A caminho do céu osvaldo polidoro (reencarnação de Allan Kardec)



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PREPARANDO UMA SORTIDA


Estareis fartos de instruções como estas, graças ao que outros já fizeram, de ordem superior, isto é, por mandato da Diretoria Planetária, segundo os canais competentes; mas, minha vida é muito para o meu universo pessoal. E quero fazer de mim aquilo que posso. Ofereceram-me oportunidade? Eu a aproveitarei.

Recebi, e Fábio também recebeu, uma cartilha. Um livrinho que versa sobre tudo um pouco, contendo ilustrações sobre a Terra e seus planos etéreos, a começar do seu centro. É fácil de ser lido, e também entendido, de modo geral. É o diagrama da Terra total.

Com a leitura desse livrinho, os pensamentos sublimaram e a restauração da saúde se processou rapidamente. Também com relação à família a coisa mudou, pois o livrinho ensina a usar o pensamento, como dínamo transmissor de ondas. Basta se pense com inteligência e amor, pois o mais é enviar mensagens, mentalizando a pessoa ou ambiente em geral. Também para a captação ou absorção dos elementos cósmicos, dos fluidos superiores, deve-se proceder do mesmo modo, ensina o livrinho. O pensar é o poder de reunir o fluxo e o refluxo, num só propósito, que relativamente ao espírito, ou para tudo o mais que entre na composição da vida, de ordem moral, mental, intelectual ou material. O ser é um centro dinâmico e o cérebro é sua estação para captar e transmitir. Como se pode saber e sentir, do melhor ao pior, assim se pode servir ou prejudicar. Apenas, ensina o livrinho, é lei da vida, antes de arruinar a outrem, quem mal sabe e mal age, a si mesmo em primeiro lugar se prejudica, revestindo-se de aura e elementos perniciosos. É certo, pois, que pelo pensar cada qual se coroa de modo próprio. E sabe-se que uma coroa infecta não será destruída assim à toa. Perdão não existe; o que por obra se fez, por obra se terá que desfazer. O resto é falso. E não se diga que a dor seja um ramalhete de flores, por isso pode ser dito por quem esteja em paz, em gozo, para efeito de retórica ou ênfase literária. A realidade é que a dor é um monstro que se levanta do crime, do erro, da corrupção, havendo só uma arma para vencê-la — o uso do bom senso! O bom senso é conhecimento e amor. Flor, ou ramalhete delas, só a paz e o gozo o podem ser; o mais é falso, a prática ensina-o muito bem. De resto, faça cada qual a sua análise, quando esteja nos abismos infernais, ou com a tremenda dor, de ordem seja qual for. Isso digo do mais profundo de mim mesmo, com a sinceridade máxima, por querer a paz e detestar a tormenta, seja de que aspecto for.

A dor, como fenômeno mecânico deve ser estudada e eliminada, pela base. Nunca poderia ser mais que conseqüência de maus feitos, de desequilíbrio. Logo, nunca será flor e nem brinde do céu. É apenas o testemunho da falta. Cumpre, pelo sintoma, ir à causa e repará-la. O bonito está no agir com inteligência, com esmero, no sentido de liquidá-la o mais pronto. Tecer-lhe elogios, levantar-lhe pedestal, cantar-lhe odes, isso nunca farei. Revivi tristes e dolorosos cometimentos, sofri os tremendos horrores. Singrei o chão lamacento e esfacelei as carnes nos pedregais infindos. Quero que aqueles de meus irmãos, que me vierem a ler, pensem da dor o que eu penso — que é um monstro que precisamos eliminar, o mais ligeiro possível, usando de todos os recursos da razão e do caráter em geral. Deus não nos quer sofrendo.

Para a glória é que somos voltados, não para o pranto e ranger de dentes. E não se diga que à dor cumpre encaminhar ao bem; vi legiões de tremendos e horripilantes seres, que, afogando-se nos limbais e pútridos abismos, nem assim ostentavam outra atitude em face da Justiça Suprema, que não fosse de ódio e rebeldia.

Antes da dor, que é famigerada filha da mazela, a quem devemos apelar são às ações nobilitantes, inteligentes, produtos das divinais virtudes despertas. Punição é para os teimosos, para os delinqüentes. Uma vez estudada a dor, em suas origens, devemos tudo fazer por liquidá-la. O resto é louvaminheira gratuita, de gente que de medo, pensa fazer-se recatada. E dirijo-me seja a quem for, porque penso e sinto assim, estribado em Jesus Cristo, que não falou em pranto e ranger dos dentes, pensando em flores ou ramalhete delas...

