A assinatura de Jesus Brennan Manning


Uma palavrinha de encerramento



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Uma palavrinha de encerramento


Na última noite de um retiro de oito dias na paisagem nevada da Pensilvânia, tive um sonho tão vívido que me acordou de um sono profundo. Fui até minha escrivaninha capturar no papel as palavras e imagens do sonho. Eis o que escrevi:
Com os olhos da mente vejo um homem entrando numa câmara de gás em San Quentin, uma mulher sendo colocada numa cadeira elétrica numa prisão não identificada. Vejo os fornos de Auschwitz e Dachau e caminhões carregados com pilhas de corpos. Vejo Hiroshima e 95 mil corpos queimados, carbonizados aquém de qualquer reconhecimento, espalhados pelas ruas e barrancos. Vejo o corpo franzinho de John F. Kennedy, vejo o caixão de John Wayne cercado por gente badalada de Hollywood. Vejo fileiras de cruzes do lado de fora da muralha da velha Jerusalém com centenas de corpos presos a elas — ladrões, revolucionários, assassinos. Numa colina vejo mais três cruzes com corpos de mais três homens e eles se assemelham entre si, exceto que o homem do meio parece ter sido brutalizado um pouco mais do que os outros.

Dois dias mais tarde estou na praça principal de uma grande cidade. Um grupo de homens está correndo por ali, gritando a coisa mais absurda — a crucificação do homem do meio não foi apenas uma execução política. Estão dizendo que é o evento mais importante da história. Estão dizendo que o homem é agora o ponto focal da fé e objeto de adoração para homens e mulheres por todos os séculos que virão.

Estou desconsertado. Volto à encosta do monte. Enquanto fico ali olhando para o que é agora uma Cruz vazia um homem desponta, na distância, sobre a linha do horizonte. De algum lugar um coro poderoso está cantando: “Rei dos reis e Senhor dos senhores”. O Homem aproximando-se a passos largos vai tomando foco. Ele está banhado em luz. Como se duas cortinas fossem puxadas para os lados, os céus estão abertos e cheios dos mais belos seres que jamais vi. Eles começam um canto ritmado: “Senhor Jesus Cristo, Deus-herói, Senhor Jesus Cristo, Deus-herói, Deus-herói...”.

O rumor se eleva e enche cada canto do universo. Olho para o Homem. Seu rosto está inflamado como um raio de sol sobre dunas de areia, seus olhos como duas estrelas da manhã.

“A paz esteja com vocês” ele diz. Suas palavras são mais uma ordem do que uma saudação. “Sei tudo a respeito de cada um de vocês. Eu os conheci quando estavam acordado e dormindo, quando estavam em casa ou de férias. Antes que uma palavra chegasse à sua língua eu já a conhecia por inteiro. Observei cada movimento. Com todos os seus hábitos estou familiarizado”.

A chamada começa.

Vejo Sandi Patti dar um passo à frente, seguida por Madonna. Vejo Saddam Hussein e Madre Teresa. Em seguida vêm Adolf Hitler e Mohandas Gandhi. Idi Amin e Billy Graham. A eles seguem-se Martinho Lutero e Frank Sinatra (que não está cantando “We'll do it my way”), o profeta Amós e Hugh Hefner, Jeremias e Johny Carson, Maria e José, George e Barbara Bush, Pedro, Tiago, João e Stalin, Churchill e Roosevelt.

A coisa prossegue sem interrupção. Todas as pessoas famosas e poderosas que viveram e os milhões de anônimos não celebrados... Todos que já viveram. Ouço meu nome: "Brennan". Enquanto dou um passo à frente, ouço como um sino batendo no fundo da alma as palavras do poeta T. S. Elliot: "Ó, minh'alma, esteja preparada para encontrar aquele que sabe fazer as perguntas".

O Homem olha diretamente para mim e em seguida olha através de toda minha fanfarronice e retórica piedosa, através do conteúdo de todos os meus livros e sermões, através de toda minimização e justificação de meu estilo de vida. Pela primeira vez na vida sou visto e conhecido como realmente sou.

Tremendo, pergunto:



  • Qual é meu julgamento, Senhor? Ele me entrega o Livro.

  • A palavra que falei já julgou você.

Uma longa pausa... e ele então sorri. Ando até ele e toco seu rosto. Ele toma minha mão e vamos para casa.

Sorrio, Senhor Jesus, ao colocar no papel estas palavras nesta noite gelada de inverno em Wemersville, Pensilvânia. Glória e louvor a ti.


O conteúdo desse sonho é mais real do que o livro que você está segurando. Num dia determinado e numa hora específica conhecidos apenas pelo Pai (cf. Mt 24:36), Jesus Cristo retornará em glória. Todo homem e mulher que já respiraram serão avaliados, pesados e medidos unicamente em seu relacionamento com o Carpinteiro de Nazaré. Esse é o domínio do verdadeiro Real. Esse sonho não é nem o produto de uma imaginação vívida nem uma comatosa fantasia religiosa evocada a fim de satisfazer uma necessidade emocional. O senhorio escatológico de Jesus Cristo e sua primazia na ordem da criação (cf. Ef 1:9-10) são o próprio coração da proclamação do evangelho. Isso é a realidade.

