A chave da Sabedoria Fernando Faria Índice analítico



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Levantei uma escada muito alta


E no alto eu subi

Teci um tapete floreado


E no sonho me perdi

Uma estrada,

Um leito,

Uma casa,

Um companheiro.

Tudo pedras


Entre pedras

Cresceu minha poesia

Minha vida ...

Quebrando pedras

E plantando flores
Entre as pedras que me esmagavam

Levantei a pedra rude


Dos meus versos.
E tio Marcos encerrou a aula, dizendo:

Bem, por hoje basta, a noite está muito fria.

Tio Marcos, espera um pouquinho. Explique-nos a razão pela qual foi fundado o Racionalismo Cristão - pediu Serginho.

Serginho, o ideal seria eu contar a história do Racionalismo Cristão, mas isto ficará para uma próxima oportunidade. Contudo, vou lhes falar resumidamente sobre a origem dessa doutrina e qual foi a sua contribuição para o pensamento da humanidade, considerando que vocês ainda não estão com sono.

A Filosofia Racionalista Cristã não é literatura de ficção. Não serve para as pessoas que gostam de viver de ilusões decorrentes de sonhos e fantasias. Os religiosos e os fanáticos de várias seitas não a entendem. Acham que somos ateus, pois ela não fala para agradar. Fala para revelar à humanidade os esclarecimentos necessários de que precisa para sair da cegueira religiosa, da escravidão mental imposta por mestres, gurus, sacerdotes, pastores e demais “iluminados” aos seus prosélitos, geralmente pessoas bem-intencionadas, ingênuas, laboriosas, porém, em sua grande maioria, de poucas letras e quase todas desconhecendo as leis do pensamento e os atributos valor, força de vontade e o livre-arbítrio.

No transcorrer de 1909, em Santos-SP, Luiz Mattos foi acometido por um colapso circulatório. Esteve às portas da morte, durante três dias e três noites.

Como era intelectual e livre-pensador, raciocinou e concluiu que não era possível um homem extinguir-se na sepultura. Algo mais importante que o corpo deveria existir. E este algo deveria ser a alma, cuja vida seria perene, obedecendo a uma lei natural a que todos nós estaríamos sujeitos. E o que era a alma? Não sabia até então.

Tempos depois, acompanhando um amigo que levava a esposa para tratamento num centro espírita, conheceu como lá trabalhavam, apesar de detestar o espiritismo popular.

Ao entrar pela primeira vez neste centro, o Presidente Astral, Padre Antonio Vieira, entregou-lhe a presidência da sessão, apesar da sua veemente relutância em aceitar. Mas aceitou e nessa ocasião doutrinou o jesuíta desencarnado Ignácio de Loyola. Desde então, passou um ano e meio estudando as comunicações e receituários obtidos psicograficamente naquele centro. Nesta época, através da mediunidade de um instrumento do centro, manteve diálogo com um grande amigo seu, desencarnado, o filólogo e romancista Julio Ribeiro, falecido em 1890, portanto dezenove anos antes desse episódio.

Junto com Luiz de Mattos (1860-1926), também Luiz Alves Thomaz (1871-1931) freqüentava este centro, em busca de cura para uma doença que sofria e que os médicos não davam jeito.

A partir de então, Luiz de Mattos uniu-se a Luiz Alves Thomaz para estudar o fato espírita, e ambos concluíram que a vida fora da matéria era real e que o espiritismo científico podia curar doenças psíquicas.

Desde então, Luiz de Mattos dedicou-se integralmente ao estudo científico do Espiritismo, começando pela obra escrita pelo Dr. Pinheiro Guedes, em 1901, intitulada Ciência Espírita. Contava nessa época com quase 50 anos de idade e era um comerciante abastado e jornalista muito conceituado pelas campanhas abolicionista e republicana que mantinha.

Então, juntamente com Luiz Alves Thomaz, também capitalista e grande fazendeiro, produtor e exportador de café, ambos fundaram, em 26 de janeiro de 1910, o Centro Espírita Amor e Caridade, cuja primeira sede era alugada, situada na Rua Amador Bueno, n° 190, em Santos.

