A assinatura de Jesus Brennan Manning


Capítulo cinco O discipulado em nossos dias



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Capítulo cinco

O discipulado em nossos dias


Em janeiro de 1987 um carteiro entregou-me um convite do Senado e do Congresso dos Estados Unidos para participar do Café da Manhã Nacional de Oração no Hilton de Washington, com o presidente e a senhora Reagan e outros líderes governamentais. Foi-me pedido que falasse nos dois jantares da noite anterior ao café da manhã, e em dois seminários na manhã seguinte. Minha esposa, Roslyn, leu o convite e observou:

— Brennan, eu o conheci quando você não era ninguém. Simone, de dezoito anos, e Nicole, de dezesseis, estavam saindo

para a escola.


  • Você ainda não é ninguém — Simone disse.

  • Você sempre vai ser ninguém — acrescentou Nicole.

Um starets russo [ancião da Igreja Ortodoxa] certa vez disse: "Se você orar por humildade, tome cuidado. A humildade se aprende com humilhações".

O que me chamou a atenção no convite foi uma citação de Francisco de Assis. Na Carta aos governantes do povo ele escreveu:


Não perca de vista o final da vida. Não esqueça seu propósito e destino como criatura de Deus. O que você é à vista dele é o que você é, e nada mais. Lembre-se de que, quando deixar esta terra, você não poderá levar consigo nada que recebeu — sinais efêmeros de honra, paramentos do poder —, mas apenas o que lhe foi dado; um coração pleno enriquecido por serviço honesto, amor, sacrifício e coragem.
Para Francisco, o discipulado — seguir a Cristo — não era simplesmente a coisa mais importante da vida, era a única. Era literalmente uma questão de vida ou morte: sou o que sou aos olhos de Deus e nada mais. O discipulado exige que coloquemos de lado os acessórios, paremos de fazer jogos de palavras e cheguemos à essência das coisas.

Para o seguidor de Jesus, a essência está em viver pela fé e não pela religião. Viver pela fé consiste em constantemente redefinir e reafirmar nossa identidade com Jesus, medindo-nos com base no padrão que é ele — não medindo a ele com nossos dogmas eclesiásticos e heróis locais. Jesus é a luz do mundo. Em sua luz descobrimos que não é mera retórica o que ele exige, mas renovação pessoal, fidelidade à Palavra e conduta criativa. Como disse Emile Leger quando deixou sua mansão em Montreal para viver numa colônia de leprosos na Africa: "A hora de falar acabou".

A religiosidade não é por si mesma discipulado; de fato, ela pode ser um refúgio seguro do estilo revolucionário proposto por Jesus. Em outubro de 1917, a Revolução Russa foi lançada e à história foi dada uma nova dimensão. "Conta a história que naquele preciso mês a Igreja Ortodoxa Russa estava reunida em concílio. Um apaixonado debate estava em andamento sobre a cor da sobrepeliz a ser utilizada nas funções litúrgicas. Alguns insistiam veementemente que tinha de ser branca. Outros, com igual veemência, que tinha de ser roxa. Nero tocando enquanto Roma se incendiava".46 Enfrentar uma revolução, comenta Anthony DeMello, é infinitamente mais trabalhoso do que organizar uma bela liturgia. Prefiro fazer minhas orações a me envolver nas brigas da vizinhança.

Numa véspera de ano-novo, um "cristão" sincero talvez decida que é hora de viver como discípulo, então ele (ou ela) resolve o seguinte: vou mergulhar na Palavra todos os dias, juntar-me a um grupo de oração, encontrar um guia espiritual, ler mais livros cristãos, ir à igreja com maior freqüência, aumentar minha hora devocional, experimentar-me com jejuns e gritar "Louvado seja Deus!" na hora de acordar e de deitar. Muitos discípulos fazem essas coisas, mas nem por isso seguem a Jesus. Embora indubitavelmente religiosos, eles nunca se submeteram a um estilo de vida assinado.

Qual é a relação entre discipulado e prática religiosa? Esta última sustenta a vida cristã. É impossível manter os valores cristãos em foco se não lemos as Escrituras, oramos e nos apoiamos em outros para sustento e direção. Do contrário, nossa cultura — que se entrega ao apetite, à curiosidade e à distração — e a mídia — que atiça nossa coceira por bens materiais — se provarão fortes demais para nós.
Precisamos de lembretes, símbolos, histórias, exortações, modelos vivos, intervalos para reflexão e celebração. Essas coisas são apoios indispensáveis. O erro está em pensar que elas são a vida cristã. Da mesma forma que a prática da oração por parte de Jesus estava a serviço de um estilo de vida inteiro, um meio em vez de um fim, a nossa também deve estar. Elas são úteis na medida em que a oração, a leitura, os sacramentos e a instrução espiritual sustentam uma vida cristã genuína, quer dizer, posturas, relacionamentos, escolhas e atitudes cristãs. Quando se tomam uma fuga das exigências mais difíceis da vida cristã, são a corrupção do discipulado. A pergunta por ocasião do julgamento final não é: "Quão religiosa era a sua conversa?", nem: "Quanto tempo você gastou em oração?", nem: "Sua fé era ortodoxa em todos os sentidos?", mas: "De que forma você respondeu à necessidade de irmãos e irmãs carentes?". Esta é a única medida confiável do discipulado.47
Enquanto me preparava para escrever este livro, entrei em contato com diversas comunidades cristãs ao redor dos Estados Unidos,

