A certeza de que a vida continua



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Encontro02.08.2016
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A história de uma mensagem
A certeza de que a vida continua”
Um dos aspectos mais importantes da contribuição do Espiritismo à sociedade humana é o do conforto que dá às criaturas atingidas pelos grandes infortúnios.
Em episódios como o das grandes perdas coletivas, por exemplo, é a única alternativa que oferece respostas objetivas para a dor dos envolvidos em tais tragédias.
O papel da mediunidade bem orientada também é incontestável.
Neste sentido, a última fase de trabalhos desenvolvida pelo médium Francisco Cândido Xavier, foi extremamente, profícua com milhares de espíritos se manifestando nas últimas três décadas de sua tarefa, confirmando definitivamente para muitos a realidade da continuidade da vida. Esta a proposta deste programa, no qual a cada semana iremos contar a História de uma mensagem.
Baseados no recente acidente aviatório ocorrido no final de setembro de 2006 que comoveu o Brasil e mundo pelo impacto por ele provocado no organismo social, apresentaremos a seguir uma reveladora mensagem psicografada em novembro de 1983, por Chico Xavier, a qual conseguiu abrandar parte da sensação de perda experimentada pelos mais próximos de Rosana Maria Temporal Lara.
Foi recebida 18 meses depois do choque da aeronave onde viajava sua autora e pouco mais de uma centena de pessoas, com destino à Fortaleza, no Ceará. O acidente aconteceu minutos antes da aterrisagem do avião, na noite de 8 de junho de 1982.
O mais tocante de tudo é que na ocorrência não desencarnou apenas ela mas o marido Renato, Afonso, seu irmão consangüíneo e Julio, seu cunhado, o que ampliou ainda mais o sofrimento de seus pais e os do seu esposo.
Não é difícil imaginar a dor que se abateu sobre todos os familiares.
Um ano e cinco meses depois, visitando um irmão em Brasília, este leva a mãe de Rosana à Uberaba para uma tentativa de se avistar com Chico Xavier, onde se faziam presentes também os pais do genro.
Algumas coincidências fizeram com que a mãe da autora da mensagem intuísse a recepção naquela noite de uma carta da filha ou de um dos envolvidos na tragédia.
Apesar da sua dor não ser maior da que a de outros pais e mães presentes, o fato é que na programação elaborada pela Espiritualidade para aquela ocasião, estava a manifestação de Rosana.
A MENSAGEM
Querida Mãezinha Ana Maria e querida Mãezinha Ivonete.

Peço-lhes para que nos abençoem. O avô Francisco Logatto me designa para as notícias às Mãezinhas queridas e, conquanto estimassem, fosse o Renato ou algum outro amigo dos nossos que me substituísse nesse desempenho, estou feliz, ou quase feliz, depois da viagem acidental que culminou com a nossa vinda para cá.

Mãezinha, quando tomamos o avião para Fortaleza, efetivamente nem de leve imaginei pudéssemos ser protagonistas do acontecimento que não sei qualificar. Compreendo que as Leis de Deus são exatas e se cumprem com segurança; por isso, não desejo grafar uma carta alarmista, em que o pânico seja chamado a senhorear o ânimo dos que a lerem.

Renato e eu trocávamos idéias pela noite adentro, enquanto o nosso Affonso e o nosso Júlio descansavam. Se estivéssemos numa paisagem de guerra, não seríamos tomados de tamanho assombro. O primeiro estampido no choque da máquina com o corpo da serra me pareceu o grito lancinante de alguém anunciando-nos a morte.

Renato abraçou-se a mim evidentemente com a idéia de proteger-me contra qualquer eventualidade, no entanto, esse gesto dele perdurou por um instante só. Outros brados do avião se fizeram seguidos por uma dispersão de tudo o que éramos nós e de toda a bagagem de mão que havíamos acomodado no interior. Tive a idéia de que a velocidade do avião era tamanha que o contato indescritível do aparelho com a dureza da terra imprimia um estranho movimento a nós todos e a tudo o que nos cercava.

