A chave da Sabedoria Fernando Faria Índice analítico



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Filial de Santos


AOS JOVENS LEITORES

Breves palavras a respeito desta obra, dedicada a eles.

Este livro não foi programado pelo autor. Foi sim “encomendado” pelo Sr. Ulisses Claudio Pereira, Presidente do Centro Redentor, Filial de Santos, SP, e nosso amigo.

Embora faltasse na Biblioteca Racionalista uma obra para os jovens estudantes, ela ainda não estava nos planos do meu marido; mas, deduzo eu, já estava nos planos do Astral Superior. Senão vejamos:

Quando o Sr. Ulisses pediu, ou melhor, comunicou ao Fernando que havia obtido do Dr. Humberto Machado Rodrigues, nosso Presidente Universal, a permissão para publicar um livro para jovens, ele ficou atônito. Posso dizer mesmo que ficou completamente perdido a princípio. Dizia ele que não tinha a menor idéia do que escrever e de como escrever para jovens, pois nunca o havia feito antes.

Foi então que, para ajudá-lo a achar um começo, lembrei-lhe as conversas que ele mantinha nos serões da fazenda do meu irmão, em Goiás, quando após o jantar, até a hora de dormir, nossos sobrinhos e demais parentes faziam-lhe perguntas sobre Espiritualismo, sabedores de que ele era um estudioso do assunto. Sugeri, então, que fizesse como na fazenda. Contasse histórias para um grupo de jovens estudantes curiosos e, no meio delas, fosse passando casualmente os ensinamentos racionalistas em doses homeopáticas. Não falamos mais no assunto por algum tempo.

Eu o via sempre escrevendo a máquina, em qualquer hora do dia ou da noite. Muitas vezes, eu acordava de madrugada e ele não estava na cama e escutava lá embaixo, no escritório, o martelar da máquina de escrever. Quando lhe perguntava como ia indo o livro, ele me respondia:

 Está saindo.

Até que certa manhã encontrei-o com um ar de deslumbramento no rosto!

 O que foi? Viu passarinho verde? brinquei.

 Mais ou menos   respondeu ele. Você quer saber de uma coisa? Estou boquiaberto! As idéias estão fluindo com uma facilidade espantosa! Às vezes eu acordo lá pelas 3:30h com tudo direitinho na minha cabeça. É só escrever. Agora, o que mais me impressiona é que todos os assuntos se encaixam, uns aos outros, perfeitamente!

 Mas é claro que assim é!   respondi. Você se esquece de que está falando sobre uma ciência? Na ciência tudo se encaixa naturalmente. Além do mais, lembre-se de outra coisa muito importante: a assistência do Astral Superior! Ou você pensa que está nessa empreitada sozinho?

Realmente, na minha modesta e suspeita opinião, esta foi mesmo uma obra inspirada. Fernando conseguiu fazer dela um pequeno compêndio de grandes conhecimentos científicos, desde os mais antigos aos mais atuais. E o que é mais importante: conseguiu estabelecer, de maneira suave e compreensível, a relação desses conhecimentos com os Princípios Racionalistas Cristãos.

Bem, meus jovens estudantes da Verdade, a sua obra aí está. Espero que a assimilem e aproveitem. Julguem na por si mesmos.


Sonia Paronetto Faria


Introdução

Daqui de cima, perto da estrada e junto da porteira, divisa-se lá em baixo a casa-grande, passando antes pelo pasto de capim-gordura que margeia os dois lados da estrada após a porteira, e depois pelo lago represado, sempre cheio de patos e marrecos. Cerca a casa-grande um arvoredo exuberante constituído por muitas mangueiras, jabuticabeiras, cajueiros, abacateiros, bananeiras, coqueiros, tamarindeiros, jaqueiras, pequizeiros e um laranjal florido, cujo perfume é trazido pela brisa matinal.

Ah! Não há nada que se compare ao perfume das laranjeiras floridas, logo de manhãzinha. Só quem já sentiu pode saber!

Mais lá embaixo, avistam-se as benfeitorias da fazenda: currais de confinamento, casa da ordenha, galpão dos tratores e dos implementos, paiol de milho e fábrica de ração. Entre a casa-grande e as benfeitorias fica a vila dos peões. Ao lado, uma grande pastagem de capim-colonião, repleta de vacas leiteiras e seus bezerros.

Chama a atenção o céu muito azul, cheio de nuvens brancas, colossais, espalhadas até o fim do horizonte.

Ao amanhecer, ainda com o brilho da estrela-d'alva, começa a lida na cozinha. Então, a atmosfera fica impregnada de uma deliciosa mistura de cheiros e aromas: de fumaça da lenha queimada nos fogões, de café coado, de biscoitos assando, de mato e capim molhado pelo orvalho e do perfume delicioso das flores de um pé de jasmim, esparramado sobre o caramanchão que há numa varanda junto à cozinha.

O relevo da fazenda é plano, embora sejam freqüentes os morros isolados e muitos chapadões dominem a paisagem. De um desses morros, nasce um rego d'água cristalino, represado junto à casa-grande. Dessa represa sai uma tubulação de água, canalizada para uso geral da propriedade, abastecendo currais, chiqueiros, galinheiros, horta, pomares e jardim. Nessa represa, há grande quantidade de peixes, como lambaris, carás e traíras, que fazem a alegria da meninada. Os pescadores mirins ficam com as suas varas de pescar, concorrendo com os martins-pescadores, muito abundantes na região, de plumagem brilhante, os quais vivem mergulhando com rapidez para apanhar os peixes que se aventuram a subir à tona.

Nesse lago represado, um longo trecho das margens é formado por lajes naturais de pedra amarelada, entre as quais se espalham centenas de pés de coqueiro-amargoso, constituindo um guarirobal abundante, cujos palmitos entram em vários pratos da cozinha goiana.

Em relação à vegetação, o cerrado, por ser constituído de um solo arenoso e ácido e não ter muitos dos nutrientes necessários ao crescimento das plantas, faz com que predominem na região árvores baixas de galhos e troncos retorcidos. Possuem cascas grossas e folhas duras, carnudas e peludas. As árvores nativas nascem umas distantes das outras e entre elas crescem arbustos e capim.

Os horizontes da fazenda são largos, com campos abertos e ventos circulantes, “ventos que virão”, conforme o poeta Guilherme de Almeida escreveu no brasão do Distrito Federal, Brasília.

Na fazenda passa o Rio Corumbá. É ainda cortada por vários cursos d'água afluentes. Acompanhando os cursos d'água, a vegetação, espessa e abundante, forma vários capãos de mato redondo, pequenas florestas com matas de cocais, onde predominam os coqueiros babaçu e o buriti, este último abundante nas áreas alagadas.

A atividade econômica da fazenda é a pecuária de corte. Vô Mário compra garrotes das raças nelore, gir ou guzerá, todos de sangue zebu, para engorda-los estabulados. A ração para esses animais é produzida na própria fazenda.

No terreiro da fazenda, andam soltas muitas galinhas, frangos caipiras, galinhas garnisés, galinhas-d'angola, perus, patos, marrecos e galos. Os galos, todos músicos, começam a sinfonia ao amanhecer, acompanhados pela passarada no arvoredo.