Se pergunto a mim mesmo: "O que estou fazendo neste planeta? Por que existo?", como discípulo de Jesus devo responder: "Por causa de Cristo". Se são os anjos que fazem a pergunta, a resposta é a mesma: "Existimos por causa de Cristo". Se o universo inteiro de repente ganhasse o dom da articulação, de norte a sul e de leste a oeste ele gritaria em coro: "Existimos por causa de Cristo!". O nome de Jesus brotaria de mares e montanhas e vales; seria tamborilado pela chuva que cai. Seria escrito no céu pelo relâmpago. As tempestades rugiriam o nome "Jesus Cristo, Deus-herói!", e as montanhas o ecoariam. O sol em sua marcha para oeste nos céus entoaria um trovejante hino: "O universo inteiro está cheio de Cristo!".

Esta é a visão da criação do apóstolo Paulo, sua visão cristocêntrica do universo: "Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele" (Cl 1:15-16; grifo do autor).

Se há na vida pessoal ou profissional de um cristão qualquer prioridade maior do que o senhorio de Jesus Cristo, ele ou ela estão desqualificados como testemunhas do evangelho. Desde a gloriosa manhã em que Jesus rompeu as cadeias da morte e na história irrompeu a era messiânica, tem havido uma nova agenda, novas prioridades e uma hierarquia revolucionária de valores.

O Carpinteiro de Nazaré não refinou simplesmente a ética aristotélica; não meramente reordenou a espiritualidade do Antigo Testamento; não apenas renovou a velha criação. Ele deu início a uma revolução. Devemos renunciar a tudo o que possuímos, não apenas à maior parte (cf. Lc 14:33). Devemos abandonar o velho estilo de vida, não apenas corrigir algumas de suas aberrações (cf. Ef 4:22). Devemos ser uma criação inteiramente nova, não uma versão recauchutada da anterior (cf. Gl 6:15). Devemos ser transformados de uma glória para outra, até a própria imagem do transparente Senhor (cf. 2Co 3:18). Nossa mente deve ser renovada por uma revolução espiritual (cf. Ef 4:23).

O pecado primal, naturalmente, é continuar agindo como se ele nunca tivesse acontecido, fundamentando nossa vida em religião pop e no poder do pensamento positivo, em espiritualidades da moda e na luta pelo poder e não no sermão da Montanha e na morte e ressurreição de Jesus Cristo.



Como alternativa radical, este livro é oferecido aos cristãos que querem viver pela fé e não por mera "religião", para os que reconhecem que muitas das inflamadas questões teológicas da igreja de hoje não são nem inflamadas nem teológicas; que não vêem o cristianismo como código moral nem como sistema de crenças, mas como caso de amor; que não esqueceram que são seguidores de um Cristo crucificado; que sabem que segui-lo quer dizer viver perigosamente; que querem viver o evangelho sem concessões; cujo maior desejo é ter sua assinatura escrita nas páginas da própria vida.



1 Ernest KASEMANN, p. 77.

2 Walter BURGHARDT, Still Proclaiming Your Wonders, p. 136.

3 Finding God in All Things. p. 97-98.

4 Seeds of contemplation, p. 62.

5 Alan JONES, Exploring Spiritual Direction, p. 73-74.

6 P 109. Citado em William BARRY, Finding God in All Things, p. 98.

7 Peter van BREEMEN, Called by Nome, p. 8.

8 The Myth of Certainty, p. 134.

9 Eugene KENNEDY, The Choice To Be Human: Jesus Alive in Matthews Gospel, p. 211-212.

10 Peter van BREEMEN, Called by Name, p. 16.

11 That Man is You, p. 114.

12 James MACKEY, Jesus: The Man and the Myth, p. 274-275. Aqui me baseei expressivamente no cuidadoso estudo de Mackey para o tratamento da genealogia de Jesus.

13 P.72-73.

14 James MACKEY, Jesus: The Man and the Myth, p. 278.

15 Walter BRUEGGEMANN, The Prophetic Imagination, p. 112.

16 Albert NOLAN, Jesus Before Christianity, p. 136.

17 Idem.p. 137-

18 Eugene KENNEDY, The Choice to Be Human, p. 213-214.

19 Brennan MANNING, Lion and Lamb: The Relentless Tenderness of Jesus, p. 33-34-

20 "The Hound of Heaven", Representative Poetry Online. 2 The Cost of Discipleship.