Explico-me assim porque a ligeireza daquele engenho enorme passou a comandar-nos, atirando-nos distância e nada mais vi senão a queda ao longe, na qual me senti esfacelada, a princípio, para depois reconstituir-me.

Ouvia vozes de criaturas beneméritas a pedir-nos calma e fé na Divina Providência e sem que me fosse possível retirar um dedo sob o controle de minha própria vontade, fui deposta em maca tipo bangüê no interior da qual entrei num sono longo, do qual despertei num aposento-enfermaria de grandes proporções.

As lágrimas haviam desaparecido de meus olhos, e por mais as procurasse para exprimir o sofrimento que me chegava à sensibilidade, após conscientizar-me, não as encontrei.

Tinha a cabeça pesada e ocupada por visões estranhas e naquele mal-estar indefinível que me possuiu, seria impossível para mim coordenar idéias ou palavras com as quais pudesse me dirigir às enfermeiras que deslizavam ali em silêncio. Tive medo. Quis gemer, no entanto, a minha voz morrera na garganta. Indagava de mim própria o que teria ocorrido, mas não dispunha de meios para qualquer manifestação.

Aquelas santas mulheres que iam e vinham perceberam que o medo me ocupara todos os espaços da própria alma e, aos poucos, me ensinaram de novo a balbuciar palavras.

Perguntei por meus pais, pela mãe Ivonete e pelos nossos entes amados do coração...

Eram os primeiros vocábulos que me escapavam da boca e fui informada de que voltáramos todos, os que viajávamos na máquina gigante, à Vida Espiritual. Esforcei-me. Ganhei novas energias e indaguei do Renato.

Vim a saber que ele, Affonso e Júlio se encontravam em um local diferente. Sofri o que o seu maternal coração e a querida Mãe Ivonete podem imaginar até que, depois de providências sobre providências, fui transportada para perto dos amigos e do meu irmão, a fim de vê-los.

A cena que se desenrolou não pode ser descrita por falta de terminologia que nos corresponda ao espanto. A muito custo levantei-me, necessitando de alguém que me escorasse e as queridas Mãezinhas aqui presentes conseguirão imaginar o sofrimento sem limites que me tomou o coração. Em horas semelhantes apenas a confiança em Deus me renovava as energias para ouvir o que me contavam...

Não procurei estender minha visita.

O receio de conturbar-me me empolgava a cabeça.

Impossível associar idéias e traçar novos rumos, quando estávamos abatidos, sem coisa alguma por preservar ou defender que não fosse as nossas próprias almas transidas de dor. Um amigo nos exortou à paciência de profundidade, convidando-nos a pensar e com esse estímulo, foi possível iniciar a nossa conversa. O Affonso e o Júlio falavam em Dulce e Maria do Carmo, enquanto o Renato me tomava as mãos.

Então, como se as nossas forças últimas se entrelaçassem, conseguimos chorar, qual se o pranto fosse um poder capaz de aliviar-nos os corações. Não mais nos achávamos nas cercanias da Aratanha, porque o refúgio a que fôramos conduzidos era um lugar ameno, adequado a se pensar na importância da calma após a tempestade.

Saber-nos no corpo real, de que o corpo físico é apenas uma imperfeita exteriorização, espantou-nos, de vez, em nosso entendimento, conservávamo-nos tais quais éramos. Não nos sentíamos leves porque a dor nos pesava em todo o Ser, entretanto, com os dias a tensão emocional de que nos víamos possuídos cedeu lugar a uma serenidade que atribuo à influência das preces de muitos amigos em nosso novo ambiente.

Mãezinha Ana Maria e Mãezinha Ivonete, não traço aqui qualquer quadro tendente a suscitar receios infundados naqueles que, porventura, nos lerem, pois estamos conscientes de que o choque das primeiras horas não deveria permanecer. Um dos orientadores que nos reconfortavam chegou a dizer-nos sorrindo que se estivéssemos no Plano Físico, não vacilaríamos em encomendar passagens para a volta e para outras viagens, com naturalidade e bom senso, acrescentando que o avião é instrumento de elevado alcance para a inteligência humana e não seria por havermos perdido a bagagem física que haveríamos de mostrar qualquer ojeriza pelas máquinas que nos prestam tamanhos serviços, voando na atmosfera do Planeta.