Quando o sol desponta, de um enorme eucalipto, uma árvore velhíssima com mais de oitenta anos, que fica junto à entrada da casa-grande, exala um agradável perfume de óleo de eucalipto que, em se inalando, proporciona o refrescar dos brônquios. Em seus galhos a passarada pousa às dezenas. Bandos de ruidosas maritacas, periquitos e joões-de-barro, de peito vermelho, todos em coro, num cantar alegre, assemelham-se ao alarido, à algazarra da criançada brincando na hora do recreio.

A fazenda possui luz elétrica, água potável de poço artesiano, telefone, televisão com antena parabólica e água encanada fria e quente, sendo a água quente obtida através de uma serpentina embutida no fogão a lenha da cozinha.

Toda a criação de terreiro, inclusive a criação de leitões para consumo da casa, é cuidada por Severo, agregado que acompanha vô Mário há muitos anos. Severo é um mulato sorridente, prestativo e obediente, que se gaba de ter dado banho nas filhas de vô Mário quando elas eram criancinhas. Ele adora os netos de vô Mário. Faz tudo que pedem e tem o maior cuidado em escolher e arrear os cavalos para os meninos.

No meio da criação, solto no terreiro, andando por toda parte, há um peru pouco domesticado. Estranha as pessoas e sai correndo atrás de quem estiver vestindo camisa colorida. Lá existe também um cachorro grande, marrom-claro, mestiço de fila brasileiro, que se chama Brilhante. Amigo de todo mundo, se alguém o manda rir, ele levanta o lábio superior e mostra os dentes. Tem-se a impressão de que está rindo mesmo. Quando o peru sai correndo atrás de alguém, é ele quem dá um chega-pra-lá no peru, fazendo-o desistir das suas perseguições.

Também existe um carneirinho que anda pelo meio da criação. É Severo quem o está criando na mamadeira, pois a mãe o rejeitou. O carneirinho acompanha Severo como se fosse um cachorro. Basta chamá-lo e ele vem correndo e balindo.

Contornando a beirada da varanda da cozinha, existe um rego d'água canalizado, que corre a céu aberto, mais ou menos na altura da cintura de uma pessoa, cuja água é utilizada para lavar os “trens de cozinha”, como diz a Dona Maria, cozinheira fina do trivial goiano, autoridade em pratos típicos, como arroz com pequi, galinha com arroz, pamonha de sal, frango com açafrão, feijão frito, arroz com macarrão, pastéis, arroz com suã, guariroba ensopada, caldo de mocotó, arroz de forno, macarrão com batata e açafrão, quibebe de mandioca etc. Dona Maria também entende de quitandas mil: broas, roscas, biscoitos, mamão ralado com coco, doce de laranja da terra, compota de frutas, pé-de-moleque, doce de leite etc.

As vias de acesso à fazenda, as estradas vicinais até Goiânia e a BR 050, que liga Brasília-São Paulo, são todas asfaltadas, sinalizadas e muito bem conservadas, graças ao Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976) e ao Governador do Estado de Goiás Íris Rezende.

A entrada da fazenda é murada, com porteira e mata-burro, destinados a impedir a passagem de animais. Tudo é pintado de branco. A estrada que liga a entrada à casa da fazenda corre por baixo de um túnel de flamboyants, todas árvores com ramagens altas e engalhadas, ladeadas por buganvílias e ipês amarelos.

Era o início do mês de julho. Nesta época do ano, as filhas do vô Mário, com os respectivos maridos, filhos e filhas, vinham passar as férias na sua fazenda de Goiás, localizada numa região dominada pelo mesmo cerrado do Planalto Central que se estendia até a cidade de Catalão. Com que alegria as crianças, quatro rapazes e três meninas, passavam as férias na fazenda. Viviam em São Paulo e Goiânia, morando em apartamentos. As idades dos meninos variavam de 10 a 16 anos. Levantavam-se cedo, apesar do friozinho, e iam tomar leite no curral, tirado na hora, quentinho, cheio de espuma. Depois voltavam para casa e encontravam a mesa posta e tomavam um café reforçado. Terminado o café, sumiam pelos pomares, pastos, plantações, várzeas e pelas beiradas do rio. Somente retornavam na hora do almoço, ao meio-dia, mortos de fome e queimados de sol. Almoçavam e desapareciam novamente.

As meninas eram duas. Uma com 11 anos e outra com 12. Ficavam brincando de casinha com outras meninas, filhas dos empregados, numa área de chão batido, junto a uma mangueira, pós de jabuticaba, tamarindo e araticum, onde vô Mário construiu uma casinha de verdade, contendo sala mobiliada, cozinha com fogão e alpendre. Neste local também colocou gangorras, balanços e escorregadores.

Todos sentavam-se à mesa exatamente às 19 horas. Os horários das refeições eram rigorosamente cumpridos, por exigência do dono da casa, que não abria mão dessa disciplina, desde quando vó Marione era viva. Às 18 horas as crianças começavam a tomar banho e se vestir para o jantar, tomando cada um o seu respectivo lugar à mesa. Somente após o jantar é que podiam assistir à televisão.

Dois dias depois da chegada dos netos, durante o jantar, a luz apagou. Foi um descontentamento geral. Vô Mário, empunhando uma lanterna a pilha, foi à dispensa, juntamente com Marquinho, o neto mais velho, buscar lampiões a gás, destes que se usam em camping, cuja luz era produzida por uma camisa que se acendia, irradiando luz intensa, cujos lumens chegavam a ser equivalentes a duzentas velas de ceras. Com os lampiões acesos, terminaram o jantar, na esperança de a luz voltar logo. Mas, qual nada! Uma hora depois vô Mário telefonou para o escritório central da companhia de eletricidade e recebeu a notícia de que a queda de um raio havia danificado um transformador de alta tensão da subestação. Não sabiam quando poderiam restabelecer o circuito, pois a avaria não era coisa simples. Enviariam o transformador para Goiânia, a fim de ser reparado. Talvez o conserto demorasse uns dez dias.

Em face de não se ter nada para fazer, pois ler à luz de lampiões, jogar damas ou xadrez não era agradável, tia Zinha, a filha mais velha de vô Mário, sugeriu, sorrindo:

 Atenção todos! O que vocês acham do tio Marcos falar sobre o Racionalismo Cristão, um assunto que ele conhece tão bem, durante as noites em que não teremos luz elétrica?

A aprovação foi unânime. Tio Marcos era muito querido. Era um amigão. Entendia como ninguém de pipas, aeromodelos, balões e autorama. Nas férias anteriores, havia ensinado código morse a todos, e à noite, com uma lanterna a pilha, podiam transmitir mensagens uns para os outros, como fazem os marinheiros e os escoteiros.

 Então vamos para a sala de estar   disse tia Zinha, já que não teremos tão cedo as telenovelas, nem os telejornais, nem videogames, nem vídeos para ver os filmes alugados que vocês trouxeram. Vamos lá, aprender um pouco de filosofia com o tio Marcos.

 Esperem um pouco   disse tio Marcos levantando-se. Vocês vão por os seus pijamas, e todos nós, sentados à mesa da saleta do quarto das meninas, calmamente desenvolveremos nossas palestras. Faço isso por uma questão de didática, pois muitos cientistas têm feito inúmeras experiências com a memória e o esquecimento. Para alguns, ficou demonstrado que as pessoas indo dormir, logo após terem aprendido alguma coisa, provavelmente estão menos sujeitas ao esquecimento ou, então, poderão fazer como os meninos do Oriente Médio. Eles comem fígado torrado de ouriço, transformado em pó, porque acreditam que esse produto é bom para a memória.