21 Citado em The Doubleday Christian Quotation Collection, p. 151.

22 Jesus Means Freedom, p. 176.

23 Letters and Papers from Prison, p. 279.

24 John SHEA, The Challenge of Jesus, p. 178.

25 Jim WALLIS, The Call to Conversion, p. 43.

26 Man of La Mancha (1965), livro por Dale wasserman, música de Mitch Leigh, letra de Joe Darion.

27 Flannery O'Connor: The Complete Stories, p. 131.

28 The Sermons of John Chrysostom, citado por George MONTAGUE em The Living Thought of St. Paul, p. 78.

29 P154.

30 The Power and the Wisdom, p. 188.

31 Here and Now, p. 62.

32 Living the Devout Life, p. 115.

33 Unmasking the Powers, p. 105.

34 John KAVANAUGH, S.J., apresentou uma esplêndida conferência sobre cristianismo radical na Universidade de Fordham em agosto de 1985. Neste capítulo cito sua tese e aplico suas idéias ao tema.

35 The Hidden Ground of Love, p. 112.

36 John L. McKenzie, The Civilization of Christianity, p. 66.

37 "Profiles and Personalities", People, 9/3/1987.

38 The Civilization of Christianity, p. 56.

39 Idem, p. 42

40 John kavanauoh, conferência sobre o cristianismo radical, p. 9.

41 Citado em McKENZIE, The Civilization of Christianity, p. 127.

42 Thomas MERTON, The Hidden Ground of Love, p. 211.

43 John KAVANAUGH, conferência sobre cristianismo radical, p. 12.

44 Parker J. PALMER, The Promise of Paradox, p. 81. 13 The Different Drum, p. 233.

45 Jim WaLLIS, The Call to Conversion, p. 178.

46 Thomas N. HART, To Know and Follow Jesus, p. 33.

47 Thomas R. KELLY, A Testament of Devotion. p. 58.

48 Idem, p. 55-54.

49 Donald GRAY, Jesus, The Way to Freedom, p. 38.

50 Citado em M. Scott PECK, The Different Drum, p. 294.

51 Strob TALBOT, "Ethics in the Corporate World", Time, 25/5/1987

52 Thomas R. KELLY, A Testament of Devotion, p. 114.

53 Storytelling, Imagination and Faith, p. 141

54 John HEAGLE, On the Way, p. 34.

55 P 91.

56 Eugene kennedy, The Choice to Be Human, p. 130.

57 "My favorite things", de A noviça rebelde (1959), música de Richard Rodgers, letra de Oscar Hammerstcin II.

58 Scott PECK, The Different Drum, p. 295.

59 Martin MARTY, Context: A Commentary on The Interaction of Religion and Culture, p.5.

60 Cf. Peter van BREEMEN, Certain as the Dawn.

61 John HEAGLE, On the Way, p. 210.

62 Anthony DeMELLO, The Song of the Bird, p. 130.

63 The Hidden Ground of Love. Carta a Daniel Berrigen, 10/3/1968.

64 Anthony BLOOM e Georges LeFreve, The Courage to Pray, p. 17.

65 Anthony DeMello, The Song of the Bird, p. 134.

66 Alan JONES, Soul making. the desert way of spirituality, p. 177.

67 Idem, p. 178.

68 Hans küno, On Being a Christian, p. 341-342.

69 Walter J. BURGHARDT, Still Proclaiming Your Wonders, p. 140.

70 Peter van BREEMEN, Called by Name, p. 43.

71 Peter van BREEMEN, As Bread That Is Broken, p. 28.

72 Tradução livre: Não consigo odiar a mim mesma.

73 William Shakespeare, As You like It, ato II, cena 1.

74 Walter J. BURGHARDT, Grace em Crutches, p. 104. David H. e. Read diz: "Na minha opinião ninguém em nossos dias pode equiparar-se a Walter Burghardt na exposição do evangelho [...] com clareza, sagacidade e engenhosamente oculta erudição”. Tenho de concordar com essa avaliação.

75 Jaroslav PELIKAN, Jesus Through the Centuries, p. 155.

76 The Different Drum, p. 298.

77 Para um desenvolvimento completo da disciplina do segredo, cf. Geoffrey B. KELLY, Liberating Faith, p. 133s.

78 Larry RASMUSSEN, "Worship in a World Come-of-Age", em A Bonhoeffer Legacy: Essays in Understanding, p. 278.

79 Alan JONES, Exploring Spiritual Direction, p. 115.

80 Tim HANSEL, You Gotta Keep Dancin', p. 48,

81 Myles CONNOLLY, Mr. Blue, p. 91.

82 Alan JONES, Exploring Spiritual Direction, p. 39.

83 Into the Needles Eye, p. 86.

84 David STEINDL-RAST,Gratefulness: The Heart of Prayer, p. 64.

85 Gálatas 5:19-20.

86 William H. SHANNON, Silence on Fire, p.16.

87 MAIN,p.45.

88 Gift from the Sea, p. 24.

89 M. Basil PENNINGTON, Centering Prayer, p. 68-69.

90 Versão abreviada de Henri NOUWEN. The Primacy of the Heart, p. 36-57.

91 Idem, p. 20.

92 Thomas MERTON, New Seeds of Contemplation, p. 35. 17 Peter van BREEMEN, p. 108.

93 Anthony BLOOM, The Courage to Pray, p. 45.

94 MAIN, p 77-78.

* Walter J. BURGHARDT, Still proclaimign wonders, p. 168.



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