A comunhão é possível



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INSTITUTO FILHAS DE MARIA AUXILIADORA


fundado por São João Bosco

e Santa Maria Domingas Mazzarello

N. 864

A Comunhão

é possível


Queridas Irmãs,

a primeira circular coral de 2005, ano dedicado à Eucaristia, chega a vocês no início da caminhada quaresmal. Abre-se sob o signo do testemunho da solidariedade que caracterizou, de modo palpável, a participação na sorte de tantos irmãos e irmãs atingidos por catástrofes naturais, guerras e desumanas violências. Também o Congresso sobre a vida consagrada de novembro p.p., interpela-nos a sermos comunidades samaritanas que exprimem a fantasia da caridade na autodelimitação e na coragem de vencer o mal com o bem.
As notícias, publicadas no News e no site Web do Instituto, documentam o concreto envolvimento das nossas comunidades educativas e ex-alunas para aliviar os sofrimentos de tantas famílias e, de modo especial, de crianças atingidas pelo maremoto no sudeste asiático. Essa catástrofe faz-nos experimentar a interdependência entre os povos e a solidariedade, que superam barreiras culturais e religiosas em nome da tutela e da promoção da vida humana.

Dos Seminários à comunhão no cotidiano


A circular leva também a marca da comunhão e da gratidão pela experiência vivida durante os Seminários sobre a Espiritualidade de comunhão no estilo salesiano. Constatamos sua irradiação nas várias realidades do Instituto, numa espécie de onda benéfica que se estende e fermenta a vida.
A espiritualidade de comunhão é possível. Nós a vivemos e queremos anunciá-la ao mundo”. Essas palavras exprimem o sentimento unânime das Conferências interinspetoriais e sintetizam a alegria de uma caminhada empreendida ou retomada, da qual queremos fazer eco, compartilhando o que emerge das conclusões dos Seminários.

"Insieme", redescobrimos que a gente se educa para a comunhão na escuta da Palavra de Deus e, portanto, a comunhão cresce na medida em que nos abrimos à presença do Espírito e ampliamos a nossa tenda no amor.


Muitas Irmãs reconhecem que a modalidade de realização dos Seminários foi uma escola de animação: havia, de fato, a proposta clara e compartilhada, um sólido fundamento teoantropologico e, ao mesmo tempo, o cuidado de colocar as raízes no vivido, onde nos sentimos interpeladas diretamente, em co-responsável participação. A dinâmica de partir da experiência, para iluminá-la e interpretá-la em atitude de discernimento no Espírito, constituiu um percurso metodológico valorizado por todas.
Durante o desenrolar dos Seminários foram objeto de reflexão algumas instâncias identificadas como prioritárias no XXI Capítulo Geral: discernimento-acompanhamento, evangelização, educomunicação e interculturalidade.

Neste período de Plenum partilhamos entre nós e com as nossas consultoras, a rica experiência feita. Agora queremos evidenciar com vocês algumas das convergências mais relevantes, sem menosprezar acentuações específicas, diversidades de perspectivas, desafios e aspectos sobre os quais precisamos continuar a refletir, nos processos já em andamento.


A interculturalidade é vista por todas as Conferências interinspetoriais como um caminho preferencial para assumir positivamente as diferenças de idade, cultura, etnia e tradição, e para abrir-se mais decididamente ao acolhimento da diversidade, tecendo redes de relações em diferentes níveis.

Algumas Conferências reconhecem no fenômeno da migração um lugar de evangelização e de atenção aos mais pobres e abandonados. Outras manifestam a necessidade de crescer no senso de pertença continental, sobretudo em contextos de particulares desafios socioculturais e religiosos, como a Europa e a Ásia, intensificando os contatos e o intercâmbio, e valorizando a aprendizagem da língua italiana como veículo de comunhão e de internacionalidade.

Na educomunicação foi individualizada uma via para valorizar ecossistemas que favoreçam a humanização das relações em dimensão comunitária. Percebe-se a exigência de capacitar FMA e leigos a se tornarem educomunicadores salesianos, sensíveis às linguagens juvenis em vista de uma evangelização inculturada que se confronta com os desafios da civilização midiática.

Para algumas Inspetorias, a educomunicação ainda é uma perspectiva a ser aprofundada no seu significado e no seu alcance educativo.

No contexto africano foi evidenciado como Maria de Nazaré e Maria Domingas Mazzarello podem ser um modelo de mulheres que educam comunicando, ícone do qual haurir reservas para atuar essa linha de ação capitular.
A síntese harmônica de discernimento-acompanhamento foi considerada como preciosa mediação para exprimir na vida a espiritualidade de comunhão. Todavia, não em todos os Seminários foi possível aprofundar a relação inseparável entre uma e outra dimensão, pela dificuldade de compreender e fazer essa síntese. No processo de crescimento, o discernimento se torna acompanhamento, e o acompanhamento exige o discernimento.

A partir dessa interação, ficou reforçada a exigência de revitalizar na nossa vida de FMA o colóquio pessoal, o acompanhamento recíproco e o acompanhamento de jovens e de leigos, a fim de responder ao projeto de Deus como comunidades educativas e como Família Salesiana.

