando de uma coisa para outra, ou se está apenas se acomodando para dormir. A criança está essencialmente escolhendo estar com seu pai, confiante do amor, do cuidado e da segurança que há naqueles braços. A oração contemplativa é muito semelhante. Nós nos acomodamos nos braços de nosso Pai, em suas mãos amorosas. Nossa mente, nossos pensamentos e nossa imaginação talvez se desviem de um objeto a outro; talvez até caiamos no sono; mas estamos acima de tudo escolhendo permanecer durante esse tempo em intimidade com nosso Pai, dando-nos a ele, recebendo seu amor e cuidado, deixando que ele desfrute de nós como quiser. E uma oração muito simples. E uma oração muito pueril. É a oração que nos abre para todos os deleites do reino.89
Como ao mergulhar numa banheira de água quente, deixo que o amor de Deus penetre, sature e permeie cada parte de meu ser. Uma coisa é saber que ele me ama e outra bem diversa é experimentá-lo na fé. A medida que me aquietar, serei atracado por Deus:
Eu sou seu Deus, você é meu filho. Como você pode chegar a duvidar de que irei abraçá-lo novamente, trazê-lo para junto do peito, beijá-lo e passar as mãos por teu cabelo? Sou um Deus de misericórdia e compaixão, de ternura e cuidado. Quero muito ter você perto de mim. Conheço todos os seus pensamentos. Ouço todas as suas palavras. Vejo todas as suas ações. E amo você. Não julgue a si mesmo. Não condene a si mesmo. Não rejeite a si mesmo. Deixe meu amor tocar os cantos mais escondidos de seu coração e revelar a você sua beleza, uma beleza que você perdeu de vista. Venha, deixe-me secar suas lágrimas, e deixe minha boca aproximar-se de seu ouvido e dizer a você: "Eu te amo, eu te amo, eu te amo".90
2. Responda ao amor de Deus por meio da adoração. Essa é a mais elevada e mais intensa atividade de que qualquer ser humano é capaz. Adorar é entregar-se completamente às mãos amorosas de Deus. Quando Henri Nouwen perguntou a seu guia espiritual: "De que modo posso viver uma vida na qual Jesus seja verdadeiramente o centro?", a resposta veio: "Seja fiel na adoração":
Essa palavra deixa claro para mim que toda minha atenção deve estar em Jesus, não em mim. Adorar é ser arrebatado de minhas preocupações à presença de Deus. Significa abrir mão do que eu quero, desejo ou planejei, e verdadeiramente confiar em Jesus e em seu amor.91
Ele pode fazer comigo o que quiser. Na oração do pai-nosso, quando oro "seja feita a tua vontade", posso dizer essas palavras sem temor ou apreensão porque estou convencido de que meu Abba não representa ameaça para mim, que ele é o curso de minha vida e de minha realização. A oração de adoração pode ser feita com ou sem palavras, em minhas palavras ou nas palavras de outro.

3. Medite sobre uma passagem do evangelho. Meditar é pensar e refletir sobre Deus. Orar é falar com Deus e ouvi-lo. Leia não mais do que cinco ou dez versículos de um dos evangelhos (não é hora de estudo bíblico). Identifique-se com alguma pessoa nessa passagem e levante a questão: O que Jesus está me dizendo neste texto?

Exemplo: leio Mateus 5:1-3: "Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e ele passou a ensiná-los, dizendo: 'Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus'". Identifico-me com um dos discípulos. Jesus olha-me diretamente nos olhos e me diz que sou bem-aventurado se sou humilde de espírito. Essas são as primeiras palavras de Jesus em seu discurso inaugural. Evidentemente são de tremenda importância para ele, e devem, portanto, ser para mim. O que significa "ser humilde de espírito"? Entro em contato com meu passado e começo a meditar.

Viajo de volta pela alameda da memória até o congresso Praise Gathering '91 [Reunião de Louvor] no Centro de Convenções de Indianápolis. Depois que apresentei um sermão de 45 minutos intitulado "A hesitação vitoriosa", a comunidade reunida de onze mil pessoas ergueu-se e explodiu em trovejante aplauso. Meu eu-sombra sedento por honra, reconhecimento, poder, glória e admiração humana experimentou um instante de gratificação. Esse meu falso eu — que se deleita na noção de que minha verdadeira identidade está no sucesso ministerial, no triunfo homilético, nas vitórias na vinha, em resenhas editoriais favoráveis e na admiração dos outros — regozijou-se diante do coro de adulação.