procurando conhecer a compreensão delas a respeito de discipulado. As respostas foram variadas, esclarecedoras e muitas vezes profundas. Combinando as visões delas com as minhas (e consciente de minhas preferências, preconceitos e compreensão parcial da verdade), focalizarei três características da vida e do ensino de Jesus e sua importância imediata para o discipulado em nossos dias.



Jesus vivia para Deus. O tema central da vida pessoal de Jesus de Nazaré era sua intimidade crescente com o Pai, sua confiança nele e o amor por ele. Sua vida interior estava centralizada em Deus. Para ele, o Pai era tudo. A vontade do Pai era o ar que ele respirava. "Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz" (Jo 5:19). A vontade do Pai era um rio de vida, uma corrente sangüínea da qual Jesus extraía vida de forma mais profunda do que de sua mãe. "Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe" (Mt 12:50). Ele vivia seguro na aceitação do Pai. "Como o Pai me amou, também eu vos amei" (Jo 15:9).

Viver para Deus encontra sua principal expressão na oração. O coração do discípulo repousa em comprometimento e adoração, não em reflexão e teoria. O Espírito de Jesus provê uma maneira para que vivamos na superfície e no cerne mais profundo ao mesmo tempo. Na superfície podemos pensar, dialogar, planejar e estar presentes por completo para as exigências da rotina diária. Simultaneamente e no mais profundo interior, podemos estar em oração, em adoração, em ação de graças e atentos ao Espírito. Os lugares secretos do coração tornam-se um santuário de louvor no barulhento playground da praça do mercado. Os mestres da vida interior recomendam a disciplina de "achar o centro" ao longo de todo o dia — um voltar-se sereno e contínuo a Deus enquanto dirigimos, cozinhamos, conversamos, escrevemos e assim por diante. Depois de semanas e meses de prática, depois de recaídas, desencorajamentos e retornos ao centro, essa disciplina torna-se um hábito. Irmão Lawrence chamou-a de "a prática da presença de Deus".

Aqui reside o segredo, creio, da vida interior de Jesus. A comunhão de Cristo com Abba no santuário interior de sua alma transformava sua visão em realidade, capacitando-o a perceber o cuidado e amor de Deus por trás da complexidade da vida. A prática da presença de Deus ajuda-nos a discernir a providência divina em ação, especialmente naquelas horas sombrias em que a assinatura de Jesus

está sendo traçada em nossa carne (você pode querer tentar agora mesmo. Abaixe o livro, encontre o centro e ofereça-se à habitação do Espírito de Deus).

"Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada" (Jo 14:23). Em brados abafados de louvor, os discípulos voltam-se humildemente na direção dessa habitação de Deus ao longo do dia. Estão alertas ao mundo exterior do som, do sentido e do significado — não se trata de uma disciplina de distração. Eles caminham e conversam, trabalham e brincam, riem e choram inteiramente presentes para tarefas e pessoas. Nos bastidores, o ritmo de oração e adoração interior prossegue. Um clamor de ação de graças é sua última palavra antes de caírem no sono e a primeira ao acordarem.

A repetição freqüente do nome "Jesus" ou "Abba" ao longo do dia vai se provar de grande auxílio. Mesmo uma repetição mecânica do nome deverá bastar — ela acaba entrando no subconsciente e, então, ocorre uma transformação de coração.

Os primeiros dias dessa disciplina são incômodos, dolorosos e recompensadores. Incômodos porque requerem vigilância e disciplina. Dolorosos porque lapsos e recaídas são freqüentes (quando deslizamos e esquecemos a presença interior de Deus, não adianta perder tempo em remorsos e autocondenação. Recomeçamos de onde estamos; oferecemos essa adoração incompleta a Jesus Cristo e agradecemos-lhe pela graça de achar o centro mais uma vez). Finalmente, é recompensador porque a vida vivida no santuário interior é a vida abundante que Jesus prometeu.

O filósofo William James disse: "Em algumas pessoas, a religião existe como um hábito superficial; em outras, como uma febre aguda". Jesus não suportou a vergonha da cruz para passar adiante um hábito superficial (se você não tem a febre, caro leitor, uma paixão por Deus e seu Cristo, ponha de lado este livro, caia de joelhos e implore por ela. Volte-se ao Deus em que você diz que acredita e clame pelo seu batismo de fogo).