Em algumas Inspetorias amadureceu uma nova consciência: muitas vezes a dificuldade no acompanhamento é devida à dificuldade de entrar no processo de discernimento.

Nessa moldura, foi reafirmado por todas o estilo de animação e coordenação para a comunhão como capacidade valorizadora e propositiva que suscita confiança e co-responsabilidade. Ao mesmo tempo, não foram omitidas as dificuldades na atuação de um empenho que requer uma progressiva mudança de mentalidade para que o estilo de animação se torne expressão concreta do espírito de família.


A urgência de pôr em prática uma evangelização inculturada e um anúncio mais explícito e alegre de Jesus foi sentida em todos os Seminários. Com diferentes acentuações, de acordo com os contextos, percebeu-se o alcance dessa escolha do XXI Capítulo Geral no horizonte da missão eclesial segundo a qual a evangelização é palavra de esperança para o nosso tempo.

A Ásia exprime a necessidade de aprofundar o diálogo inter-religioso e o testemunho profético até o martírio, nos contextos de perseguição religiosa. A África, a América e a Oceania sublinham a dimensão missionária do anúncio. A evangelização junto com os leigos e o acompanhamento na partilha/celebração da fé são prioridades de todos os contextos, particularmente da Europa.


Na conclusão de todos os Seminários foi possível constatar a profunda relação entre os quatro aspectos da espiritualidade de comunhão, evidenciados pelo XXI Capítulo Geral, que favorecem o caminho na unidade vocacional.

Para aprofundar a comunhão como princípio educativo, todas as Conferências pretendem reler o Sistema Preventivo na ótica da espiritualidade de comunhão e compartilhá-lo com os leigos nas comunidades educativas, sobretudo nos ambientes em que o carisma está presente há pouco tempo.

Em todos os contextos sente-se a urgência de reforçar nas comunidades um estilo de relações humanizantes, radicado na Palavra de Deus e na Eucaristia, na disponibilidade ao contínuo processo de conversão. O espírito de família terá assim um rosto sempre mais vivo que se manifesta como acolhida, misericórdia, participação, co-responsabilidade, abertura missionária.

Na releitura da teoantropologia salesiana, que dá fundamento à experiência carismática, algumas Conferências se inspiraram particularmente no humanismo de S. Francisco de Sales, traduzido em nível educativo por Dom Bosco. Outras refletiram sobre o contributo feminino de Maria Domingas Mazzarello para a espiritualidade de comunhão, colocando em evidência o seu itinerário espiritual de doação, perdão, reconciliação no tecido das relações da primeira comunidade de Mornese.


Na sua finalidade e modalidade de atuação os Seminários ficam como um percurso aberto, um processo encaminhado e que precisa ser continuamente potenciado.

O desafio dessa experiência é rico de desdobramentos operativos. Estamos certas de que encontrará as comunidades abertas e disponíveis, em sinergia com a caminhada da Igreja e da vida consagrada hoje, sempre mais sensível ao clamor da humanidade em busca de paz e de reconciliação.


Outros sinais de comunhão

Constatamos com esperança que a comunhão se reforça e se abre para perspectivas sempre novas. Transmitimos a vocês algumas delas.


O Congresso internacional marianoEu te darei a Mestra...”. A coragem de educar na escola de Maria (27-30 de dezembro de 2004), organizado pela Pontifícia Faculdade de Ciências da educação “Auxilium”, significou uma profunda experiência de busca e de comunhão vivida com Maria e conduzida por ela.

A presença de tantas Irmãs provenientes das várias Inspetorias demonstrou o grande interesse por uma proposta que interpela a nossa identidade e missão na Igreja.

Em vista de um contínuo processo de aprofundamento sobre a presença de Maria, mãe e educadora, de acordo com o que está previsto na Programação do sexênio, nós também, a Madre e as Conselheiras, participamos desse evento. Vimo-nos inseridas na caminhada eclesial, com Maria - paradigma da antropologia cristã - pelas estradas da plena realização da missão educativa, hoje.

Estamos convencidas de que Ela continua a conduzir-nos pelas fronteiras da nova evangelização, mantendo vivo em nós o fogo do da mihi animas cetera tolle, num tempo cheio de desafios em que as raízes mesmas da vida e da esperança se vêem ameaçadas.


Queridas Irmãs, somos gratas pela colaboração que vocês deram ao processo de redação das linhas orientadoras da missão educativa das FMA, tarefa que o Capítulo havia confiado ao Conselho Geral. Em pouco tempo as Inspetorias envolveram FMA, leigos, jovens animadores, ex-alunas, membros da Família Salesiana.

Com efeito, chegaram ao Âmbito para a pastoral juvenil significativas sugestões que mais uma vez nos permitiram ver a pluralidade dos aportes como riqueza para o Instituto. A variedade das observações feitas à primeira prova, ainda provisória e por isso incompleta, reflete a multiplicidade dos contextos eclesiais e socioculturais nos quais temos de educar evangelizando e evangelizar educando. Além disso, reflete o empenho com o qual, como Instituto, "insieme" com as jovens e os jovens, as famílias e os educadores leigos, nós nos sentimos responsáveis pela vitalidade do carisma e por sua inculturação no mundo de hoje.


