A coleçÃo de revistas praticando capoeira: Prescrições, representações e materialidade



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A COLEÇÃO DE REVISTAS PRATICANDO CAPOEIRA:

Prescrições, representações e materialidade
Anderson de Freitas Silva

UFES/CEFD/PROTEORIA



mtyson@terra.com.br
Felipe Ferreira Barros Carneiro

UFES/CEFD/PROTEORIA



felipefbcarneiro@gmail.com
Wallace Rocha Assunção

UFES/CEFD/PROTEORIA



wallra@hotmail.com
André da Silva Mello

UFES/CEFD/PROTEORIA



andremellovix@gmail.com
Palavras-chave: Impresso. Representações. Capoeira.
Introdução
O estudo analisa a coleção de revistas Praticando Capoeira, pelos seus dispositivos editoriais e as representações que são feitas circular para compreender a organização do campo (BOURDIEU, 2004) da capoeira.

Ancorada na nova história cultura,1 Berto (2008) afirma que a análise de uma coleção de periódicos possibilita a aproximação com as particularidades de certa realidade, bem como o estudo de seus usos, de práticas que deles se apoderam, de suas condições de produção e circulação, identificando concepções e aspectos das representações de uma época.

Dessa forma, o presente estudo analisará a representação das práticas e as práticas de representação da capoeira por intermédio da imprensa periódica, entendida nesta pesquisa, como um dispositivo caracterizador do campo capoeirístico e detentora do poder de influenciá-lo.2

Partiremos do pressuposto de que o impresso exerce funções na organização da sociedade, tendo em vista que ele tem possibilidade de auxiliar a produção e o desenvolvimento de conhecimentos, em função da sua circulação e de seu consumo (controlado) por uma comunidade de leitores. Darnton (1996, p. 15) evidencia que a imprensa periódica contribui para dar formato ao que por ela é veiculado:


[...] a prensa tipográfica ajudou a dar forma aos eventos que registrava. Foi uma força ativa na história, especialmente durante a década de 1789-1799, quando a luta pelo poder foi uma luta pelo domínio da opinião pública. Ao examinar o mundo da impressão, esperamos descortinar uma nova visão da Revolução como um todo.
Com o objetivo de retratar o mundo da capoeira, as editoras: Escala, Candeia e D+T,3 no final da década de 1990, incrementam suas produções com impressos abordando o tema. Assim, respectivamente, entram no mercado editorial as revistas Ginga Capoeira, Capoeira e a coleção Praticando Capoeira.

Reconhecendo sua representatividade e aceitação no meio capoeirístico, utilizaremos como fonte de pesquisa a coleção de revistas Praticando Capoeira. Nos periódicos em questão, analisaremos as práticas editoriais, construídas e marcadas em sua materialidade, possibilitando-nos a elaboração de reflexões a respeito das prescrições e representações sobre capoeira na contemporaneidade.

Os impressos que formam a coleção de revistas possuem indícios que podem trazer à tona o modo como a comunidade capoeirística vem se organizando e, de certa forma, evidenciar sua capacidade de moldá-la com o que é veiculado por eles, contribuindo para a construção da identidade coletiva dessa comunidade.

Iniciaremos nossa pesquisa utilizando as seguintes indagações: Como a capoeira é representada para os leitores da coleção de revistas Praticando Capoeira? Quais as prescrições elaboradas para os leitores das revistas? Quem são os autores que escrevem textos para esse periódico? Com base em quais fontes eles constroem as narrativas postas em circular nos impressos?

Os impressos que formam a coleção de revistas podem ser caracterizados como de ordem comercial, divulgando imagens, produtos, rodas e eventos, ao mesmo tempo em que vendem espaço publicitário para variados produtos ligados, direta ou indiretamente, ao mundo da capoeira.

Com o propósito de ser representativa do “universo capoeirístico”, de organizar o seu vocabulário, tirar dúvidas sobre a sua prática, suas tradições, valorizar as personalidades consideradas exemplares no meio e evidenciar a história da capoeira, a coleção de revistas Praticando Capoeira nasce, segundo seus editores, a partir do anseio de expor a “única arte marcial genuinamente brasileira” (PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 1, s.p.) para um público mais amplo.

Nossa intenção é analisar a capoeira na contemporaneidade. Assim, o recorte temporal selecionado compreende o ano em que se inicia a circulação do periódico até a última revista publicada, ou seja, do primeiro ao último número. A coleção de revistas começa sua circulação em maio/junho de 1999 e, até o momento, foram lançados 70 números que estão distribuídos em 46 revistas intituladas Praticando Capoeira, 15 publicadas como Praticando Capoeira Especial e nove denominadas como Praticando Capoeira: Grandes Mestres, Grandes Grupos.

O Instituto de Pesquisa em Educação e Educação Física PROTEORIA vem desenvolvendo a pesquisa A constituição de teorias da Educação Física: o debate em periódicos no século XX. Esse estudo contribuirá para entendermos como agentes sociais dotados de competências específicas se apropriam, sistematizam e fazem uso de um conjunto de saberes provenientes de diferentes áreas do conhecimento (SCHNEIDER, 2010) para colocar em circulação uma coleção de revistas que representa uma prática social ao mesmo tempo em que se torna uma prática de representação.


Mundo da capoeira: a organização de um campo
A escolha de impressos como fonte e objeto de pesquisa acarreta cuidados específicos para o desenvolvimento de estudos; o uso não pode ser instrumental, tornando-os meros receptáculos de informações a serem selecionadas a bel prazer do pesquisador (LUCA, 2005).