Usemos, pois, o poder mental, para criar liberdade e céu.

Certo dia, quando passeava por uma avenida da região, em companhia de Fábio e uma senhora convalescente, surgiu-nos Mesquita pela frente, trazendo no semblante feliz, a boa nova:

— Iremos, hoje à noite, à crosta. Estejam prontos às sete horas.

— Eu também? — quis saber a senhora.

— E por que não? — tornou Mesquita — Já está muito melhorada. Além do mais, como ireis ver, os fluidos emanados dos encarnados são revigorantes e curativos. Há casos em que, em virtude de faculdades, para efeito de cumprimento de missão, seres encarnados, oferecem elementos fluídicos maravilhosos. Valem por cadinho renovadores.

— Agradeço a oferta, senhor Mesquita — disse a senhora.

— Agradeço a Deus a oportunidade de servir, e aos amigos em geral o consentimento, para que meus planos de solidariedade se concretizem. Tenho em vista um programa de trabalhos. E sem findar um período preparatório, como encetar o complementar? Eis, portanto, que sou eu quem carece de vossa boa vontade.

— Nem sei o que pensar... nem sei o que dizer — murmurou Fábio, ante aquela torrente de fraternidade, em que Mesquita se revelava.


UMA PONTE SOBRE UM ABISMO


Às sete em ponto estávamos na residência de Mesquita, onde Cristina e Vicente aguardavam para tomarem parte na visita aos encarnados. Cristina, sua esposa, e Vicente, seu filho, sabiam de nós apenas de nome. E cumularam-nos de gentilezas. Dentro de minutos, Mesquita chegava, avisando que um carro nos viria buscar, em poucos minutos.

— Iremos de carro? — disse-lhe o filho, num tom de estranheza.

— Para variar e até certo ponto... Depois, prosseguiremos como melhor convir.

Tudo aquilo era, para nós, estranho de tudo. Em todo caso, dadas as condições de nossos conhecimentos, que se ajustavam bem no campo da insuficiência, do conhecimento, não articulamos palavras. As instruções viriam, como de costume, diretamente e no momento preciso.

A qualquer coisa que lhe dissera a esposa, ouvimos de Mesquita:

Quero que os amigos espiem, da ponte, para ambos os lados. Para isso é que iremos de carro. Qualquer ação, para eles, constitui um aprendizado útil.

De carros, de fato, a cidadezinha andava cheia, quer a tração animal, quer a motores. Eu pensava nos caminhos, não nas viaturas. Minha idéia, desprovida de elementos de prática, corria antes para o avião. Francamente, tão igual à Terra é o céu, que cheguei a crer mais útil um pára-quedas. Pode parecer infantilidade, mas é o caso. E que mente não se tornaria infantil por aqui, pelo menos nos primeiros instantes? Vinha agora o caso da ponte. Que ponte, pensava eu? Mas sabia que haveria uma ponte. Por quê? Porque tudo é simplesmente sério em lugar de gente séria. É celestial o ambiente que se orna de criaturas educadas, sem afetação, gente simples e dedicada, que não mede atenções.

Com o ruído que se ouviu lá fora, julgou-se chegado o carro. De fato, Mesquita nos convidara a sair. E o carro era a tração animal, pois dois lindos cavalos brancos, garbosos, puxavam o mesmo. Subimos, e o homem do carro falou com os animais. Não tinha chicote. Ouvida a ordem de caminhar, partiram como se estivessem apostando corrida. Sentia-se o prazer com que faziam a galopada. E lá fomos, estrada afora, até terminar o casario. A lua começou a despontar no horizonte, o céu bastou-se de luzes piscantes.

— Já se vê a ponte! — anunciou Cristina, com entusiasmo, estirando a mão para uma das bandas.

De fato, ao longe, numa curva imensa, divisava-se uma listra de luzes, havendo por baixo como que um vão escuro. Era do tamanho de um país inteiro aquela paisagem! E, pelo que se podia com facilidade constatar, pareciam deslizar, não mais galopar. Era imensamente agradável aquilo tudo! E com pouco mais dávamos entrada na cabeceira da ponte, onde guardas nos saudaram. Lá mais ao longe, Mesquita falou ao homem condutor do carro. E este se dirigiu aos animais, que prontamente o atenderam, parando.

