A climatologia dinâmica e o ensino da geografia no segundo grau. Uma aproximaçÃo ao problema



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TÍTULO

A CLIMATOLOGIA DINÂMICA E O ENSINO DA GEOGRAFIA NO SEGUNDO GRAU. UMA APROXIMAÇÃO AO PROBLEMA

AUTOR

Victor da Assunção Borsato

ATIVIDADE

Mestrando - Mestrado em Geografia - Departamento de Geografia - UEM




Resumo

O objetivo deste estudo é o de investigar nos manuais didáticos mais utilizados no Ensino Médio, na disciplina de Geografia, como os autores dos mesmos têm considerado a metodologia de classificação climática frente à Climatologia Tradicional de Koppen e a climatologia Dinâmica de Max Sorre, nos últimos 13 anos. O Analisamos os quatro autores mais populares no Ensino Médio ou de maior vendagem no período de 1985 a 1998.



Palavras-chave:
Climatologia tradicional; climatologia dinâmica; ensino de geografia.

Abstract

The objective of this study is to investigate more frequently used didactic manuals in High Schools, specially in Geography. The authors of these manuals have considered the climatic methodology according to Traditional climatology of koopen and Dynamic Climatology of Max Sorre in the last 10 or 15 Years. We will analyze the four more popular authors in High schools or the best sellers in this period (1985 - 1998).



Keywords:
Traditional climatology; dynamic climatology; teaching climatology




INTRODUÇÃO

Na rede Estadual de Ensino, a geografia é uma disciplina da grade curricular, que, na maioria das escolas, contemplada com duas horas/aulas/semanais, nas três séries do Ensino Médio e em raras escolas, no período noturno, a disciplina não é oferecida na última série.

Em 1999, entrou em vigor a nova proposta de reestruturação do ensino Fundamental e Médio no país, trata-se da Lei de Diretrizes e Base "Lei no. 9394/96" (LDB). Esta lei regulamenta o sistema de ensino da primeira a oitava série, (antigo Primeiro Grau) que recebeu a denominação de Ensino Fundamental, e o Segundo Grau, que com a nova lei recebeu a denominação de Ensino Médio. A proposta para o Ensino Médio privilegia os conhecimentos Humanos em detrimento das ciências exatas (maior carga/horária para a área dos conhecimentos humanos).

A nova proposta curricular está sendo implantada por escola, ou seja, cada escola tem a liberdade de organizar a sua grade curricular (de acordo com as necessidades da comunidade). A nova grade propõe três áreas do conhecimento "Ciências da Natureza; (Matemática, Física, Química e Biologia), Códigos e Linguagens; (Português, Inglês, Educação Física, Artes e Informática), Ciências Humanas e Suas Tecnologias, (Geografia, História, Sociologia e Filosofia), e estabelece também que a carga horária nas três áreas seja equilibrada, o que proporcionou um pequeno aumento, na prática, da carga horária das disciplinas de Geografia e História. Antes de vigorar a Lei, as disciplinas de Geografia e História tinham somente 2 horas/aula/semanais em grande número de escolas do Núcleo Regional de Maringá.

O objetivo principal deste artigo é buscar, nos principais autores de livros didáticos (manuais de geografia) do Ensino Médio de geografia, adotados na rede pública e particular de Maringá, a metodologia por eles adotadas em seus manuais, a climatologia tradicional (Wilhelm Koppen) ou a climatologia dinâmica (Max Sorre), investigar também se no período de 1985 a 1998 esses autores mantiveram a mesma proposta para o conteúdo relativo às classificações climáticas e às definições de clima.

Analisaremos os quatro autores que lideram no ranking nacional de vendagem de livros didáticos de geografia no atual Ensino Médio. Os Autores selecionados foram: Melhem Adas - Editora Moderna: José Wiliam Vesentini - Editora Ática: Igor Moreira -Editora Moderna: Marcos de Amorin Coelho - editora Moderna.



AS DEFINIÇÕES DE CLIMA

- A climatologia Tradicional ou climatologia Separativa.

No método Separatista, os elementos do tempo que nós utilizamos são: a temperatura do ar, a pressão atmosférica, a umidade e as precipitações, o vento, a insolação e a nebulosidade. Cada elemento é considerado em si mesmo, completamente isolado dos outros, perdendo o contato com a realidade, pois não leva em conta a interconexão dos elementos e sim considera a média dos elementos. Sabemos que a média está longe de retratar a realidade, principalmente no que se referir aos elementos do clima. Duas cidades podem apresentar a mesma média de temperatura e de precipitação, além de apresentar uma dinâmica climática distinta uma da outra, levando em conta a distribuição da pluviosidade ao longo das estações do ano e as oscilações da temperatura.