O místico Meister Eckhart, do século XV, escreveu: "Há um número excessivo de cristãos que seguem o Senhor até a metade do caminho apenas. Abrem mão de bens, amigos e honras, mas têm muito próxima a possibilidade de renegarem a si mesmos". As palavras de Eckhart tocam um ponto essencial e vão direto ao coração deste capítulo sobre discipulado. Não estou falando em nos entregarmos a uma série de atividades espirituais, aumentarmos o tempo de oração formal ou nos envolvermos em mais organizações ligadas à igreja. Não estou falando de jejuns, rituais, devoções, liturgias ou reuniões de oração. Estou falando de uma vida vivida completamente para Deus, a estonteante vida de um discípulo comprometido e disposto a seguir Jesus ao longo da outra metade do caminho. Uma vida entregue sem reservas. Proponho-o em humildade e ousadia. Estou querendo dizer isso literal e completamente. Falando para você e para mim.

Ser como Cristo é ser cristão.

Há um caráter explosivo e revolucionário nessa proposta. Quando um discípulo vive inteiramente para Deus, de mãos dadas com o Jesus para quem Deus é tudo, o poder ilimitado do Espírito Santo é liberado. Deus irrompe, milagres ocorrem, o mundo é renovado e a história muda. Discípulos ao redor do mundo, vivendo na luz que é Cristo, sabem com clareza que o aborto e as armas nucleares são apenas dois lados da mesma moeda explosiva cunhada no inferno; que os cristãos assumem o lado do Príncipe da Paz, recusando-se a prostrar-se diante do altar da segurança nacional; que somos um povo de Deus doador de vida e não negociante de morte; que vivemos sob o signo da cruz e não da bomba. Nos anos que estão por vir nada é mais importante do que ver a raça humana provida de uma comunidade de discípulos autênticos que, como aquele que seguem, vivem inteiramente para Deus.

Jesus nos chama para essa extraordinária vida de discipulado, não como um ideal simpático, mas como um programa de vida sério, concreto e realista para ser vivido aqui e agora por você e por mim.


Isso é algo radicalmente diferente da religião branda e convencional que, com respeitáveis saias presas por dedos sujos, tenta fisgar o mundo para fora do sumidouro do seu próprio egoísmo. Nossas igrejas estão cheias de gente amável e respeitável. "Temos um número muito grande de cristãos dispostos a seguir Jesus na primeira metade do caminho. Muitos tornaram-se tão indiferentes e convencionalmente religiosos quanto os religiosos de dois mil anos atrás, cuja frouxidão, mediocridade e falta de paixão Jesus Cristo e seus discípulos atacaram com todo o entusiasmo de uma nova descoberta e com toda a energia de construtores do reino de Deus na terra.

Uma vida vivida por Deus é notavelmente bem amarrada. Suas alegrias são genuínas, sua paz não é superficial, sua humildade é profunda, seu poder formidável, seu amor abrangente, sua simplicidade como a de uma criança confiante. São a vida e o poder nos quais se moveram profetas e apóstolos. São a vida e o poder de Jesus de Nazaré, que ensinava que, quando o olho é íntegro, o corpo inteiro está cheio de luz.48


São a vida e o poder do apóstolo Paulo, que resolveu não saber nada além de Jesus Cristo e esse crucificado. A vida e o poder de Francisco de Assis, que reviveu o evangelho de maneira mais contundente do que qualquer pessoa desde os tempos apostólicos. A vida e o poder de incontáveis santos desconhecidos ao longo dos séculos. A vida e o poder de muitos leitores deste livro que balançam a cabeça em assentimento à medida que lêem. A vida e o poder que podem irromper em nossa cultura ocidental, renovar o corpo de Cristo e construir novos céus e nova terra.

Aos discípulos que desejam viver integralmente para Deus, recomendo a oração do pai-nosso três vezes ao dia — de manhã, ao meio-dia e à noitinha. Essa recomendação pode parecer por demais simplista a uma geração que demonstra tamanho empenho na oração, estendendo a mão nas trevas na tentativa de agarrar suas beiradas místicas. Até hoje não abandonamos por inteiro nossos esforços para aprimorar o modo que Jesus nos ensinou de orar. Tornamos as orações mais elaboradas, mais longas, algumas vezes mais dramáticas, mas nunca as fizemos tão profundas quanto a Oração do Senhor. Antigamente, as pessoas jejuavam e faziam vigílias na esperança de emboscar o Espírito Santo; hoje, promovemos simpósios, oficinas e seminários de oração na mesma busca. Jamais chegamos ao fim da busca por algo mais do que os elementos básicos de vida que Jesus enfatiza na oração ao Pai.

