A bela adormecida



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13ª Mostra da Produção Universitária

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Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014.


A REPRESENTAÇÃO DA FIGURA FEMININA NO CONTO DE FADAS “A BELA ADORMECIDA”

COSME, Ana Luisa Feijó (autor)

MARTINS, Cláudia Mentz (orientador)

anafeijocosm@gmail.com
Evento: Encontro de Pós-Graduação

Área do conhecimento: Linguística , Letras e Artes
Palavras-chave: Literatura Infantil; Contos de Fadas; Feminino.
1 INTRODUÇÃO
Na literatura é possível unir imaginação com realidade, e, através da ficção, podemos retratar o real de diferentes formas e modos, o que possibilita que se alcance um diálogo com o leitor. Tais aspectos agregados à criatividade mostram-se ainda mais importantes na literatura infantil e juvenil pelo fato de possibilitarem um contato com a psique do sujeito.

Deste modo, o presente trabalho pretende apresentar uma análise das personagens femininas do conto de fadas “A Bela Adormecida”. Para a efetivação do trabalho, serão abordadas duas versões do conto: “A Bela Adormecida no Bosque”, de Charles Perrault e “A Bela Adormecida” dos irmãos Grimm.


2 REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico utilizado para a análise das atitudes das personagens femininas dos contos de fadas em questão centra-se nas obras A psicanálise dos contos de fadas de Bruno Bettelheim e no volume II de História da vida privada organizado por Georges Duby.

Bruno Bettelheim aborda os principais aspectos psicológicos presentes nos contos de fadas, além de problematizar a importância da experiência da leitura dessas histórias para o desenvolvimento psíquico das crianças, pois, segundo ele, apenas através do contato com tais narrativas a criança consegue, através dos símbolos contidos nas mesmas, se identificar e se desenvolver psicologicamente.

História da vida privada apresenta um panorama geral da visão social do comportamento feminino, possibilitando assim elaborar um padrão dos hábitos e atitudes das mulheres das épocas que circundam os contos citados, a saber os séculos XVI/XVII e o século XIX.

3 MATERIAIS E MÉTODOS (ou PROCEDIMENTO METODOLÓGICO)
Os materiais utilizados para a construção do presente trabalho foram os contos “A Bela Adormecida no Bosque” de Perrault e “A Bela Adormecida” dos Irmãos Grimm. Além desses dois contos que compõem o corpus do trabalho, a análise realizada baseou-se na leitura do livro de Bruno Bettelheim, A psicanálise dos contos de fadas, e História da vida privada, organizado por Georges Duby.
4 RESULTADOS e DISCUSSÃO

Nos dois contos em questão fica claro o comportamento submisso da protagonista. De acordo com Bettelheim, os cem anos que Bela Adormecida passa dormindo representam o período de latência, que corresponde ao crescimento e preparação para a vida adulta. O sono é o que separa a criança da mulher, que já ela acorda preparada para a união sexual. É como se a mulher devesse aprender a ser submissa para estra pronta para o casamento.

Na versão de Perrault, a personagem antagonista presente na segunda parte da história demonstra como a sociedade via a atitude feminina que não estava de encontro com os padrões da época, sendo por isso necessária a punição da personagem no final da história. Na versão dos Irmãos Grimm, não temos a presença da personagem antagonista citada, mas podemos ver, na fada que lança a maldição à criança, a visão negativa da mulher que procura vingança.

Já a personagem protagonista representa o perfil feminino ideal da época, uma vez que é submissa tanto à promessa de que se casaria com o príncipe que a salvasse como também ao marido, principalmente na primeira versão, quando o mesmo esconde seu casamento da família. A história cristaliza a ideia da mulher ‘fraca’, que precisa de um homem para protegê-la

Essas histórias refletem as características da sociedade patriarcal da Europa da época. As mulheres que não obedeciam os preceitos previamente estabelecidos eram transformadas em bruxas más, em mulheres estéreis (solteiras), velhas e feias.



5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Concluímos que através do conto “A Bela Adormecida”, o comportamento feminino esperado pela sociedade é o representado pela imagem da protagonista pois é ela quem é premiada com a felicidade. Essas histórias contadas desde cedo às crianças penetram-lhe no inconsciente e fazem com que aprendam como devem (ou deveriam) agir e, em relação às mulheres, como a submissão é importante para o alcance de uma vida feliz.


REFERÊNCIAS
BETTELHEIM, Bruno. A Psicanálise dos Contos de Fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.

DUBY, Georges (org). História da vida privada, v.II : da Europa feudal à Renascença. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

GRIMM, Jacob; GRIMM, Wilhelm. A Bela Adormecida. São Paulo, Ática, 2000.

PERRAULT, Charles. A Bela Adormecida no Bosque. Porto Alegre: Kuarup, 1993.





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