A chave da Sabedoria Fernando Faria Índice analítico



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9. Raças III

Os meninos e as meninas, sentados à mesa, aguardavam a chegada de tio Marcos, que estava terminando uma conversa com vô Mário.

Tio Marcos chegou, sentou-se e começou ...

Hoje vamos recordar um pouco da história do homem branco, conquistador do Brasil.

Um dos períodos da História de maior interesse para os brasileiros é o das grandes navegações, que na linha do tempo estão localizadas entre 1400 e 1550.

A História registrou três povos que se destacaram como grandes navegadores. Foram os fenícios, os lusitanos e os espanhóis.

Os fenícios tinham as galeras, que eram embarcações longas e com os bordos baixos, movidas a remos, e serviam tanto para a marinha de guerra como para a marinha mercante.

As galeras de guerra possuíam proa reta, terminada num esporão agudo, horizontal, ao nível do mar. Algumas possuíam dupla ou tripla fila de remeiros. Não conheciam a bússola. Navegavam à noite, no hemisfério norte, guiados pela estrela Polar, uma estrela fixa de segunda grandeza localizada mesmo em cima do Pólo Norte. Este meio de orientação dos navegantes era usado desde a mais remota antigüidade.

Os lusitanos conheciam a técnica de navegação através de barcos equipados com velas náuticas, impulsionados somente pelos ventos. Sabiam decompor a força dos ventos em vetores, rumando para qualquer direção, mesmo contra o vento, usando o “efeito asa” para a impulsão do barco.

Os espanhóis também foram grandes navegantes. Em 1492, os reis da Espanha Fernando V, de Aragão, e Isabel I, de Castela, formaram uma frota de três caravelas, sob o comando de Cristóvão Colombo, nomeando-o vice-rei das suas futuras descobertas, e propiciaram a descoberta da América, onde construíram um grande império.

Os portugueses, voltados para a conquista da África e das Índias, deixaram que a oportunidade dessa grande descoberta lhes escapasse, em favor da Espanha.

No século XV, os portugueses iniciaram a exploração do Oceano Atlântico, principalmente da costa ocidental africana, rumo ao sul. Acabaram por contornar o Cabo da Boa Esperança e conseguiram chegar às Índias, através do Oceano Pacífico, usando grandes barcos veleiros.

Para atingir esse objetivo, D. Henrique (1394-1460), o Navegador, fundou em 1433 a Escola de Navegação de Sagres.

No Castelo de Sagres, que se erguia junto ao Cabo de São Vicente, à beira do Atlântico, D. Henrique reuniu os mais famosos especialistas em navegação da época: geógrafos, cartógrafos, matemáticos, mestres da construção naval, pilotos, marinheiros e navegadores. Construiu um observatório astronômico e estaleiros para construção de caravelas.

Saíram de Sagres os conquistadores da Guiné, dos Açores, de Cabo Verde, da Madeira, da África, da Ásia e da Oceania.

O Castelo de Sagres foi destruído em meados do século XVI, pelo corsário inglês Francis Drake, e o terremoto de 1755 que atingiu Portugal acabou com todas as construções do tempo de D. Henrique, sobrando somente uma rosa-dos-ventos daquela época.

Desde então, com o funcionamento da Escola de Sagres, Lisboa passou a ser um importante entreposto comercial, ampliando suas rotas mercantes do Mediterrâneo para o Atlântico.

A descoberta do Brasil e a exploração das suas minas de ouro e prata pelos portugueses contribuíram para maior enriquecimento e fortalecimento de Portugal.

As descobertas da América e do Brasil forneceram uma grande quantidade de metais preciosos a Portugal e à Espanha.

Desta forma, foram aumentados o uso e a cunhagem de moedas metálicas nestes dois países. Contudo, o ouro e a prata não ficaram em poder do governo português, nem do governo espanhol. Esses governos, considerando-se ricos, não se preocuparam com o desenvolvimento econômico de seus países. Passaram a comprar tudo o que precisavam dos países vizinhos. Suas indústrias regrediram. O ouro e a prata dos portugueses e espanhóis passaram para as mãos dos burgueses ingleses, franceses e holandeses. A partir do século XVI, o ouro e a prata oriundos de Portugal e da Espanha tornaram os burgueses mais ricos que os nobres. Até então, a nobreza era rica porque possuía somente terras. Iniciava-se, então, a Revolução Comercial, surgindo o Capitalismo. Estes capitais foram aplicados, principalmente pela Inglaterra, para expandir a indústria de manufaturas, eliminando a indústria doméstica. O ouro do Brasil foi, no século XVIII, um dos principais fatores do surgimento da etapa seguinte: a Revolução Industrial da Europa.