Ao ter como objeto de estudo o impresso comercial Educação Physica,4 Schneider (2010, p. 39) trabalha “[...] na perspectiva de que o objeto sob investigação é resíduo de uma rede de práticas, assim, capaz de dar a ver a ambiência em que foi produzido e as relações de força que determinaram sua forma e suas marcas de produção”. Entendemos que essa rede de práticas representa as especificidades do campo da Educação Física.

Podemos classificar como campo um contexto de valores, narrativas ou interações entre atores sociais e dispositivos de regramento que caracterizaram determinada prática social. Por esse viés, entendendo a capoeira como prática social, tem-se o meio capoeirístico como um campo, um espaço relativamente autônomo, um microcosmo dotado de leis próprias que não escapam das imposições do macrocosmo (BOURDIEU, 2004).

Para evitar o “erro do curto circuito”, que consiste em relacionar práticas sociais distintas, Bourdieu (2004, p. 20) elabora a noção de campo:


Minha hipótese consiste em supor que, entre esses dois pólos [uma obra musical ou um poema simbolista e as greves de Fourmies ou as manifestações de Anzim], muito distanciados, entre os quais se supõe, um pouco imprudente, que a ligação possa se fazer, existe um universo intermediário que chamo o campo literário, artístico, jurídico ou científico, isto é, o universo no qual estão inseridos os agentes e as instituições que produzem, reproduzem ou difundem a arte, a literatura ou a ciência. Esse universo é um mundo social como os outros, mas obedece a leis sociais mais ou menos específicas.
A capoeira é um mundo social e, como tal, faz imposições e solicitações, que são relativamente independentes das pressões do mundo global que a envolve. Esse espaço é que Bourdieu (2004) denomina de campo. O espaço, que chamamos de mundo capoeirístico, só existe pelos atores e pelas relações objetivas que ocorrem entre eles dentro desse mundo, implementando-lhe determinada estrutura.

É a estrutura das relações objetivas entre os diferentes atores (indivíduos ou instituições) que evidenciará os princípios do campo. Esses determinarão o que eles poderão ou não fazer e influenciarão diretamente as tomadas de decisões. Para tanto, não podemos deixar de considerar as posições ocupadas dentro dessa estrutura. Assim, só compreenderemos o que diz ou faz um ator no mundo da capoeira, se soubermos “de onde ele fala”.

Essa estrutura é determinada, num dado momento, pela distribuição de um tipo de capital entre os atores engajados no campo. Cada um tem seu volume de capital em função de seu peso, que depende do peso de todos os outros envolvidos.

Cada campo apresenta uma forma de capital específico, uma espécie de capital simbólico, que consiste no reconhecimento atribuído pelo conjunto de pares-concorrentes em seu interior. Esse capital proporciona autoridade e contribui para definir as regras do jogo e as leis.

O capital acumulado proporciona o desenvolvimento de estratégias que orientam as relações objetivas, seja para a conservação, seja para a transformação do campo. Desse modo, Bourdieu (2004, p. 22) explicita que “[...] todo campo [...] é um campo de forças e um campo de lutas para conservar ou transformar esse campo de forças”.

Pode-se verificar que quanto mais as pessoas ocupam uma posição favorecida na estrutura, mais elas tendem a conservar ao mesmo tempo a estrutura e sua posição nos limites, no entanto, de suas disposições que são mais ou menos apropriadas à sua posição (BOURDIEU, 2004).

Jornais e revistas não são, no mais das vezes, obras solitárias, mas empreendimentos que reúnem um conjunto de indivíduos, o que os torna projetos coletivos, por agregarem pessoas em torno de ideias, crenças e valores que se pretendem difundir a partir da palavra escrita (LUCA, 2005), dentro de determinado campo.

Schneider (2010, p. 23) indica que uma revista demarca um território de autoridade gerando estratégia de poder, capaz de dar a ver as representações, as lutas e os objetivos pretendidos por aqueles que as produzem. E prossegue: “[...] a imprensa periódica é uma força que não deve ser desconsiderada na constituição de uma dada realidade, pois possui condições de moldar ‘os olhares’, uma vez que interpreta para o leitor o acontecido”.


A capoeira na roda da Nova História Cultural
A Nova História Cultural centra atenção sobre as estratégias simbólicas que determinam posições e relações, construindo, para cada classe, grupo ou meio, um ser-percebido constitutivo de sua identidade (CHARTIER, 1991), o que nos leva a analisar a contemporaneidade do mundo da capoeira. Para tanto, utilizaremos a imprensa periódica do meio, a qual é entendida como um dispositivo dentro do campo capoeirístico e detentora do poder de “influenciá-lo”.5

A prática de realizar estudos historiográficos a partir da análise de impressos periódicos, obedecendo às referências metodológicas da Nova História Cultural, mostra-se mais evidente no Brasil em pesquisas relacionadas com a História da Educação.6 Berto (2008) relata que essa vertente da História utiliza o impresso como fonte privilegiada e entende-o, em função da análise de sua materialidade, como objeto representativo dos traços de uma cultura.