O judeu devoto ora a Shema três vezes ao dia. Essa oração, encontrada em Deuteronômio 6:4-5, diz: "Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força". Essa oração era um distintivo dos judeus, um sinal de pertencer ao povo escolhido de Deus. Ela os consagrava ao serviço de Javé, e a negligência em orá-la separava-os da aliança. Os judeus gloriavam-se pelo fato de que Deus havia revelado apenas para eles seu nome como Javé.

Os cristãos glorificam-se na verdade de que Jesus revelou apenas a eles o nome de Deus como Abba. O pai-nosso é o Shema cristão. Três vezes ao dia, é uma jubilosa renovação de nosso batismo em Cristo Jesus e nossa iniciação na igreja.

Godfrey Diekmann recomenda que cada vez que formos orar o pai-nosso prestemos atenção especial na petição "perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores". Diekmann afirma: "Os pagãos maravilhavam-se da comunidade primitiva dos cristãos, dizendo: 'Vejam como eles se amam!' Terá sido o pai-nosso, orado de forma deliberada três vezes ao dia estando eles conscientes de sua implicação básica, sido um fator formativo no fato de os primeiros cristãos terem conquistado essa reputação?".

Jesus vivia para os outros. E a segunda grande característica da vida de Jesus. Ele não era apenas chamado de amigo de publicanos e pecadores, mas era de fato. Ele fazia amizade com a ralé, a gentalha de sua cultura. "Um dos mistérios da tradição do evangelho é essa estranha atração de Jesus pelas pessoas sem atração alguma, seu estranho desejo pelos indesejáveis, seu estranho amor pelos não-amáveis. A chave desse mistério é, naturalmente, o Pai. Jesus faz o que vê seu Pai fazendo, ama os que o Pai ama".49

A gentileza de Jesus para com os pecadores fluía de sua habilidade de ler o coração deles e detectar sinceridade e bondade ali. Por trás das poses mais ranzinzas e dos mais desconcertantes mecanismos de defesa dos homens, por trás da arrogância e das máscaras, por trás de seus praguejares e olhares de desprezo, Jesus via criancinhas que não haviam sido amadas o bastante e que tinham deixado de crescer porque alguém deixara de acreditar nelas. Talvez tenham sido essa sensibilidade e compaixão extraordinárias que levaram Jesus (e mais tarde os apóstolos) a falar dos fiéis como "crianças", independentemente de quão altos, ricos, inteligentes e bem-sucedidos fossem.

Quando Jesus amarrou uma toalha ao redor da cintura, encheu de água uma bacia de cobre e lavou os pés dos discípulos (traje e tarefa de escravo), começou a revolução da Quinta-Feira Santa, e uma nova idéia de grandeza no reino de Deus emergia. Jesus é servo, ministrando às necessidades dos outros: "[...] se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13:14-15).

Que chocante reversão das prioridades e valores de nossa cultura! Preferir ser servo a ser o senhor da casa; meramente ridicularizar os deuses de poder, prestigio, honra e reconhecimento; recusar-se a levar a si mesmo a sério; viver sem melancolia uma agenda depressiva – são essas as atitudes e ações que trazem o selo do discipulado autêntico. Na verdade, Jesus disse: bendito é você se ama ser desconhecido e visto como nada. Sem levar nenhum outro fator em conta, preferir o desprezo à honra, o ridículo ao louvor, a humilhação à glória – são essas as fórmulas da grandeza no reino de Deus.

Tão central é o ensino de Jesus do aprendizado humilde e do amor servil como essência do discipulado, que Cristo se torna reconhecível apenas em seus irmãos e irmãs: "Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeste" (Mt 25:40). Nesse contexto, as palavras de Madre Teresa são impressionantes. Na cerimônia de abertura de um abrigo para doentes terminais na cidade de Nova York, ela disse: "Cada vítima de Aids é Jesus em penoso disfarce".

O ministério de serviço de Jesus está enraizado na compaixão pelos perdidos, solitários, quebrantados. Por que razão ele ama os perdedores, os fracassados, os que permanecem à margem da responsabilidade social? Porque o Pai o faz.

Charlie Brown diz: "Eu amo a humanidade. São as pessoas que eu não agüento". Na vida e no ensino de Jesus é a pessoa de carne e osso, não a generalidade, que deve ser tratada com compaixão — a pessoa na minha frente, não a abstração.

Dominique Voillaume influenciou minha vida como poucas pessoas o fizeram. Certa manhã de ano-novo em Saint-Remy, na França, estávamos num grupo de sete, na comunidade dos Irmãozinhos de Jesus, sentados ao redor de uma mesa numa antiga casa de pedra. Vivíamos uma vida contemplativa e sem clausura entre os pobres, tendo os dias devotados ao trabalho manual e as noites envolvidas em silêncio e oração.