Este ouro possibilitou a Portugal desenvolver técnicas navais como elaboração de cartas de navegação corretas e o emprego do astrolábio e da luneta. Toda essa tecnologia avançada para a época permitiu que as naus portuguesas atingissem mares antes nunca navegados e monopolizassem o comércio de especiarias.

Tio Marcos, eu não sei quem inventou o astrolábio nem a caravela - quis saber Boris, com o braço levantado.

O astrolábio é um instrumento astronômico inventado no século II por Hiparco, um matemático e astrônomo grego. Esse instrumento serve para medir a altura de uma estrela em relação ao horizonte, isto é, acima do horizonte. Modernamente foi aperfeiçoado pelo astrônomo francês André Danjou. Trata-se de um astrolábio de prisma, dotado de aperfeiçoamento que diminui os erros de observação. O astrolábio, por sua importância para a navegação, continuou a ser aperfeiçoado e hoje foi substituído por um outro aparelho, chamado sextante, também destinado a medir a altura de uma estrela acima do horizonte. O sextante é constituído por dois espelhos e uma luneta astronômica, presos a um setor circular de 60°. Com o sextante, os navegantes conferem a rota em que estão, ou melhor, o seu curso, determinando a latitude em que se encontram.

Os conhecimentos antigos de navegação são estudados até hoje, embora as posições dos navios e dos aviões sejam atualmente determinadas por sinais radioelétricos, emitidos por satélites, por radiofarol e radiogoniômetros instalados a bordo.

Certa ocasião, na década de 60, visitando um porta-aviões com propulsão nuclear, o Enterprise, de 75 mil toneladas, perguntaram ao oficial que estava mostrando a cabine de comando:

 Se todos os aparelhos eletrônicos de navegação por satélite fossem destruídos em combate, como é que continuariam navegando?

E o oficial respondeu:

 Temos a bordo uma equipe de oficiais especializados em navegação astronômica, isto é, pelas estrelas. Jamais perderíamos o rumo nem a posição.

Agora vou falar sobre a caravela, a qual foi uma obra-prima da construção naval portuguesa. Era um veleiro rápido, embora de pequena tonelagem. Possuía casco arredondado, apropriado para grandes navegações oceânicas. As caravelas eram aparelhadas com quatro mastros e velas de bastardo, isto é, velas triangulares, que se armam numa verga que cruza o mastro. Levavam até dezoito canhões. Foram as naus dos descobrimentos, usadas pelos portugueses.

Já os espanhóis usavam grandes veleiros chamados galeões, armados para a guerra e utilizados também para transportar ouro e prata das suas colônias nas Américas.

Os galeões eram navios de bordo alto e no século XVI os portugueses também os usaram nas rotas comerciais para as Índias. O galeão também foi criado em Portugal, no final do século XV, especialmente destinado à proteção das frotas mercantes. Esses navios foram substituídos pelos clíperes. Eram grandes veleiros de formas finas, mastros altos, proa lançada e grandes superfícies de velas. Eram velocíssimos para a época, 1700.

Tio Marcos, o nosso professor de História, comentando as descobertas de novas terras pelos portugueses, salientou que certos historiadores afirmam que o Brasil foi descoberto bem antes de 1300. O que o senhor acha disso? - perguntou Marquinho.

Esta é uma velha controvérsia. A história do Brasil e a história de Portugal possuem falhas, pois o grande terremoto que atingiu Lisboa em 1755 destruiu muitos documentos históricos. Contudo, existem documentos, quer no Vaticano, quer no Arquivo Português, que comprovam não ter sido a descoberta do Brasil feita por Pedro Álvares Cabral, nem tampouco a América por Cristóvão Colombo. Historiadores como Assis Cintra afirmam que o Brasil foi descoberto por Sancho Brandão, pois, em 1342, já havia portugueses em São Vicente-SP e alguns até com família constituída com índios de tribos que habitavam a região.

Cabral não foi mais do que um enviado diplomático, mandado com certeza absoluta ao Brasil, para que se tornasse pública a sua descoberta. Isto porque fora necessário ocultá-la do Vaticano na ocasião, pois a Igreja Católica Romana também decidia sobre a posse das terras descobertas.