Em 21 de junho de 1912, ambos inauguraram a sede própria do Centro Amor e Caridade, construída em terreno de propriedade de Luiz Alves Thomaz, na Avenida Ana Costa, 67, onde funciona até hoje. Simultaneamente, foi também construído um edifício semelhante à casa de Santos, na Vila Isabel, na cidade do Rio de Janeiro, que recebeu o nome de Centro Redentor.

Portanto, desde 1912, estava fundado o Racionalismo Cristão no planeta Terra, para divulgar tudo aquilo que Jesus, o Cristo, ensinou há 2000 anos na Judéia e que Paulo de Tarso deturpou com a fundação do Catolicismo, conforme lhes expliquei.

Neste evento, quais foram os grandes méritos de Luiz de Mattos e Luiz Alves Thomaz?

O mérito de Luiz Alves Thomaz foi o de ter sido o sustentáculo econômico da nova doutrina que nascia, pois custeou do próprio bolso a Casa Racionalista de Santos e a do Rio de Janeiro e contribuiu com uma vultosa quantia para a fundação do jornal A Razão em 1916. Quando desencarnou em 1931, legou por testamento quase toda a sua imensa fortuna ao Racionalismo Cristão, tornando-o economicamente independente. Esta imensa fortuna foi magistralmente administrada por Antonio do Nascimento Cottas, sucessor de Luiz de Mattos a partir de 1926 ao assumir a presidência do Racionalismo Cristão, multiplicando muito mais o seu valor.

Já Luiz de Mattos, o seu maior mérito foi contribuir para a História do Pensamento, trazendo-nos uma nova cosmovisão.

Antes dele, as filosofias explicavam o Universo de três maneiras diferentes: através das doutrinas místicas, através das afirmações agnósticas ou através dos postulados materialistas.

Nessa nova cosmovisão racional de Luiz Mattos, o Universo não se originou de uma criação mística, nem agnóstica, nem materialista. Ele justificou o Universo pela existência dos princípios Força e Matéria. A Força não é divina. Através das Leis Naturais e Imutáveis, ela se manifesta em tudo que tem vida. A Matéria é qualquer substância sólida, líquida ou gasosa que ocupa lugar no espaço.

Destas colocações, inferimos que:

1. Luiz de Mattos divulgou uma nova cosmovisão, assim definida: “O Universo e tudo que tem vida é constituído por Força e Matéria”. Portanto, o deus antropomórfico das religiões deixou de existir, sendo substituído por conceitos mais condizentes com a Verdade, tais como Força Criadora, Inteligência Universal ou Grande Foco de Luz. Esta foi uma contribuição magistral para o Pensamento, pois até então a cosmovisão científica era materialista e a cosmovisão religiosa, uma fantasia mística transformada em comércio para vender indulgência, proteção, graças, transformando os seus seguidores em súditos ingênuos e submissos.

2. Luiz de Mattos ensinou que nós, homens encarnados, possuímos uma constituição astral e uma constituição física; portanto, somos constituídos em essência também por Força e Matéria. Conseqüentemente vivemos ao mesmo tempo duas vidas: uma vida espiritual regida pela Força e uma vida material que obedece às leis naturais e imutáveis da Matéria.

3. Luiz de Mattos, continuando, ensina que o Espírito Imortal é uma partícula da Força em evolução. Portanto, vivemos para evoluir. Conseqüentemente, possuímos recursos valiosos, intrínsecos, para enfrentar as dificuldades da vida, da existência, sozinhos, sem ajuda de santos ou rezas e sem precisar filiar-nos a qualquer seita religiosa. Estes recursos são os atributos do Espírito, a saber: o pensamento, o raciocínio, a força de vontade, o livre-arbítrio, a renúncia, a capacidade de concepção (criatividade). Portanto, o homem é exatamente aquilo que pensa. Quem pensar no mal, o mal o acompanhará como a roda acompanha o boi que puxa o carro. O pensamento é o poder soberano do Universo; liberta o sábio e escraviza o néscio.