A prática historiográfica brasileira alterou-se significativamente nas décadas finais do século XX. Reflexo do que ocorrera na França, em função da terceira geração dos Annales7 ao realizar deslocamentos que “[...] propunha ‘novos objetos, problemas e abordagens’ [...] com auxílio da Sociologia, da Psicanálise, da Antropologia, da Lingüística e da Semiótica” (LUCA, 2005). Esse diagnóstico nos remete à Nova História Cultural,8 a qual fundamenta nossa pesquisa e é caracterizada, segundo Luca (2005, p. 113-114), como:
[...] a renovação temática [...] passagem de um paradigma em que a análise macroeconômica era primordial para uma História que focaliza os sistemas culturais, a fragmentação da disciplina, o esmaecer do projeto de uma História total e o interesse crescente pelo episódico e pelas diferenças [...] sensível aos detalhes e objetos modestos, tributária da Antropologia e ancorada no estudo das práticas e representações sociais, tem como itinerário de pesquisa a cultura ao invés de abordar as estruturas econômicas e sociais.
Darnton, citado por Chartier (1998), define a Nova História Cultural como o estudo no sentido antropológico, incluindo visões do mundo e mentalidades coletivas, como parte integrante da História Intelectual. Nela ocorre a passagem de uma história social da cultura para uma historia cultural da sociedade e o foco de interesse não é mais somente o que a sociedade faz do sujeito, mas o que o ator, que não é mais apenas sujeito, faz da sociedade.

“A nova história9 é a história escrita como uma reação deliberada contra o ‘paradigma’ tradicional”, assim Burke (1992, p. 10) inicia sua interpretação sobre a Nova História Cultural, a qual, segundo ele, não pode ser simplesmente caracterizada como história total ou história estrutural.

Dentre as possibilidades de estudos, tendo como fonte ou objeto de pesquisa impressos, tem-se as proposições de Chartier (1991) que se organizam em torno de três polos, geralmente separados pelas tradições acadêmicas: de um lado, o estudo crítico dos textos, literários ou não, canônicos ou esquecidos, decifrados em seus agenciamentos e estratégias; de outro lado, a história dos livros e, para além, de todos os objetos que contém a comunicação do escrito; por fim, a análise das práticas que, diversamente, se apreendem dos bens simbólicos, produzindo assim usos e significações diferençados.

Barzotto (1998), em seus estudos da imprensa periódica, explicita a existência de uma tradição no que tange ao tratamento do impresso como fonte ou objeto de pesquisa e evidencia outras formas de estudo: a) abordagem por temas; b) trajetória, importância e atuação de personalidades; c) processos de transformação socioculturais; d) relação leitor-revista ou leitor-texto; e) produção de autor cujos textos foram publicados na revista, o “ponto de vista da revista” e f) a complementaridade entre textos e imagens na produção de sentidos.

Para analisar a coleção de revistas Praticando Capoeira, ela será projetada em termos de uma arqueologia,10 o que implica tratar os documentos a serem analisados como objetos culturais11 que, constitutivamente, guardam as marcas de sua produção e de seus usos por uma comunidade de leitores. Consideramos, como caminho arqueológico, a proposta de Chartier (1991, p. 177) para analisar a sociedade:
[...] penetrando nas meadas das relações e das tensões que [...] constituem [as sociedades] a partir de um ponto de entrada particular (um acontecimento, importante ou obscuro, um relato de vida, uma rede de práticas específicas) e considerando não haver prática ou estrutura que não seja produzida pelas representações, contraditórias e em confronto, pelas quais os indivíduos e os grupos dão sentido ao mundo que é o deles.
Nesse sentido, o impresso, por intermédio de sua materialidade, possibilitar-nos-á trabalhar em busca de pistas, por camadas, para localizar os sinais das práticas editoriais capazes de revelar os indícios de uma intencionalidade que orienta a organização e o regramento da leitura por meio da didatização da coleção de revista.

Ressaltamos que as camadas que constituem esse impresso permitem perceber a cultura de um lugar ou de praticantes, uma vez que essas camadas guardam vestígios que foram conservados, intencionalmente ou não.12


Entre práticas e representações
A opção de pesquisar impressos nos possibilita algumas condições de aproximação com o objeto de estudo. Salientamos que a nossa opção será respeitar as proposições da Nova História Cultural por proporcionar novos recortes sociais e aproximação das práticas culturais (CHARTIER, 1991). Seguindo essa proposta, torna-se necessário explicitar os conceitos de representação e apropriação.

Uma das características que classificam o ser humano é a capacidade de atribuir sentido às coisas, assim elaboramos codificações simbólicas para construção de signos, que são compartilhados, muita vezes, por representações.

Chartier (1991, p. 184) refere-se à representação como “[...] o instrumento de um conhecimento mediato que faz ver um objeto ausente substituindo-lhe uma ‘imagem’ capaz de repô-lo em memória e de ‘pintá-lo’ tal como é”. Dessa forma, indica as lutas de representação, evidenciando que a construção das identidades sociais é resultado de uma relação de força entre as representações impostas pelos que detêm o poder de classificar e de nomear e a definição de aceitação ou de resistência que cada comunidade produz de si mesma.

A luta pelo poder, de ser a voz autorizada, ocorre dentro do mesmo grupo, da mesma classe social, “[...] é impossível qualificar os motivos, os objetos ou as práticas culturais em termos imediatamente sociológicos e que sua distribuição e seus usos numa dada sociedade não se organizam necessariamente segundo divisões sociais prévias, identificadas a partir de diferenças de estado e de fortuna” (CHARTIER, 1991, p. 177). Assim, as lutas de representação apresentam, como problemática central, o ordenamento, ou seja, a hierarquização da própria estrutura social, ao reconhecer sua existência a partir de uma demonstração de unidade.