Por ocasião da descoberta do Brasil, o papa de então era espanhol. Sendo assim, o rei de Portugal, D. João II, teve o cuidado de escondê-la do mundo. Não confiava a ninguém o lugar onde estavam guardados tais documentos, comprobatórios dessa descoberta, pois trazia sempre consigo as chaves do esconderijo. Eram mapas e cartas de navegação que lhe tinham sido entregues, comprovando a localização do Brasil, portanto a sua descoberta e também a da América do Norte e América Central. D. João II pouco se importava com o resto. O que ele não queria era perder o Brasil. E assim sendo, provocou com êxito a celebração do Tratado das Tordesilhas, em julho de 1494, entre ele, rei de Portugal, e Fernando e Isabel de Aragão e Castela, pelo qual delimitavam-se os direitos de Portugal e da Espanha nos descobrimentos marítimos realizados e por realizar. Desta forma, tocaria à Espanha todas as terras situadas a oeste da linha meridiana imaginária, situada a 370 léguas de Cabo Verde.

Com esse tratado, pertenceria a Portugal o Brasil, cujas terras eram, então, desconhecidas do Papa Alexandre VI, que homologou o tratado, pouco importando a D. João II que o restante das terras, localizadas a oeste dessa linha imaginária, ficasse com a Espanha. O Brasil estava salvo.

Destacamos que a nação portuguesa, do século XV ao século XVIII, possuía uma grande e valorosa plêiade de espíritos superiores encarnados, constituindo um conjunto de almas muito desenvolvidas, pois Portugal, somente com dois milhões de habitantes, quase dominou o mundo. Toda essa história, toda essa glória foi cantada pelo poeta português Luís Vaz de Camões (1524-1580), autor do poema épico Os Lusíadas, no qual ressaltou os grandes feitos heróicos das descobertas marítimas de Portugal. Este livro foi publicado em 1572, com licença da Inquisição. Camões morreu pobre, num hospital de Lisboa.

Mas, continuando a história das descobertas, o acesso a essas novas terras abriu caminho para o contato com uma enorme quantidade de fatos, até então ignorados, ampliando extraordinariamente os conhecimentos acumulados pelos europeus.

Após a descoberta de um novo território, havia a preocupação de ocupá-lo o mais rapidamente possível, e também para saber que tipos de dificuldade essas terras ofereceriam à sua ocupação e à sua exploração econômica.

Aplicava-se o princípio de “melhor conhecer para melhor dominar”, principalmente no que se referia aos aspectos militares. Feito o primeiro reconhecimento, isto é, conhecido o inimigo, o terreno, planejava-se e organizava-se a ocupação, construindo fortes e outras benfeitorias militares. Era, então, implantada pela força a cultura católica, impropriamente chamada Cristianismo, como veremos mais adiante, para catequizar, para pacificar, para explorar economicamente os povos conquistados, tomando-lhes as melhores terras cultiváveis. Dizia-se depois nas igrejas que “os mansos herdarão a terra”, sem explicar, porém, que “os mansos” significavam tropas disciplinadas, isto é, formadas por homens escolhidos, bem pagos, treinados, armados e cuidadosamente comandados por uma hierarquia selecionada, com alto grau de escolaridade, preparada por escolas militares criadas para ensinar tecnologia da guerra e logística e para agir como força de ocupação e defesa, em qualquer situação de emergência que comprometesse a ordem estabelecida pela nobreza dominante.

A origem da população branca do Brasil é muito diversificada. Durante mais de três séculos, o território brasileiro foi exclusivamente colonizado por portugueses, dos quais herdamos a língua e a cultura. Após a Independência do Brasil, ocorrida em 1822, grandes contingentes de imigrantes europeus entraram no país, principalmente italianos, espanhóis, alemães e poloneses. Contudo, os fundamentos da cultura brasileira continuaram os mesmos, dados pelos colonizadores portugueses.

A nacionalidade portuguesa e a sua cultura foram forjadas durante séculos de lutas contra o infiel muçulmano. A unidade de Portugal foi mantida pela religião católica, numa campanha heróica, impedindo a expansão da conquista árabe e finalmente expulsando os mouros em batalhas ferrenhas. Desta forma, na colonização do Brasil, os portugueses preocuparam-se menos com a unidade racial do que com as questões de fé. Importava, realmente, que os habitantes do Brasil pertencessem à fé católica. A colonização do Brasil, culturalmente, ainda foi a continuação das cruzadas contra os infiéis muçulmanos. Assim a nova cultura gerada no Brasil, nos últimos cinco séculos, foi profundamente marcada pela religiosidade católica portuguesa.