Julio Ribeiro, após ter sido doutrinado por Luiz de Mattos, lá pelos idos de 1909, como acima relatamos, tempos depois, no Centro Redentor do Rio de Janeiro, deu uma comunicação que resumidamente dizia o seguinte: “Somos um barco, navegando em mar tempestuoso, cujo norte, cuja bússola é a nossa razão, o nosso raciocínio, o nosso pensamento. Nada existe que nos proteja. Nem deus, nem santos, nem guias, nem anjos da guarda. Somente a retidão de caráter, a honra, o dever, a disciplina, o livre-arbítrio para o bem nos protegem neste mar agitado da vida”.

Continuando esta tese, vou lhes revelar resumidamente a principal razão da existência desta doutrina, começando a explicar por que a atmosfera da Terra é um espaço habitado pelos espíritos do Astral Inferior.

Sabemos que a Terra é um mundo-escola e também um planeta depurador, envolvido por uma camada gasosa, a qual denominamos atmosfera.

Sabemos muita coisa sobre a atmosfera, por exemplo: que o vapor d'água, o gás carbônico e as impurezas dos mais variados tipos de poluição podem atingir até 3 km de altura.

Sabemos que, nas alturas superiores a 100 km, encontramos a predominância de gases leves, tais como o hélio, o nitrogênio, o hidrogênio, etc.

A partir de 1000 km de altura, as moléculas mais leves do ar escapam da força de gravidade e se evadem para o espaço sideral.

A atmosfera é indispensável à vida em virtude dos gases que contém, destacando-se o oxigênio, o gás carbônico e o ozônio. O oxigênio é o gás da vida. O gás carbônico é imprescindível aos vegetais para sintetizar a glicose, e o ozônio, por sua condição de tela protetora diante da radiação solar, impede que os raios ultravioleta emitidos pelo sol prejudiquem os olhos e a pele quando em exposições prolongadas.

A atmosfera é constituída por uma mistura de elementos gasosos, formados por corpúsculos chamados moléculas. A molécula é a menor porção de uma substância. Ela é constituída por partículas ainda menores chamadas átomos, que se mantêm coesos por forças intrínsecas de atração.

Como já estudamos em nossas aulas anteriores, os elétrons movimentam-se em torno do núcleo, a distâncias relativamente grandes. Agora pergunta-se: o que existe neste espaço que vai do núcleo ao elétron? Os cientistas do século XVII diziam existir o éter. Albert Michelson, cientista norte-americano, em 1907 provou que o éter não existe. Então pergunto: se o éter não existe, como o calor, a luz e as ondas eletromagnéticas se transmitem através do espaço?

Respondo: nós espiritualistas sabemos que esse éter nada mais é do que o Universo Astral, o qual, interpenetrando os espaços interatômicos do ar atmosférico, constitui uma região em nosso planeta denominada Astral Inferior. E a Teoria dos Quanta de Max Planck não invalida esta hipótese.

Sabemos que o Astral Inferior é tal qual um imenso deserto, onde penetra pouquíssima luz, não permitindo, em alguns casos, nem a irradiação do Astral Superior.

O Astral Inferior está ligado intrinsecamente junto à mente humana, pela atração exercida pelos pensamentos. É em nossa mente que começam as trevas da atmosfera da Terra ou as luzes dos mundos superiores.

Existem em nossa esfera física as dimensões tempo, espaço e velocidade, com as quais tudo está relacionado.

Já nos mundos astrais e na região compreendida pelo Astral Inferior encontramos o tempo subjetivo, predominando um presente eterno. O espaço é determinado pela condição mental e a velocidade é a do pensamento. Essas fronteiras dependem do grau evolutivo do espírito que lá se encontra.

Um grande problema dos espíritos do planeta Terra é o desconhecimento da vida fora da matéria, e esta lamentável ignorância é o motivo de existir uma grande população desencarnada prisioneira das trevas, levada a esta situação pela cegueira da convicção religiosa, cujo estado mental de adoração a mantém tal qual materializada.

Os habitantes do Astral Inferior vivem absorvidos em si próprios, envolvidos pelas preocupações egoísticas e pelas concepções da religiosidade submissa, constituindo grandes falanges inimigas da humanidade.