- A Climatologia Dinâmica

No lugar de separar os elementos do tempo, este paradigma tem como princípio essencial os tipos de tempo e cada tipo será analisado em seus elementos constitutivos.

O método que estuda a mecânica geral e a termodinâmica da atmosfera desenvolveu-se a partir de 1923.

Em 1970, Pédélaborde reconhece que o emprego da climatologia Dinâmica apresenta algumas dificuldades de ordem prática. É uma metodologia recente - proposta em 1923 -, e a rede meteorológica é pouco densa em vastas regiões do globo, as maiores concentrações de estações climatológicas estão na Europa Ocidental e América Anglo-Saxônica. Segundo Pédelaborde, somente essas regiões têm possibilidade de fazer uma boa análise dinâmica; a assimilação dos conhecimentos é difícil porque o instrumento teórico não está bem codificado senão para os especialistas.

Na Europa, em 1970, era comum entre os geógrafos a adoção do método tradicional de classificação climática "Método de Köppen" (Pédelaborde, 1970). No Brasil, a utilização da Classificação de Köppen é praticada principalmente pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) e outros órgãos estaduais ou estatais, conforme constatamos ao consultar os Atlas dessa época (Paraná (Estado), Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Instituto de Terras e Floresta. Atlas do Estado do Paraná. Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1987, pg. 16 a 21), embora o primeiro geógrafo a utilizar a Climatologia Dinâmica no Brasil tenha sido Monteiro (1962). Em 1969 foi incluída no curso de pós graduação o curso de "Climatologia Dinâmica da América do Sul", da Universidade de São Paulo (USP)

O TEMPO

- "Tempo é o conjunto de valores que, num dado momento, caracteriza o estado atmosférico" (Moreira, 1985)

- "Tempo atmosférico é algo momentâneo, que varia constantemente" (Vesentini, 1995)

- "Tempo atmosférico é uma combinação passageira dos elementos do clima" (Adas, 1992)

- "Tempo atmosférico são as condições atmosféricas de um determinado lugar em um dado momento" (Coelho, 1996)

- "Tempo é o conjunto de valores que, em um momento dado e em um lugar determinado, caracteriza o estado atmosférico" (Albert Baldt, citado por Pédelaborde, 1970)

Os elementos obtidos num lugar determinado num dado momento, são a temperatura do ar, pressão atmosférica, tensão do vapor d'água, umidade relativa, radiação solar total, vermelha e infra-vermelha, campo elétrico, corrente elétrica vertical, íons positivos e negativos, nebulosidade, visibilidade horizontal, poeiras, direção e velocidade do vento.

Vê-se que as definições são bastante homogêneas, não diferindo no contexto geral da definição de Baldat. Em todas as definições há uma certa preocupação em caracterizar o instante, o momento, as combinações instantâneas. Max Sorre, citado por Pédelarborde, diz que "A árvore do meu jardim não florirá duas vezes nas mesmas condições de temperatura, de luminosidade e de estado higrométrico" Essa é uma verdade que para a geografia não causa preocupação. É mais interessante adotarmos o tempo (tempo = duração) de um dia ou até de alguns dias, dependendo da estação do ano e da dinâmica das massas de ar, pois o que causa algumas alterações na paisagem é o ritmo, a dinâmica, ou seja a sucessão dos estados do tempo. Mas demonstra a preocupação com a dinâmica, a variabilidade decorrente da interação entre os elementos do tempo.

- O Clima

- "Clima é a sucessão habitual dos tipos de tempo"( Adas, 1992)

- "Clima é a sucessão habitual dos tipos de tempo de um determinado local da superfície terrestre" (Vesentini,1990)

- "Clima é a sucessão dos estados da atmosfera em determinado lugar da superfície da Terra" (Moreira, 1985)

- "Clima é a sucessão habitual dos tipos de tempo num determinado lugar da superfície terrestre" (Coelho, 1995)

- "Clima é o conjunto dos fenômenos meteorológico que caracteriza o estado médio da atmosfera em um ponto da superfície da Terra" (Julius Hann citado por – Pédelaborde, 1970) Esta é a definição aceita e que foi utilizada durante o século passado (XIX) e está sendo no período do século atual (XX). Definição utilizada na classificação tradicional ou método separatista.