No entanto, os portugueses que passaram a conviver com negros e com índios, num território totalmente diferente do europeu, transformaram-se, mudaram os seus costumes, o seu modo de pensar, as suas crenças. Tornaram-se brasileiros. Processo similar ocorreu com o negro e com o índio. Todos se transformaram. Nenhum deles ficou imune à presença do outro.

Tio Marcos, ontem ouvi o senhor falar para a Dona Maria, na hora do café, que nós temos duas vidas.O senhor poderia nos explicar isso? - perguntou Marquinho.

O Sr. Racional nos ensina que o ser encarnado tem duas vidas: uma encarnada, material e, simultaneamente, outra espiritual; que é vivida quando dormimos. Ao desencarnar, o ser passa a ter somente a vida espiritual. Portanto, cada país possui duas humanidades. Ou melhor, a Terra carrega, qual imensa astronave, duas humanidades: uma encarnada e outra desencarnada, invisível aos nossos sentidos físicos.

O Espírito, para viver na superfície do planeta Terra, precisa vestir um corpo de carne, como os astronautas vestiram uma roupa própria, uma espécie de escafandro provido de aparelho respiratório, para poder descer na superfície da Lua.

A humanidade encarnada, todos nós a conhecemos porque estamos ligados a ela, pelo parentesco, nacionalidade, família, empregos, estudos, etc. Já a humanidade desencarnada é muito diferente da primeira, pela sua própria natureza e por serem diferentes as leis que a regem.

O parentesco existente entre os encarnados, tais como pai, mãe, filho, irmãos, avós, tios, esposa, marido, como eu disse, somente existe na Terra, enquanto estivermos encarnados. Na humanidade desencarnada, esses laços familiares deixam de existir com a desencarnação, porque os parentes desencarnados partem para mundos diferentes, por possuírem evolução, ou melhor, graus evolutivos desiguais; daí os desentendimentos que existem na maioria das famílias, pois a convivência, o relacionamento entre os espíritos oriundos de mundos diferentes é difícil. Eles não se entendem. Mesmo os irmãos gêmeos, nenhum deles têm o espírito oriundo do mesmo mundo. Também essa história que as criaturas românticas cantam em prosa e verso, letras de músicas, filmes, novelas, etc., etc., dizendo que todos nós temos uma alma gêmea, é balela. Vem da Bíblia, do Velho Testamento. No primeiro livro de Moisés, está escrito o seguinte: “Da costela de Adão que o Senhor tomou do homem, formou a mulher e a trouxe a Adão” (Gênesis, 2:21-22).

Tio Marcos, então quer dizer que o homem não possui mesmo uma alma gêmea? - perguntou Fernanda.

Não. O que nós possuímos realmente são várias almas que conviveram conosco, independentemente de termos sido homem ou mulher, na luta que travamos, nas milhares de encarnações que já vivenciamos, desde as mais remotas eras. Os românticos fazem fantasia, sonhando, como nos contos de fadas. Dizem existir em algum lugar uma alma gêmea, destinada a permanecer indefinidamente ao nosso lado. Na realidade, nós nos relacionamos, durante as milhares de encarnações que tivemos, com diversos espíritos. Com eles, vivenciamos intimamente sentimentos como o amor e a amizade. Há laços fortes e profundos unindo psiquicamente essas almas. Esses laços, com freqüência, transcendem a simples amizade, até mesmo o amor biológico, romântico, apaixonado. Essas almas compartilharam juntas os melhores e os piores momentos em vidas passadas. No primeiro encontro que tivermos com algumas dessas almas companheiras, sentiremos provavelmente uma afinidade imediata.

Nós e nossas almas companheiras freqüentemente reencarnamos em épocas e locais semelhantes, propiciando encontros, fortalecendo laços.