 Minhas aulas serão científicas. Vocês, que já estão concluindo o 1° grau, e alguns que estão cursando o 2°grau não terão dificuldades em entender o que lhes vou transmitir. Nossas palestras visarão livrá-los das crendices, das superstições e dos sofismas, ou melhor, dos argumentos falsos. Espero que tenham disposição para libertarem-se da adoração, dos mitos e das fantasias ensinadas pelos sacerdotes, pastores, gurus e mestres de várias seitas. Farei o possível para ser claro. Quero também que vocês pensem no que irão ouvir. É muito importante que, desde cedo, aprendam a pensar e a analisar. E se a razão não quiser aceitar, descartem o que ouviram ou leram. Outra coisa: o que eu falar e vocês não entenderem, não me deixem prosseguir, interrompam, perguntem.

 Vocês sabem que o estudo desenvolve gradualmente a estrutura do nosso pensamento, do nosso raciocínio. Por isso, é necessário estudar, ler, pois a leitura expande os nossos horizontes, aumentando a compreensão das coisas. O método mais seguro para desenvolvermos a nossa percepção e compreendermos a nós mesmos é ler, ler sempre e cada vez mais, mergulhando em todos os campos do conhecimento humano.

 Às vezes eu falarei o nome de uma figura ilustre e em seguida mencionarei duas datas. Por exemplo: Pedro Álvares Cabral (1467-1520). Significa que Pedro Álvares Cabral nasceu em 1467 e faleceu em 1520. Também, quando eu mencionar depois de uma data o termo a.C., significa antes de Cristo, ou d.C., significa depois de Cristo. Quando eu falar século XVI, significa que eu estou me referindo aos cem anos com início em 1500 e término em 1599. Quando eu falar em século XVII, significa 1600 a 1699. Então, daí pode-se inferir uma regrinha: dado o século em algarismo romano, subtrai-se um para obter-se o século expresso em algarismos arábicos. Por exemplo: o século XX é igual ao período de 1900 a 1999; o século XXI é igual ao período de 2000 a 2099.

 Também é importante que vocês gravem bem o seguinte postulado: Não existe mistério algum no mundo físico que, uma vez entendido, não leve a outro mistério situado mais adiante.

 No meu entender, esse 'mistério situado mais adiante', encontra explicação no Universo Espiritual, o qual lhes descreverei em toda oportunidade que surgir, no decorrer das palestras, conforme o Sr. Racional explicou, e não esqueçam: No Universo tudo é ciência.

Então, as crianças se levantaram e foram vestir os pijamas. Em seguida todos se reuniram na saleta do quarto das meninas. Sentados confortavelmente, esperaram tio Marcos, aguardando que ele trocasse a sua cadeira por uma poltrona de encosto estofado, mais cômoda.

Nessa ocasião, tia Zinha entrou na sala com um gravador a pilha, colocou-o sobre uma cômoda, atrás da poltrona de tio Marcos, e ajustou o volume para que a gravação ficasse nítida. Em seguida encarregou Fernanda de ligar, virar as fitas quando fosse necessário e desligar o aparelho antes de dormir. Em seguida saiu da sala, dizendo:

 Aproveitem bem, meninos!

Já instalado, tio Marcos começou ...



1. O Universo I

O Racionalismo Cristão é um conjunto de princípios que formam a base de uma filosofia divulgada por Luiz de Mattos, Luiz Alves Thomaz e Antonio do Nascimento Cottas, a partir de 1910, nas cidades de Santos, SP, e do Rio de Janeiro, RJ.

Essa doutrina constitui uma escola que ensina a Verdade Moral, através das lições deixadas por Jesus na Terra, antes dos Evangelhos, que sucessivas deturpações ocorridas ao longo dos séculos tornaram-nas irreconhecíveis. O Racionalismo Cristão visa ao esclarecimento humano, sem se preocupar com as religiões, seitas ou credos, defendendo a Verdade dentro dos limites do conhecimento. Portanto, para falarmos sobre o Racionalismo Cristão, precisamos conhecer o que é o Universo, o que é a Vida, o que é a Evolução e também conhecermos os povos, principalmente os que colonizaram o Brasil.

A minha finalidade, com essas palestras, é transmitir a vocês esclarecimentos que, utilizados durante a vida, possibilitem que sofram menos, pois o ser humano sofre porque desconhece a Verdade. É necessário que todos se esclareçam sobre a finalidade da Vida e a maneira correta de conduzir-se na existência terrena, para evitar sofrimentos desnecessários e perda de encarnações. É necessário que vocês aprendam a comportar-se na existência terrena, desenvolvendo o domínio sobre si mesmos, subjugando os ímpetos, as inclinações condenáveis, para que o raciocínio possa apontar-lhes as melhores soluções, pois todos nós estamos sujeitos às inclinações más, provenientes dos maus costumes.

Como antes nos referimos, vamos começar falando sobre o Universo.

Para os povos antigos, o planeta Terra era o centro do Universo. Acreditavam que a Terra era fixa em sua posição, enquanto tudo o mais, a Lua, o Sol, os planetas e as estrelas se moviam ao seu redor. Conhecemos oito planetas e seus satélites. Todos mudam de posição em relação às estrelas fixas. Estes astros, na ordem de suas distâncias em relação à Terra, são os seguintes: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão.

Júpiter e Saturno têm a atmosfera cheia de nuvens. Eles são muito frios. Netuno, Urano e Plutão são ainda mais frios. Assemelham-se a gigantescas bolas de neve feitas de gelo e gases congelados, com o centro de rocha endurecida. Mercúrio, ao contrário, é muito quente. É feito de rochedos e a sua superfície é muito parecida com a da Lua. Marte é um planeta árido, de superfície rochosa, com capas de gelo cobrindo os pólos norte e sul. Vênus é coberto por espessas camadas de nuvens.

As geleiras existentes nestes planetas não são de água. São de dióxido de carbono solidificado, conhecido também por gelo-seco, que é muito mais frio que aquele feito de água.

A espantosa teoria de que somente a Lua se movia em volta da Terra, enquanto a Terra e os demais planetas moviam-se ao redor do Sol, foi pela primeira vez proclamada no século XVI por Copérnico, astrônomo polonês. O livro que continha essa teoria foi publicado em 1543, quando o autor encontrava-se no leito de morte.

Desde a Antigüidade, têm sido criadas inúmeras hipóteses para explicar o Universo. Nos últimos séculos, o desenvolvimento da Ciência permitiu conhecer a Terra, não só como planeta, mas também como membro de uma família muito maior: o Sistema Solar. Convém relembrar algumas informações sobre isso.

O espaço cósmico apenas começa a ser conhecido pelos homens. Sabemos que nele a Terra é um minúsculo planeta, em meio a bilhões de astros de diferentes naturezas e tamanhos. Mas nesse universo há organização. Assim, o sistema planetário a que pertencemos tem como centro uma estrela, o Sol, e é constituído, ainda, por mais oito planetas e 39 satélites, além de cometas, planetóides e meteoritos.

O Sol se desloca no espaço a grande velocidade, juntamente com os astros que o acompanham. Os planetas do Sistema Solar são bastante diferentes uns dos outros. Em relação ao Sol, alguns estão mais próximos, outros mais distantes. Alguns têm grande massa, outros não. A velocidade com que cada um se desloca em sua órbita também é variável. O Sol e sua família de planetas movem-se todos tão regularmente como um relógio de altíssima precisão.

