A civilizaçÃo capitalista fábio Konder Comparato I os Valores Individualismo radical



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A CIVILIZAÇÃO CAPITALISTA

Fábio Konder Comparato
I

Os Valores

Individualismo radical

Cada qual deve procurar agir, visando à realização de seu próprio interesse, sem se preocupar minimamente com o bem comum.

O capitalismo é, portanto, essencialmente anti-republicano.
A riqueza individual é, em si mesma, um valor a ser preservado

As pessoas não são absolutamente iguais entre si, pois os ricos são socialmente mais importantes que os pobres. A sociedade política deve organizar-se como uma sociedade mercantil: quem tem maior participação no capital exerce poder maior.

O capitalismo é, portanto, essencialmente antidemocrático.
A finalidade do Estado é de garantir a cada indivíduo as condições para seu próprio enriquecimento

O Estado não deve, por conseguinte, envolver-se em nenhuma atividade econômica. A partir dos anos 80 do séc. XX, iniciou-se, por pressão do capitalismo internacional, um movimento de privatização de todas as empresas estatais.


A sociedade prospera pela competição, não pela colaboração, entre os profissionais de todos os setores

A competição aguça as qualidades de cada profissional, ao passo que a perspectiva de colaboração os torna passivos.


II

O Poder Capitalista

Um poder de fato, não de direito

O poder capitalista nasceu fora do Direito, e fundou-se, desde o início, na posse da riqueza privada.

A seguir, foi aos poucos sendo regulado: direito do trabalho, direito do consumidor, proteção contra o abuso de poder nos mercados, proteção do meio ambiente.

A partir dos anos 80 do séc. XX, teve início o movimento de globalização capitalista, que preconizou a desregulamentação estatal de todas as atividades econômicas. Ele gerou a crise mundial de 2008.


Um poder privado, que se superpõe aos Poderes Públicos

Nos Estados capitalistas, o poder dos órgãos públicos é de mera aparência. O poder efetivo encontra-se em mãos do empresariado.


Um poder que tende à concentração e à expansão geográfica sem limites

Como na empresa capitalista capital é poder e não simples bens materiais, ela prospera no mercado com o aumento constante do capital.

Ora, essa concentração contínua do poder de controle empresarial, ligado à posse do capital, exige a ampliação constante do âmbito territorial de atuação da empresa. Daí a rápida expansão dos mercados no curso da história moderna: do mercado local ao regional, deste ao nacional, ao internacional e ao mundial.
Um poder que combina a propaganda ideológica com a violência

O poder capitalista procura seduzir o público consumidor, inoculando na mentalidade coletiva os valores do individualismo e da busca permanente de enriquecimento.

Para tanto, desde o início do séc. XX, o capitalismo procurou apropriar-se dos meios de comunicação social: imprensa, cinema, rádio e televisão.

Mas isso não exclui o uso permanente da violência bélica, não só para reprimir rebeliões internas, mas também para expandir a dominação imperialista no plano internacional.



Um poder camaleônico

  • O capitalismo sempre defendeu em teoria as liberdades individuais e se aliou, na prática, às ditaduras e aos regimes autoritários.

  • De acordo com as regras da propaganda comercial, o capitalismo exibe publicamente todas as suas pretensas qualidades e oculta todos os seus defeitos.


III

Resultados da Dominação Capitalista Mundial

Uma desigualdade sem precedentes na história da humanidade

Em meados do século XVIII, a renda média per capita era praticamente igual, nas regiões atualmente desenvolvidas e nas subdesenvolvidas. Em 1860, a relação já era de 324 para 174, em favor das atuais regiões desenvolvidas. Um século depois, a quinta parte mais rica da população mundial dispunha de uma renda média 30 vezes superior à dos 20% mais pobres. Em 1997, essa proporção havia mais do que dobrado – 74 para 1 –, e nos primeiros anos do atual século ela passou a ser de 80 para 1.

Além disso, o distanciamento entre ricos e pobres cresce assustadoramente nos grandes países ricos, como os Estados Unidos e a China.

A recessão mundial desencadeada em 2008 veio demonstrar o risco representado pelo capitalismo financeiro para toda a humanidade. Calculou-se em 11.400 trilhões de dólares o total dos recursos financeiros transferidos pelos Bancos Centrais do mundo todo às instituições financeiras insolventes: o que representa 1.676 dólares por ser humano.



Março de 2011

Leitura complementar: Traços Fundamentais do Capitalismo, no site da Escola.


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