Em cada vida, em cada relacionamento, nós plantamos as sementes que nos vão unir a outros espíritos, pois, lutando juntos, em determinada encarnação, por mais difícil que seja, todos estão crescendo psiquicamente, estão evoluindo, tendendo a atingir um grau evolutivo maior. Contudo, não devemos deixar também de considerar a Lei de Causa e Efeito: “Não as faças que as pagas”. Esta lei, muitas vezes, nos impõe relacionamentos compulsórios, difíceis, frutos de um passado delituoso. Mas, desencarnando-se, tudo acaba. Cada qual irá para o seu mundo de estágio, integrando a plêiade do Astral Superior, se a encarnação proporcionou a depuração planejada e se sua condição fizer jus, ou, então, integrará as falanges trevosas do Astral Inferior, se for um espírito que somente viveu para a vida material, como em seguida vou explicar.

Os espíritos que já desencarnaram, mas mesmo assim continuam vivendo na atmosfera do planeta Terra, constituem o Astral Inferior. São espíritos que, por razões de condição mental, não conseguiram, imediatamente após a desencarnação, demandarem os seus mundos de origem, lugar em que deveriam permanecer estagiando durante o intervalo que existe entre as encarnações, quando consolidariam os conhecimentos adquiridos e se livrariam das imperfeições morais expurgadas pelo sofrimento, durante a vida física.

Desta forma, contrariam uma lei natural e imutável, pois o espírito desencarnado não deve continuar no planeta Terra. A Terra é destinada exclusivamente à evolução dos espíritos encarnados. Uma vez desencarnados, devem imediatamente alar aos seus mundos, àqueles de onde vieram para encarnar, de onde tiraram matéria quintessenciada para formar os seus corpos astrais, para materializar-se através de úteros.

A condição de permanecer na Terra, após a morte, causa a esses espíritos imperfeitos e ignorantes muito sofrimento. Muitos não sabem que morreram e voltam para as suas casas, após o sepultamento, e continuam convivendo com a família ou com quem os atrair pelo pensamento, ou pelos vícios, provocando mal-estar e doenças várias por ação de fluidos danosos. Muitas vezes se aproximam dos encarnados querendo ajudar, querendo participar dos problemas familiares, sem saber que os estão prejudicando.

O corpo astral desses espíritos, muitas vezes, logo após a desencarnação, toma a forma que tinha quando encarnados, pela ação dos seus próprios pensamentos, pois pensar também é criar. Muitas vezes pensam num pente e ele se forma em sua mão. Pensam na roupa que estavam vestindo e esta roupa veste-lhe o corpo astral. Percebem que alguma coisa diferente aconteceu com eles. Permanecendo neste estado, fora do seu mundo, não ouvem bem o que os encarnados falam e não são ouvidos quando falam, pois pensam que ainda têm voz. Para eles, os seus pensamentos são como se tivessem som. Ouvem os seus pensamentos como palavras articuladas.

O espírito desencarnado ainda com pensamentos materializados precisa, para viver, de energia anímica, que todos os encarnados possuem em abundância, principalmente os médiuns, em forma de fluido ectoplasmático, invisível por ser transparente, que exsudam pelos orifícios do corpo e poros da pele. Pois bem, eles aprendem a sugar esses fluidos dos encarnados desavisados, sem disciplina mental, quais mata-borrões, deixando os encarnados fracos, sem ânimo, doentes, ou induzindo doenças, muitas vezes iguais às que eles tinham ao desencarnar.

Muitos desses espíritos, de pouquíssimo adiantamento moral, sugam a energia vital do sangue dos animais domésticos degolados e oferecidos a eles em trabalhos de magia negra, ou então adentram aos matadouros e sugam, quais vampiros, a energia vital contida no sangue derramado dos animais abatidos.

Os médiuns são vítimas naturais desses espíritos de baixo nível evolutivo, razão pela qual quase todos são obsedados, avassalados por espíritos parasitas, que se apresentam como guias, mentores, etc.

Nesta condição de espíritos desencarnados, atraídos por pensamentos afins, ocupam as residências, da mesma forma que os sem-terra invadem as propriedades e ficam morando lá. Quando outro espírito deseja também compartilhar a mesma casa, o espírito que invadiu primeiro opõe-se com violência à entrada de mais um desencarnado em seu reduto, ocorrendo entre eles verdadeiras lutas corporais.

Outras vezes, esses espíritos do Astral Inferior, por afinidade mental, vão integrar quadrilhas, que vivem em aglomerados, como aquelas cidades medievais, cercadas de muralhas, fossos e portões elevadiços, com imperador, rei, príncipes, juízes, papas, guardas, prisões, etc. Formam grandes falanges, praticantes de maldades ou a serviço de centros espíritas, que vendem os seus trabalhos para arrumar ou desgraçar a vida de encarnados incautos, ignorantes da vida espiritual.