O meu mestre, o Sr. Racional, afirma que o Universo inteiro obedece a uma severa disciplina, verificada na pontualidade dos movimentos dos corpos no espaço sideral. Diz também que o hábito é uma segunda natureza e que devemos introduzir em nossas vidas o hábito da disciplina, da metodização, da ordem, para que tudo que temos a fazer seja feito com espontânea naturalidade. Esta é a forma mais fácil de vencermos as dificuldades da vida. A disciplina é um dos segredos do sucesso.

O Sistema Solar é imenso, mas ele é apenas parte de uma imensa galáxia, onde circulam 250 milhões de estrelas de grandezas diversas, muitas das quais maiores e muito mais brilhantes que o Sol. Essa galáxia à qual pertencemos é constituída por um enorme conjunto de sistemas solares, formando uma grande família. Ela é, vista de cima, como uma grande espiral e, vista de frente, como uma lente biconvexa.

A galáxia onde vivemos é conhecida por Via-Láctea. Podemos vê-la, nítida, nas noites límpidas como uma nuvem no céu. Se pudéssemos vê-la inteira, de uma só vez, ela pareceria uma roda, protuberante no centro e afinada nas bordas. Ela é uma nebulosa que se avista no céu, nas noites serenas, sob a forma de uma larga faixa esbranquiçada, também conhecida pelos cristãos da Idade Média como Caminho de São Tiago.

A Via-Láctea compreende uma pequena parte do espaço cósmico. Como tudo no espaço gira, a grande espiral da galáxia roda ininterruptamente. Imaginem que a galáxia seja um imenso carrossel. Numa das bordas desse carrossel, distando mais ou menos um terço do raio, encontra-se o nosso sol, rodeado pelos seus planetas. Sabemos que existem no Universo inúmeras outras galáxias, muitíssimo distantes umas das outras.

Para os gregos somente existiam estrelas fixas e estrelas ambulantes. As estrelas ambulantes eram as que nós chamamos de planetas. Sabiam que existiam duas estrelas fixas no Universo. Eram, elas, muito brilhantes: Arcturus e Sírius. Em 1718, o astrônomo Halley verificou que essas duas estrelas fixas haviam se deslocado cerca de um grau e um grau e meio, respectivamente. Depois de Halley, rigorosas medições das posições das estrelas mostraram que nenhuma poderia chamar-se fixa. Todas as estrelas estão em movimento e só por estarem a distâncias incomensuráveis é que seus movimentos, desde a Antigüidade, passaram despercebidos.

Somente agora começa a ser desvendado o espaço intergalático.

A Nasa, através de pesquisas feitas por telescópios montados em satélites artificiais, tem feito muito progresso nesses estudos.

Tio Marcos, os foguetes interplanetários que colocam os satélites com telescópios em órbita são iguais aos aviões a jato? - perguntou Silvinho.

O princípio de funcionamento dos motores do avião a jato e do foguete é o mesmo. Funcionam baseados na 3ª Lei de Newton, também conhecida como Princípio da Ação e da Reação. Quando os combustíveis dos foguetes e dos aviões a jato queimam, produzem grande quantidade de gases, que são expelidos em grande velocidade e alta temperatura. Os gases são expelidos por uma força exercida pelas paredes internas da câmara de combustão desses motores. O gás aplica uma força de reação nas paredes internas e é essa força que impulsiona o foguete ou o avião, em sentido contrário à abertura de escape dos gases, onde a pressão é bem menor, em virtude da velocidade de escape desses gases.

0 motor do avião a jato precisa de oxigênio para queimar o seu combustível, que é retirado do ar atmosférico. O motor do foguete não utiliza o oxigênio da atmosfera. Ele carrega, juntamente com o combustível, um oxidante. A mistura de ambos possibilita a combustão, gerando gases ultraquentes, fazendo grande pressão. Desta forma ele pode viajar pelo espaço interplanetário onde não existe oxigênio. Logo “Ação” é o escape dos gases e “Reação” é a força para frente, oposta à saída dos gases.

Certa ocasião, o Sr. Racional explicou que o Princípio da Ação e da Reação é também verdadeiro na vida moral dos homens, das sociedades e das nações. Dizia o Sr. Racional: “Não as faças que as pagas”. É a Lei de Causa e Efeito que tem o seguinte enunciado: Irrevogavelmente as boas ou más ações determinam, para quem as pratica, como conseqüência, um resultado correspondente aos pensamentos e atos que o geraram. Portanto, quem mal faz para si está fazendo. Essa é a lei.

No plano espiritual não há perdões, nem deuses para perdoar. Numa filosofia oriental chamada Bramanismo, em textos chamados Vedas, há um conceito denominado carma que afirma: “Todo conjunto de ações dos homens, boas ou más, gera conseqüências que irão eclodir num futuro próximo ou remoto”. O Sr. Racional diz que nós poderemos sofrer, no futuro, em conseqüência de pensamentos errados ou da má aplicação do nosso livre-arbítrio. Agora, digo eu: esse sofrimento não deve ser interpretado como castigo. Os sofrimentos que atingem todos nós do planeta Terra têm por finalidade nos ensinar e não nos punir. Portanto, não existe carma, nem destino, nem sorte, nem azar. O que existe é o livre-arbítrio, cujo atributo é uma herança que nos pertence, própria do espírito que já atingiu a condição de possuir pensamento contínuo e raciocínio, conquistado por nós próprios em nossa trajetória evolutiva. Se não fosse assim, o homem seria um títere, um fantoche manipulado por uma força maior. Como conseqüência, suas realizações seriam vãs e seus erros, sem significação. A vida não teria qualquer finalidade e poderíamos abandoná-la quando desejássemos.

O carma ou a Lei de Causa e Efeito, como é chamada pelos espiritualistas do Ocidente, tem também aplicação coletiva, no sentido de que o progresso, os benefícios ou as desgraças que os povos sofrem ou desfrutam são os reflexos, as conseqüências do que realizaram em encarnações passadas. Da mesma forma, os problemas e as situações negativas, que muitos povos coletivamente têm enfrentado, são o resultado dos maus pensamentos, muitas vezes gerados pela religiosidade e pelo fanatismo. Mas voltemos ao nosso assunto, Universo.

Aristóteles, filósofo grego que viveu entre os anos 384 e 322 a.C., afirmava que os astros giravam em torno de um centro imóvel, a Terra. Segundo Aristóteles e seus seguidores, acima da Lua, todos os astros eram eternos e não sofriam qualquer mudança. Abaixo da Lua estavam as coisas imperfeitas, sujeitas à decadência e ao desaparecimento. Aristóteles também pensava que os corpos caíam porque o seu lugar natural era a superfície da Terra. Para Aristóteles a Terra era esférica. Ele chegou a essa conclusão observando a sombra terrestre projetada na Lua, durante os eclipses lunares.

Um outro grego, Aristarco, nascido a 310 a.C., defendia a idéia de que o Sol estava no centro do Mundo, imóvel, e que a Terra movia-se em torno dele, juntamente com outros planetas. Essa visão do mundo foi chamada de heliocêntrica (helios significa sol, em grego). Aristarco dizia também que a Terra girava. Sua visão do mundo era, portanto, mais parecida com a atual.