Parecia-me absurdo ouvir com paciência detalhes técnicos de aviação e acidentes, num momento daquele em que mal nos refazíamos do assombro destrutivo que nos impelira à própria desencarnação e passei a chorar com mais angústia. As explicações foram interrompidas e a nossa luta pela própria restauração se processou, até que eu pudesse vê-la em nossa casa.

Acompanhei os dias finais de meu pai José que, a meu ver, não encontrou resistência para a moléstia de que se viu acometido, por haver perdido todas as defesas corpóreas com a emoção cruel de meses antes. Mãe querida, perdoe-me se me estendo neste relato. É que desejo agradecer-lhe toda a energia de sua compreensão.

Encontro-a tomando ensinamentos sobre a vida e a morte, ao mesmo tempo que lhe vejo o esforço de cooperação nas tarefas da beneficência, supervisionadas por mentores da caridade e do amor para as criaturas humanas. Estou grata por haver procurado por sua filha ou, aliás por nós todos, entre os que necessitam de socorro e auxílios de emergência.

Caímos de grande máquina que se espatifou contra uma serra a três minutos de nosso ponto de chegada e você, Mamãe Ana Maria, está buscando os que jazem caídos em provação, necessitando de migalhas para garantir a própria sobrevivência. Aprendo consigo os esclarecimentos novos e peço-lhe continue...

Os seus pensamentos estão nos meus e os nossos igualmente se beneficiam com todas as atitudes de conformação e de serviço ao próximo, em que somos lembrados, com a luz de nossa fé em Deus. O Renato me recomendou transmitisse à Mãezinha Ivonete os seus carinhos de filho e ambos lhes pedimos, às nossas duas mães aqui presentes, para que nos abençoem.

A emoção me exauriu as possibilidades de continuar e, por isso encerro aqui o meu noticiário do coração. Mãezinha, o papai José igualmente se recupera nas próprias faculdades marteladas pela dor que lhe agravou os constrangimentos e cada um de nós em nossa vida nova estamos efetuando o possível por restabelecer-nos em tempo breve. O avô Francisco Logatto me faz companhia para vir até aqui e lhes deixa lembranças.

Rogando ao seu coração de mãe me desculpe se me alonguei tanto, na tentativa de expressar o que senti e ainda sinto, embora saiba que a sua ternura me compreende.

Para a Mãezinha Ivonete, o nosso carinho imenso e para você, querida Mãezinha Ana Maria, todo o coração de sua filha, sempre sua.
Rosana Maria de Figueiredo Temporal de Lara.

OS DETALHES DA MENSAGEM
A LUCIDEZ NA HORA DO DESENCARNE.
Renato e eu trocávamos idéias pela noite adentro, enquanto o nosso Affonso e o nosso Júlio descansavam. Se estivéssemos numa paisagem de guerra, não seríamos tomados de tamanho assombro. O primeiro estampido no choque da máquina com o corpo da serra me pareceu o grito lancinante de alguém anunciando-nos a morte”.