Se, na sua última encarnação, um espírito somente se preocupou em gozar a vida em detrimento dos valores espirituais e da moralidade, seu corpo astral, qual um mata-borrão, ficará impregnado de matéria deletéria, e terá uma textura quase tão materializada quanto a do próprio corpo físico. Portanto, terá peso, ficando preso à atmosfera da Terra ao desencarnar, atraído pela força gravitacional do planeta.

Geralmente, as criaturas sem esclarecimento têm uma desencarnação de agonia, de sofrimento, de remorso, de perturbação, porque, na hora que se aproxima a morte física, afloram todas as misérias do seu espírito e desencarnam lutando contra a morte, naquele remorso, naquela tortura espiritual, envolvidos pelas trevas do Astral Inferior.

No século passado foi aberta uma brecha intelectual com o surgimento do pensamento científico, trazido por homens notáveis, cujas descobertas propiciaram o surgimento das ciências e da tecnologia, as quais culminaram com a Revolução Industrial, a partir de 1850, possibilitando mudanças radicais nas estruturas econômicas e sociais dos Estados e o surgimento do fato espírita.

O fato espírita não surgiu através de rezas, de missas ou de ladainhas. Somente surgiu quando a razão humana podia entendê-lo. O conhecimento das leis que regem a matéria deveria preceder o conhecimento das leis que regem o espírito.

O Astral Superior, sabedor de que a humanidade encarnada já possuía base científica e moral para entender o fato espírita, destacou uma plêiade de espíritos superiores, valorosos, para ajudar a humanidade a se esclarecer e purificar as regiões do planeta ocupadas pelo Astral Inferior.

Desta forma, designou espíritos de luz para a implantação do Racionalismo Cristão na Terra, a partir de 1910.

Astralmente os fundadores do Racionalismo Cristão foram os seguintes espíritos de cultura portuguesa, pois sempre reencarnaram em terras de Portugal: João de Deus, Camilo Castelo Branco, Luiz Camões, Padre Antonio Vieira, Custódio José Duarte e Pinheiro Chagas.

Em Santos, desde 1910, o primeiro Presidente Astral que norteou as sessões comandadas por Luiz de Mattos, no Centro Amor e Caridade, foi o Padre Vieira, o Patrono do Racionalismo Cristão, posteriormente substituído pelo médico Dr. Custódio José Duarte.

Luiz de Mattos apoiou-se nas excelentes condições financeiras de Luiz Alves Thomaz e, a partir de 1911, os dois iniciaram a construção da Casa de Santos e em seguida da Casa do Rio de Janeiro, ambas inauguradas em 1912: a Casa de Santos em 21 de junho de 1912 e a Casa do Rio em 24 de dezembro de 1912.

A partir de 1913, os Princípios Racionalistas Cristãos começaram a ser consolidados por Luiz de Mattos com o lançamento, em 1914, da primeira edição do livro base da doutrina, Racionalismo Cristão, que passou a ser a “carta de alforria” da humanidade, libertando-a da escravidão religiosa.

Desde então, iniciaram-se as implantações das Casas Racionalistas Cristãs no planeta Terra. Estas casas começaram como centros espíritas filiados ao Centro Redentor do Rio de Janeiro ou ao Centro Espírita Amor e Caridade de Santos.

Mais tarde, em 1916, Luiz de Mattos, obedecendo a instruções do Astral Superior, promoveu a consolidação desses centros, formando centros filiais, coligados a uma casa-chefe, na época denominada Centro-Chefe, o Centro Redentor do Rio de Janeiro, porque era a casa do Rio de Janeiro que oferecia as melhores condições ao Astral Superior para espargir as luzes e dirigir a expansão da doutrina para o mundo.

A Doutrina Racionalista Cristã está apoiada na moralidade de Jesus, o Cristo, conforme já explicado anteriormente, e isso é tão sério que em 1911, quando se estava fundando o Centro Redentor do Rio de Janeiro, o Padre Antonio Vieira, presidindo astralmente uma reunião preparatória, fez o seguinte comentário: “Disse eu que, para se conseguir alguma coisa superior, indispensável era ser-se, tanto quanto possível, puro”.

