A bela e a Fera da aquisição da linguagem



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Encontro29.07.2016
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ATIVIDADE – AGENDA 4


  1. A partir da leitura do texto “A Bela e a Fera da aquisição da linguagem”, de Maria Cecília Perroni, e com base em sua experiência como professora dos Anos Iniciais, apresente dois dados de fala de crianças que mostrem a importância das narrativas na aquisição da linguagem. Analise os dados de forma a definir os tipos de narrativas ali presentes e explique porque os considera representativos.

Diante dos estudos sobre a aquisição da linguagem tenho percebido a importância do papel do outro na relação que se estabelece, entre o sujeito e a linguagem. Dessa forma as falas das crianças passaram a ser observadas com mais detalhes. Porém esse movimento de observação e registro, confesso ainda é pequeno diante das inúmeras informações que são possíveis extraírem deles. No entanto essa semana registrei falas, na qual entendia que tivessem marcas de narrativas.

Assim, a fala do aluno C ocorreu diante de um campo de futebol da comunidade que se localiza ao lado do Cemei que trabalho. O campo tem uma casa/vestiário para os atletas que freqüentam o local. O aluno C, estava olhando para o campo de futebol e eu interferi perguntando se ele sabia quem morava lá. Ele falou que, era o lobo, então eu o questionei novamente, perguntando se o lobo não morava na floresta, ele falou com uma entonação exclamativa: “A Chapeuzinho !! comeu o lobo! e a policia matou o lobo”, e cantando continuou a narrar “eu sou lobo mau, mau, mau” A seguir um colega A interferiu e falou que aquela casa era do cavalo, e logo foi mudado o rumo da conversa, pois o transporte escolar havia chegado.

O dado apresentado traz informações de que a narrativa está presente no processo de aquisição de linguagem desse aluno de três anos, isso porque se observa uma estrutura própria da narrativa, através da estória. O aluno C utilizou de parte do conteúdo da história cantada “eu sou o lobo mau, mau, mau”, que segundo Perroni é uma “Técnica narrativa primitiva” em que a criança cola parte da história em seu discurso, a importância da estória é demonstrada através da macroestrutura narrativa. Percebi também que quando o aluno C fala que chapeuzinho comeu o lobo e a policia matou o lobo, ela está se apropriando de esquemas pré existentes, significado através de palavras marcantes na estória, como: comeu e matou e que são adquiridos segundo Nelson e Grundel e Mandler através da experiência de ouvir estórias. Dessa forma segundo Perroni, as narrativas se constroem principalmente pela “alternância entre dois equilíbrios”, o equilíbrio é aquilo que é esperado através da entonação e a narrativa absolutamente comum e o desequilíbrio, quando o lúdico comparece perturbando o sentido do seu discurso, esse desequilíbrio é verificado através da fala do aluno C, quando ele de forma lúdica coloca que “a chapeuzinho comeu o lobo e a polícia matou o lobo”.

Tive a oportunidade de colher outro dado que também mostra a importância da narrativa no período de aquisição da linguagem. No refeitório durante o café da manhã, o aluno B que tem 3 anos e 5 mês me falou que o pai havia falado, que quando ele ficar “grande” ele será “poliça”, tal relato não apresentou nenhuma contextualização, pois não estávamos falando desse assunto, nem foi escutado qualquer tipo de sirene que pudesse remeter a questão. A motivação para tal relato para mim ficou incompreendida, mas como há referências internas e externas, talvez essa criança tenha obtido alguma referência interna que não compreendi no momento. Porém entendi que a fala da criança trouxe um aspecto isolado da situação por ele vivenciado, B trouxe uma parte do evento, tal relato referenciou a uma experiência pessoal que o narrador (criança, representado pelo aluno B) compartilhou com o pai em sua casa.

Entretanto uma colega que estava ao seu lado interferiu e falou para mim que a “poliça” levou a sua mãe, pai e o irmão, a questionei com uma entonação de dúvida, perguntando se policia também a levou, e ela falou que não. A aluna W que tem 3 anos e 6 meses, utilizou da fala do aluno B para se motivar, criou uma realidade fictícia através da narrativa, assim entendo que ocorreu uma narrativa baseada em caso, pois como no texto de Perroni há uma suspensão do compromisso do que realmente ocorreu. Entendo que a aluna utilizou de uma mentira verossímil, pois o fato esta ligado a eventos/ações que estão associados ao sistema de referência do adulto, no caso eu sabia que era mentira porque conheço a história da criança e também havia conversado com a mãe e o pai no inicio do período escolar.

Portanto o papel do adulto em aceitar os mecanismos de narrar das crianças, faz com que sejam propiciados elementos da estrutura que vão contemplar futuramente suas narrativas


  1. Ainda com base na leitura do texto de Perroni, analise, nos dados apresentados por você, o papel do adulto na interação com a criança.

Os dados apresentados na questão um, foram colhidos durante as atividades diárias realizadas pelos alunos do agrupamento II do Cemei que trabalho. O papel do adulto na interação com a criança nos casos apresentados foi muito importante, isso porque no discurso que contemplava a narrativa/estória, acredito que a criança passou a utilizar elementos de uma estória que é contada em sala, no caso a do chapeuzinho vermelho. Ao questionar a criança com a intenção de elucidar o fato, acredito ter propiciado que esse discurso tenha sido preenchido com itens relacionados ao papel ordenatório do adulto para contemplar a estrutura narrativa, ou seja, como citado no texto para responder a localização espacial, introdução de personagens e a introdução da ação propriamente dita. Sendo assim, ao refletir sobre o conteúdo contemplado no texto de Perroni, o papel do adulto é de fornecedor de elementos da estrutura narrativa à criança.



Quanto ao segundo dado apresentado que se refere a um relato e em seguida a um caso, o texto traz a importância de estimular a liberdade de criação da criança, compreendi que a minha posição de interlocutor, trouxe uma fala de questionamento sobre a veracidade dos dados apresentados pela aluna, trazendo como resultado um rompimento da fala e o fim de seu discurso. Acredito que ao invés de demonstrar dúvida sobre a sua fala eu deveria ter estimulado a sua liberdade de criação, trabalhando realmente como um interlocutor num processo de interação. Portanto o professor pode se tornar de Bela para Fera como no referido texto de Perroni, por trazer a ambiguidade em seu papel, pois, em um momento estimula as criações e em outras tem uma postura de rejeição.


2010



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