Outros espíritos desencarnados, por ignorar o seu estado, voltam para os lugares em que trabalhavam. Se médicos, enfermeiros, etc., voltam para os hospitais, para continuar atendendo aos pacientes e muitos chegam a invadir salas de operações, pensando que ainda têm braços e mãos para operar. Desta forma, prejudicam o tratamento dos doentes e perturbam os profissionais encarnados no exercício do seu trabalho.

Outras vezes, vão intuir cartomantes, jogadores de búzios, astrólogos, tarólogos e assemelhados, no intuito de desvendar o futuro de pessoas que pagam para obter esse serviço. Não sabem que o destino não existe, pois depende do livre-arbítrio do presente. O nosso futuro será o que decidirmos de nós próprios hoje. Portanto, não existem sina, nem provações, nem determinismo. As decisões que tomamos hoje, movidos pelo nosso livre-arbítrio, constituirão o nosso futuro, com momentos bons ou maus, dependendo do que nós decidirmos. Por isso recomendamos: nunca decidam por impulso. Pensem primeiro. Raciocinem e então decidam. Este procedimento é o mesmo que usar a técnica do Edson Arantes do Nascimento para marcar gol. Ele dava sempre uma paradinha na porta do gol, se posicionava e chutava. Era gol certo.

Existem também aqueles que, avassalando médiuns nos centros espíritas evangélicos, se põem a receitar remédios para males que só a Ciência tem condições de curar.

Outras vezes até pode ocorrer cura. É que a quadrilha espiritual, dona do centro, se põe em luta corporal com algum obsessor que acompanha o doente e o põe para correr. Então o doente melhora, para mais tarde ser novamente avassalado, pois nesses centros eles não ensinam a educação do pensamento para não mais atrair espíritos atrasados.

Outros espíritos do Astral Inferior, mentalmente fixos no ódio, na vingança, perdem a condição de pensar continuamente e, arraigados a um único objetivo fixo, perdem a forma humana do corpo astral e transformam-se em bolas negras, do tamanho de cabeças humanas, geralmente ávidos de vingança e de energia anímica.

Esses espíritos “bolas negras” são manipulados pelos médiuns inescrupulosos, pais-de-santo e presidentes de centros, para avassalar, mediante encomenda, espíritos encarnados, com a intenção de desmanchar lares, arranjar casamentos, obter amantes, conseguir ganhos fáceis ou provocar aleijões ou desencarnações prematuras. Há avassalados que se apresentam nas sessões públicas do Racionalismo Cristão carregando várias bolas pretas, quais balões de gás das festas de crianças, presos por cordões fluídicos na nuca. Esse processo é usado pelos magos negros para sugar as energias anímicas das vítimas, enfraquecendo-as e aniquilando-as.

Alguns espíritos do Astral Inferior são atraídos pelos freqüentadores devassos de bares, bailes, motéis, viciados em sexo, álcool, fumo e drogas, com a finalidade de também usufruir os mesmos prazeres físicos que os seus intuídos, induzindo-os a exagerar nas doses, para melhor se satisfazerem.

Muitos desses espíritos do Astral Inferior vagam ao léu pelas ruas, andando a pé, de ônibus ou táxis e também nos automóveis particulares, sempre atraídos por passageiros desregrados, portadores de pensamentos indisciplinados. Estes espíritos são verdadeiros mendigos dos favores divinos, da ajuda de um deus que não existe, que em vão tentam encontrar. Muitos são freqüentadores de igrejas e de reuniões espíritas familiares, sempre com o intuito galhofeiro de se divertir à custa dos encarnados de boa-fé ou ingênuos. Outros adoram política. Freqüentam turbas, reuniões de partidos, de sindicatos, comícios, intuindo conchavos, sempre com o objetivo de desunir, de provocar desordem, de bagunçar.

Diz o Sr. Racional que tudo nos vem de fora. Deixem-me explicar melhor este conceito.

Muitas vezes estamos indispostos, aborrecidos, com mal-estar, sem sabermos o porquê. Talvez estejamos passando por uma indisposição orgânica, mas também este sintoma pode ser causado pelos fluidos doentios de um espírito do Astral Inferior que está sugando as nossas energias anímicas, porque o atraímos com os nossos pensamentos descuidados, pois pensar é atrair. Por isso é importante que saibamos pensar.