Sintetizando, o Racionalismo Cristão destina-se a cumprir dois objetivos principais, a saber:

1. Arrebatar da atmosfera da Terra milhares de espíritos obsessores, galhofeiros e falanges inteiras enlouquecidas, cuja ocupação é fazer mal ao próximo e prejudicar as instituições particulares e governamentais.

2. Ensinar o homem encarnado a conhecer-se como Força e Matéria para que ele mude a sua conduta, deixando de ser um aleijado mental dependente das muletas da religião.

Desde então, o Racionalismo Cristão foi combatido. Mas nós não nos importamos com isso, pois “as idéias novas, tanto na arte, na ciência como na vida, são sempre sistematicamente combatidas pelos obstinados e pelos moribundos da inteligência”.

Tio Marcos terminou, levantou-se e saiu da sala dando boa-noite a todos.

Lá fora, vindo da casa de Severo, ouvia-se o som melodioso de uma toada sertaneja.

Severo era um exímio violeiro. Era sempre convidado para tocar nas festas da região.

Ele possuía uma viola caipira de estimação, que vô Mário comprara para ele em Montes Claros-MG, fabricada de imburana, madeira nobre do cerrado, construída por Zé Coco do Riachão, o Beethoven do sertão que, além de grande compositor e um virtuose da viola e da rabeca, construía sob encomenda instrumentos notáveis.

Havia certas ocasiões que, nostálgico, Severo relembrava a sua mocidade, fazendo a viola traduzir os sentimentos da sua juventude. Ele fora nascido, criado e curtido no sertão goiano.

Era um mulato trigueiro, forte, de estatura mediana, cujo perfil comportamental refletia tanta pureza d'alma que se chegava a pensar que era um ingênuo. Sua aura era radiosa, pois em sua presença sentia-se bem. Toda essa pureza ele transformava em melodias transcendentes que interpretava com a viola afinada na modalidade “cebolão”.

Naquela noite, todos dormiram embalados pelo som relaxante das valsas sentimentais de Zé Coco do Riachão e pela musicalidade suave de Severo, acompanhado muito de longe pelos grilos e rãs, melodiando monótonos.

No dia seguinte, os circuitos de luz e força da fazenda foram restabelecidos.

Após o jantar, tia Zinha levantou-se e falou:

 Atenção, meninos! Acabaram-se as aulas do tio Marcos. Mas eu gravei todas elas. Vou datilografá-las e darei uma cópia para cada um, para recordarem de vez em quando. Agora, prestem atenção  prosseguiu tia Zinha.  Eu quero que vocês durmam cedo, porque amanhã, logo após o café, nós iremos viajar. Primeiramente iremos a Brasília, porque eu quero que vocês conheçam um dos acidentes geográficos de maior expressão nacional. É a Reserva Biológica das Águas Emendadas, onde se originam as nascentes dos rios que irão formar duas grandes bacias hidrográficas brasileiras: a Amazônica e a Platina. O jornalista José Hypó1ito da Costa, lá pelos idos de 1813, reivindicava em seu jornal Correio Brasiliense a interiorização da capital do Brasil junto às nascentes dos rios São Francisco e confluentes dos rios Paraguai e Amazonas, no planalto central goiano.

“Com 5 mil hectares de área, a reserva abriga todo tipo de vegetação do cerrado, além da fauna característica da região. Lá vocês poderão ver os lobos guarás, habitantes dos nossos cerrados, ouvir o canto das seriemas e quem sabe, se tivermos sorte, ver uma arara-azul.”

Depois iremos a Goiás Velho, fundada em 1726. Essa cidade é o repositório das tradições históricas do Estado de Goiás. Lá visitaremos o Museu das Bandeiras.

Por Goiás Velho, em 1682, passou o bandeirante paulista Bartolomeu Bueno da Silva, o Velho, também chamado Anhangüera, que penetrou nos sertões de Goiás, acompanhado do seu filho ainda menino. Em 1772 seu filho, herdeiro do nome, do apelido e da profissão do pai, voltou a Goiás e às margens do Rio Vermelho encontrou muito ouro. Por esta descoberta, recebeu do rei de Portugal muitas terras no território goiano.