Convidados por Mesquita, descemos e fomos espiar pela guarda da ponte. Era de estarrecer a altura da mesma! Arrepios me varreram todo, dos pés à cabeça, de modo incontrolável. Devia ter quilômetros de profundidade! Pois com o clarão da lua, iluminando tudo lá em baixo, tinha-se a impressão de estar num avião e este em grande altura. Aquilo era lindo e trágico ao mesmo tempo.

— É a Terra aquilo lá embaixo? — perguntou Fábio, com voz sumida.

— São as zonas inferiores, lugares de dor... — esclareceu Mesquita.

— E onde termina a ponte? — quis eu saber.

— Num ponto fronteiriço. Como ireis ver, temos ali uma fortaleza organizada. Por esta ponte passam, quando tornados dignos de socorro, aqueles que precisam de estágio em tais lugares. Há todo um mecanismo por desenvolver-se, para que a Justiça se cumpra. Quem fez por cair no lodo, terá de fazer por sair dele. Em nós estão as condições, as qualidades e as leis. O plano superior envia-nos mestres, para que nos falem das coisas de que somos senhores por natureza, mestres que nos ofertam mãos amigas. Logo, o Plano Regente nos dá tudo e nos ensina do melhor modo. E quem erra angaria o dever de reparar.

A seu convite voltamos ao carro, que nos conduziu ao fim da ponte, onde tocava no solo. Mas ali havia uma construção enormíssima. Centenas de trabalhadores guarneciam-na e guarnecem. Há muito de preparativos defensíveis, de torres de espia, de postos projetores de jatos, etc. Escutam-se gemidos, ao longe, pungentíssimos. Quem não está preparado, sente-se ali muito mal, como se estivesse sendo invadido por ondas corruptoras do equilíbrio. Mesquita advertiu-nos em tempo oportuno:

— Não pensem com afinco nos que gemem agora. Lembrem-se daqueles a quem fizeram gemer, de um modo ou outro. Lembrem-se de que em Deus não existe injustiça, precisamente porque colocou em tudo e todos, fundamentalmente, o tribunal de perene judiciado. Quando se age, já se lavra desiderato. Quem faz é o mesmo que pune. Não há justiça externa por acusar e nem por apelar, a menos que seja por meio da justiça interna. Quem ali está, amigos, é porque ali se pôs pelas suas obras. Ali estão ateus, céticos, donos de títulos, rotulados em geral. Menos os virtuosos e os verdadeiramente sábios.

— E nem em Deus haveria injustiça! — exclamou Fábio, gravemente.

Mesquita olhou para um relógio, que se achava na parede da sala do diretor daquela fortaleza, que se via de uma janela, avisando:

— Vamos embora? São vinte e uma horas, faltando apenas trinta minutos para que comecem as operações espirituais naquele Centro de que nos falou Fábio.

E fiquei pensando como poderíamos fazer o resto da viagem. Lá fora, todavia, o diretor deu-nos mais cinco trabalhadores, observando:

— O coeficiente do poder de vontade dá e sobra, mesmo em caso de fracasso de alguns dos novatos.

Com essa ajuda, Matias, nós iremos de um lance. Não terão tempo de fracassar, mesmo que o queiram — comentou Mesquita.

E havendo-nos posto à vontade, zarpamos pelos caminhos do éter cósmico, atravessando tudo e sem dar por elas. Quando chegamos ao recinto do Centro, ainda era cedo, pois as operações, segundo tinha indagado Mesquita, começariam a ser executadas das vinte e uma e trinta em diante.

— Não se esqueçam de que estamos fora do alcance de visão dos presentes, por minha vontade. Não percam de vista e atenção a esse fato. Não há fenômeno sem lei, e, a menos que nos seja necessário, queremos não ser vistos. Quero que tenham inteira liberdade de locomoção, para que possam observar tudo com clareza, o que não seria possível nos tornando visíveis ou relativamente materializados. Como tereis lido, podemos, em nossos corpos perispiritais, pela vontade e por delegação superior, operar mutações nesse sentido dentro de um limitado campo. Há um limite para o máximo condensável e para o máximo fluido; isto é, um campo de flexão que nos está ao alcance, para, pela vontade, ser utilizado. Quero forçar ao máximo o poder de fluidez. Não quero que nos percebam a presença.

— Pensaremos em nós, somente, quando sentirmos qualquer coisa diferente; não é melhor? — propôs Fábio.