A mesa do café da manhã ganhou ânimo quando nossa conversa direcionou-se para nosso ofício diário. Um irmão alemão observou que nosso salário estava abaixo do mínimo (60 centavos por hora). Comentei que nossos empregadores nunca eram vistos na igreja da paróquia no domingo de manhã. Um irmão francês sugeriu que isso demonstrava hipocrisia. Um irmão espanhol disse que eles eram grosseiros e gananciosos. O tom foi se tornando mais cáustico, e as ressalvas mais inclementes. Concluímos que nossos patrões avarentos eram cretinos, mesquinhos e egocêntricos, que dormiam o domingo inteiro e jamais alçavam a mente em ação de graças a Deus.

Dominique estava sentado na ponta da mesa. Ao longo de toda nossa arenga ele não disse uma única palavra. Olhei de relance para a ponta da mesa e vi lágrimas rolando-lhe na face.



  • Qual é o problema, Dominique? — perguntei. Sua voz era quase inaudível. Tudo o que ele disse foi:

  • Ils ne comprennent pas. Eles não entendem!

Quantas vezes desde aquela manhã de ano-novo essa única frase foi capaz de transformar meu ressentimento em compaixão? Quantas vezes tenho relido a história da paixão de Jesus nos evangelhos pelos olhos de Dominique Voillaume, visto Jesus nos espasmos da agonia da morte, espancado e intimidado, flagelado e cuspido, dizendo: "Pai, perdoa-os, Ils ne comprennent pas".

No ano seguinte, Dominique, um sujeito esguio e musculoso de 1,90 metro de altura, sempre usando uma boina azul-marinha, descobriu aos 54 anos que estava morrendo de um câncer incurável.

Com a permissão da comunidade ele se mudou para uma vizinhança pobre de Paris e começou a trabalhar como vigia noturno numa fábrica. Voltando para casa todas as manhãs às 8h, ele ia diretamente para um pequeno parque no lado oposto da rua em que vivia e sentava num banco de madeira. Vadiando pelo parque havia marginais — vagabundos, alcoólatras e fracassados, velhos sujos que olhavam provocativamente as garotas que passavam.

Dominique nunca os criticava, censurava ou repreendia. Ele ria, contava histórias para eles, dividia os doces que trazia, aceitava-os como eram. Por ter vivido havia tanto tempo de seu santuário interior, ele transmitia uma paz, um sereno senso de autodomínio e hospitalidade de coração que levava os jovens céticos e velhos derrotados a gravitar ao redor dele como ovos ao redor do bacon. Seu testemunho simples consistia em aceitar os outros como eram sem fazer perguntas e permitir que eles se sentissem em casa em seu coração. Dominique foi a pessoa menos incriminatória que conheci. Ele amava com o coração de Jesus Cristo.

Certo dia, quando o grupo esfarrapado de rejeitados pediu que ele falasse de si mesmo, Dominique concedeu-lhes uma visão em miniatura de sua vida. Em seguida disse-lhes com serena convicção que Deus os amava terna e teimosamente, que Jesus tinha vindo para rejeitados e párias exatamente como eles. Seu testemunho era convincente porque a Palavra estava encarnada sobre seus ossos. Mais tarde um dos veteranos disse: "As piadas sujas, a linguagem vulgar e a provocação às garotas simplesmente pararam".

Certa manhã, Dominique deixou de aparecer em seu banco no parque. Os homens ficaram preocupados. Poucas horas depois ele foi encontrado morto em sua modesta quitinete. Morreu na obscuridade de um cortiço parisiense.

Dominique Voillaume nunca tentou impressionar ninguém, nunca se perguntou se sua vida era útil ou seu testemunho significativo. Nunca sentiu que tinha de fazer algo grande para Deus. O que ele de fato fez foi manter um diário. Foi encontrado pouco depois de sua morte na mesa-de-cabeceira junto de sua cama. Sua última anotação é uma das coisas mais espantosas que já li:
Tudo o que não é amor de Deus não tem sentido para mim. Posso honestamente dizer que não tenho interesse em coisa alguma que não seja o amor de Deus que está em Cristo Jesus. Se Deus quiser, minha vida será útil pela minha palavra e meu testemunho. Se ele quiser, minha vida dará fruto por meio de minhas orações e sacrifícios. Mas a utilidade de minha vida é preocupação dele, não minha. Seria indecente de minha parte preocupar-me com isso.
Em Dominique Voillaume vi a realidade da vida vivida integralmente para Deus e para os outros. Depois de uma noite inteira de vigília de oração por parte de seus amigos, ele foi enterrado numa caixa de pinho sem nenhum adorno no quintal da casa dos Irmãozinhos, em Saint-Remy. Mais de sete mil pessoas de toda a Europa juntaram-se para presenciar seu funeral.