Segundo Chartier (1991, p. 183), o conceito de representação autoriza articular três modalidades de relação com o mundo social:
[...] o trabalho de classificação e de recorte social [...] as práticas que visam a fazer reconhecer uma identidade social [...] e as formas institucionalizadas e objetivadas em virtude das quais ‘representantes’ (instâncias coletivas ou indivíduos singulares) marcam de modo visível e perpétuo a existência do grupo, da comunidade ou da classe.
Esse conceito permite que se opere com o impresso prestando atenção aos usos prescritos e aos destinatários visados, em sua configuração de dispositivo em que bens culturais são produzidos, postos em circulação e apropriados. Perceber o periódico nesses termos nos encaminha a compreendê-lo como estratégia de difusão de práticas, normatização de saberes e conteúdos de ensino (SCHNEIDER, 2010).

Para compreendermos como a realidade é contraditoriamente construída pelos diferentes grupos que compõem uma sociedade, a luta de representação solicita o conceito de apropriação. Assim, criam-se condições de analisar o hiato existente entre a prescrição e os usos realmente efetivados (CERTEAU, 1994).


A apropriação, a nosso ver, visa uma história social dos usos e das interpretações, referidas a suas determinações fundamentais e inscritas nas práticas específicas que as produzem. Assim, voltar à atenção para as condições e os processos que, muito concretamente, sustentam as operações de produção do sentido (na relação de leitura, mas em tantos outros também) é reconhecer, contra a antiga história intelectual, que nem as inteligências nem as idéias são desencarnadas, e, contra os pensamentos do universal, que as categorias dadas como invariantes, sejam elas filosóficas ou fenomenológicas, devem ser construídas na descontinuidade das trajetórias históricas (CHARTIER, 1991, p. 177).
Não podemos desconsiderar o que evidencia Chartier (1991) ao elencar a proposta de Arnauld e Nicole (1975) sobre a teoria do signo em Port-Royal, a qual apresenta as possíveis incompreensões da representação: seja por falta de “preparação” do leitor, o que remete às formas e aos modos de inculcação das convenções; seja pelo fato da “extravagância” de uma relação arbitrária entre o signo e o significado, o que levanta a questão das próprias condições de produção das equivalências admitidas e partilhadas.

É necessário creditar que as formas produzem sentido, e que um texto estável em sua literalidade se investe de uma significação e de um estatuto inédito quando mudam os dispositivos do objeto tipográfico que o propõem à leitura.


As fontes em sua materialidade: uma crítica documental
Com a preocupação em buscar a verdade dos fatos, as fontes devem proporcionar confiabilidade, o que impressos periódicos, para muito dos estudiosos brasileiros da década de 1970, não apresentavam. Entendendo que esses impressos continham registros fragmentários do presente, produzidos sob o influxo de interesses, compromissos e paixões, em vez permitirem captar o ocorrido, dele forneciam imagens parciais, distorcidas e subjetivas (LUCA, 2005).

Por intermédio de seus procedimentos metodológicos, a Nova História Cultural, eleva os periódicos da desconsideração à centralidade na produção do saber histórico, renovando temas e problemáticas. Berto (2008) e Schneider (2010), são exemplos em que o objeto de estudo, tomado em sua materialidade, torna-se, ao mesmo tempo, fonte, a qual proporciona ver e a entender a fórmula editorial,13 os usos objetivados, as representações dos editores em relação ao periódico, as representações que esses editores fazem de si e dos leitores que consomem o impresso, possibilitando entender a editoria como um projeto cultural.

Ao se prender as atenções à imprensa periódica como objeto de investigação, volta-se o foco sobre as ações dos grupos e dos indivíduos que, na disputa por ser a voz autorizada sobre as questões pertinentes ao mundo da capoeira, produzem dispositivos como forma de levar a um público leitor os saberes que acreditam ser os mais adequados.

Perspectiva-se relacionar o “mundo do texto” e o “mundo do leitor” e gerar algumas hipóteses, como fez Chartier (1991) ao analisar a circulação multiplicada do escrito impresso, modificando as formas de sociabilidade, autorizando novos pensamentos, transformando as relações com o poder nas sociedades do Antigo Regime, entre os séculos XVI e XVIII. A primeira hipótese sustenta a operação de construção de sentido efetuada na leitura (ou na escuta) como um processo historicamente determinado cujos modos e modelos variam de acordo com os tempos, os lugares, as comunidades. A segunda considera que as significações múltiplas e móveis de um texto dependem das formas por meio das quais é recebido por seus leitores (ou ouvintes).

Esta pesquisa compreende a coleção de revistas Praticando Capoeira como um objeto profícuo para a produção de uma reflexão sobre a contemporaneidade do mundo capoeirístico, pois busca analisar os processos de produção de sentido ocorridos pela apropriação e usos dos saberes em circulação, menos centrado em leis e regimentos oficiais, além de possibilitar a utilização de outras fontes que abrem caminho para pensar a respeito da conformação do campo.

Luca (2005, p. 141, grifo nosso), compara o Status de uma editora no meio social, relacionando-a com outros ambientes:


As redações, tal como salões, cafés, livrarias, editoras, associações literárias e academias, podem ser encaradas como espaços que aglutinam diferentes linhagens políticas e estéticas, compondo redes que conferem estrutura ao campo intelectual e permitem refletir a respeito da formação, estruturação e dinâmica deste.
Nessa perspectiva, o que se apresenta ao leitor resulta de intensa atividade editorial, cabendo-nos recorrer a outras fontes de informação para dar conta do processo que envolveu a organização, o lançamento e a manutenção do periódico.