Devemos pensar sempre em coisas boas e encarar a vida com otimismo. Sabemos que só existem duas correntes de pensamento cruzando o espaço em todas as direções. Se não estivermos ligados na do bem estaremos ligados na do mal. Também devemos deixar de ser maledicentes. A maledicência é o assunto predileto de espíritos grosseiros e maldosos.

Outras vezes podemos estar sendo vítimas do início de um processo obsessivo. Diz o Sr. Racional que “a obsessão é uma enfermidade psíquica resultante do mau uso do livre-arbítrio, da vontade mal-educada, das inclinações sensualistas, do descontrole nos atos cotidianos, do nervosismo desenfreado, dos desejos insuperáveis, da ambição desmedida, do temperamento voluntarioso e, conseqüentemente, do desconhecimento dos ensinamentos racionalistas cristãos”.

Há uma forte corrente obsessora nos seguintes lugares: igrejas, hospícios, velórios, necrotérios e cemitérios, lugares estes em que o Astral Superior não pode irradiar. Também pensar em tais lugares é entrar nessa corrente obsessora.

O grande repositório da Sabedoria não está na Terra, vem de fora, do Espaço Superior. Os progressos avançados das modernas tecnologias não seriam ainda conhecidos, se muitos dos seus princípios não tivessem sido transmitidos aos seres humanos pela via da intuição, ou pela força do pensamento, diante da qual todas as distâncias se anulam. Vou citar apenas dois exemplos, pelas suas relevâncias, apesar de existirem dezenas.

Isaac Newton e Leibniz descobriram simultaneamente o cálculo diferencial. Este cálculo é uma parte fundamental da Matemática que utiliza as propriedades das derivadas e as operações de integração, que vocês estudarão na faculdade.

Charles Darwin, na Inglaterra, edificou a Teoria da Evolução das Espécies pela seleção natural e sobrevivência do mais apto simultaneamente com Alfred Russel Wallace, o qual, vivendo na outra extremidade do planeta, na Indonésia, elaborou a mesma teoria.

Tio Marcos, disso que o senhor está explicando, eu deduzo que grande parte da humanidade encarnada vive subjugada por esses espíritos do Astral Inferior -comentou Marquinho.

Não é bem assim. O espírito desencarnado não pertence mais ao planeta Terra. As leis naturais e imutáveis que regem o Universo não permitem que eles vivam indefinidamente na Terra, que é destinada aos encarnados.

O que ocorre é que esses espíritos, por desconhecerem que existem duas vidas, a material e a espiritual, e por não sentirem a diferença da mudança para o mundo espiritual, e por não terem parado de pensar após o fenômeno natural da desencarnação, ficam com suas mentes ainda fixas na vida material. Conseqüentemente, o seu corpo astral é pesado, escuro e, como tal, mais uma vez a lei natural e imutável do Universo funciona. Ficam presos ao planeta pela força da gravidade, a qual impede que atinjam o espaço sideral, rumo aos seus mundos de origem. Alguns, sendo escuros e pesados, por terem suas mentes culturalmente bem desenvolvidas, apesar de religiosos ou materialistas, possuem a capacidade de volitar, quais abutres sarcófagos, isto é, capacidade de se transladar através do espaço, independentemente do tempo. Pensam num lugar e imediatamente encontram-se neste lugar. Vocês, então, poderiam perguntar: o que acontecerá com esses espíritos?

Eu lhes respondo: através do sofrimento, da dor, de um perambular constante, esses espíritos da atmosfera da Terra, desiludidos, passam a oferecer condições anímicas para serem ajudados. Então, têm os respectivos livre-arbítrios coarctados, isto é, suspensos temporariamente pela ação das correntes do Astral Superior. São coletados com uma rede fluídica de arrastão, tal qual aquelas dos pescadores. Também são atraídos por luzes deslumbrantes e conduzidos às casas racionalistas durante as sessões. Os espíritos assim arrebanhados são trazidos às correntes e, como assistentes, ouvem as doutrinações dos presidentes. Ao término das sessões são transportados aos seus mundos de estágio, por uma milícia de espíritos dos mundos opacos, que estão a serviço do Astral Superior, isto porque os espíritos superiores, por serem muito sutis e diáfanos, não têm condições de fazê-lo sozinhos.