"Chama-se clima à série de estados da atmosfera sobre um lugar, em sua sucessão habitual" Max Sorre (1951)

A definição de Julius Hann foi a utilizada por Willian Köppen em sua classificação climática. Considerada hoje incompleta, foi aceita durante um longo tempo pelos geógrafos, conforme já assinalamos. Considera os dados a partir de suas médias, quer dizer, uma abstração desconectada da realidade, pois os elementos do tempo interagem entre si no tempo e no espaço e não são elementos estáticos, artificiais. Ora, o ritmo é um aspecto essencial do clima (Pedelaborde, 1970).

A definição de Max Sorre contém algumas considerações, assinala Pédelaborde: considera os estados da atmosfera, ou seja, os complexos realizados pelos fenômenos meteorológicos da natureza, abrangendo toda a "série" deste estado. Considera as excepcionalidades, fundamental para a biota; ele considera também a "sucessão", ou seja, o ritmo e sua duração, fatores essenciais ao mesmo tempo do quadro da atmosfera e da ação dos seres vivos.

Duas localidades A e B podem apresentar as mesmas alturas pluviométricas anuais, as mesmas médias térmicas e, portanto, apresentarem ritmos adversos assim como a sucessão no tempo se desenvolverem nas duas localidades em períodos estacional divergente e com intensidade diferentes.



ANÁLISE DO MANUAIS (Livros Didáticos)

- Manual 01

COELHO, Marcos de Amorim "Geografia Geral, O espaço natural e sócio econômico - Editora moderna.2° edição 1985, São Paulo.

É um dos livros mais utilizados no Brasil, segundo o representante da editora em Maringá. Em Maringá foi adotado no colégio Marista (primeira série do Ensino Médio) e no Colégio Estadual Alfredo Moisés Maluf (na segunda série do Ensino Médio), no ano de 1998.

Pela definição utilizada pelo autor, há evidências que ele se utiliza da Climatologia Dinâmica, embora analisando o contexto, especificamente o capítulo relativo aos elementos e fatores do clima, pode-se encontrar algumas considerações:

a - Embora apresente em seu livro a definição da Climatologia Dinâmica, ele expõe o capítulo segundo o método separatista, ou seja, aquele que segundo Pedelaborde 1970), são considerados os elementos do tempo, temperatura do ar, insolação, ventos e nebulosidade completamente isolados uns dos outros.

No fechamento do capítulo relativo ao clima, página 79, no item sobre a classificação climática, ele expõe a classificação climática de Arthur Stralher, baseada na Dinâmica das Massas de Ar e expõe também a classificação climática de Wilhelm Köppen, pertencente ao grupo da classificação estática e empírica, que se baseia, fundamentalmente, nos elementos climáticos. O mesmo apresenta nas páginas seguintes a classificação climática do Brasil segundo a classificação de Köppen e também segundo a classificação de Stralher..

No capítulo 9, intitulado de "As grandes Paisagens Naturais da Terra", novamente o autor deixa evidenciar a sua posição tradicional, pois as paisagens vegetais da Terra foram divididas em regiões segundo as Grandes Zonas Climáticas da Terra: Regiões Polares, Regiões Temperadas e Regiões Tropicais.

Com o objetivo de caracterizar o que assinalamos, transcrevemos na íntegra uma definição exposta pelo autor:

"Clima Tropical Úmido ou Chuvoso: também conhecido por clima equatorial. Ocorre em áreas de baixas latitudes, como o Amazonas, por exemplo. As temperaturas são elevadas e as precipitações, abundante na maior parte do ano. As amplitudes térmicas anuais são baixas (inferior a 3°C) e a evaporação muito elevada. A vegetação é rica e exuberante, do tipo perene, higrófila e latifoliada como a floresta Amazônica" (Coelho, 1995 p.92).

Em 1997, Coelho editou um outro volume para o Ensino Médio, com o título "Geografia do Brasil", cujo capítulo 06 foi dedicado aos "Elementos Naturais: Clima, Vegetação, Hidrografia e aos Domínios Morfoclimáticos".

Neste capítulo ele se utilizou somente da Climatologia Dinâmica, pois não fez nenhuma menção à classificação tradicional de Köppen. Apresentou, portanto, a definição de clima segundo Max Sorre e expôs as características das massas de ar que atuam no território brasileiro. Veja a definição dada nesse manual ao Clima Equatorial Úmido, a mesma que expomos:

"Clima Equatorial Úmido: é o clima da maior parte da Amazônia. É controlado pela Massa de Ar Equatorial Continental (Ec) e se caracteriza pela combinação de temperaturas sempre elevadas, baixa amplitude térmica anual, chuvas abundantes e bem distribuídas ao longo do ano (Coelho, 1997, p. 90).



- Manual 02

MOREIRA, Igor A. G. O Espaço Geográfico - Geografia Geral e do Brasil - 22° Edição 1985, Editora Moderna, São Paulo.