Com base na materialidade do impresso, será preciso atender às motivações que levaram à decisão de publicar determinado assunto; atentar para o destaque conferido ao acontecimento, a linguagem e a natureza do conteúdo; identificar o grupo responsável pela linha editorial; inquirir sobre suas ligações cotidianas com diferentes poderes e interesses financeiros; estabelecer os colaboradores mais assíduos; atentar para a organização interna do conteúdo, inclusive o material iconográfico; inquirir a respeito das fontes de informação, da tiragem das publicações, da periodicidade, do tipo de papel, da área de difusão; além de identificar o público a que se destina a coleção de revistas, mas esses são procedimentos nem sempre imediatos e necessariamente patentes em suas páginas (LUCA, 2005).

As lutas de representações freiam o entendimento do conceito como alguma coisa separada da materialidade, algo como representação mental, ideias desencarnadas longe dos dispositivos que as põem em circulação. A utilização da imprensa periódica, nesse sentido, não se limita a extrair um ou outro texto de autores isolados, mas antes prescreve a análise circunstanciada do seu lugar de inserção (LUCA, 2005). A representação está no objeto, é o objeto que passa a ser estruturante da realidade e dos modos de sua apropriação (SCHNEIDER, 2010). Dessa forma, entendemos que a coleção de revistas Praticando Capoeira é resíduo de uma rede de práticas capaz de dar a ver a luta de sentidos em que foi produzida e as relações de força que determinaram sua formatação.
A coleção de revistas Praticando Capoeira: primeiras aproximações
Os impressos que formam a coleção de revistas Praticando Capoeira, além de propor práticas que podem ser seguidas por seus leitores, divulgam eventos, imagens e produtos, ao mesmo tempo em que vendem espaço publicitário para variados produtos ligados, direta ou indiretamente, ao mundo da capoeira.

A coleção de revistas nasce, segundo seus editores, pela necessidade de fazer circular para um público mais amplo a “[...] única arte marcial genuinamente brasileira” (PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 1, s.p.). Assim, inicia-se a circulação do impresso em maio/junho de 1999 com a revista pôster,14 em edição especial, Praticando Capoeira. No editorial da revista, é apresentada a satisfação pela publicação e a justificativa de se implementar a produção da editora:


Assistir a uma demonstração ou aula de Capoeira é uma experiência ao mesmo tempo inquietante e reconfortante [...]. Nós passamos a nos sintonizar com o ritmo e a cadência do batuque e, quando menos esperamos, estamos em ressonância com essa música. É uma experiência fascinante! [...] Por ser uma arte genuinamente brasileira, a Capoeira possui elementos que fazem parte de nossa cultura, fazem parte de nós mesmos (PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 1, s.p.).
Cumprindo o que foi previsto, de ser uma publicação mensal, em seu primeiro ano de vida, a revista Praticando Capoeira consegue lançar 12 números. A partir do n. 2, ela deixa de ser revista pôster e circula em formato tradicional, contendo 35 páginas, apesar de ter explicitado no editorial ser composta por “32 páginas de pura capoeira” (PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 2, p. 2), o que proporcionou a ampliação das temáticas e a necessidade de se apresentar um índice, evidenciando as seções das matérias redigidas.

No editorial do segundo número, a D+T explicita ainda a intenção de especificidade, ao abordar o campo capoeirístico, enaltecendo sua dimensão e convidando os leitores a se pronunciarem, enviando-lhes sugestões e críticas.


Reportagens inéditas com grandes mestres e grupos, letras de músicas, textos sobre as origens da capoeira, os tempos da escravidão, maculelê, puxada de rede, ilustração de golpes e sequências, calendário de eventos, lançamentos de livros e CD’s, lojas e artigos de capoeira e muito mais. Fique ligado!

Se você quiser divulgar o seu evento ou grupo, tirar alguma dúvida, fazer alguma crítica ou sugestão, ligue para nós. Teremos o maior prazer em atendê-lo (PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 2, p. 3).


Do n. 4 em diante, a quantidade de páginas da revista sofre outro acréscimo, passando para 50, consequentemente, a quantidade de seções de matérias também.

A editora organiza os textos a serem publicadas no periódico obedecendo às estratégias da indústria dos impressos. A partir de dispositivos que compõem a fórmula editorial, a própria revista didatiza e controla a apresentação do material que é colocado em circulação, assim orienta o leitor para determinada forma de se apropriar da obra. Desse modo, é criada uma arquitetura para apresentar o impresso, que o torna legível e coerente (SCHNEIDER, 2010).

Na Praticando Capoeira, é possível encontrar as seguintes temáticas: 1) orientações sobre a construção de instrumentos musicais, típicos da capoeira, e sobre a execução e nomenclatura de movimentos; 2) relações do campo da capoeira com outros campos; 3) questões de gênero no interior do mundo da capoeira; 4) seções específicas para o pronunciamento do editor e dos leitores; 5) problematizações sobre a atualidade e a história da capoeira; 6) popularização de músicas e cantigas; 7) esportivização e internacionalização da capoeira. Além disso, nota-se a existência de uma seção de endereços eletrônicos para pesquisas na rede mundial de computadores.

Parte significativa das páginas das revistas analisadas evidenciam que a organização do campo capoeirístico passa pela estruturação de grupos de capoeira, os quais têm na figura do mestre sua representatividade. Dessa forma as matérias são tituladas, ora com o nome dos mestres, ora pela veiculação do nome dos grupos que eles representam:


Cordão de Ouro

Em 1967, junto com o Mestre Brasília, Suassuna fundou o Cordão de Ouro. Hoje, o grupo tem milhares de integrantes espalhados pelo Brasil, Estados Unidos, Japão, Portugal, Holanda e Israel.