No século II a.C., um astrônomo chamado Ptolomeu afirmava, como Aristóteles, que os planetas estavam presos a pequenas esferas de cristal, as quais também giravam. A nova descrição do Mundo criada por Ptolomeu ganhou muitos adeptos porque explicava melhor os movimentos dos astros e possibilitava fazer previsões sobre a posição que os planetas teriam em tempo futuro.

Os pensamentos de Aristóteles e de Ptolomeu foram incorporados pela Igreja Católica da Idade Média, como parte de suas doutrinas, e quem se opusesse aos ensinamentos aristotélicos era considerado herege, isto é, pessoa que professa doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja como matéria de fé. Conseqüentemente era condenado pelo Tribunal da Inquisição e queimado vivo para purificar-se pelo fogo a alma desse herege.

Na Idade Média, entre os anos 1225 e 1275, viveu o teólogo italiano São Thomás de Aquino, o qual propôs demonstrar que existia união íntima entre a Fé e a Razão, isto é, entre a Teologia e a Filosofia, criando a Doutrina Escolástica, que procurou uma síntese entre a filosofia de Aristóteles e a fé católica, a qual se apoiava na revelação e na autoridade divina, integrantes dos Evangelhos.

Procurando conciliar os postulados da fé cristã com o pensamento aristotélico, reconhecia São Thomás de Aquino duas fontes de conhecimento: a fé cristã, transmitida pelas Escrituras, e as verdades adquiridas pela razão humana, como foram ensinadas por Platão e Aristóteles.

Agora, vejam vocês! Quanto disparate quererem justificar os dogmas da fé, uma coletânea de lendas bíblicas, com o pensamento de Aristóteles, discípulo de Platão, cuja filosofia ensinou a humanidade a pensar, que aprofundou o estudo da Lógica, ou melhor, da Ciência do Pensamento.

O Papa Leão XIII, em 1879, proclamou o padre dominicano São Thomás de Aquino o filósofo oficial da Igreja.

Roger Bacon (1214-1292), padre franciscano, rejeitou a filosofia escolástica, proclamando simplesmente que a razão e a autoridade não eram condições suficientes para provar os conhecimentos. Dizia que o único meio de se chegar à verdade era através da observação e da experimentação. Criticava os sábios que dissimulavam suas ignorâncias com argumentos verbosos. Veremos mais adiante que a experimentação era também a proposta de Galileu para demonstrar a Verdade.

Roger Bacon, um dos pais da ciência experimental da Idade Média, era protegido do Papa Clemente IV, que o estimulou a escrever a sua obra e a enviá-la a Roma. Após a morte desse papa, Bacon foi condenado pela Igreja e encarcerado. Ficou preso durante catorze anos. Morreu logo depois que saiu da prisão.

Nicolau Copérnico (1473-1543), astrônomo polonês, considerava que o Sol estava no centro do Universo, com os planetas girando ao seu redor. Morreu no mesmo ano da publicação das suas teorias, mas deixou muitos seguidores. Um deles foi Giordano Bruno, sacerdote e teólogo nascido em 1548 na Itália. Giordano Bruno acreditava nas idéias de Copérnico, mas foi além. Afirmava que o Universo era infinito, contrariando as idéias de Aristóteles, de que o Universo era esférico e fechado. Para Giordano Bruno não havia no céu esferas de cristal segurando os astros, como afirmavam os astrônomos antigos, e as estrelas, assim como o Sol, podiam ter planetas girando ao seu redor. Ele acreditava também na existência de inúmeros mundos e afirmava que, para os habitantes desses mundos, a nossa Terra seria apenas um astro a mais. A Igreja não aceitou essas idéias. Em 1600 ele foi preso pela Inquisição, condenado e queimado na fogueira.

Um outro defensor das idéias de Copérnico foi Kepler, um astrônomo alemão que viveu entre 1571 e 1630. Johannes Kepler não foi perseguido pela Igreja Católica porque na Alemanha, sua pátria, a Igreja não tinha o mesmo poder que na Itália. Kepler chegou à conclusão de que os planetas descreviam elipses, e não órbitas ovais em torno do Sol.

De todos os seguidores de Copérnico, quem realizou o trabalho mais revolucionário foi o italiano Galileu Galilei (1564-1642). Físico e astrônomo, ganhou em 1609 um telescópio que havia sido inventado anos antes na Holanda.

Os primeiros telescópios permitiam ver um objeto como se estivesse três vezes mais perto. Galileu aperfeiçoou o invento, construindo outro telescópio que permitia ver um objeto como se estivesse trinta vezes mais perto e passou a usá-lo para observar o céu.

Descobriu que Vênus apresentava fases como a Lua. O estudo dessas fases levou Galileu a concluir que Vênus girava em torno do Sol. Apontando o telescópio para o Sol, descobriu as manchas solares. Observou o movimento dessas manchas e concluiu que o Sol fazia movimentos de rotação, em torno de si mesmo. Portanto, o Sol não era imóvel. Descobriu também os satélites de Júpiter.

Observando esses fatos, não era possível continuar afirmando que a Terra era o centro do Universo. Galileu descobriu também que todos os corpos sobre a Terra, inclusive a atmosfera, e mesmo uma pedra lançada verticalmente, movem-se junto com a Terra. Por isso, nós não percebemos o movimento de rotação da Terra, o qual produz o dia e a noite.

Sempre houve elementos científicos em qualquer pensamento, até na magia. O primeiro homem, ao perceber que o fogo queimava, fez uma observação científica, nascida do bom senso. Mas quando atribuiu ao fogo uma vontade própria e maligna de queimar, deixou de fazer ciência para criar a Demonologia. A Ciência é herdeira do primeiro raciocínio e abandonou o segundo porque ele não era comprovável. O conhecimento científico é, pois, conhecimento comprovável. As provas também têm que ser científicas. O selvagem pode “provar” a presença de um demônio nas chamas, alegando que ele foi visto certa vez, ou que sonhou com ele, ou que é assim porque “todos sabem disso”. Esse tipo de prova não interessa à Ciência.

A Ciência não começou com os gregos. Ela começou com Galileu e tem apenas quatro séculos. Vamos explicar isso.

A observação diária nos diz que uma pluma flutua no ar e uma pedra se precipita velozmente para o chão. O que leva o bom senso a acreditar que pesos diferentes caem a velocidades diferentes. Se perguntarmos à maioria das pessoas o que cai mais depressa, um peso de um quilo ou um de dez, quase todos apontarão o de dez quilos. Alguns acrescentarão que o de dez quilos cai dez vezes mais depressa que o outro, assumindo um ar muito científico. Apesar de essa resposta estar baseada no bom senso, ela é completamente falsa: pesos diferentes caem com velocidade igual. Isso foi demonstrado por Galileu, quando jogou bolas de metal e pedra com o mesmo diâmetro, mas com pesos diferentes, de cima da torre inclinada de Pisa.

Galileu estava envolvido numa disputa a esse respeito com seus colegas professores. Aristóteles afirmara em seu livro de Física que pesos diferentes caem com velocidades proporcionais ao seu peso. Até a Renascença, quando começa a revolução científica, Aristóteles era autoridade indiscutível. Já que ele tinha dito, “devia” ser assim. Galileu fez a experiência e achou o contrário. Seus colegas teimaram. Se estava escrito em Aristóteles, então a experiência de Galileu estava errada. E sorriam condescendentes.