Pelo número de edições é possível considerarmos a grande vendagem desse manual, utilizado no Ensino Médio e às vezes no curso de graduação, (foi adotado no Departamento de Geografia da Universidade Estadual de Maringá, no ano de 1986.

Segundo o representante da Editora na Cidade de Maringá, esse livro foi muito requisitado pelos professores de geografia, principalmente na década de 80. Não foram investigadas em quais escolas de Maringá o volume foi adotado por não constar no objetivo desse trabalho.

O Capitulo 1 do livro foi dedicado aos Fatores Naturais e em sua definição de clima o autor escreveu que "clima é a sucessão dos estados atmosféricos em determinado lugar".

Em sua definição percebe-se que o autor omitiu o "habitual", deixando somente "sucessão dos estados atmosféricos". Talvez a omissão tenha ocorrido em função da nova classificação que ainda não havia sido assimilado pelo autor, pois na seqüência ele trabalhou os elementos do tempo segundo o Método Separatista, que é característico da Climatologia Tradicional.

Em todo o capítulo evidencia-se a posição tradicional do autor, pois toda a sua classificação climática é a de Köppen, inclusive constata-se na página 10 a tabela com as convenções climáticas de Köppen e, na página 30, mapa do Brasil com a classificação climática de Köppen.

Ao se referir aos ventos, o autor colocou na página 26 o planisfério com os principais centros de atuação das massas de ar que atuam no hemisfério sul, com destaque para a massa de ar Polar Atlântica, talvez pelas conseqüências verificadas no sul do Brasil quando de sua atuação.

Em 1998, o autor lançou uma edição atualizada do seu livro, n° 39, em que dedicou o Capítulo 22 à "Dinâmica da Natureza". Apesar de omitir as definições de tempo e clima, abre o capítulo com o item "A Dinâmica das Massas de Ar".

Nas páginas que se dedicou ao clima utilizou de forma clássica o método Sintético das massas de ar, ou seja, a Climatologia Dinâmica. Não se preocupou em momento algum em mencionar a metodologia e também não fez nenhuma alusão ao método de Köppen.




- Manual 03

ADAS, Melhem, Panorama Geográfico do Brasil. 2° Edição 1992, Editora Moderna.

A definição de clima utilizada pelo autor é a da climatologia Dinâmica: "Clima é a sucessão habitual dos tipos de tempo"

Dedicou 14 páginas às "Condições Climáticas do Brasil e o Significado da Tropicalidade". Trabalhou os elementos do clima segundo o método Separatista e também caracterizou a dinâmica da massas de ar que atuam no clima do Brasil, expôs a classificação climática do Brasil segundo a Climatologia Dinâmica e também a Climatologia Tradicional.

Buscamos no capítulo seguinte, "As Formações Vegetais" informações que evidenciassem a sua posição frente à climatologia, e, na página 74, "Fatores que influenciam na distribuição dos vegetais". Através de quadros explicativos, o autor demostra que o clima, seus fatores e elementos influenciam no desenvolvimento e distribuição dos vegetais. No item das "formações vegetais" a referência máxima aos elementos do clima foi quanto ao índices pluviométricos, o que não evidencia sua posição diante do objeto de nossa investigação.

Em sua 3° Edição, 1998, o capítulo referente ao clima foi intitulado de "A Biosfera e os Climas do Brasil" (capítulo 19 página 326 - 344)

Ao analisarmos esse capítulo, concluímos que além de utilizar a Climatologia Dinâmica, o autor relaciona todos os elementos e fatores com a dinâmica das massas de ar e suas respectivas características, além de relacioná-los com o meio Biótico. São 22 páginas ricas em textos, ilustrações e mapas climáticos, tais como: figura 19.1, a posição astronômica do Brasil (página 327); figura 19.5, balanço da energia solar, (página 330); figura 19.6, massas de ar no inverno (página 331); figura 19.7, áreas anticiclonal, definidas pelas isóbaras medidas em milibares (página 332); quadro 19-E, as grandes correntes atmosféricas: alísios, contra-alísios e correntes de oeste (página 333); figura 19.9, representação da convergência intertropical (CIT) encontro dos alísios do hemisfério norte e do hemisfério sul, (página 334); quadro 19-G, Massas de ar que atuam no Brasil (página 336); figura 19.13, América do Sul: distribuição das massas de ar segundo suas fontes e a orientação de seus deslocamentos (página 337); figura 19.15, Brasil: Atuação das massa de ar no verão do hemisfério sul (página 338); figura 19.18, Brasil: climas controlados por massas de ar equatoriais e tropicais (página 340); figura 19.19, climogramas (página 341).