Confiara abaixo a entrevista que a Revista Praticando Capoeira realizou com o mestre Suassuna (PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 2, p. 29).
Prática que pode ser observada no índice das matérias, no qual são apresentadas as seções específicas para reportagens com mestres e sobre grupos de capoeira. Dessa forma, têm-se as seções: “[...] palavra do mestre, entrevista com o mestre [...], grupo experiente e grupo em ascensão” (PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 5, p. 3, grifos nosso).

Especificamente, nas seções Grupo experiente e Grupo em ascensão, nota-se a existência de uma hierarquia entre os grupos dentro do campo, prescrição contida na revista, que reforça a organização das representações do meio capoeirístico em torno dos grupos de capoeira.

Outra especificidade do mundo capoeirístico apresentada aos leitores das revistas é a distinção entre:


  1. Capoeira angola, cujo representante maior, título outorgado pelos conhecedores das tradições da capoeira, tem a figura do Mestre Pastinha (Vicente Ferreira Pastinha, 1889-1981).

No jogo de angola predominam os movimentos corporais rasteiros, sendo que os capoeiristas jogam a maior parte do tempo com as mãos e os pés apoiados no chão. O seu ritmo é mais lento, mais mandingueiro, e a sua ginga baixa. Há a presença de poucos mais importantíssimos golpes. O angoleiro permanece aparentemente na defesa e ataca quando o oponente menos espera. Olha para o lado, finge que está cansado, finge cair, faz de conta que vai sair da roda, tudo para distrair e confundir seu adversário (PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 2, p. 21).





  1. Capoeira regional, elaborada por Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado, 1900-1974).

[...] surgiu com o objetivo de enfatizar mais o lado da combatividade da capoeira. Por isso, tem a presença de vários golpes traumatizantes e desequilibrantes e o destaque para a rapidez dos movimentos e agilidade dos lutadores. [...] A Capoeira Regional caracteriza-se pela predominância da ginga alta, agilidade dos movimentos, ritmo acelerado e rapidez de golpes e contragolpes. Os jogadores têm que ter muita concentração e reflexo, pois o jogo é rápido e exige bastante técnica [...] (PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 3, p. 21).




  1. Capoeira contemporânea, na qual se mesclam práticas das capoeiras evidenciadas anteriormente.

Dos artigos redigidos nos 12 primeiros números do periódico, tem-se a marca de 85 matérias assinadas. Entre textos sobre a história da capoeira, crônicas e entrevistas com mestres e professores, 68 artigos são de autoria de Letícia Cardoso de Carvalho, responsável na editora por analisar as redações e entrevistas contidas nas revistas Praticando Capoeira.

Os textos que compõem as matérias das seções A palavra do mestre, Grupo experiente, Grupo em ascensão, Capoeira na sociedade, Mulher na capoeira (na roda com a mulher), Capoeira na escola caracterizam-se por apresentar determinado grupo de capoeira, mestre ou professor, sua origem e produção no campo, seguida de entrevista que questiona sobre o envolvimento do entrevistado com o meio capoeirístico, opiniões sobre temas da atualidade e da história da capoeira.

Apenas nos n 5 e 7, do primeiro ano, na seção Cultura, cujos textos tratam, respectivamente, da perseguição e proibição da capoeira e das maltas de capoeira no Rio de Janeiro, temos a indicação da bibliografia consultada, que, por sua vez, não obedece às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para referências e, basicamente, são as mesmas obras:


AREIA, Anande das. O que é capoeira. Ed. da Tribo, 4ª edição. / CARNEIRO, Edison. Capoeira. Editora Finarte, 1977. CAPOEIRA, Nestor. Pequeno Manual do Jogador. Rio de Janeiro, Ed. Recorde, 1998. / DEPUTADO, Mestre. Menino quen [quem foi] seu mestre. Editora Vieira, 1999. / REGO, Waldeloir. Capoeira de Angola: ensaios sócio-etnográfico. Salvador, Ed. Ita [Itapoã], 1968. / REIS, Letícia Vidor de Souza. O mundo de pernas para o ar. São Paulo, Ed. Publisher, 1997 (PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 5, p. 23).
Schneider (2010, p. 194) ao analisar a revista Educação Physica como um espaço de poder, organizada por um grupo de editores como meio de se tornarem a voz autorizada, tornou público temas que consideravam importantes para os professores de Educação Física. Esse impresso é exemplo da força que os periódicos possuem para a conformação de um campo.

Para apresentar a capoeira e ser representativa no meio, a D+T coloca em circulação, no mercado editorial, a coleção de revistas Praticando Capoeira. Por intermédio de entrevistas ou autorizando a escrita de crônicas é dada a possibilidade de mestres e professores relatarem sobre seus envolvimentos e suas expectativas em relação à capoeira, além de elaborar uma concepção sobre essa prática social.

Dessa forma, “dando voz” aos atores do campo, são construídos os seus limites e suas relações com o macrocosmo. Assim, ao mesmo tempo em que as revistas legitimam a autoridade dos mestres e professores, elas se constituem como porta-voz do mundo da capoeira.

Para completar a coleção do periódico, têm-se as revistas Praticando Capoeira Especial e a Praticando Capoeira: Grandes Mestres, Grandes Grupos. Nesses impressos, são eleitas e apresentadas personalidades do meio, isto é, mestres e grupos de capoeira considerados consagrados, ilustres, maiores, pioneiros ou melhores.