O encontro dos Conselhos FMA – SDB, realizado no dia 13 de janeiro p.p., foi uma nova oportunidade de partilha em vista de um caminho de comunhão sempre mais profunda. Juntos, nos conscientizamos da nossa responsabilidade de favorecer o desenvolvimento do carisma como Família Salesiana no contexto de hoje e com visão de futuro. O confronto sobre a presença salesiana na nova Europa e a partilha de novos projetos missionários são motivos de esperança para as duas Congregações, que se vêem diante de alguns desafios comuns e desejam enfrentá-los criando sinergia.
Um outro sinal de comunhão, que nos une sobre a sólida rocha da Palavra de Deus, é o encaminhamento do Projeto Jerusalém (cf Programação do sexênio p. 27), que está tomando forma mediante a reflexão dentro do Conselho e com uma Comissão específica. O Projeto – a quarenta anos da constituição conciliar Dei Verbum – será para as FMA um renovado apelo a entregar-se ao dinamismo transformante do Espírito no exercício concreto do discernimento e da leitura sapiencial da realidade (cf Atos do CG XXI n. 33).

Enquanto renovamos nosso agradecimento pelos processos de solidariedade e de comunhão em curso nas Inspetorias, anexamos uma carta para dar a largada à preparação para as avaliações trienais que acontecerão em 2006.

Todos os dias nos encontramos na celebração da Eucaristia, sacramento da comunhão e da missão da Igreja, vínculo de unidade entre nós e com o mundo necessitado de vida, de pão, de paz e de liberdade.
Roma, 11 de fevereiro de 2005

Com afeto



A Madre e as Irmãs do Conselho

em comunhão

POR ESTRADAS DE CIDADANIA EVANGELICA

Querida Irmã,


quisemos escrever a você uma carta pessoal, anexa à circular coral, para compartilhar um evento muito significativo para a nossa vida de FMA.

No terceiro ano após a conclusão do XXI Capítulo Geral, estamos nos orientando para as avaliações trienais que terão início em janeiro de 2006: uma experiência que envolve todo o Instituto a partir de cada uma de nós e de cada comunidade educativa, um momento forte da caminhada que estamos fazendo para realizar aquilo que o Capítulo nos entregou:

– a comunhão como visão

– o discernimento como estratégia

– as três linhas de ação como percurso que está se traduzindo em vida, dentro de cada uma de nossas realidades.
As avaliações constituem uma oportunidade para verificar como foram assumidas as orientações do Capítulo, sintetizadas no objetivo geral da Programação do sexênio 2003-2008:
fazer da espiritualidade de comunhão no estilo salesiano

o modo habitual de viver a cidadania evangélica,

como comunidades educativas,

para sermos epifania do amor de Deus

entre as jovens e os jovens.
Para avaliar o que foi vivido, nos questionamos se entramos no processo vital de renovação augurado pelo Capítulo e expresso na Deliberação capitular. Remetemos para isso ao que está indicado nos Atos do XXI CG, al n. 40.
Convidamos você, neste ano de preparação, a intensificar a docilidade ao Espírito Santo na escuta da Palavra de Deus, em dar a sua contribuição para viver em clima de discernimento, e em se questionar com a sua comunidade, sobre estas perguntas:
*o que está mudando na nossa vida?

*o que bloqueia, amarra, impede a vida plena e o elã missionário nas nossas comunidades educativas?

*que sinais de futuro se vislumbram?
São os mesmos elementos de reflexão que indicamos à sua Inspetora, e que serão retomados na caminhada inspetorial, adaptando-se a cada contexto. Depois a Inspetora oferecerá às comunidades as modalidades concretas de atuação da avaliação em nível local e inspetorial.

A fase preparatória da avaliação trienal não se sobrepõe aos empenhos já numerosos de cada comunidade, mas entende valorizar a revisão comunitária, compartilhar conteúdos e experiências e favorecer a participação de todas na vida e no futuro do Instituto.

Um abraço, com a certeza de que Maria, mãe e educadora, mulher que escuta e vive a Palavra, nos guie à leitura sapiencial da realidade.

Roma, 11 de fevereiro de 2005

Af.ma Madre Antonia Colombo

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PROSPECTO DAS AVALIAÇÕES TRIENAIS



Ano 2006 Conferências interinspetoriais Onde


Janeiro 08 - 12 CII – CIEP Roma

17 - 21 CIAM Nairobi (Quênia)

26 - 30 PCI Guwahati (Índia)

Fevereiro 09 - 13 CIAO Seul (Korea)

Maio SPR Melbourne(Austrália)

Junho 27 - 30 Casas dependentes da Madre Roma

Julho 03 - 07 CIEM Wien (Áustria)

20 - 25 CIB - CICSAL Cachoeira do Campo

(Brasil)
Agosto 07 - 11 CIMAC - NAC Santo Domingo

(Rep. Dominicana)



13 - 17 CINAB Quito-Cumbayá (Equador)


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