- Manual 04

VESENTINI, José Willian. Brasil Sociedade & Espaço, 1991, Editora Ática.

Esse autor utilizou em sua definição de clima a de Max Sorre, ou seja, a Climatologia Dinâmica e expõe no capítulo referente aos climas do Brasil, em primeira mão, a classificação de Köppen, embora em nota de rodapé esclarece as diferenças nas duas metodologias e até justifica que a tradicional ainda é muito requisitada em exames vestibulares. Expõe, na seqüência, a classificação climática de Stralher, acompanhadas de diversos climogramas e, nas explicações destes, evidencia sua posição de ter adotado a Climatologia Dinâmica. Veja uma pequenas explicação segundo o autor:

"Clima Litorâneo Úmido" (Influenciado pela mTa) abrange a porção do território brasileiro próximo ao litoral, desde o Rio Grande do Norte à parte setentrional do Estado de São Paulo. A massa de ar que exerce maior influência é a massa de ar Tropical Atlântica (mTa)..." (Vesentini, 1995, pg. 230)

Em sua mais recente edição, 1998, não houve nenhuma alteração no capítulo. As informações são basicamente as mesmas verificadas na edição de 1991, no que se refere ao objeto de nossa investigação..

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os manuais analisados demonstraram, em primeiro lugar, a preocupação que os autores tiveram com relação aos aspectos metodológicos, pois todos trouxeram a definição segundo a classificação da Climatologia Dinâmica, embora no desenvolvimento dos conteúdo geográficos não tiveram a mesma preocupação. Somente o professor Vesentini, expôs ou desenvolveu os conteúdos fundamentados na metodologia da Climatologia Dinâmica, ou seja, a que considera a dinâmica das massas de ar. Também foi o único autor de manuais a escrever a partir do final da década de 1980, os demais escrevem seus manuais desde a década anterior.

Todos os autores analisados lançaram edições atualizadas nos últimos anos, embora a maioria trate da questão climática sem fazer menções à classificação. Pelo menos três deles trouxeram em seus manuais as duas classificações, o que evidencia o que foi assinalado, a grande maioria dos exames vestibulares ainda cobram em suas provas a classificação de Köppen. Talvez seja essa a principal razão dos manuais utilizarem a classificação tradicional, embora vimos que nos manuais analisados cujas edições foram lançadas no dois últimos anos, toda a contextualização versa sobre a Climatologia Dinâmica.

Uma outra constatação que pudemos verificar nesse trabalho foi a riqueza gráfica e a ampliação das informações geográficas. Além das últimas edições serem mais profundas, as informações são mais ricas e diversificadas, tanto no que se refere às informações como aos recursos visuais, tais como mapas, gráficos e tabelas, ou seja, a proposta desses manuais enriqueceram-se no período analisado.



BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

AYOAD, J. O. Introdução à Climatologia para os Trópicos, São Paulo, DTFEL, 1986

KOEPPEN, W. - Climatologia Tradicional. Traduzido para o Espanhol por Pedro Henchiehs Pérez, 1948

MONTEIRO, C. A. de F. Análise Rítmica em Climatologia, São Paulo, IGEOG/USP, 1971 (climatologia,1)

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PÉDELABORDE, P. Introduction a l’éstud Scientifique du clima, SEDES, París 1970.

ROLIM, M. A. e outros – Geografia 2 – Uma Análise do Mundo em Transformação. 1ª edição – Belo Horizonte, MG: Ed. Lê, 1990

SORRE, M., 1951. Les fondaments de la Geograpfhie Humaine. (les fondemensts Biologiques – Le climat) Paris, Libr. Armand Colin.

- Manuais

ADAS, Melhem, Panorama Geográfico do Brasil; Aspectos Físicos e Econômicos: ed. Moderna, São Paulo, 1985

____________ e Sérgio Adas - Panorama Geográfico do Brasil, Contradições, Impasses e Desafios Socioespaciais. São Paulo, Ed. Moderna 1998.

Coelho, M de A. Geografia Geral; O Espaço Natural e Socioeconômico; ensino do 2º grau, 2ª edição, São Paulo 1985.

_____________ Geografia Geral; O Espaço Natural e Socioeconômico, 4ª edição, rev. atual. amp. - São Paulo ed. Moderna 1996.

MOREIRA, Igor A. G. O Espaço Geográfico; Geografia Geral e do Brasil 22ª (1985) e 38ª edição 1998, Editora Moderna São Paulo.



VESENTINI, J. W. - Brasil Sociedade e Espaço, Geografia do Brasil, 1ª e 6ª edição, São Paulo, editora Ática 1996/98.


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