Qualquer espiritualidade que não conduza de um modo de existência autocentrado a um "outro-centrado" está falida. Para muitos de nós a jornada para longe da preocupação com o eu começa com a auto-aceitação. A fim de viver para os outros, preciso ser capaz de viver comigo mesmo. Anos atrás o psicólogo Carl Jung perguntou:


E se eu descobrisse que o menor dos irmãos de Jesus, aquele gritando de forma mais desesperada por reconciliação, perdão e aceitação, sou eu mesmo? Que eu mesmo careço das esmolas de minha própria bondade, que eu mesmo sou o inimigo que precisa ser amado? O que isso implicaria? Farei por mim mesmo o que faço por outros?
A necessidade de auto-aceitação marcou minha consciência a ferro e fogo no terminal do aeroporto de Kansas City. Eu estava saindo de Clearwater, na Flórida, para Des Moines, Iowa, a fim de liderar um retiro. O mau tempo redirecionou meu vôo para Kansas City, onde tivemos uma parada de meia hora. Eu estava perambulando pelo terminal com meu colarinho clerical quando um homem se aproximou de mim e perguntou se podia se confessar. Sentamos na privacidade relativa da sala Delta Crown, e ele começou. Sua vida havia sido marcada por um pecado grave. No meio da confissão ele começou a chorar. Abraçando-o, vi-me em lágrimas, confortando-o com a alegria no reino diante da volta de um pecador arrependido e lembrando-o de que o Filho Pródigo experimentara uma intimidade com o pai que seu irmão farisaico e sem pecado jamais conhecera.

O rosto do homem transfigurou-se. O amor misericordioso do Deus redentor rompeu a barreira da culpa e autodepreciação. Alcei uma oração de ação de graças pelo perdão insuportável, infinita paciência e terno amor do Senhor. O homem chorava de alegria. Quando nos despedimos, ele brilhava com a radiância de um pecador salvo.

Enquanto ajustava o cinto de segurança no DC-10, ouvi uma voz interior, como um sino batendo no fundo da alma: Brennan, você faria por você mesmo o que acaba de fazer por seu irmão? Você perdoaria, aceitaria e amaria você mesmo de forma tão sequiosa e entusiástica? Então me traspassaram o coração as palavras que eu ouvira de Francis MacNutt numa reunião em Atlantic City, Nova Jersey: "Se o Senhor Jesus Cristo lavou você no próprio sangue e perdoou-o de todos os pecados, como você ousa recusar-se a perdoar a si mesmo?".

Autodepreciação é um luxo ao qual nenhum discípulo pode se dar. A autodepreciação sutilmente recoloca a mim mesmo como centro de meu foco e preocupação. Biblicamente falando, é idolatria. A gentileza para comigo mesmo projeta-se em gentileza para com os outros. É também precondição para aproximar-me de Deus em oração. Não é de admirar que o falecido Paul Tillich tenha definido a fé como "a coragem de aceitar a aceitação".

Uma vida de amor despretensioso pelos outros fluindo de uma vida vivida para Deus é a imitação de Cristo e o único discipulado autêntico. Uma vida de serviço por meio de obras de misericórdia não glamorosas e não divulgadas é uma vida marcada pela assinatura de Jesus.

Em The Scent of Love [O aroma do amor], Keith Miller escreve que a igreja primitiva cresceu "não por causa dos [dons espirituais] dos cristãos — tais como os dons de falar em línguas — e não porque o cristianismo era uma doutrina particularmente plausível (ao contrário, é praticamente a doutrina mais impalatável que existe), mas porque eles haviam descoberto o segredo da comunidade":

Em geral eles não tinham de levantar um dedo para evangelizar. Alguém que caminhasse por uma viela em Corinto ou Éfeso veria um grupo de pessoas sentado conversando sobre coisas estranhas — algo sobre um homem, um madeiro, uma execução e uma tumba vazia. O assunto sobre o qual eles conversavam não fazia sentido para o observador. Mas havia algo no modo de eles falarem entre si, sobre o modo de olharem uns para os outros, de rirem juntos, de se tocarem uns aos outros que era estranhamente atraente. Emanava um aroma de amor. Mal o observador começava a se afastar pela viela, logo era atraído de volta para esse grupinho como uma abelha para uma flor. Ele ouvia mais e mais, ainda não compreendendo, e começava a afastar-se novamente. Porém era mais uma vez puxado de volta, pensando: "Não tenho a mínima idéia do que essa gente está falando, mas, não importa o que seja, quero fazer parte disso.50
A terceira característica do ensino e da vida de Jesus crucial para o discipulado no mundo de hoje é a simplicidade de vida. Quando Jesus nos diz para não acumularmos tesouros para nós mesmos na terra, é porque ele sabe que onde está nosso tesouro aí está nosso coração. E o coração de um discípulo pertence somente a Deus. Um cristão não admite dependência a nada mais. Seu único mestre é o Senhor Jesus Cristo.