Galileu foi para cima da torre e jogou os pesos exatamente na hora em que pela praça passavam estudantes e professores, para que todos pudessem testemunhar os resultados. Os estudantes aplaudiram-no e os professores tornaram-se seus inimigos. Alguns acrescentaram que se tratava de um truque, uma ilusão de óptica ou uma trapaça qualquer.

Galileu, em 1632, publicou em Florença todas as provas que demonstravam o sistema proposto por Copérnico. Por isso, foi obrigado a renunciar à sua teoria diante do Tribunal da Inquisição, um ano depois, em 1633. Forçado a retratar-se, por haver proclamado que a Terra girava sobre si mesma, contrariamente à letra das Escrituras, ainda ajoelhado, após abjurar. pronunciou em voz baixa, em italiano, a frase histórica: “Eppur, si muove!”, que quer dizer: “E no entanto, ela se move!”

A fé que Galileu tinha na Ciência separou-o do mundo universitário do seu tempo e terminou por condená-lo à prisão domiciliar pela Inquisição. Mas de seus trabalhos nasceu o método científico em estado puro. Foi o iniciador da escola dos grandes cientistas modernos que não mantém relação com a magia, ao contrário, por exemplo, do seu contemporâneo Johannes Kepler, um dos fundadores da moderna Astronomia, que também era um astrólogo convicto. Dava tanta importância às suas descobertas planetárias como aos seus horóscopos que, seja dita a verdade, garantiam-lhe o sustento, possibilitando que estudasse o céu. Kepler foi o homem da transição entre a época do pensamento mágico e a época do pensamento científico. Foi o último dos grandes magos-cientistas, como foram Paracelso e os alquimistas.

Galileu, ao contrário, só acreditava no método científico. Foi o primeiro a denunciar os grandes inimigos desse método: os argumentos baseados na autoridade e no bom senso.

Tanto a autoridade indiscutível de Aristóteles como o bom senso da escolástica de São Thomás de Aquino tinham enganado a todos sobre a queda dos corpos de pesos diferentes e sobre várias outras coisas, entre elas a afirmação de que a Terra ocupava o centro do Universo.

Em 1642, quatro anos antes da desencarnação de Galileu, quando ainda cumpria pena de prisão domiciliar imposta pela Inquisição, ele mandou a um editor da Holanda o manuscrito do seu livro Duas Novas Ciências, cuja obra, mais do que seu apoio às teorias de Copérnico, foi a gênese da Física Moderna.

Nisso, tio Marcos levantou-se e disse:

Já são horas de dormir. Amanhã, continuaremos o mesmo assunto.



2. O Universo II

Tio Marcos, como se explica o aparecimento do Universo? - perguntou Serginho, muito interessado.

Antes de continuarmos esse assunto, vou fazer um pequeno preâmbulo.

O homem, apesar das suas imperfeições, no estágio evolutivo em que presentemente se encontra, apesar de tudo o que já aprendeu e realizou, ainda se pergunta sobre a sua origem. Evoluiu ou foi criado? Ou será o resultado de uma combinação dessas duas possibilidades? O Universo foi criado ou foi o resultado de uma grande explosão? Nosso planeta estará caminhando para a idade do gelo, que os cientistas chamam de Era Glacial, ou ficará cada vez mais quente sob o efeito estufa?

Podem-se ouvir centenas de teorias sobres esses assuntos, oriundas de filósofos das mais diferentes escolas e dos mais renomados cientistas, tentando explicá-las como fato em processo de realização.

A criatura, antes de querer entender a complexidade do Universo, precisa, para tal fim, adquirir outros conhecimentos mais simples, porém necessários a esse entendimento. Deve, com humildade, aprender as inúmeras lições que ainda não conseguiu entender. Precisa livrar-se das ilusões, das fantasias e da religiosidade. Somente após várias encarnações, durante as quais os sofrimentos e as grandes dores depurarão o espírito, ficará ele, quando o sofrimento passar, livre da ilusão da paixão, livre da ilusão da posse, livre da ilusão da proteção divina, livre da ilusão dos conceitos corporativistas, dos conceitos de nacionalidade, seita, classe e família. Somente nessa fase da sua evolução, limpo, depurado, terá condições de entender a Verdade. Até chegarmos a esse ponto da nossa evolução, nossa obrigação é trabalhar, estudar e raciocinar.

Feita esta pequena introdução, vamos agora explicar o que até agora tem sido aceito pela comunidade científica. Contudo, os acontecimentos que hoje acreditamos serem fatos provavelmente se transformarão amanhã, à medida que continuarmos a aprender sobre o mundo. Lembrem-se de que eu já disse, antes de iniciarmos estas aulas, que: “Não existe mistério algum no mundo físico que, uma vez entendido, não leve a outro mistério situado mais adiante.” Mesmo que acreditássemos saber tudo sobre o passado remoto da Terra, estes conhecimentos estão sempre sujeitos a novas interpretações, à luz de novas descobertas.

Bem, continuemos: a energia radiante emitida pelas estrelas, pelos sóis de todas as galáxias, que vemos como luz material, tem origem nas reações atômicas que ocorrem nessas estrelas. Conseqüentemente não pode ser confundida com a Luz Astral, emitida pelo Grande Foco, qual Força Inteligente que enche o espaço infinito e ilumina as regiões espirituais. As trevas da noite nada significam para o espírito, pois este enxerga por meio da luz astral que atravessa tudo, que penetra todos os corpos existentes no espaço sideral. O dia e a noite expressam períodos apenas relacionados com a vida material.

O homem, procurando o sentido criador da vida e o poder ilimitado da Inteligência Universal, há de perceber que não passa de um ser de reduzidíssimas dimensões diante da grandiosidade do Universo. Se o seu estado evolutivo permitisse, compreenderia então a imensa caminhada que há de fazer na longa estrada da evolução.

Os estudos sobre a possível origem da evolução do Universo constituem uma ciência chamada Cosmogonia, a qual acredita que o Universo tenha surgido há 10 bilhões de anos. A Cosmogonia estuda a origem e a evolução do Universo. A Astronomia estuda a constituição, a posição relativa e os movimentos dos astros.

Há várias teorias cosmogônicas muito bem elaboradas para explicar a origem do Universo. Temos a Cosmogonia de Alfvén-Klein, cujo modelo descreve o Universo inicial como uma gigantesca nuvem esférica, constituída de matéria e antimatéria. Quando a densidade crítica é alcançada, a matéria e a antimatéria começam a se aniquilar, provocando a expansão do Universo.

Temos também o Modelo Cosmogônico Relativista, desenvolvido com base na Teoria Geral da Relatividade de Einstein. Sintetizando essa teoria, o Universo poderia ser comparado a uma bolha que se estaria expandindo no espaço em todas as direções, continuamente, ao longo do tempo cósmico. Desta forma, o Universo não seria alguma coisa acabada e pronta, mas estaria em contínua evolução e teria as mesmas propriedades em todas as direções.

A matéria existente no Universo estaria distribuída, formando aglomerações de galáxias, quais milhares de ilhas num oceano infinito, separadas por distâncias incomensuráveis. Isto significa que, em algum momento, o volume do Universo foi zero. Portanto, os seres vivos, os seres não vivos, o espaço e o tempo teriam se iniciado a partir de um estado em que a matéria estaria concentrada. Essa explicação sobre a possível origem do Universo ficou conhecida como Teoria da Grande Explosão Inicial ou Teoria do Big-Bang. Ela leva a imaginar que todo o Universo teria se iniciado a partir da explosão cósmica de um núcleo inicial concentrado de matéria, cuja temperatura era extremamente elevada. Supõe-se que, ao explodir, o Universo tenha se esfriado. A matéria então reagrupou-se, dando origem às galáxias.