No período analisado, foram lançados quatro números do primeiro impresso: 1) As melhores da roda, 2) Pastinha uma vida pela capoeira, 3) Nos 500 anos do Brasil brilha a capoeira e 4) Pastinha eternamente. Do segundo foram três: 1) Grupo Muzenza-Mestre Burguês, 2) GCAP [Grupo de Capoeira Angola Pelourinho]-Mestre Moraes e 3) Cordão de Ouro-Mestre Suassuna.

Com exceção da edição comemorativa da Praticando Capoeira Especial, Pastinha uma vida pela Capoeira,15 as demais revistas dessa linha e as da Praticando Capoeira Grandes Mestres, Grandes Grupos contemplam os compradores do impresso com um CD de músicas de capoeira. Além dessa característica, apresentam o mesmo número de páginas, quinze, e não possuem índice para indicar as seções presentes nos exemplares.

Ao analisar as matérias da coleção de revistas, é evidente a existência de pistas que apontam para similaridade de conteúdos,
[...] orgulhosamente apresentamos a edição número 3: Cordão de Ouro-Mestre Suassuna.

Você vai ficar sabendo tudo sobre a história e filosofia desse grupo e desse mestre pioneiro que, desde a década de 60, vem lutando pelo desenvolvimento da capoeira em São Paulo. Vai conferir também uma entrevista exclusiva, onde Mestre Suassuna fala sobre a questão da violência na capoeira, tendências, rodas de rua, capoeira em São Paulo, música, planos e lamenta a falta de camaradagem que está existindo hoje na capoeira (PRATICANDO CAPOEIRA GRANDES MESTRES, GRANDES GRUPOS, ano 1, n. 3, p. 3, grifos nosso).
E prossegue:
Após o sucesso da primeira revista com CD de capoeira, a editora D+T decidiu lançar a segunda edição, em comemoração aos 500 anos de Brasil.

[...] Para completar, ainda vai ficar sabendo tudo sobre o descobrimento do Brasil, chegada dos primeiros escravos, formação dos quilombos, surgimento da capoeira, repressão à capoeira... e ler matérias quentíssimas com Mestre Acordeon, Suassuna e Toni Vargas (PRATICANDO CAPOEIRA ESPECIAL, ano 1, n. 3, p. 2, grifos nosso).


Isso leva a entender essas produções como tática de venda dentro do mercado editorial da capoeira.
Considerações finais
O estudo preocupa-se com a forma, com as prescrições de leitura que não se manifestam diretamente em discursos, mas em dispositivos de regramento. Assim, investigar o mundo da capoeira, tendo como fonte de pesquisa a coleção de revistas Praticando Capoeira, acarreta a análise do projeto editorial, das prescrições, das representações e dos saberes que os impressos fazem circular em suas páginas, ou seja, no suporte que possibilita a leitura, em sua materialidade.

Com base na Nova História Cultural (LUCA, 2005; CHARTIER, 1988) e ancorado nos conceitos de campo (BOURDIEU, 2004), representação (CHARTIER, 1991) e apropriação (CERTEAU, 1994), além do auxílio da arqueologia dos objetos (NUNES; CARVALHO, 1993), esta pesquisa se interessa em compreender: a) a fórmula editorial do periódico; b) o projeto cultural desenvolvido; c) os saberes prescritos como necessários aos mestres e professores de capoeira e d) sua estratégia para se tornar voz autorizada dentro do mundo da capoeira.

Como o estudo se encontra em desenvolvimento, podemos relatar que os indícios apresentados evidenciam como a capoeira vem se organizando na contemporaneidade, possibilitando-nos refletir sobre a conformação do campo capoeirístico e sobre a criação de símbolos que buscam forjar um ethos, que passa pela normatização de práticas e pela produção de um vocabulário que de conta de modelar a diversidade típica do mundo da capoeira.
Referências
BARZOTTO, Valdir Heitor. Leituras de revistas periódicas: forma, texto e discurso - um estudo sobre a revista Realidade (1966-1976). 1998. Tese (Doutorado em Linguística) – Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1998.

BERTO, Rosiane Campos. Regenerar, civilizar, modernizar e nacionalizar: a Educação Física e a infância em revista nas décadas de 1930 e 1940. 2008. Dissertação (Mestrado em Educação Física) – Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2008.

BLOCH, Marc. Apologia da história, ou ofício do historiador. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia do campo científico. São Paulo: Editora UNESP, 2004.

BURKE, Peter. A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1992.

CARVALHO; Marta Maria Chagas; HANSEN, João Adolfo. Modelos culturais e representação: uma leitura de Roger Chartier. Varia História, Belo Horizonte, n. 16, p. 7-24, set. 1996.

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: artes de fazer. Rio de Janeiro: Petrópolis, 1994.

CHARTIER, Roger. História cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1988.

CHARTIER, Roger. O mundo como representação. Estudos Avançados, São Paulo, v. 5, n.11, jan./abr. 1991.

DARNTON, Robert. A revolução impressa: a imprensa na França, 1775-1800. São Paulo: EDUSP, 1996.

LUCA, Tania Regina de. História dos nos e por meio dos impressos. In: PINSKY, Carla Bassanezi (Org.). Fontes históricas, São Paulo: Contexto, 2005. p. 111-153.

NUNES, Clarice; CARVALHO, Marta Maria Chagas de. Historiografia da educação e fontes. In: GONDRA, José Gonçalves (Org.). Pesquisa em história da educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.