A vida secular está preocupada em escapar freneticamente do medo da morte — por meio de novidade, variedade, beleza física e bens materiais. John Silber, presidente da Universidade de Boston, investe contra o hedonismo egocêntrico de nossa cultura: "O evangelho pregado em todos os programas de televisão é: 'Só se vive uma vez, por isso arranque da vida toda gratificação que puder'. É um enunciado teológico; é um enunciado sobre cerveja. É cerveja de má qualidade e teologia ainda pior".51

São bem conhecidos o ensino de Jesus a respeito de uma vida frugal e sua prescrição de viajar levando pouca bagagem: "Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão" (Mt 10:9-10). "Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir" (Lc 12:22). No mesmo capítulo, Jesus pinta o retrato de um homem ocupado em construir armazéns maiores e chama-o de imbecil. Todos esses ditos são advertências, amoroso encorajamento de Jesus para que não nos permitamos ser distraídos, tocaiados e emboscados por coisas que a traça e a ferrugem consomem e não têm valor duradouro. A simplicidade de vida de um cristão é formidável prova de que ele encontrou o que busca, que tropeçou no tesouro escondido no campo.

Essa é uma dimensão da simplicidade que Jesus propõe ousada e freqüentemente a candidatos a discípulos. Outra dimensão é o contraste com a complexidade. Um slogan favorito dos Alcoólicos Anônimos é a abreviatura KISS, Keep It Simpk, Stupid ["Não complica, imbecil"], querendo dizer que não se deve complicar esse programa simples porém exigente de sobriedade.

Nossa vida na aldeia global tornou-se excessivamente complexa e abarrotada. Novas obrigações nascem de um dia para o outro, como o pé de feijão do Joãozinho. Nossos dias tornaram-se uma incessante sucessão de compromissos, reuniões, obrigações e responsabilidades. Somos ocupados demais para cheirar flores, passar tempo com nosso cônjuge, fazer amizade com nossos filhos, cultivar verdadeiros amigos ou ser amigos dos que não têm amigos. A escola de nossos filhos exige nosso tempo. Os problemas cívicos da nossa comunidade requerem nossa atenção. Nosso status profissional, nosso tempo de lazer, nossa filiação a diversas organizações reivindicam seus direitas. Corremos nas quatro direções ao mesmo tempo, como o cavalo de Lancelot.

Fatigados e sem fôlego, sentimos a vida escorrer entre os dedos. Mudamos nosso guarda-roupa, vestimos a fantasia para a performance seguinte e lamentamos ter experimentado tão pouco da paz e da alegria que Jesus prometeu. Onde estão a oração, o silêncio, a solidão e a simples presença da habitação de Deus? Certo, vou dar um jeito nisso, mas não hoje. Essa semana está cheia demais.

A falácia aqui está em culpar a complexidade de nosso ambiente pela complexidade da vida. Quantas pessoas já me disseram que adorariam viver em alguma ilha remota dos mares do sul ou voltar aos bons e velhos dias de carruagem quando o domingo era ocupado visitando-se o vovô e a vovó na fazenda? Não funciona porque levamos conosco a esses lugares nosso eu febril e desintegrado. A simplicidade de vida não depende da simplicidade do ambiente.

O verdadeiro problema está no interior. As distrações externas refletem uma ausência de integração interior. "Estamos tentando ser diversos eus ao mesmo tempo. Há o eu cívico, o eu parental, o eu financeiro, o eu espiritual, o eu social, o eu profissional. E ainda assim permanecemos inquietos, tensos e com medo de ser superficiais".52 Ao dirigir pela estrada ou sentados em frente à TV, chega até nós um chamado sussurrado à abundância de vida que temos negligenciado. Venha até a água e sacie sua sede. É uma indicação de que existe um modo de vida mais satisfatório do que nosso passo apressado. Todos conhecemos pessoas que parecem ter dominado as pressões e o estresse da vida, que não se sentem culpadas de dizer não — na verdade dizem-no com a mesma confiança com que dizem sim. Não se trata de místicos deslumbrados, mas de pessoas ocupadas carregando a mesma carga integral que carregamos, mas sem pressa, sem preocupação, com um brilho nos olhos e uma leveza nos pés. Enquanto somos tensos e rígidos, elas são equilibradas e em paz.