Naquele efêmero momento de euforia, Deus teve pena de seu pobre filho orgulhoso. Foi-me imediatamente concedida uma visão de mim mesmo jazendo num caixão. A casa funerária estava fechada; o lugar, deserto. Meu corpo embalsamado jazia num caixão completamente sozinho. Meu tempo tinha acabado.

A experiência não foi nem macabra nem mórbida; foi, em vez disso, um momento de suprema libertação do falso eu. Minha identidade imaginada foi desmascarada em seu contra-senso. Descobrimos pela força da morte que não há substância por baixo das coisas com as quais nos vestimos. Sou oco, e minha estrutura de prazer e ambição não tem fundamentos. Sou objetificado nelas. Mas elas estão destinadas por sua contingência a serem destruídas. "E, quando não mais existirem, restará apenas minha nudez, vazio e falsidade".92

Bem-aventurados são os humildes de espírito. O homem e a mulher pobres permanecem em contato com a própria pobreza nua e carência transcendental.

Enquanto olhava para meu corpo sem vida, lembrei-me da história de um bispo que jazia em seu leito de morte — trajando todas as vestes paramentais! O aplauso dos onze mil continuava, e comecei a rir — de mim mesmo por trajar minha mitra no congresso Praise Gathering.

Peter van Breemen escreve:
O homem pobre aceita a si mesmo. Ele tem uma auto-imagem na qual a consciência de suas limitações é muito vívida, mas isso não o deprime. Essa consciência da própria insuficiência, à parte de sentimentos de autodepreciação, é típica do humilde de espírito.17
4. Encerre com uma oração de intercessão/petição. Interceder e pedir não é acenar com uma lista de compras de gente necessitada e de projetos. Orar pelos outros é derramar nosso sangue, gastar a nós mesmos sem levar em conta o custo em empatia e compaixão. E também mergulhar na mente de Jesus, unindo-nos nós mesmos à sua oração de intercessão. Experimentamos os inexprimíveis gemidos do Espírito em nosso coração. "E quanto maior é nossa empatia e mais de perto nos identificamos por meio da compaixão com aqueles pelos quais oramos, mais perfeita é nossa comunhão com o misericordioso Deus".93

Nunca deixe um dia passar sem pedir uma fé maior.

Conclua sua oração voltando ao segundo estágio, de adoração, agradecendo a Deus por sua bondade, louvando-o por seu perdão, dizendo a ele que você o ama e que vai tentar servi-lo um dia de cada vez. Mais uma vez, o intervalo de tempo recomendado para esse tipo de oração estruturada é de vinte minutos duas vezes ao dia.

Um simples artifício mnemónico pode ser útil. São os quatro "p". Na medida do possível, escolha o mesmo ponto (lugar) para sua oração, o mesmo período de tempo, a mesma postura (em pé, sentado, ajoelhado ou — como Inácio de Loyola — deitado de costas), selecione uma passagem da Escritura e ore.

Permita-me encerrar este capítulo com as quatro regras cardeais da oração:


  1. A coisa mais importante é: orar se aprende orando. O crucial é estar de fato a caminho, não pensando na viagem nem lendo e conversando sobre ela. "Um passo hesitante mas real é mais valioso do que qualquer número de jornadas realizadas na imaginação".94

  2. Como mencionado anteriormente: ore da maneira que você consegue; não ore do modo que você não consegue.

  3. Não ore apenas quando sentir vontade. Comparecer e ficar quieto é uma disciplina. Cada dia equilibrado nas colunas gêmeas da oração matinal e vespertina é um passo na jornada da crença para a experiência, da teoria para a realidade. Como diz o comercial da Nike: Just do it [Apenas faça].

  4. Quando um homem ou uma mulher têm um desejo intenso de se atracar com Deus, eles se mexem e agem. Respondem e oram.

Sem essa fome, são diletantes jogando jogos espirituais. Se o desejo intenso está ausente, caia de joelhos diante do Deus em que você diz acreditar e implore por essa dádiva. Como observou o falecido rabi Abraham Heschel: "Deus não tem importância alguma até que tenha suprema importância".

A oração contemplativa é um massacre inclemente do egoísmo, do isolamento e da melancolia. Esquecer-se de si mesmo parece tão fácil, mas exige nada menos do que a crucificação do ego. A renúncia da autoconsciência a fim de adquirir a consciência de Cristo vem a um enorme custo — perder a vida a fim de encontrar vida (cf. Mc 8:35). Ela traz consigo, porém, a grande garantia de que a assinatura de Jesus está escrita nas páginas de nossa vida de oração.





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