— Mas não se esqueçam de que somos peças do Senhor; e que sem ligação com o Todo, nenhuma parte se sustentaria em ordem, para ser e para servir — observou o nosso mentor.

Assim observando, com relação ao dever de pensar em Deus, o Deus interior, como de fato convém e é, foi para o lado de Fábio e teceu considerações mais ou menos assim:

— Você, Fábio, ficou ressentido de uma operação mal realizada. E eu já lhe disse sobre os fatores interessantes ao bom êxito, como sejam — ambiente psíquico em geral, grau de capacidade do agente desencarnado, intensidade mediúnica e ectoplásmica do médium; e, talvez acima de tudo, o merecimento do paciente. No entanto, como vê, baixíssimo é aqui o nível em geral. Aí estão cinco pessoas que deverão ser nesta noite submetidas ao bisturi. No entanto, estude a aura de cada uma; sonde a intensidade das ondas mentais, verificando por si mesmo que o caráter, em geral, não está preparado. Há falhas nesta casa; e falhas que prejudicam muito o resultado do trabalho em geral. Faz-se mister, aqui, boas preleções, quer de ordem moral, quer de fundo técnico, quer de caráter doutrinário.

Eu, naquele tempo, entendia dessa espécie de trabalhos espiritísticos muito menos do que hoje; mas compreendi bem que Mesquita observava tudo, em matéria de moral, doutrina e técnica. Isso, enquanto se estava no campo teórico; porque, em seguida, começaram as danças e cantorias, todo um movimentar de formalismos e idolatrias, de ingerências pagãs, de coisas que definiam o ignorantismo ambiental.

— Eu preferia ir-me embora. — alvitrou Fábio — Nunca me dei bem em ambientes assim tisnados pela falta de conhecimentos os mais rudimentares.

— Salva-se o que há de boa vontade — interveio Cristina.

— Podemos ir, caso queiram. Temos de deixar Adroaldo no recinto familiar, de acordo com a ordem e pedido que fez — propôs Mesquita, por nos atender.

E enquanto discorríamos sobre o ir ou não, o ambiente se tornava abafadiço, insuportável, por saturação. Um magnetismo inferior começava a invadir tudo e todos, sacudindo os encarnados presentes, que deviam julgar ser aquilo força, pois é comum ser a nuvem tomada por Juno... Lá num canto, o primeiro paciente ia ser deitado sobre uma mesa. Foi de fato deitado. E com o apagar completo das luzes, foram caindo os médiuns em transe, passando alguns agentes do nosso plano a lhes extrair, pela boca e narinas, ectoplasma em estado pastoso, com o que foram outros dando-se a condensar ou materializar ferramentas, medicamentos, etc. A maior porção de elementos ectoplásmicos, subtraídos a dois homens, era usada pelo operador astral. Eu jamais teria sido capaz de pensar, em semelhante coisa; mas o certo é que, em dado momento, como notassem o desperdício de material, colocaram um aparelho na cabeça de um dos médiuns, que por um tubo se ligava à cabeça do operador. Devia ser e era, de fato, um aparelho feito propositalmente, pois tinha todas as características de adaptação.

E a operação começou, naquele ambiente de sufocação. Para mim, difícil ia se tornando suportar a densidade ambiental, por injunção da intensidade hierárquica inferior, em matéria de padrão vibratório. Talvez fosse melhor realizar o serviço de adesão ao meio, aquilo que Mesquita não queria; isto é, materializar-nos à proporção do meio. E pensando nisso, por não poder conter-me num tão mau estado de estar, fui falar a Mesquita. E ele me convidou a sair:

— Fábio já está lá fora; vá a ele, que logo iremos. Quero auxiliar essa gente, segundo como possa e Deus me permita. É você que está cedendo, por pensar de certo modo.

Foi então que notei a ausência de Fábio. Fui para fora, sem me dar conta de que transpunha corpos opacos, sem os sentir, sequer. Lá fora, outra era a atmosfera reinante. Daquilo que as plantas e flores do jardim exalavam, podíamos captar o mais sublimado, deleitando-nos com isso. Esperamos um bom tempo. Quando Mesquita saiu, acompanhado de Cristina e os demais, estávamos em conversa com dois outros irmãos, vindos de esfera também inferior, a quem quisemos falar, densificando nossos corpos, materializando-nos à proporção.

— Vamo-nos? — convidou Mesquita.

E como soubesse que ia ao domicílio, pela primeira vez depois de ter deixado a farda mais densa, exultei de contentamento. Exultei de nervosismo.

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