Uma outra teoria recente sobre a formação do Universo é muito abstrata e baseia-se em teorias físicas, segundo as quais é possível haver no Universo grandes vazios, onde não há seres nem energia, mas apenas oscilações de Tempo e Espaço. No interior desses vazios, a matéria pode aparecer a qualquer momento e penetrar em nosso tempo-espaço. Essa nova matéria apareceria como uma intensa explosão, liberando diferentes formas de energia e sem qualquer causa compreensível. Surgiram então os buracos brancos.

Não confundir esses buracos brancos com os buracos negros, que são outra coisa. Chama-se buraco negro um determinado estado que a matéria atinge ao sofrer um colapso gravitacional, no qual nem a luz, nem a matéria nem qualquer outro tipo de sinal podem escapar. Portanto, forma-se um buraco negro quando o campo gravitacional se torna tão intenso que a velocidade de escape de um corpo se aproxima da velocidade da luz (300 mil km/s no vácuo). De acordo com essa teoria, falar em idade do Universo perde o significado, pois a matéria estaria sendo criada a qualquer tempo.

Tio Marcos, qual é a origem do Sol e da Terra? - perguntou Fernanda, a mais nova das meninas.

Vocês já aprenderam que o Sol é uma estrela em torno da qual giram a Terra e os outros planetas do Sistema Solar. O Sol é uma estrela que, comparada às outras existentes no Universo, é relativamente pequena e de brilho fraco, parecendo ser maior e mais brilhante por se encontrar bem perto de nós. A sua luz leva oito minutos e meio para atingir a Terra. A estrela que está mais próxima de nós, logo depois do Sol, é a Alfa do Centauro. A sua luz leva 4,3 anos-luz para chegar até aqui. Em seguida vem a estrela Sírius, cuja luz leva 8,8 anos-luz para chegar à Terra.

Segundo hipóteses, as estrelas formam-se de nuvens de matéria interestelar, constituída de partículas sólidas e de gases, principalmente o hidrogênio e o hélio, que vagam pelo espaço. Tanto o Sol como outras estrelas teriam se formado pela condensação gradual de uma dessas nuvens. À medida que uma nuvem de matéria interestelar fica mais densa, os átomos e outras partículas vão se concentrando e seu movimento torna-se mais acelerado. A colisão entre os átomos vai aumentando e liberando grandes quantidades de energia. A temperatura torna-se tão alta que os núcleos dos átomos começam a se fundir. Essa fusão de átomos corresponde à mesma fusão nuclear que produz a energia atômica. A fusão nuclear do hidrogênio continua ocorrendo em nosso sol, e a energia atômica liberada é a energia solar que chega até nós.

Quanto à Terra, durante a formação do Sistema Solar, isto há bilhões de anos, supõe-se que o nosso planeta tenha sido inicialmente uma imensa massa de material incandescente, de origem estelar, girando no espaço sideral. Com o tempo, e muito lentamente, a superfície dessa massa foi sendo resfriada. Ao atingir temperaturas mais baixas que o seu interior, começou a formação de uma crosta sólida. Esta foi se tornando cada vez mais espessa com o decorrer do tempo, contado em bilhões de anos. No interior da Terra encontramos uma temperatura elevadíssima, da ordem de milhares de graus centígrados. Seu núcleo, constituído por material em estado de fusão, é chamado magma.

Enquanto se formava a camada sólida externa, houve a cristalização e a formação dos elementos minerais, tal como os conhecemos. Houve também o desenvolvimento de gases e vapores que, em parte, escaparam da força gravitacional e se dispersaram no espaço sideral. Outra parte, pela ação da gravidade, permaneceu sobre a superfície da crosta, envolvendo o planeta e formando a atmosfera.

O esfriamento da atmosfera, por sua vez, acarretou a lenta condensação de alguns elementos, formando líquidos, principalmente a água, que viriam a dar origem aos oceanos, rios, lagos e lençóis de águas subterrâneas.

Envolvendo a parte sólida do planeta, a litosfera, e a parte líquida, a hidrosfera, acha-se a atmosfera, com aproximadamente 1000 km de altura, formada por gases diversos. A camada atmosférica mais próxima das superfícies continentais e oceânicas é chamada troposfera, formada por gases como o oxigênio, nitrogênio, hélio, argônio e contendo também bióxido de carbono e vapor d'água. Acima da troposfera está a estratosfera, formada principalmente por nitrogênio, hélio e oxigênio, em concentrações já bem menos densas. Nas partes superiores da estratosfera encontramos o ozônio, que age como filtro dos raios ultravioletas provenientes do Sol.

Em seguida temos a ionosfera, a mais alta e menos densa das camadas atmosféricas. Nela aparecem o hidrogênio, o oxigênio e o nitrogênio, em baixas concentrações. Além da ionosfera, também encontramos cinturões de radiação que envolvem o planeta, descobertos pelo físico Van Alen, o qual desenvolveu satélites científicos equipados com instrumentos para medir esses campos. Acima desse limite já estamos no espaço interplanetário.

Calcula-se que o Sistema Solar, incluindo-se a Terra, começou a existir há cerca de 5 bilhões de anos. As rochas da crosta terrestre mais antigas que se conhecem datam aproximadamente de 4 bilhões de anos, época em que o planeta Terra era árido e sem vida.

A Terra ainda hoje é muito quente em seu interior. A 50 km de profundidade, abaixo da superfície, as rochas já não são totalmente sólidas. A lava expelida das erupções vulcânicas é material rochoso em estado de fusão e incandescente, evidenciando a alta temperatura do interior do nosso planeta. Em regiões de 3300 km abaixo da superfície, a temperatura é de aproximadamente 4000°C. A prova dessa alta temperatura subterrânea, temos aqui mesmo, a nossa cidade vizinha chamada Caldas Novas, GO. O Rio Quente, que nasce no sopé da Serra Caldas, distante 25 km da cidade, é considerado um dos maiores mananciais de águas termais conhecidos, pois esse rio tem centenas de fontes, onde a água brota com a temperatura de 60°C. A cidade encontra-se próxima à borda de um grande vulcão extinto.

Tio Marcos, por que os astrônomos dizem que o planeta Vênus é irmão gêmeo da Terra? - perguntou Boris.

Quando se observa o planeta Vênus, uma das características que mais chama a atenção é o seu brilho, que é intenso, ao amanhecer e ao entardecer. Vênus também é conhecido pelo nome de estrela d'alva. Depois do Sol e da Lua, ela é o astro que mais brilha no céu. Por ocasião da sua maior aproximação com a Terra, pode ser visto durante o dia, de manhã e ao entardecer. Por isso, os antigos gregos julgavam que se tratava de duas estrelas distintas, dando-lhes nomes diferentes: Fósforo, quando aparecia no céu matutino, e Héspero, quando brilhava ao pôr-do-sol. Até há poucos anos, Vênus ainda era um dos maiores mistérios do céu. Um século de cuidadosas observações telescópicas revelou pouco dos seus segredos. Em 1950, o radar foi introduzido na Astronomia, mas também foi de pouco auxílio. Para se saber mais coisas sobre Vênus, foi preciso esperar pela Era da Astronáutica. Mas a exploração do planeta com satélites automáticos é cara. Das dezessete sondas lançadas em direção a Vênus, somente seis chegaram lá funcionando.