Renato abraçou-se a mim evidentemente com a idéia de proteger-me contra qualquer eventualidade, no entanto, esse gesto dele perdurou por um instante só. Outros brados do avião se fizeram seguidos por uma dispersão de tudo o que éramos nós e de toda a bagagem de mão que havíamos acomodado no interior. Tive a idéia de que a velocidade do avião era tamanha que o contato indescritível do aparelho com a dureza da terra imprimia um estranho movimento a nós todos e a tudo o que nos cercava”.
Revelam os espíritos a Allan Kardec no livro “O CÉU E O INFERNO” que dentro das leis de Causa e Efeitos a questão do arrependimento e da expiação são requisitos indispensáveis para que o Espírito caminhe para a evolução. Desta forma experimentaremos sempre as conseqüências dos nossos atos contra os outros ou contra nós mesmos. Impressões físicas e emocionais serão sempre sentidas por nós para que nos isentemos da sensação de culpa ante nossos atos mais remotos: A consciência plena no momento do acidente parece ter relação com isso.
ASSISTÊNCIA DA ESPIRITUALIDADE
Explico-me assim porque a ligeireza daquele engenho enorme passou a comandar-nos, atirando-nos à distância e nada mais senão a queda ao longe, na qual me senti esfacelada, a princípio, para depois reconstituir-me. Ouvia vozes de criaturas beneméritas a pedir-nos calma e fé na Divina Providência”.
Deus é amor e, portanto, misericórdia. Suas leis, soberamente justas, não abandonam nenhuma criatura, especialmente quando voluntariamente nos colocamos na condição de quem quer se livrar definitivamente dos equívocos do passado. Daí as providências observadas com equipes de espíritos socorristas se fazendo presentes no instante da transição desta para outra dimensão.
A HOSPITALIZAÇÃO NO PLANO ESPIRITUAL
Sem que me fosse possível retirar um dedo sob o controle de minha própria vontade, fui deposta em maca tipo bangüê no interior da qual entrei num sono longo, do qual despertei num aposento-enfermaria de grandes proporções. As lágrimas haviam desaparecido de meus olhos, e por mais as procurasse para exprimir o sofrimento que me chegava à sensibilidade, após conscientizar-me, não as encontrei. Tinha a cabeça pesada e ocupada por visões estranhas e naquele mal-estar indefinível que me possuiu, seria impossível para mim coordenar idéias ou palavras com as quais pudesse me dirigir às enfermeiras que deslizavam ali em silêncio”.
Este fato parece ser comum, sobretudo para aquelas criaturas que se vêem liberadas dos compromissos assumidos perante a Sabedoria Divina. Claro que a maneira como nos encaminhamos dentro da vida, o apego às sensações do corpo, a intenção demonstrada em nos reabilitarmos antes da reencarnação através de processos como o ocorrido, refletem-se diretamente na rapidez com que essa assistência é concretizada.

O CONHECIMENTO DOS ACONTECIMENTOS ENVOLVENDO OS FAMILIARES QUE FICARAM.
Acompanhei os dias finais de meu pai José que, a meu ver, não encontrou resistência para a moléstia de que se viu acometido, por haver perdido todas as defesas corpóreas com a emoção cruel de meses antes. Mãe querida, perdoe-me se me estendo neste relato. É que desejo agradecer-lhe toda a energia de sua compreensão. Encontro-a tomando ensinamentos sobre a vida e a morte, ao mesmo tempo que lhe vejo o esforço de cooperação nas tarefas da beneficência, supervisionadas por mentores da caridade e do amor para as criaturas humanas”.
Pelas colocações de Rosana, sua ligação com os acontecimentos no lar de seus familiares a mantinha ciente dos fatos com eles relacionados. Sabia da precipitação do desencarne de seu pai oito meses antes da transmissão da mensagem e dez depois da sua morte física; sabia da procura, por parte de sua mãe, de conforto nas obras espíritas e de sua integração em atividades sociais.
Confirma-se mais uma vez a resposta de número 459 incluída por Kardec n’o LIVRO DOS ESPÍRITOS, segundo a qual “os Espíritos influenciam em nossos pensamentos e atos muito mais do que imaginamos e invariavelmente são eles que nos conduzem”.
PALAVRAS FINAIS.
A íntegra desta mensagem pode ser lida no livro ANTE O FUTURO, organizado por Rubens Silvio Germanhasi a partir de mensagens psicografadas por Francisco Cândido Xavier e publicado pelo Instituto de Divulgação e Editor André Luiz – IDEAL.
Solicite-o na livraria mais próxima ou diretamente à editora pela caixa postal 42383, Cep 04299, São Paulo – SP.

Manifeste sua opinião sobre este programa ou esclareça suas dúvidas através do site: www.revistainformacao.anderung.com.br


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