É feito desta forma, porque o transporte dessas multidões de espíritos aos seus mundos de estágio necessita de uma poderosa corrente fluídica, produzida desde 1910, nas sessões do Racionalismo Cristão.

A Doutrina Racionalista Cristã, codificada pelo Sr. Racional, ensina que o segredo da nossa libertação não está em atingirmos estados psíquicos, pregados por algumas escolas espiritualistas como o ocultismo, o esoterismo, as induções hipnóticas, os estados alfa, os movimentos rotativos, isto é, o rodar contínuo dos religiosos muçulmanos, os dervixes, ou ainda pela ingestão de drogas, as quais arremessam o corpo astral dos viciados em viagens loucas pelo Astral Inferior. O segredo da libertação, da conquista da Paz, está na mudança da nossa conduta, começando pela mente.

Precisamos ter a convicção de que aqui na Terra somos constituídos por Força e Matéria e vivemos duas vidas, a material e a espiritual, como eu já disse. Como pensar é atrair, pensando no Astral Superior, atrairemos fluidos desses espíritos que nos lavarão, quais água e sabão, eliminando do corpo astral os fluidos deletérios que o contaminam e corroem como ferrugem.

Também a Luz é um estado de consciência que pode ser alcançado, quando regularmente irradiamos aos espíritos superiores, nas sessões das casas racionalistas ou durante a limpeza psíquica praticada no lar. Com a Luz, teremos condições de ampliar nosso entendimento, nosso raciocínio e de compreender claramente a Verdade e as intuições das forças superiores.

É necessário que esclareçamos a nós próprios, através do estudo, do raciocínio e da disciplina. Devemos dividir o nosso tempo de maneira racional, com horários para todas as nossas atividades.

O grande violinista e compositor italiano, Niccolo Paganini (1782-1840), um dos maiores concertistas que o mundo já conheceu, era um gênio na exploração dos recursos técnicos do violino. Virtuose, impressionou todas as platéias do mundo.

Certa ocasião, um visitante ilustre perguntou-lhe qual era o seu segredo. Paganini, segurando o instrumento, apontou para os dois rasgos que todo violino tem na caixa, em forma de S, um de cada lado do cavalete que suporta as quatro cordas.

O visitante, vendo que ele apontava para aqueles esses, pensou que fosse a dimensão dos mesmos ou seu desenho. Mas Paganini disse:

 O meu segredo são esses dois esses, isto é, studiare sempre (estudar sempre).

Tio Marcos, o que acontece a um espírito do grau 33 quando desencarna? - perguntou Marquinho.

Tudo o que o Sr. Racional disse a respeito foi o seguinte: até o grau 17, os espíritos encarnam com a forma humana no planeta Terra e em outros planetas semelhantes. Atingindo a classe 18, até a 33, eles perdem o corpo astral, passando a possuir somente o corpo mental, isto é, o espírito. Nesta fase evolutiva, apresentam-se aos videntes como intensos focos de luz colorida, branca, amarela, dourada, brilhantes, resplandecentes, fulgurantes. Passam, então, a pertencer às humanidades depuradas, num universo onde não existem as dimensões tempo e espaço, como a Física define. Não sabemos se depois mergulham no Grande Foco, desaparecendo. Sabemos que continuam com as suas individualidades, planejando e organizando a humanidade na sua trajetória evolutiva, num presente eterno.



Nisso, pela janela aberta, entra um pirilampo faiscando, parece que fugindo do clarão do luar, indo pousar na parede lateral, sempre com o abdômen acendendo e apagando.

Todos pararam, acompanhando o pirilampo. Maria, então. perguntou:

Tio Marcos. por que eles acendem e apagam? De onde vem a sua luz?



Tio Marcos explicou:

A luz do pirilampo ou vaga-lume provém de dois líquidos que ele fabrica em seu corpo. Nenhum dos dois líquidos tem luz própria, mas misturados com o ar iluminam-se. Um vaga-lume não queima a sua mão quando você o apanha. A luz é fria como a de uma lâmpada fluorescente. Eles atraem os seus pares por meio de sinais luminosos. A propósito, Severo uma vez me contou que, quando era criança, a sua mãe pedia para ele apanhar vaga-lumes que apareciam ao entardecer, e enchia com eles um pé de meia de seda de mulher. Sua mãe, então, pendurava a meia cheia de vaga-lumes no quarto de dormir para suavizar a escuridão. Bom, por hoje basta.



Dizendo isto, tio Marcos levantou-se e saiu.
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