E para terminar nossa viagem, iremos até a cidade de Aruanã, localizada às margens do Rio Araguaia, na confluência com o Rio Vermelho, a qual, nessa época do ano, é muito procurada para a prática da pesca.

Em seus rios, pontilhados de praias e areias brancas, o peixe é abundante. Na temporada de março a outubro, os acampamentos se sucedem nas praias e o fluxo turístico é intenso.

 Viva! - gritaram em uníssono todas as crianças.

Na manhã seguinte, três carros partiram da fazenda, rumo a Brasília. Vô Mário e Severo iam na frente. Em seguida, tia Zinha e as meninas e, por último, tio Marcos e os rapazes. A primeira parada foi na cidade de Catalão, junto à rodovia BR-50, que liga Uberlândia a Cristalina. Pararam em um posto muito grande, repleto de carros vindos de Brasília, do Triângulo Mineiro, de São Paulo e do interior de Goiás, todos cobertos de pó vermelho, cor predominante das terras da região. Enquanto os carros eram abastecidos, as crianças entraram no restaurante do posto, que estava repleto de gente. Eram casais, crianças, velhos, moços e moças, os quais lanchavam, tomavam pingado e compravam brinquedos, utilidades mil e enfeites, bem como doces, mel, frutas, fumo e pingas de todas as marcas e procedências, pimenta e açafrão, condimento muito apreciado na região. Todo o ambiente era envolvido por música melodiosa, sentimental, das duplas Leandro e Leonardo e Chitãozinho e Chororó. A moçada de Goiás adorava essas duplas country.

Saindo do posto, rumaram para Cristalina. Passaram ao lado de Luziânia e, já no Distrito Federal, chegaram a Brasília. Atravessaram a W-3, passaram por Sobradinho, Planaltina e chegaram à Reserva Biológica das Águas Emendadas.

De Brasília iriam para Goiânia, sendo que vô Mário e Severo ficariam em Anápolis, para comprar uma peça sobressalente para a máquina picadeira de forragem que havia quebrado. Os demais, demandariam Goiânia, depois Goiás Velho e finalmente Aruanã.

No trajeto, encontraram margeando a estrada inumeráveis ipês-amarelos. Estas árvores são dotadas de uma floração belíssima, quando a árvore perde todas as folhas e fica inteirinha carregada de flores. O ipê é considerado árvore nacional. Também existem muitas palmeiras nas regiões montanhosas, onde predominam os coqueiros babaçu, o buriti e os amargosos chamados guarirobas. De vez em quando, apareciam pastos imensos repletos de bois e de cupinzeiros construídos no solo pelos insetos. Viram também enormes áreas agrícolas, destacando-se as vastíssimas plantações de soja que se perdiam no horizonte e, quais ilhas solitárias num mar verde, sobressaíam-se os silos metálicos reluzentes a grande distância, refletindo a luz do sol. Tudo isso envolvido pela atmosfera de um azul puríssimo, pejada de grandes nuvens brancas, tão baixas que se tinha a impressão de poder pegá-las com as mãos, esparramadas pelos horizontes abertos, infinitos.

 Ah! Não há céu como o da minha terra - dizia sempre tia Zinha.

No volante do carro, tio Marcos, quedando-se na contemplação da natureza exuberante que o cercava, em meditação sobre as incomensuráveis grandezas do Infinito, a perscrutar o sentido criador da vida e o poder ilimitado da Inteligência Universal, que tudo envolvia, percebeu que não passava de um ser de reduzidíssimas dimensões diante da grandiosidade do Grande Foco, da Forca Criadora. E se compenetrou, então, da imensa caminhada que teria de fazer na sua longa, interminável Trajetória Evolutiva.

E voltando-se para Marquinho, que viajava no banco da frente, falou alto para que Boris, Silvinho e Serginho, que estavam no banco de trás, também ouvissem:



 Vocês que são moços, “procurem estudar o Racionalismo Cristão, pois ele é a chave da Sabedoria e da Felicidade. O que é preciso é saber pegar esta chave e movimentá-la para que ela abra as portas do esclarecimento, e nesse abrir de portas deverão encontrar algo superior para a sua própria felicidade” (Luiz de Mattos).
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