Antes do aparecimento dos satélites artificiais, os astrônomos já sabiam que Vênus descreve uma órbita quase circular em torno do Sol, uma elipse com raio médio de 108 milhões de quilômetros. Sabiam também o seu tamanho e achavam Vênus tão parecido com a Terra que os chamaram planetas gêmeos.

Em maio de 1969, a sonda espacial Mariner V constatou que as condições reinantes no planeta são bastante hostis. A pressão atmosférica de Vênus é cem vezes superior à pressão da Terra. Duas cápsulas russas, apesar de blindadas, foram esmigalhadas, muito antes de tocar a superfície, submetidas a esta pressão. Este será um dos primeiros problemas a ser vencido quando para lá for enviada uma expedição exploradora. Sua temperatura também é muito elevada: 250 a 270°C. No solo, a temperatura pode chegar a 327°C. O ano de Vênus tem 225 dias.

A única semelhança que há entre a Terra e Vênus é quanto ao seu tamanho. Vênus tem um diâmetro de 12400 km, e a Terra tem um diâmetro de 12700 km. Portanto, o diâmetro da Terra é maior em 300 km. A superfície venusiana é inóspita. Tempestades violentíssimas varrem permanentemente a sua superfície com ventos de até 200 km/h. Vênus é rodeado por uma atmosfera densa. A composição química dessa atmosfera é conhecida desde 1932, quando foi constatada a presença de muito gás carbônico (CO2). Recentemente as análises revelaram pequenas quantidades de oxigênio e de vapor d'água, 1,5 % , além de traços de nitrogênio e outros gases. Na sua atmosfera, o que predomina mesmo é o carbono, que representa 95 % do total.

Os astrônomos, sabedores de que Vênus está perto do Sol, imaginaram então que suas nuvens reteriam parte do calor recebido do Sol, criando na superfície do planeta um ambiente de estufa. Portanto, Vênus deveria ser um imenso pântano, onde, no meio do lodo, nadariam animais monstruosos, parecidos com os dinossauros que habitaram a Terra há 380 milhões de anos. Tudo isso, porém, não passou de simples conjectura. Os mais sofisticados instrumentos não conseguiram revelar nada do que existe sob as nuvens venusianas. A única coisa que se sabia com certeza era a temperatura da camada superior das nuvens que cobrem o planeta: -50°C.

Vênus é mesmo um forno escaldante, varrido por furacões e coberto por um teto de nuvens amarelas.

A aproximação mais favorável para se alcançar Vênus com um foguete, para que se tenha o mínimo gasto de combustível químico, é quando Vênus está a 42 milhões de quilômetros da Terra, o que ocorre a cada dois anos.

Tio Marcos, é verdade que existem canais na superfície de Marte? - perguntou Boris, que gostava muito de Astronomia.

Esses canais já deram muito o que falar. Entre 1877 e 1890, o astrônomo Schiaparelli descobre em Marte estranhas linhas escuras que sugeriam canais construídos por obra de uma inteligência viva. Quase um século depois, em 1965, a sonda Mariner IV, em órbita no planeta Marte, transmitiu imagens de um mundo inóspito, aparentemente inadequado à vida, e esclareceu que os canais não existem. Hoje, depois de uma sistemática exploração científica, por meio das sondas espaciais Mariner IV, VI e VII, os astrônomos podem afirmar com segurança que não há seres inteligentes em Marte.

Sobre os canais, a melhor explicação encontrada para eles, e de modo geral aceita pelos astrônomos modernos, é de que se trata de uma ilusão de óptica, causada por uma tendência natural do olho humano de dar estrutura geométrica a pontos distintos.

Apesar da exploração feita através das sondas, Marte, sob muitos aspectos, continua como um grande enigma a desafiar permanentemente os cientistas. Por exemplo: suas luas Fobos e Deimos, que possuem características tais que é difícil admiti-las como satélites naturais. Estes dois satélites foram descobertos em 1877 pelo astrônomo norte-americano Asaph Hall. Ambos giram em grande velocidade em redor do planeta e por isso foram denominados Deimos (em grego, terror) e Fobos (medo). Por apresentar características muito singulares, há quem pense que Fobos seja um satélite artificial. Deimos gira em torno de Marte em 30 horas e 18 minutos, numa órbita a 23000 km de altura. Seu diâmetro é de cerca de 8 km. Visto de Marte, apresenta-se como um astro tão brilhante quanto Vênus. Fobos, bem mais brilhante que Deimos, dista quase 9400 km e tem 16 km de diâmetro. Enquanto Deimos faz o movimento normal, circulando de leste para oeste, Fobos circula em sentido contrário, a uma velocidade espantosa, efetuando uma revolução em 7 horas e 39 minutos, portanto, atravessando o céu marciano três vezes no mesmo dia. Um dia marciano é praticamente igual ao terrestre. Tem 24 horas e 37 minutos.

Outra hipótese proposta pelos cientistas é de que Fobos seria um cometa capturado pela atração gravitacional de Marte, tendo perdido a cauda e a cabeleira, ficando apenas o núcleo.

Marte possui nos pólos duas calotas. O primeiro pensamento foi encará-las como recobertas por enormes massas de gelo. Mas não é verdade. Informações enviadas pela sonda espacial Mariner VII indicam que as calotas são constituídas de bióxido de carbono, isto é, gelo-seco.

Marte goza de estações semelhantes às terrestres. Um ano marciano vale 687 dias terrestres.

A menor distância entre a Terra e Marte, nas ocasiões favoráveis, é de 55 milhões de quilômetros. Somente se podem fazer observações telescópicas favoráveis de dezesseis em dezesseis anos, quando o planeta está em situação de distância mínima.

As fotografias obtidas pela sonda Mariner VI, em 1969, vieram trazer informações muito mais detalhadas que as obtidas por telescópios. Sua superfície é muito semelhante à da Lua. As fotografias mostram também que a calota polar sul é cheia de crateras cobertas de gelo-seco.

O tempo de vôo entre a Terra e Marte, feito por um foguete com potência igual à do Saturno 5, é de mais de um ano, para ida e volta. Além dessa grande distância que separa os dois planetas, as condições hostis de Marte são obstáculos difíceis de superar.

A atmosfera marciana é semelhante à da Terra; contudo, sua quantidade de oxigênio é várias vezes menor e a água, centenas de vezes menor. Em 1969, obteve-se a prova de que existe água na atmosfera de Marte, embora em quantidades mínimas. A temperatura pode atingir extremos muito elevados: no equador, 30°C ao meio-dia e 0°C ao entardecer. Nos pólos, -60°C no inverno e -30°C no verão. A pressão atmosférica de Marte é de apenas 5 a 10% da pressão terrestre, donde se conclui que a sua atmosfera é muito rarefeita. Ventos intensos agitam a superfície, formando-se tempestades de areia levantada do solo.

Baseados nessas informações, os cientistas concluíram que, se existir qualquer tipo de vida em Marte, deverá ser vegetal e microscópica.

Tio Marcos levantou-se da mesa e disse:

Por hoje chega. Amanhã continuaremos com o mesmo assunto. Boa noite.

Tio Marcos, antes de o senhor sair, me responda uma perguntinha só. Qual é a estrela mais próxima da Terra? - perguntou Fernanda.

Tio Marcos respondeu:

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