NUNES, Clarice; CARVALHO, Marta Maria Chagas de. Historiografia da educação e fontes. Cadernos da ANPED, Belo Horizonte, n. 5, p. 7-64, set. 1993.

NUNES, Clarice; CARVALHO, Marta Maria Chagas de. Historiografia da educação e

PRATICANDO CAPOEIRA ESPECIAL, ano 1, n. 3.

PRATICANDO CAPOEIRA: GRANDES MESTRES, GRANDES GRUPOS, ano 1, n. 3.

PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 1.

PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 2.

PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 3.

PRATICANDO CAPOEIRA, ano 1, n. 5.

SCHNEIDER, Omar. Educação physica: a arqueologia de um impresso. Vitória: Edufes, 2010.

VEYNE, Paul. Como se escreve a história e Foucault revoluciona a história. Brasília: Editora da UNB, 1998.



Warde, Mirian Jorge. Questões teóricas e de método: a história da educação nos marcos de uma história das disciplinas. In: SAVIANI, Dermeval; LOMBARDI, José Claudinei; SAOFELICE, José Luiz (Org.). História e história da educação. Campinas: Autores Associados, 1998, p. 88-97.

Notas


1 Hunt (2001), citado por Berto (2008), denomina a Nova História de Nova História Cultural.

2 Sabemos que a “influência” é relativa, uma vez que sempre existe a possibilidade de um consumo produtivo, por parte do usuário, de determinado objeto simbólico ou material.

3 Essa editora é uma empresa comercial que está sediada em São Paulo e publica vários títulos de periódicos. Ela implementa as edições da coleção Praticando Capoeira lançando CDs de músicas e cantigas de capoeira além de DVDs, contendo filmes, documentários e práticas do cotidiano do campo capoeirístico.

4 Schneider (2010, p. 25) analisa o periódico Educação Physica com a intenção de “[...] compreender as situações-problema com as quais atores sociais se defrontam, os repertórios de modelos culturais que tiveram acesso e os recursos [...] com que puderam contar na apropriação e usos dos saberes em circulação”.

5 Ver nota 2.

6 “A minha hipótese é de que o movimento de aproximação da História da Educação ao campo da História deve-se mais a iniciativa dos que se situam na área da educação [...] ela tem se dado entre pesquisadores ou grupo de pesquisadores nacionais e seus correlatos estrangeiros, destacadamente franceses [...] destacado a proeminência da História Cultural sobre outras vertentes da História” (WARDE, 1998, p. 94-95).

7 A terceira geração compõe-se dos historiadores, entre os quais François Furet, Georges Duby, Jacques Lê Goff, Jacques Revel, Michèle Perrot, Mona Ozouf e Pierre Nora (LUCA, 2005, p. 143).

8 Ver nota 1.

9 “[...] é o título de uma coleção de ensaios editada pelo renomado mediavalista Jacques Le Goff [...] é uma história made in France [...] é a história associada à chamada École des Annales, agrupada em torno da revista Annales: économies,societés, civilisations”.

10 Para Veyne (1998, p. 280), “Toda história é arqueológica por natureza e não por escolha: explicar a história e explicitar a história consiste, primeiramente, em vê-la em seu conjunto, em correlacionar os pretensos objetos naturais às práticas datadas e raras que os objetivizam, e em explicar essas práticas não a partir de uma causa única, mas com base em todas as práticas vizinhas nas quais se ancoram”.

11 Chartier (1988) associa arqueologia a objeto cultural propondo uma arqueologia dos objetos. Conforme Nunes e Carvalho (2005, p. 50), “[...] tal arqueologia é incompatível com a separação do texto (e, portanto, mais ainda das ‘idéias’ do texto) das formas impressas ou manuscritas que lhe servem de suporte”.

12 Como salienta Bloch (2001, p. 73), “[...] o conhecimento de todos os fatos humanos no passado, da maior parte deles no presente, deve ser, [segundo a feliz expressão de François Simiande] um conhecimento através de vestígios”.

13 É composta pelo aparelho crítico: forma como os dispositivos (elementos que compõem uma estratégia) são hierarquizados em um suporte material com a finalidade de didatizar seu uso, em determinada situação de manuseio e controle da leitura, ou sofisticação de seu design, com o objetivo torná-lo mais atraente ao público consumidor (SCHNEIDER, 2010).

14 O pôster apresenta dois capoeiristas executando fundamentos técnicos específicos: o capoeirista do lado direito da fotografia realiza um golpe traumático, enquanto o outro se esquiva tentando desequilibrar o primeiro. O verso é composto pela capa da revista, o editorial e por mais cinco matérias: 1) Vocabulário básico, 2) Pensamentos, 3) Artes marciais orientais X Capoeira, 4) Capoeira na história do Brasil e 5) Mandamentos da Capoeira. Na capa dessa revista, não é impresso o ano, o mês nem o número de sua publicação; nas demais é apresentado o ano, o número e o preço, respectivamente à direita, abaixo do título da revista, o qual aparece na parte superior. Salientamos que o ano explicitado não é referente ao ano em exercício da ocasião de lançamento do exemplar.

15 Revista pôster, acompanhada de uma fita VHS (posteriormente digitalizada para DVD) contendo documentário sobre o mestre Pastinha. O pôster é uma arte de Fernando Lopes: posicionado a direita do observador, a imagem apresenta o mestre Curió à beira-mar, segurando um berimbau, simulando a execução de um toque no instrumento. Da lateral esquerda ao centro e ocupando toda altura do pôster, tem-se o busto do mestre Pastinha ao fundo, em forma de marca d’água. A revista não apresenta índice nem paginação.




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