Se seguir a Jesus tem algo a nos dizer no mundo real em que vivemos, esse algo nos fala aqui e agora. Nossa vida em Cristo é para ser vivida a partir do Centro. Alojado dentro de nós está o poder de viver uma vida de paz, integração e confiança. O único requisito para acioná-lo é a intensidade do desejo. Se você realmente quer viver a partir do Centro, você viverá. Todos já ouvimos o sussurrar gentil do Espírito em nossa vida. Algumas vezes seguimos o sussurro, e o resultado foi um notável equilíbrio de vida, alegria, energia e clareza mental. Nossa vida exterior tornou-se simplificada com base na integração interior.

Dominique Voillaume cedeu ao Centro e sua vida tornou-se simples. Tinha uma singeleza de visão: "Tudo o que não é amor de Deus não tem significado para mim". Muito de nossa atividade parece importante para nós. O noticiário das seis é sagrado. Uma hora na mesa da vaidade é como uma audiência com o papa. Não temos como dizer não, porque esses eventos parecem indispensáveis. Mas, se "acharmos o centro" e levarmos nossa agenda diária para os lugares silenciosos do coração com honestidade, franqueza e disposição, muito de nossa atividade perderá importância e inviolabilidade.

Deixe-me falar por um momento e de forma íntima sobre Jesus, cujo amor é mais precioso do que a própria vida. Você realmente quer viver sua vida na presença dele? Você anseia por ele?

Suponhamos que tivesse sido ordenado que seu destino eterno dependesse de seu relacionamento pessoal com um líder espiritual que você conhece. Você não encontraria um pouco mais de tempo para passar com essa pessoa além do que passa hoje em dia? Você não se esforçaria para mostrar-se digno de sua amizade? Não tentaria assiduamente eliminar de sua vida todos os traços de personalidade que o desagradam? Quando deveres e obrigações o chamassem para longe da presença dele, você não se sentiria ansioso para voltar até ele "como a corça anseia pelas águas"?

E se essa pessoa lhe confidenciasse que escreveu um diário pessoal com os sussurros mais profundos de sua vida interior, você não ansiaria não apenas por ler, mas por embeber-se nele, de forma a conhecê-lo e amá-lo mais?

Há certas questões que todo cristão deve responder com plena sinceridade. Você tem fome de Jesus Cristo? Você anseia por gastar mais tempo com ele em oração? Ele é a pessoa mais importante de sua vida? Ele preenche sua alma como uma canção de júbilo? Ele está em seus lábios como brado de louvor? Você se entrega ansiosamente a sua biografia, seu Testamento, a fim de aprender mais dele? Você está se esforçando para morrer diariamente para qualquer coisa que inibe, ameaça ou diminui sua amizade?

Para discernir quem você realmente é com o Senhor, procure lembrar o que o entristeceu na semana que passou. Foi por acaso a percepção de que você não ama Jesus o bastante? Que você deixou passar a oportunidade de demonstrar compaixão por outra pessoa? Ou você ficou deprimido por falta de reconhecimento, pela censura de uma autoridade, por dinheiro, pela falta de amigos, por temores a respeito do futuro, pelos quilos que se acumulam ao redor da cintura?

Do mesmo modo, o que lhe trouxe alegria na semana que passou? A alegria de orar lentamente: "Abba, Pai"? A tarde em que você escapou por uma hora tendo as Escrituras por única companhia? Uma pequena vitória sobre o egoísmo? Ou foram as fontes de sua felicidade um carro ou um terno novo, um cinema e uma pizza, uma viagem a Paris? Você tem adorado ídolos?

Quando os discípulos se entregarem ao mistério do fogo do Espírito que queima no interior, quando nos submetermos à verdade de que alcançamos a vida apenas por meio da morte; quando reconhecermos que o grão de trigo deve desaparecer no solo, que Jonas deve ser enterrado no ventre da baleia, que o vaso de alabastro do eu deve ser quebrado para que os outros percebam a doce fragrância de Cristo; quando respondermos ao chamado de Jesus, que não é: "Vinde à reunião de oração", mas: "Vinde a mim", então o poder ilimitado do Espírito Santo será liberado com força atordoante. A disciplina da vontade secreta será um persuasivo sinal para a igreja e para a cultura. O termo renovação carismática cairá em desuso. O corpo de Cristo estará mergulhado numa revolução.

Claramente, o discipulado é uma forma revolucionária de viver. Uma vida vivida em simplicidade para Deus e para os outros é o que Paulo tinha em mente quando escreveu em Efésios 4:23-24: "E vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade".

Pessoalmente, encontro grande incentivo nas histórias de vida dos primeiros discípulos. A reação deles era imperfeita por medo e hesitação. O que eles tinham em comum era uma obtusidade, uma embaraçosa incapacidade de compreender o que Jesus representava. O histórico deles não era bom: reclamavam, entendiam errado, disputavam entre si, hesitavam, desertavam, negavam. Mas a reação de Cristo a esse discipulado incompleto e inconsistente foi de amor sem fim.

A boa-nova para nós é que Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre.





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